7h30 da manhã de uma sexta-feira, três mocinhas, bem jovenzinhas, conversam no entorno do caixa do supermercado, em um bairro de Maceió.
A conversa, entre elas, é entrecortada por risos despertos , temperados por uma inocência despolitizada, no começo do dia.
Esta ativista , Arísia Barros, não especifica idades, só reafirma que eram muito novas, tanto é que tem aparência de meninas de colégio.
Olho essas meninas recém saídas da puberdade e já recrutadas pelo sistema, (impossível não falar do capitalismo selvagem), a se incorporarem, como obrigatoriedade social a força de trabalho, e me invade um sentimento de perda.
Observo as meninas, na boca do caixa, e curiosa pergunto-lhe, se trabalham no supermercado, ou, se são jovens aprendizes.
Uma delas responde que é estagiária e as outras duas, tão jovens, como ela, funcionárias.
E, macambúzia, esta ativista se põe a refletir sobre essa herança nefasta, que a população menos aquinhoada, tem que assumi,r para que o sistema não entre em colapso.
Nossas meninas, como vigas de sustentação do capitalismo, dão vida a um projeto político que impõem a arquitetura do mundo injusto.
Um mundo que exige o auto-desprendimento do bem viver, (escala 6x1) e ano após ano, nossas meninas, nem percebem, que os sonhos envelhecem ao longo da jornada exaustiva , em prol da sobrevivência, e as impede de sonhar o sonho acadêmico.
E, algumas pessoas diziam que o sacrifício é importante para que possamos dar valor à conquista, e a gente acreditou.
Esse sistema é um vampiro, e se faz expert em impedir-nos de pensar para além da superfície.
Condicionamentos sociais.
Mas, tem outro tipo de jovem, ( homem, do sexo masculino), que não precisa provar nada,pra ninguém e, mesmo assim, o sistema os coloca no andar de cima, inalcançável, recebe o bem viver, como herança vitalícia, e muitos deles, são indicados pelo pátrio poder, como referência irrefutável para ser elegível a um cargo na Câmara Federal representando jovens, como nossas meninas, que ao longo da trajetória, se tornam cadáveres satisfeitos, da sofrência naturalizada no mundo do trabalho.
É privilégio sendo tocado.
Estratégias da desumanização, com ênfase no gênero e os birôs burocráticos, ( administrado por homens, quase sempre,politicamente brancos), invadem concepções, sufocando possibilidades.
Na próxima eleição, em Alagoas, que prioriza, enfaticamente, homens brancos, esta ativista como uma feminista negra traz a convicção de que se o mundo do trabalho, não é confortável para nossas meninas, filhas, netas, afetos, agregadas,, não serve pra nenhuma de nós.
Ou, seve?
Somos, mulheres pretas, brancas, indígenas, feministas,nordestinas, herdeiras da revolução, mas, o machismo continua a nos paralisar, como comandante de território explorável e saias, cobrindo joelhos, no chão..
Quantas de nós, feministas alagoanas, reagimos, de verdade, à opressão androcêntrica, como obrigação histórica?.
Esta ativista pensa naquelas mocinhas, na manhã de sexta-feira, na boca do caixa do supermercado engolidas pelo capitalismo selvagem e cabe tristeza..
Tem luta?!










