Blog do Celio Gomes

“Esse país maravilhoso”!

Nunca antes na história do Brasil um presidente da República foi tão ridículo diante do mundo. A frase do título é de Jair Bolsonaro, pronunciada por ele durante jantar com irrelevantes figuras da extrema direita dos Estados Unidos. Ao expor suas ideias inúteis, ele assim se referiu para bajular seu ídolo Donald Trump. Uma viagem que é criticada por todos os lados, até por líderes conservadores.

É até difícil saber o que é mais deplorável na visita do presidente brasileiro à pátria do Tio Patinhas e do Pateta. Tem a criminosa defesa de uma invasão militar à Venezuela; tem o ataque delinquente aos imigrantes que trabalham duro e honestamente; tem o falatório típico de palanques, como se ainda estivesse em campanha eleitoral; tem a baboseira de anunciar guerra ao “comunismo”. É cansativo.

Para não restar dúvida quanto à mediocridade de sua mente perturbada, Bolsonaro fala em discurso que “não é homofóbico”. Ao lembrar um de seus traços de personalidade, o sujeito deu risada, como se isso fosse normal. Se der uma olhada na imprensa mundial, ele verá que além da homofobia também está consagrado como racista, misógino, truculento e adepto de grupos de extermínio.

Naturalmente existe método nessa patacoada. Bolsonaro tem certeza que, apelando a temas diversionistas, por meio de ações e gestos grosseiros, ele mantém na coleira os garotões da direita maluquete e os cidadãos de bem que batem em mulher e adoram uma pistola. Esse é, digamos assim, o núcleo duro do eleitorado que jogou o Brasil nas mãos de um vagabundo do baixo clero.

Leio na imprensa nacional que o assunto “Bolsonaro envergonha o Brasil” é o mais comentado no Twitter durante a manhã desta terça-feira. É a marca de um governante que tem como norte a perseguição a todos os que discordem de suas ideias – além de expor a vasta ignorância do líder de um país das dimensões do Brasil. E olhe que o elemento ainda vai se encontrar com o ídolo Trump.

No terceiro mês do governo amigo de milicianos, o padrão é um vexame atrás do outro, um abuso a cada clique nas redes sociais, uma pilantragem a cada ato do presidente ou de seus filhotes. Nesse ritmo, o retrocesso brasileiro entrará para o livro dos recordes. Para bolsonaristas, tudo bem. Eles se orgulham do chefe pateticamente deslumbrado com o país maravilha. Dias bem piores vêm aí.

A comédia brasileira e a nova política

1. Novos governadores, eleitos em 2018, fizeram campanha pregando mudança radical nas práticas políticas. Mas, como revelou a Folha de S. Paulo, a revolução que prometiam acabou no dia da posse e nas primeiras nomeações para os cargos de confiança. De norte a sul, é uma farra familiar à altura dos piores padrões da vida pública no Brasil. A reportagem da Folha mostra que os mais vorazes são justamente nomes do PSL, partido veio ao mundo para inaugurar no Brasil o paraíso da ética.      

2. Nossa imprensa informa que está sendo criado na Assembleia Legislativa um troço chamado Frente pela Liberdade, de inspiração “liberal”. Segundo dizem os mentores, a ideia é propor projetos na contramão da ideologia de esquerda. Fazem parte do grupo, entre outros, os deputados Davi Maia, Bruno Toledo e Cabo Bebeto – três bolsonaristas caetés. Uma das brilhantes pautas da Frente deve ser o apoio ao armamento da população. A tara por uma pistola nunca foi tão badalada.

Suponho que a frente liberal da Assembleia também deve propor iniciativas de combate ao perigo do comunismo. Para missão tão relevante, deve contar com o apoio de setores católicos e evangélicos. Entre uma oração e outra, a prioridade é a guerra à ameaça vermelha que assombra a seita liderada por Bolsonaro. Aliás, é o que o presidente está fazendo nos Estados Unidos.

3. Eduardo Bolsonaro, um dos trombadinhas criados pelo presidente, disse que brasileiros ilegais nos Estados Unidos “envergonham” o Brasil. Como se sabe, para o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, somos um bando de “canibais” e “ladrões”. Ou seja, o novo governo tem um conceito bastante elevado do povo que o elegeu. É a tradução perfeita do pensamento dessa gang.

4. Na passagem pelos Estados Unidos, Bolsonaro e o filho Eduardo foram conhecer a CIA, a agência americana de espionagem. O ministro Sergio Moro também acompanhou o chefe. Detalhe: a turma manteve a visita fora da agenda oficial, ao que parece numa tentativa de esconder a presepada. Certamente o Brasil tem muito a ganhar com as técnicas de arapongas que fuçam a vida de todos.

5. Na onda de fanatismo dos bolsonaristas, o senador Major Olímpio apresentou uma ideia e tanto para prevenir massacres como o que houve na escola de Suzano, em São Paulo: uma arma para cada professor. É uma iniciativa pueril, burra e ofensiva, diante da tragédia que destroçou tantas famílias. Mas nada que surpreenda. A mentalidade dos atuais donos do poder não vai além disso daí.

6. A nova secretária-executiva do Ministério da Educação, Iolene Lima, já disse a que veio. A número dois do MEC pensa o seguinte sobre políticas públicas para o ensino de milhões de estudantes: “O aluno aprende que o autor da História é Deus. O realizador da Geografia é Deus. Deus fez os relevos, fez o clima. O maior matemático é Deus”. Muito bom! Os cristãos da direita criacionista, que rezam no catecismo da cruz e da bala, estão vibrando com essa pedagogia baseada no sobrenatural.

7. Estou ansioso pra ver o bolsonarismo em ação por aqui. Onde estão a turma do PSL e seus aliados nas Câmaras Municipais e na Assembleia Legislativa? Ninguém ainda propôs que o governo estadual contrate snipers para agir nas periferias? Ninguém ainda defendeu o canto do Hino de Alagoas nas escolas, creches e redações? Assim tá muito sem graça. Tem de turbinar a comédia.

O cerco à democracia brasileira

A falange de jagunços a serviço do governo Bolsonaro e dos abusos da Lava Jato está descontrolada. Pela internet, corre verdadeira campanha de achincalhes contra o Supremo Tribunal Federal. Tudo isso, claro, se dá como reação ao julgamento da última quinta-feira 14, quando o STF decidiu que casos de caixa dois devem ser processados na Justiça Eleitoral, incluindo outros crimes, como corrupção e lavagem de dinheiro, vinculados ao financiamento de campanhas.

Procuradores do MPF em Curitiba, com Deltan Dallagnol à frente, incentivam ataques ao Supremo, numa evidente tentativa de constranger e pressionar os ministros. É a estratégia adotada há cinco anos, desde que os celerados da república curitibana detonaram a investida cuja meta – afinal alcançada por eles – era pavimentar a ascensão da extrema direita ao poder. Prova maior disso é o engajamento de Sergio Moro na causa bolsonariana. O sujeito acabou ministro do capitão.

Aquela sessão do STF que enquadrou os cangaceiros da Lava Jato é histórica. Não apenas pelo resultado do julgamento, mas também pelas palavras do ministro Gilmar Mendes durante seu voto. Ele chamou procuradores de “gangsters” e “cretinos”. Disse ainda que a tal fundação privada que os garotões do MPF tramavam – para meter a mão em 2,5 bilhões de reais – seria um fundo eleitoral. Como já escrevi aqui, era exatamente isso o que a rapaziada queria. Foram desmoralizados.

Os pistoleiros das redes sociais não pretendem deixar barato. O caminho para tentar reverter a decisão do STF é apelar às massas linchadoras que estão sempre dispostas ao espetáculo de banho de sangue. A tática de Dallagnol & patota é recorrer às trombetas moralistas dos “cidadãos de bem” – esses que celebram a morte de Marielle Franco e são adeptos de milícias que torturam e matam nas cidades brasileiras. Em Alagoas, infelizmente, o Ministério Público Estadual se alinha à porcaria.

Não posso generalizar. No caso do nosso MP, o bolsonarista de coração é o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Ele divulgou nota para defender seus coleguinhas da Lava Jato e atacar o STF (você pode ler aqui no CADAMINUTO). É o fim do mundo. Quem deveria zelar pelo respeito às instituições, na defesa do Estado de Direito, faz o contrário. Mendonça, assim como tantos integrantes do MP no país inteiro, está de olho numa carreira política – o resto é firula. 

É por isso que o ministro Gilmar Mendes disse que tudo isso é, ao fim e ao cabo, “uma disputa de poder”. Lavajateiros e assemelhados usam o discurso do combate à corrupção como panfleto despudorado de campanha eleitoreira. Também como foi lembrado no julgamento do STF, o enfrentamento ao crime não pode ocorrer por meio de ações e métodos criminosos. Acontece que essa é a marca indelével nos processos sob as orientações da Lava Jato. É uma depravação.

Leio na imprensa que Regina Duarte, a atriz, discursa numa manifestação em São Paulo e, reparem que cabeça esclarecida, “exige” nada menos que a extinção do STF. A deputada Joice Hasselmann, líder de Bolsonaro no Congresso, vai na mesma linha e prega um golpe contra a justiça brasileira. Ora, é isso mesmo o que fazem os regimes truculentos, as ditaduras sanguinárias em qualquer parte do mundo. Parafraseando Leonel Brizola, estamos vendo as viúvas do arbítrio e da tortura.

Vamos ver até onde vai a guerrilha desavergonhada que prega o aviltamento das instituições em geral e do STF em particular. Como se constata pela manifestação do ético e valente chefe do MP alagoano, a democracia enfrenta insidioso e perigoso cerco – algo típico dos piores momentos na história do país. O Poder Judiciário deve deixar claro de que lado está. A decisão do STF foi bom sinal.

Olavetes e o pensamento pelo cachimbo

Finalmente livres do armário, os garotões da nova direita confundem conhecimento e inteligência com palavrões, bajulação ao governo Bolsonaro e baforadas num cachimbo. Tem um lado engraçado ver os meninos analfabetos imitando as poses e os trejeitos do escritor Olavo de Carvalho. O guru improvável, como disse a Veja, costuma gravar vídeos para as redes sociais sempre neste padrão: entre uma ideia e outra, fuma compulsivamente, toma café e geralmente se descontrola, aos berros.

Se as ideias do professor estão sendo bem assimiladas por sua legião de súditos, não se sabe; mas eles tentam imitar o mestre com uma dedicação comovente. Nunca vi tanto idiota adepto do tabagismo e de palavras de baixo calão como método para o debate intelectual. O pessoal do Terça Livre, aquele site craque em mentiras e ataques a jornalistas, ilustra esse modo de “pensar”.

Uma das marcas dos novos ideólogos do “conservadorismo” é a citação de obras e autores. É fácil. Basta repetir o que o guru recomenda; e, para expor erudição, uma passada pelo Google resolve. Lembra daquela fábula do sujeito que ouviu o galo cantar, mas não sabe onde? É isso. Uma gente tosca, que em pleno século 21 professa os “valores cristãos” combinados a preconceitos a granel.

Aliás, o catolicismo carola e intolerante também é inspirado nas ideias de Olavo. Assim como o amor ao cachimbo e aos palavrões, os rapazes da erudita direita vivem com um terço nas mãos, rezando por dias melhores e por um mundo livre do maldito marxismo cultural e globalista. Tudo isso, que fique claro, levando-se em conta as boas intenções da seita. Grave mesmo é a visível desonestidade.

Depois de Olavo, a turma adotou como segundo guru o palerma Ernesto Araújo, uma das figuras mais desprezíveis no governo amigo de milicianos. Araújo, cujo nome verdadeiro é Beato Salu, virou ministro das Relações Exteriores para – acreditem – restaurar a fé em Jesus e em Nossa Senhora. Com essa plataforma para o outrora respeitado Itamaraty, o Brasil passa vergonha mundo afora.

Olavo de Carvalho é um ótimo escritor, um típico polemista, no que o termo tem de melhor. Seus textos, publicados na grande imprensa (que ironia!) ao longo dos anos, e depois reunidos em livros, valem ser lidos e debatidos. O problema é que ele mergulhou numa espécie de universo paralelo.

Parece que a condição de celebridade turvou para sempre o juízo do professor. Para complicar, passou a ganhar dinheiro com suas aulas virtuais, ministradas justamente para uma horda que mistura bobalhões ignorantes e pilantras em busca de um discurso para se dar bem na velha política.

A eleição de Bolsonaro destampou a panela de aberrações travestidas de princípios ideológicos. Dois minutos de falatório dessa patota ou a leitura de duas linhas do que escrevem esses pensadores, e pronto: você confirma que não passam de um bando de embusteiros – armados e valentões.

Olavo de Carvalho entrou nessa de gaiato, se lambuzou na fama e acabou por virar símbolo de um momento degradante na vida brasileira. Uma pena. Como de burro não tem nada, sabe que seus alunos não resistem a um teste básico no ABC. Ele deve dar uma baforada... E se divertir pra danar!

Marielle Franco e a bandidagem na política

Durante a campanha eleitoral do ano passado, o então candidato ao governo do Rio Wilson Witzel protagonizou uma cena inacreditável: discursou ao lado de aliados políticos que exibiam uma placa destruída por eles e que homenageava Marielle Franco, a vereadora assassinada em 14 março de 2018. No atentado, também foi morto o motorista Anderson Gomes. Depois de eleito, Witzel declarou que o crime seria investigado “como outro qualquer”. Ele é ex-juiz federal. Mais um rei de toga.

Agora, como se tivesse esquecido sua atitude torpe, o governador tem a cara de pau de posar de responsável pela prisão dos dois suspeitos de serem os autores materiais do crime. Na entrevista coletiva desta terça-feira, o ex-juiz sem compostura usou a ocasião para sambar na demagogia mais vagabunda. A verdade é que ele é parte da onda extremista de direita que vive a fazer piada com a morte da vereadora. Sua dedicação por esclarecer o crime é só fingimento e oportunismo.

Já o presidente da República, como sempre, falou porcarias ao se manifestar sobre o assunto. Bolsonaro disse que também quer saber se houve mandantes no duplo assassinato e completou com uma comparação estúpida, além de descabida: afirmou ainda estar esperando o esclarecimento sobre a facada de que foi vítima durante a campanha. Ocorre que esse caso está esclarecido.

Sim, a Polícia Federal fez de tudo e mais alguma coisa, revirou a biografia do autor do ataque, Adélio Bispo de Oliveira, e não resta dúvida: ele agiu sozinho, movido por sua perturbação mental, devidamente demonstrada por laudos médicos. Mas a realidade não interessa a Bolsonaro e sua horda de fanáticos. Ele se agarra à ilação de que teria sido vítima de um atentado da esquerda.

Por mais que as evidências sejam incontestáveis quanto à iniciativa isolada de Adélio Bispo, o presidente e sua corja vão continuar espalhando mentiras para insuflar a versão de crime político – e querem de todo jeito jogar o caso nas costas de adversários. Sem ter o que mostrar como um verdadeiro estadista – porque estadista ele nunca será –, precisa de fantasias para enganar a claque.

Sobre a morte de Marielle, é um escândalo a tabelinha entre políticos, polícia e milicianos. O Rio de Janeiro parece um caso perdido. Dez anos depois da CPI das Milícias, viabilizada na Assembleia Legislativa fluminense pelo então deputado estadual Marcelo Freixo, pelo visto nada mudou. Autoridades se misturaram a tal ponto com a bandidagem, que hoje é tudo a mesma coisa.

No mais, viu-se que a investigação das mortes de Marielle e Anderson foi miseravelmente sabotada por medalhões das forças policiais e de governo, incluindo delegados da Polícia Federal que agiram como soldados de organização criminosa. Num quadro degenerado como esse, é um desafio e tanto chegar aos mandantes do atentado. A velha pistolagem continua uma de nossas firmes tradições.

Acaba a jogada bilionária da Lava Jato

Os menudos palestrantes do Ministério Público Federal de Curitiba, que gostam de “provar” suas teses contra investigados por meio de power point, perderam a boquinha dos 2,5 bilhões de reais que davam como certa. Em texto anterior, tratei do caso – uma verdadeira anomalia, sem precedentes no mundo jurídico brasileiro. A brincadeira tinha como mentor intelectual o “procurador das bochechas rosadas”, Deltan Dallagnol. Era assim que o rapaz se vendia num site que comercializa palestras.

A presepada foi bombardeada por todos os lados, como não poderia deixar de ser. Diante da repercussão, os idealizadores da jogada anunciaram um recuo na intenção de criar uma fundação de direito privado para administrar aquela fortuna. O dinheiro é fruto de pagamento de multa da Petrobras, num acordo fechado com a justiça dos Estados Unidos. De fato, um troço grotesco.

Ainda bem que a Procuradoria Geral da República reagiu à altura (e rápido) para anular a invencionice. A chefe do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, já recorreu ao STF para tornar sem efeito o tal acordo entre Lava Jato e Petrobras. Os procuradores da República de Curitiba falaram pelos cotovelos, na tentativa de defender a lisura e a boa intenção da ideia que tiveram.

Como já escrevi em textos anteriores, alas mais afoitas do MPF e da Polícia Federal pretendem governar o país. Com esse objetivo na cabeça, patrocinam abusos a rodo em várias investigações. A tal entidade de caráter privado seria na verdade um fundo bilionário para garantir projeto político.

O voluntarismo dos justiceiros do MP contamina a instituição Brasil afora. Em cada estado, agora, tem um grupinho certo de que está investido de uma missão especial – quer salvar o Brasil desses tempos terríveis da corrupção. Para quem gosta de historinha fantasiosa, o enredo engana pra danar.

Alagoas também tá nessa. E, como em outras regiões do país, as investidas mais celeradas estão mais no âmbito do MP estadual do que no federal. É previsível. Nos últimos anos a ordem por aqui é pé na porta, sem perguntas prévias. Tudo em defesa dos cidadãos de bem que adoram uma pistola.

A derrota dos menudos valentões de Curitiba nesse episódio não encerra a jornada da turma em busca de poder absoluto. Em breve, pode pintar nova jogada para fortalecer a tropa. Mas o caso serviu para mostrar a eles que, ao contrário do que imaginam, não estão acima de tudo e de todos.

Os sites e blogs podres do bolsonarismo

Nos tempos de Lula e Dilma na Presidência do país, setores da direita acusavam o governo de financiar sites e blogs para fazer propaganda oficial e atacar a oposição. Esses meios fingiam praticar jornalismo independente, mas não passavam de uma seleção de militantes engajados numa causa chapa-branca. O petismo também foi acusado de praticar “assassinato de reputações”.

Houve até a criação de um termo para classificar esses veículos que produziam “notícias” a partir das demandas dos governos que bancavam suas atividades – eram os “blogs sujos”. Muitos desses críticos do PT apoiaram a onda Bolsonaro e, depois da eleição, ganharam seus carguinhos na máquina federal. E agora, o que faz o governo do capitão da tortura? Repete a estratégia.

Mas este governo – simpático a milicianos – não reproduz apenas os métodos já consagrados. A turma de Flávio, Carlos e Eduardo, os três filhotes trombadinhas do presidente, elevou o troço a níveis sofisticados. Com eles, a falsidade, a mentira e a desonestidade são a base do trabalho nas “mídias alternativas”. É nesse panorama depravado que se encaixam os ataques a uma jornalista do Estadão.

A repórter Constança Rezende caiu numa armadilha. Procurada por um suposto estudante que estaria pesquisando os estilos de Bolsonaro e Donald Trump, ela fez comentários sobre o caso Queiroz, aquele cidadão de bem, especialista em rolos, amigo íntimo de milicianos e ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Acontece que ela acabou tendo sua fala deliberadamente distorcida por um site.

Mas não um site qualquer. Foi o Terça Livre, uma marmota comandada por bolsonaristas fanáticos, que é um dos porta-vozes do esgoto oficial que jorra do Palácio do Planalto. Eles publicaram – entre aspas – uma declaração que a jornalista nunca proferiu. Atribuir a alguém algo que jamais foi dito é um crime hediondo que o jornalismo sério não pode aceitar. Foi o que fez a titica Terça Livre.  

Com base nesse crime, o escatológico presidente não perdeu tempo e reproduziu a canalhice em suas redes sociais. E os pivetes da “nova direita”, é claro, babaram de prazer e trataram de espalhar todo tipo de ofensa a uma profissional que faz um trabalho sério e respeitado. Os donos do site hoje são bancados pelo governo. Aliás, eles foram convidados especiais na posse do quadrúpede.

A covardia dos blogueiros podres do bolsonarismo foi desmoralizada em menos de 24 horas. A moça que assina o texto mentiroso no site é assessora de um deputado do PSL de Minas Gerais. Que incrível coincidência! Mesmo assim, como era previsível, o Terça e seus simpatizantes sustentam a vigarice na maior cara de pau. Agora, vejam como essa turma age: tiraram as aspas da “matéria”.

O governo Bolsonaro será assim. O leitor sabe que nada disso me surpreende. Aqui já escrevi o que penso sobre as ideias e os métodos da gang que hoje comanda o país. O que esperar de um bando de medíocres, boçais e brucutus que se sentem agora os donos do poder? Eu só espero coisas desse nível para pior. Não fosse a imprensa profissional, apesar de equívocos, estaríamos perdidos.

Dinheiro e politicagem na Lava Jato

A turma curitibana da Lava Jato decidiu mesmo enfiar o pé na jaca. Depois de cinco anos de operações policiais e uma coleção de abusos, os meninos do Ministério Público Federal querem meter a mão em nada menos que 2,5 bilhões de reais. A grana viria de um acordo entre Petrobras, MPF e autoridades americanas. A estatal brasileira paga multa bilionária por irregularidades em negócios nos Estados Unidos. Os procuradores decidiram então que esse trocado pertence a eles.

Segundo os patriotas – capitaneados pelo menudo palestrante Deltan Dallagnol –, o dinheiro deve ser destinado a uma fundação de direito privado a ser criada por eles mesmos, os inocentes cidadãos de bem instalados na República de Curitiba. Ah, sim, todo esse recurso seria usado em projetos sociais e no combate à corrupção. Tudo fechado sem dar satisfação a qualquer instituição.

O assunto está em destaque na imprensa nacional e incendiou o debate pelas redes sociais. A brilhante ideia dos heróis do MPF recebeu um bombardeio de críticas de nomes influentes, como Elio Gaspari, Reinaldo Azevedo e Luis Nassif. Ao perceber a reação negativa à pilantragem, Dallagnol partiu para o Twitter, seu palanque preferido pra espernear, dar chiliques e contar mentiras.

A ideia dos fuzileiros da Lava Jato não tem precedentes no Brasil. É uma jabuticaba especial. Como o negócio vai funcionar também é uma beleza de republicanismo. A tal fundação será montada com nomes escolhidos pelo MPF, sob critérios que somente a entidade conhece. Para defender essa brincadeira delinquente, Dallagnol ataca os críticos, tratados por ele como agentes do mal.

A iniciativa certamente será contestada formalmente junto a órgãos como o Tribunal de Contas da União e também no Judiciário. Se ainda resta alguma seriedade nessas instituições, a fundação privada deve ser abatida. Afinal, desde quando o MPF tem prerrogativa para decidir o destino de multas e do ressarcimento de dinheiro desviado para propina? É uma arbitrariedade total.

Depois de ajudar a eleger Jair Bolsonaro, Deltan Dallagnol e sua turma querem mesmo é fundar uma espécie de partido da Lava Jato. Os caras estão com uma fome de poder que deixa no chinelo muitos caciques da velha política. Eles têm um diferencial, que é a proteção e a imunidade da toga. Podem recorrer à lei para, à base de ficção, atropelar o próprio ordenamento legal do país.

Com Sérgio Moro aboletado no governo Bolsonaro – o que prova o nível moral do ex-juiz –, os garotões do MPF contam com seu apoio para emplacar esse fundo partidário disfarçado de combate à corrupção. E é claro que os debiloides e os cretinos que procuram marxistas e globalistas embaixo da cama apoiam qualquer porcaria desse tipo. O Ministério Público foi tragado pela politicagem.

Viadutos e engenharia urbana em Maceió

Um dia desses, peguei uma carona com o camarada Coelho rumo ao litoral norte. Ainda não havia passado pela grande obra do governo estadual, que ergueu um viaduto – na verdade parece mais uma acanhada ponte – numa das saídas de Maceió. O elevado fica em Jacarecica e foi apresentado como o início da duplicação daquela rodovia. Essa primeira parte da construção, segundo as autoridades, já serviria para “desafogar” o trânsito por ali. O resultado é exatamente o contrário.

Se você vai pegar a estrada naquela direção, ao chegar no tal viaduto, tanto faz se sua opção for seguir por baixo ou por cima da “ponte”. E tanto faz porque, de um jeito ou de outro, você será vítima de inescapável engarrafamento. O problema é que, passado o novo trajeto, as duas pistas, a de baixo e a de cima, vão se encontrar a poucos metros. O desfecho do afunilamento é a lentidão dos carros.

Como a duplicação parece estar ainda no campo das realizações virtuais, as duas pistas voltam a ser apenas uma, assim que o viaduto acaba. Quando passei por lá, vi que a coisa toda é uma imensa presepada, com um agravante que beira a engenharia da estupidez: o risco de acidente é gigantesco. O motorista deve redobrar a atenção pra sair ileso da armadilha que é o traçado das pistas.

E olhe que atravessei o pedaço semanas antes do Carnaval. Para os foliões que foram dar pinotes nas praias de Garça Torta, Riacho Doce, Paripueira e outros recantos desse paraíso tropical, a travessia foi um desespero. Segundo relatos de multidões, o viaduto enlouqueceu o tráfego de veículos – que, nessas ocasiões festivas, sempre foi uma desgraça na região. Pois agora está tudo mais amalucado.

Maceió não tem muita sorte com obras e ideias para melhorar o trânsito. Basta ver que recentemente a prefeitura transformou em mão única a rua Alcebíades Valente, no Farol. Claro que a explicação oficial era que o fluxo de carros ficaria uma beleza com essa inovação. Motoristas quase enfartaram de tanta raiva com a porra-louquice. Em duas semanas, a via voltou a ser mão dupla.

Agora vejam o que o mandachuva da SMTT, Antônio Moura, disse sobre o disparate na Alcebíades Valente: “Após analisarmos o resultado dessa fase de adaptação, chegamos à conclusão de que a melhor opção para os condutores seria desfazer as mudanças e tornar a rua mão dupla novamente”. A comicidade involuntária parece uma fala escrita por algum roteirista de Cacá Diegues.

Nos pequenos viadutos erguidos nos tempos de Cícero Almeida na prefeitura da capital, a comédia também é marca registrada. A três por quatro, veículos ficam entalados nessas construções – e o motivo é único e exclusivo: foram mal projetadas. O danado é que, não importam as falhas grosseiras, as construtoras levam fortunas para financiar seus pedreiros. Não tem Lava Jato que dê jeito.  

Com esse histórico alagoense de planejamento urbano, estou ansioso para ver o novo viaduto que foi prometido há uns vinte anos, lá perto da Ufal, no encontro da Durval de Góes com a Via Expressa. Perdi até a data em que a obra começou. Assim como a estrovenga do litoral norte, aqui também a empreitada é do governo estadual. Veremos o que os engenheiros tramam para nos surpreender.

Afiliadas da Rede Globo perdem audiência

Não é de hoje que a Rede Globo enfrenta uma situação desesperadora com sua afiliada na Bahia, uma das praças mais fortes da emissora dos Marinho. Agora a coisa piorou um pouco mais.  Reportagem no UOL mostra que a TV Bahia perdeu a liderança no Ibope em pleno Carnaval. Pela primeira vez, em dois dias consecutivos a TV Itapoan (afiliada da Record) bateu a Globo durante as 24 horas de programação. Até o chamado horário nobre foi dominado pela televisão do bispo.

Nos últimos anos, na terra de Jorge Amado e do acarajé as atrações globais vêm sendo esnobadas pelo público. Nos botecos do Rio Vermelho, nos jardins do Farol da Barra ou numa roda de capoeira, a crise da Globo está na boca do povo. Para tentar estancar a sangria, a direção da emissora baiana atira pra todos os lados: tirou da grade programas globais em troca de produtos locais, mudou apresentadores dos telejornais e apelou até para o chamado mundo cão – as pautas policialescas.

Nada disso, porém, surtiu os efeitos esperados pelos barões da família de Antônio Carlos Magalhães, o clã que domina a TV Bahia, além de jornais e emissoras de rádio. Qual é a encrenca? O jornalismo da Globo sabe que não tem como concorrer com programas como Balanço Geral e coisas do tipo. Sem as amarras que a Globo impõe a suas afiliadas, as concorrentes avançam com tudo.   

Não apenas em Salvador, mas também em outras capitais, a Globo sempre sofreu com as atrações do tal jornalismo policial apresentadas por suas rivais. É o que também ocorre em Alagoas, onde a TV Ponta Verde (SBT) e principalmente a TV Pajuçara (Record) incomodam a TV Gazeta (Globo) com seus programas destinados a assuntos na área de “segurança”. É uma dor de cabeça permanente.

As emissoras alagoanas sabem como anda o desempenho de cada uma na preferência do telespectador. Pesquisas do Ibope são feitas periodicamente, para servir de orientação ao mercado. Esses dados ficam entre os donos das empresas, longe do conhecimento público. Trava-se então uma guerra silenciosa, com medidas decorrentes dos itens obtidos a cada pesquisa.

Sei que a TV Gazeta se preocupa cada vez mais com o ibope de sua principal concorrente. A tensão ganha lances dramáticos devido à cobrança (nada diplomática) feita pelos tubarões da Globo. A afiliada recebe pressões para mostrar resultados que garantam a liderança segura entre os alagoanos. Quando a coisa fica muito complicada, paira o temor de investida mais grave da rede.

Os ventos não estão nada tranquilos para os negócios da TV aberta (e para as fechadas também), sobretudo com a explosão de serviços oferecidos pela internet. Ninguém precisa mais esperar pelo horário marcado para ver um programa de televisão. Hoje em dia, esse é um hábito dos dinossauros. Mas parece que executivos e jornalistas de TV continuam vivendo num planeta distante.

Quando vejo os telejornais locais – por obrigação profissional –, entendo por que a audiência da TV Gazeta não está entre as boas notícias que a Globo espera. É um festival de release – aquela “notícia” que na verdade não passa de informação produzida por assessorias de imprensa. É propaganda. Não há jornalismo nenhum nesse tipo de negócio, e não se vê indício de qualquer avanço. A Bahia avisou!

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