Isolado, o PSL de Bolsonaro aposta no presidenciável para construir via alternativa em Alagoas

Foto: O Povo 40406f2f 3bc8 44a2 ae9f d3868ab02788 Jair Bolsonaro

O PSL do presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro apostou no completo isolamento em Alagoas. A sigla, lá atrás, quando presidida por Henrique Arruda, buscou caminhos de diálogos com outros partidos, com o PSB do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, e o PROS do deputado estadual Bruno Toledo.

A ideia – anteriormente – era formar uma frente que desse até sustentação a candidatura do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, que acabou desistindo de participar do pleito, após várias discussões também com outros partidos. De lá para cá, Henrique Arruda – um dos responsáveis por formar o Livres em Alagoas – acabou deixando o PSL e ingressando no PROS.

Os que ficaram no PSL, hoje conduzido pelo policial federal Flávio Moreno, passaram a apostar no isolamento. A ideia é apostar todas as fichas na associação entre os candidatos locais e o presidenciável Jair Bolsonaro, diante da capilaridade eleitoral que este ganhou. Em outras palavras: a busca por uma transferência de votos que atraia para si os apoiadores de Bolsonaro no Estado.

Alguma transferência há de existir, evidentemente. O quanto? Aí só se saberá com as urnas...

O problema é que o PSL luta contra o tempo, já que os pré-candidatos estaduais são outsiders e desconhecidos da população. Entre os principais nomes, o único que já disputou uma eleição é Josan Leite. Ele foi candidato a vereador pelo PSL em 2016, quando Bolsonaro ainda não fazia parte da legenda.

Agora, Josan Leite é o nome posto para disputar o governo do Estado de Alagoas. É um bom nome, diga-se de passagem.

Outra dificuldade será o tempo de televisão para explanar as propostas. Flávio Moreno e Josan Leite estão apostando nas redes sociais. O resultado a ser alcançado? É imprevisível. Mas, do outro lado, está uma máquina gigantesca que opera no modo mais tradicional da política alagoana, com alianças com deputados, prefeitos, vereadores etc.

Torna-se um partido que fala para um nicho é um problema em uma eleição majoritária, pois por mais que se tenha uma militância – e do outro lado da moeda, o próprio PT é exemplo disso – ela não simboliza vitória. O PT para chegar à presidência e eleger seus candidatos teve que ir para além da sua militância mais fiel, ao longo da recente História da política do Brasil.

Todavia, o PSL promete surpresas na forma de fazer campanha e acredita que pode colher resultados tanto na majoritária quanto nas proporcionais. A luta não é fácil. Será Davi versus Golias. E isto nada tem a ver com ideologias, mas sim com estruturas para as campanhas. Afinal, há o mundo real.

Josan Leite é um bom nome no pleito. Sem radicalismo, dialoga com diversos setores e se apoia em ideias mais liberais. Nada pesa contra ele e, em uma campanha para vereador, ao se levar em consideração que era a primeira vez que lançava seu nome, conseguiu até um bom resultado. Numa campanha modesta, ultrapassou a barreira dos dois mil votos.

Entretanto, um bom começo para o PSL era colocar o pé mais no chão. O discurso excessivamente aguerrido que Moreno tem adotado pode virar contra ele. Prudência, cautela e temperança são valores do conservadorismo filosófico que um candidato de víeis mais conservador não pode desprezar.

A “solidão” do PSL tem vantagens e desvantagens na montagem de um discurso. Estará sem amarras para criticar o atual governo e apontar alternativas. Porém, terá mais dificuldade para levar o discurso adiante no mundo real, que dependem de engrenagens do processo político que, infelizmente, não podem ser desprezadas.

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É preciso conhecer Antonio Gramsci. Há uma coletânea que nos oferta isso fácil...

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No Brasil, a obra O Leitor de Gramsci, organizada pelo professor universitário Carlos Nelson Coutinho, é um livro de é fundamental importância para os dias atuais, para quem quiser saber como pensa e se move a esquerda clássica brasileira.

Não falo aqui do revolucionário de plantão que apenas responde a estímulos de ambiente e segue crente que sabe de alguma coisa, mas apenas distribui chavões para, logo depois, mandar alguém estudar ou xingar de fascistas e outros “istas” completamente dissociados de seus significados.

Por sinal, ressignificação semântica das coisas e das palavras faz parte da práxis gramsciana, ainda que quem a pratique ou já se veja envolvido nela, ao ponto de acreditar que as mentiras que professa são verdades, não tenha nem conhecimento do que seja.

Bem, Carlos Nelson Coutinho está longe de ser alguém de direita. Muito pelo contrário. Pela introdução feita na obra, percebe-se que é próximo ao marxismo. No entanto, a obra é tão didática em relação ao pensamento revolucionário de Antonio Gramsci que, fatalmente, aquele que ainda preserva alguns neurônios, diante das guerras de narrativas, cultural e psicológica que vivemos, vai compreender o que é criar uma “bolha ideológica” a partir dos valores da sociedade que se deseja transformar, criando assim uma revolução cultural em nome do mundo melhor, sem a necessidade imediata de uma revolução armada, como presente nos cânones marxistas.

A “bolha ideológica” sequestra os valores de uma sociedade para que estes sejam subvertidos por uma “intelectualidade orgânica”. São indivíduos a serviço do pensamento revolucionário, mas que aparecem como “isentos” no processo cultural e político para insuflarem demandas por meio de coletivos.

Todas essas demandas são úteis para quebrar a ordem de uma sociedade na exigência de políticas corretivas de Estado. Cria-se um “inconsciente coletivo” para que, lá na frente, surja o partido – o “moderno Príncipe” – a responder a tais demandas e assim alcançar o poder como agente representante de uma hegemonia previamente implantada.

Os sindicados deixam de ser representantes de trabalhadores, por exemplo, para tratarem de temas universais de forma ideológica, o mesmo ocorre com ONGs, conselhos populares, escolas e até a Igreja, que também é citada por Antonio Gramsci. É vendida a falsa ideia do progresso com base nas “leis dinâmicas da História” e quem não concordar é um retrógrado. É empurrado para fora da “bolha ideológica” como um “extremista” a ser combatido, pois é alguém que não fala em nome do povo.

Só que o “povo” – esse conceito abstrato – foi falsificado, pois já não é o povo que fala, mas os coletivos tomados por visões ideológicas. Frauda-se a democracia.

O espectro político só passa a ter representantes de uma mesma ideologia que encontra suporte em grupos previamente infiltrados por aqueles que são vistos como especialistas, intelectuais, inteligentes, donos da verdade. Estão eles em cargos de professores, presidentes de sindicatos, chefes do ONGs, padres, líderes de movimentos, jornalistas e por aí vai...

Quem duvida que leia a obra organizada por Carlos Nelson Coutinho que, repito, de forma didática separa os textos de Gramsci por temas. E assim, vai dos escritos pré-cárcere até o famoso Cadernos do Cárcere. Por isso que Antonio Gramsci afirma de forma tão clara que cabe ao próprio revolucionário criar – de forma antecipada – o ambiente propício, no Ocidente, para se fazer a revolução futura: “os revolucionários criarão as condições necessárias para a realização completa e plena de seu ideal”.

Gramsci percebe que o chamado capitalismo não possui por si só uma base moral, mas – ao contrário – depende de uma base moral que está na cultura do Ocidente, que é formada pela filosofia grega, a evolução do Direito e a visão transcendente, sendo a mais influente o cristianismo. Logo, são essas bases – que eram compreendidas como a superestrutura – que precisam ser atacadas. Assim, é possível usar o chamado capitalismo para implantar o socialismo e o comunismo.

Daí, Gramsci criticar os bolcheviques ao dizer que “a revolução bolchevique se baseia mais em ideologia que em fatos”. Portanto, é preciso antes que os fatos sejam favoráveis e possa se construir um ambiente que aceite o discurso ao invés de se erguer naturalmente contra ele em função da herança ocidental. Para Gramsci, é preciso criar um ambiente onde não existam os “indiferentes”. “Odeio os indiferentes (...) Não podem existir os que são apenas homens, os estranhos à cidade”, diz o filósofo marxista italiano.

Em outras palavras, o ambiente precisa produzir agentes de uma revolução, o novo homem, deve tornar todos num vetor da luta revolucionária. “O que significa que toda revolução foi precedida por um intenso e continuado trabalho de crítica, de penetração cultural, de impregnação de ideias em agregados de homens que eram inicialmente refratários e que só pensavam em resolver por si mesmos, dia a dia, hora a hora, seus próprios problemas econômicos e políticos, sem vínculos com os que se encontravam na mesma situação. O último exemplo, o mais próximo de nós e por isso o menos diferente do nosso, é o da Revolução Francesa”, escreve Gramsci.

Vejam aí: o autor destaca a necessidade de coletivizar o homem transformando necessidades pontuais em problemas maiores, que passam a ser compreendidos como parte de um sistema que precisa ser mudado em seu todo por meio de uma revolução cultural que leve ao socialismo e ao comunismo, ainda que essas pessoas não saibam para onde estão indo no final das contas, pois o objetivo político nunca é plenamente mostrado. Mas sim o discurso superficial ideológico que se apropria até de dores reais do humano, que realmente sofre com injustiças, pois elas fazem parte do mundo.

A função de um partido será a de se apresentar como resposta as demandas criadas por meio desse processo, pois a criação de uma hegemonia - que transforme um partido político em resposta ao que o “povo” - precisa ser feita anteriormente por “grandes intelectuais, jornalistas, revistas etc”, como reconhece Nelson Coutinho.  

Eis que – de uma hora para outra – todo mundo passa a adotar o mesmo discurso. Intelectuais – para Gramsci – não só educam, mas organizam a sociedade para “criar ou consolidar relações de hegemonia, por isso, para ele (Gramsci), são intelectuais todos os membros de um partido político, de um sindicato, de uma organização social”, destaca Coutinho, ao explicar o conceito do “intelectual orgânico”.

Em outras palavras, o intelectual orgânico trabalha para tornar os interesses de um partido em interesses gerais de uma sociedade por meio da infiltração. Assim, com o tempo, eles surgem como uma demanda natural para que o partido, posteriormente, sequestre tal ambiente para si e se venda como o salvador da pátria, mostrando que o caos sentido não foi implantado, mas é fruto do sistema que precisa ser revolucionado. Como cordeirinhos, todos passam a concordar e elegem esse partido acima do governo e acima do Estado.

Para Gramsci, a sociedade civil deve designar o conjunto das organizações responsáveis pela elaboração e/ou difusão das ideologias, compreendendo esse conjunto os sistemas escolar, parlamentos, Igrejas, sindicatos, meios de comunicação etc. É o cerco ideológico que resulta na bolha.

O politicamente correto se enquadra aí, pois até a linguagem na qual você tem que pensar deve ser estabelecida previamente como mecanismo de controle. Como o objetivo político é escondido, isso é feito em nome de um bem que é o de supostamente corrigir injustiças, quando – na realidade – o que se faz é castrar possibilidades de comunicação entre os homens.

Aqui, trago apenas uma parcela do que é o pensamento de Gramsci. Obviamente, é mais profundo que isso. De fato, é um autor inteligentíssimo. De fato precisa ser lido e estudado com bastante atenção. Afinal, como diz Coutinho: “O marxista italiano Antonio Gramsci é um dos intelectuais estrangeiros mais influentes no atual pensamento social brasileiro. Desde o final dos anos 60, quando sua obra começou a ser publicada no Brasil, Gramsci vem atraindo não só atenção dos acadêmicos situados no amplo espectro das Ciências Sociais, mas também de militantes políticos e de um público culto, interessados nas questões da política e da cultura”. Pois é.

Nelson Coutinho está coberto de razão. É também por isso que vivenciamos o que vivenciamos hoje.

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Marx Beltrão deixa o MDB sem entrar em colisão com Renan e pode dialogar com Collor

Foto: Assessoria/Arquivo 9e199c4b aa6b 4c01 ba2a 1717f53555b1 Deputado federal, Marx Beltrão

O ex-ministro do Turismo, Marx Beltrão (MDB) – que retorna ao cargo de deputado federal – confiou no MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho até onde pode.

Lá atrás, quando Beltrão já ensaiava a mudança de sigla para viabilizar sua candidatura ao Senado Federal, o partido comandado por Renan Calheiros em Alagoas chegou a soltar uma nota dizendo que a vaga de Marx Beltrão no processo eleitoral estava garantida.

Mas, nunca foi assim...

Renan Calheiros sempre organizou o tabuleiro do xadrez ao ponto de não ter ameaças – ou pelo menos tirar de cena as que conseguir – a sua candidatura ao Senado Federal. Marx Beltrão sempre soube disso. Estava em um MDB dividido por diversos motivos. Um deles: Beltrão é um aliado do presidente Michel Temer (MDB). Renan Calheiros passou a ser um crítico ferrenho.

O fato é que, quando o Palácio República dos Palmares fechou aliança com o ex-ministro dos Transportes e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR), não havia mais espaço para Beltrão. O ex-emedebista, que sempre soube da necessidade de um plano B, ingressou em uma sigla que já era comandada por ele sem qualquer segredo: o PSD.

Beltrão, com isso, trabalha para formar um bloco que dê sustentação a sua candidatura ao Senado. Os diálogos já existem e podem incluir até o senador Fernando Collor de Mello (PTC). Marx Beltrão – conforme bastidores – busca uma chapa com PRB, PSC, PHS, Solidariedade, Podemos e o conjunto de partidos ligados a Collor: PTC, PSDC e PEN.

Deste grupo, tirar os nomes para o governo do Estado de Alagoas, deputado federal e deputado estadual.

Oficialmente, ao deixar o MDB, Marx Beltrão – por meio da assessoria de imprensa – encaminhou palavras de agradecimento à antiga legenda, afirmando que construiu toda a sua trajetória política por lá. “Por isso, meu agradecimento é profundo e sincero a todos os pares e companheiros do MDB”, pontua.

“Agora, pré-candidato ao Senado da República, filiado ao PSD para dar sequência a um projeto político voltado para o Estado de Alagoas e para o país, assumindo mais um desafio pela renovação, sigo à disposição de todos, sempre na luta por justiça, inclusão social, geração de emprego e renda, além de melhores oportunidades de vida para todos”, conclui Marx Beltrão.

Beltrão sempre foi cauteloso nas declarações. Mas, há sim arestas com a antiga casa...se superadas ou não, a campanha dirá...

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Rodrigo Cunha: a peça que resta ao PSDB para tentar sobreviver

Ascom ALE/Arquivo 45ce22e4 13a0 49ca b146 4b9f381268a7 Deputado Rodrigo Cunha

O destino do PSDB em Alagoas, não apenas em relação ao pleito desse ano, se encontra nas mãos do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). É o único nome do partido com condições de encarar a missão de disputar o governo do Estado de Alagoas, mesmo diante das imensas dificuldades de encarar a tarefa hercúlea.

Cunha vem sendo pressionado para isso dentro do “ninho tucano”. Mas, sabe que aceitar a missão é mudar completamente os planos que tinha traçado para si mesmo, ao querer sair da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas para tentar um mandato em Brasília, seja como deputado federal ou Senador.

O problema é que Cunha, ao encarar uma disputa pelo Executivo estadual, vai ter ainda que tentar reagrupar uma oposição esfacelada e já sem alguns nomes, como é o caso do ex-ministro dos Transportes e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR).

Quando o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), desistiu de ser candidato, Quintella foi o primeiro nome da oposição a pular do barco.

Cunha teria ao seu lado o PP do senador Benedito de Lira, o PROS do deputado estadual Bruno Toledo e o Democratas de José Thomas Nonô. Evidentemente que outras siglas poderiam chegar a um trabalho de articulação. No entanto, é uma luta contra o tempo, ainda mais quando Cunha pediu 15 dias para pensar no assunto, como já noticiado pelo CadaMinuto.

O PSDB aposta na imagem de Rodrigo Cunha. É um parlamentar que teve uma boa passagem pelo parlamento estadual, com pronunciamentos que repercutiram. Chegou à Casa de Tavares Bastos como o mais votado e dialoga bem com setores da sociedade civil que são chamados de “votos de opinião”.

Mas Cunha sabe do risco. Sabe que na posição em que se encontra uma eleição para deputado federal é algo mais confortável em função das pesquisas eleitorais já feitas. Sabe que para o Senado aumenta o desafio, mas não é algo tão distante de uma realidade, ainda mais com a desistência do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça.

No entanto, para o governo, vai enfrentar uma verdadeira máquina azeitada, com o apoio de diversos partidos, deputados estaduais e prefeitos.

Estará praticamente sozinho a servir de guarda-chuva para outras siglas que possuem preocupações em eleger deputados estaduais e federais. Cunha teria que ser um soldado do PSDB e ter alguma contrapartida em caso de derrota para não sair de vez da política. A pressão sobre o jovem parlamentar não é fácil. A escolha também não. O PSDB precisa de uma resposta para ontem, para que assim possa trabalhar seus rumos.

É que o PSDB já inicia a eleição como nanico diante da inaptidão de Rui Palmeira ao sair do processo. Não por ter saído, mas pela forma como o fez em que nem foi candidato e ainda abriu mão de ser articulador de um grupo. Todas as atenções voltadas ao que pensa Rodrigo Cunha...

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Mais uma vez a Assembleia Legislativa na mira da PF. Mais uma vez se fala em “fantasmas”...

Foto: Arquivo/Cada Minuto 02f20e26 932f 4748 ab4f 097329e363bb Assembleia Legislativa de Alagoas

Na manhã de hoje, dia 10, mais uma vez a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Mais uma vez, entre as acusações, está a existência de funcionários fantasmas.

A sensação que fica, diante das denúncias que se acumulam ao longo do tempo, é de que a Casa não se emenda...

Apesar de já ter anunciado duas auditorias – em gestões de Mesas Diretoras distintas – mas somente uma ter sido apresentada à sociedade após pressão da imprensa; apesar de um Portal da Transparência, a Casa de Tavares Bastos (que infelizmente leva o nome de um dos maiores políticos intelectuais brasileiros), nunca sai das páginas policiais...

Desde a Operação Taturana (na década passada) até esta data, foram várias ações e denúncias de desvio de recursos públicos por parte de parlamentares. A maioria se reelege ou consegue ainda ocupar outros cargos eletivos em outras esferas dos poderes. Na Taturana, um desvio de mais de R$ 300 milhões. Há condenados, mas não há presos.

Mais recentemente, na legislatura passada, se descobriu – por meio de denúncias do atual deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) – a famosa “lista de ouro”, em que existiam comissionados que recebiam mais de 100 repasses por ano. Um verdadeiro rio de dinheiro que foi alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE), mas que ninguém sabe ao certo onde desaguou...

O parlamento, na época, se negou até a informar em quais gabinetes os membros da lista de ouro estavam instalados. Como ainda hoje, o parlamento estadual se nega a informar a lista de comissionados por gabinetes. Os deputados estaduais que fizeram, fizeram por conta própria. Apenas três mostraram a relação de seus comissionados: Galba Novaes (MDB), Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB).  

A lista de ouro levantou mais uma vez suspeitas de fantasmas.

A auditoria feita pelo parlamento estadual, já nessa legislatura, também mostrou inconsistência de dados e suspeitas, mas a folha de comissionados não foi auditada. Claro que não se trata de todos, pois muitos trabalham honestamente prestando serviços aos gabinetes. Mas, se há suspeitas, nada melhor que a total transparência. É recurso público.

Na manhã de hoje, conforme reportagem do site CadaMinuto, residências de alguns vereadores da cidade de Batalha foram alvos da operação “Malacafa”, que é um desdobramento de uma outra operação que teve como alvo o mesmo parlamento: a Sururgate. Nunca é demais lembrar: dois vereadores em Batalha foram assassinados e parentes de um deles denunciou um esquema de corrupção envolvendo a Mesa Diretora da Casa.

De acordo com o delegado da PF, Agnaldo Mendonça Alves, a PF investiga a existência de funcionários fantasmas no parlamento estadual. “A ação de hoje foi para buscar mais elementos que comprovem isso”, frisou. Até aqui ainda não foram revelados os nomes dos alvos da operação, mas pode haver correlação com o assassinato em Batalha.

A PF acredita que pagamentos realizados pela Assembleia são feitos a pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal. Entre 2010 e 2013, pode ter havido um rombo que ultrapassa os R$ 15 milhões.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados em Batalha, um em Maceió e dois em Jacaré dos Homens.

A Assembleia Legislativa de Alagoas e as páginas policiais dos veículos de imprensa local possuem uma relação íntima que perdura na História...

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A dança das cadeiras dos partidos só mostra a completa crise de representatividade na política

13662824525893 Câmara de Deputados

O que revela a dança das cadeiras aberta pela oportunidade da janela partidária em Alagoas e no Brasil? A crise de representatividade da nossa democracia indireta. Os partidos políticos – com raras exceções – não possuem crenças sólidas, assim como a maioria dos políticos abrigados por estes. Diferem apenas – em maior ou menor grau – na forma como pensam intervir no Estado para se manterem vivos no estamento burocrático vigente.

Claro que há exceções. Mas como está embutido no vocábulo “exceções”, elas são raras...

Um ponto importante que é preciso que se diga: nessas mudanças de legendas, um foco maior nos pré-candidatos a deputado federal. Todas as siglas (e a única exceção tem sido o Novo) possuem um interesse particular nos mandatos da Câmara de Deputados. Motivo? É a quantidade de deputados federais eleitos que definem a excrescência chamada fundo partidário, onde o contribuinte paga pelas estruturas partidárias as quais não é filiado, por exemplo.

Fosse algo sério e comprometido com a função nobre da política, partidos representariam ideais e seriam mantidos por seus filiados que nesses acreditassem, buscando assim um “lugar ao sol” para defender suas teses.

Teríamos assim – e por isso o nome é partido, por não constituir um todo! – que abrigaria várias correntes da esquerda à direita, com debates caros ao cidadão como revisão do pacto federativo, intervenção ou não do Estado na economia, garantias de liberdades individuais, descentralização de poder e recursos etc.

Mas nada disso temos. O importante agora para os partidos é a matemática eleitoral. Repito: com raras exceções.

O sistema, portanto, já começa prostituído.

E o que os partidos fazem diante do desgaste promovido pela crise de representatividade: mudam de nome. Demonizam a palavra “partido” e viram Avante, Podemos, Movimento etc. Como se isso dissesse grande coisa ou significasse realmente mudança. É como pintar o muro externo da casa sem muitas vezes reformar o interior.

Até o desgastado PMDB, que é parte do problema de um governo irresponsável do passado, virou o MDB, querendo resgatar sua posição de luta contra o regime militar.

Nos muitos partidos que formam a democracia brasileira, em geral o que temos é 50 tons do mesmo cinza. Logo, o que significa a ida de um pré-candidato da sigla X para a sigla Y? Nada além de encontrar o melhor lugar onde a soma dos votos lhe garanta uma eleição mais fácil.

O eleitor tem sua parcela de culpa? Claro! Na maioria das vezes, ao ver um político investigado por algum fato, terceiriza a responsabilidade para a Justiça. Fica a espera de um milagre para que aquele político perca os privilégios e só então responda pelos seus atos.

É o caso, por exemplo, do que ocorre no Senado Federal. São 23 senadores que poderiam ver seus processos descer à primeira instância, não contando mais com o foro privilegiado, para assim então – respeitando o direito ao contraditório – respondam pelas acusações que são feitas. O que ocorre hoje é que, independente de cor partidária, tais investigações ganham cheiro do mofo no Supremo Tribunal Federal.

Entre esses 23 senadores, dois alagoanos: o senador Renan Calheiros (MDB) e o senador Benedito de Lira (PP). O senador Fernando Collor de Mello (PTC) também é alvo da Lava Jato, mas ainda tem mais quatro anos de mandato pela frente, tanto que tem o luxo de ser pré-candidato à Presidência da República. O tucano Aécio Neves (PSDB) – tão lembrado pelos petistas após a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT) – também faz parte dessa turma.

Regressando ao tema principal que é a mudança de legenda: o que vemos é o circo eleitoral em cena. Tal lógica, por exemplo, permitiu que o deputado federal Cícero Almeida – ao longo de sua trajetória política – trocasse mais de partido do que de sapato. Givaldo Carimbão, que agora está em casa nova, já passou pelo PSB, PROS e PHS, misturando sua visão católica de mundo às intempéries socialistas de siglas onde já esteve. Carimbão desafiou a química em sua vida política e conseguiu misturar água e óleo.

Vivemos uma democracia indireta onde a maioria dos partidos só possui uma identidade: a “ideologia” de superar cláusula de barreira, garantir deputados federais para ter dinheiro público em suas contas e realizar conchavos estamentários que são apelidados de “governabilidade”. Nada de novo no front. Pouco importa quem foi para onde foi...é o lápis na mão e interesses inconfessáveis na cabeça...

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Sobre Renan Calheiros o filósofo Schopenhauer já dizia: “A arte de vencer o debate sem precisar ter razão”

Foto: Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo 5c7d051b fb64 4409 94a2 4c876dcd04ec Renan Calheiros e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Penedo

Existem divergências de teses jurídicas em relação à prisão em segunda instância. Um olhar sem paixões de fato permite essa discussão. Como não sou um especialista em Direito, não entro nesse campo. Entendo até onde vai a minha competência. O que tenho questionado – aqui e em outros textos – é o elemento político que mobilizou o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a ganhar relevância em função do réu, quando já havia um entendimento firmado em 2016 por uma Corte que praticamente não mudou sua composição.

A única exceção é o ministro Alexandre de Moraes, no lugar do falecido Teori Zavascki.

Como foi registrado durante o julgamento em alguns momentos, o país precisa ter estabilidade e segurança; e não que os entendimentos fiquem ao sabor da importância ou relevância do réu. Simples assim. Dito isso, compreendo as discussões jurídicas e busco ler atentamente os dois lados, avaliando os argumentos. Conheço juristas que estão longe de serem defensores do ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), que são contrários ao entendimento consolidado pelo STF. Respeito-os.

Particularmente, acredito que bandido bom é bandido preso. E Lula não será um preso político, mas um político preso. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula é o responsável por um projeto de poder que se desenvolveu em cima de uma corrupção sistêmica, que – como método – distribuiu benesses dentro de um estamento que um dia o PT disse combater. O PT se apropriou desse estamento, pois de fato não inventou a corrupção, dentro de moldes gramscianos, sendo “protegido” por um discurso ideológico de uma intelectualidade orgânica que acabou por segregar o país na luta do “nós contra eles”.

Além do crime da corrupção material, há os aspectos danosos intangíveis, como a corrupção moral, intelectual e o uso de sindicatos, universidades e outras instituições como peças de uma grande engrenagem de engenharia-social. Lula era a referência de tudo isso. Aliás, era não, ainda é.

Das esquerdas jurássicas às revisionadas (com algumas exceções), Lula virou o símbolo disso. O ex-presidente condenado colheu o que plantou, apesar de ainda ter alguma capilaridade que é superestimada por seus defensores nos discursos inflamados.

Entre esses defensores de Lula, está o senador Renan Calheiros (MDB). Calheiros – em seu mais recente discurso – falou de ataques à Constituição Federal por se permitir a prisão de Lula após o julgamento em segunda instância. Como disse no início do texto, eis uma discussão que pode ser feita do ponto de vista jurídico.

Mas, Renan Calheiros fala do altar de uma paixão lulista simulada. É que o enxadrista-mor da política alagoana, quiçá a brasileira, não dá ponto sem nó. Tornou-se um lulista ferrenho em função de querer aproveitar uma onda diante da capilaridade que Lula ainda tem no Nordeste, por exemplo.

Mas quem é Renan Calheiros para falar de Constituição? Bem, é o homem que, na condição de animal político com expertise, ajudou a salvar os direitos políticos de Dilma Rousseff (PT), quando esta foi alvo do processo de impeachment. Uma vez sofrendo o processo e tendo o resultado proclamado, Dilma além de perder o cargo, deveria perder os direitos políticos. Mas, por sorte, ela contou com Renan Calheiros e outros, que agiram como agiram diante do então presidente do STF, Ricardo Lewandovski.

O problema é que alguns enxergam a nossa Constituição como uma colcha de retalhos cujos retalhos são usados conforme as conveniências e assim ela é retalhada mais ainda.

Renan Calheiros tem o direito ao entendimento pessoal dele, mas não pode estranhar quando alguns senadores o questionam e não o levam a sério neste quesito, pois não possui a estatura devida para apontar o dedo diante do que fez no passado. A briga que Renan Calheiros protagonizou no Senado Federal no dia de ontem remete ao seu protagonismo na época do impeachment, quando era presidente do Senado e tentou dar uma de “isentão”, mesmo tendo posição definida e assim tentou colocar um pé em cada canoa, só endurecendo o discurso para cima do presidente Michel Temer (MDB) bem depois.

É certo que em muitos momentos, nas críticas que fez a Temer, possuía razão. Um desses momentos quando afirmou que o governo era fraco, por exemplo. É claro que é um governo péssimo, cheio de problemas e com suspeitas de atos de corrupção que devem ser investigados, esmiuçados e quem for podre que se quebre. Mas, o que esperar do MDB? Afinal, era uma das peças do estamento burocrático que deu sustentação aos governos do PT.

Não por acaso, Temer era visto como o vice perfeito pela própria Dilma. Aceitou ser vice para agora querer se vender como diferente? Ora, Temer também colhe o que plantou. Não é – e nem pode ser visto – como confiável, em que pese alguns acertos de sua gestão. É o mesmo estamento.

Além disso, erra Renan Calheiros ao usar o argumento de “ataque ao homem” e às ideias, quando tenta descaracterizar um membro do Senado por ele ter sido suplente. Acaso Calheiros não tem suplente? O suplente faz parte da regra do jogo. Se os brasileiros votam sem entender isso, é preciso que entendam. Ou ao escolher o seu suplente, Renan Calheiros buscou um nome que não tivesse condições de representar seus eleitores em caso de impedimento, de licença para ocupar algum cargo e/ou de outras circunstâncias que podem levar um suplente ao Senado Federal.

Este argumento de Renan Calheiros não faz qualquer sentido. É a famosa picuinha de vencer o debate sem precisar ter razão, como já denunciado pelo filósofo Arthur Schopenhauer. É erística pura, Renan Calheiro!

Se Renan Calheiros acha errada a presença de suplentes no Senado que apresente projeto para acabar com a existência deles, assumindo assim – em circunstâncias de ausências – o que ficou menos votado no pleito que elegeu os titulares, como ocorre na Câmara de Deputados e em outros legislativos.

O senador suplente, pelas regras do jogo, é igual a Renan Calheiros dentro do Senado. Tem poder de voz e voto e é a democracia que lhe garante isso, pois a democracia é maior que Renan Calheiros e ainda bem que é assim.

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PSL de Bolsonaro pode apostar em candidatura solitária em Alagoas

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O PSL do presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro pode apostar em uma candidatura solitária e Alagoas para a majoritária. A sigla apresentou o nome de Josan Leite para disputar a cadeira do Palácio República dos Palmares.

Oriundo dos movimentos de rua que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, Josan Leite foi candidato à vereador por Maceió em 2016, quando o PSL coligou com o PSB. Na época, o Livres ainda era uma corrente de transformação ligada ao partido. Leite fazia parte do Livres.   

Com a ida de Bolsonaro ao PSL, o Livres deixou o partido, mas alguns nomes permaneceram, como Josan Leite e Henrique Arruda, que foi candidato a vice-prefeito, em 2016, ao lado do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB). Arruda – que comandou o PSL no Estado – se encontra de saída da legenda.

Quem também se encontra mais distante de entrar no PSL é o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Ele cogitou a candidatura ao Senado Federal pela legenda, mas tudo indica que seu caminho será o PSB de JHC.

Além de Josan, a outra aposta do PSL é o agente da Polícia Federal, Flávio Moreno.

Com as decisões internas em Alagoas, o PSL também perdeu o empresário Leonardo Dias, que foi candidato a vereador pelo PSC em 2016. Dias é um dos mais ferrenhos apoiadores de Bolsonaro no Estado. Ele avalia uma possibilidade de candidatura pelo PROS do deputado estadual Bruno Toledo ou pelo Podemos do ex-presidente da OAB/AL, Omar Coêlho.

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PRTB pode sair sozinho na disputa por vagas proporcionais e convida Cristiano Matheus

Foto: A Notícia Ea7e76c3 37ee 439a 985b 41fcd30bbbc7 Presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em Alagoas, Adeilson Bezerra

O pequeno PRTB, que é comandado por Adeílson Bezerra em Alagoas, pode se lançar no pleito eleitoral desse ano de forma solitária. Bezerra – em entrevista ao blog – ressaltou que a decisão será tomada com base na matemática.

“Temos candidatos fortes e temos que pensar em estratégia para eleger o maior número possível para Assembleia Legislativa e para a Câmara de Deputados. Se tivermos condições de sair sozinhos no pleito, sairemos. Se o melhor for coligar com o grupo do MDB, discutiremos o assunto”, salientou.

Bezerra lembrou que a legislação possibilita a apresentação de candidatos proporcionais em uma chapa sem a necessidade de uma majoritária. Segundo ele, as estratégias passam a ser repensadas com a saída do prefeito Rui Palmeira (PSDB) do pleito.

“Como o Rui não é mais candidato ao governo, fomos procurados por muitos nomes com densidades. Não se trata de querer fechar a porta para ninguém, mas de saber que temos compromissos com pré-candidatos que já estão no partido. Então, não podemos também abraçar projeto que ameacem que já está conosco”, salientou o dirigente partidário.

Entre os novos nomes com quem Adeílson Bezerra conversa, está o ex-deputado federal e ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristhiano Matheus. “Se vier, ele será um quadro importante”, colocou. Bezerra também conta com a candidatura do secretário municipal Davi Maia. “Conversei muito com Maia e estamos quase fechados. É um quadro importante e queremos elegê-lo. As portas estão abertas para ele”.

O dirigente partidário ainda fala do compromisso com um palanque para uma candidatura presidencial. A princípio o candidato é o presidente nacional do PRTB, Levy Fidélix. “Mas estamos também avaliando outros nomes como o general Mourão”, colocou.  A estratégia de Bezerra é a mesma já vista em pleitos anteriores, como em 2014, quando elegeu o deputado federal Cícero Almeida e conseguiu vagas no parlamento estadual.

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Pré-candidato à presidência João Amoêdo: “Nenhum lugar do mundo se desenvolveu com um Estado que sufoca as liberdades individuais”

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Conversei com o pré-candidato à presidência João Amoêdo (Novo) no dia de ontem, 28. De passagem por Alagoas, Amoêdo palestrou para filiados e simpatizantes do partido e buscou defender as ideias da agremiação.

Para o pré-candidato, a mudança do país passa por alguns pilares fundamentais, como a redução da máquina pública, do poder coercitivo do Estado e o endurecimento do combate ao crime.

Amoêdo defendeu revisão de leis penais, desburocratização, redução de impostos e revisão do pacto federativo. Além disso, se colocou favorável à revogação do Estatuto do Desarmamento. Entretanto, entra em choque com algumas pautas da direita conservadora, como a temática do aborto, afirmando que o partido não possui uma posição definida, mas que esta fica a cargo dos candidatos, estando eles livres para serem contra ou a favor.

Na entrevista, há também outras temáticas. Confira na íntegra a entrevista exclusiva do CadaMinuto com João Amoêdo.

Diante do atual espectro político brasileiro, o senhor definiria o Partido Novo como uma agremiação de esquerda, centro ou de direita? Como o Novo se enquadra nesse quadro que ainda é um tanto confuso para muita gente que só tem contato com o que de fato é uma visão liberal ou conservadora agora?

A primeira definição do Novo é que ele é criado por cidadãos comuns com a preocupação genuína de melhorar a vida do individuo, do cidadão brasileiro. Entendemos que essa melhora passa por novas lideranças, novas posturas e uma intervenção menor do Estado, consequentemente por políticas mais liberais. É assim que vejo o Novo. Nenhum lugar do mundo se desenvolveu com um Estado que sufoca as liberdades individuais. É nisso que o Novo acredita. Em devolver a liberdade para as pessoas decidirem suas próprias vidas, com mais dinheiro no bolso do cidadão. E aí, se formos adotar um rótulo podemos dizer que o Novo é um partido mais liberal.

Dentro dessa perspectiva que o senhor coloca se chegar à presidência por onde começaria a transformar esse Brasil de hoje no Brasil que o senhor enxerga? É pelas mudanças econômicas? Pela segurança pública? Enfim, quais seriam as primeiras ações de um presidente do Novo?

Olha, a primeira coisa que a gente tem que fazer é dar exemplo. E isso envolve reduzir os privilégios da área pública, dos políticos, do Executivo, do Legislativo. Cortar verbas de gabinete, cortar gastos desnecessários, reduzir a máquina, para mostrar que chegamos realmente com o desejo de mudar essa realidade que temos hoje. Mostrar que estamos de fato preocupados com o dinheiro do povo brasileiro, que paga uma excessiva carga tributária sem ter os serviços em troca.  Precisamos ter as contas do Estado equilibrada e diminuir a intervenção do Estado, simplificar e desburocratizar para que as pessoas possam empreender, porque é isso que gera emprego, que gera riqueza, que faz com que cresçam as rendas do cidadão. A segurança é um ponto que vem junto porque hoje é fundamental resolver essa situação. É fundamental melhorar esse cenário, porque os brasileiros saem de casa sem o receio se vai voltar. Eu diria que esses são os três pilares: reduzir o Estado, atacar a questão da segurança e ter uma desburocratização com um Estado com contas equilibradas.

O senhor coloca aí a questão da segurança pública. De fato, um país com 60 mil homicídios por ano. Isto deve ser tema de todas as campanhas. Mas na prática, como o Novo pensa em resolver esse problema?

Não existe uma bala de prata. Existe uma série de ações a serem tomadas, mas para citar algumas em concreto, como você coloca, a primeira é melhorar a integração entre o governo federal e governos estaduais para atacar o problema. Precisamos aparelhar melhor as polícias, melhorar o uso das tecnologias de combate ao crime e estabelecer metas. Ter uma corregedoria forte para evitar desvios de atuação, mas valorizar o policial. Precisamos ainda estabelecer parcerias público-privadas. Penso isso em relação aos presídios, porque hoje eles são máquinas de produzir novos criminosos. Também é necessário endurecer a legislação para punir criminosos, porque hoje se solta fácil demais os presos e isso traz uma sensação de impunidade. Combater fortemente o crime organizado. Além disso, revogar o Estatuto do Desarmamento. Não é o elemento principal da solução da violência, mas é razoável que as pessoas que querem proteger a sua vida, a sua propriedade, tenham o direito do acesso às armas.

Já que estamos falando de um ponto que é considerado uma das pernas do tripé dos serviços prestados pelo Estado, como o Novo pensa em lidar com as outras “pernas” desse tripé: Educação e a Saúde? Seriam áreas a serem privatizadas dentro de uma visão liberal que o Novo prega?

Eu entendo o seguinte: o Estado pode prover a possibilidade das pessoas terem acesso a uma boa Saúde e uma boa Educação, mas não necessariamente ele ser o gestor. O Estado é péssimo gestor e vemos isso em todas as empresas que ele tem. Se pudermos criar um sistema onde as pessoas tenham acesso à Educação e a Saúde por vales, como já existe essa realidade em vários países e assim possam usar recursos para comprar o serviço na iniciativa privada, podem ter acesso a este serviço de forma mais barata e com mais qualidade. Aliás, é o raciocínio já presente no Bolsa Família. Ao invés do governo criar uma estrutura para dar alimentos, ele dá o dinheiro para que as pessoas, diante da situação de vulnerabilidade, adquiram isso na iniciativa privada. Acredito que este seja o caminho, pois se reduz a estrutura do Estado e se garante o acesso dos mais pobres a um serviço de mais qualidade com menos recursos públicos empregados.

O senhor pensa em mexer no pacto federativo?

Certamente. Nós temos que mudar, porque hoje se concentra mais recursos nas mãos de um governo federal. Precisamos mudar isso e devolver o dinheiro para os Estados e municípios que é onde o cidadão realmente vive. Ele mora no município. É lá que se tem noção melhor das prioridades, dos aspectos regionais, pois as demandas e necessidades são diferentes. Essa centralização de poder em Brasília é ineficaz do ponto de vista administrativo e, além disso, cria o ambiente propício para a corrupção. Somos a favor de um federalismo de fato no Brasil.

Qual a perspectiva do Novo para 2018?

Olha, nós estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados em 2016. Elegemos quatro vereadores, sem tempo de televisão e sem fazer coligações, mas somente mostrando o que nós pensamos por meio de campanhas baratas e engajamento, já que não usamos o fundo partidário e o Novo é uma estrutura bancada por seus filiados. Os vereadores apresentaram resultados, seguindo os compromissos partidários, reduzindo gastos e economizando recursos públicos, dentre outras ações. Estamos trazendo gente nova para a política, provando que é possível trazer pessoas qualificadas para os cargos públicos, sem usar verbas públicas. Agora, em 2018, usamos da mesma estratégia. E sou muito esperançoso porque há uma demanda da população por renovação. Fazemos processo seletivo para candidatos para buscar essas pessoas qualificadas. Há uma grande vantagem porque a renovação não passa por nomes novos apenas, mas por posturas e práticas diferentes. Faremos isso usando mídias sociais, gastando sola de sapato, mostrando o partido e conversando.

A oposição coloca o senhor como candidato dos bancos. Como o senhor responde a isso?

Quando montamos o partido, em 2010, foram oito anos de muito trabalho para defender os interesses do cidadão. Ao contrário do que dizem, o Novo pensa justamente em aumentar a concorrência também no setor financeiro. O Novo não representa nenhum interesse do banco. Quer reduzir a quantidade de juros que o Estado paga, privatizar bancos públicos para trazer mais concorrência para o setor financeiro. Então, dizer isso é uma tentativa de desqualificar o projeto do Novo sem apresentar qualquer tipo de informação que corresponda de fato à verdade.

O que o Novo pensa em relação à Previdência?

Uma reforma é totalmente necessária. Quanto antes melhor. É um buraco que vem crescendo. O Estado tem transferido cada vez mais os recursos dos mais pobres para os mais ricos e mudar isso passa essencialmente por repensar a Previdência. É fundamental pensar em um modelo de reforma.

O Novo tem uma postura muito forte em relação à economia. Mas quanto a outras pautas, que são polêmicas, mas que estão ligadas a uma questão moral. Como o Novo se posiciona, por exemplo, em relação ao tema do aborto?

O Novo em relação a alguns temas que são complexos e com entendimento diversos, como o aborto, por exemplo, o Novo deu autonomia para os seus mandatários de se posicionarem como compreendem e aí o eleitor terá a liberdade de questionar o candidato e votar nele conforme a posição assumida por este. Os mandatários têm autonomia quanto a questão do aborto e estão liberados para expressar sua opinião. Então, teremos candidatos que serão contra e candidatos que serão a favor. Caberá ao eleitor decidir qual candidato ele vai querer para representar as suas ideias.

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