Raízes da África
Raízes da África

Postado em 22/01/2017 às 06:16 0

Foram todas minhas professoras. Nenhuma preta.


Por Arísia Barros

Lembro da primeira professora, aos sete anos, seu nome era Auta e na lembrança da infância, no Grupo Escolar Correia da Neves, o Frango Assado, ela era intocável e perfeita.
A segunda professora, já na quarta-série primária e na mesma escola, que me permitiu leituras e questionamento tinha nome de Eunice e ensinava religião. O olhar materno e agregador nos mantinha na linha com uma autoridade suave e férrea. Com ela aprendi mitos e ritos e incorporei a “culpa católica”. Do pecado original.
As outras professoras vieram depois. Ana era a professora de português  no Colégio Cônego Machado trazia sempre um lencinho a mão, e de quando em vez, levava a boca suavemente, como a expulsar sujeiras incômodas. Tinha a leveza das mulheres elegantes e uma amabilidade que despertava em nós a ânsia de fazer mais e melhor, a tal da superação.
A professora Ana capturava nossos espíritos, inocentemente, rebeldes e os fazia cativos das descobertas. Com ela despertei para a magia da escrita. Com ela explorei o mundo das interpretações literárias e me fiz escrevente. Ganhei meu primeiro prêmio literário com a escrita de uma peça teatral, pomposamente chamada de Anhangá, o Rei da Floresta.
Já no curso superior estudei com Tânia Lamenha. De estatura grande carregava consigo a linguagem hábil de quem tinha paixão em ser professora. Mulher de extrema simplicidade foi uma mestra excepcional. Era a professora que revisava meu caderno de poemas.
Foram várias mulheres professoras que marcaram fortemente a minha vida.
Com elas aprendi a reordenar parágrafos. Apreendi a aventura das grandes descobertas.
Foram  únicas.
Todas minhas professoras magníficas.


Postado em 20/01/2017 às 23:44 0

Reunião com o procurador-geral do MPE, Alfredo Gaspar.coloca em pauta a discussão sobre racismo.


Por Arísia Barros

 

Em reunião ocorrida, no dia 17/01 na sede do Ministério Público Estadual, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, esteve  reunida com o procurador-geral do Ministério Público de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça.

A  reunião proposta pelo  Instituto Raízes de Áfricas teve como pauta a discussão sobre o racismo, o papel deste na desumanização de pret@s, focos e  determinantes da violência contra os negros.

O feminicídio, que cresce acodadamente e tem como alvo a mulher preta e o genocídio da juventude preta foram pontos contundentes  da discussão.

Alfredo Gaspar , que estava acompanhado de mais dois procuradores   do  orgão afirmou que a intenção  do Ministério Público é fazer a integração com as demandas sociais , para que haja uma discussão, mais aprofundada e coletiva  para implementação das  políticas públicas e garantia de direitos.

Arísia Barros ressaltou que  a questão racial  precisa ser absorvida pela sociedade  alagoana como uma questão social, e não como um “problema” só dos pretos e pretas, e o Ministério Público é uma parceiro  relevante nessa construção..

 “Nós achamos de suma importância estabelecer essa ponte de diálogo  aproximado com os segmentos  sociais para discutir as questões, de  garantia dos direitos.que vocês, como militantes sociais  tem a expertises para reconhecê-los”, pontuou Alfredo Gaspar.

Uma próxima reunião já ficou agendada. Outros temas correlatos ao racismo subsidiariam as discussões.


Postado em 19/01/2017 às 15:11 0

Presidente Temer é imperativo que o Estado tenha lucidez política para libertar, Rafael Braga.


Por Arísia Barros

Rafael Braga, o jovem do "caso do Pinho Sol" está preso desde 20 de junho 2013, na época tinha 23 anos. É o único preso e  condenado,entre milhares de manifestantes, que foram  as ruas no Brasil.

Rafael Braga é o bode expiatório dos protestos de junho de 2013.

Prisão, declaradamente, ilegítima e racista.

Rafael Braga foi preso por policiais civis, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, afirmando que o ,então morador de rua, estava portando  um  coquetel Molotov (supostamente, uma garrafa de Pinho Sol cheia de álcool e um pano no gargalo).

Rafael Braga foi julgado pela justiça brasileira, a mesma que ainda, traz na  memória oficial  a concepção secular e  geracional do escravismo , maximizando a segregação do povo preto.

É absurdo o encarceramento de Rafael Braga, Excelência! Condenado por portar uma garrafa de Pinho Sol.

O Estado negligencia os direitos constitucionais de um homem preto, pobre e socialmente invisível

 É  imperativo que o Estado tenha lucidez  política para libertar,Rafael Braga, e pensar respostas adequadas para  resolução imediata desse caso.

E isso exige tomada de posição política do presidente da República.

A  prisão de Rafael Braga é uma das estratégias intimidadora  da violência institucional, declaradamante racista. É a violência que pune um para dar “exemplo” a tantos a não repetir mais a a história.. É violência pedagógica, que domestica e cristaliza o medo coletivo.

 Domesticação  étnica de uma guerra sem fim.

Liberte, Rafael Braga, presidente Temer, antes que  os danos , como a humilhação, a dor congelada , quebra da identidade e principalmente, o direito a vida   no ambiente iníquo e explosivo da prisão violenta,virulenta, caótica sejam irreversíveis.

Libertar Rafael Braga deve ser uma das políticas prioritárias de seu governo.

Liberte, Rafael Braga, presidente Temer!

Entenda o caso Rafael Braga:

Acusado de portar material explosivo quando levava apenas duas garrafas plásticas de produtos de limpeza – uma de água sanitária da marca Barra e outra de desinfetante da marca Pinho Sol -, Rafael foi preso enquanto acontecia, no Centro do Rio, a grande manifestação de 20 de junho de 2013. Mesmo sem ter qualquer ligação com a manifestação, durante a qual outras pessoas foram presas e logo liberadas, ele foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e, com uma agilidade atípica em processos judiciais, condenado em primeira instância apenas cinco meses depois – tendo permanecido preso enquanto aguardava o julgamento por um crime que nunca cometeu.


Postado em 16/01/2017 às 19:13 0

Carta entregue a Presidência da República, em nome da liberdade de Rafael Braga, ainda não tem retornos conclusivos.


Por Arísia Barros

Em 27 de dezembro de 2016, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, entregou ao presidente da República, Michel Temer uma carta, como instrumento de pressão popular, solicitando providências políticas para a soltura do ex-morador de rua Rafael Braga Vieira,26 anos, único condenado por protestos ocorridos em 2013 no Rio de Janeiro.

A entrega se deu no Centro Cultural e de Exposições Ruth,em Maceió, quando da visita de Temer ao estado de Alagoas.

Após essa data  a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Secretaria Nacional de Articulação Nacional  tem mantido contato.

Em 11 de janeiro o Ministério da Justiça e Cidadania, através da Secretaria Nacional de Direitos Humanos
encaminhou, por e-mail, à  coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, um ofício, ( datado de 02 de janeiro), como resposta  a denúncia sobre a prisão arbitrária de Rafael Braga.

Sem resultados conclusivos.

Segue abaixo o ofício:

Oficio nº 5/2017/GM-SDH/SDH-MJ

Brasília, 02 de janeiro de 2017.

À Senhora

ARÍSIA BARROS

Coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas

Assunto: Resposta a Carta S/Nº do Instituto Raízes de África. Caso Rafael Braga Vieira.

Senhora Coordenadora,

Cumprimentado-a cordialmente, informo que o caso foi registrado pelo Departamento de Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos, sob o protocolo nº 1271776, recebendo os respectivos

encaminhamentos: Núcleo de Defesa de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e ​Coordenadoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Na oportunidade, informo que tendo em vista o período de recesso do Poder Judiciário, não foi possível contato imediato com os órgãos citados. Entretanto, diante da situação apresentada e das providências solicitadas, o Departamento de Ouvidoria permanece monitorando a denúncia junto às instituições acionadas e tão logo finalize o recesso, buscará informações atualizadas.

Esta Secretaria permanece à disposição para eventuais esclarecimentos que se fizerem necessária.

Atenciosamente,

HERBERT BORGES PAES DE BARROS 

Entenda o caso Rafael Braga:

Acusado de portar material explosivo quando levava apenas duas garrafas plásticas de produtos de limpeza – uma de água sanitária da marca Barra e outra de desinfetante da marca Pinho Sol -, Rafael foi preso enquanto acontecia, no Centro do Rio, a grande manifestação de 20 de junho de 2013. Mesmo sem ter qualquer ligação com a manifestação, durante a qual outras pessoas foram presas e logo liberadas, ele foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e, com uma agilidade atípica em processos judiciais, condenado em primeira instância apenas cinco meses depois – tendo permanecido preso enquanto aguardava o julgamento por um crime que nunca cometeu.

 

 


Postado em 14/01/2017 às 16:06 0

Secretaria de Estado da Fazenda e Instituto Raízes discutem planejamento afro- estratégico para 2017.


Por Arísia Barros

 

Em reunião ocorrida, na quarta-feira, 11/01, na sede do gabinete da Secretaria de Estado da Fazenda, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros ,esteve reunida com o secretário da Fazenda, George Santoro e   Renata Santos, Secretária Especial do Tesouro Estadual tendo como objetivo  discutir um  planejamento afro-estratégico , visando dar prosseguimento as ações afro-empreendedoras, iniciadas em 2016, dentre elas a Incubadora Afro.

Segundo  George Santoro, o Planejamento Estratégico, além de ser imprescindível  para a consolidação de  qualquer projeto, nesse caso  permite ao Estado ter uma visão ampliada das ações a serem desenvolvidas,em parceria, como, também, identificar  as fragilidades e tentar e superá-las, a fim de resultados exitosos, para  haja os próximos anos.

Na oportunidade foi feito um balanço da viagem afro-técnica realizada ao Rio de Janeiro, com o apoio da Secretaria da Fazenda, tendo como fim uma visitação in loco para conhecimento da  ação e resultados da Incubadora Afro do Rio de Janeiro, coordenada por Giovanni Harvey.

 O Projeto do Fundo Estadual para Igualdade Racial, também foi tema da conversa.

Presente à reunião a  Secretária Especial do Tesouro Estadual,Renata Santos, falou que: “ A partir do momento que o Estado apóia ações  com  a ótica de fomentar a economia, na  perspectiva inclusiva torna-se um estado plural.”

Ainda na ocasião, Arisia Barros fez entrega a George Santoro e Renata Santos da  2ª edição da Revista da SECULT em Cena, em que está publicado o artigo “A Pequena África Chamada Alagoas”,  escrito originalmente, em 2007.

No final da reunião, Santoro reafirmou a parceria do Governo do Estado  acrescentando que a implementação da Incubadora Afro  é um investimento em políticas públicas. Políticas estas que  asseguram os direitos sociais e essa é uma das grandes metas do Estado de Alagoas.

 

 


Postado em 10/01/2017 às 17:25 0

E nosso nome foi escolhido por votação direta via internet: Espia só!


Por Arísia Barros

 Carlito Lima,o  Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana, ex Prêmio Espia foi instituído,em 2005 numa brincadeira, como sátira aos prêmios de fim de ano que têm interesse, meramente,  monetário e contempla mais empresários, políticos ou gente influente. 

Organizado pelo  articulador-agitador cultural e escritor, Carlito Lima, da Associação Cultural Alagoa do Sul, o  Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana, vem premiando os artistas que contribuíram para a cultura alagoana durante o ano  de 2016.

A escolha d@s premiad@s se dá por votação direta, eleição via internet. A votação foi aberta dia 1º de outubro e encerrada dia 31 de dezembro.

E na 13ª edição do prêmio , como coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, fui contemplada com o destaque Cultura Negra.

A festa de entrega do prêmio será  realizada, a partir das 17 horas, durante a Festa do Pôr-do-Sol no Acarajé do Alagoinha, Praça Gogó da Ema, orla da Ponta Verde, em Maceió,AL, com direito a pôr-do-sol e boa música.

E Carlito Lima convida: “Participe desse encontro com a cultura alagoana. "Chegue cedo para pegar uma boa mesa e assistir um lindo por-do-sol.

Para a ativista preta, Arísia Barros, escolhida como destaque da cultura negra, em Alagoas  do ano de 2016, receber o  Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana  agrega três valores s fundamentais:"O trabalho que está sendo feito, o alcance da ação  e o mais importante: a a participação  popular,".

Obrigada, Carlito Lima.

E no mais espero vocês, lá.

Tá bom?!


Postado em 10/01/2017 às 00:51 0

Lei Federal nº 10.639/03 é pauta de agenda política com presidente do Senado e Vice-Governador do Estado de Alagoas.


Por Arísia Barros

Em reunião acontecida na noite desta segunda-feira, 09 de janeiro, a coordenadora  do Instituto Raízes de Áfricas,Arísia Barros, presidenta do PMDB Afro em Alagoas, Fernanda Monteiro, representante da ONG ELROI, Nelma Nunes, a estudante de Propaganda e Publicidade, Arianne Barros  e a deputada estadual, Jó Pereira estiveram presentes em uma mesa de debate com o presidente do Senado, Renan Calheiros e o vice governador de Alagoas, Luciano Barbosa.

A reunião, articulada pelo Instituto Raízes de Áfricas, enfocou os 14 anos que marcam a criação da  Lei nº 10.639/03, neste 09 de janeiro.

A 10.639/03 estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileiras e africanas nas escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio, através do  o Parecer do CNE/CP 03/2004 que aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas; e a Resolução CNE/CP 01/2004.

A Lei ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira.

O Presidente do Senado  e Luciano Barbosa mostraram receptivos em discutir uma proposta de parceria buscando   estreitar laços de diálogo, propondo a efetivação de um trabalho coletivo entre Estado e  sociedade.

Uma outra questão apresentada a  Renan Calheiros foi a proposta  do Governo Federal em abrir o Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento para perfis de pessoas não contempladas na ação.

Diversos outros assuntos foram tratados como a universalização do ensino, Programa Mulheres Mil.

Nelma Nunes falou sobre  a questão dos egressos dos Sistema Socioeducativo e fez a sugestão de uma escola em tempo integral dentro das unidades socieducativas.

Fernanda Monteiro  reafirmouuma   que  é necessário a política permanente do investimento human..

A deputada estadual Jó Pereira  colocou seu mandato parlamentar a disposição para fomentar  a .articulação com os movimentos sociais

Renan Calheiros reiterou a disposição dele, do vice-governador para colaborar, no que for possível, em promover o desenvolvimento das políticas públicas já existentes, principalmente, as que priorizam as populações mais vulneráveis.  

Ao final do encontro, como referendo ao 9 de janeiro e a Lei nº 10.639/03,  o presidente do Senado entregou a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas,   Arísia Barros, um exemplar do livro LEGBA- a Guerra Contra Xangô em 1912, de Fernando Antônio Gomes de Andrade.


Postado em 08/01/2017 às 23:11 0

Artigo “A Pequena África chamada Alagoas” é publicado na SECULT em Cena.


Por Arísia Barros

Atendendo a convite de  Rosiane Rodrigues, secretária adjunta da Secretaria de Estado da Cultura, a escritora, publicitária e ativista preta, Arísia Barros tem em destaque nas páginas da 2ª edição da Revista da SECULT em Cena,o artigo “A Pequena África Chamada Alagoas”,  escrito originalmente, em 2007 e publicado  no Caderno  Saber, da Gazeta de Alagoas, pelo jornalista Enio Lins .

O artigo vem cumprindo o papel a que foi destinado, de servir como ponto de referência interpretativa e a complexidade sobre a realidade racial nos espaços da escola  e das Alagoas de Palmares.
O Pequena África teve grande circulação na mídia, foi reproduzido em vários sites e vem servindo como fonte de pesquisa para inúmeros trabalhos acadêmicos, dentre eles o  TCC de Antonia Matilde Sarmento de Souza, intitulado  Práticas de letramento na Educação de Jovens e Adultos, pela Universidade Federal de Alagoas, em 2010.

Serviu de referência para o trabalho acadêmico denominado: ”Estudos acerca da identidade negra afro-religiosa na Baixada Fluminense: a construção histórica de uma relação entre identidade, reivindicação política e religião”, que faz parte dos Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH , São Paulo, julho 2011, tendo como autoras a  doutora em Sociologia  e professora Adjunta no Departamento de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Andrea Lopes da Costa Vieira e Adriana Maria Braga Botelho e Silva, graduada em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. graduanda no Curso de Licenciatura em História da Universidade do Grande Rio  para a composição do artigo:

Foi também publicado na Revista eletrônica da Fundação Cultural Palmares e deu título ao livro A pequena África chamada Alagoas, lançado em 2007, pela editora pernambucana, Edições Bagaço.. 

Segundo Arísia Barros: “O livro é uma coletânea de artigos publicados em jornais locais e na Internet. Para começar os artigos contei com o incentivo máximo do jornalista  Enio Lins que me “intimou” a colocar as idéias no papel, daí surgiu o  produto final."

A 2ª edição da SECULT em Cena será lançada posteriormente.

 

Sobre a SECULT em Cena.

Para  Melina Freitas, secretária de estado da Cultura, “A revista Secult em Cena chega como um novo capítulo na história da cultura alagoana, fazendo um registro da nossa identidade, daquilo que devemos reconhecer como nosso, que devemos valorizar e nos apropriar.  Nossas manifestações folclóricas, danças, religiosidade são nossas raízes, são a base para a construção dos caminhos que iremos trilhar. Por isso, tenho sempre frisado a necessidade de aflorar o sentimento de pertencimento no alagoano”.

“Esta produção é uma forma de despertar o sentimento de pertencimento, mostrando para a sociedade tudo o que vem  sendo produzido no universo cultural alagoano. A revista reafirma o compromisso do Governo de Alagoas com o fomento e o desenvolvimento de nossas manifestações culturais e também abrir ainda mais o diálogo com toda a sociedade”, destacou a secretária.

 


Postado em 08/01/2017 às 17:09 0

Estima-se que 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negros.


Por Arísia Barros

Como a ditadura perseguiu militantes negros

Documento inédito mostra como a repressão monitorava integrantes do então embrionário movimento negro brasileiro

 

 

 

Com medo de que a luta pela igualdade racial crescesse à luz de movimentos internacionais como o Panteras Negras e se voltasse contra a polícia, a ditadura passou a seguir os passos de militantes e reuniões do embrionário movimento negro brasileiro.

Documento de 24 de outubro de 1979 mostra como o IV Exército, no Recife, descrevia um foco de “problemas”. “A partir de 1978 apareceu um novo ponto de interesse da subversão no País, particularmente nos estados do Rio de Janeiro e, com mais ênfase, na Bahia: a exploração do tema racismo, procurando demonstrar a sua existência e colocar o negro brasileiro como motivo de discriminação”, diz o texto de sete páginas. 

O relatório nunca antes divulgado revela que o “método” utilizado para a obtenção das informações deu-se pela “infiltração em entidades dedicadas ao estudo da cultura negra, por meio de palestras em reuniões e simpósios”, como a IV Semana de Debate sobre a Problemática do Negro Brasileiro, em abril de 1978 na Bahia. A temática das palestras, segundo os militares, tratava de temas como “a tão falada democracia racial não passa de um mito”, “o racismo no Brasil é pior do que no exterior, porque é sutil e velado”, “a existência da Lei Afonso Arinos, contra o racismo, é prova de que ele existe”, “a Abolição da Escravatura foi imposta pelas necessidades da economia capitalista e não por uma preocupação sincera com a situação do negro”. 

O documento havia sido solicitado em 11 de junho, por meio da Lei de Acesso à Informação, ao Comando do Exército, que oito dias depois respondeu não possuir arquivos sobre o monitoramento de ativistas negros. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou, no entanto, o relatório no Arquivo Nacional, em Brasília, há duas semanas. Segundo o ouvidor-

adjunto da CGU, Gilberto Waller, esta é a primeira vez que se encontra um documento confidencial elaborado exclusivamente para tratar do tema, quando o que se via até então eram trechos e citações a outros textos. “Vemos que o Estado se preocupou com o movimento negro a ponto de ter classificado as informações”, explica. “Na visão da CGU, em termos de acesso à informação, é um grande ganho conseguir algo de valor histórico tão relevante.” 

 O relatório, cujo rodapé alerta: “Toda e qualquer pessoa que tome conhecimento de assunto sigiloso fica, automaticamente, responsável pela manutenção de seu sigilo. Art. 12 do decreto no 79.099, de 6 de janeiro de 1977”, cita a mobilização nacional em torno da formação do movimento contra a discriminação racial. “Os grupos do Movimento Negro de Salvador são: Ialê, Malê, Zumbi, Ilialê, Cultural Afro-Brasileiro. Esses grupos apresentaram, no dia 8 julho de 1978, ‘moção de solidariedade aos integrantes do movimento paulista contra a discriminação racial, pelo ato público antirracista do Viaduto do Chá’”. 

O objetivo era evitar que a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos alcançasse o País

O ato, segundo a socióloga Flavia Rios, autora da tese Elite Política Negra no Brasil: Relação entre movimento social, partidos políticos e estado, diz respeito à marcha que saiu naquele dia do Viaduto do Chá em direção ao Teatro Municipal para a criação do Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, que mais tarde se tornaria o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial. “Ele é formado por ativistas de várias regiões do País, tem essa característica nacional”, conta a também coautora da biografia sobre a militante negra Lélia Gonzalez. “Havia uma preocupação da ditadura de que ideais do movimento armado Panteras Negras, por exemplo, e da luta dos direitos civis americanos pudessem chegar aqui. Por isso, o regime acompanhou vigilantemente manifestações políticas e encontros.”

O informe até pouco considerado inexistente fala ainda sobre uma “campanha artificial contra a discriminação no Brasil” e lembra que, “em virtude das restrições políticas”, o Movimento Negro de Salvador passou a realizar reuniões paralelas e a adotar organizações celulares, com base nos “centros de luta”, compostos de três integrantes. A capital baiana teria sete desses centros, cuja função era “mobilizar, organizar e conscientizar a população negra nas favelas, nas invasões (de terras urbanas), nos alagados, nos conjuntos habitacionais, nas escolas, nos bairros e nos locais de trabalho, visando a formar uma consciência dos valores da raça”.

Além do encontro nacional do Movimento Negro de Salvador, entre 9 e 10 de setembro de 1978, no Rio de Janeiro, os arapongas descrevem a Terceira Assembleia Nacional do Movimento Negro Unificado, em 4 de novembro de 1978, na capital baiana, com militantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Citam o Congresso Internacional da Luta contra a Segregação Racial entre 2 e 3 de dezembro de 1978, em São Paulo. E relatam o ciclo de palestras do Núcleo Cultural Afro-Brasileiro, no segundo semestre de 1978 em Salvador, do qual participaram opositores como o deputado federal baiano Marcelo Cordeiro e o paulista Abdias do Nascimento, professor emérito na Universidade de Nova York. Além do acadêmico, são citados militantes monitorados como José Lino Alves de Almeida e Leib Carteado Crescêncio dos Santos, além do senador baiano Rômulo Almeida e “agitadores angolanos no movimento negro, caracterizados como refugiados da guerra civil”.

Em relação ao teor da agenda do Movimento Negro à época, os repressores ressaltam que a pauta era composta de pontos como a necessidade de se contestar o regime, aprofundar o engajamento no movimento pela anistia, projetar no exterior a imagem do “mito da democracia racial brasileira”, escolher o 20 novembro para o Dia Nacional da Consciência Negra, melhorar as condições de emprego da população negra, e buscar dar fim à sua marginalização na sociedade e à maior proporção de negros nas penitenciárias. 

Estima-se que 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negros.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/revista/867/a-paranoia-nao-tem-cor-1121.html

 

 


Postado em 03/01/2017 às 22:21 0

Presidente do Senado recebe carta pela liberdade de Rafael Braga.


Por Arísia Barros

 

Em reunião ocorrida na noite desta terça-feira, 03/01, o presidente do Senado, Renan Calheiros recebeu a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros e a presidenta estadual do PMDB Afroabrasileiro, Fernanda Monteiro.

A reunião teve como pauta pedir o apoio da presidência do senado para  a campanha internacional que pede a liberdade de Rafael Braga, o morador de rua, preso injustamente  e condenado por portar uma garrafa de pinho sol, nas manifestações de junho de 2013.

Rafael Braga é o único preso das manifestações de 2013 e segundo Carlos Eduardo Martins, do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH): “Se trata do caso mais simbólico de racismo institucional da última década no Rio de Janeiro”.

Na ocasião, o presidente do Senado recebeu a carta formal pela liberdade de Rafael Braga, já entregue pelo Instituto Raízes de Áfricas, ao presidente Michel Temer, quando de sua vinda a Alagoas, no dia 27 de dezembro.

Renan Calheiros colocou-se a disposição para dar o suporte necessário ao esclarecimento do caso e afirmou que apesar  do recesso parlamentar e da justiça  buscará agilizar o processo.

Arísia Barros reafirmou sobre a omissão do estado brasileiro sobre o crimedo  racismo que mata e criminaliza, preferencialmente, a população preta.

Participaram da reunião, o cardiologista José Wanderley Neto, membro do Diretório estadual do partido e  o advogado,Luciano Guimarães.. 

Entenda o caso Rafael Braga:

Acusado de portar material explosivo quando levava apenas duas garrafas plásticas de produtos de limpeza – uma de água sanitária da marca Barra e outra de desinfetante da marca Pinho Sol -, Rafael foi preso enquanto acontecia, no Centro do Rio, a grande manifestação de 20 de junho de 2013. Mesmo sem ter qualquer ligação com a manifestação, durante a qual outras pessoas foram presas e logo liberadas, ele foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) e, com uma agilidade atípica em processos judiciais, condenado em primeira instância apenas cinco meses depois – tendo permanecido preso enquanto aguardava o julgamento por um crime que nunca cometeu.

 

 

 


Postado em 25/12/2016 às 23:29 0

Com apoio da FIEA, Instituto Raízes de Áfricas, articula agenda afirmativa para 2017, em Brasília.


Por Arísia Barros

Com apoio da Federação das Indústrias do estado de Alagoas, o Instituto Raízes de Áfricas articulou uma agenda afirmativa, com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério de Educação, IPHAN Nacional e Secretaria Nacional da Juventude

O objetivo das intervenções foi, no primeiro momento, pontuar o diálogo com orgaos  do  Governo Federal  e  iniciar a  discussão centrada no processo de construção de uma  agenda de trabalho para o ano de 2017, com ações conjuntas entre governo federal, estado, municípios, iniciativa privada e movimentos sociais.

Uma agenda que garanta a participação social e sistêmica, no processo de implementação das ações afirmativas, a partir da realidade do estado de Alagoas.

Durante as discussões, diversos pontos foram destacados, dentre eles a iniciativa do estado de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Fazenda, em parceria com o movimento negro para a criação do Fundo Estadual para Promoção da Igualdade Racial.

Em reunião com Tamara da Silva, chefe de gabinete da SEPPIR e, Camila, a responsável pela agenda institucional ouvimos a assertiva de que a Secretaria está à disposição para contribuir com as ações afirmativas do estado.

Com Ivana Siqueira, Secretária da SECADI foram tratados temas como processos para  desburocratização e implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana,/Lei Federal nº 10.639/03, a Lei estadual nº 6.814/07. Participantes da reunião Raquel Nascimento Dias, coordenadora-geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais da Diretoria de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais discorreu sobre a importância de agregar diversos segmentos na implementação de políticas públicas extremamente relevantes, John Carter, responsável pelos Fóruns Permanentes para Educação Etnicorraciais falou sobre  a retomada da ação dos fóruns.

O Fórum Permannete em Alagoas está desativado.

Ivana Siqueira afirmou da satisfação em recepcionar o Instituto Raízes de Áfricas, uma das representações do movimento negro, em Alagoas e colocou-se a disposição para o diálogo com as outras representações negras do estado.

No IPHAN discutimos com Andrey Rosenthal Schlee, diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização e Hermano Fabrício Oliveira Guanais e Queiroz, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial sobre  a importância  do  Espaço Abdias Nascimento, onde repousam as cinzas do estadista preto, na Serra da Barriga,AL  e a necessidade da construção  do diálogo entre o IPHAN e outros outras institucionalidades, dentre eles, a Fundação Cultural Palmares,  para  as devidas autorizações  visando qualificar  e estruturar o Espaço Abdias Nascimento, como um espaço de contemplação,

Estivemos ainda com Bruno Moreira Santos, secretário da Secretaria Nacional da Juventude e Anderson Neto, gerente de projeto, onde tratamos do Programa Juventude Viva que segundo o gestor será transformado em Plano.

 E encerrando a programação da agenda afirmativa dialogamos com o consultor do Senado Federal, Mário Theodoro sobre a conjuntura do movimento negro no contexto atual.

Foi definido um calendário de trabalho, com o objetivo de reunir propostas e estratégias coletivas para consolidar o diálogo, como  permanente.

"Agradeço o convite do Instituto Raízes de Áfricas para participar dessa agenda que é tão importante para que os acordos, pendentes, em relação a política da igualdade racial  que já existem precisam possam ser cumpridos", afirmou Fernanda Monteiro, presidente da Comissão do PMDB Afro, em Alagoas, que  participou da agenda.

 

 


Postado em 14/12/2016 às 09:25 0

Com seu discurso repleto de amorosidade, Adalberto de Sousa encantou as meninas da UIF. E a nós também.


Por Arísia Barros

Ele foi convidado,na manhã nervosa do dia 11 de novembro,  através de um telefonema, horas antes, para ocupar o espaço deixado pela falta de compromisso de outrem.

A proposta era  participar de uma rodada de conversa com as meninas internas da Unidade de Internação Feminina, órgão da Secretaria de Estado de Prevenção á Violência e sob a gerencia de Samara Veluma.

A ação aconteceu no 2º dia de realização do I Ciclo de Formação em Direitos Humanos e Diversidades: Sistema Penal e Racismo' que foi dedicado à sociedade civil.

Pego de surpresa, Adalberto de Sousa, Srelações públicas,, em Maceió,AL, me dizia, avexado:- Arísia, não tenho muita técnica ou mesmo conhecimentos mais abalizados para falar para essas meninas. Como posso te ajudar? E depois de segundos de reflexão decidiu: - Como sinto isso como um chamado, vou atender seu pedido de socorro. Fecharei algumas pendências no trabalho e as 15h estarei lá

E ele foi. E com sua voz modulada pausada e apaziguadora derramou a essência da amorosidade por toda sala.

A Roda de Conversa com Adalberto Sousa  possibilitou carinhos n’alma, abraços, sorrisos, auto-encontros. Permitiu que aquelas meninas abrissem corações embaçados pelo descaso cotidiano.

Adalberto Sousa ofertou  às meninas um  oceano de palavras, a coragem de apostar na fé.

Fez aquelas meninas internas se balançarem em um território de conforto, tranqüilidade, confiança e humanização.

As meninas socioeducandas ouviram atentamente cada palavra, com um sorriso pendurado nos lábios e a cabeça numa dança sicronizada em sinal de concordância, os olhares atentos dissecavam significados e significantes que desbrava o conhecimento tão integral, tão simples.

Adalberto Sousa é um palestrante motivador, desses que fala direto ao coração, meticuloso, cuidadoso com as palavras.

As meninas externaram frases de agradecimento afirmando que: O Sr foi o único que olhou para nós e perguntou quem a gente era, de onde veio, o que queria da vida.  O Sr, realmente nos viu. E o melhor fala bem e explica para gente o  significado  das palavras difíceis.

O Sr. Agora é  nosso amigo- decretaram no final de um diálogo emocionante.

Não é todo mundo que tem sensibilidade e perspicácia para lidar com os que  socialmente vulneráveis e marginalizados, vivem  nas periferias da história. Adalberto Sousa tem expertise nessa  técnica de aliar o amor a palavra que fala em  fortalecimento subjetivo, coletivo conhecimento.

Com seu discurso  repleto de amorosidade Adalberto Sousa encantou as meninas da UIF e a nós também.

Parabéns, Adalberto Sousa.

Obrigada!