Dança das cadeiras na imprensa do país. Daniela Lima demitida pela Globonews e contratada pelo UOL. Antes, ela havia apresentado o Roda Viva na TV Cultura e comandou um telejornal na CNN Brasil. Também no UOL, causou alguma zoada a demissão do jornalista Jamil Chade. Nas últimas semanas, quem deixou a Folha foi Juca Kfouri, depois de duas décadas na casa. Mas nada se compara a Reinaldo Azevedo.

Um dos profissionais mais admirados por setores da esquerda brasileira – o que vai de militante anônimo ao presidente da República –, Azevedo já havia sido dispensado da Folha, onde mantinha coluna semanal. Agora, a notícia que provocou forte repercussão foi a saída do jornalista também do UOL, onde ele assinava um blog diário. 

A despedida do UOL gerou especulações que envolvem até o banco Master. Azevedo é sócio de Walfrido Warde, que fazia parte da equipe jurídica do banqueiro Daniel Vorcaro. Mas isso deve estar na cota das teorias da conspiração. O jornalista diz que está tudo bem, que saiu para “fazer outras coisas”. Aí veio a novidade que ninguém cogitara.

O ex-caçador de petralhas foi contratado pelo Metrópoles, o portal de notícia que furou a bolha (desculpem) e hoje disputa audiência com os gigantes do jornalismo nas paradas desde os primórdios do remoto século 20. Mas como assim? A pergunta de alguns se deve à linha editorial do Metrópoles, explicitamente mais virada à direita.

O Metrópoles foi fundado em 2015, numa aposta arrojada do empresário Luiz Estevão – aquele mesmo que foi preso após ter um mandato de senador cassado por seus pares. Ano a ano, o veículo alcançou o topo numa velocidade fulminante, algo raro de ver no segmento. O escândalo do INSS saiu primeiro no site nascido em Brasília.

Mas Reinaldo e o Metrópoles combinam? Sem dúvida. Agora, a ironia é um site contratar o profissional em questão para se posicionar mais à esquerda. Lá estão Ricardo Noblat e Mário Sabino, este um fanático antilulista. Nos “bons tempos” de Veja, Sabino e Azevedo eram amigos de frequentar a casa um do outro, tudo em família. Hoje se odeiam.

A audiência está na expectativa. Os antigos inimigos do ultrarreacionário Azevedo do passado, que desejavam sua morte, torcem pela estreia no começo de março. Já escrevi mais de uma vez sobre o personagem – mas ele merece uma tese de doutorado que dê conta de sua guinada intelectual. Não há precedente na história da velha imprensa.