O assunto atravessou 2025 de ponta a ponta. A cada mês, algum acólito aparecia para decretar que, sim, João Henrique Caldas será candidato a governador de Alagoas em 2026. Deputados e sobretudo vereadores deram entrevistas até em rádio fantasma para reafirmar a decisão do prefeito de Maceió. Admitamos que de marketing eleitoreiro JHC entende. Esteve os 12 meses no noticiário como virtual aspirante ao comando estadual.
Aí chegamos a 2026, o ano das eleições, e toda a narrativa (desculpem) segue do jeito que sempre esteve. Os mesmos porta-vozes plantam aqui e ali, com auxílio da folia das redes sociais, que o homem está à beira do anúncio oficial. A candidatura não tem volta. Já diziam isso, na verdade, logo após a reeleição do prefeito em 2024.
O chefe da prefeitura investiu pesado em gestão instagramável – espuma, dancinha, cachês milionários e slogans fabricados por poetas da publicidade. No embalo de “Maceió é massa” – que mistura piseiro, arrocha e rebolados de Gustavo Lima e outros gênios do cancioneiro universal –, JHC pavimentou a pista para o voo nas alturas.
Como já entramos no segundo mês do novo ano, o tempo vai se esgotar rapidamente. O prazo regimental para o prefeito trocar as firulas por uma decisão de verdade é 4 de abril, seis meses antes da votação. Não tem escapatória. Nesta altura do calendário, não acredito em reviravoltas. O prefeito já decidiu, mas fará o anúncio no último minuto.
O bando bolsonarista em Alagoas somente agora ensaia um esperneio, uma gritaria diante de eventual candidatura de JHC longe das botinas do capitão da tortura. O mais saliente deles já fala em “debandada” do PL, o partido do qual o prefeito ainda é filiado. Não se pode esquecer daquele acordo que fez Marluce Caldas virar ministra do STJ.
Caso não saia candidato a governador, o filho de João Caldas e da senadora Eudócia partiria para uma disputa pelo Senado. É uma alternativa com idêntico potencial de terremoto político, dessa vez afetando perigosamente o deputado Arthur Lira.
Seja lá o que vier do bunker de Jaraguá, a hora está chegando. Para quem conseguiu surfar durante mais de um ano a mesma onda da “candidatura que sai amanhã”, dois meses é quase nada. Bora continuar na maciota até 4 de abril, trama o Bloco JHC.










