Sim, tempos estranhos, e não é de hoje. Renan Santos (foto), pré-candidato a presidente pelo recém-criado Missão, aposta no discurso extremista para pescar uns votinhos. O Missão é o partido que nasceu do MBL, o Movimento Brasil Livre, cuja maior estrela é Kim Kataguiri, atualmente no segundo mandato de deputado federal por São Paulo. A turma lambeu as botas de Bolsonaro, mas rompeu com o bolsonarismo.
Depois de se apresentar como pré-candidato, Santos elevou o tom de seu discurso. Prega a “morte de bandidos”, a produção de bomba atômica pelo Brasil e já afirmou até que Flávio Bolsonaro deveria ser “eliminado”. Tudo isso para, segundo consta em reportagem da Folha, atrair os alucinados da ultradireita, incluindo a tal geração Z.
A geração Z, dizem analistas pela imprensa, despreza formalidades dos “padrões tradicionais” e enxerga tudo pelos paradigmas das interações definidas na esfera exclusivamente digital. Sim, esse pessoal também pretende “mudar o mundo”, assim como tramaram os rebeldes de antigamente, no planeta analógico do passado.
Mas o teatro grotesco do pré-candidato nada tem de novidade. O rapaz emula o modelo carcomido da velha política praticada por aqueles que festejam a morte como principal cabo eleitoral em suas trajetórias. O próprio Bolsonaro é cria e replicante desse tipo de “visão de mundo”. Renan Santos aposta no paroxismo de uma perversão.
Aquele “vamos fuzilar a petralhada”, dito abertamente por Jair Messias em 2018, é um emblema definitivo. A frase sintetiza o ontem e o hoje quando se olha para certos nomes da política brasileira. O assassinato da vereadora Marielle Franco, também em 2018, foi comemorado por seguidores do “mito”, afinal era uma “nojenta esquerdista”.
Como está amplamente demonstrado, a ascensão do bolsonarismo destampou os bueiros dos quais emergiram os mais eloquentes cidadãos de bem da extrema direita. O que era dito de forma acanhada passou a ser alardeado em decibéis ilimitados. Pregar a morte do adversário, na maior naturalidade, ganhou status de discurso “autêntico”.
Nomes de todo o Brasil, incluindo valentões com mandato na paisagem alagoana, representam essa depravação da atividade política. Projetos para educação e saúde, por exemplo, que servem para salvar vidas, não interessam. Isso é para os fracos.
Os Renans Santos, de hoje e de outrora, querem o triunfo do fuzil e das bombas. Em troca do seu voto, essa turma oferece a celebração da morte. Por aí.










