Meu Jesus de Belém e de Nazaré! É nessas horas que a gente é lembrado sobre o fim do mundo – ou pelo menos sobre a imbecilidade na política e o oba-oba no jornalismo. No começo da manhã, o sujeito acessa os portais, clica nos sites e pega atalhos para os links em busca de informações. Quais as notícias que estão em alta na aurora de mais um dia? Da COP-30 à inflação em queda, passamos pelo julgamento dos kids pretos, mas antes pode-se dar um pulinho em operações policiais, “polêmicas” e tragédias. 

Nada disso, porém, bate a audiência do noticiário sobre celebridades mergulhadas em banheiras e piscinas de futilidades. Concorrentes à altura são as babaquices produzidas nas redes sociais por imbecis da política. E lá está o destaque na Folha de S. Paulo: a cabine 12-B substitui a cabine 13 na roda-gigante de Maceió.

Por falar em babaquices, a “reportagem” cita uma declaração do vereador Leonardo Dias, uma dessas figuras que se apaixonam por coisas abjetas como Jair Bolsonaro. O gomalinado cidadão de bem acha que a empresa decidiu por limar o 13 por oposição a Lula e ao PT. O homem não para de comemorar pelas redes sociais.

Como vocês sabem, a prefeitura de Maceió inaugurou essa estrovenga na orla marítima da capital alagoana, a mesma região “nobre” onde fica a “Faixa de Gaza” dos bacanas endinheirados. A tal faixa é o espaço entre as duas barracas mais badaladas do circuito de turismo sexual – disputadas a tapa por estrangeiros descolados.

Como o assunto rendeu nas redes – e como não renderia? –, a prefeitura se apressou em avisar que a nova atração é da iniciativa privada. Sim, mas o prefeito JHC estava lá na inauguração, ao lado da primeira-dama, tratando esse troço como algo de tremenda relevância para o futuro da cidade. É esse o nível de nossa “sustentabilidade”.

O número 13 não existe na roda-gigante maceioense da mesma forma que não existe em andares, plataformas, elevadores e outras construções da arquitetura nacional. É a superstição do povo brasileiro, mas que também está em países do mundo todo. Outra doideira da nossa mente com ligação zero entre a razão e a realidade.

É claro que a empresa, exclusivamente interessada em ganhar dinheiro, emplacou o 12-B para não perder lucro. Afinal, sempre haverá crentes e fanáticos convencidos de que o vento, o sol e a chuva obedecem a entidades do plano sobrenatural. Cadeira vazia, menos grana no bolso. No mais, é vagabundagem política e jornalismo de brincadeira.