Raízes da África
Raízes da África

Postado em 29/04/2017 às 23:16 0

No meu país não sei o que é racismo - afirma a estudante africana.


Por Arísia Barros

 

Nura  é africana de Guiné Bissau e estudante de Direito  da Universidade Federal de Alagoas e    na II Roda de Construção de Diálogos Yépada: Diálogos Afro-Contemporâneos, que aconteceu dia 26/04, dialogou sob o tema: "Ser Jovem em Áfricas",

A II Roda foi promovida pelo Instituto Raízes de Áfricas, com o apoio do Governo Federal, Governo do Estado de Alagoas, Prefeitura de Maceió, deputada estadual, Jó Pereira,AMA e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas..

Ao iniciar  a fala,  Nura asseverou que é muito difícil  fazer um paralelo entre ser jovem no país africano e no  Brasil. São  conceitos dissonantes.

-Quando cheguei aqui me causou certo espanto por ser  a única estudante  no curso considerado de elite.

No meu país- diz ela. Nunca teria medo de me deparar com outro jovem preto nas ruas e temer ser agredida. No Brasil a juventude preta é muito marginalizada.

Foi só aqui que descobri o conceito de racismo. Tive um amigo que desistiu de viver, em Alagoas e preferiu viver e estudar em Fortaleza.

Durante a seleção para o programa federal de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G), que possibilita a pessoas de outros países cursarem ensino superior no Brasil, o entrevistador não dá muitas informações sobre Alagoas, que é  descrita como um estado de belas praias. Para muitos de nós, Maceió se resume a Ponta Verde. É assim que se vende Alagoas.

E ninguém fala sobre o racismo?- Pergunta um participante fazendo intervenção. E ela:- Não.  Só se fala das praias, principalmente  da Ponta Verde.

E refletindo diz:- Eu gosto de fazer tranças no meu cabelo, mas me foi aconselhado  que essas tranças criam  uma imagem social inferior,  ligada aos pobres da favela.

Os conceitos do Brasil em relação aos jovens pretos são muito diferentes de Áfricas.

A começar pelo racismo- finalizou.


Postado em 28/04/2017 às 13:05 0

II Roda de Construção de Diálogos Yépada, em Alagoas,reúne 33 municípios.


Por Arísia Barros

 

Um número considerável e substantivo de 33 municípios alagoanos, estiveram presentes na  II Roda de Construção de Diálogos Yépada: Diálogos Afro-Contemporâneos.

A ação dos Diálogos Yépada realizada na última quarta-feira, dia 26, em Maceió,AL,  foi promovida pelo Instituto Raízes de Áfricas, com o apoio do Governo Federal, Governo do Estado de Alagoas, Prefeitura de Maceió, deputada estadual, Jó  Pereira,AMA e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.

A realização da II Roda  se constitui  em um desdobramento positivo  do I Encontro de Gestores sobre Projetos Estruturais de Políticas Públicas para População Negra,ocorrido dia 6  de março, na Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), quando da vinda de 11 ministérios à Alagoas, articulada pelo Instituto Raízes de Áfricas e a Secretaria Nacional de  Articulação de Políticas Sociais do Governo Federal.

 A atividade aconteceu no auditório da Secretaria de Infraestrutura-SEINFRA e teve  como objetivo apresentar ao público presente o Programa ID Jovem, além de entender como os participantes estão percebendo o cenário no tocante  a aplicabilidade das políticas de combate as desigualdades raciais nos municípios em que atuam.

Mediada pela coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros , a II Roda contou com  a presença nas mesas temáticas da Secretária Adjunta Especial da Juventude da Prefeitura de Maceió,AL, Olívia Tenório,a estudante africana do curso de Direito/UFAL, Nura Alves e  Kassynara Cassiano, Miss Brasil Internacional.

As convidadas puderam dialogar  sobre as suas realidades locais frente  a construção de políticas para juventude, como também da vivência do racismo e suas conseqüências.

Durante  a ocasião, a  militante preta, Fernanda Monteiro e a Secretaria da Juventude de Maceió,Olívia Tenório apresentaram o Programa ID Jovem.

A efetiva participação com questões e posicionamentos da platéia enriqueceram o debate.

Como resultado dos Diálogos foi criado o Observatório Jovem Afro-Virtual  afim de compartilhar e possibilitar a troca de ideais sobre novas construções de diálogos.

 


Postado em 25/04/2017 às 13:12 0

Miss Brasil Internacional, Kassynara Cassiano, fala sobre superação na II Roda de Construção de Diálogos.


Por Arísia Barros

Idealizada pelo Instituto Raízes de Áfricas,  a  II Roda de Construção de Diálogos Yépada: Diálogos Contemporâneos, acontece dia 26/04, quarta-feira.

 A realização da II Roda  se constitui  em um desdobramento positivo  do I Encontro de Gestores sobre Projetos Estruturais de Políticas Públicas para População Negra,ocorrido dia 6  de março, na Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), quando da vinda de 11 ministérios à Alagoas, articulada pelo Instituto Raízes de Áfricas e a Secretaria Nacional de  Articulação de Políticas Sociais do Governo Federal.

Tendo como pauta, lançamentos e mesas de diálogos, a II Roda Yépada terá  a participação da  alagoana, Kassynara Cassiano, eleita  Miss Brasil Internacional , em um concurso de beleza ocorrido, no mês de  outubro, no estado do Espírito Santo.

Candidatas dos 26 Estados mais o Distrito Federal concorreram ao importante título sendo avaliadas nos quesitos como desfile de passarela, popularidade, comportamento social, beleza, simpatia e nos trajes típicos, de banho e de gala.

Kassynara Cassiano falará sobre o tema : “Mulher, Alagoana, Preta, Cirurgiã-Dentista e Miss Brasil Internacional:  A Juventude que transpõe barreiras”.

Aberto ao público a  ação conta com o apoio do Governo Federal, Governo do Estado de Alagoas, Prefeitura de Maceió, deputada estadual, Jó  Pereira e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.

A Roda acontece no auditório da Secretaria   de Estado da Infraestrutura.

Para garantir participação inscreva- pelo e-mail com os seguintes dados: nome, endereço, instituição para o e-mail raizesdeafricas@gmail.com

Haverá inscrição no local

Mais informações: 98827-3656/3231-4201

Confira a programação

8h30- Credenciamento

9h- Abertura

9h30-Diálogo I- Juventudes, Sentidos, Política e Cidadania

Sobre Juventudes e Políticas- Olívia Tenório- Secretária Adjunta Especial da Juventude, em Maceió,AL.

A Juventude Preta e a política do Genocídio- Madlene Delfino- Preta, militante, estudante de Serviço Social/UNIT/AL, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social Amanhece UNIT/AL

Ser jovem em Áfricas- Nura Alves- Africana de Guiné Bissau- Estudante de Direito/UFAL

10h30- Diálogo/Debate  ampliado

11h- Diálogo II-

Apresentando A Identidade Jovem, ou simplesmente ID Jovem.

Higo Mara- Monitor Regional do Programa ID Jovem

11h30- Diálogo/Debate ampliado

12h- Pausa para o almoço

14h- Diálogo III-Mulher, Alagoana Preta, Cirurgiã-Dentista e Miss Brasil Internacional

A Juventude que transpõe barreiras, com Kassynara Cassiano

14h30- Diálogo ampliado

15h00- Encerramento

Serviço: Roda de Construção de Diálogos Yépada

Dia: 26 de abril

Horário: 8h30h  às 15h.

Local: Auditório da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra)
Endereço: Rua Cincinato Pinto, 530 – Centro – Maceió – AL (antiga SOPROBEM)

 

 

 

 

 


Postado em 24/04/2017 às 22:59 0

II Roda de Construção de Diálogos Yépada, apresenta sua programação


Por Arísia Barros

 

Idealizada pelo Instituto Raízes de Áfricas,  a II Roda de Construção de Diálogos Yépada , acontece dia 26 de abril,sob o tema Diálogos Contemporâneos.

Segundo a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros,a segunda edição da Roda  constitui um desdobramento positivo  do I Encontro de Gestores sobre Projetos Estruturais de Políticas Públicas para População Negra,ocorrido dia 6  de março, na Associação dos Municípios de Alagoas (AMA),quando da vinda de 11 ministérios à Alagoas, articulada pelo Instituto  e a oportunidade para o lançamento/apresentação do Programa Identidade Jovem, ou simplesmente ID Jovem, que terá como facilitador Higo Maia, representante da Secretaria Nacional da Juventude, como também conhecer realidades sobre a juventude, seus sentidos, política e cidadania.

 O Programa Identidade Jovem é uma ferramenta digital que possibilita, aos jovens,  acesso aos benefícios de meia-entrada em eventos artístico-culturais e esportivos e também a vagas gratuitas ou com desconto no sistema de transporte coletivo interestadual, conforme disposto no Decreto 8.537/2015.

São convidados  jovens e os municípios alagoanos e seus organismos de políticas de juventude, esporte, cultura, educação, assistência social,mobilidade, segurança,judiciário, ministério público e sociedade civil.

A ação conta com o apoio do Governo Federal, Governo do Estado de Alagoas, Prefeitura de Maceió, deputada estadual, Jó  Pereira e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.

A Roda acontece no auditório da Secretaria   de Estado da Infraestrutura.

Para garantir participação inscreva- pelo e-mail com os seguintes dados: nome, endereço, instituição para o e-mail raizesdeafricas@gmail.com

Mais informações: 98827-3656/3231-4201

Confira a programação

8h30- Credenciamento

9h- Abertura

9h30-Diálogo I- Juventudes, Sentidos, Política e Cidadania

Sobre Juventudes e Políticas- Olívia Tenório- Secretária Adjunta Especial da Juventude, em Maceió,AL.

A Juventude Preta e a política do Genocídio- Madlene Delfino- Preta, militante, estudante de Serviço Social/UNIT/AL, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social Amanhece UNIT/AL

Ser jovem em Áfricas- Nura Alves- Africana de Guiné Bissau- Estudante de Direito/UFAL

10h30- Diálogo/Debate  ampliado

11h- Diálogo II-

Apresentando A Identidade Jovem, ou simplesmente ID Jovem.

Higo Mara- Monitor Regional do Programa ID Jovem

11h30- Diálogo/Debate ampliado

12h- Pausa para o almoço

14h- Diálogo III-Mulher, Alagoana Preta, Cirurgiã-Dentista e Miss Brasil Internacional

A Juventude que transpõe barreiras, com Kassynara Cassiano

14h30- Diálogo ampliado

15h00- Encerramento

Serviço: Roda de Construção de Diálogos Yépada

Dia: 26 de abril

Horário: 8h30h  às 15h.

Local: Auditório da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra)
Endereço: Rua Cincinato Pinto, 530 – Centro – Maceió – AL (antiga SOPROBEM)

 

 

 


Postado em 23/04/2017 às 22:14 0

9 verdades e 1 mentira para Rafael Braga.


Por Arísia Barros

Juliana Borges que é Feminista Negra. Pesquisadora em Antropologia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde cursa Sociologia e Política. Foi Secretária Adjunta de Políticas para as Mulheres da Prefeitura de São Paulo (2013), escreve:

"1. Rafael Braga foi preso por portar produtos de limpeza lacrados na época das manifestações de Junho de 2013;

2. Rafael Braga foi o único condenado naquelas manifestações até hoje;

3. Outras pessoas presas à época logo foram soltas para esperar julgamento e responder em liberdade. Brancas;

4. Rafael Braga foi preso novamente, enquanto cumpria regime aberto, com uso de tornozeleira eletrônica, quando ia da casa de sua mãe até a padaria. Policiais alegaram que ele portava 0,6g de maconha e 9g de cocaína. Rafael negou as acusações;

5. Os PMs, segundo Rafael Braga, o abordaram violentamente e disseram que se ele não relatasse traficantes da região iriam “jogar arma e droga na conta” do jovem. Uma testemunha relatou ter visto, de fato, a abordagem violenta. O policial que mais agredia Rafael é branco;

6. Em depoimento, os PMs que registraram a ocorrência foram contraditórios em suas versões. Tanto sobre o local em que abordaram Rafael, quanto da reação do mesmo, além de como e quando o levaram a delegacia. Mesmo com isso, Rafael Braga foi condenado a 11 anos de prisão.

7. Com exceção de ativistas e militantes de DH, bem como veículos de mídia especializados no tema de DH e segurança pública, além de artistas negros e do movimento negro, nenhuma outra voz se levantou em solidariedade a Rafael Braga em um explícito caso de desrespeito às garantias constitucionais e direitos humanos. O “estado de exceção” em ação explícita e contínua;

8. O Estado Policial e de Exceção age sobre a vida de corpos negros desde 1888 – já que a primeira Lei Criminal brasileira continha artigos que embasavam tratamento desigual, desumano e diferenciado para indivíduos negros;

9. A guerra às drogas é um subterfúgio estatal para militarizar territórios perifericos e majoritariamente negros, controlar e descartar corpos negros;

10. Vivemos em uma democracia racial, com igualdade de condições, tratamento e possibilidades. Somos todos reconhecidamente cidadãos em qualquer esfera social. Somos um povo amistoso e o racismo, no Brasil, “é cordial”.

#LibertemRafaelBraga

Fonte: http://justificando.cartacapital.com.br/2017/04/22/9-verdades-e-1-mentira-para-rafael-braga/


Postado em 23/04/2017 às 17:16 0

A nossa presença incomoda. Sobre o racismo em uma festa de formatura.


Por Arísia Barros

 

A mineira , estudante da  Universidade Federal de Uberlândia e conselheira no Conselho Nacional de promoção da Igualdade Racial CNPIRDandara Tonantzin Castro, escreve:

A nossa presença incomoda. Sobre o racismo em uma festa de formatura.

"Nessa semana participei da formatura dos meus amigos de Engenharia Civil da Universidade Federal de Uberlândia-UFU. Na noite de ontem, no baile, fui de TURBANTE.

No início muitos olhares incomodados, mas os vários elogios me acalmavam. Quase no fim da festa, já do lado de fora, um cara branco puxou meu turbante forte. Disse para ele soltar e saí. Quando passei por ele novamente, sozinha, ele puxou pela segunda vez, fiquei tão brava que gritei para ele não tocar no meu turbante. Ele acenou para os amigos virem, quando juntaram em uma rodinha um deles puxou o turbante da minha cabeça e jogou no chão. Quando fui catar, incrédula do que estava acontecendo, jogaram cerveja em mim. Muita cerveja. Fiquei cega, sai desesperada para achar meus amigos. Sabia que se ficasse ali poderia até ter mais agressões físicas.

Meus amigos imediatamente chamaram a segurança (todos negros) que logo entenderam que se tratava de racismo e logo foram tirá-los da festa.

 Um deles teve a cara de pau de falar ao segurança que não meu agrediu "só tirei aquele turbante da cabeça dela".

As namoradas (todas brancas) vieram pra cima de mim. Tentei explicar que era racismo, o cinismo prevaleceu e sem êxito sai de perto. Ficaram de cima dos seguranças pedindo para me tirar da festa também, como se a minha presença fosse um problema.

Meus amigos ainda tentaram conversar, mas o ódio cega. Quando fui ao banheiro,  ainda tive que ouvir ameaças indiretas, sobre me bater e outras coisas terríveis que não consigo nem dizer aqui. Fomos os últimos a sair por medo de fazerem alguma coisa conosco do lado de fora.

Negros na formatura? Na limpeza, segurança ou servindo.

Mantive-me forte muito tempo. Mas o racismo é cruel. Minhas lágrimas estão molhando muito a tela do celular, só de pensar que estes e tantos outros passaram impunes. Tenho muito orgulho de ter formado um preto, pobre vindo do interior como o Filipe Almeida, seguimos com a certeza de que vamos resistir."

Fonte: Dandara Tonantzin Castro 


Postado em 23/04/2017 às 14:32 0

Anin Urase, a condenação de Rafael Braga e a dor virtual.


Por Arísia Barros

Anin  Urase é baiana,  pan africanista e membro da articulação "Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta!"

Anin fala  sobre a indiferença preta em relação aos nossos e muitos Rafael Braga  , e, é importante ouvir Urase.

Fala Anin:

"Agora começarão as #Hastergs, as passeatas nas ruas que terminarão nos bares; palavras de ordem que só um grupo vai ouvir; textos e cartazes que não mudam um fato inexorável: Rafael Braga foi condenado a 11 anos de prisão.

E sabe gente, há milhares de Rafael por aí. No Rio, no Acre, no Paraná. Não precisa você se desbancar de Roraima pro Rio de Janeiro. Tem Rafael aí na sua cidade. E você está fazendo o que?

Eu não agüento essa revolta virtual que não se transforma em ação organizada de médio e longo prazo. Vamos ser honestos? Foram POUCOS os que acompanharam a família de Rafael, que fizeram um corre pra garantir assistência material a sua mãe, uma senhora que não lê nem escreve. São poucos que querem realmente estar ali no corre do dia a dia, DE GRAÇA, pra cuidar dos nossos. E sabe por que?

Porque o movimento negrinho quer mesmo é cargo no governo. “Cês” pegam edital pra caralho! Quanto desse dinheiro foi pra pagar advogado, comprar comida, pagar o transporte...,das famílias cujos filhos estão na masmorra? Porra nenhuma. Querem viver na contradição de ter suas ações financiadas pelo mesmo estado genocida que mantém 1 milhão de pessoas pretas presas. Querem o glamour chulo das secretarias de promoção da igualdade racial. Esse pequeno poder que calou a boca de muita gente. Essa migalha de poder que afasta os EMPODERADOS da irmandade em situação de rua. Milhões em festas, em eventos, em viagens internacionais. E os nossos na masmorra. Cara, tem ONG de mulheres negras que recebeu 750 MIL REAIS em 2014 SÓ DA FUNDAÇÃO FORD. Construir algo de longo prazo pro nosso povo? Uma escola, uma cozinha comunitária, uma clínica popular....PORRA NENHUMA!

Eu protelo ao máximo retornar à Universidade, mas se eu tiver que voltar um dia, meu trabalho vai ser levantar quanto de dinheiro essa cambada toda recebeu nos últimos 10 anos pra vocês verem a desgraça que é essa militância. O trabalho fácil do edital. O emprego fácil da ONG. Projetinho. Reuniãozinha. Carrinho e viagem internacional. Classe média negrinha. Movimento negrinho. Linha auxiliar da supremacia branca.

Quando a agonia passar, todo mundo vai esquecer menos quem está no front. Voltarão a bater o c* no chão como forma de empoderamento, nude como forma de empoderamento; cabelo azul como forma de empoderamento...,,e nosso povo preso nas cadeias cheias de rato.

O "primeiramente" desses foi o fora Temer, e quem não prioriza seu próprio povo deveria parar de falar em nosso nome e ir lamber o rabo de seus senhores nos partidos de esquerda e de direita - sim, porque essas desgraças chamadas PARTIDOS POLÍTICOS recebem MILHÕES de reais todo ano. E nenhum desses é pra comprar uma pomada pra quem está com o corpo tomado de escabiose. Essa agonia é de quem não está fazendo NADA. A consciência dos que pelo menos tenta está LIMPA. E amanhã, quando a poeira baixar, os mesmos poucos continuarão no front, enquanto os empoderados estarão desfilando com seus turbantes.

Recuso-me a me dizer empoderada enquanto meu povo não for livre. Já disse meu Pai: "É tudo virtual, inclusive a dor."

Fonte: Anin Urase


Postado em 21/04/2017 às 18:36 0

ID Jovem é lançado em Alagoas na II Roda de Construção de Diálogos Yépada.


Por Arísia Barros

 

O Instituto Raízes de Áfricas,  Governo Federal, Governo do Estado de Alagoas, Prefeitura de Maceió, o deputada estadual, Jó  Pereira e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas realizam, dia 26 de abril, a 2ª etapa da  Roda de Construção de Diálogos Yépada: Diálogos Afro-Contemporâneos. 

Yépada quer dizer transformar na língua iorubá.

A II Roda tem o objetivo de oportunizar o lançamento/apresentação do Programa Identidade Jovem, ou simplesmente ID Jovem., que terá como facilitador Higo Maia, representante da Secretaria Nacional da Juventude.

 O Programa Identidade Jovem é uma ferramenta digital que possibilita, aos jovens,  acesso aos benefícios de meia-entrada em eventos artístico-culturais e esportivos e também a vagas gratuitas ou com desconto no sistema de transporte coletivo interestadual, conforme disposto no Decreto 8.537/2015.

A Roda é aberta a todos os  públicos: escolas, universidades, organismos de políticas de juventude, esporte, cultura, educação, assistência social,mobilidade, segurança,judiciário, ministério público e sociedade civil.

A Roda acontece no auditório da Secretaria   de Estado da Infraestrutura.

Para garantir participação inscreva- pelo e-mail com os seguintes dados: nome, endereço, instituição para o e-mail raizesdeafricas@gmail.com

Mais informações: 98827-3656/3231-4201


Postado em 17/04/2017 às 05:40 0

Ah, Linda.. Luislinda Valois. O que te aconteceu? Não é culpa dela. A culpa é do RACISMO psicológico, entendam.


Por Arísia Barros

A magnífica preta paulista Luh Souza disseca em  um texto mais magnífico ainda, sobre o insidioso poder do racismo em pret@s que circulam na hegemonia do poder do mundo da branquitude.

Bravo, Luh.

Bravo!

Vai lendo...

 

"Quando me descobri negra, lembro de me apaixonar imediatamente por Luislinda Valois. Sua trajetória de vida, quando decidiu ainda criança ser juíza e colocar seu professor racista na cadeia, me fizeram amá-la intensamente. A primeira juíza negra brasileira e que nem passando em 1º lugar no concurso pode escolher o lugar de atuação, foi enviada para uma cidadezinha do interior, quando podia ir pra qualquer lugar que quisesse. Foi a primeira juíza a proferir uma condenação por racismo. Sua luta para se tornar Desembargadora, cujas palavras jamais esquecerei: "Eu muitas vezes tive condições de chegar lá. Muitos que nasceram e cresceram quando eu já era juíza, estão desembargadores. Eu sou mulher, baiana e negra e as portas do judiciário não são fechadas, são lacradas para quem é negro." Ela só se tornou Desembargadora de tanto que o Movimento Negro e Negros/as em Movimento gritou junto com/por ela, assim mesmo o fizeram por Decreto, após julgamento. Ou quando defendia os jovens negros da violência policial e dizia "A culpa é sempre do negro". Ah, Linda.. Luislinda.. O que te aconteceu?

Dos múltiplos racismos que sofreu nesse caminho, mesmo depois de toda a sua história, de ser nacional e internacionalmente conhecida, com livros publicados, foi impedida de entrar em uma cerimônia em sua própria homenagem onde esperavam uma loira com fenótipo francês e não uma negrona de tranças. Foi confundida com camareira da Globo, que cuidava da atriz Natália do Vale e José Mayer. São muitas histórias para contar e eu a tinha como uma das referências, tencionava ser como ela um dia.

Embora ainda penso que não se enterra o passado de alguém por conta de um mal passo, já foram dois muito errados. Me decepcionei quando ela se filiou e saiu candidata pelo PSDB. Agora, ela conclama nosso diabo machista branco como padrinho das mulheres negras. O que eu retiro dessa lição? Ela é referência ainda. Referência de luta e agora referência de como devemos nos cuidar, nos curar da doença psicológica do racismo e entender que essa doença pode nos acompanhar por toda a vida. Vejam, ela ascendeu SOZINHA, escreveu suas páginas da vida desde os 7 anos e percorreu o caminho perseguindo seus sonhos ... Ah, Linda.. Querida, Luislinda...

Chegou lá, sozinha, sem ajuda desses que agora se aproximam dela. Algo não ficou definido na maturidade das relações Racismo x Mérito para ela durante essa jornada. Precisa devolver a 'benfeitoria' que lhe fizeram convidando-a para participar de um partido majoritariamente branco, racista e elitista. Precisava devolver a gratidão por chegar ao Ministério e ai onde precisa abaixar a cabeça pra acenar agradecimento se esquecendo que lá era mesmo o lugar dela, sempre foi. Batalhou sozinha pra entrar em todos os espaços, e perdeu a mão, esqueceu de onde veio, esqueceu quem ela era e tinha de demonstrar 'Amar seu Senhor porque passou a viver na clave ou no sótão', como bem diria Malcolm X.

Sinto tanto, envergonhada por ela, por mim, por todas as mulheres e filhos de mulheres negras, que ela tenha tomado todos os medicamentos ao longo da vida e não se curou do racismo psicológico que nos injetam nas veias, nos olhos, pela pele e no cérebro desde que nascemos. O legado anterior dela não pode ser questionado. É uma trajetória linda, poderosa e vai ser sempre, mas da doença do racismo psicológico da reverência, agradecimento e servidão aos seus senhores da qual ela não se curou, sim! Não é culpa dela. A culpa é do RACISMO, entendam. Sabemos que essa doença existe, temos Celso Pitta , Holiday e ela para provar.

Meu coração não permite espezinhá-la. Não, não.. Ela é minha mãe negra de longe, sabe? Eu a tinha adotado há anos! Mulher, negra, pobre, nordestina, idosa.. Não posso matá-la em mim, não posso. Eu sinto tanta dor, porque não a queria pregada numa estaca sendo apedrejada nessas alturas da vida. O Racimachismo é o culpado (palavra que inventei na junção do Racismo + Machismo). Se ela fosse minha mãe realmente? Ela é como se fosse. Ela é. A culpa não é dela. Não é.

Vamos nos medicar em doses mais altas daqui pra frente."

 

Fonte: https://www.facebook.com/aluzasouza/posts/2000552953303890

 


Postado em 14/04/2017 às 16:51 0

O feminicídio estrutural,sistêmico e naturalizado em Alagoas,mata muito,muito mesmo, Excelência Renan Filho.


Por Arísia Barros

 Desde 1º de janeiro deste ano até a data presente, segundo a Secretaria de Segurança Pública,Al, quarenta e seis mulheres(?) foram mortas, em Alagoas e segundo estatísticas nacionais, Alagoas é o segundo estado do Brasil, onde  a violência contra a mulher é crescente.
 Quando  uma mulher é morta pela condição de ser mulher, associado a isso questões como menosprezo, sentimento de perda do controle e da propriedade( pelos homens), comuns em sociedades marcadas pelo machismo, o nome disso é feminicidio. E o feminicidio tem matado muitas mulheres nas Alagoas dos Marechais, Excelência.
Tomando por base os resultados do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o  feminicídio (assassinato por motivação de gênero) entre mulheres negras subiu para 54% na última década. Entre mulheres brancas, caiu 9%, embora os números ainda sejam alarmantes. Mas se a queda de 9% dos assassinatos de mulheres brancas não significa muito, imaginem então o aumento de 54% dos crimes fatais contra mulheres negras.
É preocupante e crescente a negligência institucionalizada em relação às altas taxas do feminicídio e os  níveis de tolerância/naturalização social dessa violência . 
É urgente que o Estado de Alagoas estabeleça   providências, em resposta as agressões/machismo que se perpetuam até culminar no extremismo do assassinato.
São muitas mortes anunciadas e urge que o Estado se instrumentalize para  coibir o problema e garantir  com a adoção de política de estado a proteção à vida.
Existe, em seu governo, Excelência,algum orgãos ou Secretaria que trate da  criação de políticas publicas de prevenção, combate e reeducação à violência contra a mulher?
O feminicídio mata muito, em Alagoas, principalmente as mulheres pretas e pobres,cuja  taxa  de homicídios  é mais que o dobro da de mulheres brancas.
Quais são essas políticas existentes,em Alagoas,  que assegurem que as vidas de milhares de mulheres  deixem de ser estatísticas alarmantes,Excelência?

Qual o Planejamento estratégico que tem o Governo do estado de Alagoas, para a inclusão da dimensão racial nas políticas públicas, adoção de ações afirmativas voltadas para o combate ao racismo, xenofobia, intolerância religiosa e suas lacunas mortais, Excelência?
Qual é a estratégia estatal para decompor, com educação e ações eficazes e eficientes,   a internalizada e naturalizada ideologia racista/machista que violenta o corpo da mulher?
A imobilidade é a qualidade dos mortos e politicamente o Estado de Alagoas precisa reagir ao feminicídio estrutural,sistêmico e naturalizado, que mata muito, muito mesmo.
Reagiremos, Excelência?


Postado em 14/04/2017 às 12:42 0

Mais um crime levou crianças e adolescentes alunos de escolas da rede pública a um cemitério para enterrar amigos. A PM continua seu trabalho diário de sabotar o futuro.


Por Arísia Barros

Palavras de um professor do Wesley no Ensino Fundamental:
"Hoje acordei com uma notícia que eu gostaria que fosse mentira. Um ex-aluno meu, do sétimo ao nono ano, de 15 anos, chamado Wesley de Paula foi morto, levando vários tiros nas costas, numa "ação policial" na noite do último domingo no Morro do Fallet, no Rio Comprido, Região Central do Rio.
Eu fui professor desse garoto desde que ele tinha 12 anos e tenho certeza absoluta de que ele não tinha nenhum envolvimento com o tráfico. Conheci o pai dele, que sempre se preocupou com o bem estar do Wesley e por quem eu tenho uma enorme admiração pelo carinho e cuidado que ele sempre teve com o filho.
Essa mensagem além de ser uma homenagem ao Wesley, que era um garoto especial, inteligentíssimo e um talento da dança e da performance (ele adorava Rap, dançava Passinho como um profissional, tinha carisma fora e encima do palco...) além da homenagem ao Wesley, que era um cara especial, esse pequeno texto é um apelo ao povo Carioca e Brasileiro, sobre o rumo que queremos dar a essa cidade e ao nosso país. Blindar escolas, apartheid social, violência policial, nada disso é solução. Você que apoia discursos de ódio, de candidatos como Bolsonaro e cia, se coloque no lugar de quem é pobre, mora numa comunidade, é negro, ou nordestino, índio, homossexual, trans e tantas outras "minorias". Educação é a base pra uma sociedade mais pacífica e é um investimento de médio e longo prazo. Lute pra melhorar a vida de todo mundo, seja social, cultural, econômica ou espiritualmente. Quando a vida de todo mundo melhora, a sua também fica melhor. A Vida do Wesley foi tirada covardemente, mas que essa história nos ajude a repensar o que a gente quer pra nossa vida. São muitas questões pra resolver, mas tenho certeza que a educação de qualidade que deveria chegar a todos, inclusive a quem um dia vai se tornar policial, é a base de uma sociedade mais justa e menos violenta.
Um dia te reencontro na eternidade Wesley! Ainda estou sem acreditar que isso aconteceu com você. Só me resta a certeza da saudade e da necessidade de ajudar a resgatar o amor, que muitos esqueceram e que é necessário e urgente. Sigo aqui como quem perdeu um aluno, um sobrinho de consideração, um amigo que teria uma vida brilhante pela frente."

Fonte: Página do facebook-onir.araujo


Postado em 14/04/2017 às 10:40 0

Somos, nós, pret@s, peças descartáveis de um sistema que ameaça fazer da escravidão uma realidade ao alcance de toda a população.


Por Arísia Barros

 O artista militante de Belo Horizonte,Ricardo Aleixo, nos fala:

 "Cada pessoa negra neste país precisa ser alertada quanto ao papel que a história nos reserva em tempos, como agora, quando já nenhum projeto coletivo, de tipo "democrático", anima o conjunto da sociedade brasileira. Menos que os cidadãos e as cidadãs de segunda classe, que sempre fomos, tornamo-nos peças descartáveis de um sistema que ameaça fazer da escravidão uma realidade ao alcance de toda a população.

Farão, por isso, os do andar de cima, com que aumente a nossa exposição à máquina mortífera do racismo estrutural, ativada pelas polícias militares e potencializada pelo processo em curso de eliminação dos direitos elementares, sob o silêncio empenhado, interessado, quase militante, eu diria, dos representantes daqueles setores historicamente definidos como "progressistas", hoje entregues à tarefa de salvar a própria pele.

Dizer que vejo saídas a curto prazo seria afiançar uma ideia de país que só poderá dar certo se puder continuar a fazer do direito das pessoas negras à vida uma mera hipótese a ser relativizada conforme as circunstâncias. E, sim, admito que tenho dois medos:

1) o de, por expressar tão abertamente o que penso, vir a deixar minhas filhas e meu filho sem pai;

2) o de começar a pensar que, por ser quem eu sou, encontro-me em situação menos vulnerável do que a do rapaz negro, morador de alguma favela daqui ou de qualquer cidade brasileira, forçado a abandonar a faculdade por não dispor do dinheiro para a passagem. Sei que vocês gostariam de pensar que exagero."

Fonte: Ricardo Aleixo- Belo Horizonte