Uma investigação sem objeto definido está destinada ao fiasco. O caso do banco Master, pelo menos até agora, caminha nessa direção. Liquidado pelo Banco Central, o negócio de Daniel Vorcaro (foto) vendia a investidores mercadoria que não tinha para entregar: rendimentos em percentuais muito acima da média praticada na ciranda financeira. O esquema envolve a rapinagem de mais de 30 bilhões de reais.
Gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa estão entre os crimes listados na bagaceira do Master. Empresas de fachada, uso de “laranjas” e maquiagem de dados no mercado de ações também foram detectados pela Polícia Federal. As suspeitas sobre o Master começaram em 2024, mas explodiram no ano passado.
A lista de delitos não para por aí. As traquinagens de Vorcaro arrastam uma série de fundos de investimento que também fariam parte do megaesquema. Além disso, uma frente das investigações tem como alvo o Banco de Brasília, que tentou comprar o Master quando já se sabia que a instituição bancária estava quebrada.
Tem mais. Prefeituras e governos estaduais pelo Brasil afora se meteram em obscuras negociações com o Master. Nesses casos, a jogada foi a compra de papéis podres do banco por parte de institutos de previdência municipais e estaduais. Maceió está nessa, com um prejuízo que passa dos 100 milhões de reais. Gestores se dizem vítimas.
Não acabou. De repente, a própria investigação virou alvo de... investigações. Primeiro foi a revelação de que o ministro Dias Toffoli, então relator do caso no STF, tinha relação delicadíssima com o Master. É aí que aparece o resort no Paraná que liga a família do ministro ao banqueiro. Toffoli, resumindo a doideira, seria dono oculto do resort.
Quase que ao mesmo tempo, O Globo revelou que o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes tinha um contrato milionário com o Master. Começa a pintar a suspeita de vazamento de informações sigilosas de ministros do STF e seus parentes. Os indícios nesse sentido são fortes. Auditores da Receita entraram no alvo.
E os laços da política com tudo isso? É o que mais tem. Prefeitos, governadores e parlamentares, dos mais variados partidos, perdem o sono com o que ainda pode aparecer. Vorcaro teria uma “rede de proteção” para tocar seus negócios de alto risco.
Para fechar essa antologia de situações e episódios sob investigação, temos as orgias em Trancoso, com a presença luxuosa de garotas estrangeiras. Os investigadores querem saber se os encontros recreativos faziam parte do enredo criminoso.
No STF, Toffoli caiu da relatoria do caso e foi substituído pelo ministro André Mendonça, o diabolicamente evangélico. Sim, também no Supremo, houve a reunião fechada que acabou vazando para a imprensa. A Corte atravessa uma crise sem precedentes.
Na volta do Congresso após o Carnaval, parlamentares vão decidir sobre uma CPI do Banco Master, em mais uma frente de investigações. Voltando ao começo para encerrar, periga estarmos diante de um clássico: investigar tudo para dar em nada.










