Blog do Celio Gomes

As mentiras de Carlos e Jair Bolsonaro

Dois mentirosos. Jair Bolsonaro e o filho Carlos contaram uma lorota quando vieram a público para acusar o agora ex-ministro Gustavo Bebianno de mentir sobre conversas que teria mantido com o presidente. Os áudios divulgados pela Veja revelam que quem falsifica os fatos é o capitão e o Zero Dois. Não existe nas conversas nenhuma bomba sobre malfeitos por parte de Jair Messias, dizem governistas e os fanáticos seguidores da seita no submundo das redes sociais. E é isso mesmo.

O que a troca de mensagens expõe é um chefe de governo sem compostura, obcecado por irrelevâncias, dando chilique diante de um ministro que, na opinião do bando Bolsonaro, estaria flertando com o “inimigo”. Aí chegamos ao ponto mais relevante das conversas publicadas. Para o presidente, a Globo é sua inimiga mortal – e, segundo o sujeito, isso começou ainda na campanha. A emissora deu ampla cobertura ao caso e divulgou nota refutando o pai do Carluxo.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Bebianno disse que, na prática, foi demitido por Carlos, que operou uma “macumba psicológica” na cabeça do presidente. Bolsonaro não controla – e não quer controlar – os filhotes deslumbrados com o poder. Esse comportamento patético cria sim uma encrenca dos diabos com o Congresso e dentro do próprio governo. O tratamento dispensado a Bebianno mostra que não se pode confiar no capitão – o que é algo mortal no sempre delicado jogo da política.

Lideranças partidárias e bancadas em geral pensam o seguinte: se Bolsonaro trata um ministro dessa forma – um bolsonarista de primeiríssima hora –, como confiar que haverá respeito aos compromissos para votação de projetos? Do dia pra noite, qualquer um dos três herdeiros do presidente pode “dar um tiro na nuca” de um aliado. Esse é o clima. Por isso mesmo, o governo tenta impor a versão de que “não há crise”. Alias, foi isso o que disse o ex-juizinho Sergio Moro.

O outro aspecto que deve ser ressaltado, claro, é o ódio que os Bolsonaro cultivam contra a imprensa livre. O capitão perturbado não quer aproximação com a Globo. “Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras?” – é a misteriosa pergunta que o presidente faz ao seu interlocutor. Ficam as dúvidas sobre as relações com essas “outras emissoras”. Jair só admite imprensa amiga.

No falatório entre Bolsonaro e seu até então ministro sobram farpas também na direção da Folha de S. Paulo e do site O Antagonista. Com tamanha fixação sobre o conteúdo dos meios de comunicação, não será surpresa se o governo inventar um projeto com algum mecanismo de controle sobre a imprensa. É o sonho de todo poderoso que não admite ser contestado em suas delinquências.

E toda essa lambança, vejam só, com menos de dois meses de gestão. Não surpreende. Bolsonaro nunca teve projeto nenhum para o país. Sua grande ideia para enfrentar os imensos desafios do Brasil – atenção! – é esta: Vamos pegar pesado nisso daí. Até agora, portanto, o homem cumpre rigorosamente o que prometeu. E os garotões da nova direita babam só de ouvir falar no ídolo.

A zoada com a divulgação desses diálogos não é nada perto do que presidente e família têm a explicar. O país precisa saber a verdade sobre o esquema de Flávio Bolsonaro com o faz-tudo Fabrício Queiroz. Também faltam explicações quanto aos vínculos da turma com as milícias cariocas. E, é lógico, o laranjal de candidaturas do PSL, algo escancarado, tem de ser investigado até o fim.

No mais, esse é o governo em estado bruto, sem retoques – um governo medíocre, sob o comando de um sujeito adepto da tortura e simpático a grupos de extermínio. É só o começo do espetáculo.

Jornal “acabado” derruba ministro

Em 29 de outubro do ano passado, uma segunda-feira, um dia depois de ser eleito presidente da República no segundo turno, Jair Bolsonaro disse ao Brasil: Esse jornal acabou. Ele falava ao vivo para o Jornal Nacional (TV Globo), e se referia à Folha de S. Paulo, um de seus alvos preferenciais nos ataques generalizados que costuma fazer à liberdade de imprensa. Com um mês e meio do novo governo, a Folha derruba o ministro Gustavo Bebianno, fazendo jornalismo do jeito que tem de ser.

Para um jornal que estava acabado, segundo a cabeça perturbada do presidente, as coisas não saíram como o capitão do baixo clero delirava. Como já escrevi aqui, a tropa bolsonarista tenta vender a piada de que o governo está acima de toda “mediação”, fala diretamente com seus fanáticos seguidores, e a versão oficial triunfa sem contestação. Para o bem do país e da democracia, o jornalismo sério pulveriza falácias e mistificações. É duro pra Bolsonaro entender isso aí.

Bebianno caiu após uma série de reportagens da Folha revelar que o PSL, o partido do presidente, armou um laranjal de candidaturas fajutas para desviar recursos do fundo eleitoral. Outro ministro – Marcelo Álvaro Antonio (Turismo) – patrocinou o mesmo tipo de esquema em Minas Gerais. A consistência do que foi publicado deixa o titular da pasta à beira da queda. Vamos ver até quando Bolsonaro vai fingir que está tudo certo nesse caso. O escândalo não para de avançar ao Planalto.

Na mesma entrevista em que bisonhamente decretou a morte da Folha, Bolsonaro mostrou como pensa um homem público de seu nível: ameaçou cortar publicidade oficial dos meios de comunicação que não aderirem à cartilha governista. Aliás, é o que faz a TV Record, mais chapa-branca que o Diário Oficial da União. O adesismo, isto sim, é caminho mortal pra desmoralização de qualquer veículo de imprensa. Chantagem e toma lá, dá cá. É por aí que vai o governo.

A guerra contra a imprensa faz parte do modelo mental do bolsonarismo. Vamos lembrar que o presidente já recomendou que seus eleitores sigam os blogueiros e youtubers que considera “isentos”. É um bando de analfabetos que destila ódio e defende as ideias medievais do ídolo. Nem vale a pena perder tempo com essas trepeças. A missão desse pessoal é apenas mentir.

(Quando este texto já estava escrito, bem mais cedo, o site da Veja revelou, durante a tarde desta terça-feira, os diálogos entre Bolsonaro e Bebianno. Parece haver um pequeno terremoto no mundo político diante do que veio a público. O presidente diz que a Rede Globo é um “inimigo” do governo. É claro que será o assunto do próximo post, nas próximas horas. O governo do capitão tá demais!).

Brasil, um país armado e sem alvará

Depois do incêndio no Centro de Treinamento do  Flamengo, que matou dez garotos da base do clube, descobriu-se que o local não tinha alvará do Corpo de Bombeiros. O mesmo tipo de ilegalidade é a regra Brasil afora quando se apura a situação em cada estado. Aqui em Alagoas, CSA e CRB também driblam a exigência para manter suas atividades nesses ambientes de trabalho.

E não acontece nada. Basta pesquisar os acidentes que ocorreram nos últimos anos no país, para se verificar a escandalosa realidade: alvará de funcionamento é uma peça de ficção em centros comerciais, prédios residenciais ou casas de espetáculos, por exemplo. Nem órgãos públicos escapam. A prefeitura do Rio, cidade da tragédia do Flamengo, não tem alvará dos Bombeiros.

Em muitos casos, quando ocorre um desabamento ou um incêndio, descobre-se que os laudos e alvarás que atestavam a segurança do local foram obtidos por meio de pagamento de propina. Temos aí um crime em dose dupla, quando a negligência e a incompetência se juntam à corrupção. Para completar o descalabro, passados alguns dias da comoção após a tragédia, fica tudo na mesma.

Afinal, para que serve a obrigação de ter um alvará, se isso é desrespeitado às claras por todo mundo? Quando você entra num restaurante ou num teatro, e vê um quadro na parede com a cópia de um documento que atesta a legalidade daquele espaço, não pense que está tudo bem. O mais provável é que a papelada seja apenas o retrato de uma fraude. Para obter o atestado, basta pagar.

O país que funciona sem alvará é o mesmo em que cidadãos de bem andam armados – agora com a aprovação de um governo amigo de milícias e milicianos. O faroeste incentivado pelo presidente desqualificado e seus três filhotes delinquentes está sintetizado na imagem do animal que executou um taxista em João Pessoa. As cenas de selvageria foram registradas por câmeras de vigilância.

É esse tipo de ocorrência que tem tudo para explodir no Brasil, com a liberação de uma arma de fogo para cada um. Não confio em ninguém que defenda de modo fanático o direito de passear pela cidade com um revólver escondido embaixo da camisa. Quero distância de sujeitos que precisam de uma pistola para concretizar, digamos assim, suas taras existenciais. Boa coisa não sai desses tipos. 

Campeão mundial de homicídios dolosos, com mais de 60 mil mortes por ano, o Brasil entrou na era da política de segurança de Jair Bolsonaro, agora sob a inspiração do ex-juizinho Sergio Moro. As ideias de um e de outro combinam. Moro é um bolsonarista vulgar, com verniz de modernoso, para enganar quem se dispõe a ser enganado. Seu pacote anticrime é populista e ineficaz.

São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores estados do país, elegeram governadores mequetrefes que também estão surfando na onda do prende, arrebenta e elimina. Exaltam a matança oficial nas periferias das cidades como política de governo. Com esse tipo de gentalha no topo da vida pública, o Brasil assume de vez a marca de terra do alvará fantasma e da licença para matar impunemente.

Autoridades falham feio com o Pinheiro

A operação que simulou a saída emergencial de moradores do Pinheiro, em Maceió, neste sábado (16), pareceu bastante confusa. É o que constato diante da cobertura da imprensa, incluindo as imagens e os depoimentos exibidos na TV. O que se viu foi gente desorientada, sem informações que deveriam chegar de modo rápido e ordenado. O bairro, como se sabe, virou notícia nacional após aparecerem fendas e crateras nas ruas – e vários imóveis correm risco de desabamento.

A coordenação entre os órgãos envolvidos não foi das mais eficientes. Muitos moradores ouvidos pelos jornalistas reclamavam que não houve o toque de uma sirene que deveria sinalizar o perigo iminente. Já as autoridades responsáveis pela operação diziam que isso não estava combinado – ou seja, não haveria qualquer sinal sonoro como aviso para a saída de emergência. Ruído geral.

Diante do que se viu, até agora não sei qual a concreta utilidade do treinamento para aquelas centenas de famílias angustiadas com o que ocorre no Pinheiro. Segundo a Defesa Civil, são 19 mil pessoas vivendo na região atingida pelo afundamento do solo. O problema começou há um ano, mas até hoje ninguém explicou o que provoca os buracos nas vias e as rachaduras nos prédios.

Aliás, a desinformação tem sido a regra nas declarações de autoridades – locais e nacionais. Depois de muita especulação, a Braskem foi apontada como possível responsável pelos danos, que seriam decorrentes da exploração do solo realizada pela gigante da indústria brasileira. Sem laudo nenhum, a direção da empresa se apressou em negar qualquer influência na origem do caso.

Os moradores estão sendo submetidos a uma maratona de reuniões com meio mundo de doutores que falam muito e não esclarecem nada. Prefeitura, governos estadual e federal, Defesa Civil, Ministério Público – sobram burocratas chutando potoca pra todo lado, e só isso. Até o presidente Jair Bolsonaro, no seu estilo ignorante e despudorado, falou besteira, agitou as coisas e depois se calou.

Como disse, os primeiros sinais evidentes de que algo muito grave ocorria vieram no começo do ano passado. Ainda assim, as autoridades se mantiveram cegas e surdas. Só a partir do fim de 2018 pra cá, quando as cores da calamidade ganharam as manchetes, a gestão pública se manifestou. Com a lerdeza paquidérmica típica dos burocratas, gestores enrolam – e nada parece avançar.

O que avança é o número de casas e apartamentos abandonados. Há também muitos casos em que moradores se recusam a deixar os imóveis, mesmo que a estrutura já apresente avarias evidentes. Essas pessoas cobram dados definitivos sobe o fenômeno, para tomarem uma decisão racional. Mas, pelo que se viu até aqui, é impossível uma previsão sobre quando teremos alguma resposta.

O chefe do Ministério Público de Alagoas e a eleição para prefeito de Maceió em 2020

Começou a campanha para prefeito de Maceió. Eu sei que ainda é muito cedo, afinal a eleição só ocorre daqui a praticamente dois anos, no fim de 2020. Mas o fato é que a política é assim – e ninguém perde tempo. Não sabemos o que pode ocorrer no minuto seguinte, mas caciques, lideranças e cabos eleitorais estão a todo vapor, tramando as possíveis alianças para o futuro ainda distante. O deputado federal JHC, que já tentou a parada, é apenas um dos candidatos a candidato.

Mas, sem dúvida, o nome mais badalado entre os que estão de olho no posto de Rui Palmeira é o do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Ele finge que não, é claro, mas trabalha com a ideia 25 horas por dia. Nesse sentido, o lance mais ousado do chefe do MP alagoano, até agora, foi encaixar o filho Carlos Alberto de Mendonça Neto na equipe do governador Renan Filho.

Em janeiro, o jovem advogado, com experiência zero na gestão de coisa nenhuma, ganhou o cargo de presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária. A pergunta incontornável é esta: qual o papel do comandante do Ministério Público na nomeação? Não me digam que ele não tem nada a ver com isso! Acreditar em tal hipótese é o mesmo que ter fé na mulher da capa preta e no Saci.

Deve-se lembrar que o próprio procurador já serviu a Renanzinho, na condição de secretário de Segurança. Só deixou a pasta porque, em março de 2016, finalmente o STF acabou com a escandalosa promiscuidade entre MP e Poder Executivo. Desde então essa brincadeira está banida no país. Mas a ligação entre Alfredo Gaspar e o filho do senador Renan Calheiros segue fortíssima.

A nomeação do filho do procurador está cem por cento vinculada a projetos eleitorais de todos os envolvidos. O próprio Carlos Alberto de Mendonça já é tratado como virtual candidato a prefeito de Quebrangulo, reduto de sua tradicional família. No meio de sua turma ele é visto como alternativa da oposição na terra de Graciliano Ramos. O cargo no governo é passaporte para namorar as bases.

Voltando ao pai do garoto, o procurador ensaiou uma candidatura ao Senado em 2018, mas acabou adiando os planos de brigar por um mandato, depois que o jogo se apresentou por demais arriscado. Com Renan Calheiros, Rodrigo Cunha e Benedito de Lira, o páreo ficou duríssimo. Prudente, o chefe do MP preferiu aguardar por um quadro mais favorável – o que pode ocorrer em 2020.

Alfredo Mendonça é o queridinho de bolsonaristas. É o nome dos sonhos para o pessoal que adora um xerifão, desses que prometem “jogar pesado com os bandidos”. Nada de novo nesse tipo de “projeto político”, mas, no Brasil de hoje, é o que faz tremendo sucesso entre garotões da nova direita. O chefe do MP acha que, assim como Bolsonaro, direitos humanos são para humanos direitos!

Pai e filho estão no radar de vários partidos. O mais assanhado até agora é o PSL, precisamente a legenda de Jair Messias. As notícias sobre o laranjal de candidaturas na sigla do capitão, no entanto, praticamente enterram as chances de filiação. Afinal de contas, o procurador quer aparecer como um candidato inimigo dessas práticas nada republicanas. Ele é a mais pura “renovação”.

Suponho que o xerife do Ministério Público – um valente inimigo da velha política e que prega a ética como valor sagrado no exercício do poder – não vê conflito de interesse em emplacar o filho no governo que ele, o pai, tem por obrigação fiscalizar. Cada um com sua concepção de mundo, não é mesmo? Alfredo Gaspar certamente sabe separar as coisas. E muita, muita emoção vem por aí.

Eu torço contra Bolsonaro e sua seita

O governo do laranjal e dos amigos de milicianos e torturadores anuncia o que considera uma grande iniciativa para a educação brasileira. Vem aí uma Lava Jato para enquadrar as universidades do país. A peça que instaura essa presepada é um documento assinado pelos ministros da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, e da Justiça, Sergio Moro. É isso mesmo: no governo Bolsonaro, ensino em sala de aula é assunto para a polícia. Foi pra isso que esse desqualificado chegou à Presidência.

É um tipo de projeto que os doentinhos fanáticos da “nova direita” querem ver prosperar na gestão do capitão que idolatra torturador e grupo de extermínio. Ao lado de invencionices assim, os eleitores do presidente querem emplacar medidas que interferem nas escolhas individuais da sociedade. É a chamada pauta de valores e costumes – aborto, gênero, casamento gay, cultura etc.

No mesmo balaio estão a liberação do faroeste, a censura a manifestações artísticas, a intimidação à imprensa livre, a perseguição a movimentos sociais e o monitoramento de professores. O governo também está usando arapongas da Abin para vigiar a Igreja Católica – como revelou O Estado de S. Paulo. Todo esse carnaval de sandices serve pra desviar o foco da indigência geral da turma.

Tudo de acordo com as promessas que fizeram a festa de analfabetos políticos durante a campanha eleitoral. “Vai acabar a mamata, comunista desgraçado!” – não era isso o que berravam o candidato e os histéricos fiéis da seita? Bolsonaro entrega lixo para quem prega ideias que brotam do esgoto. Na cabecinha desses “cidadãos de bem” é por aí que vamos construir um novo tempo.

Sergio Moro, o juizinho da Lava Jato, age como se ainda estivesse com a toga, patrocinando todo tipo de arbitrariedade, sem prestar contas a ninguém, rasgando a Constituição pra alcançar seus nebulosos objetivos. É emblemático que o convênio para emparedar as universidades seja uma obra celebrada entre Moro e Velez Rodriguez, o cretino colombiano que chamou os brasileiros de ladrões.

Por que o governo não incentiva uma Lava Jato para desvendar a misteriosa relação entre políticos do Rio e as milícias que dominam áreas inteiras da capital fluminense? Ou isso não tem importância, uma vez que milicianos matam negros e pobres? O Ministério da Justiça poderia também investigar a fábrica de candidatos laranjas que ajudou a eleger os “renovadores” da política instalados no PSL.

O fato é que Bolsonaro se elegeu sem proposta para coisa nenhuma. Ninguém soube o que essa anta teria como programa de governo, porque ele simplesmente não tinha o que mostrar. Fugiu de todos os debates, falando apenas para sua horda nas redes sociais. E acha que vai governar assim, na base de excrescências pelo Twitter. Nos primeiros dias, um desastre monumental.

Um presidente da República que fala em aumentar imposto – e é desmentido pelos subordinados horas depois. Um presidente que comemora quando um deputado denuncia estar sob ameaça de morte. Um presidente que toma decisões orientado por um filho viciado em ofender pessoas e instituições. Um presidente que marca entrevista e depois se esconde – e vira piada mundial.

Este é Jair Bolsonaro, que idiotas desavisados e filhinhos da “elite” ricaça definiram como “mito.” Realmente, a História não é um processo que anda sempre rumo a avanços. O quadro agora é do mais grotesco retrocesso. A prosperar os planos obscurantistas, o Brasil tem tudo para ensinar à civilização como se faz para mergulhar na era da pedra lascada. Somos um laboratório do atraso.

E ainda temos de ouvir os garotões da direita alagoana cobrando que todos devem torcer a favor do governo, porque afinal estamos “no mesmo barco”. Que piada é essa? Você é um torcedor de um regime que mira nos direitos e na liberdade individual? É a favor de maquetes de tiranete que se valem do poder para sufocar aqueles que pensam diferente? É favorável à censura oficial?

Definitivamente torço – e muito – contra todas essas porcarias que animam Bolsonaro e sua seita. Mas nem preciso torcer por nada, pois o governo já disse a que veio no primeiro dia. Em um mês e meio, o balanço é degradante. No ministério mais medíocre desde a redemocratização, Damares Alves é apenas o lado mais folclórico desse espetáculo de horrores, cretinices e truculência.

Tida do Brejinho é parte de fraude nacional

O festival de candidaturas de fachada nas eleições de 2018 vem sendo revelado por uma série de reportagens da Folha de S. Paulo. Primeiro o jornal mostrou que a maracutaia foi adotada pelo PSL, o partido da “nova política” que abriga o presidente Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira, a Folha apresenta um levantamento amplo sobre esse tipo de esquema – e várias outras legendas se juntam ao PSL.

Sobrou até para Alagoas, por que não, ora? Filiada ao PSD, a senhora Tida do Brejinho foi candidata a deputada federal. Para tocar sua campanha, ela recebeu 450 mil reais. Com uma grana dessas – que poucos candidatos no país conseguiram –, era de se esperar que tivesse um desempenho razoável nas urnas. Poderia não ser eleita, claro, mas a votação dificilmente seria algo desprezível.

Mas foi exatamente o que aconteceu. Tida do Brejinho obteve 233 votos. Aí não tem explicação para o fenômeno. A quantidade de votos, com toda a dinheirama à disposição, indica o que pode ter ocorrido de verdade: a candidata não fez campanha; a grana que recebeu não foi usada em sua suposta aventura eleitoral. A fortíssima suspeita é de que Brejinho foi mais uma “laranja” na urna.

E onde foi parar o dinheiro repassado oficialmente à candidata que não fez campanha? Esse é o coração do mistério. Não precisa ser um gênio da investigação para deduzir o mais lógico – foi desviado para caciques partidários que mandam nas legendas e decidem quem vai disputar as eleições. A prática está disseminada de ponta a ponta no arco ideológico do mundo político.

O esquema revela outra fraude forjada pelos partidos. Trata-se de burlar a lei que determina a cota de 30% de candidatas mulheres. As siglas inventaram concorrentes apenas para cumprir a regra, mas só no papel. O repasse do fundo destinado às eleições também tem de obedecer à cota dos 30%. Parece claro que, com o laranjal, os bandidos cometem uma farsa em duas frentes.

De volta ao exemplo de “renovação”, o PSL é presidido pelo deputado federal Luciano Bivar. Trata-se de um notório cartola do futebol pernambucano, com uma extensa folha corrida como presidente do Sport. Confrontado pela Folha sobre candidata laranja em sua terra, saiu-se com a explicação vigarista de que mulher não tem vocação pra política. É o que pensa a quadrilha Bolsonaro.

Numa avaliação mais ampla, a descoberta do escândalo prova que, mais uma vez, inventamos outra lei de mentirinha. Os caras não brincam em serviço. Cota? De jeito maneira! Quando soube que isso seria obrigatório, a cacicada rapidamente tramou um jeito de, fingindo obediência à legislação, deixar tudo exatamente do mesmo jeito. Por isso Tida do Brejinho virou uma campeã de votos.

Bolsonaristas tramam golpe contra o STF

A bancada do PSL na Câmara, formada por um amontoado de paraquedistas que se elegeu na onda do fanatismo bolsonarista, tenta uma jogada ao mesmo tempo casuística e perigosa. Os celerados pretendem dar um golpe no Supremo Tribunal Federal, fixando em 70 anos a aposentadoria compulsória dos ministros da Corte. Hoje a idade para pendurar a toga em definitivo é de 75 anos. O objetivo da manobra é ter um STF vergado aos mandos e desmandos do governo.

Até o fim de seu mandato, Bolsonaro vai nomear dois ministros para o Supremo. Se a ideia dos aloprados governistas virar realidade no Congresso, ele escolhe quatro novos titulares no tribunal. Ou seja, a turma quer despejar no colegiado gente alinhada com a política dos novos donos do poder. No meio jurídico certamente não faltam tipos sob medida para atender as demandas do capitão.

Tudo isso será possível se for aprovada a revogação da chamada PEC da bengala. Até 2015, a aposentadoria ocorria aos 70 anos, mas emenda à Constituição mudou para 75. Agora, o PSL quer voltar à antiga regra. Bolsonaro, dessa forma, trata a Justiça como departamento de seu governo. Quer não apenas maioria na Câmara e no Senado, mas também na mais alta instância do Judiciário.

O casuísmo da iniciativa é escancarado pelas razões que acabo de listar. Mas há também o lado perigoso da aventura. Comprar briga com o STF numa hora dessas é apenas mais um tiro no pé de quem propõe a mudança. Ao invés de trabalhar pela harmonia entre os poderes, a laia bolsonarista joga no acirramento da relação com o Judiciário. É claro que tem tudo para provocar mais uma crise.

Ainda na campanha eleitoral, a imprensa noticiou que o sonho de Jair Bolsonaro era aprovar o aumento do número de ministros, passando de 11 para até 21. Seria outro caminho para o governo entupir a Corte de juristas contrários ao “marxismo cultural”. Os Bolsonaro acham que o STF também é dominado por comunistas – como as igrejas, as escolas, a imprensa, o cinema, o carnaval, o balé...

A intenção da bancada laranja do PSL nada tem de novidade. Todo rascunho de tiranete, no Brasil e mundo afora, faz exatamente isso quando toma o poder. A ditadura instalada com o golpe de 1964 aposentou ministros na canetada de milicos truculentos. Por aí, Bolsonaro copia seu inimigo ideológico Nicolás Maduro, que na Venezuela meteu o cabresto no Judiciário e faz o que quer.

Calar a dissidência e a crítica. Domar as instâncias capazes de enfrentar o autoritarismo do governante. É esse o efeito prático escondido nas sombras do discurso pilantra que sustenta a ideia de revogar a PEC da bengala. Como já falei, nada que surpreenda. Bolsonaro é daqueles que recorrem à força pra impor suas taras políticas de mandar e desmandar, sem freios e sem regras.

O leitor que costuma passar por aqui sabe que togados de todas as instâncias não têm motivos pra gostar do blogueiro. Já escrevi que o Judiciário é um planeta paralelo, cheio de privilégios que insultam o brasileiro que trabalha duro e honestamente. Mas a instituição é maior que suas partes – pilar sagrado, essencial e indispensável na democracia. E o PSL quer implodir essa instituição.

Um Brasil desgovernado há 45 dias

No primeiro mês de governo, Jair Bolsonaro e sua turma desmoralizaram o slogan com o qual chegaram ao poder. “Nova Política”? Isso era piada desde o começo, mas os fanáticos e os garotões da direita pitbull ainda propagam esse delírio. De novo, o que eles apresentam é esquema com dinheiro de assessores fantasmas e laranjal de candidaturas do PSL, o partido do presidente.

Quando Flávio Bolsonaro apareceu no meio do escândalo com o hoje notório Fabrício Queiroz, o pai disse que estavam tentando atingir o “garoto” para acertar o governo. Agora que o ministro Gustavo Bebianno surge como suspeito no caso dos candidatos de fachada, o presidente se junta ao desqualificado Carlos, o celerado do Twitter, para humilhar o aliado de modo torpe e vergonhoso.

Ricardo Salles, o idiota que virou ministro do Meio Ambiente, mostrou toda sua boçalidade ao atacar Chico Mendes, símbolo na defesa da Amazônia, assassinado por bandidos a serviço de meliantes do agronegócio em 1988. Ao expor sua vasta ignorância em entrevista ao Roda Viva, na TV Cultura, o funcionário de Bolsonaro passou vergonha em escala mundial. Esse é o nível.

O colombiano Vélez Rodriguez, ministro da Educação, acha que os brasileiros não passam de um bando de canibais que roubam hotéis quando viajam ao exterior. Foi o que ele disse em entrevista à Veja. O sujeito, que fala português com dificuldade, está no cargo pra combater a ideologia de gênero, o marxismo cultural e o avanço do maldito projeto globalista. Agora a educação decola.

Os milicianos vão bem, obrigado, principalmente depois que seus amigões na família Bolsonaro chegaram ao poder. Não canso de lembrar que, ao longo de sua medíocre trajetória no baixo clero do Congresso, Bolsonaro defendeu a atuação de grupos de extermínio – assim mesmo, com todas as letras. Nada do que este governo fizer pode nos surpreender. Seu DNA é de violência e ignorância.

O juizinho que fez campanha para Bolsonaro e virou ministro da Justiça continua falando fino diante dos esquemas do chefe. Mas, nesta quinta-feira, Sergio Moro veio a público para, vejam que “bomba”, anunciar que a Polícia Federal vai investigar a safadeza do laranjal no PSL. Fala como se isso fosse uma grande ação de combate a alguma mutreta – e como se pudesse barrar alguma investigação.

Sobre o esquema de Flávio Bolsonaro – com rachadinha no salário de assessores e ligações com milícias – aí Moro se nega a pronunciar qualquer palavra, nem um pio. Cobrado sobre isso, diz que não é advogado do governo nem da família do presidente. Já seu pacotinho para combater a violência foi triturado por quem de fato entende do assunto. É uma porcaria fadada ao fiasco geral.

A família Bolsonaro, puxada pelo rudimentar paspalhão que hoje governa o Brasil, parece ter acreditado mesmo que conseguiria acabar com a imprensa livre e independente. Foi o que o presidente, logo depois de eleito, decretou em mais de uma entrevista. Agora seria sem “mediação”, com o governo falando diretamente ao povo pelas redes sociais. Seguidores fanáticos acreditaram.

Na verdade, o que a turma de Bolsonaro gostaria de fazer é o que fazem todos os governantes que abraçam o autoritarismo como método: prender jornalistas que incomodam e fechar veículos de comunicação. Sobrariam aqueles que rezam na cartilha, que bajulam no lugar de fazer jornalismo – como a Record do “bispo” de Jesus Universal. Um mês e quinze dias de um desgoverno. Deu a lógica.

Os Bolsonaro são a nova Família Buscapé

O governo de Jair Bolsonaro tem um problema que vai durar os quatro anos de mandato do presidente. É que os maiores criadores de confusão com o Planalto são os três herdeiros do capitão. Ou seja, o pai pode demitir meio mundo em sua equipe, mas não tem como destituir Carlos, Flávio e Eduardo dos “cargos” de filhos do chefe. E o trio joga o jogo mais baixo nos bastidores, com falas estúpidas e ofensivas na direção de qualquer voz que se levante contra presepadas no governo.

Um dos filhos, Flávio Bolsonaro chega ao Senado com o carimbo da forte suspeita de enriquecimento ilícito. Combinado a isso, o “garoto” é chegado a milicianos, como provam suas homenagens a acusados de homicídios no Rio de Janeiro. Não deu explicação minimamente lógica para sua obscura conduta. Que as investigações consigam resultado esclarecedor.

Já Eduardo, aquele que responde por ameaças a uma ex-namorada, andou meio entocado nos últimos dias. Deve estar ocupado com maquinações nos subterrâneos. Além de querer fechar o STF com um cabo e um soldado, age a partir de seus interesses e, por isso, atropela também ministros e o vice, Hamilton Mourão. Já brigou com parlamentares aliados, sempre no baixo nível.

E tem o Carluxo. Vereador no Rio de Janeiro, ele praticamente abandonou o trabalho na Câmara Municipal. Deveria renunciar ao mandato e se mudar para Brasília. É o cara da comunicação do pai presidente – o que para Carlos Bolsonaro significa mergulhar de cabeça no lamaçal das redes sociais. O elemento passa o dia no Twitter espalhando falsidades, atacando pessoas e a imprensa.

Sabemos de muitos casos de confusão em empresas comandadas por famílias. É uma tradição. Agora mesmo a TV Bandeirantes vive uma crise, com irmãos querendo destituir João Saad da presidência do grupo. A via saudável é profissionalizar a gestão com executivos sem parentesco com os sócios. Mas, nesses casos, trata-se de negócio privado. E na vida pública, o que fazer?

Aí a coisa se complica pra valer. Jair Bolsonaro pode trocar de ministro a hora que quiser, mas, como disse, não tem como trocar de filhote. O certo seria o presidente enquadrar seus bandoleiros mirins, mas parece que não tem força diante desse trio de boçais deslumbrados com o poder. O que ele faz mesmo é passar a mão na cabeça de suas crias. Com esse padrão, alimenta o ânimo dos sujeitos.

As peripécias de Flávio, Eduardo e Carlos irritam ministros, com especial estrago na ala militar. Os generais no governo consideram o trio um foco permanente de problemas. A continuar nessa toada, não se sabe o que pode ocorrer nas próximas semanas, nos próximos dias ou daqui a pouco. Temos um governo que lembra a Família Buscapé, aquele desenho animado sobre relações humanas.

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com