O descolado prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, achou que seria muito engraçado imitar uma pessoa com deficiência visual. Bom, como estamos na temporada carnavalesca, por que não? E não haveria palco mais adequado para a performance do que o sambódromo carioca. Em seu camarote particular, o homem surge do nada, usando óculos escuros, chapéu panamá e uma inesperada bengala.

O vídeo da presepada dura apenas 8 segundos, mas a repercussão é eterna. O político sai caminhando como se fosse um cego, movendo a bengala sobre mesas e cadeiras. Rapidamente, ele é interrompido pela primeira-dama Cristine Paes. Ela fala algo e puxa o marido, como se estivesse verbalizando uma reprimenda ao sem-noção.

A imitação de um “ceguinho” causou barulho e agitação nas redes sociais. A acusação de capacitismo pintou na área imediatamente. Nesta quinta-feira, num evento em que confirmou sua candidatura a governador do Rio, Paes foi lacônico ao ser questionado sobre o caso: “Infelicidade minha, infelicidade”. Ficamos sem explicação.

Eduardo Paes será candidato ao governo fluminense pela terceira vez. A primeira foi lá em 2006, quando obteve somente 5% dos votos. Mais de uma década depois, testado e aprovado como prefeito, tentou novamente ser governador na eleição de 2018. Era dado como favorito, mas Wilson Witzel se elegeu no arrastão do bolsonarismo.   

Como o Rio é o Rio, e estamos no Brasil, Witzel perdeu o cargo num nebuloso processo de impeachment. Sim, a Assembleia Legislativa, um antro de delinquentes que abriga até milicianos, teve moral pra cassar o mandato do governador – também delinquente.

Filiado ao PSD de Gilberto Kassab, Paes acaba de garantir o apoio do MDB, cedendo à legenda o posto de vice. O prefeito apoia Lula, mas o MDB estadual, não. Nada de anormal dado o gigantismo emedebista, fraturado em comandos e alianças multilaterais.

Como aquele arrastão – inédito – não deve se repetir, oito anos depois, Paes é mais favorito do que em 2018. Aliás, em 2024, ele se reelegeu dando uma surra no candidato escolhido diretamente por Bolsonaro, o golpista foragido Alexandre Ramagem.

Até agora, não tem adversário a fazer sombra ao prefeito. Como no futebol, se jogar parado, Paes deve finalmente alcançar seu antigo objetivo de governar o Rio. Quem pode armar confusão para ele é ele mesmo, como prova a idiotice do vídeo da bengala.