Blog do Celio Gomes

Prorrogar, não! Vamos cortar dois anos de mandato dos eleitos em 2020! Topa?

Leio aqui no CADAMINUTO que um grupo de políticos alagoanos se engajou no projeto que prorroga os mandatos de prefeitos e vereadores até 2022. A ideia já se transformou numa Proposta de Emenda à Constituição, de autoria do deputado federal pelo Paraná Rogério Peninha. Se isso virar realidade, as eleições municipais do ano que vem seriam canceladas – e os atuais titulares dos cargos ficariam seis anos no exercício dos mandatos. E por que diabos esses senhores entraram nessa?

Segundo a versão difundida pela turma, é uma iniciativa patriótica em defesa de dias melhores para o povo brasileiro. Olha, que gesto nobre! Quando escuto algo dessa natureza, já sei que estamos diante de uma armação cujo único efeito prático será melhorar a vida dos proponentes. Os caras resolvem “ajudar” o país – e para isso tramam uma medida que turbina seus próprios negócios na política. Seis anos de mandato é uma beleza para figuras que não fazem nada além de politicagem.

A notícia de hoje no CM diz que três entidades estão unindo forças na missão de aprovar a PEC da prorrogação de mandato: Associação dos Municípios Alagoanos, União dos Vereadores de Alagoas e União dos Vereadores do Brasil. Aliás, você aí sabia da existência dessas nulidades? Há algumas semanas, a casuística proposta esteve na ordem do dia em Brasília, quando houve mais uma daquelas irrelevantes “marchas” de prefeitos à capital federal. Perde-se tempo com bobagens.

Eu concordo que eleição a cada dois anos é uma insanidade brasileira. A prorrogação dos mandatos jogaria todas as eleições para a mesma data, a cada quatro anos. Assim, iríamos às urnas para eleger, numa tacada só, de vereador a presidente, passando por governador e pelos membros das Assembleias estaduais e do Congresso Nacional. Seria mais racional, como defende muita gente.

Então faço uma adaptação à proposta dos vereadores e prefeitos: no ano que vem, vamos eleger para as câmaras e prefeituras titulares que ficarão apenas dois anos no mandato. E em 2022, fazemos eleições gerais para todos os cargos. Ao invés de prorrogar a temporada dos atuais eleitos, que se corte a metade dos mandatos. Se é para o bem do Brasil, por que não essa alternativa?

A política não pode inventar novidades sob encomenda para beneficiar demagogos a granel. Pelo que tenho lido, não existe a menor chance de avanço da tal PEC do Peninha. É algo inteiramente fora das demandas urgentes no jogo jogado em Brasília. Mas, como vivemos uma quadra degenerada na vida pública nacional, não se pode descartar que presepadas acabem por prosperar.

Para fechar, lembro de um detalhe paradoxal: os competentes gestores vivem a denunciar a iminente falência dos cofres oficiais. Reclamam o tempo todo de falta de verbas e cobram o aumento de repasses por parte da União. Mesmo assim, querem ficar nada menos que seis anos administrando o caos. Como explicar isso? Vai ver é o sentimento de desapego, além do patriotismo!

“Um canalha confessou seu crime”

Aquele juizinho de Curitiba que virou ministro do ridículo Bolsonaro, como se sabe, agora também bate ponto no Twitter. Inspirado no chefe, de quem ele sempre foi um fã enrustido, Sergio Moro passou a bater boca com internautas que gastam tempo para ler as baboseiras do iletrado com pose de grande jurista. Ele saiu do armário na reta final da campanha, quando entrou com tudo na guerra do voto, no papel de cabo eleitoral do capitão da tortura. Após a eleição, levou seu grande prêmio.

Para lembrar os fatos incontestáveis: o juiz, que fingia imparcialidade, agiu criminosamente para tirar da campanha o favorito entre os eleitores, e condenou – sem provas – Luiz Inácio Lula da Silva. Deu tudo certo para a turma dos “cidadãos de bem”. O brucutu que está há trinta anos mamando na política levou a faixa e empossou Moro como ministro da Justiça. A dupla combina à perfeição.

Pois neste fim de semana, o próprio juizinho confessou, sem querer, o que já era sabido por quem consegue juntar A com B. Para contestar críticas do ator e humorista Gregório Duvivier, Moro escreveu o seguinte em sua rede sociai: “Bom lembrar que não fosse a vitória eleitoral do Presidente Jair Bolsonaro, estaríamos hoje sob controle social da mídia e do Judiciário...”.   

Que coisa bonita! Moro é mesmo um defensor da liberdade de imprensa e também trabalha por uma Justiça independente. Suas palavras no Twitter deixam claro que, lá em 2018, portanto quando ainda era um “magistrado” – tem de ser com aspas –, ele agia para interferir no processo eleitoral. Sua meta sempre foi garantir que Lula ficasse fora da disputa. Trabalhou muito bem por seu candidato.

Reportagem na Veja.com mostra a sequência de reações às palavras de Moro sobre a eleição 2018. Um dos leitores foi direto ao ponto: “Guardem bem esse tuíte, crianças. Ele vai estar estampado em todos os livros de História no futuro. Nele, um canalha confessou seu crime”. Um sujeito com fome de poder é capaz de tudo. Moro está pra o que der e vier: uma cadeira no STF ou mesmo a sucessão de Bolsonaro. Para isso, tem como grande trunfo seu vagabundo pacotinho “anticrime”.

Nem sei se comentei aqui a entrevista a Pedro Bial dada pelo ministro que, como diz Duvivier, “fala fino com a milícia”. Mas lembro agora que um dos trechos mais reveladores foi quando o apresentador perguntou a ele sobre hábito de leitura. A resposta é sensacional: “Gosto muito de biografias”. É a saída de todo mequetrefe que não tem costume de ler nada. Uma falácia e tanto.

Ao ouvir a declaração, Bial então quis saber qual a última biografia que o ministro leu na vida. E ele: “A memória nunca foi meu forte”. Ou seja, o cara é fã de um tipo específico de livro, mas não lembra de um miserável título!!! O que você acha disso, caro leitor? Não lhe parece claro que estamos diante de um grande mentiroso? Eu não tenho dúvida. Este é o exemplo de ética nas hostes do bolsonarismo.

“Vingadores – Ultimato”: a imprensa e a arte

Nos últimos dias, o assunto que mais apareceu na imprensa brasileira foi a estreia de Vingadores: Ultimato. Cada lançamento do cinemão americano por aqui recebe esse tratamento especial. Na TV, os repórteres, apresentadores e comentaristas parecem em êxtase quando falam do filme. É como se estivéssemos diante da maior obra-prima de todos os tempos, algo que todos têm obrigação de conferir. Temos uma campanha para tornar o troço um fenômeno de bilheteria sem precedentes.

Esse tipo de manipulação dos fatos expõe como a tal colonização cultural se renovou entre nós para ficar ainda mais forte nos tempos da revolução digital. Rezava uma antiga lenda que, com a internet, com o acesso de todos a todo o tipo de informação, ninguém mais ficaria refém do entretenimento imposto pela indústria da grana. Deu-se o contrário, como se vê não apenas no caso dos Vingadores. A avalanche de bobagens consumida como grande arte é um espanto. Horrorosa tradição renovada.

Não estou falando da qualidade do filme. O ponto mais chamativo nisso tudo é a cobertura da imprensa. Por isso falei em manipulação. Nos canais de TV por assinatura, tipo Globonews, Band News, GNT e coisas assim, há entrevistas e até demorados debates sobre o “filmaço” dos heróis que vieram dos quadrinhos. Nunca vi tanto “especialista” em cinema e HQ quanto agora. O que acontece, afinal, para que os brasileiros dediquem tamanha reverência a esse tipo de jogada marqueteira?

A abordagem destinada ao filme no noticiário, sobretudo na TV e na internet, é de um constrangedor deslumbramento. Profissionais do jornalismo parecem um bando de adolescentes idiotizados. De repente, senhoras e senhores sisudos se mostram como fãs histéricos diante de seus ídolos que seduzem pelos superpoderes. Agora imagine a performance de jornalistas jovenzinhos e “descolados”. Chegam a dar pinotes e fazer caretas. Pode pensar na expressão “vergonha alheia”.

Não, eu não sou um militante contra o imperialismo americano. A arte está em todo lugar, não tem fronteira nem território exclusivo. Também não separo cultura de massa e alta cultura. Sem esticar por esse caminho, o problema com a celebração embasbacada para Vingadores é como a força do dinheiro arrasa com todos os princípios que possamos pensar – morais, éticos e estéticos, digamos assim. É claro que os donos do filme pagam por essa publicidade disfarçada de notícia.

Muita gente ainda prega por aí que o povão é que não tem lá boas escolhas quando o assunto é diversão e arte. Desinformados, os ignorantes engrossam as filas para ver qualquer porcaria. Não precisava, mas Vingadores, o filme-franquia, é só mais uma prova incontestável de que essa ideia foi e sempre será preconceito. Fanáticos desse cinema padronizado e insosso estão democraticamente distribuídos da base ao topo da pirâmide. Ricaços, pobres, doutores e analfabetos na mesma onda.

Antes de fechar, preciso então explicar ao leitor o que achei de Vingadores: Ultimato, o filme do ano, da década, do século! É o seguinte: não vi, não gostei, não verei e vou gostar cada vez menos. Ao contrário do senso comum (sem querer me gabar), piruetas, correria, seres voadores e efeitos especiais sempre me transmitem um tédio infernal. Superprodução, milhões de dólares, estrelas fabricadas, água com açúcar, imprensa sócia dos estúdios... Cinema é outra coisa. É outra viagem.

Bolsonaro, o homem tóxico e perigoso

A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos escolheu Jair Bolsonaro como “Personalidade do Ano”. A única explicação para essa piada são os interesses financeiros dos que fizeram tal escolha. A homenagem estava marcada para o dia 14 de maio. Mas Bolsonaro desistiu de viajar a Nova York para receber o prêmio. E por que o grande estadista renunciou ao título? Porque houve um verdadeiro levante contra o personagem brasileiro, visto mundo afora como o símbolo da escória política.

Primeiro, a direção do Museu de História Natural de Nova York desistiu de ceder o local para ser palco do convescote. Em seguida, empresas patrocinadoras do evento também caíram fora. Aparecer como aliado a um sujeito como Bolsonaro é sujeira. O que seria algo a festejar pelo governo, turbinando uma “agenda positiva”, acabou em fiasco completo, vergonha geral para a turma.

Antes de desistir da viagem, Bolsonaro viu a Folha de S. Paulo revelar que o Banco do Brasil gastaria uma grana e tanto para bajular o capitão da tortura. Sem que haja qualquer motivo oficial para a gastança, o BB se viu forçado a anunciar o cancelamento da presepada. Nunca uma simples homenagem foi tão escandalosa como a que seria feita ao presidente racista, homofóbico e violento.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, foi uma das vozes mais contundentes contra o tal prêmio para Bolsonaro. Segundo ele, o presidente brasileiro é um “homem perigoso”, que despreza direitos consagrados, e é uma ameaça para o meio ambiente, entre outras qualidades. Fanáticos da seita bolsonariana já entraram em campo, histéricos, acusando todo mundo de “comunista”.

Engraçado também é o discurso de gente do governo sobre a repulsa ao presidente que adora torturador. Dizem os valentões que os organizadores do evento agiram por motivos ideológicos. Ora, anunciar decisões seguindo a cegueira ideológica é tudo o que Bolsonaro faz todo santo dia, a cada vez que abre sua boca podre – no que é seguido pela milícia virtual de sua seita.

Vejam que, mesmo pagando um alto preço para se promover, Bolsonaro é rejeitado em amplos setores de influência intelectual de peso. O sujeito é o tipo ideal para o adjetivo “tóxico”. Sua simples presença incomoda qualquer um com um mínimo de respeito ao outro. O presidente brasileiro não pode reclamar de intolerância – é o que ele pregou a vida inteira. Uma voz nociva ao convívio civilizado é isso aí. Na imprensa internacional, o país ganhou novo status: é a lama, fundo do poço. 

Os garotões mal resolvidos da “nova direita” estão espumando de ódio. A última desses aloprados é “denunciar” as empresas que desistiram de bancar o prêmio para o “mito” delinquente. Deve ser muito chato mesmo ver suas referências sendo expostas ao ridículo, como ocorre com Bolsonaro.

Para compensar, só falta a Assembleia Legislativa de Alagoas conceder ao ídolo dos boçais e reacionários o título de cidadão honorário. A proposta pode sair da cabeça do deputado Cabo Bebeto, um autêntico soldado desse exército de exterminadores do presente. Fica a dica.

Volta, Vélez Rodríguez!

O governo Bolsonaro tem o segundo ministro da Educação em apenas quatro meses de gestão. É algo que já nos diz muito sobre o padrão das escolhas do presidente. O primeiro nomeado era um colombiano que mal fala português. Ricardo Vélez Rodriguez parecia um maluco, premiado com um cargo para o qual ele não tinha mínimas condições. Engolido por trapalhadas, com ideias que misturavam tolices e autoritarismo, sabotou seu próprio trabalho. Caiu. E tudo ficou pior.

A coisa piorou muito com a nomeação de uma porcaria digna dos melhores quadros do pensamento bolsonariano. Abraham Weintraub assumiu o posto determinado a combater o que considera um grave problema brasileiro: o homem é um fanático inimigo da universidade. Segundo ele, as faculdades por aí afora vivem promovendo “balbúrdia” e desfiles com “gente pelada”.

Mas quem é esse notável intelectual que agora dita os rumos de políticas públicas para a educação? Eu não esperava que fosse nenhum brilhante pensador – só um fanático do capitão pode esperar algo assim num governo Bolsonaro. Poderia ser ao menos alguém sério, talvez? Que nada. Weintraub junta a delinquência de suas ideias com a mais escandalosa incompetência. É pilantra e medíocre.

Para bajular o chefe e jogar para a arquibancada dos doentinhos da nova direita, o ministro achou que seria uma boa partir pra cima das universidades públicas do país. Anunciou um corte de 30% nos recursos das instituições, além de fazer ameaças de retaliação contra as escolas que não agirem dentro do novo figurino. Chegamos a esse ponto: um governo em guerra contra o espaço do saber.

É natural. Antes de seguir com o ministro, ressalto que Bolsonaro não está enganando ninguém. Seu governo será isso mesmo, até o fim, sem qualquer mudança de rumo. Não é previsão, é certeza baseada em fatos reais. Um sujeito desqualificado em tudo seguirá promovendo o que há de pior na cabeça de seus protagonistas. Bolsonaro combina com Weintraub. Dois brucutus devem se amar.

O elemento chegou ao cargo também por indicação do professor Olavo de Carvalho; também foi aluno do filósofo e também está numa missão sagrada, a saber: caçar comunistas e livrar o Brasil do famigerado comunismo. É esse canto de sereia que atrai incontáveis desmiolados que vivem a esbravejar na internet ideias sobre as quais nada entendem. Repetem as tuitadas do presidente.

Como especialista em educação, o currículo de Weintraub é uma piada. Ele passou a vida no mercado financeiro. O ódio às universidades talvez se explique por sua irrelevante carreira como “pensador”. Nunca publicou nada, não tem qualquer produção reconhecida por ninguém, a não ser os que se beneficiaram de suas estripulias no mundo das jogadas financeiras. Não vai além disso.

A última do ministro olavete e de extrema direita foi a divulgação de seu histórico na faculdade de Economia da USP. Metido a exaltar a meritocracia, o elemento foi um aluno de baixíssimo nível. Suas notas formam um festival de zero e reprovações em várias disciplinas. Como disse o professor que divulgou o documento da universidade, pelo visto, Weintraub, estudante, “era bom de balbúrdia”.

Nesta sexta-feira, o ministro resolveu se defender do próprio currículo. Gravou um vídeo medonho no qual abre a camisa para mostrar a cicatriz de um “grave acidente” – fato que ele apresenta como justificativa para seu desempenho quando aluno da USP. Nunca vi algo tão bizarro! O ministro parece o tempo todo estar alterado, com certa tremedeira quando fala. É alguém perturbado, não há dúvida.

É o Brasil de Bolsonaro. Como disse, nenhuma surpresa. Vai ficando pior a cada dia. Aqui neste blog, Vélez Rodriguez apanhou bastante. Agora percebo que ele estava mais para um lunático, um paraquedista, sem noção do que seria administrar o Ministério da Educação. Diante do cretino que assumiu a pasta, o demitido fica até simpático. Do jeito que estamos, o colombiano era perfeito.

CSA será o lanterna do Brasileirão 2019

Volto a escrever sobre o que realmente interessa. A bola vai rolar na grande guerra do futebol brasileiro, considerada por alguns o campeonato mais acirrado do mundo. Não sei, mas é o que dizem por aí. Como falei em texto anterior, o CSA estreia no Brasileirão da Série A coberto pela sombra da desconfiança do jornalismo esportivo. Aliás, coberto pelo fatalismo que se expressa na opinião de todos os cronistas, comentaristas e palpiteiros do jogo: o Azulão está fadado à queda.

Num começo de tarde, zapeando os canais de TV como um dinossauro da comunicação antes das redes sociais, paro no programa Bate-Bola Debate, da ESPN Brasil. É dos menos histriônicos, sem qualquer semelhança com aquela gritaria pateta que é marca de outras atrações do ramo, como o programa chefiado pelo ex-jogador Neto, na Band. Sem querer, o teatro expõe a farsa daquilo ali.

Volto ao CSA. No fim do primeiro parágrafo, disse que o mundo da imprensa esportiva prevê a queda inevitável do time alagoano, que assim voltaria à Série B lá em 2020. Mais que isso: os jornalistas do BB Debate fizeram um quadro com os vinte clubes do Brasileirão e cravaram a classificação final do campeonato, do primeiro lugar (o campeão) ao vigésimo colocado. Sabe o que aconteceu?

Não deu outra, é claro. A agremiação que ficou na lanterninha foi inapelavelmente o Centro Sportivo Alagoano. Talvez por patriotismo caeté ou pelo fanatismo que arrasta seu coração de torcedor – o que é mais importante do que qualquer patriotismo –, você fique revoltado com uma notícia dessas, não é? Mas, convenhamos, nesse caso a imprensa trabalha com a lógica – ainda que nada original.

Apontar o CSA como candidato número um ao último lugar na elite do futebol nacional é uma aposta fácil. Para isso, os analistas se valem de dados quase naturais: time nordestino, sem tradição de conquistas de peso, sem estrelas no elenco e com orçamento inexpressivo diante dos gigantes da roda da fortuna. Isso só pra citar algumas variáveis. O futuro é barra pesada, uma pedreira.

O que o Azulão pode fazer diante do quadro nada favorável? Como desmentir as previsões dos videntes futebolísticos? Será que nossos cronistas alagoanos têm ideias valiosas sobre tal panorama? Uma postura simples mas eficaz é não brigar com a realidade. A favor do desacreditado escrete estadual está a mística do campo, o imponderável do jogo, as surpresas desconcertantes da bola.

Claro que não se trata daquela besteirada de autoestima e coisas do tipo. Marcelo Cabo precisa mostrar mais qualidade do que mostrou no Alagoano, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. Vendo alguns jogos, fiquei um tanto preocupado com o desempenho da galera. Com o futebol que apresentou no começo do ano, a lanterna no Brasileirão é mais que uma previsão aloprada.

Se jogar o que jogou nos últimos tempos, o rebaixamento é o caminho sem volta. Sugiro que o treinador faça o time ter raiva das profecias – e parta pra cima dos grandes com a faca nos dentes. Mas, insisto, tem de melhorar muito o nível do futebol visto nesses meses. Somente assim, os palpites tragicamente mórbidos serão desmoralizados. É o maior desafio na história do CSA.

Deputado bolsonarista e delegado distorcem fatos para atacar defensor público

O assunto foi noticiado aqui no CADAMINUTO no blog da jornalista Vanessa Alencar. A exibição de suspeitos detidos pela polícia – do jeito que fazem certos programas de TV – gerou uma troca de farpas entre o deputado estadual Cabo Bebeto, nosso bolsonarista na Assembleia Legislativa, e o defensor público Othoniel Pinheiro. O parlamentar está revoltado com a postura do defensor, que condena – com razão – o espetáculo de bizarrice dessas apresentações de presos na televisão.

Existe uma decisão liminar da Justiça que proíbe a prática promovida pela associação deletéria entre delegados e dublês de jornalistas. Vocês sabem como é: a polícia prende um miserável nas periferias de Maceió e, em linha direta com apresentadores de TV, submete o preso a uma sessão de humilhações absolutamente criminosa. É sim uma afronta aos direitos básicos do cidadão.

A decisão da Justiça é de maio de 2017 e, embora esteja em plena vigência, vem sendo descumprida pela polícia – daí a manifestação recente do defensor Othoniel Pinheiro. Ele não está preocupado em proteger bandido nenhum, como afirma o deputado, falsificando a realidade a partir de sua tresloucada visão de mundo. Faz sentido. Essa é a tática do ridículo presidente do país.

Ao agir contra a estupidez desses programas policialescos, o defensor está preocupado em proteger a dignidade de todos. É até constrangedor ter de escrever o óbvio – mas nem assim Bebeto e assemelhados conseguem entender. É pedir muito a pessoas que vivem por aí incentivando até mesmo ataques a instituições da República. Valentes da “nova política” resolvem tudo na porrada.

O defensor público divulgou nota. Reproduzo um trecho: “Em sessão de hoje [25], na Assembleia Legislativa de Alagoas, o deputado Cabo Bebeto (PSL) me atacou de forma injusta e mentirosa. Deveria o deputado procurar aprender as verdadeiras funções de um parlamentar, ao invés de ficar espalhando fake news e incentivando o descumprimento de decisão judicial”. Na mosca!

Parte interessadíssima no negócio de fazer carnaval televisivo com a miséria alheia, o delegado Fábio Costa, titular da Divisão Especial de Investigação e Capturas, resolveu se manifestar. Além de falar besteira, segue a linha do deputado do PSL e distorce os fatos com uma ligeireza de arrepiar. Escreveu o homem da lei em rede social: “A quem interessa que novos crimes não sejam desvendados e que criminosos fiquem impunes?”. Isso aí é uma ilação um tantinho delinquente.  

O delegado, vejam que bonito, parece engajado na luta por liberdade para o exercício do jornalismo. É verdade que, também nesse ponto, por ignorância ou má-fé, ele confunde as coisas. Fala de novo o homem da lei: “É reconhecido o direito à liberdade de imprensa (inclusive a imprensa policial através das assessorias de comunicação”). Não, doutor; não existe, nunca existiu e jamais existirá uma “imprensa policial” – e assessoria de comunicação é tudo, menos jornalismo. Não sei se fui claro.

Mas isso é o de menos. Encrenca mesmo é a sanha de certas autoridades por afrontar o Estado de Direito. Quando isso conta com a parceria de veículos de comunicação e de profissionais de imprensa, aí já era. É contra tal aberração que o defensor Othoniel Pinheiro se insurge, com coragem, dentro da lei. Sua postura, reitero, é na defesa da sociedade – e hoje em dia isso é um perigo.

Jornalista da TV Gazeta dá “puxão de orelhas em pessoas mal-educadas”! Era o que faltava

O jornalismo da TV Gazeta decidiu enquadrar a população que mora na região conhecida como Dique Estrada, às margens da lagoa Mundaú, em Maceió. Nesta quinta-feira, durante o AL-1, telejornal da afiliada da Globo em Alagoas, a apresentadora Thaíse Cavalcante mandou a população deixar de ser “mal-educada”. A jornalista foi contundente em sua crítica ao povo da beira da lagoa – que até hoje não apreendeu a ter bons modos e etiqueta. Esse povinho não tem jeito!  

Exibindo imagens de máquinas da prefeitura fazendo limpeza na região, a moça leu um texto que tem toda a cara de release, ou seja, material produzido pela assessoria de imprensa do município. Segundo as informações reproduzidas pela TV, a prefeitura trabalha pra danar na manutenção da orla lagunar da capital. A cada semana, toneladas e toneladas de entulho são retiradas. Mas não adianta. Com essa gentinha deseducada, diz a Thaíse, a ação é o mesmo que “enxugar gelo”.

Confiram a seguir o comentário da “âncora” sobre as famílias que vivem nessa parte de Maceió. Ela começa sua aula sobre educação e bons costumes com um aviso sensacional: os moradores que se comportam direito, digamos assim, são uma “exceção”. Com autoridade, fala a apresentadora:  

Esse trabalho de limpeza na orla lagunar parece um trabalho de enxugar gelo. Quando a gente cita essa população, a gente sabe que tem as exceções. Mas não adianta a população da orla lagunar apenas cobrar da prefeitura. Porque enquanto se cobra a limpeza e o papel da prefeitura, enquanto se cobra isso, o restante da cidade cobra mais educação de quem mora nessa região, mais consciência ambiental. Fica aí o alerta e o puxão de orelhas para pessoas mal-educadas.

Mais claro, impossível. Informa ainda a TV Gazeta que, segundo a prefeitura, ações de retirada de lixo na orla lagunar, “principalmente no trecho do Dique Estrada, são feitas todos os dias”. Digo eu: isso é uma mentira completa. Todo tipo de entulho se acumula por semanas, sem que haja nenhuma providência oficial. Quando a coisa chega a níveis absurdos, aí sim, aparecem homens e caçambas. (Ando por essas bandas desde antigamente, antes mesmo de existir o Dique Estrada. Sei o que falo).

A realidade que “jornalistas globais” pensam conhecer só existe nas marmotas fabricadas justamente pelo jornalismo televisivo. Os antenados repórteres que “mostram os problemas” nas periferias se referem aos bairros da cidade como se fossem parte de outro planeta. Mal conseguem combinar verbo e predicado, e se acham no direito de ditar regras de conduta. Oi! Alô! É sério isso?!

Gostei particularmente deste trecho na enquadrada que a jornalista dá na gentalha da orla lagunar: “O restante da cidade cobra mais educação de quem mora nessa região”. Caramba! Eu não sabia que os milhares de pessoas aqui ao meu redor estavam tão longe da civilização que vemos em todo “o restante da cidade”. E agora? É esperar nova lição de cidadania do jornalismo global-gazeteano.

Vereador Chico Filho denuncia tentativa de extorsão

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O vereador de Maceió Francisco Holanda Filho (foto) fez uma revelação inesperada durante entrevista para o jornalista Flávio Gomes de Barros, que apresenta o programa Conjuntura, na TV MAR. Ele falava sobre o caso do Pinheiro, o bairro da capital que está afundando, sem que haja até agora um laudo definitivo sobre as causas do gravíssimo problema. O apresentador fez uma pergunta sobre declaração recente do vereador que provocou reação negativa. E aí Holanda começou a falar de extorsão.

A manifestação do parlamentar que foi lembrada por Flávio Gomes se deu numa audiência sobre o Pinheiro, realizada no Senado. Durante o encontro, Holanda demonstrou preocupação com os moradores do bairro, é claro, mas também saiu em defesa da importância da Braskem para a economia alagoana. Como se sabe, o trabalho de exploração do solo feito pela empresa pode ser um dos fatores decisivos para a situação que temos. A empesa nega e se apresenta como “parte da solução”.   

Para justificar sua fala no Senado, disse o vereador na TV MAR: Na realidade, Flávio, minha fala foi de onze minutos. E existem hoje, infelizmente, pessoas que não querem o bem do nosso estado, que trabalham nos bastidores fazendo o mal, tentando extorquir as pessoas. Quando as pessoas não comungam com esse tipo de pensamento, são vistas como inimigos delas. Na sequência, o parlamentar chega a citar supostas vítimas de tentativa de extorsão. São nomes conhecidos.

De novo, Francisco Holanda: Esse bastidor negro da política e da vida das pessoas, que inclusive já aconteceu comigo, já aconteceu com o doutor Alfredo, agora mesmo aconteceu com o vereador Lobão. Existe uma meia dúzia ali, com penetração na imprensa, no próprio setor público, pessoas nojentas que não querem ajudar. Lobão é colega de legislatura de Holanda. “Doutor Alfredo” é o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. São informações muito sérias.

Na entrevista, quando fala sobre pessoas que tentam extorquir autoridades, o vereador repete aquele famoso movimento de esfregar dois dedos da mão (o polegar e o indicador) para se referir a dinheiro. Ele parece tratar do assunto com real conhecimento de causa. Faltou apontar a identidade desses criminosos, ainda mais que o autor da denúncia exerce um cargo público, por escolha direta da população. O eleitorado de Maceió tem o direito de cobrar esclarecimentos.

Não sei se o vereador Lobão e o chefe do MP comentaram as declarações de Francisco Holanda. Mas acho que não. Também imagino que ninguém aí terá a iniciativa de aprofundar o caso, com a revelação de nomes e circunstâncias concretas. É muita confusão pra todo mundo. Não deveria ser assim. Fazer denúncia pela metade serve apenas para tumultuar o ambiente e espalhar suspeitas.

Vejam que o vereador diz que esses achacadores “têm penetração na imprensa” e também “no setor público”. Ou seja, eles estão por aí agindo de modo desonesto nos corredores e gabinetes das instituições – com um engajado braço na imprensa. Afora essa zoada toda, na conversa com Flávio Gomes, Holanda diz coisas relevantes sobre o Pinheiro. Acha até que a Braskem pode fechar.

A prisão de Lula, a Justiça e o “mecanismo”

Por unanimidade, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça confirmou a condenação do ex-presidente Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Pela decisão, fica mantida em terceira instância a sentença aplicada por Sérgio Moro e ratificada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Mas isso não é o mais relevante sobre o julgamento.

A decisão do STJ nesta terça-feira 23 é mais reveladora pelo que não aparece nos autos ou na convicção dos juízes. Explicando: parece que foi tudo combinado. O indício mais forte de acordão entre os doutores foi a redução da pena imposta a Lula – caiu de 12 anos e um mês para 8 anos e dez meses. Três ministros, que formaram a maioria, votaram por esse entendimento, sem divergência.

Lula foi condenado num processo em que provas não existem, mas sobram abusos contra a lei cometidos por Sergio Moro, o homem que atuou como agente duplo, entre o Poder Judiciário e a política partidária. Moro foi ao mesmo tempo julgador do sapo barbudo e cabo eleitoral de Jair Bolsonaro. Deu tudo certo para o capitão e para o juizinho de província que hoje colhe o que plantou.

Falei em coisa combinada. É que o STJ acaba por prestar um imenso favor a outro tribunal, o Supremo. Uma vez a sentença reafirmada agora, isso deixa o STF em situação mais confortável para voltar a analisar o caso sobre prisão após condenação em segunda instância. Embora a Constituição seja de uma clareza radiante e definitiva sobre o tema, adotamos uma excrescência.

Para quem não lembra, numa das decisões mais absurdas em sua história, o STF firmou jurisprudência para validar a prisão após desfecho de qualquer caso em tribunal de segunda instância. E por que o colegiado cuja missão número um é proteger a Constituição cometeu tamanha barbaridade? Porque se rendeu ao populismo de linchadores. A suprema covardia cobra alto preço.

Foi justamente a prisão de Lula, em abril do ano passado, que fez o caso voltar ao STF com força. E aí, acovardados, ministros ficaram com medinho de derrubar aquela excrescência – o que poderia jogar nas costas do tribunal a terrível “acusação” de soltar o bandidão Lula da Silva. O Brasil tá assim: de um lado, juiz com medo de cumprir a lei, e, na outra ponta, juiz que adora rasgar a Constituição

Como a condenação do ex-presidente petista é questão de honra para o mecanismo, o STJ aceitou cumprir a lei só um pouquinho, digamos assim, e reduziu o tamanho da sentença. Com isso, numa abrasileirada interpretação do Direito, nossos julgadores tentam agradar aos dois lados, como se o respeito às regras dependesse de negociações de subsolo. É um espetáculo em tudo escandaloso.

O noticiário informa que, com o julgamento do STJ, Lula pode ir ao regime semiaberto em quatro ou cinco meses. Mas, nesse campo minado, cheio de boçalidade, demagogia e interesses secretos, previsão é algo tão perigoso quanto confiar em Luís Roberto Barroso. Um STF com reputação na lama é tudo o que desejam vagabundos sedentos pelo exercício do poder sem nenhum limite.

Não é por acaso que a milícia bolsonarista e celerados da nova direita, entre outras tribos de mesma inspiração, passam o dia em campanha criminosa contra o STF. Não vamos esquecer a palestra do trombadinha Eduardo Bolsonaro, aquela sobre um cabo e um soldado para fechar o Supremo. O tal projeto de poder desse bando combina com tortura, morte e ditadura. Tudo isso para “salvar” o Brasil!

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