Blog do Celio Gomes

Bolsonaristas na rua defendem a porcaria do governo e atacam a democracia

Os bolsonaristas vão dizer que a manifestação em favor do capitão da tortura foi um tremendo sucesso. Em comparação com o protesto do último dia 15, contra as medidas de Bolsonaro na Educação, isso passa longe da verdade. Mas a especialidade de tudo o que diz respeito a esse governo amigo de milicianos nunca foi a verdade dos fatos. Pelo contrário, aí é tudo craque em fake news. Não importa. O que houve neste domingo não afetará os rumos de uma gestão já fracassada.

Em menos de seis meses de governo Bolsonaro, o país não ficou apenas parado – andou para trás. E o que dizem os fanáticos da seita que idolatram o presidente inculto, truculento e antidemocrático? Que a culpa é do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e da imprensa. Você já ouviu isso antes, ao longo da história brasileira. Bolsonaro sonha em governar acima das instituições, das regras de civilidade, mais ou menos como fazem as milícias que o governo apoia. É o DNA dessa porcaria.

A coisa é tão complicada para os lados do bolsonarismo, que nem mesmo seus apoiadores se entendem sobre a conveniência da manifestação convocada para o domingão. Alguns dos setores que apoiaram a eleição do bizarro deputado do baixo clero para presidente caíram fora. Foi o caso do MBL, do hoje deputado federal Kim Kataguiri. Imediatamente o parlamentar foi tachado de “comunista” pelos jumentos que não sabem fazer outra coisa a não ser relinchar contra o comunismo.

Em algumas cidades que registraram os “protestos” de hoje, os lunáticos carregavam bonecos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, visto por esses desmiolados como inimigo de Bolsonaro. Também apareceram, naturalmente, faixas e cartazes com ofensas ao STF e ao Congresso – o que significa desprezo pela democracia. Pela internet, encontram-se muitos vídeos de pessoas que foram às ruas de verde e amarelo defendendo o fechamento dessas instituições. Esse é o nível.

O próprio Bolsonaro foi às redes sociais – como não? – para celebrar os seguidores de sua seita, aqueles que acreditam que ele representa a “nova política”. Postou vídeos da patacoada e disse que eram “manifestações espontâneas”, fingindo ignorar que sua tropa de celerados incentiva o tempo todo o ataque aos outros dois poderes, Legislativo e Judiciário. E fez isso de novo nos últimos dias, esperando levar às ruas milhões de pessoas pra apoiar seu desgoverno. E não foi isso tudo não.

Aqui em Maceió, a tropa de choque da “nova direita”, uma gente analfabeta que adula a truculência de Bolsonaro, comemora o ato na beira da praia. Marcaram a concentração para o Corredor Vera Arruda, o coração da “área nobre” da capital alagoana, e depois saíram pela avenida. Agora vamos ver o que muda na realidade do país a partir da segunda-feira, o dia seguinte. A aposta mais fácil é de que não mudará nada. Segue um governo podre desde o nascedouro, sem chance de salvação.

Alguns pré-candidatos a prefeito de Maceió! Quem é quem no começo da corrida

Na quarta-feira 22/05, o CADAMINUTO publicou pesquisa feita pelo Instituto Ibrape sobre a eleição para prefeito de Maceió. Ainda estamos há um ano e meio da disputa, mas, é da tradição brasileira, o tema praticamente não sai da pauta política uma semana sequer. Na liderança do levantamento, aparecem dois nomes que realmente estão de olho na cadeira de Rui Palmeira – e não é de hoje.

São eles João Henrique Caldas, o JHC, e o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Um parêntesis: nunca houve um chefe do Ministério Público Estadual com tanta presença no universo da política partidária alagoana, ainda que, por razões óbvias, ele negue essa evidência. Doutor Alfredo, como gosta de ser tratado, e JHC têm discursos parecidos na batalha por votos.

A dupla se agarra na retórica do combate à corrupção, sob a inspiração de Bolsonaro, Sergio Moro, Lava jato e todo o carnaval que embala os “cidadãos de bem” que despertaram nos últimos tempos brasileiros. O chefe do MP tem uma pegada mais ajeitada na valentia contra os bandidos e no ataque ao “abuso” dos direitos humanos. É o que seduz as mais extremadas vozes da “nova direita”.

O deputado-sigla é filiado ao PSB. Em seus planos para encarar a guerra, da qual já participou e saiu derrotado em 2016, ele espera contar com o apoio do senador tucano Rodrigo Cunha. A juntar os dois está, aí também, a conversa de “renovação” da política. É uma equação complicada. O PSDB de Cunha é o mesmo partido do prefeito Rui Palmeira, que sinaliza ter outros planos sobre um sucessor.

Em segundo mandato, Rui indica preferir como candidato à sua cadeira aquele que é seu vice desde janeiro de 2013: Marcelo Palmeira. Não é por acaso que há pouco mais de um mês o prefeito nomeou o vice para o cargo de secretário de Assistência Social. É uma porta escancarada para ele aparecer como gestor, com a mão na massa, e com isso virar notícia por ações pela cidade. Ganhar holofotes.

Além de eventuais afinidades entre JHC e Rodrigo Cunha, há um detalhe importante que explica o namoro dos dois: a mãe do deputado, a ex-prefeita de Ibateguara Eudócia Caldas, é suplente do senador tucano. O jovem arapiraquense reivindica a qualidade da tal renovação, mas, como revela a escolha da suplente, já deu várias provas de que sabe negociar como nos bons e velhos tempos.

Claro que há outras variáveis, mas o prefeito e o senador terão de se entender sobre essas duas postulações, a de JHC e a de Marcelo Palmeira. Há poucos dias, Rui deixou a presidência do PSDB em Alagoas e passou o posto para o senador. Em rede social, o prefeito disse que ambos vão trabalhar por “candidaturas tucanas para o próximo ano eleitoral, na capital e interior”. Será?

Já Alfredo Gaspar de Mendonça atrelou sua trajetória, nos últimos anos, ao clã dos Calheiros. Foi secretário de Segurança do governador Renan Filho, de janeiro de 2015 a abril de 2016. Só deixou o cargo após decisão do STF que proibiu agentes do MP exercerem cargos no Executivo – a não ser que renunciem à carreira na instituição. Contrariado, doutor Alfredo voltou a ser promotor de Justiça.

Mas essa parceria não acabou – o que mostra que não era algo circunstancial. Digo isso porque, como se sabe, o governador nomeou, em janeiro deste ano, um filho do chefe do MP para o cargo de presidente da agência que cuida da agropecuária alagoana. Há quem veja aí um claro exemplo de nepotismo cruzado. Mas, como já tratei do assunto aqui, deixo essa questão de lado. Volto à eleição.

Fato é que Gaspar de Mendonça seria o nome favorito do governador – e de seu pai, o senador Renan Calheiros – para candidato a prefeito da capital. Pode mudar? Lógico. Tudo nessa vida pode mudar. Estamos ainda em maio de 2019, e a hora do voto será em outubro de 2020. Enquanto escrevo, todos conversam e trocam impressões quanto aos cenários futuros. Hoje está assim.

A pesquisa do Ibrape traz também como virtual candidato o deputado estadual Davi Davino Filho, o que nos leva a outra equação a ser resolvida pela cacicada. É que o jovem (mais um da “renovação”) é do Progressistas, mesmo partido do vice Marcelo Palmeira. O dono da legenda em Alagoas é o ex-senador Benedito de Lira, com forte participação e influência na gestão de Rui na prefeitura.

Especulo: numa eventual aliança entre PSDB e Progressistas, Davino pode sair como vice; resta saber de quem. E existe ainda o ensaio dos celerados do PSL, com a possível candidatura do também deputado Cabo Bebeto, nosso bolsonarista no parlamento estadual. Aí começamos a entrar no buraco negro da atual cena política no país. Resumindo, tudo isso é só uma parte do que virá.

(O leitor pode conferir a pesquisa completa do Ibrape aqui no site. São ao todo treze nomes, entre eles Ronaldo Lessa, Maurício Quintella, Tereza Nelma e até Rafael Tenório, o mandachuva do CSA).

Carlinhos Maia contra Whindersson Nunes! A verdadeira crise que a imprensa investiga

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Carlinhos Maia, o alagoano mais influente do mundo, está no centro de uma desavença existencial com Whindersson Nunes, o piauiense mais influente do mundo. Nosso conterrâneo tem 27 anos de idade; seu agora desafeto é três anos mais jovem. A crise avassaladora entre os dois artistas se deve ao fato gravíssimo de Whindersson ter rejeitado o convite para ser padrinho do casamento de Carlinhos. O casório, aliás, levou Alagoas ao topo do noticiário em todo o Brasil.     

Na grande imprensa, o caso incendiou as editorias que cuidam dos assuntos relacionados à vida dos influenciadores digitais – a quintessência do culto a celebridades. Parece, segundo dizem os jornalistas, que o pano de fundo do terremoto é o ciúme. Os dois se tornaram rivais na arte de conquistar seguidores nas redes sociais. O cara do Piauí estaria chateado com a avalanche de curtidas e mensagens que tornou o alagoano um nome de peso no cenário internacional.

“Influente” é todo aquele que exerce o poder de influenciar opiniões, gestos e atitudes de terceiros. A influência pode ser para o bem ou para o mal. O que será que muda na rotina de um influenciado por Carlinhos ou Whindersson? É uma pergunta para ensaios e estudos acadêmicos. Os dois jovens nordestinos, por caminhos e estilos diversos, são mais ou menos a mesma coisa: comediantes. Por alguma razão – metade elementar e metade metafísica –, milhões de pessoas amam os dois.      

Eu falei mais ou menos a mesma coisa, mas acho que são mesmo uma coisa só – comediantes, humoristas, palhaços. Como eu disse, artistas. Vieram ao mundo com o talento de contar piada de um jeito que arrasta multidões. A dupla acaba de protagonizar um programa de TV, ao lado do também comediante Tirulipa, num verdadeiro triângulo equilátero. Ainda segundo o jornalismo investigativo, o clima entre o alagoano e o ex-amigo começou a azedar nos bastidores do programa.

“Comédia” é tudo aquilo que você acha engraçado, seja no teatro, no cinema, na literatura, no meio da rua ou, sobretudo, na tela do seu celular. O jornalismo ostenta uma veia cômica, quase sempre explorada de modo errado, na hora errada, com o assunto errado. Mas talvez eu esteja misturando assuntos. Não sei. Se você vira jornalista de TV, aprende que toda reportagem tem de “acabar pra cima”. Isso significa que o repórter tem de dar um jeito de fazer gracinha no desfecho da “matéria”.

“Jornalista” é todo aquele que, em diferentes funções, trabalha para relatar em detalhes um episódio, um acontecimento, uma novidade, uma grande história, uma “bomba”. Por exemplo: a polêmica provocada pelo vestido que uma influenciadora digital usou no casamento. Suponho que muitos leitores devem achar esse tipo de assunto de uma banalidade quase criminosa. O difícil é saber onde estão esses leitores, uma vez que a gracinha continua em alta no jornalismo.

Como você percebeu, não chegamos a lugar nenhum sobre esse tsunami que invadiu e agora mobiliza os maiores veículos de comunicação do país. Mas o fenômeno está aí, em nossa cara, assim que batemos o olho no noticiário. Sem uma ideia minimamente organizada sobre a dimensão e o impacto do racha entre Carlinhos e Whindersson na vida dos brasileiros, suspeito que devo parar por aqui. Antes, acrescento que certas coisas parecem novidade, mas existem desde o princípio de tudo.

Deputados estaduais defendem o faroeste de Bolsonaro! É nossa tradição de pistolagem

Leio aqui no CADAMINUTO reportagem da jornalista Vanessa Alencar sobre um debate que dominou a sessão desta quarta-feira na Assembleia Legislativa de Alagoas. O tema foi o decreto presidencial que avacalha as regras para a posse e o porte de arma no Brasil. Como se sabe, o texto do governo amigo de milícias liberava até a venda de fuzil. A deputada Jó Pereira levantou a discussão, fazendo críticas ao liberou geral previsto no decreto. Colegas da parlamentar não gostaram nem um pouco.

A reportagem reproduz frases de deputados que apartearam Jó Pereira para contestá-la. Em poucas palavras, é um festival de boçalidade e estupidez para defender o faroeste pretendido pelo presidente da República que idolatra torturador. Cabo Bebeto, Bruno Toledo, Francisco Tenório e Galba Novaes são nomes citados no texto da jornalista. Para rebater os sensatos argumentos da deputada, o quarteto fantástico disparou a esmo, sem medo do ridículo. Sobrou até para Karl Marx.

Sim, você leu certo. Para um dos legítimos herdeiros dos engenhos de açúcar, Bruno Toledo, essa história de desarmamento e combate à circulação de armas é o seguinte: “Isso vem de Marx, replicado por Stalin”. Ele falou sério! O autoproclamado liberal e conservador ainda jogou no mesmo balaio Nicolás Maduro e a Venezuela. Parafraseando o grande João Guilherme, narrador esportivo da FOX, eu só acredito porque estou lendo. Toledo é um dos mais eruditos lá na Assembleia.

Para completar sua cosmopolita visão de mundo e conhecimento da história universal, Toledo fechou com brilhantismo a aula sobre armamento e faroeste: barrar o armamentismo ao “cidadão de bem”, garante o ilustrado rapaz, é uma trama de “governos socialistas”. Como se vê, as lições de cidadania do clã bolsonarista fizeram a cabeça de nossos homens públicos mais preparados. Fiquei curioso por mais detalhes sobre as fontes científicas dessas ideias tão inovadoras. Mas desconfio da origem.

Já o Cabo Bebeto, eleito pelo PSL do Messias – o amoral e inculto presidente –, tem uma visão mais jogo bruto, por assim dizer. Sua principal declaração no debate da Assembleia foi “anunciar” que ele mesmo não vê a hora de comprar seu fuzil particular e personalizado. Esse tipo de postura é o retrato fiel do que há de mais desprezível no desastre que hoje governa o país. Aí é caso perdido.

Galba Novaes foi um pouco mais comedido, mas não menos equivocado ao expor o que pensa do assunto. Disse estar arrependido de uma lei municipal de sua autoria, quando era vereador, que proibiu o comércio de armas esportivas na capital alagoana. Tarcizo Freire e Cibele Moura também engrossaram o pelotão de fuzilamento para fulminar a simples reflexão proposta por Jó Pereira.

E não poderia faltar a voz de um dos maiores especialistas na causa, o deputado Chico Tenório. Ex-delegado da Polícia Civil, ele já passou uma temporada na cadeia e foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, suspeito de atos que não combinam muito com princípios pacifistas. A experiência parece não ter alterado em nada a índole do notório político. Está claro que ele segue na “linha dura”.

É emblemático que o parlamento alagoano seja o espaço de toda essa demente discurseira. A história do país registra que aquela casa já foi palco de troca de tiros e morte, em 1957, num dos episódios mais traumáticos da vida pública no estado. Faz tempo, é verdade, mas a herança de sangue ainda hoje deve inspirar muita gente por ali. Pistolagem, jagunços, emboscadas... Esses são arquétipos que ajudam a entender a velha Alagoas. Nossa tradição não é para os fracos.

Guerra suja entre a direita e a direita

O título é esse mesmo que você acaba de ler. Isso sim é a política! O bom é quando vejo pernas de pau do mesmo time trocando caneladas uns contra os outros, promovendo a melhor das comédias para as arquibancadas. Refiro-me ao tiroteio – por enquanto virtual – entre as falanges que se ajoelham na igreja do Messias que ocupa o Palácio do Planalto. O motivo da guerra suja é a tal manifestação prevista para o domingo, dia 26, um ato de apoio às pautas do governo Bolsonaro.

Na verdade, a turma mais engajada pretende berrar nas ruas e avenidas pelo fechamento do Congresso Nacional e, acreditem, também pela extinção do Supremo Tribunal Federal. Para esses patriotas, Jair não pode governar com essa democracia que só atrapalha os planos do herói dos cristãos conservadores. A encrenca é que nem os celerados se entendem sobre a presepada.

A cada hora, nomes como Joice Hasselmann, Janaina Paschoal, Alexandre Frota, Mamãe Falei, Luciano Bivar, Carla Zambelli, Kim Kataguiri (do MBL), Lobão e Major Olímpio, entre tantos outros, disparam a esmo na defesa de suas posições. Parte da patota apoia com fervor a manifestação; outra banda acha a ideia um tremendo disparate, que pode ter efeito negativo para o próprio Bolsonaro.

Pelos nomes citados acima, tem-se uma visão clara do alto nível da nossa direita ilustrada. Com uma tropa assim, ninguém duvida que o governo está amparado por gente da melhor qualidade. Nem quero citar os nomes dos alagoanos que engrossam as fileiras em duelo. Prefiro não alimentar maus sentimentos no meio de conterrâneos – mas eles também estão por aqui, histéricos, cuspindo fogo.

Os intelectuais da nova direita, rachados, se elogiam com uma ampla diversidade de categorias morais, digamos assim. “Maluco”, “traidor”, “sabotador”, “traíra”, “vendido”, “duas caras”, “idiota”, “imbecil”, “omisso”, “agente duplo”, “malandro”, “analfabeto político”, “delinquente”, “ator pornô”, “garota de programa”. Os termos fazem a festa nas incontornáveis redes sociais. O lixo não para de crescer.

No meio da bagaceira, o mediador ideal naturalmente é o próprio presidente. Bolsonaro, como sempre firme em suas convicções, já disse que iria ele mesmo às ruas; mudou de opinião, depois decidiu repensar e agora parece em dúvida sobre o que fazer diante do frenesi de seus adoradores. Sim, os governadores de São Paulo e de Brasília, bolsonaristas de ocasião, são contra o ato.

Na imprensa, gente como o grande Augusto Nunes e mequetrefes menos estrelados juram que o povo vai às ruas em defesa da reforma da Previdência e do pacotinho anticrime do ministro Sergio Moro – aquele cabo eleitoral que usou a toga para interferir nos rumos da disputa de 2018. É brincadeira. E os caras querem os caminhoneiros no atentado à democracia. Lerdos e furiosos!

Bolsonaro negocia com a Globo “comunista”

Para quem não resiste a uma teoria da conspiração, olha aí uma bomba: Jair Bolsonaro se reuniu com o vice-presidente institucional do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e contou ainda com a presença do ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni. Não se sabe qual foi a pauta do bate-papo entre o capitão da tortura e o mandachuva global. A notícia sacudiu os bastidores da política, afinal Bolsonaro já classificou o executivo como “inimigo” do governo.

Em fevereiro, a Veja revelou aqueles áudios de uma conversa entre Bolsonaro e o então ministro Gustavo Bebiano. Na troca de mensagens, o presidente ordenou que Bebiano cancelasse uma reunião marcada por seu subordinado com o mesmo Paulo Tonet. Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro... Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo... Como presidente da República, cancela; não quero esse cara aí dentro, ponto final. Era o que dizia Bolsonaro lá atrás.

Três meses depois, o diretor e a Globo saíram da condição de inimigos do governo? Será que fizeram as pazes, e a cobertura global ficará mais simpática aos projetos e às ideias do desqualificado mandatário do país? Até agora, o jornalismo das empresas dos Marinho não tem dado trégua às sandices e pilantragens fabricadas pelo bolsonarismo. Logo veremos se o tom vai mudar.

Fico imaginando quem está mais intrigado com o diálogo aberto agora entre o presidente e a Globo – se a oposição ou os fanáticos adoradores do pai do Carluxo. Como se sabe, Bolsonaro retaliou a emissora carioca e irrigou as concorrentes (Record, Band e Rede TV) com uma montanha de dinheiro. Legítimo representante da “nova política”, o presidente sabe recompensar a imprensa amiga.

Como os patriotas da seita bolsonariana preparam uma manifestação para o dia 26, podem incluir na pauta do protesto o repúdio ao assédio da Globo comunista sobre o honrado chefe da nação. Aliás, é exatamente o que pensam os mais engajados garotões da nova direita: o comunismo global (além do globalista) tenta cooptar esse governo que tanto faz pelo novo Brasil. É capaz de sair até tiroteio.

Fato é que a percepção no meio político é de que o presidente decidiu pela aproximação com a poderosa Rede Globo. Bolsonaro foi apoiado pelo sistema porque era a alternativa para derrotar o PT. Mas os barões dos grandes negócios no país sabem que ajudaram a eleger um pária, um incapaz que em trinta anos na política foi uma completa nulidade. Ele tem de entregar o que prometeu.

E as promessas de Bolsonaro que interessam aos tubarões nada têm a ver com políticas em favor do povão. O que eles querem é a garantia de seus lucros cada vez mais na estratosfera. A reforma da Previdência é a pedra de toque para os bancos e a ciranda financeira em geral. Para os fiéis do “mito”, recomendo não esquentar muito a cabeça. Vai ver, Bolsonaro e Tonet conversaram sobre novelas.

Refém de um milionário, CSA adota slogan que celebra o lixo bolsonarista

Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Os cartolas Rafael Tenório e Raimundo Tavares

Rafael Tenório está para o CSA de hoje assim como João Lyra estava para o CSA dos anos 1980. No meio daquela década, o usineiro milionário – agora falido – virou presidente do clube e despejou uma dinheirama para montar um grupo campeão. O investimento resultou em títulos estaduais, e o dirigente se credenciou a uma trajetória política. Quando o empresário pulou fora, o aperto financeiro voltou. Nos dias atuais, de novo o time é refém de um ricaço que também decidiu fazer carreira na política.

Depois de anunciar afastamento por 90 dias do clube, Tenório se arrependeu em 24 horas e desistiu do que havia anunciado. As motivações para esse teatro de quinta não estão claras. A princípio, o cartola teria ficado chateadíssimo com a repercussão da venda do mando de campo do jogo com o Flamengo, marcado para 12 de junho. Com razão, torcedores se sentem traídos, insultados mesmo, com a decisão do CSA. Além disso, a iniciativa foi bombardeada na imprensa nacional.

Tenório é um desses tipos que não toleram a divergência. Se a coisa não anda como ele quer, não contem com sua contribuição pra nada. Só aceitou entrar na eleição para presidente do time na condição de candidato único. Ou seja, não foi eleito, foi aclamado. Com a força do dinheiro, impôs seu nome e, uma vez empossado, não tem pra ninguém. Bastou a onda de críticas no caso do mando de campo pra ele dar chilique e ameaçar abandonar o barco. É o padrão do grande gestor.

O que me chamou atenção no anúncio do recuo sobre o tal afastamento foi a “arte” divulgada pelos cartolas. Com uma foto na qual aparecem Tenório e Raimundo Tavares, diretor de alguma coisa por lá, temos a seguinte prosa: Seguimos juntos, Nação. Torcedor azulino acima de tudo. CSA acima de todos. Sem surpresa, estamos diante de uma cartolagem que reverencia o bolsonarismo.

No ano passado, o presidente do CSA esculachou um jornalista do UOL porque foi chamado de “político”. É que o empresário tenta vender o peixe de uma gestão profissional, sem qualquer laço com o mundo da política. Mas isso é uma lenda. Ele é suplente do senador Renan Calheiros, e outros dirigentes, como o citado Tavares, além de Omar Coelho, também atuam sim como políticos.

Deixo claro que não estou “acusando” ninguém pelo simples fato de atuar no ramo da política partidária. Quem faz isso agora, aliás, são justamente os fanáticos do bolsonarismo – o que significa sabotar as instituições. Estranho é o sujeito tentar esconder algo que é do conhecimento universal. Para quem diz rejeitar a “politicagem”, não combina recorrer ao lixo do slogan do Bozo.

Fechando esta resenha, lembro ao torcedor do CSA que não será apenas o Flamengo que não virá a Alagoas pelo Brasileirão. Os cartolas do Azulão já sinalizaram que o mando de campo com o Corinthians também será vendido. A prática é uma vergonha no futebol brasileiro. Mas, como o que importa é encher os cofres, dane-se o jogo limpo. Se houver protesto, Tenório pega o boné e cai fora.

Bolsonaristas querem fechar o Congresso

A turma de Jair Bolsonaro está convocando apoiadores para uma manifestação no domingo 26. É uma tentativa de reagir aos protestos do último fim de semana, quando cerca de 2 milhões de pessoas tomaram as ruas em 200 cidades por todo o país. O ato foi motivado pelos ataques do presidente à Educação e às universidades públicas. O tamanho da mobilização assustou o Planalto.

O problema é o que pretendem os bolsonaristas com essa iniciativa de contra-ataque. Nos termos usados na convocação pelos mais engajados, os doentinhos da nova direita vão às ruas com dois nobres objetivos: fechar o Congresso Nacional e emparedar o Supremo Tribunal Federal. A coisa fica ainda mais bizarra quando o próprio presidente cogita sua participação direta na presepada.

O governo dos trogloditas, incultos e amigos de milicianos mostra diariamente sua essência antidemocrática. Não esqueçamos que um dos filhotes trombadinhas do presidente já deu a receita para fechar o STF – com um cabo e um soldado se resolve a parada. Jair Bolsonaro, essa porcaria em todos os sentidos, gostaria mesmo de governar como ditadores que ele tanto admira.

Um sinal de que as coisas andam cada vez mais esculhambadas entre os próprios governistas é que nem eles se entendem sobre a tal manifestação do dia 26. Deputada mais votada na história do país, Janaína Paschoal chutou o pau da barraca e enquadrou os aliados do governo. Em várias publicações no Twitter, ela bate diretamente na postura de Bolsonaro e cobra sanidade da turma.

Falando claramente, Bolsonaro e os fanáticos da seita que ele inspira agem para sabotar a própria democracia. O sonho desses “liberais conservadores” – tão ilustrados e cheios de princípios patrióticos – é entronizar um tiranete para chamar de seu. Naturalmente, quem sabe alguma coisa sobre liberalismo e conservadores nada tem a ver com essas cabecinhas toscas e perigosas.

Escrever sobre a rotina do governo Bolsonaro dá uma certa angústia – porque corro o risco da redundância. Não adianta o tema específico em pauta, nada sobra para uma análise além da bandalheira generalizada. Só tem jumento pra todo lado, posando com as patas como se fossem revólver. Elegemos uma corja que despreza cultura, arte e educação – e idolatra o ódio e a morte.

Braskem tem de pagar a conta da tragédia

Quantos postos de trabalho a Braskem garante em Alagoas? Qual o tamanho da contribuição da empresa em impostos para os cofres públicos? São essas as duas questões citadas pelos diretores da empresa para defender sua relevância na economia alagoana. Segundo essa versão, se a indústria deixar o estado, será uma verdadeira tragédia para todos nós. Nunca mais teremos nada como essa potência empresarial que tanto desenvolvimento trouxe para cá. Não se pode perder essa maravilha.

Será tudo isso mesmo? Na verdade, ninguém sabe a resposta – e ninguém sabe por uma razão tão elementar quanto misteriosa: os números e as cifras da megaempresa estão numa caixa preta. Tudo o que sabemos é fruto de marqueteiro, esse tipo de especialista em inflacionar supostos grandes feitos e apagar as piores safadezas dos patrões. Em outras palavras, quando a Braskem fala em “transparência” no caso do Pinheiro, estamos diante de tudo, menos de uma postura transparente.  

Essa discussão – que privilegia aspectos econômicos – não passa de um embuste. Que conversa é essa? É uma forma de desviar o rumo da prosa que de fato importa. Milhares de empregos? Quantos trabalhadores? Arrecadação milionária de impostos para o estado? Quais os valores? A economia é dinâmica e as coisas mudam. O estado não pode ficar refém de uma falácia dos senhores que exploram o território alagoano como se fossem donos do pedaço por herança natural. Não dá.

A cantilena dos executivos da Braskem, cheios de títulos desses cursos pra enganar otários à procura de gurus do mundo da fortuna, lembra a pilantragem dos velhos usineiros. Ao longo de décadas, os herdeiros dos senhores de engenho, escravocratas de raiz, recorreram ao mesmo discurso acanalhado. Meu Deus, o que será da pobre Alagoas sem a vigorosa produção das usinas que sustentam a vida dos alagoanos? Balela. Mesmo com tramoias, quebraram quase todas.

Repare só: cerca de 20 mil pessoas tiveram sua rotina virada de cabeça pra baixo do dia pra noite. Famílias inteiras são vítimas de uma barbaridade patrocinada por uma indústria bilionária. Elas têm o direito inalienável de uma reparação, urgente e à altura dos danos que agora infernizam suas vidas. É criminoso que sejam preteridas em nome da saúde financeira daqueles que provocaram esse terremoto para tanta gente. A postura da Braskem é um disparate desde que tudo isso veio à tona.

Reitero então o que já escrevi em outro texto. O governo estadual e a prefeitura de Maceió não podem assistir de braços cruzados ao espetáculo fraudulento da gloriosa Braskem – aliás tão querida por advogados e jornalistas que andam por aí a defender a empresa nas redes sociais. Por que será? Devem ser patriotas na batalha pelo crescimento das Alagoas. Não enganam ninguém, mas a contrapartida certamente compensa o vexame inominável de vender até suas “convicções”.

As pessoas perdem suas casas; abandonam o que construíram, na base do suor, do trabalho duro, com a determinação de viver com dignidade. Merecem respeito e a máxima dedicação do poder público pra que elas recuperem o que têm direito. Os lucros estratosféricos da Braskem são suficientes pra isso. O valor estimado até agora é um troco para esses “liberais da meritocracia”. Chega de papo furado. A Braskem tem de pagar a conta pela atuação deletéria a tantas famílias.

Doutores de toga no “jogo da Braskem”

Tem muito doutor querendo lacrar nessa história do Pinheiro, o bairro que afunda em Maceió e expulsa moradores. A culpa, segundo laudo oficial, é da Braskem, a megaempresa que se enquadra na categoria de bilionária. Agora, um dos nossos doutores, desses que gostam de pavonear em redes sociais, com passeios turísticos e frases colhidas nos lixões da autoajuda, toma decisão inesperada: tira da Justiça estadual a ação que pede o bloqueio de 6,7 bilhões de reais das contas da indústria.

Pelo que entendi, o operante magistrado assim decidiu em harmonia com as demandas do Ministério Público Federal em Alagoas. Outro ambiente abarrotado de doutores, o MPF entende que a causa deve mesmo ficar sob os cuidados da Justiça Federal. Naturalmente, a novidade deixou enfurecidos os doutores do Tribunal de Justiça, do MP alagoano e da Defensoria Pública no Estado.  

As autoridades alagoenses partiram pra cima. Numa entrevista coletiva na última sexta-feira, os doutores da Defensoria e do MP dispensaram eufemismos para falar sobre o que consideram uma rasteira em todos eles. Tirar o caso da Justiça alagoana só beneficia a empresa. É uma jogada cujo objetivo é simplesmente tumultuar o trabalho dos que atuam em favor das famílias do Pinheiro.

“Não vamos entrar no jogo da Braskem”, disse o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, um dos doutores mais contrariados com a situação posta agora. E o que a Braskem está querendo jogar? Como escrevi aqui na semana passada, a empresa vai contestar formalmente o laudo que a condena. O jogo, portanto, é contar com a eterna tramitação de ações judiciais.

No Poder Judiciário, além do juiz pavão que deu uma força às pretensões da Braskem, uma voz sempre eloquente é a de Tutmés Airan, o doutor presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas. Em suas várias entrevistas, o tom é de conciliação. Ele parece acreditar piamente nos princípios humanitários e altruístas que regem a empresa. Para o desembargador, brigar não ajuda em nada.

Agora vamos ao mundo real, este em que eu, você e as famílias do Pinheiro habitamos – e que os doutores desse enredo, todos de um planeta paralelo ao nosso, visitam de vez em quando. Enquanto os togados – que se sentem acima de tudo – partem para o duelo de competências, sobra para aqueles que estão em situação desesperadora. Até agora, muito falatório, e nada de concreto.

Um dado bastante exótico na guerra entre os doutores é que são todos amigos. Frequentam os mesmos salões, sempre abastecidos com cardápios dos chefs mais badalados, sempre com os vinhos mais caros e, acreditem, sob baforadas de legítimos cubanos. As famílias também são próximas, e um doutor vive a visitar o outro, numa confraternização permanente, tudo nas etiquetas.

Quando um doutor dispara farpas na direção de outros doutores, aí o negócio esquenta. Mas eles se entendem rapidamente. Afinal, não vale a pena uma briga com figurões da sua própria turma. Basta uma ligação, um convite para um drinque naquele bistrô exclusivo pra VIPs, e tudo lindo. No meio da constelação de tantos doutores, interessa é resolver o imenso drama, essa tragédia de Maceió.

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