A pré-candidatura presidencial de Aldo Rebelo foi lançada no ano passado pelo ex-deputado João Caldas, o pai do prefeito master de Maceió, João Henrique Caldas. JC é o presidente nacional do raquítico Democracia Cristã, o partido que sobrou para o alagoano se aventurar na disputa pelo Palácio do Planalto. Quando a notícia saiu na Folha, Rebelo negou tal intenção e ainda insinuou que era uma invenção do amigo JC.

Mas, veja que coisa, mesmo se tratando de João Caldas, não é que era verdade! No último sábado, a ridícula iniciativa foi oficializada num convescote em São Paulo. Sim, o ex-ministro de Lula e Dilma vai à luta em 2026, em defesa do Brasil e contra o STF. Sim, ele também comprou essa pauta dos celerados que tramaram um golpe de Estado.

É o fim melancólico da trajetória política de um cara que foi líder estudantil e um defensor dos valores democráticos. Filiado por décadas ao PC do B, o filho de Viçosa trocou de lado nos últimos anos e se aliou ao que de mais podre apareceu na vida pública brasileira desde o golpe de 64. Mudar de opinião, tudo bem. Aderir ao obscurantismo, aí é demais.

Em entrevistas por todo lado, Rebelo repete uma por uma todas as teses depravadas do esgoto da ultradireita. Gasta tempo com ataques a Marina Silva, sem constrangimento ao exibir falsidades e grosserias. Ataca de modo desavergonhado as políticas de inclusão social e a batalha dos segmentos historicamente espoliados no país.

Entre outras canalhices, o pré-candidato sustenta que Bolsonaro nunca tentou um golpe, é um democrata, vítima da “ditadura de toga”. Sempre causa espanto ver alguém com tamanho empenho na sabotagem da própria biografia. Afinal, o que houve?

A pergunta é retórica. Aldo Rebelo, como diz o jornalista Luis Nassif, sempre foi “quinta coluna”. O fator novo parece ter sido sua exclusão de espaços de poder. Depois da vitória de Lula em 2022, o homem passou a destilar ódio à sua velha turma da esquerda.

Ressentimento e escolhas políticas. Quando o sujeito mistura coisas que não podem se misturar jamais, não tem volta. O problema é que, movido por esse caldo envenenado, Aldo Rebelo periga pegar o caminho da ridicularia e selar sua trajetória com a desonra.