Blog do Celio Gomes

Conselho ameaça cortar salário de policial que fez pole dance

A essa altura dos fatos, é claro que você já sabe do carnaval na imprensa sobre os vídeos do policial militar, que faz pole dance para comemorar a suspensão dos pardais eletrônicos no trânsito de Maceió. O assunto monopoliza a atenção das autoridades como raras vezes ocorre. Pelo visto, descobriram a causa de todos os males que afligem os alagoanos. Eu estou vendo a hora de alguém propor uma CPI para encarar esse episódio gigantesco que desafia a ordem pública.

 

A última novidade é a manifestação do Conselho Estadual de Segurança, que decidiu convocar o PM Kleverton Ferreti, que também é empresário, segundo leio nos textos publicados. Ferreti deve comparecer na próxima reunião do colegiado para dar suas explicações. E o que pode acontecer com ele após essa etapa crucial na relevante investigação? Pode ficar sem o salário!

 

É o que explica na Gazetaweb o vice-presidente do Conseg, Antônio Carlos Gouveia: Caso seja confirmado pelos meus pares, vamos instrumentalizar um processo que, em caso de condenação, pode ensejar em suspensão das atividades, perda de parte dos salários do servidor ou outra medida até mais enérgica. Suponho que entre as medidas com energia mais forte devem constar a expulsão dos quadros da PM e até mesmo prisão para o perigoso agente. É isso mesmo?

 

É o seguinte. O único crime do policial nisso tudo é a falta de noção combinada a uma dose cavalar de idiotice. Mas, até onde sei, o Código Penal não prevê punição para esse tipo de conduta. Agir como um Zé Mané, por enquanto, ainda não é contra a lei. Cortar o salário? Que brincadeira é essa, doutor? Do alto de minha ignorância jurídica, aposto que tal medida não tem amparo legal.

 

Mas eu entendo. Uma comoção a partir de eventos como esse é irresistível para vigilantes da lei e da ordem. Espero que o Conseg invista a mesma energia, por exemplo, no esclarecimento de inquéritos que se arrastam por meses, e até anos, sem um desfecho adequado. Pode também trabalhar na busca de soluções para os casos de extermínio de pobres nas periferias alagoanas.

 

Quanto ao policial Ferreti, deve ser advertido pela Polícia Militar, pagar suas multas por infrações ao volante e, finalmente, conter sua verve de “influenciador digital” – como ele se apresenta em nota divulgada para se explicar. Cá entre nós, sua suposta influência está no campo da bizarrice. Infelizmente, falta pouco para a esfera pública e oficial se igualar a ele nessa categoria.

Um tiroteio de demagogia

Três tiros disparados por uma policial militar, em São Paulo, mataram um assaltante e animaram bandoleiros da política. Desde o episódio, registrado em vídeo no último sábado, um bocado de políticos tratou de exaltar a destreza e a coragem da cabo Kátia Sastre. A exploração mais deletéria ficou por conta do atual governador paulista, Márcio França. Candidato à reeleição, ele não perdeu tempo em faturar em cima dos fatos. Demagogia é pouco para o que se viu.

 

Na imprensa, escreveu-se muito sobre se a policial agiu corretamente ou não. Jornalistas nos grandes veículos questionaram o incentivo a ações letais da polícia. O Brasil tem uma das polícias que mais matam no mundo. Mas não é esse o aspecto central aqui. Diante de um assaltante armado, a PM agiu em legítima defesa e ainda protegeu mães e crianças que estavam no local. Ela fez o certo.

 

Escandaloso mesmo – mas nunca surpreendente – foi a postura do governador. No dia seguinte, ele armou uma homenagem à policial, com discurso, beijinhos e flores. Não satisfeito com essa dose de cretinice eleitoreira, piorou as coisas na última segunda-feira, durante um pronunciamento. Disse que a farda da PM é “sagrada” e, além disso, “uma extensão da bandeira do Estado de São Paulo”.

 

Com essa premissa tresloucada na cabeça, Márcio França afirmou ainda que quem “ofender” a polícia “está correndo risco de vida”. Aí não dá. Além de falaciosa (e simplesmente errada), a ideia, agora sim, é um incentivo à truculência das forças de segurança, quase uma licença para matar. Se os abusos já ocorrem a três por quatro, com um aval desses o que se pretende? Matança geral?

 

Essa mentalidade, tragicamente, alcança boa parte dos quadros policiais Brasil afora. Os exemplos são quase diários. Nem precisava, mas as palavras do governador de São Paulo provam, mais uma vez, que o jogo político desconhece limites éticos e morais. Vale tudo para chegar ao poder.

 

Numa disputa eleitoral, nunca é demais lembrar, a falta de escrúpulos se traduz nas piores torpezas por parte de quem deveria dar o bom exemplo. Depois, como se nada tivessem a ver com isso, os representantes do povo ainda reclamam da criminalização da política. Mas o padrão é esse aí.  

Michel Temer derrotou a Rede Globo

O presidente Michel Temer comemora dois anos de governo. Mesmo que a gente não veja nenhum motivo para comemorações, ele bancou uma solenidade oficial para apresentar o que considera seus principais êxitos. Diz o homem que botou a economia em ordem, ainda que o país tenha uma massa de 14 milhões de desempregados. Reforma trabalhista e recuperação da Petrobras estão entre as “conquistas” apresentadas por Temer no seu balanço de 24 meses no Palácio do Planalto.

 

É um governo com tanta confusão, em todos os sentidos, que até um evento festivo vira mais um tumulto detonado na imprensa. Algum gênio do marketing tramou o slogan “O Brasil voltou, 20 anos em 2”, numa referência aos “50 anos em 5” do governo Juscelino Kubitschek. Basta riscar a vírgula, para que o sentido da frase informe que o país de Temer mergulhou num retrocesso de duas décadas em dois anos. A sabedoria de marqueteiros desconhece as armadilhas da ambiguidade.

 

Antes que o material de divulgação com o slogan idiota fosse distribuído, mudaram a idiotice. Mas não é sobre isso que vou escrever. Quero falar das conquistas do Temer. Existem? Na verdade, o presidente, golpista ou não, pode se gabar de um feito inacreditável: resistiu ao pelotão de fuzilamento das Organizações Globo, incluindo TV, jornal, revista, rádio e o diabo a quatro.

 

Quando, em maio de 2017, o Jornal Nacional apresentou o “furo” do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, o grupo tinha certeza que ao presidente não restaria outro caminho a não ser a renúncia. A notícia era a famosa gravação de Joesley Batista, que havia registrado uma conversa com Temer. No papo entre os dois, ouve-se a histórica frase “Tem que manter isso, viu”.

 

Como se saberia depois, era uma pilantragem armada pelo empresário em parceria com o celerado Rodrigo Janot, o então procurador-geral da República. Deu tudo errado para a autoridade e a Globo. Temer não renunciou e, na sequência, derrubou dois processos de impeachment no Congresso Nacional. Bombardeado sem trégua pelo jornalismo global, levará o mandato até o fim.

 

Se a Globo integrou uma conspiração que resultou na queda da presidente Dilma Rousseff, como muitos acreditam, investiu ainda mais pesado contra o rejeitado Temer. Os dias que se seguiram à divulgação das gravações feitas pelo marginal da JBS-Friboi foram devastadores para o presidente. Até hoje, o “Fora, Temer” é gritado nos quatro cantos do país. Ainda assim, a Globo perdeu.

 

E essa é, não tenho dúvida, a maior vitória do Vampirão do Planalto, em dois anos de governo.

Meu voto para Valéria Monteiro

Dois nomes que se apresentam como candidatos a presidente da República fazem campanha em Maceió. Quem chegou antes foi Valéria Monteiro, uma ex-apresentadora da TV Globo que também arriscou breve experiência como atriz. Outro que sonha com o Planalto, e também visita nossa capital, é o dublê de intelectual Guilherme Boulos, esse revolucionário de boutique, nascido em berço dourado, que brinca de invadir prédios em São Paulo. Quem seria melhor presidente?

 

Digamos que estivéssemos num enredo de ficção científica, e os dois fossem ao segundo turno. Eu mesmo não teria a menor dúvida na hora do voto. Valéria Presidente! Claro que, na comparação direta com Boulos, ela é melhor disparadamente. Podem conferir as entrevistas de ambos na imprensa alagoana. Política, economia, sistema partidário, estrutura social – seja qual for o tema, Valéria tem muito mais a dizer do que o candidato do PSOL. Além do mais, é a verdadeira novidade.

 

Há uma semana, Boulos foi o entrevistado do programa Roda Viva, na TV Cultura. Um tédio desgraçado. O homem repete os piores e mais atrasados clichês do que ele considera pensamento avançado de esquerda. É até uma ofensa aos bons intelectuais alinhados ao chamado campo progressista. Quem adora o rapaz é gente como Caetano Veloso e Wagner Moura.

 

Joga a favor da jornalista, devo confessar em nome da honestidade intelectual, aquilo que alguma ciência classificou de memória afetiva. Claro que nem todos se encaixam no grupo afetado por essa variável decisiva para mim. Depende da idade do eleitor. Mesmo após tantos anos longe do vídeo, Valéria Monteiro merece o lugar cativo em nossos corações. Boulos não faz nem sombra.

 

Se ela for candidata, tem tudo para ganhar meu integral engajamento – e meu voto.

Tenente-coronel acusado de ofensa racista é ligado a poderosos da política

O tenente-coronel Antônio Marcos da Rocha Lima tem história. E que história! Infelizmente, sua fama nas quebradas está longe de ser por bons motivos. A última confusão com o nome do oficial envolve uma suspeita de crime de racismo contra o delegado Leonardo Assunção. Ouvido sobre o caso, o PM nega que tenha desferido ofensas de caráter racista ao membro da Polícia Civil. Aqui no CADAMINUTO o leitor pode conferir detalhes sobre o episódio – que agora será investigado.

 

Mas eu falei no histórico de Rocha Lima. Em dezembro de 2010, o coronel Dário César, então comandante da PM, tentou um processo para expulsar o colega dos quadros da corporação. Isso mesmo: Rocha Lima já esteve à beira de ser expelido do serviço público. Os motivos? Bem, segundo o comando da PM na época, a lista começava com invasão de domicílio, passava por associação ao tráfico de drogas e batia até em homicídio. Tudo está registrado na imprensa.

 

Em seu pedido formal para expulsar Rocha Lima da PM, o coronel Dário César escreveu que o oficial era “indigno” de fazer parte dos quadros da Polícia Militar. Ainda que os argumentos do comando fossem bastante pesados contra o acusado, não deu em nada. Ele não apenas escapou do processo de expulsão – sem maiores dificuldades –, como vem sendo promovido até hoje. Subiu de patente e passou a comandar sucessivos batalhões. Não tem muita paciência com detalhes legalistas.

 

Rocha Lima tem prestígio no mundo da política. Seu arco de amizades é amplo e variado. É um bom prestador de serviços a gente que transita entre casas legislativas e palácios. Um sinal eloquente disso é o caso de seu processo de expulsão. Na época, em janeiro de 2011, o deputado Dudu Hollanda chegou a divulgar uma nota para “manifestar irrestrito apoio” ao oficial.

 

Foi com esse personagem que o delegado Leonardo Assunção bateu de frente no exercício de seu trabalho. Pelo que li, Assunção cumpriu a lei, agiu como deveria agir. Está sendo alvo dessa mentalidade que sonha em praticar “justiça” por conta própria. Mentalidade doentia e criminosa. 

O treinador Tite no Jornal Nacional

A história se repete. Numa “deferência” à Rede Globo, o treinador Tite foi ao estúdio do Jornal Nacional para uma entrevista exclusiva. Horas depois da convocação final dos 23 jogadores, ao vivo, o técnico da seleção brasileira falou para Willian Bonner e Renata Vasconcelos. É o mesmo tipo de movimento que outros já fizeram em anos anteriores. É a Globo surfando na maré alta que embala o time brasileiro desde que Tite assumiu o comando. Um oba-oba que pode acabar mal.

 

Quem deve ter pensado algo bem particular sobre a entrevista, suponho, foi o técnico Luiz Felipe Scolari. Há duas semanas, Felipão conversou com o jornalista André Henning, no canal Esporte Interativo. A certa altura, ao falar dos 7 a 1 da Alemanha na Copa de 2014, o treinador revelou que não dá entrevista à Globo enquanto o “todo-poderoso” estiver na emissora. Sim, ele se referia ao insuportável Galvão Bueno. Para o técnico, o narrador agiu com leviandade e arrogância.

 

Segundo Felipão, após a derrota para os alemães, Galvão “passou dez minutos na TV” apontando o dedo para o “grande culpado”. Jogou a torcida contra ele, segundo suas palavras. É verdade. Mas Felipão poderia ter lembrado também que, durante toda a Copa, a Globo e Galvão não passaram um minuto sem bajular o treinador – que depois seria massacrado pela mesma voz que antes o exaltava como gênio. Não há nada de anormal nesse comportamento; é a marca registrada por ali.

 

Até o dia do vexame, a Globo não via problemas com o trabalho de Scolari. Galvão, em especial, é insuperável na arte de opinar de acordo com a conveniência e os próprios interesses. Rasteja por qualquer astro, mas, ao primeiro sinal de problema, veste a fantasia de crítico indignado e aciona a máquina de moer reputações. É o que há de mais cretino e desonesto nesse falso jornalismo.

 

Parreira, Zagalo e Dunga conheceram o jogo sujo: num dia aparecem em reportagens como sábios absolutos; no outro viram a escória do país e são linchados para uma audiência de “cem milhões de uns”. Após campanha irretocável nas Eliminatórias, Tite conhece o céu global. Nesta noite de segunda-feira, segundo Bonner, o treinador inaugurou o novo estúdio do JN como entrevistado.

 

Tratado até como um pensador, desses que vendem balelas motivacionais, Tite deve saber que com Galvão Bueno e o padrão Globo de jornalismo não se brinca. Não pode se enganar com as homenagens de agora. Amanhã, uma bola fora, e será escorraçado. Perguntem ao Felipão.

Bolsonaristas na eleição presidencial

Foto: O Povo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Jair Bolsonaro

Para alegria da “direita esclarecida” alagoana, nova pesquisa CNT/MDA mostra mais uma vez a liderança de Jair Bolsonaro na corrida eleitoral –levando-se em conta que Lula não será candidato. Embora seja isso mesmo o que vai ocorrer, num dos cenários o instituto ainda apresenta o nome do petista como alternativa. E, nesse caso, ele venceria em todos os cenários, no primeiro e no segundo turno. Mas, como disse, tal hipótese está descartada. Assim, vamos falar da realidade.

 

Sem Lula, os três primeiros colocados na pesquisa são Bolsonaro, Marina Silva e Ciro Gomes. Com esse cenário, nos desenhos de segundo turno, o deputado que adora um fuzil também aparece na frente de quase todos os eventuais finalistas com ele, com exceção de Marina; aí os dois aparecem empatados. Os números também traduzem o novo contexto após a desistência de Joaquim Barbosa, o candidato que foi sem nunca ter sido. Na verdade, o quadro que sai dos números não surpreende.

 

Outra vez, os novos dados apontam para a situação desesperadora do PT e do PSDB. O petismo não tem um Plano B para herdar os votos de Lula, o que já aparecia nos levantamentos anteriores. Já o tucanato, segura um fardo com a candidatura de Geraldo Alkmin. O ex-governador tem nada menos que 55,9% de rejeição – o índice de eleitores que dizem não votar no candidato de jeito nenhum.

 

A rejeição é um fator decisivo para o êxito ou o fracasso na disputa. Pelo que se tem agora, Alckmin precisa praticamente operar um milagre para reverter esse panorama desolador. A perspectiva imediata parece complicada diante da possibilidade de novas encrencas para ele no âmbito da
Justiça. A depender do noticiário, o tucano pode se enroscar ainda mais numa agenda negativa.

 

Por enquanto, voltando ao começo do texto, quem comemora é a turma da porrada e do achincalhe contra mulheres, negros, gays e minorias em geral. Quem festeja é o pessoal que considera direitos humanos conversa de marginal para proteger bandidos. É o Brasil dos “cidadãos de bem” que têm certeza de que todos os nossos problemas foram resolvidos depois da prisão de Lula.

 

Você já ouviu o alerta: estamos perto – e longe – da eleição; ou seja, até lá tudo pode mudar. E a pesquisa revela o sentimento imediato. Além do mais, outra lembrança óbvia e obrigatória é que a campanha não começou pra valer. Sim, há as redes sociais, os passeios, seminários e entrevistas. Mas tudo isso pode desabar quando a coisa pegar fogo no horário eleitoral e nos debates. É outra fase.

 

Precisamos falar sobre Ciro Gomes. Ainda não deslanchou, como ele age loucamente para ocorrer. O coronel do Ceará continua com aquele discurso esquizofrênico: esculhamba o mercado e o capitalismo selvagem numa esquina, mas, logo adiante, faz o mesmo contra o Estado pesado, sindical e corrupto. Ciro é uma conversa para cada plateia, e o contrário de hoje na fala de amanhã.

 

Ainda tem muito candidato na praça. E um bocado não passa de jogada. É só negociação.

Futebol. Arte. Política. Notícia.

Hoje é mais uma segunda-feira, 14 de maio de 2018. Quando este texto começou a ser escrito, eram 2h50. Mais tarde, um pouco depois do meio-dia, o técnico da seleção brasileira anunciará a lista final dos convocados para a Copa da Rússia. Não haverá surpresas. Ao contrário de outros tempos, ninguém parece preocupado com os selecionados do professor Tite. Contestado durante algum período, não resta mais dúvida de que o alagoano Roberto Firmino é nome certo.

 

Nem sempre foi assim, esse descaso. Agora, dizem por aí, o nosso glorioso futebol já não desperta o mesmo sentimento que um dia despertou entre os brasileiros. Mas a imprensa e a publicidade se esforçam para reviver o clima de suspense e expectativa. As peças com o treinador como garoto-propaganda na TV são todas horrorosas. Em cada uma, parece haver um prenúncio de fracasso.   

 

Vasculhando as manchetes para verificar o que está em destaque, nas primeiras horas do dia, ainda na madrugada, descubro em O Globo: Neymar é “o rei do Instagram”. Além do futebol, na Folha, o governador de São Paulo “homenageia a PM que matou assaltante na frente de crianças”. Na Veja, gravações revelam vereador em conversas com milicianos. Nada realmente “bombástico”.

 

A Folha de domingo trouxe reportagem elogiosa com o deputado Rodrigo Cunha. Para não me surpreender, o destaque é a “tragédia familiar” que marca a vida do jovem político. Ele relembra o caso e explica o que o moveu a pegar a via partidária. Não há mais dúvida de que este será um dos motes de sua campanha ao Senado. Segundo a matéria, Cunha tem o apoio de Heloisa Helena.

 

A imprensa também informa que nosso Cacá Diegues lançou seu novo filme, O grande circo místico, no festival de Cannes. Não vi ainda nenhuma resenha sobre a temerária ideia de adaptar o poema do gigante Jorge de Lima. Num delírio de desinformação, a Globo diz que o cineasta é comparado a Jean-Luc Godard e François Truffaut. É como comparar Graciliano a Paulo Coelho.    

 

Entre meia-noite e 1h, vi Tom Zé no Canal Livre, da Band. Gênio incontestável, para cada pergunta, uma resposta aparentemente sem sentido – e por isso mesmo a prova de que estamos diante de um artista necessário e obrigatório. Enquanto isso, os cadernos culturais desperdiçam papel e tinta para exaltar o empoderamento de novas cantoras. Ok, é tempo de engajamento, mesmo com arte ruim.

 

Em mais uma releitura, um passeio pelos relatórios de Graciliano quando prefeito de Palmeira dos Índios. Incontornável é não pensar no município em 2018. Na prestação de contas do gestor improvável, lá estão os vereditos devastadores sobre eleitores, obras e servidores públicos. É quase automático constatar o que seria impossível, mas não é: a cidade não para de andar para trás.

 

Acho que comecei o texto com data e hora influenciado por outras releituras aleatórias, no caso os diários de Fernando Henrique e Getúlio Vargas. A história a quente. Em ambos, uma mistura de miudezas e revelações do que pensaram os chefes da República em momentos dramáticos do país. O registro direto, em primeira pessoa, nos dá um retrato muitas vezes desconcertante do poder.

 

Fecho mais um texto que não é exatamente sobre um tema, além de ser demasiado imediatista. Isso me obriga a atualizar o blog no máximo até o meio da tarde. É quando sai a lista do Tite. Vou tentar.  

Política, um caso de vida ou morte

O seu corpo é uma dimensão da política. Os seus afetos só fazem sentido se você entender o quanto estão mediados por uma visão política. Suas relações pessoais, com os amigos e a família, refletem o peso da política. Sem consciência da política, sua intimidade será um imenso vazio. O amor é uma manifestação essencialmente política. Em resumo, sem política sua vida é a perdição.

 

Eu penso muita besteira. Mas a conversa fiada que você acaba de ler no parágrafo acima nunca fez parte da minha coleção particular de tolices. As ideias aí acima tomaram conta de todas as tribos e indivíduos. Engajados e descolados, caretas e modernosos, conservadores e liberais, reacionários e progressistas, esquerda e direita, Tom e Jerry – todos adoram exaltar a política como oxigênio de nossa existência. A chatice adicional é aguentar os argumentos dos que tentam nos convencer.

 

Os que menos têm condições de nos arrastar para essa ladainha são justamente os políticos. O que todos eles querem, naturalmente, é o voto do eleitor. Logo, o palavrório desses senhores que reivindicam seu interesse pela política mira exclusivamente o caminho das urnas. Mal comparando, jamais espere o delírio de um açougueiro na defesa da filosofia vegana.  

 

Mas, para além dos representantes do povo, a defesa apaixonada de uma vida respirando política 24 horas por dia é um equívoco planetário. E, a essa altura, nem adianta argumentar que a coisa não é bem assim. Quem o fizer, será alvo de um coquetel mortífero de acusações. “Alienado” será o ataque mais leve sobre o infeliz que ouse desdenhar dessa crença de proporções universais. É o que faço.

 

Acho que já escrevi aqui o quanto considero uma insanidade a bagaceira instalada até entre grandes amigos por causa de discussões sobre política. É uma armadilha letal. É um despropósito, uma visão de mundo sem qualquer lógica. Viver com isso como princípio absoluto, me parece, é apenas aderir ao senso comum. E se há algo tão grandioso assim, definitivamente nunca será a política.

 

Defender ideias, pensar na cidade e no país, dar o seu voto a um candidato que lhe parece confiável – está tudo certo com isso. Ocorre que esses gestos estão circunscritos à esfera das demandas coletivas, ainda que relevantes. Mas não podem ser confundidos com a essência das relações humanas. O essencial: quem fala, age, sente e decide é o indivíduo, uma pessoa concreta.

 

Eu sei que é mais romântico – e respeitável, para muitos – pregar a utopia, a transformação, a beleza da crença no engajamento político. Talvez por algum defeito de fabricação, escapei dessa. Melhor assim. Não fiz amizades – e nem desfiz – movido por preferências partidárias ou ideológicas. Mas não ficarei ensandecido com sua eventual discordância furiosa. Por mim, a gente pode conversar.

Cinco ideias sem propósito

Matadores. A ditadura militar brasileira matava “subversivos perigosos” com o aval direto do presidente Ernesto Geisel. É o que revela documento secreto da CIA, tornado público agora, para espanto geral. Que é espantoso, realmente é, mas não pode surpreender ninguém. Tranquilos devem estar os dementes que rezam a Jesus por um valentão para dar um jeito no Brasil.  

 

Matrioska. Daniel Alves está fora da Copa. Aos 35 anos de idade, o futebol do atleta é mais espuma que realidade em campo. Sem dúvida, um desfalque de peso para os momentos de presepada com Neymar nas redes sociais. Para o time, não fará falta. Não será por causa da ausência de um lateral decadente que a seleção vai dançar na Rússia. Deve dançar por outras razões. Vamos torcer.

 

Inocentes. Bolsonaro reclama de fake news. Michel Temer reclama de fake news. Michel Teló reclama de fake news. Luiz Fux reclama de fake news. O treinador do Flamengo reclama de fake news. A torcida do Flamengo reclama de fake news... Posar de vítima de fake news é a novíssima fórmula para o sujeito justificar qualquer lambança. Grave mesmo é o jornalismo levar isso a sério.

 

Desbunde. Quando, em 1988, li o livro 1968 – O ano que não terminou, não imaginava que, três décadas depois, a obra de Zuenir Ventura seria considerada um “clássico” no Brasil. O veredito é um exagero e tanto. E não tenho simpatia por essas mistificações que exaltam épocas e supostos heroísmos. E é justamente o que mais vejo nas festivas reportagens sobre a efeméride.

 

Tempero. Houve um tempo em que a imprensa publicava receitas de culinária como protesto. Era uma forma de denunciar a censura. Naquele tempo, ninguém imaginava que a imprensa elevaria prato de comida à condição de alta cultura e distinção intelectual. Coisinhas do mundo gourmet provocam verdadeiro transe em mocinhas e rapazes pelas redações afora. Não sei... Sou meio tosco.

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