Ao longo do ano passado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, demonstrou toda a sua disposição para vassalagem a Jair Bolsonaro. Subiu em palanque para achincalhar as instituições do país e ofender diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em outro momento de constrangedora submissão ao bolsonarismo, meteu sobre a cabeça o boné com o slogan exaltação aos Estados Unidos de Donald Trump.
O sujeito também alardeou em diversas ocasiões que sua “primeira medida como presidente” seria anistia geral aos golpistas – em especial, é claro, a Jair Messias, o chefe da trama que pretendia impedir a posse do presidente eleito em 2022. Em suas palavras, o “mito” seria vítima de uma “grande injustiça”, afinal “nunca houve golpe”.
Com Bolsonaro preso, seja em casa, na Polícia Federal ou agora no puxadinho de luxo da Papuda, o governador se apresentou para visitas. Foi bater continência ao chefe, lamber um pouco mais as botas do capitão e receber as ordens de quem o mantém no cabresto. Aliás, foi Gilberto Kassab quem tratou de carimbar o Tarcísio “submisso”.
Com Bolsonaro condenado a 27 anos de prisão, houve o momento em que o invertebrado governador delirou que sua hora havia chegado: Bolsonaro iria indicá-lo como seu candidato ao Palácio do Planalto. Daí que ele saiu para cumprir a outra etapa dessa operação – bajular o famigerado mercado, os donos do dinheiro.
Com a mesma disposição rastejante, em convescotes de banqueiros, “aconselhou” o presidente Lula a ceder a Trump no caso do tarifaço aos produtos brasileiros. O vídeo está na rede. Bizarro é pouco. O cara tem coragem de apontar virtude numa postura de covardia – que era a essência de sua “proposta”. Lula fez o contrário, o Brasil ganhou.
O detalhe particularmente patético nessas ocasiões é o jeitão arrogante com que Tarcísio detalha sua receita de sabujice contra os interesses do país. É um boneco falante, reproduzindo clichês encomendados a marqueteiros de igual categoria.
E por que o elemento se submete a tamanho ridículo? Porque não tem voto próprio. Foi eleito com a força do capitão da tortura. Em seu caso, a criatura segue refém do criador. É poste que segue sem ter luz própria. Vejam como ele anda abatido.
Outras figuras Brasil afora viveram (ou ainda vivem) o mesmo drama do governador. Os que tiveram a “ousadia” de romper com o fã de miliciano e torturador perderam os eleitores e afundaram no ostracismo. Em 2026, outras vítimas já começam a aparecer.
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, chegou a flertar com essa vereda. Mas percebeu que poderia ser uma arapuca mortal. Reparem que ele vive sendo cobrado por tranqueiras do bolsonarismo em Alagoas. Nessa parada, JHC foi esperto e escapou.










