A notícia de que Lula e Ciro Nogueira tiveram um encontro “fora da agenda” presidencial sacudiu a política nesta sexta-feira. Segundo reportagem da Folha, os dois se reuniram secretamente na Granja do Torto, em Brasília, em 22 de dezembro passado, à beira da celebração do Natal. Nogueira foi chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro e, até um dia desses, batia no governo federal e esculachava Lula a cada entrevista.
A reunião secreta ocorreu a pedido do senador e foi intermediada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A conversa teria selado um pacto entre Nogueira e o presidente. O PT facilitaria a reeleição do senador pelo Piauí. Em troca, o Progressistas, presidido por Nogueira, não fecharia aliança com Flávio Bolsonaro.
De fato, ninguém esperava por essa – mas, pensando bem, pode-se cravar que, no reino mágico da política, é a coisa mais natural das galáxias. Trocar de parceria, mudar de lado, cuspir no amigo de ontem e acarinhar o eterno inimigo, sim, são gestos clássicos nas negociações pelo poder. No meio político, condenar isso daí é hipocrisia.
Lula e Paulo Maluf, Lula e Collor, Collor e Ronaldo Lessa, Lessa e Téo Vilela, Collor e Thomaz Nonô, Lula e Alckmin, Lula e Sarney... Etc. Cito de memória. Você pode lembrar de muitos outros casos. Na política, do mesmo personagem, todo mundo já foi aliado e adversário, parça e desafeto, fiel e traíra. Uma nova conjuntura muda tudo.
Quantas reuniões secretas estão ocorrendo agora mesmo nas mansões da Barra de São Miguel e nas coberturas à beira-mar da Ponta Verde? Quantos inimigos públicos acertam conchavos, entre vinhos e charutos, longe dos olhos e das ilusões do eleitor?
Como se sabe, um dos assuntos mais comentados em Alagoas há mais de ano é o “acordão de Brasília”, envolvendo o mesmo Lula, Renan Calheiros, Arthur Lira e JHC. Era para ser secreto, mas vazou de várias fontes. Até hoje ninguém confirma.
Aliás, um dado recorrente nesses episódios é justamente o vazamento do que, em tese, deveria ser mantido em segredo. E, claro, quem conta é alguém que fez parte da reunião sigilosa. Parece contradição nos termos, mas, de novo, a política liquefaz a lógica.
Resta esperar para conferir o que vai acontecer na corrida presidencial e nas eleições no Piauí e nas Alagoas. Teremos dados concretos para medir os efeitos dos “encontros e acordos secretos”. Por enquanto, todos fingem normalidade – e mudam de assunto.










