Blog do Celio Gomes

OAB-AL diz que defensores públicos vão ganhar dinheiro no acordo com a Braskem

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A presidência da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas parece mesmo decidida a manchar a própria reputação. Em texto publicado no último dia 17, escrevi sobre as “orientações” da entidade acerca do acordo entre moradores e Braskem no caso do desastre que atinge ao menos quatro bairros de Maceió. Numa nota meio insolente, que pretende até enquadrar a Defensoria Pública, a OAB tenta impedir o trabalho de defensores. Os doutores estão preocupados com o faturamento da “advocacia privada”.

No centro dessa briga está o dinheiro que famílias devem receber como indenização pelos danos provocados pelas atividades de mineração da Braskem. Segundo o acordo, a empresa destinará 1,7 bilhão de reais para 17 mil pessoas que assinaram o documento. Os termos da conciliação têm a participação do Ministério Público (estadual e federal) e Defensoria Pública (estadual e da União).

Com a grana garantida para a viabilização do acordo, a OAB alagoana acha então de chamar atenção para algo que seus dirigentes julgam por demais relevante: os honorários para os advogados, o trocado extra para os patrióticos juristas. A nova investida nesse sentido é a declaração do presidente da OAB, Nivaldo Barbosa Junior (foto), que vi no próprio site da entidade. Um troço medonho.

Para defender sua patota de operadores do direito, o mandachuva da Ordem lança suspeitas sobre a conduta da Defensoria. Ele tenta disfarçar, mas sua intenção é evidente. Sabe um sujeito que joga uma miséria contra alguém, fingindo, porém, que não está insinuando nada sobre o eventual desafeto? É a postura do senhor Barbosa Junior – e tudo por dinheiro. Tenho de falar: uma vergonha.

Mas vamos às palavras do presidente da OAB. Vejam o que ele diz sobre pagamento a advogados e a defensores. Na verdade, a Braskem se responsabilizou a pagar para advocacia e defensores um percentual daquele acordo que vai ser firmado. Os defensores, além de receberem os seus salários, também teriam essa participação –que iria para uma espécie de fundo de aparelhamento do órgão”.

Diria que Barbosa Junior partiu para o vale-tudo. Ele deu essa declaração ao repórter Lucas Malafaia, do Acta, novo grupo de jornalismo de Alagoas. A Defensoria reagiu com ênfase à primeira manifestação da OAB sobre o acordo com a Braskem. Foi quando escrevi um primeiro texto sobre o episódio. Agora, menos de uma semana depois, as duas entidades trocam novas farpas.

A entrevista do chefe da OAB tem endereço certo, com ação calculada para constranger a Defensoria. É óbvio que Barbosa Junior insinua que o trabalho dos defensores não é lá tão humanista assim – eles estão mesmo é de olho na grana prometida pela Braskem. Esse é um tipo de raciocínio nada saudável para alguém defender seus pontos de vista. É o “todo mundo faz”.

Para mostrar que não está de brincadeira na tarefa de vitaminar a “advocacia privada”, a presidência da OAB também divulgou nota, mais uma, para, de novo, tentar intimidar os defensores. Foi anunciada a criação de uma comissão para “fiscalizar os critérios de concessão da assistência judiciária gratuita – inclusive das Defensorias Públicas do Estado e da União”. Declarada a guerra.

Depois de afirmar que defensores vão ganhar dinheiro extra pelo acordo com a Braskem, a OAB decide, portanto, manietar os trabalhos da Defensoria! Fiscalização?! Só não digo que é piada porque o doutor presidente da Ordem está falando sério – do alto da sua irrelevância em todo esse caso. Fico me perguntando se esses juristas da Ordem não têm nada mais útil para fazer.

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, é alvo da violência do aparato estatal. Está na mira de Bolsonaro, Sergio Moro e quadrilha. É uma liderança como havia muito não se via no comando da Ordem. Não vi manifestação nenhuma da turma alagoana em defesa de Santa Cruz. Melhor não mexer com um governo que zela pelas demandas dos cidadãos de bem. Afinal todo mundo é cliente.

Fiz a digressão porque a batalha, a sério mesmo, em defesa dos direitos humanos, dos desvalidos, do povão – essa atuação crucial de uma entidade como a OAB – passa longe de Alagoas. Com raríssimas exceções, num passado remoto, a omissão e a covardia marcam a atuação da Ordem por aqui. O corporativismo e o xumbrego em torno do interesse particular, isso sim é da banca alagoana.

Mais uma vez ressalto o esforço das Defensorias e do MP, nos âmbitos estadual e federal, na busca por um desfecho, é claro, em favor das famílias. Essas instituições agem de modo exemplar. A população reconhece. Quanto à OAB-AL, mostra uma fervorosa e estranha disposição para arrastar sua história ao vexame e à desonra. Quando o dinheiro é a única prioridade, dá nessa presepada.

Regina Duarte e a novelesca presepada

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O nome da atriz Regina Duarte para a Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro nos lembra que o Brasil é o país da novela. E isso, gostemos ou não de novela, dá a medida das coisas. E novela é com a Globo, emissora que foi a cara da ditadura militar instalada no golpe de 1964. (Garotões apaixonados por Bolsonaro negam o golpe – foi apenas reação ao comunismo globalista). Como eu dizia, meio mundo tratou de encaixar aspectos noveleiros nas análises sobre os rumos da cultura sob Dona Regina.

Talvez a melhor declaração sobre a quase nova secretária tenha sido de Lima Duarte, o veterano ator que ostenta, em seu currículo, um papel para sempre vinculado à colega bolsonarista. É Sinhozinho Malta na Presidência e Viúva Porcina na Cultura, disse ele. A sacada é uma referência à Roque Santeiro, talvez a novela de maior sucesso da Globo. Parou o país na remota década de 1980 (foto).

Apesar do estrondo que foi a história de Dias Gomes, há quem aponte Selva de Pedra como sendo ainda melhor – e de maior sucesso. Pois na trama de Janete Clair, de 1972, lá está Regina Duarte, arrasando corações, a escrever seu nome definitivamente como a “namoradinha do Brasil”. Ali, no “Brasil Grande”, quem diria que, quase meio século depois, ela chegaria ao que chegou agora.

A atriz está em dezenas de outros enredos que ao longo das décadas a Globo apresentou ao grande público. Como se sabe – e de novo não importa a nossa preferência –, a produção massacrante da emissora em teledramaturgia forjou no brasileiro uma maneira de entender a ficção e as coisas da vida real. Mais ou menos por aí, e não apenas isso. Sim, novos tempos. Mas as novelas ainda resistem.

Voltando à repercussão da escolha da atriz para o comando da Cultura no governo federal, há outras referências a personagens marcantes de sua carreira. Muitos lembraram, sempre com piadas, de Rainha da Sucata, de 1990, e de Malu Mulher, série de vanguarda exibida uma década antes das aventuras da sucateira, em 1979. Hoje, Regina renega a pauta feminista de suas heroínas.

Porque o Brasil é o país da novela, a escolhida disse “sim” ao convite, mas não foi uma resposta definitiva. Segundo suas palavras, vai a Brasília conhecer o possível local de trabalho. Pretende fazer um “teste”. Como se fosse um roteiro de Janete Clair, Dias Gomes ou Glória Perez, a namoradinha revelou que está “noivando” com Bolsonaro. O casamento ainda não é certeza para o casal.

A Globo tratou de soltar uma nota avisando que sua funcionária tem contrato em vigor. E, caso aceite o cargo do presidente, terá de se desligar sem mais delongas – como é a regra para todo e qualquer colaborador. Mas como fazer se ela diz que está num noivado, ainda com aliança na mão direita? A circunstância inusitada deixa a direção da TV em dúvida. Tensão e suspense a cada cena e capítulo.

Uma coisa é certa no desfecho reservado aos personagens dessa novelesca presepada: não esperemos romantismo, reviravoltas redentoras e final feliz. Desde sempre, a trama varia entre o macabro, o grotesco e a patetice. Basta lembrar de Roberto Alvim, o nazista que foi embora após aquele vídeo inacreditável. Não importa o nome do sucessor, a luz não alcança esse buraco.

Cultura não é propriedade do Estado. A turma de doentes do governo Bolsonaro pretende “recriar a arte nacional”. É um projeto típico dos regimes totalitários e assassinos, que perseguiram artistas não alinhados com os piores ditadores da História. E Regina Duarte foi parar no meio desse pântano – com gosto, com disposição pra guerra. É o personagem mais perverso em toda sua carreira.

Da “coincidência retórica” ao “satanismo”

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Quando explodiu a repercussão sobre o vídeo nazista, a primeira falácia do então secretário de Cultura do governo Bolsonaro foi dizer que tudo não passava de “coincidência retórica”. As frases plagiadas de Joseph Goebbels, ministro da Propagada de Hitler, teriam surgido misteriosamente do nada e, sem explicação racional, invadiram a cabeça de Roberto Alvim (foto). Logo depois, o sujeito partiu para nova teoria ao insinuar a sabotagem por parte de algum assessor. Era outra brincadeira que também não colou.

Coincidência de ideias não apenas pode existir como é mais comum do que se pensa. Este é um tema que atravessa a história da arte. Haverá sempre um precursor do que hoje se apresenta como inovação e originalidade. Os exemplos estão em todas as manifestações estéticas, da música à literatura, do cinema à pintura. Quem é o “pai” do romance moderno? Há controvérsia de sobra.

Um mesmo tema pode ser localizado em diferentes lugares, ao mesmo tempo ou em épocas diferentes, sem que tenha havido contato entre seus formuladores. Um dia desses li texto do poeta e diplomata Felipe Fortuna sobre poesia visual. Ele contesta a versão que atribui a Mallarmé, o poeta francês, a primazia do que se poderia chamar de poética da visualidade. Aponta origens milenares.

Tudo bem, deixemos a poesia de lado. Ao menos por agora. O fato é que, não há dúvida, Roberto Alvim pode ter uma ideia que julgue original e revolucionária, mas que, na verdade, já pintou na cabeça de outro, um dia antes, meses atrás, nos séculos remotos. Eu e você também podemos ser invadidos por algo dessa natureza. Isso é uma coisa. Repetir um texto, palavra por palavra, aí não.

Como deixamos a poesia de lado, vamos falar da nova explicação que o ex-secretário apresentou para sua filosofia hitlerista. Num texto distribuído aos que fazem parte de seu círculo mais próximo, ele aponta uma possível armação do Capeta: “Começo a desconfiar não de uma ação humana, mas de uma ação satânica em toda essa horrível história”. Seria o Brasil nas artes do satanismo.

No YouTube há vídeos estranhíssimos deste senhor que um dia já foi um diretor de teatro com algum respeito. É cada um mais deplorável do que outro. O cara deixou os textos da dramaturgia, clássicos e contemporâneos, e adotou o palavreado de supostos pastores que vivem da pregação de preconceitos e do assalto a fiéis de cabeça oca. Nas cenas, vê-se que aquilo é um perigo e tanto.

Dirigismo cultural. Os rapazes da extrema direita repetem, como papagaios, que essa é a terrível ideia na cabeça de esquerdistas do marxismo globalista. Por isso, o governo do Jair veio para eliminar esse terrível mal que até então tomava conta do Brasil. Para isso, os intelectuais da turma tramam a “arte nova” – que afinal ou será assim, ou então “não será nada”. Que avanço no horizonte!

O que pregam o doente Bolsonaro e sua gang é um padrão que despreza a diversidade das manifestações da arte e da cultura de um povo. Defendem uma coisa e fazem exatamente o que dizem combater. Como no fascismo mais duro, o que interessa é a uniformidade, a obediência aos ditames de um projeto bruto e excludente. Ou seguimos os princípios totalitários ou será a morte.

Como já escrevi, Roberto Alvim não é caso isolado nesse governo de milicianos e ignorantes. Contrariado, o presidente teve de descartar alguém que ele admira profundamente. Mas o projeto segue intocado, a ser levado adiante pelos que continuam na máquina estatal. Com ou sem retórica plagiada, o que há do mais evidente “satanismo” no Planalto é o modelo autoritário de poder.    

Acabo de ler sobre a resposta de Regina Duarte ao convite para assumir a Secretaria de Cultura. Pelo que entendi, ela aceitou, mas ainda não aceitou completamente. Diz que está “noivando” com o governo. Numa rede social, a atriz chama Bolsonaro de “homem santo”! Como se vê, do Satanás de Alvim à beatificação do presidente, o terraplanismo invadiu todos os recantos da vida brasileira.

A briga eleitoral pela prefeitura de Maceió

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A eleição para prefeito de Maceió tem tudo para ser uma das mais acirradas dos últimos muitos anos. De 2004 até 2016, mesmo com segundo turno, Cícero Almeida e Rui Palmeira venceram sem que houvesse perigo real contra eles. É o que mostram os números das quatro eleições. Foram eleitos e reeleitos e, juntos, somam 16 anos no comando da administração da capital alagoana. Agora que me dei conta de que apenas dois gestores resumem os destinos de uma cidade durante uma década e meia. Não é pouca coisa.

Viajando a partir dessa constatação, imaginemos o que historiadores do futuro distante escreverão sobre o legado dos prefeitos de Maceió nos primeiros tempos do século 21. Claro que não se pode esquecer da prefeita Kátia Born, que governou entre janeiro de 1997 e dezembro de 2004, na transição entre os séculos e os milênios. Mas não foi por isso que comecei este texto. Fim da viagem.

Cícero Almeida quer voltar ao cargo que ocupou por dois mandatos. É pré-candidato à sucessão de Palmeira. Este, por sua vez, não pode disputar um terceiro mandato consecutivo – e ainda parece um pouco (ou muito) perdido quanto a um nome para apoiar. Uma das opções seria seu próprio vice, Marcelo Palmeira. Mas, ao que parece, hoje essa alternativa anda fragilizada, quase destruída.

Em abril do ano passado, o prefeito nomeou o vice para o cargo de secretário municipal de Assistência Social. Era uma jogada na estratégia para fortalecer uma eventual candidatura. À frente da pasta, o número dois da prefeitura ganharia visibilidade a partir de ações pela cidade. A iniciativa do prefeito foi um investimento claro em sua aposta para sucessor. Mas na prática não funcionou bem.

Enquanto o atual vice anda esquecido, o que não falta é postulante na praça. E cada um mais forte do que outro – ao menos na teoria. Um peso pesado, sem dúvida, é Ronaldo Lessa, que, assim como Cícero Almeida, já ocupou o cargo. Além disso, o homem tem a experiência de dois mandatos como governador. Claro que não adianta apenas o currículo para garantir o voto do povão na urna.

O deputado federal João Henrique Caldas cresce a cada eleição. Já disputou a prefeitura. Sabe que tem um potencial que o torna um nome forte no páreo. A seu favor está o discurso da tal renovação. É por isso que JHC tenta costurar alianças de maneira obsessiva na busca por uma base que não o deixe isolado. Não será surpresa se ele conseguir fechar uma chapa com algum dos pré-candidatos.

Cogitado como alternativa nesse balaio de concorrentes, sempre aparece o senador Rodrigo Cunha. Depois de se eleger deputado estadual e obter uma expressiva vitória para o Senado, o rapaz deu um salto e tanto em termos de cacife eleitoral. Mas seria um erro brutal de sua parte, penso eu, cair nessa aventura de resultados imprevisíveis. O mais provável é que ele dê apoio a outro nome.

Todos esses que citei têm um virtual adversário que não é moleza. Refiro-me ao procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. O chefe do Ministério Público Estadual se beneficia do discurso que tomou conta do país: o eleitor busca nomes identificados com a ética, a lisura com a coisa pública e o combate à corrupção. E pesquisas atestam que o procurador é forte. Está no jogo.

Fala-se ainda em figuras que, até o momento, correm por fora. O deputado estadual Davi Davino Filho seria um desses casos. Dizem por aí que ele teria alguma chance, mas, sem querer ofender, não sei de onde tiram essa lorota. Sempre uma esfinge, o senador Fernando Collor, a cada eleição, é e não é candidato a qualquer coisa, a tudo e a nada. Por isso, costuma atormentar aliados e inimigos.

Esqueci alguém? Provavelmente sim. Mas os citados, não há dúvida, formam o grupo de maior viabilidade eleitoral. Não falei em partidos, o que naturalmente é um fator a ser levado em conta. Também não falei no papel do governador Renan Filho e das máquinas estadual e municipal.

Mas a verdade é que o aspecto partidário e a influência de apoios, embora tenham alguma relevância, nunca decidem uma eleição. O eleitor olha para o nome, para o candidato. Dito isso, voltando ao começo, com todas essas opções, a briga pela prefeitura de Maceió promete.

A celebração do nazismo escancara a essência do governo de Jair Bolsonaro

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Jair Bolsonaro não queria demitir Roberto Alvim. Bem no começo da manhã da sexta-feira 17, como informa a imprensa, o presidente miliciano disse ao subordinado simpatizante do nazismo que tocasse a agenda. Horas depois, pressionado pela repercussão do vídeo infame, teve de se dobrar aos fatos. Esse detalhe é crucial no grotesco espetáculo. Jair concorda com tudo o que afirmou o ex-secretário da Cultura. O problema, para o capitão, foi a reação nos quatro cantos do mundo.

O mesmo vale para os seguidores fiéis do chefe da seita. Malandros, alguns disfarçados de jornalistas, pediram a demissão do secretário – mas não pelo conteúdo de suas palavras, do ensaio em que macaqueia a figura de Goebbels, e sim para se livrar do flagrante. É que a barbaridade de Alvim expõe a essência de um projeto de poder que tem como meta a eliminação da divergência.

Basta ver os termos em que vozes bolsonaristas “criticaram” o parceiro de ações autoritárias. O lamento não era, de novo, pelo teor da gravação, mas pelo tanto de prejuízo ao governo e ao ídolo Bolsonaro. Os cidadãos de bem, sem surpresa, vieram com a conversa mole de que são contra os regimes totalitários – e logo trataram de citar o comunismo. Ah, esse maldito globalismo cultural!

Quando o sujeito lança mão de ressalvas para supostamente condenar um gesto vigarista, mal consegue esconder a hipocrisia. É pior do que o silêncio. Para citar o tema da corrupção, é mais ou menos assim: o chefe da Secom da Presidência recebe propina, mas o bolsonarista adestrado defende o aliado citando que o PT também é corrupto. Isso não é argumento, é safadeza.

Roberto Alvim, além de perturbado e moralmente marginal, é também um covardão dos piores. Para tentar escapar da demissão e se agarrar ao cargo, jogou a culpa de sua invenção nos assessores. O elemento, tão histriônico ao manifestar suas toscas ideias, não teve sequer a coragem de assumir os próprios atos. É o típico corajoso das redes sociais. Ganhou a notoriedade que merecem as porcarias.

Igualmente repugnante é a fábula de que o homem foi vítima de sabotagem petista. Virgem Maria dos céus! Sinceramente, o eleitor de Bolsonaro é tão idiota a esse nível? Pois Olavo de Carvalho sacou esse ponto de vista, com jeito de quem fala sério. Antes do filósofo, sites que reproduzem as mentiras oficiais já fingiam acreditar nessa piada conveniente à horda que adula o capitão da tortura.

Roberto Alvim não é apenas um pateta atordoado. O que ele fez segue à risca diretrizes políticas do governo. Durante todo o primeiro ano de gestão, Bolsonaro deu carta branca a seus cães de aluguel. Eles foram incentivados, sempre, a agir com essa pegada de destruição de valores democráticos.

A fala do agora ex-secretário exalta a “nova cultura” e prega a implosão de tudo o que o país construiu até hoje. É o velho discurso de “começar do zero”, como se esses luminares tivessem a missão de reinventar a roda. Eis um dos pilares na base do que representou o nazismo e coisas afins.

O desastre do governo Bolsonaro não se resume a eventuais idiossincrasias espúrias de um ou de outro nome. É um sistema. Um modo de pensar que arrasta os diferentes tipos de bolsonaristas: malfeitores, desavisados, ignorantes, inocentes úteis... Você conhece um deles, talvez todos.

O que temos a contabilizar como positivo no episódio é o teste para as instituições e para esferas representativas da sociedade. O repúdio ao gesto do tal Roberto Alvim fez Bolsonaro engolir a dura verdade, para ele, de que embora tenha muito poder, não pode tudo. Na democracia é assim.

O que mais deve incomodar o presidente é o papel da velha imprensa. Desprezado por ele e por sua falange equestre, o jornalismo segue fundamental na defesa dos valores da civilização. Os grandes veículos, ainda bem, foram unânimes ao repelir a diatribe do nazista patriota. Não havia alternativa.

A demissão do rapaz que imita o chefe da propaganda hitlerista não encerra o caso. Sendo um sistema, como escrevi acima, o governo Bolsonaro tem de ser severamente vigiado pelas frentes que de fato defendem o regime democrático. E terá de ser barrado sempre que apelar ao vale-tudo.

Novas investidas como a de Roberto Alvim vão pintar na área. Porque é da natureza irrecuperável dessa turma que tomou o país de assalto com suas fixações doentias. Quem não lembra da defesa do AI-5 feita pelo filho maloqueiro e pelo ministro Paulo Guedes? Depravado, o monstro está à solta.

Tudo por dinheiro! A surpreendente nota da OAB-AL sobre a tragédia do Pinheiro

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Quem primeiro chamou atenção sobre o caso foi a jornalista Vanessa Alencar, em reportagem aqui no CADAMINUTO, publicada nesta sexta-feira 17. É tão absurdo que nem sei por onde começar. As Defensorias Públicas do Estado e da União divulgaram hoje uma nota em resposta a uma iniciativa da OAB, que anunciou uma espécie de orientação aos moradores vítimas da tragédia provocada pela Braskem. A mensagem da Ordem tem como alvo famílias dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Mutange.

Como se sabe, são essas as localidades afetadas pelo desastre decorrente das atividades de mineração da indústria em Maceió. As Defensorias têm mantido reuniões com os moradores para esclarecer as etapas do acordo assinado com a empresa, que prevê indenização aos afetados. Nesse drama vivido por milhares de pessoas, o acordo foi recebido, pela maioria, como boa notícia.

Eis que, nesta quinta 16, assim como se fosse algo bem natural, a OAB Alagoas publicou em seu site um aviso às famílias. Afirma a entidade que, para levar adiante os termos da conciliação, é indispensável o acompanhamento de um advogado. De forma arbitrária, e um tanto arrogante, a “orientação” apresenta as condições àqueles que, em tese, teriam direito a um defensor público.   

Aí o troço ganha ares de certo mercenarismo – para dizer o mínimo. Sabe-se lá a partir de quais critérios, a Ordem decreta que as Defensorias somente atuarão nas situações de moradores que recebem até 3 salários mínimos ou cujo imóvel seja avaliado em até R$ 150 mil. Para completar, esclarece que nos demais casos, advocacia privada. As Defensorias repudiam o exotismo.

O leitor pode conferir o texto completo divulgado pelas Defensorias na reportagem que citei. Resumindo, as entidades (a estadual e a da União) dizem que a publicação da OAB não tem valor nenhum. Não se mede por critérios financeiros, nesse episódio, a necessidade ou não de alguém ter acesso a um defensor público. Todos podem, sim, requerer esse direito, de forma individual.

Cada caso será analisado pelas Defensorias, levando-se em conta um conjunto de fatores muito mais amplo do que os números de um contracheque ou uma avaliação imobiliária. Além do mais, não cabe à Ordem dos Advogados decidir, por sua própria conta, quem pode e quem não pode reivindicar um defensor público. A OAB tenta usurpar prerrogativas legais de uma instituição.

Nesse sentido, diz a nota das Defensorias: É atribuição exclusiva do Defensor Público reconhecer o direito à assistência jurídica estatal gratuita (art. 5º LXXIV c/c art. 134 da Constituição Federal), não se submetendo à instrução de qualquer autoridade pública (STF – Pleno – ADI n. 3.569/PE). Os doutores da gloriosa OAB desconhecem o que dizem a Constituição e o Supremo Tribunal Federal?

Santo Deus! Quer dizer que, em meio a essa desgraça que se abate sobre tantas pessoas, contadas aos milhares, a Ordem elegeu como prioridade os honorários advocatícios?! É isso mesmo?! Um pouco de decência, senhores! Lembro que desde que famílias tiveram de abandonar suas casas, imóveis são saqueados na calada da noite. Como se vê, não é o único assalto em andamento.

A posição das Defensorias me parece a mais pertinente. Reconheço aqui os esforços que seus integrantes têm feito para garantir às vítimas a reparação dos danos gravíssimos que afetam suas vidas. É um exemplo de como devem agir servidores públicos no cumprimento do dever. Quanto à OAB, precisa se explicar sobre este vexame – que não honra suas melhores tradições.

É bolsonarismo, mas pode chamar de nazismo! Este é o “novo” Brasil

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No ano passado, o ministro das Relações Exteriores, Beato Salu, também conhecido como Ernesto Araújo, garantiu que o nazismo foi um movimento de esquerda. O ridículo chanceler – que a cada ato ou declaração achincalha mais um pouco as tradições do Instituto Rio Branco e do Itamaraty – é um terraplanista ideológico. Mas ele, é claro, não está sozinho no governo miliciano de Jair Bolsonaro. A turma se esforça pela primazia em boçalidade, ignorância e hipocrisia na distorção da realidade.

O Brasil acordou nesta sexta-feira sob o impacto de mais uma manifestação absurda desses doentes que ocupam os poderes da República. E desta vez foi o secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, que reproduziu, num vídeo oficial, um discurso de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler. A repercussão do episódio foi um estrondo, como se vê nas manchetes da imprensa nacional.

Não vou aqui repetir o palavrório delinquente do secretário. O leitor pode conferir tudo nos sites nacionais. Enquanto escrevo, saiu a informação de que o sujeito será demitido ainda hoje. Se fosse seguir seus instintos e seu coração, Bolsonaro não tomaria tal decisão, não afastaria o nazista tupiniquim. Mas, como falei, a repercussão não deixa alternativa para o capitão da tortura.

Por que digo que o presidente não demitiria o secretário, caso dependesse de sua vontade exclusiva? Porque mais cedo, quando o tema já havia incendiado o noticiário, Bolsonaro apareceu nas redes sociais passeando de moto aquática. Ele postou a imagem, com a mensagem de “bom dia a todos”, numa evidente ironia diante do caso, que também repercute em âmbito internacional.

Outro sinal de que, pelo desejo do presidente, nada aconteceria com seu nazista de estimação, foi uma resposta do governo à Folha de S. Paulo. Procurada pelo jornal, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou, por meio de nota, que o Planalto não comentaria o vídeo de Roberto Alvim. Mas a presepada do elemento é indefensável – até para os mais depravados soldados da tropa.

E agora, quem é fã dos métodos nazistas – que mataram milhões de pessoas durante a Segunda Guerra? A imagem do alto reproduz a desprezível cena do secretário. Ele se fantasiou como o ministro de Hitler, com um cenário que emula o clima do regime que envergonha a Alemanha para todo o sempre. A gravação também tinha a trilha sonora que era a favorita do tirano maior da História.

Até Olavo de Carvalho se manifestou, mostrando desconforto, ainda que sem bater no governo, naturalmente. Para o guru de Bolsonaro, que influencia os garotões “liberais” até no uso de cachimbo, Alvim “não está bem da cabeça”. Outras vozes que se pretendem representantes de uma extrema direita limpinha também condenaram a criminosa iniciativa do secretário. Por isso, ele cai.

Alvim é o mesmo que chamou de “sórdida” a atriz Fernanda Montenegro. É o mesmo que ofende sem parar figuras como Chico Buarque e Maria Bethânia, patrimônios da cultura brasileira. É esse tipo de gente que combina com os valores alardeados no governo e que mobilizam os cidadãos de bem. Na linha do beato Salu e outros figurões da seita, temos na Presidência a escória de uma ideologia.

Agora, enquanto chego à reta final deste texto, sai a notícia de que o governo anunciou a demissão do secretário, essa porcaria que tinha a pretensão de reescrever a realidade histórica. Não tenhamos, porém, qualquer expectativa de que algo saudável ocupará seu lugar. Isso é impossível, estaria na contramão do que alimenta a alma podre do bolsonarismo. Tudo aí é um caso perdido.

Roberto Alvim, insisto, não é caso isolado. Toda essa ladainha de patriotismo, família, a Bíblia no lugar da Constituição, o ódio visceral a ideias divergentes... Esse conjunto tem uma base mais ampla, está de acordo com um projeto de poder que se move pelo signo da brutalidade, da eliminação do outro. Sai um nazista, entra alguém do mesmo esgoto. Serei óbvio na pergunta: que Brasil é este? Sigamos.

Propina, corrupção e governo Bolsonaro

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O sujeito tem cargo de alto escalão no governo e, ao mesmo tempo, recebe dinheiro de empresas que mantêm contratos com o... governo! Onde você já viu isso? Pois não é que essa delinquência ocorre justamente com a gabaritada equipe do presidente Bolsonaro! É tedioso ter de ouvir os garotões da direita extrema exaltando a honestidade de seus gurus na política. Pena que, para eles, a realidade seja implacável na destruição dessas fantasias. Escrevo isso após mais um caso de probidade no âmbito federal.

Reportagem da Folha de S. Paulo mostra que Fabio Wajngarten (foto), chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, é dono da FW Marketing, empresa que mantém contratos com emissoras de TV e agências de publicidade. O rapaz é sócio majoritário do negócio, com 95% das ações. Os outros 5% são da mãe dele. O conflito de interesse é pra lá de evidente.

O chefe da Secom no governo Bolsonaro é o principal responsável pela distribuição da verba publicitária. A encrenca é que os clientes do governo contratam a empresa do rapaz. Ou seja, o cidadão de bem atua em duas frentes no manejo das verbas públicas. É um escândalo em todas as dimensões possíveis – mas ele jura que tá tudo dentro da legalidade. Acusa perseguição política!

Entre os contratantes da empresa do chefe da Secom estão a Record, o SBT, a Band e a Rede TV. São as quatro emissoras que abraçaram o governo do capitão da tortura. Os chefões do quarteto televisivo – Edir Macedo, Silvio Santos, Johnny Saad e Marcelo Carvalho – rastejam pelo apoio do presidente. Nesses veículos, jornalismo é apenas sinônimo de puxa-saquismo e fake news.

No ano passado, a secretaria sob o comando do senhor Wajngarten liberou nada menos que 197 milhões de reais em campanhas. Uma das agências que meteram a mão em parte dessa grana é a Artplan. A agência recebe do governo federal e paga à FW Marketing, que é a empresa do secretário. Em outras palavras, ele repassa dinheiro público para seus financiadores privados. A jogada perfeita.

E o que diz o “mito”, aquele que seduziu os rapazolas que seguem Jesus e adoram uma pistola para garantir a segurança da família cristã brasileira? Nada. Ou melhor, diz que o secretário fica no cargo. “Se foi ilegal, a gente vê lá na frente”, explicou Bolsonaro confrontado pela safadeza explícita de seu homem forte da comunicação. Entendi. O bolsonarismo sabe tudo de legalidade e transparência.

Agora imagine se essa pilantragem fosse de algum desafeto dos ilibados “conservadores”. Eu acho até cansativo ter de escrever o óbvio ululante. Mas vamos lá. O papo de combate à corrupção é, e sempre foi, uma lorota para embalar a carreira de santos do pau oco. É assim desde que o Brasil é Brasil. Para ficarmos no século 20, deu-se o mesmo no getulismo, com Juscelino e no golpe de 64.

Quando um elemento sai gritando “pega ladrão”, em nome dos bons costumes e da honestidade, pode apostar que é um bandido da pior espécie. Sergio Moro? Jair Bolsonaro? Marco Feliciano? Flávio Bolsonaro? Generais ditadores...? É tudo porcaria do mesmo naipe. Recorrem ao carcomido discurso, do mais rasteiro moralismo, para enganar otários e arrastar fanáticos que precisam de heróis.

O caso revelado agora pela Folha, não se pode esquecer, não é algo inédito na tropa de Bolsonaro. Pelo contrário, este é um governo que protege corruptos. Ministros enrolados até o pescoço com esquemas mafiosos seguem no posto, como o do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio. O grande escândalo das “rachadinhas” já é suficiente para desmoralizar a fachada de probidade da turma.

Mas o sujeito que adota uma seita, que bajula um “líder” ignorante e truculento, está disposto a tudo para proteger seu modelo de vida. É o que explica a constrangedora defesa que muitos ainda fazem dos modos de governar desse amigão de assassinos que trata o país como o terreiro de sua casa. É verdade que muita gente, assustada, caiu fora da barcaça miliciana. A realidade, às vezes, é cruel.

Turismo predador no litoral de Alagoas: São Miguel dos Milagres corre perigo!

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Na última década, ano a ano, um canto da geografia praieira alagoana se transformou em point de bacanas do Brasil. É São Miguel dos Milagres, no litoral norte do estado. E os bacanas que escolhem esse lugar para seus passeios e aventuras ficam tão maravilhados, e empolgados, que mudam o nome do município. Todos se referem ao recanto apenas como Milagres. Forasteiros que adotam a lindeza daquelas praias têm uma marca em comum: são podres de rico. E isso atrai a indústria do turismo predador.

Esta semana, um morador da região denunciou a construção de uma espécie de duto para despejar esgoto direto nas águas do mar de Milagres. Seria obra de algum hotel ou pousada. Vi o caso na TV Gazeta na noite desta terça-feira. Procurados pela emissora, os órgãos ambientais disseram que não é bem assim. O troço seria apenas uma passagem para escoar água da chuva, explicou o velho IMA.

Ainda segundo o Instituto do Meio Ambiente, que atua sob a gestão do governo do estado, os trabalhos com o duto foram autorizados após avaliação técnica. O IMA também informou que o ICMBio, da esfera do Ministério do Meio Ambiente, autorizou a obra. As imagens capturadas pelo morador e exibidas pelo AL2, da TV Gazeta, são intrigantes. Aquilo precisa de mais apuração.

Leio aqui no CADAMINUTO a seguinte reação do governador Renan Filho após tomar conhecimento da notícia: Todas as providências cabíveis serão tomadas e, se houver descumprimento da legislação ambiental, os responsáveis serão punidos. Como o governador está longe da filosofia Bolsonaro, sabe que ninguém precisa de uma nova Cancún. Isso é coisa de mercenário.

Cancún Brasileira, vocês devem lembrar, é o “projeto” do presidente miliciano para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Se a ideia fosse adiante, seria a destruição de uma vastidão do mapa, até agora devidamente protegida pela legislação ambiental. A presepada foi rechaçada, a ponto de o capitão da tortura nunca mais ter voltado ao assunto. Mas nada está a salvo neste abismo.

Voltando a Milagres, a prefeitura do município também se manifestou sobre o caso das escavações na areia da praia. Informam as autoridades que a tubulação vista na área pertence a um tal Condomínio dos Milagres, que está sendo erguido naquele paraíso. É o resultado da badalação a que me referi. Não será o primeiro empreendimento a mudar completamente o visual e a rotina do lugar.

No último dia 11, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem que resume o desastre em andamento que atinge aquela parte de Alagoas. É um relato pra lá de preocupante, com vários exemplos de como as praias estão sendo privatizadas. A atração turística resulta num velho processo tantas vezes visto – em Alagoas e em outras regiões do país. O texto da Folha começa assim:

As praias paradisíacas da cidade de São Miguel dos Milagres, um dos destinos mais procurados no litoral norte de Alagoas, sofrem com a escalada de construções desordenadas e implantação de grandes empreendimentos à beira-mar. O efeito prático é a restrição cada vez mais acentuada dos acessos. Na praia do Toque, uma das mais famosas, o visitante só consegue alcançar a areia com facilidade se estiver hospedado em uma das pousadas de frente para o mar. Tá feia a coisa.

Como se vê, perto do que a reportagem descreve, a obra flagrada pelo morador não é nada. O monstro é muito mais voraz. A força da grana é capaz de dobrar todas as regras legais e princípios de administração pública. Os milionários donos das grandes pousadas e hotéis seduzem prefeitos, vereança e doutores do meio ambiente. Se nada for feito, a degradação será o futuro do paraíso.

O que se passa agora em São Miguel dos Milagres já ocorreu em outros pontos do litoral alagoano. Caso emblemático atinge o litoral sul, nas areias do Francês, da Barra de São Miguel e do Pontal do Coruripe. Nesses lugares, sobram sinais de como o turismo predador baniu o povo das praias. Como na pré-história do país, senhores do dinheiro ergueram muros e se apossaram das terras públicas.

Se a preocupação do governador com as notícias sobre Milagres vai resultar em ações concretas, sua gestão pode se preparar para um trabalhão e tanto. Sim, não resta dúvida, a indústria da turistada mirou naquelas praias do litoral norte e, agora, é salve-se quem puder. Até os turistas sem tanta grana estão sendo impedidos de chegar às águas mansas dos lugarejos. A ver o que vem por aí.

Na polêmica sobre tarifa de ônibus, Rui Palmeira vira ativista Black Bloc

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Agora não parece haver mais dúvida: o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, transformou a tarifa de ônibus num estandarte eleitoral. Em texto anterior escrevi sobre o quanto de demagogia contamina o debate acerca do reajuste da passagem, já aprovado pelo Conselho Municipal de Transporte e Trânsito. O órgão aprovou o aumento dos atuais 3 reais e 65 centavos para 4 reais e 10 centavos. Teoricamente, o Conselho chegou a esse valor a partir de estudos técnicos, baseado em auditoria que avalia os custos das empresas.

Temos, portanto, uma decisão que se apoia em fatos concretos, levando em consideração a quantidade de passageiros, o número de viagens e as obrigações de manutenção da frota por parte dos empresários. Está tudo escrito, preto no branco, num conjunto de informações levado ao conhecimento das partes – a própria prefeitura, transportadores e Ministério Público Estadual.

O reajuste foi aprovado pelo Conselho no fim de dezembro. O passo seguinte seria a sanção do prefeito. Mas aí pesou o componente político. O MP se apressou em manifestar posição contrária. Para não ficar mal na foto, a prefeitura logo seguiu a zoada do MP e passou a negar confirmação da nova tarifa. Lembro que a última correção do valor se deu em fevereiro de 2018, há quase dois anos.

E o estandarte eleitoral do prefeito? Vamos lá. Nesta terça-feira, o prefeito tucano deu entrevista ao AL1, o telejornal do meio-dia da TV Gazeta. Falando direto de seu gabinete, ao vivo, Palmeira disse ao repórter que, “no que depender da prefeitura, não haverá aumento nenhum”. Questionado se poderia propor outro percentual no reajuste, o chefe do município repudiou a hipótese com veemência.

Não é muito comum uma entrevista ao vivo da autoridade máxima da capital. Especulo que a iniciativa atende a uma jogada de marketing. A conversa foi toda simpática com a TV Gazeta. Parecia algo bem combinado entre amigos. Não me surpreenderia se houvesse, por parte da emissora, também uma simpatia pela causa do prefeito. Claro que a eleição de 2020 mobiliza os dois lados.

Os virtuais concorrentes da candidatura a ser apoiada por Rui Palmeira já se manifestaram sobre o assunto – e é evidente que defendem reajuste zero. Naturalmente, essa defesa despreza os dados técnicos em nome dos dividendos eleitorais. É o pior dos cenários para a população. Segurar o reajuste necessário, seja como for, terá um custo alto, mais cedo ou mais tarde. A conta vai chegar.

Não é possível esticar a corda sem que haja consequências mais graves para a prestação do serviço. Dois anos com a tarifa congelada é uma realidade artificial. Mais que isso, sufoca as próprias empresas, que são cobradas por um transporte de melhor qualidade. Em nenhuma parte do país, o segmento segura um valor abaixo de suas condições para cobrir custos e fazer novos investimentos.

O prefeito passa a impressão que resolveu pegar pesado pra segurar a bandeira da tarifa zero. Daqui a pouco, ele é capaz de lançar movimento semelhante àquele que sacudiu São Paulo em 2013. O histórico mês de junho daquele ano começou com o repúdio ao reajuste de centavos na tarifa. Parece brincadeira. E é. Mas quem ouve o prefeito pensa até que ele virou um ativista Black Bloc.

Nesse labafero, o discurso contra as empresas é o atalho mais oportunista para o político cair nos braços do povão. Ao menos é assim que se comportam não apenas Rui Palmeira, mas todos os que já se manifestaram sobre o caso. Quando a meta é a urna eleitoral, a matemática, a lógica e a realidade são miseravelmente espancadas. Eis o centro do palco e o pano de fundo nesse teatro.

Ocorre que, ao contrário de seus adversários, Palmeira tem responsabilidade no cargo de prefeito da capital. Não tem o direito de se meter em aventuras eleitoreiras em detrimento das demandas reais do município. Depois de abandonar megaprojetos vendidos como uma Nova Maceió, embarca numa onda puramente casuística para iludir o eleitor. É o que temos nessa “polêmica” das catracas. 

Que a prefeitura pretenda debater o assunto, tudo bem. Mas não é o que se vê nos discursos oficiais. Está claro que o reajuste da tarifa, reitero, é tratado agora exclusivamente no campo das perspectivas eleitorais. O prefeito bonzinho versus empresários vilões – é a narrativa dos sonhos para o tucano e sua turma de aliados. Vamos ver até quando isso se sustenta. O transporte da cidade não pode parar.

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