No coração do escândalo do banco Master está uma instituição financeira estatal. Trata-se do Banco de Brasília, o agora célebre BRB. Para quem ainda não sabe, desde o ano passado, o BRB administra a folha de pagamento dos servidores da prefeitura de Maceió. O bancão do governador de Brasília, Ibaneis Rocha, também toma conta da folha dos funcionários do Tribunal de Justiça – o que ocorre desde dezembro de 2024.
O TJ alagoano também fechou acordo com o BRB para cuidar de alvarás, ou seja, o pagamento de valores que envolvem recursos de variadas origens – FGTS, PIS, disputas judiciais etc. A investida em Alagoas fez parte de uma política de ampliação do BRB na região Nordeste. Essas informações foram publicadas pela própria entidade bancária.
Com a explosão da fraude tocada pelo Master – cuja dimensão ainda está por ser esclarecida –, prefeitura e Judiciário tentam se blindar de qualquer efeito colateral no episódio. Pelas investigações da Polícia Federal até agora, o banqueiro Daniel Vorcaro agia com a proteção de uma rede de poderosos na política e na magistratura.
Como já amplamente noticiado, o Instituto de Previdência de Maceió, responsável pelos recursos de aposentados e pensionistas, “investiu” mais de 100 milhões de reais no Master. Ao menos até agora, um dinheiro perdido. A prefeitura se diz vítima. Outros estados e municípios do país também caíram na sedução de Vorcaro.
O que acho particularmente inusitado nisso tudo é o papel do BRB, um banco público regional que pretendia comprar o Master, numa operação pra lá de suspeita. Banco estatal nas mãos de governos estaduais é coisa do passado. Existem hoje apenas cinco: em Sergipe, no Pará, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul e em Brasília.
Nas demais províncias, do Produban alagoano ao Banespa paulista, foi tudo privatizado – graças a Jesus! Estiveram todos sempre a serviço dos grupos políticos que governavam os estados. As elites paroquiais rapinaram os cofres estatais até o osso, sem piedade.
No extraordinário Saga Brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda, lançado em 2011, a jornalista Miriam Leitão esmiúça a tragédia dos bancos estatais dos estados. Sem a liquidação e a privatização de quase todos, veja só, o Plano Real não existiria.
A sobrevivência do BRB e mais quatro dessas instituições, portanto, parece mais um exotismo, uma extravagância sem explicação. Que o Banco de Brasília esteja metido na ladroagem do Master, não espanta. Ao contrário, é o curso natural das coisas.










