Thaise Guedes foi indiciada, mas são 12 deputados estaduais na mira da PF

Foto: Assessoria/Arquivo 0e5e8f39 7bab 4882 8abc f2c2d3e8d4b8 Deputada Thaise Guedes

Que beleza: pelo menos 13 deputados estaduais - um deles já indiciados e com nome divulgado: Thaise Guedes (PMDB) - são suspeitos de participação em um esquema que resultou no desvio de dinheiro da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas entre os anos de 2010 e 2013! Claro, os parlamentares merecem todo o direito a se defenderem. 

É o que está posto em uma matéria do CadaMinuto e tenho alguns comentários. 

Logo, diante dessa notícia preciso tocar em alguns pontos:

De acordo com a superintendência da Polícia Federal de Alagoas, Guedes pode ser responsabilizada pelo desvio de R$ 220 mil pagos a “servidores fantasmas”. Mais uma vez o termo “fantasmas” e “Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas” aparecem no mesmo contexto de denúncia. 

Já apareceram quando tivemos a “lista de ouro” que foi denunciada pelo deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), que na época era parlamentar estadual; e em um passado mais distante: a Operação Taturana, quando se tinha a Folha 108. Por isso, em vários momentos, ao comentar sobre a recém auditoria feita na folha da Casa de Tavares Bastos afirmei que era importante auditar os comissionados também. 

Um outro ponto é que - em diversos textos no passado - chamei atenção para a importância dos deputados estaduais publicarem em Diário Oficial (e a Casa poderia ter feito isso), os comissionados por gabinetes. Apenas os parlamentares Galba Novaes (PMDB), Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PSDB) fizeram isso. 

E eis que agora, a Polícia Federal constata que uma das servidores lotadas no gabinete de Thaise Guedes teria recebido R$ 140 mil de salário em três meses. Exatamente isso: R$ 40 mil em três meses. Assusta o fato da Polícia Federal colocar - e isto precisa de destaque - que não é um caso único, pois há 12 outros deputados estaduais que estão na mira. Que as investigações sejam céleres para que tenhamos rapidamente conhecimento de quem são os demais deputados estaduais. 

Guedes vai responder pelo crime de peculato e há suspeitas até de uso do programa Bolsa Família. 

Se você acha que não tem ligações entre esses pontos, é só observar que os fantasmas dessa Casa Assombrada que virou o Legislativo sempre estiveram em xeque nas mais recentes investigações envolvendo o parlamento estadual, mas nunca se teve a preocupação necessária - por parte de todas as Mesas Diretoras - de sanar a questão. No máximo, o parlamento responde com uma auditoria na folha dos ativos, que possuía sim problemas, como vimos. No entanto, nunca foi a grande preocupação. 

A lista de ouro, a Folha 108, o pagamento de mimos e outros pontos denunciados pela Operação Taturana e outras investigações nunca tiveram como foco os efetivos, apesar de problemas ali também existirem e alguns por questões administrativas e por ausência de transparência. O problema mais grave - nesse caso - é a suspeita de enxerto na folha de pagamento. 

Muito longe da “arte” que sempre foi posta em investigação: a possibilidade do escoamento de dinheiro fácil de dentro dos gabinetes. Mais uma vez essa questão aparece, que agora tenha início, meio e fim. Quem for inocente, seja inocentado. Quem for podre, que se quebre. 

Que toda a carga não seja sobre Thaise Guedes quando se fala na possibilidade de mais gente envolvida...e claro, se ela tiver culpa no cartório, que pague, mas que tenha o direito à defesa. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Uma vitória de Bene Barbosa que representa a vitória do debate sério!

Foto: Divulgação/Arquivo 857141f5 e611 4077 a2f6 98274420e2be Bene Barbosa

Sou um amigo do escritor e especialista em segurança pública, o bacharel em Direito, Bene Barbosa. É uma amizade que muito me honra e não escondo isso de ninguém, mas não é por isso que faço esse texto. 

Em que pese eu e Barbosa termos bandeiras em comuns (entre elas a defesa do cidadão ter o direito ao acesso às armas de fogo dentro de uma legislação de critérios objetivos) na recente decisão jurídica, diante de um processo injusto que Bene Barbosa enfrentou, há mais que simplesmente a vitória de quem defendeu a sua visão, há - sobretudo - a reafirmação da garantia da liberdade de expressão em um país onde alguns tentam sufocar um lado de um debate simplesmente por não gostarem de vozes discordantes ou a repercussão que surgiu após serem expostos.

“Habemus democracia” 

Os que querem impor uma hegemonia com base em slogans fáceis e maniqueísmos estão com os dias contados nesse país, pois sempre acabam por pegar pela frente pessoas que não os temem, que não mais se amedrontam diante de xingamentos terminados em “istas”; e outras estratégias de assassinato de reputações ou meras exposições ideológicas dos velhos chavões já conhecidos. Não ganham mais às ruas no grito, apesar de ainda dominarem muitos “meios-culturais”.

A vitória de Bene Barbosa, no processo judicial que aqui falarei, é a vitória do indivíduo, do cidadão, daquele que briga pelas próprias liberdades contra um Estado excessivamente coercitivo dominado pelo pensamento dos “engenheiros-sociais” que querem tratar o povo como se uma babá fosse, com os projetos de gabinete para dizer como você deve pensar, o que deve fazer e o que deve escolher. 

Do outro lado não estava o Estado, mas alguém que pensa em conformidade com essa “engenharia-social”, pelo menos no quesito “uso das armas de fogo”. 

É que faz parte dessa “engenharia-social” o desarmamento civil, que simplesmente retira o direito do cidadão que quer cumprir a lei para ter acesso às armas de fogo, mas é ineficiente em desarmar bandidos (pois esses já não cumprem lei mesmo, por mais surpreendente que seja afirmar o óbvio é preciso ser dito) e, ao mesmo tempo, delega ao Estado o monopólio das armas de fogo. 

O perigo do monopólio nas mãos de um Estado já vimos na História e há outros textos - meus e do próprio Bene Barbosa - em que mostra como isso é “porta aberta” para o totalitarismo. 

Todavia, quando os engenheiros-sociais são confrontados com dados, com argumentos sólidos que apontam para o outro lado de uma discussão, surgem as intimidações. Desde a tentativa de transformar o oponente em um “espantalho” a colar nele a imagem de “fascista” (que não faz o menor sentido, já que defendemos menos Estado), até qualquer mínima brecha para se sentir “ofendidinho” e assim processar o outro na busca por calá-lo, diante do que é uma divergência permitida na democracia. São os tolerantes que não gostam de serem confrontados! Quanta tolerância, não é mesmo?

Por este pequeno resumo, digo sem medo de errar: a vitória de Bene Barbosa é uma lição para que não nos intimidemos na defesa de nossas liberdades individuais. 

Vamos a fato: 

Em 2015, Bene Barbosa participou de um debate, como defensor do armamento civil no Brasil, no evento IV Saiba Direito: Desarmamento em Debate, que foi registrado em vídeo. 

O evento, extremamente democrático, propiciou os dois lados da discussão. Ambos, Bene Barbosa e o outro debatedor que defendia o desarmamento, Luciano do Nascimento Silva, tiveram igual tempo de fala. Como natural de um debate, houve ironias de parte a parte, provocações de parte a parte, enfim…tudo aquilo que faz parte de um confronto de ideias.

Mas, Luciano do Nascimento Silva - ainda que em alguns momentos tenha até tentado “colar” em Bene Barbosa coisas que Bene Barbosa não disse - foi quem se sentiu ofendido e resolveu entrar na Justiça. Bem, recorrer à Justiça é até direito dele. No entanto, se há juízes em Berlim, há juízes aqui. 

E a decisão foi o óbvio, ao reclamar de seu direito de imagem, Luciano do Nascimento Silva ouviu o seguinte da Justiça: “verifica-se que não se trata de uma publicação inverídica ou caluniosa, uma vez que o requerente não as afasta por completo, ou seja, não nega o que foi dito ali descrito naquele momento. Logo, o que se percebe no caso concreto é que se tratam de meros aborrecimentos decorrentes de posicionamento e ideologias opostos”. Sem mais! 

Uma sentença que mostra que ainda é possível discordar das visões estatistas nesse país. Que ainda é possível - em um debate - defender maior liberdade individual e propagar essa ideia, ainda que cause “meros aborrecimentos” em quem causar. 

Essa decisão não é apenas sobre Bene Barbosa, mas sobre verdadeiramente o que é liberdade de pensamento, liberdade de expressão, confronto de ideias, o bom combate a ser travado e expõe até onde vai a tolerância dos que se titulam os tolerantes e cheios de amor a dar. 

Processar alguém por se expor em um debate no qual se esteve por livre e espontânea vontade, mas apenas não se ouviu o que queria ou não se teve a repercussão imaginada…é verdadeiramente uma piada! 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Marx Beltrão evita rota de colisão com Renan Calheiros em declarações

Foto: Ascom 4cd25b71 499e 446c 9d1c a4b24420ea9f Foto: Marx Beltrão

O ministro do Turismo, Marx Beltrão (PMDB) não esconde o desejo de ser candidato ao Senado Federal em 2018. Dentro do partido, Beltrão disputará a vaga - caso se consolide como candidato - ao lado do senador Renan Calheiros (PMDB). 

Renan - por sinal - é a prioridade do PMDB. Ele e o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), que buscará a reeleição. Então, Beltrão terá que correr por fora na busca de ser candidato. O ministro tem feito isso, inclusive no diálogo com lideranças políticas que são oposição aos Calheiros em Alagoas. 

A candidatura de Marx Beltrão dentro do PMDB é vista como incômodo; como um “fogo amigo”. Mas a legenda já se comprometeu a garantir espaços para Beltrão temendo que ele mudasse de partido. É que o ministro tem forte influência e poder de comando sobre outros partidos em Alagoas. 

Então, acaba sendo melhor para o PMDB aceitar Marx Beltrão…pelo menos até aqui! 

Outro ponto é que Marx Beltrão é o peemedebista alagoano de maior posição contrária ao senador Renan Calheiros. Se de um lado, Renan Calheiros é um ferrenho opositor do presidente Michel Temer (PMDB); Beltrão - por fazer parte do governo - é um apoiador do chefe da República. Isto pode ter implicações em 2018. 

Mas, em Alagoas, o ministro optou pela cautela na hora de defender Temer das acusações de Renan Calheiros e evitou bater de frente com o peemedebista-mor da Terra dos Marechais.  

Indagado sobre as posições do senador alagoano em relação ao presidente da República, Marx optou por ser enfático: “cada um é responsável por aquilo que diz”. 

Muitas vezes, há também a responsabilidade da estratégia naquilo que não se diz e busca minimizar. Beltrão - desde o início do ano - tem mostrado que sabe muito bem jogar o xadrez e que será um forte candidato no pleito. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Se hoje o Congresso é a 25 de março, qual comparação para quando Renan ajudou a rasgar a Constituição?

Foto: Reprodução / Facebook 006b9fd4 56ec 42c5 805f e2f771633f53 Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (PMDB) acusou o presidente da República, Michel Temer (PMDB) de usar do “toma lá da cá”, na discussão da portaria do Ministério do Trabalho que modifica as regras para fiscalização do trabalho escravo. De acordo com Calheiros, houve uma contrapartida do presidente em troca do voto da bancada ruralista. 

Todas as vezes em que o nosso presidencialismo de coalização é acusado de barganhas com o Congresso Nacional em favor dos interesses do Executivo, por forca do que já vi na História, eu tendo a acreditar e a desconfiar de todos. 

É bem possível que Renan Calheiros tenha razão. 

Todavia, o engraçado é o experiente senador Renan Calheiros - com seus inúmeros tentáculos em Brasília e mestre do xadrez político - achar que isso é novidade. 

Em um país de mensalões e petrolões, o “toma lá, da cá” que faz do Congresso Nacional uma feira de cargos ao ar livre não é novidade. Eis uma das razões pelas quais defendo o parlamentarismo. Não porque seja perfeito, já que nenhum sistema político é perfeito, mas daria - a meu ver - mais cara de República à República das Bananas. 

Naquela época, entretanto, quando os governos eram petistas não se viu a comparação tão forte de Renan Calheiros, chamando o Congresso de “Rua 25 de Março”, numa referência ao comércio popular de São Paulo. Por sinal, a maioria dos trabalhadores honestos daquela região não merecia tal comparação. São pequenos empreendedores - em sua grande maioria - que buscam o seu sustento sem depender de favores estatais. Muito pelo contrário, já que os que andam na linha encontram todas as dificuldades do mundo para empreender. 

Chamar o Congresso atual de Rua 25 de Março é uma agressão à Rua 25 de Março. Vale a hashtag- em tempos de internet - #SomosTodos25deMarço. 

Mas se hoje, temos negociações que merecem ser adjetivadas por Renan Calheiros, como chamaríamos o recente processo de impeachment em que uma negociação, envolvendo Renan Calheiros (que era o presidente do Senado na época), brindou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) com seus direitos políticos após perder o mandato? Ali, a Constituição Federal foi desmembrada. Não houve negociação? Foi puro convencimento?

A política nesse país não é para os fracos! 

Renan Calheiros está coberto de razão quando diz que por conta de negociatas “a sociedade brasileira, a cada dia, perde o respeito pelo Legislativo”. Eis aí uma das razões pela qual a Operação Lava Jato tem tanto apoio popular, pois são momentos que se repetem na história recente independente do presidente no poder e com foco na manutenção de um estamento, o que muda são aliados e opositores, mas nunca discursos. São sempre os mesmos 50 tons de cinza. 

Acerta Renan quando fala que isso passa pelo troca-troca de membros dos partidos na Comissão de Constituição e Justiça, ou nas negociações pela liberação de emendas e por aí vai. Só esquece Renan Calheiros que a fórmula é antiga. Não foi inventada por Michel Temer e chegou a ser institucionalizada pelos ex-presidentes Lula e Dilma; ou ninguém lembra das construções de alianças do lulopetismo?

Ah, Renan Calheiros também tem razão quando diz, mesmo após a comparação, que o Brasil não é a 25 de Março. Tem razão! Antes o Brasil fosse uma 25 de Março em que as negociações ocorrem a luz do dia, as pessoas pagam pelo que veem e levam o que compram, não há politicagem alguma nem vantagens e desvantagens numa democracia em que o poder emana do povo, mas contra ele será exercido. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Flimar vai homenagear Tavares Bastos! Excelente notícia!

Ilustração E6ece223 b5d9 4e3c 873c 32a0b5df3a9e Tavares Bastos

Acabo de ler um release sobre a 8ª Edição da Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar 2017). Acompanho o evento desde edições passadas e acho importantíssimo - mesmo quando discordo aqui e ali de algum palestrante - que festivais assim ocorram em Alagoas, sobretudo no interior do Estado. 

Todavia, esse ano, fiquei bem mais emocionado com o anúncio que nos demais. Motivo: saber que Aureliano Cândido Tavares Bastos será homenageado. Já fiz diversos textos sobre Tavares Bastos e, quem me acompanha, sabe que não é segredo que sou fã desse autor. 

Um dos textos, inclusive, foi elogiando a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas pela reedição da obra A Província. Um livro fundamental aos dias atuais, que discute o descentralismo e o federalismo da União e aponta os caminhos do desenvolvimento. Respeitando o contexto histórico em que Tavares Bastos escreveu, o livro traz lições importantíssimas. 

A visão liberal de Tavares Bastos era madura, mesmo ele sendo tão jovem. Não se trata apenas de A Província, mas também de Cartas do Solitário, dentre outros escritos que, infelizmente, sumiram das prateleiras das livrarias. Que a homenagem promovida pela Flimar sirva para que os agentes culturais desse Estado encampem um projeto de reedição de seus livros. Sirva para que suas ideias circulem nas escolas. Por sinal, seria uma ótima que o Fale, Educação promovesse uma palestra na rede estadual sobre Tavares Bastos. 

Precisamos resgatar Tavares Bastos. Não é justo que ele seja lembrado apenas como aquele que dá nome a Casa de Tavares Bastos. A escola da Prefeitura de Marechal Deodoro merece aplausos, bem como os patrocinadores que compraram a ideia.  

A outra homenagem é a Nelson da Rabeca e também é justíssima. Não quero dar a impressão que não notei isso. Claro que notei. Apenas me detenho a Tavares Bastos por acreditar que Alagoas foi injusta com um dos mais brilhantes intelectuais de nosso tempo. Não digo apenas mais brilhante de Alagoas, não digo apenas mais brilhante do Brasil, digo do mundo! Sem exagero. 

A obra de Tavares Bastos pode ser colocada em pé de igualdade com os textos políticos de Thomas Paine e Edmund Burke, por exemplo, apesar das temáticas e objetos de estudo diferenciadas. Mas como os dois, Bastos tem um quê visionário capaz de enxergar o mundo adiante, dando conselhos para gerações futuras e dominando a Língua pátria de forma exemplar. Sou grato a meu pai que me apresentou a obra de Bastos e desde então, nunca larguei e passei a ler e reler em diversos momentos. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

As declarações de Carimbão também cairiam como luva no governo anterior

Agência Câmara/Arquivo Cce96772 be1a 469c a3af edb410ba3cfd Deputado Givaldo Carimbão

Precisamos falar sobre o deputado federal Givaldo Carimbão (PHS) e suas mais recentes declarações. O parlamentar tem todo o direito de querer ver o presidente Michel Temer (PMDB) investigado  pelas denúncias que foram feitas contra ele. Eu também gostaria. 

Há tempos que digo nesse blog que Temer é parte do estamento que tomou conta da República e em que pese achar que acertou em alguns momentos, como na PEC do Teto dos Gastos, não vejo tais acertos como “salvo-conduto”. O PMDB sempre foi parte do problema. Nunca a solução. 

Porém, o deputado federal Carimbão pegou a via do discurso demagógico e fácil que, dentre as muitas funções, tem uma deplorável: “jogar para galera”. 

Ao falar sobre as razões pelas quais votaria a favor da investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB), Carimbão “lacrou” afirmando que “deixar Temer no poder é exterminar os pobres”. 

Onde Carimbão estava nos últimos anos do governo de Dilma Rousseff (PT) nesse país? Por acaso não mais se lembra da escalada da inflação, do desemprego crescente, da falta de perspectiva na economia dentre outra série de fatores que prejudicava justamente o mais pobre, em função das mentidas erradas do governo? O corte no Fies em plena Pátria Educadora? Outros investimentos sociais também sofreram. Lembram? 

Carimbão ainda não entendeu que nesse estamento montado - do qual o PMDB faz e fez parte - “todo poder emana do povo, mas contra ele será exercido”, tratando a coisa pública como se privada fosse, aparelhando estatais, tornando o Estado cada vez mais gigante com apadrinhamentos políticos incompetentes que colocam em risco a estabilidade do país. Solução pra isso: uma delas é menos Estado e mais liberdade econômica. Já aí seriam menos padrinhos e menos apadrinhados.

Isto sem contar com o discurso relativista que aprofundou a miséria moral e intelectual que hoje vivemos, onde tudo é uma luta do “nós contra eles”. Eu não tenho o mínimo apreço pelo presidente Michel Temer, mas na recente democracia nada se compara a era de saúvas do lulopetismo. Bilhões que escorreram pelo ralo por meio de mensalão, petrolão, esquemas com aliados e distribuição farta de cargos em um verdadeiro estilo soviete. 

Mas, Carimbão vai além e diz que para esse governo só servem empresários que financiam para eles e para a patota deles. É mesmo, Carimbão? Qual governo que alimentou o clube das empreiteiras e permitiu roubar ao tempo em que roubava? Qual governo fez a política dos “campeões nacionais”, promovendo um “capitalismo de compadrios” com Eike Batista, Bumlai, Odebrecht, e outros, incluindo aí os nefastos irmãos da JBS e os empréstimos no BNDES (Por sinal, o BNDES merecia um capítulo a parte). Qual governo foi para os bancos um verdadeiro paraíso? Os números estão bem postos. 

Se há tais pecados venais na administração de Michel Temer, com o presidente recebendo corruptos na surdina, anteriormente não era diferente. Muito pelo contrário. No governo que o senhor Carimbão quis manter no poder havia tudo isso e muito mais, incluindo uma ideologia nefasta e secular que vai de encontro a fé pública que o deputado do PHS professa. Porém, Carimbão já deve ter abraçado a Teologia da Libertação com tal força que hoje seja um marxista-leninista-católico, ou tenha sido só alguém útil em determinados momentos sem observar nada disso.

Carimbão poderia ter externado motivos de sobra para votar favorável às investigações a Temer. Se deputado federal eu fosse (graças a Deus não sou!), também votaria para que Temer fosse investigado, mas para ver esse estamento esfacelado de vez, pois não confio no PMDB, muito menos em Temer. Há quem não concorde comigo. Paciência. Eu discordo de Carimbão e digo o porquê. 

O parlamentar ainda diz não vender a própria consciência. Que bom e que assim seja. Espero que não esteja em jogo também seus valores católicos e repense que apoiou um governo que apoiava o aborto, ditaduras como a da Venezuela, a ideologia de gênero, pautas que não casam com quem tem uma visão apoiada na transcendência e nas crenças do catolicismo. É contraditório! 

Para Carimbão, há quem queira salvar Temer por um jogo de cargos. Eu não duvido disso. Creio até que o parlamentar tem razão. Mas, essa negociação, no presidencialismo brasileiro, sempre existiu para formar as coalizações. Por vezes, governabilidade no Brasil vira sinônimo de prostituição e não é de hoje. Basta pesquisar pelas ações do ex-presidente Lula (PT) nas vésperas do impeachment ou o “toma lá da cá” do mensalão. 

Ao mesmo tempo, é válido lembrar que as composições políticas que envolve cargos não são todas ilegítimas. Assim o fosse, Carimbão poderia ser questionado pela Secretaria de Prevenção à Violência no governo de Renan Filho (PMDB), não é mesmo? É que existem também composições em torno de projeto e para firmar aliados de maneira legítima. Sempre vai existir isso no jogo político. 

Se há quem aceita cargo para roubar, que surjam os nomes. Dizer que nesse atual governo “quando se discute cargo é para dizer o seguinte: ali você tem um manto para roubar…Essa é a grande verdade” é acusar de forma genérica e colocar todo mundo sob suspeita em função dos cargos que ocupa. Além disso, será que essa mesma frase de Carimbão não faria sentido no antigo governo que ele quis que permanecesse? 

As acusações genéricas são terríveis. Tanto é assim que o próprio Carimbão se colocou como exceção, ao falar que indiciou cargos, mas não nada que desabone em sua conduta. Carimbão ainda diz que o atual “queria tomar o poder e montar uma quadrilha”. É isto que o Ministério Público Federal afirma do governo passado, vejam só! Talvez a suspeição permaneça em função de ser o mesmo estamento. 

Em resumo, se as falas de Carimbão fossem sobre o governo passado, elas também se encaixariam perfeitamente. A diferença é que lá, ele era um aliado. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Rui aceita convite de Vilela para comandar PSDB, mas evita falar em candidatura

Foto: Secom 035495d4 d431 441a 82e3 6c4fb483a705 Rui Palmeira

Em entrevista à Tribuna Independente (em boa matéria do jornalista Carlos Amaral), o prefeito Rui Palmeira (PSDB) comenta sobre a conversa que teve com o ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), no dia 13 de outubro. 

No diálogo, Vilela comunicou a Rui que passaria o bastão do PSDB - no próximo dia 11 - para o prefeito de Maceió. Logo, Rui Palmeira quem comandará os destinos da legenda em 2018. Com isso, martelo batido: o prefeito não deixará o “ninho tucano”, como já se especulava. 

Vilela também hipotecou apoio a Rui Palmeira em uma eventual disputa pelo governo do Estado de Alagoas. Mas quem espera que o prefeito saia da “zona de cautela” assumindo a posição de pré-candidato, não viu isso agora. 

Ainda que essa seja a intenção, ao assumir o comando da legenda tucana, Palmeira se mantém com o mesmo discurso, tentando ficar longe dos holofotes da imprensa quando o assunto é eleição, ainda que muito discuta isso nos bastidores. 

Rui Palmeira diz que seu compromisso é “fortalecer o PSDB e os aliados para o ano de 2018”. “A gente vai para essa missão sabendo que precisamos reforçar ainda mais o partido, e não só o PSDB, mas os que hoje estão conosco: PP, PROS, Democratas e PR”, frisa. Como já era de se esperar, já não conta mais com o PDT do deputado federal Ronaldo Lessa, que migou para o lado do governador Renan Filho (PMDB). 

O prefeito diz que a aliança terá nomes fortes para disputar governo e Senado. Todavia esquiva de confirmar que um dos nomes será o seu. Afirma que só decide sobre o assunto no início de 2018. 

Colocou ainda o seu grupo político como antagônico ao dos Calheiros e aproveitou - diante da saída do PDT - para confirmar que Daniel Melo permanecerá como secretário de Esportes, Lazer e Juventude por ser uma “escolha pessoal”. A questão é que Melo permanecerá no PDT de Lessa. 

Estou no twitter: @lulavilar
 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Nonô também parte para a pressão: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não, muda”

Arquivo/Divulgação Ee1532cc 339e 4645 8faa 8306b4d0f558 Thomaz Nonô

A oposição (grupo de apoio do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) começa a endurecer o discurso em relação às eleições de 2018. Duas frentes: 1) pressão sobre Rui Palmeira para que ele adiante seus passos e assuma a possibilidade da disputa já como um pré-candidato; 2) as críticas ao governador Renan Filho (PMDB) e ao senador Renan Calheiros (PMDB). 

Isto não quer dizer que a situação também não faça o mesmo jogo em sentido inverso. Faz e há muito tempo. Em recente evento, Renan Filho endureceu o discurso nas críticas ao ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), ao comparar as duas gestões: a de agora com a do passado. 

Nesse tabuleiro de xadrez, o secretário municipal de Saúde e “comandante” do Democratas, José Thomaz Nonô não quer ficar de fora. Nonô estrutura uma candidatura no pleito e mira na disputa pelo Senado Federal. Aos mais próximos, tem dito que será candidato a aquilo que Rui Palmeira não for. Logo, há ainda a possibilidade de tentar disputar o Executivo estadual. 

Nas redes sociais, Nonô postou de forma enfática: “Quem estiver satisfeito com os Calheiros, mantém o governador. Quem não estiver, muda. Eu me inclino aos que querem mudar”. 

O secretário municipal diz que gostaria de ver uma eleição para o governo do Estado entre Renan Filho e Rui Palmeira. “São políticos da mesma geração, tiveram a vivência na Câmara Federal quando foram deputados, são absolutamente opostos na maneira de fazer política e de conduzir pessoal. Então, é uma bela oferta ao eleitorado alagoano”. Opinião de Nonô. 

Não vejo os grupos postos - apesar de opositores - como tão distantes quando se vai às raízes da política alagoana. Todavia, a tendência é polarizar conforme o calendário para as eleições se encurta. 

Já o “cabeça” do grupo - o prefeito de Maceió, Rui Palmeira - permanece em silêncio e com cautela. Palmeira não comentou, por exemplo, a decisão de Teotonio Vilela Filho de passar o bastão do comando do PSDB para ele. A decisão de Vilela gerou burburinhos na própria oposição e houve até uma manifestação pública (já exposta nesse blog) do deputado federal Arthur Lira (PP). 

Lira falou usando o pronome “nós”, o que dá a entender que externa o sentimento de um grupo. Se é assim ou não, aí é outra história. 

Coincidência a fala de Nonô nesse momento? Não acredito em coincidências assim na política alagoana. 

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Arthur Lira ataca Vilela: “Mais um capítulo do acordo branco com Renan Calheiros”

Foto: Assessoria/Arquivo 5462fcf9 3c36 4d32 93bd d228e21750a1 Deputado Arthur Lira

Como disse em portagem anterior, as falas do ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) negando acordo com o senador Renan Calheiros (PMDB) e - mais recentemente - abrindo espaço para que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) assuma o comando do “ninho tucano” em Alagoas, tem causado burburinhos dentro do próprio bloco de oposição ao atual governador Renan Filho (PMDB). 

Algumas manifestações estavam nos bastidores. O chamado “fogo-amigo”. É que alguns aliados acreditavam que Rui Palmeira mudaria de partido para não ficar refém do PSDB. Mas Vilela ressalta que não há, nem nunca houve, acordo com o senador Renan Calheiros para tentar desarticular a oposição e favorecer a Renan Filho, Renan Calheiros e o próprio Vilela. 

Quem não enxerga assim e fez questão de se posicionar publicamente foi o deputado federal Arthur Lira (PP).

O parlamentar divulgou - em suas redes sociais - um vídeo em que clama para que Rui Palmeira não assuma a presidência do PSDB. O PP de Lira é um dos mais fortes aliados do prefeito de Maceió. O vice-prefeito Marcelo Palmeira e o senador Benedito de Lira estão nessa sigla.

De acordo com Arthur Lira, que inicia o vídeo na primeira pessoa do plural, dando a entender que fala por um grupo, há uma preocupação na oposição diante das recentes declarações de Teotonio Vilela Filho. 

“Nós que fazemos o grupo de oposição estamos lendo e vendo com bastante preocupação algumas notícias que estão sendo veiculadas nos jornais sobre (…) Rui Palmeira (PSDB) - o nosso candidato ao governo - assumir a presidência do PSDB”, coloca o deputado.

Segundo Lira, toda a base aliada de Vilela foi traída em 2014 pelo fato do governador ter escolhido a candidatura de Eduardo Tavares (PSDB) ao governo. Tavares desistiu da candidatura e o PSDB teve que recorrer a um candidato tampão: o atual prefeito de Palmeira dos Índios, Julio Cézar, hoje no PSB. 

Para o deputado, o que houve foi um acordo - definido naquele ano - entre Vilela e Calheiros. Em entrevistas passadas, Vilela disse que apostou em Tavares, naquele momento, pelo qualitativo e as chances de ele crescer nas pesquisas e derrotar os demais candidatos, negando - portanto - qualquer influência externa em sua decisão. 

Em post anterior disse que as “águas passadas” da política alagoana ainda moviam alguns moinhos do PP e do Democratas. Lira parece não acreditar no ex-governador e chama, tanto ele quanto Calheiros, de “senadores siameses”. “Ele (Teotonio Vilela) abdicou de todo o seu grupo político, toda base de apoio, para confirmar acordo branco que tinha com Renan Calheiros. Estou relembrando isso ao prefeito Rui para que pese e pense seu destino. Não é justo que façamos parte do grupo de oposição e fiquemos a disposição de um jogo político já jogado desde 2014”.

Se a oposição bate-cabeça, a situação comemora! 

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Honraria a Dória por qual razão mesmo? Que a Câmara justifique...

Foto: Twitter 94445a06 c4c5 43ab 8c76 0a8f7edc0152 João Doria, prefeito de São Paulo, visita Maceió no próximo dia 27.

A jornalista Vanessa Alencar - ao falar do Decreto Legislativo que concede título de cidadão honorário de Maceió ao prefeito de São Paulo, João Dória - foi cirúrgica na pergunta mais cabível em relação à proposta: “O que Dória fez por Maceió para merecer tal honraria?”. 

Que o propositor - o vereador Francisco Holanda Filho (PP) - responda de forma objetiva. Simples assim. Na minha visão, Dória não fez absolutamente nada que merece tal título. 

Em minhas redes sociais, já fiz elogios a Dória, como também já fiz críticas. Concordo com algumas preocupações que ele tem em reduzir os custos da administração e buscar parcerias privadas. Discordo de outras bandeiras, como a do desarmamento civil, por exemplo. 

Todavia, ainda que só tivesse elogios a Dória, não veria razão para tal homenagem. 

A meu ver, trata-se apenas de mais um palanque para um presidenciável que se encontra dentro de um grupo político, em Maceió, do qual o PP do vereador Chico Holanda Filho faz parte. E sim, já concordei com Holanda em muitos pontos, sobretudo em críticas que fez ao PT no passado. 

Talvez seja Dória o presidenciável do prefeito Rui Palmeira (PSDB). 

Agora, entregar tal honraria a Dória parece não fazer sentido algum. É a mesma crítica que fiz em passado recente quando a Câmara quis homenagear o senador Aécio Neves (PSDB) e quando entregaram um título de doutor ao ex-presidente condenado Luis Inácio Lula da Silva, o Lula (PT). 

Toda honraria requer uma justificativa. Tentei buscar a proposta no site da Câmara de Maceió e não consegui. Por lá, apenas uma matéria oficial com a declaração do vereador José Márcio Filho (PSDB): “Além de ter dado cara nova à cidade de São Paulo, o prefeito João Dória Jr. é destacadamente um grande nome do empresariado brasileiro. Por conta do serviço prestado ao país nesse setor e pelo que tem feito pela capital paulista, queremos homenageá-lo com o Título de Cidadão Honorário de Maceió”. Qual a relação com a capital alagoana?

O fato é que Dória deve estar em Maceió no próximo dia 27 para se reunir com empresários na Associação Comercial. A Câmara de Maceió quer “correr” com o projeto para aproveitar a agenda do prefeito de São Paulo na capital alagoana. 

É mais um desses títulos de cunho puramente político. Logo, as críticas e questionamentos são extremamente legítimos. A diferença é que agora não há aquela militância que defenda Dória…ninguém para gritar: “Dória, guerreiro do povo brasileiro!”. Que triste…

Estou no twitter: @lulavilar

Deixe seu comentário Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.
Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com