Raízes da África
Raízes da África

Postado em 14/03/2017 às 05:10 0

Nenhum Conselho de Direito deveria estar na estrutura de Governo- declara a deputada Jó Pereira , em Audiência Pública.


Por Arísia Barros

 

De iniciativa da deputada Jô Pereira (PMDB), em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, a Assembléia Legislativa de Alagoas realizou na tarde desta segunda-feira, 13 de março, Audiência Pública, Com o tema “200 anos de Alagoas: Mulheres - Lutas e Conquistas”,  alusiva as comemorações do  Dia Internacional da Mulher.

Com os espaços da plenária lotada, por mulheres  e homens de todos os segmentos sociais, dentre o poder público e movimentos sociais e  outros  a deputada Jó Pereira  agradeceu a participação de cada mulher presente , afirmando que “ O objetivo  da audiência é traçar um mapa da rede de proteção à mulher, no Estado, com o intuito de avançar na construção das políticas públicas voltadas para o universo feminino.

E para isso contamos com a participação do Conselho Estadual do Direito da Mulher”.

Após a fala de uma das mulheres da plenária relatando  como se deu a criação do Conselho Estadual do Direito da Mulher, a deputada tomou da palavra para dizer que “Na minha opinião nenhum Conselho de Direitos (nenhum) deveria estar na estrutura de Governo.

O Conselho deveria ser composto pela sociedade civil, pois foi feito para pensar políticas, fazer o controle social, garantir os direitos da população. Ele é a voz do povo dialogando com o governo. É esse o papel de todo Conselho e quando incorporado a estrutura governamental ele perde muito  dessa essência”- acrescentou.

Segundo apuração do Instituto Raízes de Áfricas, recentemente, mais uma conselheira do CEDIM foi lotada na Superintendencia da Mulher, da Secretaria de Estado da Mulher, que administra o Conselho, tornado-se assim mais uma agente do estado.

 

 


Postado em 13/03/2017 às 10:06 0

Quem representa o ocaso dessa moça egressa do Sistema Socioeducativo? Quem se importa?


Por Arísia Barros

Eu já a conheci fora do centro de Ressocialização, contava 20 anos.

Nascida em um prostíbulo, nunca soube quem é o pai. A mãe também não sabe.

Era uma menina marcada por tatuagens em todo corpo. Estava limpa fazia quase um ano, apesar de ajudar a mãe- para ganhar um troco- nos afazeres do bar, que tinham em casa.

Era menina determinada, de fala firme e sempre reforçava o “Vou conseguir”.

Batalhou, muito, muito e muito  por uma ocupação formal no mercado de trabalho.

A vida pregressa e o histórico só atraiam portas, secularmente, fechadas.

Não conseguiu.

Era uma moça se fazendo mulher, como dessas que  a gente tem em casa e chama de filha, mas, o estigma social tornou-a algo descartável.  

A tatuagem-declaração  de amor cravada no pescoço assustava as pessoas.

E as pessoas faziam disso uma arma para excluí-la. O gatilho está sempre atento para gente assim “fora do padrão”.

Um dia se relacionou com igual a ela, que fazia pouco tinha saído do internamento e o descaso social, o racismo camaleão as isolou, em espaços exclusivos e miseráveis.

Depois de quase um ano sem usar droga, a moça preta tatuada conheceu o crack pela mão da amante.

O poder da  droga, a indiferença social iniciaram sua jornada rumo ao pandemônio dos desencontros.

E a moça surtou. Hoje está interna em uma Casa para doentes mentais.

A essocialização das meninas socioeducativas é o grande desafio dos municípios e do Estado.

 Sair da Unidade de Internação e continuar fora dela não é uma tarefa fácil para muitos jovens.

O trabalho e o estudo  são ferramentas chaves para uma  ressocialização bem-sucedida.

Quem representa o ocaso dessa moça  egressa  do sistema socioeducativo?

Quem se importa?


Postado em 12/03/2017 às 14:38 0

As socioeducandas carregam memórias de abandono, que legitimam ausências.


Por Arísia Barros

 

O Instituto Raízes de Áfricas realizou um debate sobre Mulheres Pretas para adolescentes da UIF.

O debate aconteceu na quinta-feira, 09/03 e  foi movido por emoções, a partir das diferentes percepções do mundo e das escolhas individuais.

Quem são elas?

Quem sou eu?

A grande maioria das 14 adolescentes socioeducandas se percebe mulher "negra”.

E falam do preconceito, do escravismo da imagem, das portas fechadas e da saudade de casa.

Todas elas carregam memórias de abandono, que legitimam ausências.

O substantivo se transforma em verbo: Liberdade/libertar.

A partir da palavra dialogada, conduzo-as para um universo que não lhe é desconhecido. O universo do racismo.

E há tantas histórias coletadas no olhar dessas adolescentes. São meninas, quase mulheres, nascidas no ocaso da pobreza, do olho cego do estado para políticas públicas.

São meninas coisificadas socialmente, feito quinquilharias baratas.

Como qualificar o feminismo dessas meninas-mulheres?

Em um momento falo das mães, uma menina cai em prantos e a outra explica que a mãe dela morrera.

Falam de como o espaço de aconselhamento da Unidade de Internação Feminina as ajuda a refletir sobre tudo, inclusive sobre as mães.

Algumas confessam que só a partir do recolhimento na UIF passaram a ver as mães.

As profissionais da UIF são dedicadas no trabalho permanente de  resgatar a auto-estima das meninas, mas, falta tanto...

E as meninas falam em liberdade.

Que liberdade terão essas meninas aqui fora?

Quem as representa?

Quem se importa?


Postado em 12/03/2017 às 07:11 0

Réquiem pelos 18 anos da moça preta, que a vida jurou de morte, ou as celebrações da Semana da Mulher, em Alagoas.


Por Arísia Barros

 

Aos oito anos  ela descobriu o crack.

Eu a conhecia aos dezesseis anos, em um centro de Ressocialização.

Era mais uma tentativa de voltar à vida “normal”.

Sua 24ª internação.

Adolescente determinada e com forte potencial de liderança, a moça falava em recomeços, caminhos, possibilidades.

No fundo, no fundo ela  fantasiava o mundo aqui fora. Esqueceu de como a sociedade, os poderes podem ser cruéis com os "fora do padrão".

A moça preta participava de Rodas  de discussões do Instituto Raízes de Áfricas, e em um dessas discussões  ela pegou o microfone e falou direto para os renomados palestrantes:- Vocês falam muito bonito, e eu admiro a fala de vocês, mas, preciso  confessar  uma coisa: Não entendi nada, do que vocês disseram..

A moça era assim: aguda em suas observações, perspicaz na leitura do cotidiano.

Quando entregaram a liberdade em suas mãos, fora dos portões fechados de onde se encontrava, a moça preta reinterpretou o significado  do que vem a ser  exclusão social, preconceito, racismo tudo junto.

A liberdade  e o ócio não fazem uma boa combinação. E ela me dizia:- Eu preciso arrumar um trabalho. Ter dinheiro para comprar minhas coisas...

E  saímos na missão  de bater portas- secularmente-fechadas na busca de inserir a moça no mercado de trabalho.

Muitas promessas e nada aconteceu.

Foram  três  meses de peregrinações.

Todo  santo dia o  crack a chamava de volta: Venha. Venha. Venha!

 Sem  nenhuma forma de  acompanhamento estrutural para  egressa-socioeducativa,  a  moça preta que ficou na abstinência das drogas durante 365 dias, sucumbiu a sedução e  voltou para o lugar  que a sociedade a percebe: Voltou para o crack.

Para a prostituição.

Para  a vida do crime.

A moça preta está marcada para morrer.

Aos  dezoito  anos.

Quem representa essa moça preta?

E, quem se importa com isso?


Postado em 10/03/2017 às 12:51 0

"Um evento desses seria bem visto aqui em Berlin"- disse o Gestor na Alemanha, referindo-se ao I Encontro de Gestor@s, em Alagoas.


Por Arísia Barros

 

O I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra surgiu como resultado de uma intervenção política do Instituto Raízes de Áfricas, junto ao presidente da República do Brasil e aconteceu nos  dias 06/07  de março, em Maceió,AL.

A proposta do encontro foi  reunir prefeit@s e gestor@s das três esferas de governo, na criação de  uma discussão aproximada para o conhecimento e conseqüente implementação das políticas públicas, já existentes, que impactem na vida  da população negra de Alagoas, uma das mais pobres no país.

E foi essa iniciativa do Instituto Raízes de Áfricas que despertou o interesse do Gestor que trabalha com refugiados na Alemanha, Adauto de Souza, assim falou ao responder o convite formulado pelo Instituto Raízes de Áfricas: “Acho da maior importância o projeto e te digo que um evento desses seria bem visto aqui em Berlin. Parece um pouco com projetos chamados de integração de migrantes aqui na Alemanha. E têm muitas organizações sociais, fundações atuando nesse conceito. Tanto na busca de soluções nas questões básicas, que aqui se compreende: educação, moradia, saúde, trabalho ou qualificação profissional, desenvolvimento e sociabilização.

E acrescenta: “Eu mesmo nesses meus 17 anos que aqui moro, passei por várias fases da minha integração aqui na Alemanha. E hoje, pode-se dizer, que na sequencia passei a gestor também e com o meu grupo estamos trabalhando com refugiados (africanos, sírios, iraquianos, etc) juntamente com várias organizações e fundações nesse processo de gerar políticas publicas para atender e integrar e colocar na sociedade pessoas que vieram muitas das vezes em condições de vida quase destruídas em seus países em guerra e conflitos. Acredito mesmo, pelo que vivo e vejo aqui, que esse tipo de ação deveria ser espalhar por todo o país e com a participação de todos à nível de governo federal, estadual e municipal e as organizações voltadas para esse tipo de luta junto a população que precisa, nesse caso seu a população negra de Alagoas.

Meus parabéns pelo belo trabalho...”

A iniciativa do I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, surgida nas Alagoas de Palmares, repercutiu na Alemanha...

 

 


Postado em 10/03/2017 às 06:53 0

Não posso permitir como movimento social, que uma Conferência não aconteça- afirmou uma representante de matriz africana, em Alagoas.


Por Arísia Barros

Esse foi o desabafo da  mestranda em Sociologia  pela Universidade Federal de Alagoas e uma das      representantes da religião de  matriz  africana, Jexaomi  Mônica,  diante da declaração do secretário da SEPPIR, Juvenal Araújo,   que devido a restruturações nos orgãos, a   IV Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial , que aconteceria  de 5 a 7 de novembro de 2017, em Brasília, sob o  tema “O Brasil na Década dos Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”, talvez não aconteça  no  prazo previsto.

“Vamos tentar ao menos fazer uma Conferência dos Povos Tradicionais, são quatro anos sem discussões. É muito importante que isso aconteça”- reafirmou Mônica.

Também participante do  2º dia do I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra.a representante da religião candomblecista Nagô, Antônia de Santos, explicou aos gestores e representações dos ministérios as necessidades das religiões de matriz africana no Estado.

“Explanamos aqui nossos problemas e nossas angústias. Ele nós ouviram e esperamos que tenham nos escutado. Nosso povo precisa aprender a gritar; já ficamos quietos e calados por muito tempo”, expressou a militante.

Após o término, o secretário da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial-Seppir, Juvenal Araújo falou : “Ontem 6/03, na Associação dos Municípios Alagoanos, discutimos com os gestores, agora com a sociedade civil, para que formulemos políticas efetivas para Alagoas.

Saio satisfeito dessa reunião e acredito que esse é o papel da sociedade civil. Reunir demandas e discuti-las com o poder público. Dar voz a essas exercendo assim  o controle social.

O Instituto Raízes de Áfricas está de parabéns pela iniciativa.”

Raquel Dias, coordenadora-geral de Educação para Relações Étnico-Raciais, representante do Ministério da Educação explicou:“O que fizemos aqui foi plantar uma semente. Nós mostramos o que o Governo Federal hoje promove e o que é possível acontecer nos municípios, dependendo do interesse e da priorização para que esse tipo de programa esteja no Plano Estratégico de Desenvolvimento desses municípios”.

 O 2º I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, promovido pelo Instituto Raízes de Áfricas, com o apoio do Governo Federal, Governo do Estado, AMA e Federação das Indústrias , aconteceu,dia 07  de março, no Auditório Aqualtune e  reuniu representações da religião de matriz africana, LGBT, estudantes e ativistas.

Com informações da jornalista Thais Albino.


Postado em 08/03/2017 às 22:49 0

Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial pode não acontecer, em 2017.


Por Arísia Barros

 

Na abertura do 2º dia do I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, no  dia 07  de março, no Auditório Aqualtune,que reuniu representações da religião de matriz africana, LGBT, estudantes e ativistas,  a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, fez o lançamento da Campanha “21 Dias de Ativismo Contra o Racismo”, com a exibição de Depoimentos do documentário Abayomi.

A Campanha foi  lançada, em diversas partes da cidade e estado do Rio de Janeiro e em Maceió,AL, com atividades se estendendo até o  dia 27 de março.

O Encontro idealizado pelo Instituto Raízes de Áfricas, reuniu técnicos do governo federal e contou com o apoio institucional da Associação dos Municípios de Alagoas Governo Federal, Associação dos Municípios de Alagoas , Governo Estadual e Federação das Indústrias do estado de Alagoas.

Durante as discussões o Secretário Nacional da Igualdade Racial, Juvenal Araújo, afirmou  que as mudanças políticas ocorridas nos últimos meses causaram alguns impedimentos, um deles financeiros e possivelmente a IV Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial  não ocorra no tempo previsto, ou seja de 5 a 7 de novembro de 2017, em Brasília, sob o  tema “O Brasil na Década dos Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento”, governo e sociedade discutirão soluções para o enfrentamento ao racismo.

 Estamos fazendo tudo ao nosso alcance para que a Conferência aconteça, só ainda não sabemos a data- acrescentou.

A Conferência é realizada pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), do Ministério da Justiça e Cidadania (MJC), e pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).

A última Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CONAPIR”, aconteceu  no ano de  2013 e lá se vão quase quatro anos.

Qual o papel de uma Conferência

Conferência  tem como objetivo a formulação de novas propostas orientadoras de uma Política Nacional e se constitui em espaços de debates, propostas e diálogos onde são verificados e postos em discussão as políticas públicas de interesse público.

 Sua periodicidade é determinada pela organização nacional, e seu tempo de acontecer pode variar entre 2,3 ou 4 anos. Após feitas estas conferências são realizadas novas conferências para avaliar o desenvolvimento das já realizadas, estabelecendo novas metas adicionando as deliberações anteriores. Estas conferências podem ser realizadas em âmbito local, estadual ou nacional.

 


Postado em 08/03/2017 às 17:20 0

Instituto Raízes de Áfricas participa de debate sobre Mulheres Pretas, na UIF.


Por Arísia Barros

 

A Superintendencia de Medidas Socioeducativas,da Secretaria de Prevenção a Violência-SEPREV,  por meio da Unidade de Internação Feminina realiza desde  6 de março ações,atividades voltadas a celebrar a vida e possibilidades das adolescentes lá internadas, referendado a Semana da Mulher.

Durante  a semana de 6 a 10 ativistas, professores e outros segmentos da sociedade estarão discutindo uma série de questões relacionadas a  Mulher e o combate ao racismo, com especificidade na Mulher Preta.

O Debate acontece na quinta-feira, às 14 horas, com a participação de Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas.

Segundo a gerente da UIF, Samara Veluma, a semana faz parte do planejamento estratégico da unidade, que visa a aproximação das adolescentes com mundo de conhecimento de uma forma lúdica e prazerosa.

A culminância da atividade será um desfile comemorativo, no dia 10 de março às 18 h.

Uma das juradas do desfile será a menina-modelo, de 10 anos,  Stephany Mayara.

A ação acontece na Unidade.


Postado em 07/03/2017 às 05:56 0

Na semana da Mulher, Organização do I Encontro de Gestores repudia a morte de mais dois jovens.


Por Arísia Barros

A primeira etapa do  I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, aconteceu dia 06  de março,na Associação dos Municípios de Maceió, no bairro do Farol.

Resultado de uma intervenção política do Instituto Raízes de Áfricas, junto ao presidente da República, o I Encontro  trouxe a Alagoas 11 ministérios.

Durante o transcorrer da realização da atividade  foram relatadas duas mortes de jovens, acontecidas nas horas subseqüentes.

Um deles tinha 19 anos e era filho de uma funcionária da gestora da capital, Maceió, o outro remanescente quilombola de Alagoas.

Ambos jovens.

 Ambos pretos.

Ambos invisíveis.

Quando a morte do jovem quilombola foi registrada, houve um silêncio constrangido na plenária, mas, a vida segue...

Vidas como produtos descartáveis, facilmente esquecidas.

Eles fazem parte da estatística do Mapa da Violência   apresentadas na palestra do sociólogo Carlos Martins e nos relatos da Secretaria Nacional da Juventude, nas exposições do do  I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, 

Estatísticas, como números frios nas pedras do IML.

A proposta do I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra é  aproximar o discurso  da execução das políticas públicas, que impactem, positivamente, na vida  da população negra de Alagoas, uma das mais pobres no país.

A proposta do I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra é efetivar políticas. E políticas efetivadas, salvam, garantem e dignificam vidas.

Enterramos mais dois jovens.

Ambos pretos. Ambos invisíveis.

Duas mães órfãs.

Na semana da Mulher, Organização do  I Encontro de Gestores repudia a morte de mais dois jovens, e a orfandade de mulheres-mães, igualzinhas a nós..

En fim...

E, fim.


Postado em 03/03/2017 às 06:05 0

Instituto Raízes de Áfricas articula com Presidência da República, a vinda de 11 ministérios, para I Encontro de Gestor@s, em Alagoas.


Por Arísia Barros

 

O I Encontro de Gestores sobre Projeto Estruturais de Políticas Públicas para População Negra, acontece dia 06  de março, às 10h na Associação dos Municípios de Maceió, no bairro do Farol.

O Encontro é resultado de uma intervenção política do Instituto Raízes de Áfricas, junto ao presidente da República, quando da sua vinda a Alagoas, e conta com a coordenação  da Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência.

A proposta do encontro é  reunir prefeit@s e gestor@s das três esferas de governo, na criação de  uma discussão aproximada para o conhecimento e conseqüente implementação das políticas públicas, já existentes, que impactem na vida  da população negra de Alagoas, uma das mais pobres no país.

O Encontro visa também dialogar sobre a Campanha “21 Dias de Ativismo Contra o Racismo”, que será lançada no dia 06 de março, em diversas partes da cidade e estado do Rio de Janeiro e em Maceió,AL, com atividades se estendendo até o  dia 27 de março.

18 técnic@s representantes do Governo Federal, representando 11 ministérios e órgãos federais, participam da  atividade,  tendo como missão sensibilizar e  expor projetos de políticas públicas de cada pasta, para o conjunto da população negra, especialmente a rural, demonstrando o passo-a-passo para captação de recursos e como acessar os  projetos.

O Encontro idealizado pelo Instituto Raízes de Áfricas, conta com o apoio institucional da Associação dos Municípios de Alagoas Governo Federal, Associação dos Municípios de Alagoas , Governo Estadual e Federação das Indústrias do estado de Alagoas.

A programação será desenvolvida nos dias 06 e 07 de março, com encontros entre gestor@s e representações dos movimentos negros, em Alagoas.

Para participar é necessário confirmar presença pelos telefones 3231-4201/98827-3656

 

Sobre a Campanha 21 dias de Ativismo Contra o Racismo.

 De 6 de março à 27 de março ativistas, estudantes, professores, entidades religiosas e outros segmentos da sociedade civil estarão discutindo uma série de questões relacionadas ao combate ao racismo em diferentes partes da cidade e do estado do Rio de Janeiro,e em Maceió,AL.

 A campanha trará rodas de conversa, cine clubes, exibição de documentários, performances, debates e uma série de atividades que vão colocar como foco o protagonismo das pessoas negras na formação do Brasil.

 

 


Postado em 01/03/2017 às 19:28 0

Qual mulher preta se vê representada ou homenageada em uma caricatura satânica?


Por Arísia Barros

 

Alagoas é considerado o estado  berço da liberdade e marca a origem do primeiro estado livre e negro das Américas. É  terra natal da princesa Aqualtune e foi no carnaval das Alagoas que o  artista plástico de renome decidiu “homenagear” a mulher feminista preta, no carnaval, se fantasiando de “Ângela Davis”, com um grotesco e horrendo black face.

Na tradução literal do inglês, blackface significa “rosto negro”, em português.

E como acreditamos que a arte não tolera, ou justifica nenhuma forma de discriminação, e que  artistas em sua essência, tem o papel  fundamental  de combater preconceitos, buscando a  construção de uma sociedade mais justa e igualitária, contestamos a fantasia do artista.

Uma fantasia esdrúxula que  transformou a caracterização do corpo da mulher preta e intelectualidade acessível a satirização e ao ridículo, das ruas por onde desfilou, consubstanciando estereótipos e padrões de opressão e violência.

 O blackface  potencializa os estereótipos racistas contra pret@s, muitas vezes oprimidas por possuírem essas identidades.

Pintar a cara com tinta preta e pôr um black power, no carnaval, não presta homenagem a mulher preta, configura-se sim, em uma atitude depreciativa,  desrespeitosa e racista, para nós, mulheres pretas conscientes.

Insistimos em afirmar que o artista plástico alagoano desmerece, desqualifica a construção histórica e os significados da luta diária de tantas e inúmeras mulheres pretas que  travam uma luta imensa para viver com dignidade e, não para serem  ridicularizadas, de modo extravagante, no carnaval.

Qual mulher  preta se vê representada ou homenageada nessa caricatura  satânica?

 Uma sociedade só escreve sua história se ela tem a memória da rota da escravidão.

Racismo não é brincadeira.

Racismo não é piada.

Blackface é mais uma ferramenta de opressão e  que longe de ser uma forma de humor, é uma forma racista que, se hoje é mais sutil, não é menos ofensivo.

A fantasia do artista plástico alagoano é uma opressão disfarçada de brincadeira.

Enquanto prática racista, o blackface não pode ser naturalizado ou encarado como humor e não, não abrimos espaço para concessões, disso ou daquilo..

E, para o artista plástico alagoano, deixo um conselho: No próximo carnaval respeite quem vivencia uma realidade que não é a sua e sim  de milhões de pret@s, que lutam diariamente para combater o preconceito nesse país.

Mulher preta não é alegoria de carnaval. 


Postado em 01/03/2017 às 15:42 0

Já é hora da Prefeitura de Maceió rever essa questão.


Por Arísia Barros

 

O alagoano escritor Graciliano Ramos nasceu em 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, AL, e, é considerado um dos grandes exponenciais da literatura brasileira

Em 30 de novembro de 2015, a Prefeitura de Maceió, AL, inaugurou uma escultura talhada em bronze do escritor, instalada na  orla marítima de Maceió, em comemoração aos 200 anos da capital.

A estatua de Graciliano está plantada em um dos  bairros nobre da capital alagoana..

Segundo o que escreveu em sua mini-biografia, o poema chamado de “Autorretrato” Graciliano não tinha muita simpatia pela sociedade burguesa.

Impavidamente solitário, na praia do bairro nobre, Graciliano olha com certa indiferença para o burburinho de turistas que manipula celulares, alguns raros com máquina fotográfica ( como eu) para se auto-retratarem ao lado da estátua em bronze.

Graciliano não gostava de vizinhos e dizia ter horror às pessoas que falam alto e detestava rádio, telefone e campainhas.

O menino pequeno chega curioso e depois de muito observar a estátua da ponta do pé até a cabeça olha para a mão de Graciliano que porta um cigarro  e pergunta à mãe:

 -E ele fuma, é?

A mãe: Fumava, mas faz muito tempo, porque ele já morreu.

E foi o cigarro quem matou?- pergunta o menino curioso e a mãe:- Não sei.

(Sim. Graciliano fumava três maços, por dia, do cigarro "Selma". Morreu  vítima de câncer do pulmão, em 20 de março de 1953)

E voltando para a tarde do domingo carnavalesco observo uma família inteira chegar para tirar foto ao lado da estátua e invasiva, pergunto para  a meninazinha com a esperteza no olhar:- Você sabe quem é o homem? E o  que essa estátua representa?

A menina, que deveria ter uns dez anos  balança a cabeça, em um veemente não.

A mãe que estava mais adiante baixa a cabeça, envergonhada. Ela também não sabe quem  é o personagem imortalizado em estátua.

E novamente pergunto: E por que você está tirando foto?

E a menina, na maior logicidade do mundo:- Por que todo mundo tira. É tipo moda, entendeu?

Fiz que entendi, sem entender nada,para não demonstrar minha incompreensão.

Busquei no entorno placas informativas e instrutivas que possam levar o público a conhecer a história do escritor, valorizando assim os aspectos de interesse cultural e turístico.

Uma placa bilíngüe e que tivesse, também, a leitura em braile para deficientes visuais e  que contasse uma breve historinha de quem foi Graciliano Ramos, e nada  encontramos.

E saí dali pensando que a precariedade da sinalização do patrimônio impacta negativamente no turismo, na cultura e na história..

 Quando a pessoa recebe informações sobre o escritor, ela se sente parte da história.

Mesmo sendo ateu, indiferente à Academia e um discordante de quase tudo, penso que nesse quesito, Graciliano teria concordância.

Já é hora da Prefeitura de Maceió rever essa questão.