Raízes da África
Raízes da África

Postado em 20/06/2017 às 12:50 0

Ação inédita no país,Conferência Livre da Saúde das Mulheres Encarceradas e de Promoção da Igualdade Racial apresenta sua programação.


Por Arísia Barros

 

Acontece amanhã dia 21 de junho, das 9 às 17 horas , a 1ª Conferência Livre de Saúde da Mulher Encarcerada e  a Conferência Livre de Promoção da Igualdade Racial, como ação conjunta.

A proposta da conferência, segundo  a organização , é dar a atenção especifica às necessidades de saúde  das mulheres encarceradas, fomentando  a discussão que servirá  de subsídio para elaboração de propostas que serão encaminhadas a etapa estadual da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres”.

 Desta forma, serão elaboradas propostas para o fortalecimento de programas e ações de implementação da Política Nacional de Atenção Integral da Saúde das Mulheres, contemplando o quesito das mulheres em situação de prisão e a questão  racial.

Uma das mulheres  em situação de privação de liberdade será eleita representante, para atuar como “delegada”, com direito à voz e voto, na Conferência Estadual da Saúde das Mulheres, que acontece dias 05 e 06 de julho, em Maceió,AL.

"Considerado que a dupla opressão sofrida pela mulher negra ( gênero x raça) e a vulnerabilidade social surgida dessa duplicidade discriminatória  , a Conferência Livre realizada no Presídio Santa Luzia, em que quase 90% das mulheres encarceradas  são negras,  representa um palco  legitimo para a  discussão acurada sobre as questões", explicou a  coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas e organizadora da ação, Arísia Barros.

Mais informações: 98827-3656/3231-4201

 Programação 1ª Conferência Livre da Saúde das Mulheres Encarceradas e de Promoção da Igualdade Racial.

8h-  Plantio de árvores  pelas mulheres em situação de prisão, no Presídio Santa Luzia.

8h30- Recepção com ajeum de boas vindas

9h-  Apresentação Afro-poética: Mirian Soares- Militante da juventude negra, feminista e estudante do Curso de Serviço Social da UNIT

9h10-Abertura Oficial/Composição de mesa:

10h- Diálogo I:

O Desafio da Reintegração Social da Mulher em Situação de Prisão.

 Shirley Araújo -Gerente de Reintegração Social- SERIS/AL

10h30- Diálogo II :

 O Direito à Saúde da Mulher em Situação de Prisão”,

Silmara Mendes- Coordenadora do Curso de Serviço Social- Centro Universitário- UNIT

11h- Diálogo III:

 “Vamos falar sobre Saúde como bem-estar físico, mental e social?

 Christian Teixeira- Secretário de Estado da Saúde

11h30- Diálogo IV-

12h- Pausa para o almoço

14h- Roda de Conversa:A Cor de Prisão

      Bruna Lopes- Representante da Secretaria Especial de Promoção de Políticas para Igualdade                             Racial/Ministério de Direitos Humanos

       Retirada de propostas e escolha da delegada do Presídio Santa Luzia para a 1ª Conferência Estadual de            Saúde das Mulheres, que acontece nos dias 05 e 06 de julho.

 

15h30- Ajeum

 

17h- Encerramento

 

 

                        

 

 

 

 


Postado em 18/06/2017 às 11:14 0

Nenhum discurso é neutro. A escola ao omitir-se, contribui para intensificar o preconceito.


Por Arísia Barros

Ana Laura tem 02 anos e é o seu primeiro dia na creche. É o início da socialização entre seus pares, outras crianças-bebês como ela. Lúcia, a mãe produziu o cabelo da menina com muitos tererês e pequenas tranças.

Ao chegar à creche, Ana Laura, uma bela menina negra, é recepcionada pela tia-professora que em arroubos emocionais quase que grita: Mãezinha como ela está bonita!

Um aparte: Que cultura sexista é essa das escolas infantis que faz com que nós, mulheres percamos a identidade do nome para ser reduzidas a simples “mãezinhas?

Entre o texto e o contexto novas crianças vão chegando, umas cabisbaixas, outras competindo com a resistência dos tecidos das saias e equilíbrio emocional das mães. Chega Maria Clara, uma bela criança loira, olhos claros e como Ana Laura recebe a recepção da-tia professora.

Agora o adjetivo é ampliado, torna corpo. Ao ver Maria Clara a tia explode: Mãezinha como ela está lindaaaa! Ana Laura, a menina primeira, não entende o que é adjetivo, mas sente que entre o"bonita" e o "lindaaa" há entraves, contrastes e diferenciações.

Nenhum discurso é neutro.

Os arroubos emocionais e diferenciais da professora da creche no comparativo entre as duas crianças uma preta, outra branca é o reflexo dos conceitos absorvidos e naturalizados sobre o bonito e o feio, o negro e o branco, o Brasil Colônia dos brancos e a senzala periferia dos ditos “escrav@s”. A escola ao omitir-se contribui para intensificar o preconceito.

Observando a diferença de demonstrações afetivas da tia-professora a pequena, Ana Laura menina negra já começa a descobrir a desvantagem do ser diferente e que ter pele clara e “cabelo liso” traz privilégios!

Como as escolas alagoanas exercitam  as Lei Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº6.814/07?

Você sabe?


Postado em 17/06/2017 às 19:01 0

Por que as pessoas são tão racistas?- me pergunta a aluna da Escola Estadual Rosalva Ribeiro, em Maceió,AL.


Por Arísia Barros

 

A Bianca Maria, Jannael Oliveira, Louise Maiara, Marcela Carla, Maria Alessandra, as cinco meninas e  Willians Gabriel, o único menino, tod@s alun@s  do Ensino Médio da Escola Estadual Rosalvo Ribeiro,do bairro de Bebedouro,Maceió,AL, eram entrevistador@s, e eu foi escolhida, pela professora Juliana Alves para ser a entrevistada, como atividade da  pesquisa/ trabalho da disciplina Sociologia.

O tema?

Racismo e as políticas afirmativas.

O local escolhido foi o Espaço Ubuntu, na Biblioteca Pública Graciliano Ramos, centro da capital.

Falamos durante uma hora sobre racismo e suas conseqüências, ações afirmativas.

Falamos da desumanização dos corpos de pret@s provocadas pelo racismo, do seqüestro de valores, das inúmeras dores do ser pret@, da escravização contemporânea.

Da Lei nº10.639/03 que não é exercitada nas escolas.

Falamos da Lei Estadual nº6.814/07 que é sumariamente ignorada.

No primeiro momento, as meninas pretas da equipe,  tentaram a invisibilidade, mas, depois relaxaram e se posicionaram na escuta, como a dividir as vivências de exclusão.

Depois de muito falas e explicações, uma das meninas pretas,constrangida, ressabida pergunta: Por que as pessoas são tão racistas?

Por que, hein?!

 


Postado em 16/06/2017 às 13:00 0

Instituto Raízes de Áfricas e SERIS realizam Conferência Livre da Saúde das Mulheres Encarceradas e de Promoção da Igualdade Racial.


Por Arísia Barros

Na quarta-feira (21), a partir das 9 horas as  mulheres encarceradas do Presídio Santa Luzia  participam da Conferência Livre de Saúde da Mulher Encarcerada, com a temática central "Saúde das Mulheres: desafios para a integralidade com equidade", aliada a Conferência Livre de Promoção da Igualdade Racial, como ação conjunta.

Iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas, a Conferência Livre conta com apoio do Governo do Estado, através da SERIS. A Federação da Insdutria do Estado de Alagoas , SECOM e SEADS são parceiros na ação.

O objetivo   é  dar voz  à essas mulheres invisibilizadas, a partir da discussão sobre  o impacto que a situação de privação da liberdade tem sobre a saúde das mulheres ,criar propostas relacionadas à saúde da mulher encarcerada, potencializando espaços de interlocução em gênero e raça, como também   colher novas propostas , que incluam a temática, em gênero e raça,  na  Conferência  Estadual e Nacional.

 A implementação da Política de Saúde da Mulher Negra  será outro tema a ser abordado.

As propostas recolhidas na conferência Livre serão levadas para a 2ª Conferência Nacional da Saúde das Mulheres e da Promoção da Igualdade Racial, após serem apresentados na etapa  Estadual.

E uma das mulheres encarceradas participantes será eleita representante, para atuar como “delegada” na Conferência Estadual da Saúde das Mulheres, que acontece dias 05 e 06 de julho, em Maceió,AL.

"Considerado que a dupla opressão sofrida pela mulher negra ( gênero x raça) e a vulnerabilidade social surgida dessa duplicidade discriminatória  , a Conferência Livre realizada no Presídio Santa Luzia, em que quase 90% das mulheres encarceradas  são negras,  representa um palco  legitimo para a  discussão acurada sobre as questões", explicou a  coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas e organizadora da ação, Arísia Barros.

Mais informações: 98827-3656/3231-4201

 

 


Postado em 14/06/2017 às 12:01 0

Que o Espaço Ubuntu, em Alagoas, seja uma ferramenta inquieta de formação e promoção do conhecimento libertador.


Por Arísia Barros

 

Quem faz o depoimento é cientista político, Alisson Ferreira, cientista político e integrante do Movimento Negro Unificado em  Divinópolis, cidade do centro-oeste mineiro, quando de sua visita ao Espaço Ubuntu.

Alisson Ferreira, fala: “Foi um imenso prazer visitar o Espaço Ubuntu. Em minha passagem por esse lindo e revolucionário Estado de Alagoas  fui embriagado pela história. Zumbi vive! Sim ele está na alma dos que amam e se dedicam à luta pela causa dos negros e negras desse país... Zumbi vive, na luta por dignidade de cada cidadão brasileiro abandonado à própria sorte por desgovernos e calhordices das elites.

Amei está aí, e voltarei para me banhar nas águas revolucionárias que brotam abundantes em ALAGOAS!!!

Parabéns pelo Espaço Ubuntu! Que ele seja uma ferramenta inquieta de formação e promoção do conhecimento libertador.”

 

O Espaço Ubuntu é uma iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas com adesão, institucional da Secretaria de Estado da Cultura.e funciona na Biblioteca Pública Gracilaino Ramos que  fica localizada na Praça Dom Pedro II, S/N - Centro, Maceió - AL, 57020-13- Fone: (82) 3315-7877.

 Seu nome  Ubuntu, termo africano, tem o significado: ‘Eu sou porque nós somos”, foi  inaugurado no dia 16 de agosto, dia de Obaluaê.

 


Postado em 14/06/2017 às 09:57 0

Perguntei a Jesus se sua mãe estava em casa, disse que sim, gritando logo em seguida:- Mãe tem gente!!!!


Por Arísia Barros

Bati na porta do barraco e ele apareceu com um sorriso do tamanho do mundo  e dentes incrivelmente bonitos e brancos, perguntei-lhe qual seu nome.

Alargando, ainda mais, o sorriso, respondeu:- Menino Jesus.

Dei um sorriso de volta para o menino Jesus e meus olhos encontraram as entranhas do cubículo e toda miséria espalhada no cômodo único.

Perguntei a Jesus se sua mãe estava em casa, disse que sim, gritando logo em seguida:- Mãe tem gente!!!!

A mulher não custou a aparecer. Surgiu enxugando as mãos na saia e pedindo desculpas pela bagunça da casa. Falava com sorrisos escapando-lhe da boca farta de vazios. Diferente do filho faltava-lhe muitos dentes, mas, isso não sombreava o sorriso largo e espontâneo.

Apertou-me a mão, efusivamente, e se apresentou:- Sou Maria, a mãe do menino Jesus- disse ela (Uau! Pensei comigo), e fazendo as honras da casa, escancara a porta e diz:- Entra aí, Dona, se ajeite aqui, apontando um sofá que há muitos anos já foi novo.

Entro e me ajeito no sofá.

 A casa da Maria, mãe do menino Jesus fica numa dessas grotas da capital alagoana e de longe dá para perceber a vulnerabilidade dessa vida segregada de direitos, além da manjedoura.

Depois da conversa inchada de desabafos das carências sociais (o marido sumiu no mundo embriago de álcool, falta tudo, até comida para o menino),  feito por Maria, despeço-me, desejando no fundo d’alma que o  menino Jesus, preto, pobre, periférico e com um largo sorriso que abraça sonhos, tenha o direito de se transformar em um homem com o sorriso farto de conquistas.

E saio de lá meditando e pedindo ao Pai Maior e tod@s  Orixás permissão para que o menino Jesus tenha direito a ter futuro, ficar velho, diferente de outros meninos, como ele, pretos, pobres e periféricos, que são  atropelados e mortos pelo 


Postado em 12/06/2017 às 10:23 0

Instituto Raízes de Áfricas se reúne com o procurador-geral de Justiça do MPE,Alfredo Gaspar, para discutir estratégias de combate ao racismo.


Por Arísia Barros

 

Na quinta-feira, 08 de junho, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros se reuniu com o procurador-geral de Justiça do Ministério Público Estadual, em Alagoas, Alfredo Gaspar visando propor um  plano concreto de ação de  combate ao racismo de forma continuada, para avançar na efetivação das políticas públicas, direcionadas ao povo  preto, com a perspectiva de manter o assunto na agenda sócio-política e  institucionalização mais ampla da temática, dentro do próprio MP.

Na pauta da reunião foram discutidos, ainda, casos de  denúncias discriminação racial e violência, ocorridos recentemente em escolas da rede privada e pública,da  capital alagoana.

De acordo com Alfredo Gaspar, o Ministério Público já tem se posicionado em diversos casos,através do Núcleo sob a supervisão do Promotor Flávio Costa,entretanto ressaltou que a instituição  continuará se empenhando em  fortalecer a luta pelo combate ao racismo, visando resgatar o direito à  cidadania da população preta e participação plena na sociedade.

Na ocasião, Arísia Barros fez a entrega do convite para participação do promotor na mesa de abertura da Conferência Livre da Saúde das Mulheres  Encarceradas e Conferência Livre de Promoção de Políticas da Igualdade Racial,sob o tema: "Pelo Direito e Respeito à Eqüidade de Gênero e Raça", que acontece dia  21 de junho, no  Presídio Santa Luzia


Postado em 11/06/2017 às 19:24 0

Meu caro, jornalista Ricardo Mota, que tal pensar a violência em Alagoas do ponto de vista do racismo?


Por Arísia Barros

 

Meu querido jornalista,Ricardo Mota,  começo dizendo que sou sua fã e afirmando que assisti, atentamente,  a entrevista  sobre  os últimos números da  violência, em Alagoas, com o delegado José Carlos dos Santos,  presidente do Sindicato dos Delegados de Alagoas,nesse domingo, 11/06, no Ricardo Mota Entrevista.

Assisti a entrevista e fiquei um tanto, militantemente, inquieta.

 A violência, em Alagoas é uma sangria que mata, descaradamente e impunemente , as gentes segregadas e marginalizadas, as populações abandonadas nas periferias distantes, especialmente, jovens pretos e  pobres..

A violência em Alagoas é marcada pela desigualdade social, que não se resume apenas a questões socioeconômicas, mas passa, fundamentalmente por dimensões socioculturais e étnico-raciais.

A violência em Alagoas é uma guerra injusta que se retroalimenta  da naturalização e banalização social e do Estado,em relação ao crime de racismo.

E para dissecar essas questões proponho o convite a Carlos Martins, que é  sociólogo , desenvolve pesquisas e ministra palestras nas áreas das relações étnicas raciais e segurança pública e militante do movimento negro para uma discussão sobre a violência étnica do Estado, no seu Ricardo Mota Entrevista.

Carlos Martins tem dois livros lançados, um deles chamado  “Polícia e estigma: A construção do sujeito desviante”, fala  sobre o  o modelo de segurança pública em Alagoas que não contempla a população negra de forma protetiva.

Atualmente desenvolve atividades como docente na Faculdade Mauricio de Nassau - Maceió onde leciona as disciplinas sociologia, filosofia e ética, bioética, comunicação e expressão, projeto integrador, jogos empresariais, história geral da educação e empreendedorismo.

E foi o professor  Carlos Martins que  teve  a iniciativa pioneira de criar a Liga Acadêmica de Raça, Etnia e Cultura (Larec) do Centro Universitário Maurício de Nassau em Maceió – UNINASSAU.

A LAREC é a única Liga do gênero nos Centros Universitários em Alagoas.

Meu caro, jornalista Ricardo Mota, que tal pensar a violência em Alagoas  do ponto de vista do racismo?


Postado em 11/06/2017 às 16:42 0

Recebo a notícia do Neafros Tambores dos Montes, lá das Minas Gerais, que serei homenageada com o Troféu Rainha Nzinga. No dia de África, em 2018. E fico feliz.


Por Arísia Barros

 

A cidade de Montes Claros  conhecida como "Princesa do Norte", está localizada  na região Norte das Minas Gerais.

Hilário  Bispo é historiador e militante das causas raciais faz anos, e é ele quem coordena o Neafros Tambores, lá em Montes Claros.

Foi Hilário que oficializou via e-mail, nossa indicação para receber o Troféu Rainha Nzinga, no 25 de maio de 2018. Dia de África.

Quem indicou nosso nome para o  Hilário foi Maria Catarina Laborê, grande liderança preta de Divinópolis, centro oeste mineiro.

Ser indicada para receber o Troféu Nzinga por dois companheiros da militância, lá das Minas Gerais, nos dá a certeza de que estamos no caminho certo e reforça o nosso compromisso de continuar  no ativismo em nome da lutas para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.

Segundo ,Hilário Bispo, o idealizador: “O  Troféu Rainha Nzinga surgiu com objetivo de dar visibilidade ao protagonismo das mulheres negras, em especial a rainha NZINGA, mulher guerreira que enfrentou o poder colonial português.  O troféu rainha Nzinga é um prêmio que simboliza a luta das mulheres ao preconceito racial e o combate ao racismo, na perspectiva de gênero é raça."

O Neafros Tambores é um Núcleo de Estudos das Relações Étnicos Raciais da cidade de Montes Claros, que tem como objetivo a luta contra as desigualdades raciais e a defesa dos direitos sociais fazendo um recorte nas questões de gênero e raça.

Obrigada, companheir@s.

E que venha 2018!


Postado em 11/06/2017 às 15:17 0

Princesa,da zona sul do Rio de Janeiro, recebe acusação de racismo.


Por Arísia Barros

 

A matéria saiu no jornal Extra e  fala das ações rotineiras de racismo no Brasil da democracia racial, republicamos:

Menino é vítima de racismo em mercado na Zona Sul e pai desabafa: 'Inaceitável'

 

Andre Couto, educador de 38 anos, e seu filho Everton, de 12 anos, foram fazer compras, neste sábado, no supermercado Princesa, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, como costumam fazer sempre. Porém, o que era para ser mais um dia na rotina dos dois, acabou se transformando num episódio de racismo contra o menino.

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— Quando acontece uma situação dessas com você é muito duro, muito desestabilizante. Mas nada se compara com você ver isso acontecendo com um filho seu. Nunca tinha experimentado uma situação como essa — contou o educador, que está com Everton há 18 meses, desde que o adotou.

Andre estava passando os produtos no caixa para pagar, quando o filho pediu para comprar também um chocolate. Como o produto estava sem o preço, o educador pediu que o menino fosse procurar uma máquina para saber o valor do produto e continuou passando o resto das compras no caixa.

Quando se virou, Andre viu que Everton tinha sido abordado por um segurança que tirou o chocolate da mão do menino e estava encaminhando-o para a saída. Imediatamente, Andre questionou a atitude do funcionário.

— O funcionário, que disse ser um fiscal, falou que uma pessoa disse alguma coisa sobre o meu filho para ele. Não faz sentido nenhum abordar um cliente com um produto na mão atrás da linha do caixa. Não existe nada mais banal do que isso dentro de um mercado, é assim que se faz. Se houve mesmo essa pessoa, o que fez o segurança abordar o meu filho foi o fato dele ser um menino negro. Porque fora isso não há nada de diferente das outras pessoas dentro do mercado — disse.

Depois de ser questionado, Andre contou que o funcionário acabou se retirando e chamando um gerente. Um segundo gerente foi chamado e os quatro foram para uma sala onde os funcionários se desculparam pelo ocorrido.

— Eu falei que não aceitava porque não acho que seja o caso de pedir desculpas. Qual é o protocolo do mercado para abordar clientes? Se existe um, é importante que ele seja revisto e se não existe, é importante que seja criado e não leve em consideração aspectos exteriores. O meu filho não pegou o chocolate, ultrapassou os caixas e estava se dirigindo para a rua, longe disso. Então para mim é inaceitável e não aceito desculpas — desabafou o pai que relatou a situação em seu perfil no Facebook.

Andre ainda não foi na delegacia prestar queixa por racismo, mas disse que pretende fazer um boletim de ocorrência para que o episódio sirva como mais um alerta sobre os casos de racismo no Brasil.

— Não tenho sentimento de revanchismo ou vingança. Essa situação não se encerra nela mesma, é muito mais um sintoma que tem a ver com 500 anos de história desse país. Eu não posso lidar com essa história toda, mas se significar um repensar do Princesa e dos seus funcionários, colocar o assunto em pauta e constar nas estatísticas de vítimas de racismo no Brasil, então vale a pena. Vou fazer o que me couber para proteger o meu filho, isso me parece o mais correto a fazer — desabafou.

O EXTRA procurou o supermercado Princesa para falar sobre o episódio, mas foi informado por funcionários da unidade de Laranjeiras que o escritório só funciona de segunda a sexta-feira.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/menino-vitima-de-racismo-em-mercado-na-zona-sul-pai-desabafa-inaceitavel-21462642.html


Postado em 11/06/2017 às 12:33 0

Cientista político do centro-oeste mineiro afirma: "Quando fui à Alagoas fiz questão de conhecer o Espaço Ubuntu."


Por Arísia Barros

Quando da agenda de lutas, de 19 a 22 de maio, na I Jornada dos Desafios Abolicionistas do Século XXI,  o Instituto Raízes de Áfricas fez visita de reconhecimento a sede do Raça MUNDI- Movimento Negro Unificado em   Divinópolis, cidade do centro-oeste mineiro  e lá  conhecemos o  Alisson Ferreira , cientista político e integrante do MUNDI.

E entre conversa e outras palavras, Alisson falou da viagem de lua-de-mel que fez a Maceió, reafirmando as belezas naturais da capital alagoana.

O cientista social lamentou não ter conhecido a Serra da Barriga, em União dos Palmares, mas, ressaltou a visita que fez ao Espaço  literário Ubuntu, na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos,que agrega  obras de escritor@s pret@s  e que relatam a história e a cultura afro brasileira/alagoana.

-Estive no Espaço, observei as obras existentes e penso ser uma iniciativa legitima pelas lutas seculares que o estado de Alagoas carrega em sua história.

O Espaço  uma iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas contou com adesão, institucional,  da Secretaria de Estado da Cultura .

Seu nome  Ubuntu, termo africano, tem o significado: ‘Eu sou porque nós somos”, foi  inaugurado no dia 16 de agosto, dia de Obaluaê.

Sobre a I Jornada dos Desafios Abolicionistas do Século XXI,

Iniciativa da ativista mineira, Maria Catarina Laborê, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas,  a série de ações da I Jornada mobilizou, aproximadamente, em torno de 700 pessoas, que participaram de rodas de conversas, palestras , encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi, diálogo no parlamento municipal.

A ação teve apoio do SindUTE,Fóruns Regionais,Irmandade Nossa Senhora, MUNDI, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Governo do Estado de Alagoas.

 A I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI terá prosseguimento, possivelmente no mês de julho/agosto,  em outras cidades mineiras, como forma de colaborar para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.


 

A Biblioteca Pública Gracilaino Ramos fica localizada na Praça Dom Pedro II, S/N - Centro, Maceió - AL, 57020-13- Fone: (82) 3315-7877


Postado em 06/06/2017 às 18:43 0

Menina vendida como escrava que virou afilhada da rainha é uma prova de como os negros são apagados da História.


Por Arísia Barros

Tratados muitas vezes pelos registros da história como uma massa homogênea, uma multidão sem identidade, a história dos negras e negros negociados como escravos é obviamente feita de indivíduos que, como todos, possuíam idiossincrasias, talentos, angústias e anseios.

A incrível vida de Sarah Forbes Bonetta, que em 1848 estava prestes a ser executada na Serra Leoa pelo rei Ghezo, quando foi salva por um capitão do exército inglês para se tornar afilhada da rainha Victoria, é um dos milhões de exemplos.

Quando soube que a menina, que perdera os pais em um ataque do rei Ghezo à tribo de Egbado, da qual fazia parte, seria executada, o capitão Frederick E. Forbes convenceu o rei a salvá-la e oferecê-la como um presente à rainha Victoria. Ao receber o “presente”, Victoria se impressionou com a extraordinária inteligência da garota, e a criou no meio da alta classe inglesa como sua afilhada.

Bela, brilhante e dotada de muitos talentos – aos oito anos já falava um inglês impecável, aprendendo também instrumentos diversos – Sarah foi um forte exemplo, mesmo para a rainha, de como as ideias de superioridade racial não faziam sentido.

Aos 18 anos, Sarah se casou um empresário de origem Iorubá, como ela, e retornou à Serra Leoa, para ter 3 filhos e se tornar professora.

Ela, porém, jamais perdeu contato com a rainha, que se tornaria também madrinha de uma de suas filhas – a menina, assim como a mãe, também possuía grande talento para a música e para as línguas.

Pouco se conta hoje sobre a história de Sarah, mas sua trajetória extraordinária nos lembra da força e dos horrores sofridos pelos povos negros, escravizados e arrancados de sua própria identidade, que tiveram que lutar contra tudo e todos para simplesmente poderem ser quem são.

Fonte: http://www.hypeness.com.br/2017/06/menina-vendida-como-escrava-que-virou-afilhada-da-rainha-vitoria-e-uma-prova-de-como-os-negros-sao-apagados-da-historia/