O que começa errado começa com alta chance de dar errado no fim. Pelas informações até agora disponíveis, o ministro Dias Toffoli tinha obrigação de se declarar suspeito para ser relator do caso Master no STF. Ao contrário, o magistrado tomou medidas que, vistas à luz dos fatos que vieram a público logo depois, incineram sua reputação. E como chegou ao ponto de ameaçar o Supremo como um todo, Toffoli saiu do caso.
Mas estamos longe de um desfecho de paz imediato. Ao longo das últimas semanas, após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, a profusão de notícias não para de estremecer corredores e gabinetes na corte máxima da Justiça brasileira. Na volta aos trabalhos, o tema do ministro Edson Fachin, presidente do STF, era “código de conduta”.
Trata-se e uma ideia para melhorar a imagem do tribunal, que seria visto como autoritário e detentor de privilégios descabidos. Outro alvo seria conter as relações íntimas entre membros da corte e potentados do capitalismo à brasileira. Mas não deu nem tempo de realização de debates. O terremoto Master impõe urgência na reação.
Vorcaro e seu banco assinam um trambique na casa dos bilhões. Do que já se sabe, o banqueiro ostenta (ou ostentava) uma rede de proteção a seus negócios criminosos. Entre outras jogadas, o banco vendeu papéis podres, com a promessa de muito lucro a investidores. (Foi nesse braço do golpe que caiu, parece, o Iprev de Maceió).
Além das relações comerciais de Toffoli com Vorcaro, segue sob suspeita o contrato entre o Master e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes. Não haveria crime tecnicamente, mas é claro que a moral aqui está em xeque.
Em editorial, a Folha defendeu o afastamento provisório de Toffoli enquanto as investigações correrem. O tom por toda a chamada grande imprensa é o mesmo. Parece pintar um consenso, via acordo não escrito, de que uma cabeça precisa ser entregue.
A investigação do esquema foi para o último plano diante da avassaladora repercussão política. No meio da crise, União Brasil e PP divulgam nota em apoio ao ministro do STF. Antonio Rueda e o senador Ciro Nogueira respectivamente presidem os partidos.
É a pior crise já enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal. Aquelas vozes ensandecidas da extrema direita recarregaram a munição para tocar processos de impeachment de ministros pela via do Senado. O que vem a caminho ainda é insondável.










