O rústico e marombado vereador Thiago Prado, uma dessas nulidades na política alagoana, escolheu flanelinhas como alvo de seu relevante mandato na Câmara Municipal de Maceió. A pretexto de “combater abusos” da turma que ganha um trocado guardando carros em locais de grande movimentação, o parlamentar passou a intimidar esses batalhadores no meio da rua. Recorre à truculência para fazer politicagem.

Como delegado da Polícia Civil, Prado soube usar o cargo para preparar seu arrivismo na política partidária. Aliás, não fez outra coisa com o aparato da segurança pública. Seguiu rigorosamente as lições do deputado federal e seu parça Fábio Costa, outro aventureiro de modos incivilizados. Fazem parte da turma do prendo e arrebento.

A mais recente presepada do senhor Prado foi noticiada aqui no CM pela jornalista Vanessa Alencar. Nos dias de folia das prévias carnavalescas da capital, o extremista de direita foi às ruas produzir demagogia eleitoreira. Em suas redes sociais, o vereador publicou um vídeo no qual parte pra cima de um flanelinha em tom de evidente ameaça.

Na investida sobre o trabalhador, o valentão de vitrine exibe sua pegada republicana: “Já lhe falei que quem cobrar, exigir aqui, mediante ameaça ao cidadão de bem, vai preso por extorsão”. Santo Deus! É claro que tinha de aparecer o mantra mequetrefe do tal “cidadão de bem”. Afinal, estamos diante de um desses bolsonaristas irrecuperáveis.

Este senhor, como toda uma manada que empesteia a política brasileira, confunde o exercício da política com atividades nos porões de delegacias de polícia. É do caráter, está na “formação intelectual” do sujeito. Como disse, é um tipo que não tem salvação.

É para isso que o povo banca um parlamento? Dinheiro público para que figuras desse requinte tratem questão social como caso de cadeia? E quem deu essa prerrogativa ao cidadão de bem Thiago Prado? Alô, Ministério Público, tem alguém aí?

Como o político é tão corajoso para “enfrentar” flanelinhas, poderia, por exemplo, dar voz de prisão a donos de hotéis e restaurantes que despejam seus dejetos de forma clandestina nas praias de Maceió. Prado frequenta alguns desses lugares, não é mesmo?

Que nada! O episódio é a materialização daquele princípio moral que enquadra certos homens públicos: tigrão com os vulneráveis, tchutchuca com os poderosos.