A maquinação de informações falsas e outras jogadas espúrias ameaçam tumultuar as eleições deste ano como nunca se viu – agora com o requinte explosivo da inteligência artificial. Por isso mesmo, nota-se que a Justiça Eleitoral parece um tanto baratinada quanto a medidas a serem adotadas para garantir a lisura da votação. Não há consenso entre as autoridades acerca de resoluções anunciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Desde que as redes sociais explodiram, elevando a esfera digital a paradigma de conduta e comportamento individuais e coletivos, escolher e decidir sobre isso ou aquilo pode ser uma experiência de vida ou morte. Mais ou menos por aí. Claro que essa revolução chegaria com tudo às disputas eleitorais no mundo inteiro, algo sem precedentes.

Para ficarmos no exemplo definitivo de como as coisas mudaram para sempre, bastar citar o caso Rússia-Estados Unidos. Os russos teriam interferido nas eleições americanas – além de se meter nas disputas de outros países. Acusações de todos contra todos atingiram políticos, governos e nações. Jamais saberemos o que de fato aconteceu.

De volta ao Brasil e às urnas de 2026. De olho no provável uso criminoso da IA, o TSE editou algumas regras sobre manipulação de imagens e impulsionamento de conteúdo via internet. O Ministério Público Eleitoral considerou insuficientes as restrições saídas do tribunal. A entidade fez sugestões e espera que o TSE concorde com as propostas.

O perigo mais óbvio é a criação de conteúdos falsos, usando personagens virtuais como se verdadeiros fossem, com reprodução de imagens, vozes e movimentos com aparência de plena realidade. No YouTube há uma enxurrada desse tipo de armação.

Desde as eleições de 2016, a Justiça Eleitoral passou a tratar como prioridade a vigilância sobre o ambiente virtual. A encrenca extrapolou as redes e tomou conta dos aplicativos de mensagens, como o mais notório de todos, o velho WhatsApp.

A fiscalização desse aparato tecnológico é uma tarefa infernal. No Brasil, com mais de 150 milhões de eleitores, o desafio é quase impossível. Daí a urgência para que as autoridades se acertem sobre como agir diante das novidades decorrentes da IA.

Certo é que, nos trabalhos preliminares das campanhas, muita gente já maneja os arsenais de ataque nos subterrâneos do metaverso. Na guerra pelo voto, o apreço pela legalidade é submetido à relativização absoluta. Com IA, turbina-se a delinquência.