Vereadores de Maceió querem obrigar ônibus a terem internet móvel grátis

Ascom SMTT/Arquivo 4c7d6050 9ef4 42b8 9924 69a527b419b1 úmero de passageiros é o mais baixo dos últimos 20 anos

Fazer cortesia com chapéu alheio é uma das coisas mais fáceis do mundo. Em geral, políticos amam isso, mas sem se preocupar com “efeitos colaterais” e apenas motivados por aquela “boa intenção”. 

Sou um defensor ferrenho do fácil acesso à internet em todos os locais. No mundo em que vivemos, tornou-se uma das principais fontes de informação, ainda que tenhamos que enfrentar a chamada “fake news” e um mar de bobagens que também circulam por redes sociais e sites. 

Porém, a internet em si é só um meio. O que fazemos com esse meio é que pode ter uma relevância enorme. Que o país avance em sempre ter um produto de melhor qualidade pelo menor preço, para assim ser mais acessível a todos. 

O problema da legislação da Câmara Municipal de Maceió é que mais uma vez se abre a brecha para, fundamentado em boas intenções, se impor obrigações a um outro setor que, em que pese executar um serviço público, é privado e tem seus gastos. A preocupação dos vereadores deveria ser outra: como garantir um transporte público de melhor qualidade por um menor preço e não impor mais serviços que podem ter impacto, por menor que seja, no custo final. Aí, nada é grátis e sempre alguém paga a conta. 

Vejam: ainda que o impacto desse projeto seja mínimo, estamos permitindo que legisladores obriguem empresas a fornecer este ou aquele serviço, o que impacta em seus planejamentos. A brecha que se abre é perigosa, ainda mais em uma Câmara que já tentou até fazer lei para que empresas disponibilizem ônibus gratuitamente para funerais, já tentou regular estacionamentos de shopping centers e por aí vai...

Não raro, legisladores se travestem de engenheiros-sociais e rogam para si a função de pequenos deuses que acham que podem tudo por meio de projetos de lei. Não digo que isso é feito por maldade. Por vezes, há sim a boa intenção. Creio que aqui é até o caso. 

Não sei o impacto disso, pois a lei foi aprovada na Casa de Mário Guimarães sem que ninguém se preocupasse com este ponto. Seria interessante esclarecer. Agora, a matéria segue para sanção ou veto do chefe do Poder Executivo. 

Concordo com a justificativa da vereadora autora do projeto Silvânia Barbosa (PRB), que o serviço é importante para melhorar acesso, ainda mais em uma capital turística. Indago-me é o papel do poder público em obrigar. Pelo texto, a implantação será gradativa, e até o fim do ano, pelo menos 90% dos coletivos deverão permitir o acesso à internet. A empresa que descumprir a Lei acarretará sofrerá multas. 

O transporte público de Maceió é deficitário e caro. Quem usa sabe bem disso. A prioridade deveria ser outra inicialmente. 
 

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Quando o Estado intervém em tudo, eis a aberração: lei de representação feminina pode deixar candidata fora do pleito

Leis, por mais bem intencionadas que sejam, possuem consequências. Se não forem bem pensadas podem acabar gerando o efeito inverso daquilo a que se pretendem. 

Eis que leio uma matéria aqui no CadaMinuto sobre a Lei Federal de número 9.504/97, que estabelece normas gerais para as eleições e garantir a inclusão de, no mínimo, 30% de candidaturas de outro sexo. 

Conforme a matéria, a pré-candidata alagoana à Câmara Federal, a advogada Maria Tavares, do Novo, pode acabar de fora porque representar 100% da cota feminina do partido a qual é filiada. É um claro caso onde, por conta de normas, o Estado diz quem pode ser candidato ou não. 

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É que o Novo apostará em uma única candidatura que é a dela. Deveria ser direito do partido. Como Maria Tavares é uma liberal com uma visão mais à direita talvez não apareça quem levante essa discussão. Mas ela é uma mulher no pleito, com todo direito de tentar expor o que pensa para a população. Se conseguirá votos ou não é outra história. Aí, depende de vários fatores. 

Mas sua candidatura é legítima. É que a leitura bruta do artigo 10 dessa lei produz um efeito oposto ao pensado pelo legislador no Estado de Alagoas. Isto porque se afirma que cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Mas e se um partido quisesse lançar só mulheres? Nada mais representativo que isso. 

Sou totalmente favorável à participação feminina no pleito. Aliás, acho que participar da política - direta ou indiretamente - é uma ação que deveria ser de todos. Muitos dos males acontecem porque terceirizamos responsabilidades e não cobramos muito depois. Falta uma dose de protagonismo na sociedade que só acorda diante de crises extremas como a que vivenciamos hoje, do ponto de vista moral, da corrupção, da representatividade etc. 

Veja o que Maria Tavares diz: “No meu caso, estou pleiteando disputar uma eleição numa chapa totalmente composta pelo gênero feminino, a qual restará inviabilizada, na hipótese de se adotar como raciocínio interpretativo apenas a letra fria da lei”. 

Tavares se observa diante de uma barreira. 

Outro absurdo que acredito que precisa ser corrigido no futuro é a proibição de candidaturas avulsas. Os que não se sentem representados por partido algum existente deveriam possuir o direito de se fazerem representar. Nada mais democrático. Isso não é demonizar os partidos nem deixar de reconhecer a importância dessas instituições quando desempenham bons trabalhos, mas sim garantir o amplo espectro. 

Afinal, nos últimos anos, apesar de tantas legendas no Brasil, elas praticamente estão dentro de um discurso hegemônico, com sutis diferenças. Um quadro que só passou a mudar de 2014 para cá, com o furor de discussões mais ideológicas. Entendem porque a mente de um “engenheiro-social” nunca vai conseguir planejar tudo perfeito e, por essa razão, não devemos confiar nossas vidas a uma intelectualidade orgânica que se diz apresentar solução para tudo. 

É óbvio que se deve lutar pela participação de mulheres em um pleito eleitoral. Mas, não com o Estado intervindo em tudo e gerando seus efeitos adversos quando menos se espera. Sinceramente, espero que não deem uma leitura tão brutal à lei. Torço para que Maria Tavares participe do pleito e represente mulheres que tenham um discurso mais liberal e alinhado com ela. 

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Marcelo Palmeira: “a parceria com Rui está mantida independente de candidatura”

Lisa Gabriela 9d33eb1d b6b6 4837 9616 81fce3fb9d4c Prefeito em exercício Marcelo Palmeira

O vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP) faz questão de agenda intensa todas as vezes que assume o cargo de prefeito interino de Maceió. São entrevistas e compromissos públicos que se seguem, evidentemente, o com o aval de Rui Palmeira (PSDB). 

Marcelo Palmeira foi o vice que nunca incomodou a gestão. Agora, torce para que Rui Palmeira seja candidato e ele possa assumir o comando do município. Claro: se isto ocorrer, o vice-prefeito fará novas composições políticas e começa a se projetar no cenário não mais como um “vice”, mas com um protagonismo que também visa futuro em algum Legislativo. 

O vice-prefeito sabe da importância da candidatura de Rui Palmeira para ele mesmo e o grupo político do qual faz parte, que inclui o senador Benedito de Lira (PP). Se pensou em uma candidatura a deputado estadual recentemente, caso Rui Palmeira permanecesse na Prefeitura de Maceió, o vice sabe que pode ter perdido o “tempo”, pois precisaria ter trabalhado desde antes as suas bases eleitorais. 

Optou por esperar o tempo do prefeito. 

Agora, torce por uma candidatura do tucano. Para Marcelo Palmeira - e isto ele fala a pessoas próximas e para alguns líderes partidários - a candidatura do tucano é dada como certa ao governo do Estado de Alagoas. Diante dos holofotes da imprensa, o discurso é mais cauteloso: “ainda não há nada definido. Rui Palmeira tem até o dia 7 de abril”. 

Todavia, faz questão de frisar a movimentação dos partidos Democratas, PP, PSDB, PR e PROS para lançar Rui Palmeira candidato o quanto antes. “Eles entendem que Rui é o melhor nome para concorrer ao cargo, mas isso é ele quem vai decidir", colocou em recente reportagem. 

Para Palmeira, nas eleições de 2016, já havia esse clima de uma candidatura de Rui ao governo do Estado de Alagoas. O vice frisa que é o único nome com condições de bater de frente com Renan Filho. 

Mas entre avanços e recuos em sua fala, Marcelo Palmeira diz que apoiará Rui Palmeira naquilo que ele decidir, seja ser candidato ou continuar na prefeitura. O vice diz que a parceria com o tucano está mantida independente de candidatura. 

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Em defesa da liberdade de imprensa sempre. Minha solidariedade à Thayanne Magalhães

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Iria tratar deste tema ontem, mas devido alguns compromissos profissionais que também envolviam o CadaMinuto, não pude escrever. Mas, vamos lá.

Falo da absurda mensagem do senhor prefeito de Capela, Adelmo Calheiros, contra a jornalista Thayanne Magalhães. O “absurdo” aqui não é posto como mero adjetivo, mas como uma palavra que descreve um fato: uma mensagem recebida pela repórter do jornal Tribuna Independente em tom intimidatório, com difamações (ainda que em uma tentativa de forma indireta). 

A jornalista agiu de forma correta ao prestar queixa à Polícia Civil de Alagoas. Agora, que o prefeito se explique. 

Magalhães fez uma reportagem sobre o atraso do ano letivo na rede municipal de Capela, onde expos que uma das escolas estava tomada pelo mato e sem pintura. O gestor municipal não gostou da reportagem? Bem, ele tem todo o direito de rebater as informações ali contidas, de expor o que pensa sobre o texto, mas jamais de intimidar, difamar e mandar mensagens quase que em tom de ameaça a uma jornalista.

A agressão sofrida por Thayanne Magalhães é uma agressão à imprensa livre. E isto independente do que pensa um jornalista, das suas convicções etc. Em nome da manutenção da liberdade de imprensa, não se pode aceitar este tipo de agressão. Magalhães expôs o caso em suas redes sociais e acertou pela segunda vez quando não resumiu à exposição das mensagens. Era preciso a atitude de levar o caso às esferas policiais e judiciais. 

O caso agora terá um delegado designado e espero que tenha o devido desdobramento. Não acredito em um “desequilíbrio emocional” por parte do gestor público. A construção da mensagem demonstra um agir planejado, dentro de uma linha de raciocínio que visa intimidar em função do poder que se ocupa. Não foi uma agressão no calor de uma discussão para que se possa atribuir às emoções. Não há atenuante. 


E a jornalista está correta ao afirmar que mesmo que ela fosse tudo o que foi exposto na mensagem, o prefeito não tinha o direito a fazer aquele ataque daquela forma, pois não era a vida pessoal da profissional que estava em questão, mas sim um fato público em um município pelo qual Adelmo Calheiros é responsável. Ele tinha que esclarecer os fatos. E não para a jornalista, mas para seus munícipes. 

Magalhães ainda deve processar o gestor público por reparação de danos, ameaça e crimes contra honra nas áreas civil e criminal. Se comigo, eu faria o mesmo. Por esta razão, ela conta com a minha total solidariedade. 

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Governador disse que “vai fazer protesto” se hospital prometido não funcionar. Como é?

Foto: Agência Alagoas Dc358e04 cf0a 4d35 90f5 64e5fc499146 HGE

Em seu discurso na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, o governador Renan Filho (PMDB) resolveu responder aos opositores que criticam o fato do governo do Estado prometer novos hospitais, mas não detalhar como se dará o seu funcionamento, já que não se trata apenas da estrutura física e as unidades já existentes enfrentam problemas de abastecimento, dentre outros. 

É bem verdade que os problemas das unidades existentes não podem entrar apenas na conta do atual governo. É histórico. Mas, Renan Filho quando se elegeu sabia dos problemas que enfrentaria. 

O governador pontuou a herança que seu governo recebeu. De certa forma, possui uma dose de razão nisto, pois a Saúde em Alagoas sempre teve problemas graves e a gestão de seu antecessor, Teotonio Vilela Filho (PSDB), também cometeu erros. 

Todavia, a oposição também acerta quando cobra o planejamento do governo do Estado - como já fizeram os deputados estaduais Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PROS) - para o funcionamento das novas unidades. Será em qual modelo? Como se darão as contratações? Como vai entrar esse custo no orçamento da Saúde que é bastante similar ao do ano passado, por exemplo. 

O cobertor é curto. Não se trata de ser contra a construção de novas unidades que desafoguem as já existentes, mas sim de cobrar que estas estejam dentro de um planejamento de médio e longo prazo. 

Em seu discurso, Renan Filho lembrou os feitos na Saúde e atribuiu alguns dos problemas do HGE à baixa cobertura do PSF em Maceió. “70% dos casos que vão ao HGE deveriam ser revolvidos no posto de saúde, mas como não tem  posto de saúde... Como conseguir saúde na capital é muito difícil...”.

Porém, ao falar dos novos hospitais, colocou o seguinte: “Vivemos a era do protesto... Se não tivermos dinheiro para manter o hospital, eu que vou liderar o protesto. Vai ter e vai ter com nossos recursos, cortando na carne, reduzindo dívida... Vamos abrir o Hospital Metropolitano e serão de 2.500 a 3 mil profissionais trabalhando ali”. 

É preciso detalhar essa declaração.

Primeiro: o governador assume mesmo que existe a possibilidade de não haver os recursos para a manutenção e, diante disso, ele ser o primeiro numa linha de protesto contra o próprio governo? É isso! Vai liderar um protesto contra promessas de sua própria gestão em caso extremo delas não se concretizarem?

O governador tem é que mostrar de forma clara que a manutenção desses hospitais estão garantidas e que não há risco deles funcionarem, pois essa é a função do Executivo. É para isso que existe planejamento. 

Segundo: “não basta o vai ter, vai ter” de qualquer jeito. Da forma como o governador coloca fica parecendo que os hospitais serão construídos e depois o Executivo começará a cortar na própria carne para gerar os empregos dos profissionais que ali vão trabalhar. Não está claro na fala do governador como isso será feito. 

Renan Filho, em seu discurso, deu mais uma brecha para a oposição, ainda que em muitos pontos estivesse certo ao falar sobre o diagnóstico da Saúde no Estado de Alagoas. Com declarações como essa, o governador poupa o trabalho da oposição! 

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Renan Filho diz que não observa “candidaturas” em 2018. Acredita quem quer...

Foto: Bruno Levy/CadaMInuto 4ee9ffcd eaec 4358 abe0 54641879b906 Governador Renan Filho

Na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, para a sessão de retomada das atividades da Casa de Tavares Bastos, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), foi sucinto ao dizer que não está preocupado com a “agenda eleitoral” deste ano. 

De acordo com ele, o foco é a “agenda do crescimento e dos esforços no sentido de fazer Alagoas mais forte”. Não duvido de que esta também seja uma preocupação do chefe do Executivo estadual (como tem que ser), mas é uma falácia dizer que não preocupação com eleição dentro do Palácio República dos Palmares. 

Renan Filho - assim como faz o prefeito Rui Palmeira (PSDB) - adota discursos amenos quando está diante dos holofotes da imprensa, mas nos bastidores a corrida eleitoral começou faz tempo e não há como esconder isso. 

Renan Filho investe sim em ampliar a base de sustentação do seu governo pensando também em eleições, ora bolas. Foi assim com a chegada do PDT do deputado federal Ronaldo Lessa à administração. Foi assim nos diálogos que teve pessoalmente com o PROS, mas não conseguiu trazer essa legenda.

Não bastasse isso, quem tem acompanhado os discursos do governador em inaugurações pelo interior do Estado sabe que eleições é um tema presente. Em recente evento, Renan Filho usou do microfone para se dirigir à população - sem intermédio da imprensa - e criticou duramente a oposição, ainda que sem citar nomes, falando que essa só sabe fazer piadas, dançar forró etc. Se não houvesse eleições, como prioridade, na agenda de Renan Filho, tais discursos não existiriam. 

Outro ponto equivocado do discurso de Renan Filho é dizer que a população não está preocupada com eleição. Parte dela está sim, ainda mais em Alagoas onde há setores umbilicalmente ligados com a atividade política. O grupo do PMDB - em especial Renan Filho e o senador Renan Calheiros - trabalham com esses cenários. 

Dentro do Palácio do Planalto, Rui Palmeira é visto como um rival. Assim como é, em sentido inverso, na Prefeitura Municipal de Maceió, onde Renan Filho é o rival, ainda que Rui Palmeira não seja o candidato. 

Quem fizer uma rápida pesquisa no google vai ver a quantidade de vezes em que Prefeitura e Governo do Estado, por meio de órgãos, “bateram cabeça”, “fizeram o jogo do empurra” etc. Indiretas existem de toda parte e para bom entendedor meia-palavra basta. 

Dizer que não há preocupação com eleição é chamar a população de cega diante do que está posto. Agora, é claro, que isso não elimina a responsabilidade do gestor de pensar nas políticas públicas do Estado de Alagoas. 

Então, a fala de Renan Filho, ao dizer que “não está observando candidaturas, nem mesmo a dele, por enquanto...”, não corresponde a realidade cristalina. O pior ainda veio na sequência da fala: “vou pensar na minha candidatura mais à frente, se meu partido compreender que sou o melhor nome”. É uma falsa humildade, pois Renan Filho sabe muito quem é que manda no PMDB em Alagoas, e que só não candidato à reeleição se ele não quiser. Todavia, ele quer e se movimenta para isso. 

A fala do governador é aquele tipo de declaração que é “para inglês ver”. Conta outra, governador...

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Retorno de Humberto Gessinger a Maceió: novas canções que fazem bem a alma!

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Admiro o trabalho do compositor Humberto Gessinger e não escondo isso. É um artista que, em que pese as revisões que fez das próprias canções recentemente, como no caso do clássico A Revolta dos Dândis que foi tocado ao vivo em vários cantos do país, não virou cover de si mesmo. 

Nos últimos anos, Gessinger abandonou a zona de conforto em vários momentos, seja no Pouca Vogal (que esteve na capital alagoana), seja ao abandonar o nome “fantasia” Engenheiros do Hawaii, para produzir um de seus melhores trabalhos em estúdio: o maduro Insular, que reflete bastante sobre a passagem do tempo. Com referências literárias, aliterações, um jeito próprio de escrever, ironias ou abusando de jargões, Gessinger construiu uma carreira sólida que desafia as lições prontas de marketing. 

Se fosse para selecionar os três melhores discos da carreira de Gessinger, Insular estaria na minha lista. 

Foi odiado pela crítica por “assar o pão com o forno fechado” e ter a coragem para, quando uma banda de rock soava heróico e messiânico, zoar com revolucionários de plantão, como em Fé Nenhuma do longínquo Longe Demais das Capitais, ou ironizar com o universo pop do qual faz parte, como em O Papa é Pop. Trouxe discos complexos como o GML e obras diretas como Dançando No Campo Minado. 

Há quem acuse Humberto Gessinger de sempre transitar nas mesmas temáticas. Ele reforça isso nas auto-referências de sua obra. Mas, ao menos para mim, longe de ser uma acusação, isto é uma qualidade de sua honestidade intelectual e artística. Como ele diz em Outras Frequências, “seria mais fácil como todo mundo faz”. 

A obra de Gessinger encontra - vista de trás para frente - justamente o equilíbrio entre as temáticas que de fato importam para o artista e a reinvenção necessária para não sucumbir na zona de conforto aqui já citada. 

Não acho justo que se cobre de Humberto Gessinger que ele seja o mesmo alemão de 20 e poucos anos. O tempo passa e a passagem o tempo é bela. Quem duvida que escute Segura a Onda, DG, presente no Insular. 

O compositor acertadamente sabe disso e parece não se preocupar com os fãs diante do que tem a oferecer. Nessa maturidade que passei a enxergar em suas músicas (pode ser mera impressão minha!), ele também perdeu a pressa de apresentar novidades e passou a tratar suas composições com muito mais carinhos. 

Claro, sinto falta (como fã!) dos álbuns conceituais que Gessinger fazia, onde as faixas se completavam em uma canção só, e as músicas dialogavam entre si na própria ordem em que eram executadas. Porém, entendo essa ausência de pressa nos lançamentos “faixa-a-faixa” que vem fazendo nos últimos anos. 

Alexandria, por exemplo, é um primor. Uma canção que fala diretamente aos nossos tempos, onde - como diria em “Canibal Vegetariano...” do antigo GLM - “todo mundo é/era poeta, todo mundo é/era atleta, tudo mundo é/era tudo”. Agora, todo mundo é tudo e em voz alta diante das opiniões apressadas que desprezam os fatos e queimam “mil bibliotecas de Alexandria por dia” nas redes sociais. 

O grande trunfo de Gessinger, e ao mesmo tempo desafio nesse novo show, será encaixar o lírico e minimalista universo que criou com as novas canções já lançadas. São músicas simples, porém jamais simplórias. São canções que falam diretamente a alma e apesar da calmaria com que são tocadas, possuem seus incômodos nas temáticas que abordam. 

Uma delas - a canção Cadê? - é uma paulada nos tempos pós-modernos, na modernidade líquida, sempre pronta a transbordar sem aceitar uma gota a mais, sempre a espera da cereja do bolo. É o reflexo sobre nosso solo encharcado de tanta coisa, seja pelo bombardeio midiático das novidades da última semana, em que a pressa já não nos permite separar o joio do trigo e saímos consumindo tudo de forma voraz. Gessinger freia, para no centro do museu das novidades, para nos dar um choque de realidade ao indagar onde está nosso espelho, onde se encontra nossa humanidade. 

Pra Caramba fala de promessas vazias diante do tempo e o quanto nos comprometemos com esse tempo de tantos enganos e eternos retornos. O compositor não esquece de indagar o que aprendemos com isso diante dos apegos e desapegos, já que se for para descer ladeira abaixo...todo santo ajuda. Eu diria que todo demônio, mas a brincadeira com o dito popular está muito bem posta. 

Por fim, a mais visceral das canções lançadas é justamente a que aponta para o futuro. Se alguém ainda tinha dúvida que Humberto Gessinger “não veio até aqui para desistir agora”, Das Tripas, Coração responde: “tempos melhores virão, a certeza que eu tenho eu não sei de onde vem, mas vem, sempre vem...a transformação, da água para o vinho, das tripas, coração”.

Por vezes, como Humberto Gessinger coloca, é longo o caminho da água por vinho e passa de fato por guerra e paz, por invernos e verões. E este caminho se dá para o que foi feito e o que ainda se estar por fazer. Afinal, as canções precisam também envelhecer para que as “uvas brindem o vinho” e por isso que na carreira dos Engenheiros e Gessinger, as canções nunca tiveram um registro oficial (apesar dos discos de estúdio), ganhando novos trechos com o passar do tempo, novos formatos, novos sentidos. 

Das Tripas, Coração não deixa de ser uma metalinguagem sobre esse processo mágico da composição. E a calma com que Gessinger vem trabalhando suas novas músicas faz todo o sentido, pois canções que deveriam envelhecer mais como um bom vinho - feito Coração Blindado de Novos Horizontes - acabaram saindo cedo das turnês. Espero que retornem em um futuro em um novo formato. 

Ah, quando disse que seria um desafio encaixar esse universo minimalista no show é por ainda ter na memória a tour dos 30 anos de Revolta dos Dândis. O som pesado distribuído no belo trabalho de cordas de Felipe Rotta, no baixo de Gessinger e na bateria do Rafa deram uma nova vida em canções que soavam urgentes como a versão de “Quem Tem Pressa...”. É um universo contrastante com o que se vê agora, mas que pode dialogar muito bem evidentemente. 

Por sinal, o trabalho de Rotta nas novas canções é um show a parte. 

É, Humberto Gessinger demorou a voltar a Maceió. Porém, espero que esses anos distantes dos palcos alagoanos, faça com que no dia 16 de março tenhamos o melhor do vinho. É que “águas passadas não movem moinhos; águas paradas também não”...

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PF enxerga contradição em delações que apontam propina para Renan Calheiros

306280bb ae1f 4d56 9261 e30eaa732d38 Renan Calheiros

De acordo com a coluna Expresso da Época, a delegada federal Cynthia Fonseca Silveira enxergou pelo menos uma contradição entre delatores no inquérito que apura se houve o pagamento de propina de R$ 2 milhões ao senador Renan Calheiros (MDB/AL). 

A contradição está nos depoimentos do doleiro Alberto Yousseff e de Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará. A propina teria sido paga para barrar investigações no Congresso Nacional sobre irregularidades na Petrobras. 

De acordo com a investigação, o valor teria sido entregue em 2013 e 2014, em Curitiba e Maceió. Carlos Alexandre afirma que entrou o dinheiro a um “homem elegante”, mas não cita nome, e que teria ouvido de Youssef que a quantia era destinada a Calheiros. 

Yousseff nega que fez referência ao senador do MDB, mas confirma a presença de Ceará nas duas cidades para levar os valores a pedido da construtora OAS. Diante disso, a Polícia Federal pediu relatórios das estações de rádio-base, que fazem conexões entre celulares e companhas telefônicas, para saber o posicionamento dos celulares de Youssef e Ceará. 

Léo Pinheiro - ex-presidente da OAS - deve ser ouvido no inquérito. Por esta razão, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias. 

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Teotonio Vilela fora do jogo: não é uma novidade para o grupo de Rui Palmeira

Cada Minuto/Arquivo 355a9bd7 ca48 484f acb3 b8942fd50e94 Teotônio Vilela Filho

O fato do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) não participar diretamente do processo eleitoral de 2018 não é uma novidade para o grupo político do prefeito Rui Palmeira (PSDB), muito menos é um acordo com o senador Renan Calheiros (PMDB), do grupo da oposição. 

Era uma situação com a qual o grupo de oposição já contava. 

Ainda que seja menos um nome para Calheiros se preocupar, dentro do grupo do qual o PSDB faz parte já era uma possibilidade, portanto. Tanto é assim que os aliados do prefeito Rui Palmeira, como PP, Democratas, PR e PROS, já contavam com essa possibilidade ao pensar em montar a chapa. 

A saída de Vilela do jogo eleitoral (que foi confirmada por ele mesmo em um comunicado a Rui Palmeira e à imprensa) abre espaço para que outras possibilidades surjam. O ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR), pode ser um dos nomes a disputar o Senado Federal. O senador Benedito de Lira (PP) quer a reeleição. O grupo de Rui Palmeira ainda tenta, por exemplo, atrair o ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB). 

E nos bastidores, sempre houve quem falasse da possibilidade do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) se lançar nessa disputa. 

Outro detalhe: mesmo com Vilela fora do páreo, Renan Calheiros - que é candidato à reeleição pelo grupo da situação - ainda terá uma das eleições mais difíceis de sua vida. São muitos pretensos candidatos, incluindo a possibilidade do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça se lançar ao cargo pelo PSL. 

Calheiros sempre soube trabalhar no “tapetão” limpando o xadrez para uma candidatura mais confortável. Fez isso em 2010. Agora terá maior dificuldade para fazer. 

A saída de Vilela ajuda Calheiros? Sim. Há uma dobradinha natural em muitos locais do Estado, mesmo quando os dois estão em grupos políticos separados. São lideranças políticas que acabam apoiando ambos. O peemedebista pode aproveitar o vácuo. 

Porém, também abre espaço para outros nomes que podem surgir como uma oposição mais ferrenha a Renan Calheiros, coisa que Vilela jamais faria pelos laços de amizade que possui com o peemedebista. 

São várias as especulações sobre o que pode ter levado Vilela a desistir. Nos bastidores se comenta desde questões como custos de campanha, já que o grupo que acompanha Vilela, é o mesmo que acompanha o deputado federal Pedro Vilela (PSDB) e este tem uma disputa pelo mandato de deputado federal; às questões familiares. 

O fato é que Vilela deixa a disputa estando bem colocado nas pesquisas. Natural que isso gere questionamentos. Em nota à imprensa, o ex-governador não responde a estas especulações. Limita-se a dizer que “estará firme no apoio à candidatura de Rui Palmeira ao governo do Estado de Alagoas”, mesmo sem o prefeito de Maceió ter decidido se será candidato ou não. 

No mais, Vilela coloca: “agradeço imensamente à população da minha Alagoas que me coloca bem situado nas pesquisas de opinião pública como candidato a Senador, assim como todas as manifestações de apoio que tenho recebido de lideranças políticas, nacionais e locais do PSDB e partidos aliados. A todos, muito obrigado. Depois de três mandatos de senador, dois de governador e por várias vezes presidente nacional e estadual do PSDB, continuarei a contribuir com o meu estado como cidadão. Que Deus abençoe a todos nós”.

Vilela poderia externar os motivos. Afinal, seria uma satisfação ao seu eleitor. 
 

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Alfredo Gaspar rebate Veja por insinuar ligação dele com Renan Calheiros

Arquivo: Cada Minuto 75e0f66e 36a5 4f15 a813 d51b163593db Alfredo Gaspar é pré-candidato ao Senado

O procurador-geral de Justiça de Alagoas Alfredo Gaspar de Mendonça - que vem sendo contado como possível candidato ao Senado Federal nas eleições deste ano - divulgou uma nota rebatendo a coluna Radar da Revista Veja. 

A coluna aponta Alfredo Gaspar como um dos rivais do senador Renan Calheiros (MDB) no pleito eleitoral. Todavia, classifica o procurador-geral como “cria” do senador Renan Calheiros, em função de ter assumido o cargo de secretário de Segurança Pública no governo de Renan Filho (MDB). 

Alfredo Gaspar de Mendonça não gostou da insinuação. “Eu tenho uma história de vida pessoal e profissional pautada no respeito ao próximo, tendo dedicado grande parte dos meus anos ao Ministério Público Estadual de Alagoas, mais precisamente a partir de 1996. É nessa instituição que, desde meu ingresso por concurso público (...) tenho atuado incansavelmente no combate à corrupção e ao crime organizado” 

Gaspar rememora ações das quais participou para mostrar que não tem qualquer ligação com o senador do MDB. E frisa que sempre agiu com “independência e sem subserviência a quem quer que seja”. 

“Em janeiro de 2015, assumi a Secretaria Estadual de Segurança Pública, onde, durante 1 ano e três meses, com a equipe formada sem ingerência política, coordenei um trabalho de integração das forças de segurança que resultou na retirada de Alagoas do título desonroso de estado mais violento do Brasil, culminando na maior redução de homicídios proporcional do país, reconhecida pela publicação Atlas da Violência e pelo Ministério da Justiça”, complementa. 

De acordo com o procurador-geral, ele não é adepto de qualquer corrente partidária e assumiu a pasta de Segurança. Pública na atual gestão por “questões técnicas”. “O tempo que permaneci à frente da Secretaria não foi suficiente para firmar laços estreitos com a família Calheiros, diferente do que é afirmado em texto desta coluna. Porém, ressalto o meu respeito a ela, da mesma forma que respeito as demais famílias alagoanas. Por isso não posso aceitar ter sido adjetivado como “cria” e ‘traidor’, já que, enquanto secretário, trabalhei com lealdade àquela gestão e ao povo do meu estado. Com meus pais, aprendi as lições de hombridade e seriedade e, deles, sim, orgulho-me de ser cria”. 

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