Em 7 de outubro de 2022, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, apareceu no Jornal Hoje, da Globo, para anunciar seu apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição. A foto acima, com os envolvidos na trama, reproduz aquele momento. JHC, que posou de “neutro” no primeiro turno, ganhou elogios de seu novo parceiro, o próprio candidato à reeleição. Na coletiva, o prefeito explicou por que Bolsonaro, e não Lula:

“Pensamos um Brasil que seja menos burocrático, disruptivo e que tenha o governo como indutor de políticas públicas, que possa gerar suas próprias oportunidades. Então, nós estamos enxergando isso. E quem não tem medo de trabalho, quem tem capacidade de visão, tem espaço no governo do presidente Jair Bolsonaro”.

Não sei, mas há algo de enigmático na parte do discurso que fala de um Brasil “disruptivo”. O que será que ele quis dizer com isso? Quando um marqueteiro encontra um jovem entusiasta da “nova política”, o bicho pega. Termos que fazem sucesso em cursinhos para “novas lideranças” entregam parte do mistério. Parece que este é o caso.

Mas o assunto agora não é a linguagem e suas maravilhas. Voltemos ao tema original. Um suspense e tanto na política alagoana é o rumo de JHC na eleição presidencial de 2026. Se, quatro anos atrás, o prefeito escolheu Bolsonaro, pelas razões que ele resumiu no texto reproduzido aqui, o que fará no provável duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro?

Ao longo de 2025, JHC ensaiou um ajuste de rota, digamos assim, mas com muito cuidado para não melindrar o eleitorado resumido na tradicional família e no cidadão de bem. O ponto de inflexão foi o acerto que levou Lula a nomear Marluce Caldas, tia do prefeito, para uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça. O “acordão de Brasília”.

Ainda filiado ao PL de Bolsonaro, o gestor instagramável estica o prazo para uma declaração definitiva sobre a disputa federal. A postura irrita a turma da extrema direita, que cobra o engajamento de JHC na caravana do filho do capitão da tortura.

Não há como repetir a estratégia de 2022, com a ficção de neutralidade. Aliás, outro que ficou “neutro” naquela eleição foi o valente Rodrigo Cunha, hoje vice de João Henrique. Por enquanto, resta aguardar pela decisão – talvez disruptiva – do prefeito da capital.