Depois da reunião gravada por Dias Toffoli, a quebra, fora da lei, de sigilo fiscal e bancário de ministros do STF e seus parentes. Servidores da Receita Federal a serviço de causas particulares. Quatro suspeitos pelo crime tiveram os nomes publicados na imprensa. A categoria do fisco reagiu com alerta sobre a regularidade da investigação sobre os servidores. Um sindicato insinua a tática do bode expiatório.
A apuração pra cima da Receita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele encaixou o episódio no inquérito das fake news, aberto ainda em 2019. Mais uma vez será acusado de agir na condição de juiz e investigado. O caso Master enfraquece Moraes, embora ele não passe recibo. A expectativa é por mais novidades e turbulência.
O caso dos sigilos fiscais inverte os polos, expondo os ministros como vítimas de uma quadrilha. Daí que direita e bolsonaristas criticam essa investigação. Caso avance o entendimento, com evidências, de que, ao fim e ao cabo, o STF foi alvo de criminosos, a teoria do bode expiatório teria predominado. Não é o cenário mais provável.
Agora, o tema tem tudo para ocupar as manchetes, abrindo sim novas frentes de confusão. Uma das principais perguntas que se impõe é sobre a identidade de quem encomendou os dados das autoridades. A Polícia Federal já sabe que os servidores da Receita repassaram o material a terceiros. O círculo se fecha, afinal.
Uma comparação em quase tudo descabida, mas está aqui: lembra o caso Antônio Palocci, em 2006, quando o então ministro recebeu dados da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Servidores da Caixa Econômica fizeram o trabalho sujo.
No episódio de agora, 20 anos depois do caseiro que derrubou um ministro, uma tropa na Receita atualiza o atalho do crime numa batalha política. Os meios adotados na investigação podem fortalecer os resultados – ou desmoralizar tudo.
Na relação entre os Três Poderes, o Judiciário tem o direito de errar por último. Mas o Exército se autoproclama “poder moderador”, atropelando os básicos preceitos da Constituição. O STF não pode ficar sob o domínio de milícias da política.
E o Supremo não pode, igualmente, escolher a autossabotagem, a blindagem ilegítima pela via do corporativismo. A equação está em andamento. No Congresso e na imprensa, teremos os lances decisivos quanto a novos rumos da crise que se espraia.










