Blog do Celio Gomes

O inesperado terremoto eleitoral chamado Joaquim Barbosa

Até parece que Joaquim Barbosa é o cara. Aliás, mesmo que não seja, nenhum outro nome provocou tanta zoada no cenário político-eleitoral nos últimos dias. Tudo porque na pesquisa Datafolha, divulgada no domingo (15/04), ele aparece na casa dos 10% das intenções de voto. O inesperado desempenho gerou uma série de especulações e movimentos entre os partidos.

 

O curioso é que o ex-presidente do STF, que virou celebridade no processo do mensalão, nem foi lançado oficialmente pelo PSB. Isso vai ocorrer, mas ainda sem data marcada pela legenda. A força do pré-candidato surpreendeu principalmente porque ele estava sumido havia pelo menos dois anos. Ao contrário de pretendentes manjados, estava no quase absoluto silêncio, longe do noticiário.

 

Não por acaso, ele próprio estaria surpreso com o potencial verificado na pesquisa. Em termos de comparação, Ciro Gomes e Geraldo Alckmin se apresentam como candidatos há um século, com presença constante na imprensa. Mesmo assim, o ex-ministro do Supremo aparece à frente dos dois em alguns cenários. Daí porque, como era previsível, já é alvo desses adversários.

 

Alckmin e Ciro acusaram o golpe. Imediatamente, partiram para cima do que consideram uma ameaça, com farpas e insinuações. Sabem que Barbosa tira votos exatamente na faixa que os dois sonham ocupar. Ou seja, nem um suposto herdeiro do petismo nem a renovação da voz tucana – o eleitor pode ver no recém-filiado ao PSB aquilo que se chama por aí de terceira via.

 

A candidatura de Barbosa também teria os ingredientes para convencer os segmentos identificados como de centro – nem esquerda nem direita. Seria uma alternativa aos males da tão debatida polarização. Não deixa de ser engraçado porque, afinal, não foram poucas as vezes em que o virtual candidato se mostrou bem raivoso. Mas isso seria um traço de personalidade a ser trabalhado.

 

É o que dizem quase dez entre dez dos analistas que tentam explicar o aparente fenômeno Joaquim Barbosa. Na verdade, ninguém sabe o que pensa o homem sobre grandes temas da economia. Estado forte ou o contrário. Programas sociais. Financiamento com bancos públicos. Meta fiscal. Carga tributária. Agronegócio. O peso do mercado... Tudo é mistério na cabeça do pré-candidato.

 

Pessoalmente, não gosto do jeitão autoritário, com cacoetes de xerife, que ele apresentou em várias ocasiões desde que chegou ao STF e virou uma personalidade pública. Também desprezo a conversa mole que vê no Judiciário, de onde ele vem, alguma qualidade especial. Chega de togados com retórica de salvador da pátria. Isso é balela de fanáticos por Sergio Moro e patota.

 

Seja como for, o ambiente está agitado como nunca esteve de uns tempos para cá. Patinando na obviedade, digo que é cedo para cravar qualquer prognóstico. Uma série de eventuais fatores, de dentro e de fora da política, tem tudo para mexer as peças e alterar o quadro nas próximas semanas. As convenções ainda vêm aí. A campanha está longe das ruas. Sim, o jogo está aberto.

“Holocausto” nas prefeituras foi adiado

No dia 6 de outubro do ano passado, a Associação dos Municípios Alagoanos realizou uma reunião de emergência. O tema do encontro era a situação “dramática” dos cofres nas prefeituras do estado. Reafirmando a tradição do chororô, os senhores prefeitos denunciaram a iminente falência generalizada, segundo eles, em decorrência do arrocho promovido pelo governo federal. Em diversos municípios, houve demissões de servidores em cargos comissionados.

 

Na época, o presidente da AMA e prefeito de Cacimbinhas, Hugo Wanderley, lançou uma previsão assustadora. Segundo o abastado filho das elites alagoanas, ou a União aumentava os repasses aos gestores das cidades, ou as populações mergulhariam no “holocausto”. Suas declarações foram gravadas e reproduzidas por toda a imprensa. Nunca houve tanto drama.

 

Segundo o prefeito, o quadro se agravaria até o fim de 2017. Depois do corte de pessoal, tudo poderia acontecer. Vamos lembrar o que ele disse: A situação é preocupante. Todos os municípios estão sofrendo. Temos obras paradas em todos os cantos. Estamos bancando todos os serviços básicos dos municípios. As demissões são inevitáveis. A ordem era pressionar Brasília a abrir a torneira de socorro.

 

Se o panorama era desesperador nos últimos meses de 2017, para o ano seguinte, as trevas cobririam nosso futuro. Relembre mais um pouco das previsões do presidente da AMA para 2018: Para piorar mais ainda pro próximo ano, nós recebemos uma análise do orçamento enviado pelo governo federal em que se aponta o cenário de um verdadeiro holocausto aqui no Brasil. Seis meses depois, estamos vivos. Ufa!

 

Agora, Hugo Wanderley, o profeta do caos e do fim do mundo, está de volta. Sua dilacerante preocupação é o projeto do governo federal que eleva o salário mínimo dos atuais 954 reais para 1.002 reais no ano que vem. Um reajuste de 48 reais. De novo, o presidente da AMA cobra aumento nos repasses da União. Dessa vez, segundo publica a Gazeta, o homem foi mais comedido: Por menos que seja, o reajuste sempre causa um grande impacto, porque a base salarial dos municípios é o salário mínimo.

 

Embora mais discreto, vejam que ele já prevê a dureza nas contas lá no futuro, mais ou menos daqui a oito ou nove meses. É um gestor com visão de longo alcance. De todo modo, já estou preocupado com a sucessão dos fatos. Afinal, como 2017 passou, e 2018 vai chegando perto da metade, é possível que 2019 seja o ano do apocalipse – o tempo do holocausto. Bora ajudar as prefeituras?

Três mistérios que atormentam famílias e desafiam o Estado

Foto: Reprodução/Internet Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Allan Teófilo Bandeira, 29 anos

No dia 30 de março, em Maceió, três jovens amigos saíram de casa, por volta de cinco da manhã, e até hoje não voltaram mais. Segundo as famílias, Maxsuelto Fernandes Tenório, Brunildo Matias Vitor Silva e Elton Carlos Nascimento Lino deixaram o Conjunto Selma Bandeira rumo ao bairro da Serraria. Lá, pretendiam pegar cocos em um sítio. A polícia fez buscas na área que o trio teria percorrido, mas não encontrou nada. Apenas vestígios. Vinte dias depois, o mistério continua a atormentar os parentes.

 

Dois meses antes do caso relatado acima, em primeiro de fevereiro, Humberto Thiago de Araújo Neto, 23 anos, sumiu após uma suposta abordagem de policiais militares, no bairro do Prado, também em Maceió. Um amigo que estava com ele conta que os dois foram levados para uma área no Pontal. Lá, esse amigo foi liberado, mas os militares continuaram com Humberto. Uma investigação na Corregedoria da PM, ao que parece, até agora não esclareceu praticamente nada. Em profunda tristeza, a família do jovem espera.

 

Em 23 de novembro do ano passado, Allan Teófilo Bandeira, 28 anos, pegou seu carro, no bairro da Forene, na capital, e rumou na direção do município de Satuba, não muito longe de sua residência. Segundo a família, ele disse que iria participar de um jogo de futebol com amigos. Não retornou mais para casa. Até hoje, quase cinco meses depois, não se sabe o que ocorreu com o rapaz. O carro que ele dirigia também não foi localizado. Parentes e colegas fazem campanha pela internet em busca de informações.

 

São situações diferentes, mas, pelo que a imprensa publicou, parece haver um ponto em comum nos três episódios: há informações concretas sobre os passos das vítimas, o rumo que tomaram e o suposto ponto final de suas trajetórias. Por alguma razão um tanto nebulosa, porém, as pistas evaporam a partir daí. As investigações emperram de modo desconcertante. O que falta à polícia para esclarecer esses casos? As respostas das autoridades têm sido lamentáveis. Parece que estão perdidas na escuridão.

 

Uma investigação desse tipo é sempre complexa. Se estamos diante de crimes, os criminosos obviamente tratam de dificultar a missão daqueles que tentam desvendar os fatos. Ocorre que isso não é novidade para os investigadores. A polícia deve ter mecanismos para enfrentar as dificuldades previsíveis em casos assim. Ou não temos no aparato da segurança pública os meios eficazes para o necessário trabalho de apuração? Como anda a Polícia Civil? Temos um serviço de inteligência pra valer? São dúvidas mais que pertinentes. 

 

Sei que há delegados e policiais seriamente engajados nas investigações desses três mistérios. A falta de resultados, no entanto, denuncia uma anormalidade. Enquanto isso, uma mãe, um pai, famílias inteiras têm suas vidas arrastadas pela angústia da incerteza, pelo drama da espera, pelo desespero. O Estado, que falha até agora, está em débito com todas essas pessoas, está em débito com a sociedade. Até quando?

Torcendo contra o Brasil de Neymar Jr.

O mundo é uma bola. E pensei mais algumas coisas sobre o jogo, as jogadas e o velho jornalismo.  

 

Futebol é entretenimento. Futebol não é assunto para o jornalismo, muito menos para jornalismo investigativo. A imprensa não tem que perder tempo com denúncias envolvendo a bandidagem de cartolas. Também não deve criticar as fartas demonstrações de boçalidade por parte de treinadores medíocres e cabeças de bagre que maltratam a bola. Futebol, amigo, é emoção!

 

No parágrafo acima, está uma síntese do que a Rede Globo entende como ideal na cobertura dos eventos esportivos. Não estou especulando. São fatos. Embora sempre tenha misturado as coisas, nos últimos anos a emissora oficializou a blindagem do futebol, retirando o segmento do alcance do jornalismo. Por que isso? É lógico: o que interessa são contratos bilionários e audiência.

 

Por onde se olha, essa postura é uma desgraceira. E ressalte-se logo que a filosofia da Globo está espraiada por todas as demais emissoras de TV. O mau jornalismo, é claro, não é exclusivo dos meios televisivos, mas é aí que o descaramento enfia o pé na jaca. Nessa toada, ninguém quer encrenca com essa besteira de jornalismo – isso dá trabalho e não rende os dividendos que todos esperam.

 

Um dos sinais mais antigos – e consistentes – da degradação geral é a figura do repórter engraçadinho. Poderia lembrar vários nomes, mas Tadeu Schmidt e Tiago Leifert representam a categoria de modo perfeito. Um palhacinho foi para a novela do Fantástico; o outro se lambuza na porcalhada do BBB. Nos dois casos, trata-se do Padrão Globo de Qualidade. Faz escola.

 

É por isso que, para a Globo, Ronaldo Nazário e Neymar Júnior têm salvo-conduto para suas peraltices. Vejam que, diante de qualquer assunto mais delicado para os dois, lá estão eles dando “entrevistas exclusivas” às celebridades da emissora. No ano passado, descobriu-se que Neymar mantinha contrato secreto com a Globo. É, para dizer o mínimo, uma pilantragem.

 

Uma mostra da safadeza generalizada pode ser vista nas famosas mesas redondas que infestam a programação dos canais especializados em esporte. Chega a ser constrangedor ver comentaristas que atuam como agentes de cartolas, empresários e atletas. Falam como se estivessem fazendo jornalismo, mas estão a serviço da bandalheira. E ainda querem vender a imagem de corajosos.

 

Aliás, a gritaria nos debates é a marca desses programas na TV. Quando vejo um comentarista à beira do enfarte, de tanto berrar em defesa de um personagem ou pedindo a cabeça de outro, não tenho dúvida: é negócio. Outra estratégia manjada é cobrar a convocação de um “extraordinário” talento para a seleção brasileira. Quando você vai conferir o talentoso em questão, é pura fraude.

 

Eis o panorama devastador da tal imprensa esportiva, praticamente sem exceção. Aliás, o termo imprensa deveria ser excluído dessa atividade. Não há jornalismo no meio desse gramado. É só esquema, embromação, mau-caratismo. Em homenagem a tudo isso, ainda avalio para qual seleção vou torcer na Copa. A última alternativa, quase descartada, é o Brasil do bosta do Neymar.

“Parabéns, Gustavo Feijó”! A bola fora da imprensa alagoana

Não pretendia perder mais tempo falando da “eleição” na Confederação Brasileira de Futebol. Mas depois de assistir ao Globo Esporte, no bloco alagoano de notícias e na parte nacional, preciso falar. Escrevo “eleição” entre aspas porque não houve disputa. A tradição nessa gangue é a candidatura única. O presidente eleito é Rogério Caboclo, que no discurso da aclamação homenageou Marco Polo Del Nero, o gangster número 1 da CBF. Ao fazê-lo, os iguais da plateia aplaudiram. Foi um sinal claro de que estamos perdidos. Uma zombaria e um acinte.

 

Meu primeiro espanto foi ver o jornalismo da TV Gazeta parabenizar Gustavo Feijó, que, nas palavras do apresentador, “é o homem forte de Alagoas no futebol brasileiro”. Santa Misericórdia! Feijó foi reconduzido ao cargo de vice-presidente da CBF para a região Nordeste. Nem a Globo ousou tamanha bajulação aos seus sócios históricos. Sem escolha, mesmo contrariada, a emissora da família Marinho teve de lembrar do caso de corrupção que desmoraliza a porcaria da CBF.

 

Também nas imagens da reportagem nacional, lá estavam os dois comandantes dos maiores clubes de Alagoas. Estavam lá como integrantes fiéis do esquema que afunda o futebol brasileiro há décadas. Marcos Barbosa, presidente do CRB, e Rafael Tenório, presidente do CSA, seguem direitinho a cartilha dos chefões das grandes jogadas. A dupla é parte de um sistema que um dia terá de ser eliminado da vida brasileira. Ou será assim ou o futebol jogado no Brasil acabará de vez.

 

Lembrando: Del Nero, o elemento que ainda preside a CBF, está afastado do cargo por decisão da Fifa. Corre o sério risco de ser banido do esporte para sempre. Ele também não sai do país porque, se o fizer, pode ser preso, como aconteceu com José Maria Marin, o quadrilheiro que o antecedeu na cadeira. Mas tudo isso recebe o aplauso dos cartolas alagoanos. E tudo isso merece as congratulações do jornalismo da TV Gazeta. “Parabéns ao nosso Gustavo Feijó”. Fala sério!

 

Bom, se por razões políticas e comerciais, os maiores e mais poderosos meios de comunicação de Alagoas precisam bajular a máfia da CBF e seus satélites, aqui, com este blogueiro de meia pataca, o leitor terá sempre o contrário. O futebol brasileiro foi sequestrado por uma corja que deveria estar na cadeia. Por tudo isso, eu não parabenizo Feijó, Barbosa, Tenório, Del Nero e assemelhados.

“Bolsomito” – a piada e a irrelevância

Os mais ricos e os mais jovens adoram Jair Bolsonaro. Isso não é minha opinião. É o que apontam todas as pesquisas que sondam as preferências do eleitorado. E foi o que atestou, mais uma vez, o último levantamento do Datafolha, publicado no domingo (15/04). Agora é minha opinião: há alguma coisa muito errada nessa turminha de ricaços e na patota da juventude brasileira. Desculpem, mas uma mente um pouco saudável não combina com essa degradação.

 

Os dados da pesquisa revelam algo que merece uma tese. Numa tacada só, derrubam duas lendas urbanas que são repetidas desde sempre. A primeira garante que quanto maior poder aquisitivo, mais capacidade para se informar e, portanto, construir uma visão de mundo mais aberta e arejada. A segunda lenda aponta o jovem como o eterno agente da renovação, da vanguarda, da rebeldia. A paixonite aguda por Bolsonaro fulmina as duas crenças ilusionistas.

 

Não chegarei nem perto de uma tese por aqui, mas avanço um pouco nas divagações. Sobre os de renda mais alta, não há muito a acrescentar; está claro que o dinheiro não compra inteligência e muito menos princípios democráticos. Quanto aos jovens, ao contrário do que se costuma pensar, estão sempre prontos para abraçar os pensamentos mais reacionários, toscos e autoritários. Ou não é isso tudo o que resume o perfil político de Bolsonaro? A rapaziada gosta mesmo é de ganhar no grito.

 

Bastou aparecer um brucutu, com fuzil na mão e um coquetel de preconceitos no berro, para os meninos caírem de quatro. Deve ser a necessidade de liberar a energia vital que dizem existir nessa fase da vida. Para convencer os rebeldes sem rebeldia, é suficiente a demonstração de fanfarronice. Bolsonaro trata negros como gado, e dispensa a mulheres os piores xingamentos típicos de sua visão de mundo atrofiada. O que digo está eternizado na Internet. É só pesquisar.

 

Exatamente por essas razões, o elemento foi denunciado pela Procuradoria Geral da República. Seus crimes de racismo e pregação da violência contra a mulher foram gravados por ele mesmo. Ninguém precisa provar nada, ele próprio veiculou as aberrações, em entrevistas, palestras e manifestações pelas redes sociais. Tudo com sua indelével e cretina assinatura. Bolsonaro se orgulha de ser o que é, tem certeza de que as coisas funcionam com essa lógica da bestialidade.

 

Uma elite financeira burrinha e uma garotada acintosamente servil ao que há de mais atrasado. É uma tabelinha infernal. E as duas esferas acreditam que Bolsonaro representa algum avanço para o Brasil! Tudo bem que o mundo não faz sentido, mas como eu não preciso ajudar a piorar as coisas, escrevo para combater delinquências e insanidades. Espero que o tal “Bolsomito” continue a ser o que sempre foi, no lugar que lhe é mais adequado: uma piada sem graça, no circo da irrelevância.

Uma gangue escolhe novo presidente

A quadrilha que administra o esporte mais popular do país escolhe seu novo presidente nesta terça-feira (17/04). Também conhecida como Confederação Brasileira de Futebol, a organização comprovadamente criminosa será presidida por um tal Rogério Caboclo. É homem escolado na tradição da casa. Ele não disputa a eleição com ninguém. Será aclamado. É o nome dos atuais comandantes da gangue. Tudo acertado para que nada ameace o esquema tático dos mafiosos.

 

O arremedo de eleição também renova os mandatos de toda a diretoria, incluindo os oito vice-presidentes da CBF. Entre os valorosos que ocupam esses postos cativos está o alagoano Gustavo Feijó, titular de uma Vice-Presidência para a região Nordeste. Estamos bem na foto? Feijó é prefeito de Boca da Mata, cargo do qual se licenciou em dezembro do ano passado. Ele responde na Justiça pela acusação de caixa dois na campanha. Recebeu, na moita, 600 mil reais da própria CBF.

 

O atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, não pode sair do Brasil. Teme ser preso em decorrência do escândalo de fraudes e corrupção na venda de direitos para transmissão de jogos da seleção. Seu antecessor, José Maria Marin, está encarcerado nos Estados Unidos exatamente pelos mesmos motivos. A TV Globo está nessa até o pescoço dos irmãos Marinho – mas finge que não tem nada a ver com a história. Tite, o professor, prefere “não misturar as coisas”. Bola pra frente!  

 

Palco de delinquências a rodo, é claro que uma eleição na CBF tem todos os ingredientes que somente ali encontramos. No colégio eleitoral, o voto das federações estaduais tem peso 3. O voto dos clubes da Série A tem peso 2, e para os times da Série B, o peso é 1. É a fórmula perfeita para garantir a perpetuação do mesmo grupo. O eleitorado decisivo são as federações, sucursais da quadrilha-mãe. Para mantê-las no cabresto, o comando mantém a mesada em dia.

 

Para completar a comedia, o eleito de hoje não toma posse imediatamente, mas apenas daqui a um ano. Ninguém sabe explicar a razão dessa regra. Quando você lembra de tudo isso, fica mais fácil entender a mediocridade absoluta do futebol jogado no Brasil. Arbitragem delirante, cartolas corruptos e pernas de pau dando vexame a cada partida – eis um resumo do esporte que temos, dentro e fora dos gramados. Não será uma turnê pela Rússia que vai mudar esse descalabro.

É sério! Candidatos recebem aula de Luciano Huck sobre formação de líderes

Um amigo, sempre atento ao inclassificável mundo da política, me enviou por e-mail a imagem de uma publicação feita por um jovem candidato no Instagram. Até onde sei, o rapaz é um estreante na seara eleitoral. Acaba de deixar um cargo no serviço público, para tentar uma cadeira de deputado estadual. Ele informa, pela rede social, a última atividade da qual participou como preparação para encarar a briga pelo voto do eleitor. É aí que entra o apresentador Lata Velha, da Rede Globo.

 

Luciano Huck desistiu da candidatura a presidente, mas continua firme na sua missão de transformar o Brasil. Eu sei, parece piada; aliás, é uma piada. Mas não devemos esquecer que até Fernando Henrique Cardoso foi contagiado pelas brilhantes ideias do sócio da Angélica. Pois nesta segunda-feira (16/04), Huck deu uma aula para uma multidão formada por pessoas que estão engajadas na “renovação da política”. A palestra foi organizada por um movimento chamado Renova Brasil.

 

O troço ocorreu em São Paulo. A turma que vi na foto da publicação ouviu as lições do animador de auditório durante o Terceiro Módulo de Formação de Líderes. Sim, você leu certo, Huck está ensinando a jovens políticos como se forma uma liderança. O que eu devo pensar a respeito disso, Jesus de Belém?! Por obrigação profissional, conferi o Instagram do próprio Luciano. Ele divulga o evento, com imagem do auditório entupido. Conclusão: vem aí uma enxurrada de líderes...

 

Um indício certeiro de como as ideias do apresentador têm consistência e seriedade está nas postagens de sua rede social. Logo após a divulgação da palestra para a turma de futuras lideranças, vêm aquelas famosas fotos com a mulher, os amigos ou os bichinhos de estimação. Sem querer, o pensador que forma aspirantes à vida pública revela a essência de seus interesses. Vendo o espetáculo, fica até mais claro por que o delírio de chegar à Presidência do país.

 

Luciano Huck é um Chacrinha piorado. Seus quadros no programa representam o pior tipo de assistencialismo. “Resolver a vida” de alguém, depois de uma pesquisa de puro marketing, de olho na audiência, é uma mistura de messianismo e demagogia. É quase inacreditável que essa infame exploração da miséria resista até hoje na televisão brasileira. Alguém acredita mesmo que isso represente alguma novidade para “melhorar” a vida dos brasileiros? A resposta é trágica: sim.

 

E entre tantos que embarcam nessa patacoada, é claro que alagoanos não poderiam faltar. É o que acabo de descobrir. Insisto no ponto mais surreal: é gente que se apresenta como portadora de ideias transformadoras para nossas vidas! É por essas e outras que, quando vejo um engomadinho serelepe pregando renovação na política, minha vontade é despejar aqueles elogios impublicáveis. Contenho-me, para não importunar os leitores. Quanto a Luciano Huck, algum dia será mesmo candidato.

 

Para quem tiver curiosidade sobre o que acabo de relatar, basta visitar as publicações do Renova Brasil e do apresentador na rede social. Que fique claro, naturalmente, que não estou incentivando ninguém a se filiar a essa vanguarda do pensamento nacional. Ocorre que, como jornalista, tenho de trazer os fatos da maneira mais completa possível. No mais, cuidado com “renovadores”.

Eleição revela o alagoano que é “comunista quase capitalista”

A agitação em ritmo eleitoral vai produzindo, como era de se esperar, capítulos hilariantes. É comédia de todo lado. Depois de Ciro Gomes, agora é com Aldo Rebelo. Nesta segunda-feira, o alagoano de Viçosa, ex-deputado e ex-ministro, lançou sua candidatura a presidente. Como se sabe, hoje ele é um quadro no insuspeito Solidariedade. No oba-oba dos discursos, Paulinho da Força, que preside a legenda, definiu assim a ideologia do candidato: “Comunista quase capitalista”. Quem duvida?

 

Na ocasião, Rebelo não perdeu a chance de lançar farpas na direção de Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB para também disputar a Presidência – o que fez o alagoano sair do partido. Até um dia desses, Rebelo contava que disputaria a eleição pelo PSB, mas acabou atropelado pelo ex-presidente do STF. Segundo Rebelo, as negociações para fazer de Barbosa o candidato do PSB foram “meio nebulosas”. Claramente irritado, se referiu ao concorrente como “essa ilustre figura”.

 

Na sua tentativa de se apresentar como um homem de princípios, Rebelo se comparou às paisagens da geografia mineira: “Sou como as montanhas de Minas. Estou onde sempre estive”. Acabo de ver, no noticiário de televisão, Rebelo discursando. Ao lado dele, entre outros políticos, aparece o deputado Wladimir Costa, aquele sujeito que tatuou o nome de Michel Temer no braço. A associação entre ambos parece dizer muito sobre o rochedo que é a cartilha política do nosso conterrâneo.

 

Aldo Rebelo apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, mas hoje garante que, assim como vários outros algozes do PT, defende “a luta pela libertação do ex-presidente Lula”. Para ele, a prisão do petista é “injusta”. Seria o caso então de um preso político? Sua resposta: “Vou pensar”. Faz sentido. Vê-se que é a convicção típica de um legítimo comunista quase capitalista.

Ciro Gomes, um cretino “camarada”

Em condições normais, a palavra de um político deve ser recebida, digamos assim, com alguma cautela. Não digo que ele esteja mentindo de saída, mas não custa ficar de olho. Essa postura crítica certamente ajuda, ao menos, a escapar de eventuais armadilhas. Se estivermos no meio de uma campanha eleitoral, devemos redobrar a precaução. Agora, se a pauta é eleição, e o político a falar é Ciro Gomes, aí você pode esperar pelo inominável. O coronel do Ceará é imbatível.

 

Ciro pretende visitar Lula na cadeia. Ao ser abordado sobre essa ideia, ele deu a seguinte explicação: O Lula não é pra mim uma figura que conheço pela TV e pelos jornais. É um velho camarada há mais de 30 anos, com quem eu convivo, muitas vezes discordando e mais das vezes concordando e a quem eu apoio. Não trocarei uma frase sobe política. É tão infame quanto ridículo.

 

Cada afirmação no depoimento supera a frase seguinte em hipocrisia, manipulação dos fatos e mentira, pura e descaradamente. Ele fecha a declaração com uma falsidade que apenas corajosos como Ciro ousam sapecar. O homem nos garante, vejam só, que na eventual visita a Lula, não dirá “uma frase sobre política”. Sua agenda exclusiva deve ser a amizade e o futebol.

 

Mas nada supera esse desconcertante “é um velho camarada”. Aí é demais. Fico imaginando aqui o que devem pensar os muitos que realmente podem – pra valer – tratar Lula como um camarada. É bizarro como o oportunismo da politicagem expõe esse tipo de safadeza intelectual. Herdeiro das oligarquias, representante de uma elite ignorante – que ele finge atacar –, Ciro é a cretinice ululante.

 

Para saber como esse elemento respeita quem ele trata agora por “camarada”, faça uma busca pelo Google e pelo YouTube. É de enjoar. Em seus melhores/piores momentos, ele esbraveja agressões que começam em Lula e arrastam até a família do ex-presidente. Com esse padrão moral, julga-se pronto para governar o país. Como não está sozinho nesse pântano, tem boas chances.

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