Analistas na grande imprensa fingem que nada aconteceu com as previsões que fizeram ao longo de todo o ano de 2025. No Estadão, na Folha, em O Globo e na Veja, uma multidão de colunistas e palpiteiros de grife decretou que o país chegaria ao Apocalipse amanhã. A mesma coisa na Globonews, na Bandnews, na CNN e, claro, na Jovem Pan. O governo Lula estava condenado a despencar ladeira abaixo rumo ao fim do mundo.
O tom sempre alarmista sobre o abismo que se aproxima serve na medida para o discurso da oposição. Num dia, o festejado especialista aponta o caos em artigo nos jornais. No dia seguinte, Caiado e Rogério Marinho aparecem nas emissoras de TV para explicar por que “ninguém aguenta mais o PT”. Operação coordenada.
Muitas vezes, a política lembra mesmo um espetáculo de realismo fantástico. Dane-se a verdade, ignoremos os fatos e bora tocar o terror – ainda que a base do discurso esteja integralmente no campo da ficção. Porque agora mesmo algum patriota está reafirmando que a economia brasileira foi para o buraco e nossa vida está por um fio.
Os dados desmentem os mercadores do inferno de modo acachapante. O dólar vai bater nos 7 reais, garantiram os doutores. No mundo real, está na casa de 5 reais e alguns trocados, a menor cotação desde muitos anos. A bolsa de valores bate todos os recordes de investimento a cada semana, desmoralizando um pouco mais os entendidos.
A inflação vai estourar a meta, com preços na estratosfera, desenharam os craques em ciência econômica. A verdade dos números: índice abaixo da meta e controle seguro da taxa inflacionária. Aquela fila do osso, no governo Bolsonaro, ficou por lá mesmo, no colo dos meritocráticos. Desemprego? O menor índice da história brasileira.
Mas não adianta argumentar. De Tarcísio de Freitas a Alfredo Gaspar, passando por Romeu Zema, os alucinados do bolsonarismo e da extrema direita repetem a ladainha falaciosa sobre o caos na economia. Não é debate sério, é apenas politicalha.
Todo e qualquer governo deve ser fiscalizado, e até de modo ostensivo. Além disso, deve ser criticado duramente, para que cumpra o que tem de ser feito. Mas é uma vergonha apelar para a mentira mais descarada apenas para ganhar na disputa eleitoral.
Citei alguns indicadores, mas o panorama é bem mais amplo. Para onde quer que se olhe, o país avançou a partir de 2023, na contramão do que afirmaram aqueles profetas da bagaceira, do desalento e da morte. As “previsões” dos especialistas estavam ancoradas na burrice ou na delinquência. Faça a sua escolha.










