Religião e segurança pública. Picaretas da política fazem uma farra nesses dois campos. Deltan Dallagnol teve coragem de “denunciar” que o governo Lula pretendia “editar” a Bíblia. O rapaz era uma das estrelas do Ministério Público Federal em Curitiba, o reduto que abrigava a quadrilha da Lava Jato. Cassado pelo TSE, o ex-deputado federal segue na ativa produção de fake news pelas redes sociais – tudo em nome de Deus.

Em Maceió, um dublê de vereador inventou um projeto de lei que “autoriza” escolas públicas e privadas a ter a Bíblia em seus acervos. Segundo ele, em “diversas regiões do país”, alunos são proibidos de ler o livro sagrado do cristianismo. É para esse tipo de presepada que a população banca uma Câmara de Vereadores. Politicalha sem limites.

Estamos diante de uma tradição. Vem de muito longe a proliferação de “pastores” que, com muita fé, conheceram o milagre da prosperidade pela via sacra da política. De Sóstenes a Feliciano, os representantes do Senhor não param de chegar ao parlamento brasileiro com a missão de salvar nossas almas. Prosperaram aos milhõe$.

Com o mesmo nível de conhecimento e seriedade, aventureiros com mandato defendem ideias para o combate à violência. A regra geral aqui é tiro pra todo lado e massacre nas periferias. A novidade que seduz nossas autoridades são os presídios de El Salvador. Um bando de parlamentares foi conhecer a “revolução” do presidente Bukele.

É uma gentalha tarada em tortura e grupos de extermínio. Bukele prende em massa, incluindo inocentes, sem processo legal, sem investigação, sem qualquer respeito a direitos humanos. Mas esse papo de direitos humanos – como diria o ídolo dos patriotas – é “esterco da vagabundagem”. Vejam quantas ideias para enfrentar a criminalidade!

A pauta da segurança pública é vista como uma janela de oportunidades para a extrema direita. Os deputados alagoanos Fábio Costa e Alfredo Gaspar estão nessa, da cabeça ao calibre da pistola. Nessa linha de pensamento, os dois sabem tudo desse riscado.

E assim vamos nós para mais uma eleição neste ano da graça de 2026, cercados por arrivistas crentes no Senhor, armados com Escrituras & Fuzil. Uma câmera secreta, e nenhuma dessas figuras resistiria a dois minutos de gravações – se é que fui claro.