Visto a roupa para ir à rua e  do meu lar, doce lar, chamo o carro de aplicativo.

O transporte estaciona à porta e o cabra motorista vê quando afobada, na ligeireza de não perder tempo, me atrapalho com a chave no cadeado.

Após resolvido os atropelos entro no carro, com o rosto , em borbulhas de suor ( a temperatura, em Maceió,  está, absurdamente, quente).

Pergunto ao motorista qual o trajeto que ele seguirá. Responde  que o indicado pelo GPS.

Falo do caminho mais rápido, mas, rejeita a sugestão e entra na onda do GPS.

Ao descobrir que fez voltas desnecessárias reclama do aplicativo.

Deu uma vontade danada de  dizer:- Eu avisei! Mas, mantenho meu silêncio.

Outra conversa se desenha com assuntos alheios e  quando estava chegando no destino, o  cabra avista dois prédios residenciais empalecidos pelo tempo do descaso e uso diz:- É bom voltar pra casa, depois de um dia de trabalho, 

Esta ativista:- Oi? Como assim? E sem esticar o assunto afirma:- Minha casa é onde o senhor me pegou.

O motorista:- É? A senhora me desculpe.

Silenciei. Bloquei. Reclamei com o aplicativo.

Não é fácil ser mulher negra em território racista,como o estado do Quilombo dos Palmares.

A luta contra o racismo, muitas vezes disfarçado, faz parte  do cotidiano!

É enfrentamento ou apagamento.

Esta ativista opta pelo enfrentamento.

Sempre!