Segundo dados oficiais, 2025 foi um ano muito ruim para as crianças brasileiras.
Muitas desapareceram, sem deixar rastros, igualzinho a menina alagoana, Maria Clara Gomes da Silva, que sumiu, em julho de 2021, da periferia esmagada pela pobreza, no bairro do Vergel do Lago e, pouquíssimo tempo depois, a averiguação policial, sobre o caso caiu no esquecimento.
Na época, a então deputada Jó Pereira (2015-2023), estabeleceu iniciativas para acompanhar de perto o processo da menininha sumida. Visitou a família, conversou com a mãe, esteve em reunião com o delegado da Polícia Civil, Gustavo Xavier e a equipe que esteve em buscas, solicitou a reabertura do processo, participou de uma audiência pública, propôs que o nome de pessoas desaparecidas constasse nas contas de água e luz, para facilitar a localização.
Seu mandato parlamentar apoiou o “Ato Vozes do Silêncio - Onde estão nossas crianças?” promovido pelo Instituto Raízes de Áfricas, e, diversas manifestações populares em nome de Maria Clara, por fim fez indicação a Assembleia Legislativa para a criação de uma Delegacia Especializada para Pessoas Desaparecidas.
O tempo criou asas, e, lá se vão quase quatro anos, do desaparecimento de Maria Clara Gomes da Silva, apesar do crescente número de desaparecidos, a criação da Delegacia Especializada voltou ao ponto morto, o Comitê Gestor Estadual de Política Nacional de Buscas por Pessoas Desaparecidas, composto por representantes de diversas instituições, incluindo a SSP e instituições da sociedade civil, que tomou posse dia 8 de abril de 2022 foi defenestrado.
Em outros tempos, o delegado geral afirmou a esta ativista, Arísia Barros, que , de início, abriria um espaço para acolher familiares de desaparecidos.
E, nem isso, aconteceu.
Silêncio oficial.
Frio.
Formal.
Jó Pereira foi a única parlamentar que propôs a criação de uma Delegacia Especializada para Pessoas Desaparecidas, mas, os ouvidos institucionais estão moucos.
O silêncio oficial pesa , e o vazio, sem Maria Clara, também.
É sobre isso.




















