Raízes da África
Raízes da África

Postado em 05/06/2017 às 11:54 0

IMA fará plantio simbólico de Baobás em quilombos do estado de Alagoas.


Por Arísia Barros

Na última quinta-feira (01/06) a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, participou de  reunião com o presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, Gustavo Lopes e equipe, tendo como foco a pauta racial.

Durante a reunião, o presidente apresentou dados referentes a atuação do IMA, no estado. Falou das atividades como a caravana ambiental, barco escola e sobre o fantástico Projeto cartão semente.

Arísia Barros abordou a discussão sobre  a importância da água para a mundo, como também a essência da mesma para a religião de matriz africana.

No debate a coordenadora apresentou projetos que o Instituto tem realizado, como as oficinas da boneca Abayomi,fez sugestões, expondo a Oficina Água de Quartinha.

O Instituto Raízes de Áfricas solicitou a Gustavo Lopes, um estudo técnico para analisar o solo e os fungos que inibem o crescimento do Baobá, árvore rara de origem africana e ameaçada de extinção, que pode alcançar altura de 5 a 30 metros e diâmetro do tronco de 7 a 20 metros, plantado na Serra da Barriga, quando da deposição das cinzas de Abdias Nascimento, em 2011.

O plantio dessa espécie na paisagem da flora local foi também sugerido,e o  gestor do IMA propôs um plantio simbólico, como  preservação da espécie no Estado, em algumas comunidades quilombolas alagoanas

A  extensa pauta de propostas foram todas acolhidas por Lopes, que destacou ser fundamental,significativo e estratégico essa interlocução com movimentos sociais, e sim, que é possível a realização da parceria.

Em visita in loco, orientada pela simpaticíssima e abnegada servidora- técnica Rosangela Pereira,  ao Herbário, Arísia Barros e Fernanda Monteiro  puderam ter contato com a realidade do ambiente voltado para o estudo cientifico das muitas espécimes de plantas ( algumas raras, outras extintas) e terem uma ampla visão  ampla dos  processos internos e de como é desenvolvido  passo-a-passo todo  trabalho.

Segundo a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, o IMA tem realizado um trabalho de grandes transformações para a flora nativa, estabelecendo alternativas oportunas para que o diálogo entre culturas, se faça.

Participaram da reunião, Rosangela Pereira, responsável pelo Herbário (IMA), Luise Andrade, Engenheira Florestal(IMA), Taciano Vital, chefe de gabinete,(IMA), Leonardo, assessor especial, Clarise Maia, Assessora de Comunicação (IMA),e Fernanda Monteiro, militante da juventude negra, em Alagoas.

A reunião foi extremamente agradável, técnica e produtiva.

De parabéns Gustavo Lopes e sua equipe do  Instituto do Meio Ambiente de Alagoas,.


Postado em 04/06/2017 às 12:09 0

E para caminhar através da história é preciso conhecimento e sabedoria. Os dois juntos- disse o padre.


Por Arísia Barros

Homilia do padre italiano Alisson, no domingo 21/05,durante a Missa Conga em Honra aos Mortos da Raça Negra, no Quilombo de Marimbondo, na cidade Carmo de Cajuru, localizada no centro-oeste mineiro.

A ação fez parte da agenda de lutas da I Jornada dos Desafios Abolicionistas do Século XXI.
Iniciativa da ativista mineira, Maria Catarina Laborê, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, a série de ações da I Jornada mobilizou, aproximadamente, em torno de 700 pessoas, que participaram de rodas de conversas, palestras , encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi, missa no Cemitério dos Escravos, diálogo no parlamento municipal.

A ação teve apoio do SindUTE,Fóruns Regionais,Irmandade Nossa Senhora, MUNDI, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Governo do Estado de Alagoas

 

“O conhecimento tem que está associado à sabedoria, pois a sabedoria traz liberdade.

E para caminhar através da história é preciso conhecimento e sabedoria. Os dois juntos.

Quando o conhecimento falha a sabedoria dá suporte.

A nossa beleza está em reaprender aquilo que é nosso.

A fé não é maior do que a razão.

Juntar razão e fé é possível.

Aquele que acredita, vive sempre buscando novos conhecimentos.

Agora rezemos pela cultura que representa uma grande parte da história do Brasil.

Identidades que, muitas vezes, é desrespeitada por gente do país.

Rezemos com os santos negros: Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Mercês, Santa Efigênia, São Benedito e por todo o sangue derramado na luta da raça negra.

Rezemos pelo Rei Ambrósio do Quilombo do Campo Grande, que muito fez pela raça negra.

O macro da Igreja é a Cruz, e a Cruz não pode ser opressora.

A Cruz tem que libertar.”


Postado em 03/06/2017 às 22:01 0

Tanto o Colégio Santa Úrsula, quanto as escolas alagoanas precisam cumprir as leis, promotor Alfredo Gaspar de Mendonça.


Por Arísia Barros

 

Uma jovem preta, aluna do Colégio Santa Úrsula, em Maceió, AL foi  alvo de xingamentos com conotação racista,  por parte de outros jovens da mesma instituição de ensino.

Uma situação clássica de racismo. A moça preta foi caracterizada como  macaca e  atributos físicos e genéticos, “cabelo de tuim” para  desqualificá-la.

Por ter acontecido em uma escola socialmente elitizada, o fato repercutiu nas redes sociais, entretanto o racismo é corriqueiro e naturalizado nos muitos e diversos espaços das escolas alagoanas.

Sim, racismo é crime.

Sim, atitudes racistas são caso de polícia.

Mas, no país da democracia racial racismo pode ser transformado em  bullying.

Transformar racismo em bullying é uma estratégia para descaracterizar o aspecto criminal da questão.

As escolas alagoanas ignoram  as esquinas e territórios das lutas pretas, fazendo  vistas grossas em relação à  educação anti racista,embasada na  Lei  Estadual nº 6.814/07 e Federal  10.639/03, que traz a obrigatoriedade do ensino da História e da Cultura Africana e Afrodescendente no currículo da educação básica.

A Lei Estadual surgiu faz dez anos, em consonância com a Lei Federal nº 10.639/03, (nascida a 14 anos), como ação afirmativa,e busca construir e consolidar movimentos permanentes para a promoção da abolição de idéias, conceitos, preconceitos que interferem na construção do ideário social, refletido nas salas de aula. Movimentos que busquem inserir e consolidar no contexto/currículo educacional, o real conhecimento da história e dos parâmetros que a moldaram, impulsionando a leitura das conseqüências perversas do racismo que submete o ideário social/escolar aos conceitos escravizantes e hegemônicos, desrespeitando a diversidade/pluralidade cultural e étnica das povos/nações.

Como incorporar o “diferente” sem mexer na estrutura ideológica do currículo escolar? Como promover a ruptura com o previsível conhecimento dos lugares estigmatizados da escola, em cheiros de diferentes gentes, em sentimento de pertencimento? Em som e movimentos que construam sentidos para crianças e jovens excluídos social e racialmente? Como promover outro gênero de gente? Gente que não seja ninguém. Como provocar impacto nos silêncios sociais ultrapassando os limites do “cordial” racismo à brasileira?

É urgente que a questão do estudo das africanidades brasileiras/alagoanas conquiste a dimensão política e institucional, traduzida na acepção das bases jurídicas (leia-se Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL), tendo como objetivo fazer valer direitos anunciados e formalmente ignorados no cotidiano sócio-escolar.

A omissão institucional fortalece  uma  política educacional  estruturalmente exclusiva, violentas e racista.

 

É preciso que o órgão coordenador das políticas educacionais do estado tome para si a tarefa de readequar conteúdos sob a ótica da Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL, assegurando assim uma educação, onde prevalecem as abordagens críticas contínuas e transversais, promovendo assim a legalidade das políticas da educação.

O monitoramento/ aplicabilidade da Lei nº 6.814/07 e Federal nº 10.639/03 é uma dos atributos do Ministério Público Estadual, promotor a Alfredo Gaspar.

 

Cabe ao Ministério Público discutir caminhos para a realização de  pesquisas de caráter exploratório para mapear e consolidar a aplicabilidade da referida legislação federal/estadual e assim exercer controle social sobre a ação do Estado, especialmente no tocante às obrigações previstas em lei e, não raro, ignoradas pelos dirigentes públicos.

 

Alguns tópicos necessitam ser seguidos: identificar o grau de conhecimento da sociedade sobre a implementação da Lei; identificar como os docentes das escolas estão implementando a Lei na sua prática de ensino; identificar quais e quantas escolas possuem Projeto Político Pedagógico formalizado e implementado dentro da perspectiva da Lei; analisar como as escolas, que possuem o PPP formalizado e implementado conforme a Lei desenvolvem suas ações educativas referentes às relações étnico raciais. Com um mapeamento registrado e os números socializados  poderíamos fazer valer a Lei nº 6.814/07  e Lei nº 10.639/03.

Diante do fato conclusivo de racismo do Colégio Santa Úrsula , o melhor a propor é o dialogo ampliado para pensar novas possibilidades de conteúdos e visões acerca do processo de ensino-aprendizagem.

 As Leis anti racistas oferecem à  comunidade escolar a oportunidade da se repensar, de  perceber que preconceitos vão além do apartheid por conta da classe social.

O ator, coordenador Geral do Laboratório Alagoano de Teatro do Oprimido ,Udson Pinheiro Araújo,e ex aluno do Colégio Santa Úrsula, afirma: “Sofri bullying , nessa escola por 6 longos anos.” 

Se Lei é para ser cumprida. É hora de fazer valer a Lei, promotor Alfredo Gaspar de Mendonça.

 

 


Postado em 01/06/2017 às 22:31 0

Deputada Jó Pereira recebe Comissão para discutir truculência policial durante abordagem na Escola Estadual Campos Teixeira.


Por Arísia Barros

Na tarde desta quinta-feira (01), uma Comissão formada por representantes de sete entidades ligadas a educação e direitos  humanos se reuniram no Gabinete da deputada estadual Jó Pereira  para discutir  truculência policial durante abordagem na Escola Estadual Campos Teixeira, por policiais do Batalhão Escolar da Polícia Militar alagoana contra um estudante da EJA, no bairro de Ponta da Terra, na noite do dia 24 de maio.

De acordo com Edna Lopes do Conselho Municipal de Educação: “Não vamos nos calar e aceitar tamanho desrespeito e agressão aos nossos estudantes, ao espaço educativo, aos trabalhadores da educação e as famílias, todas elas ultrajadas, vítimas desse ato de violência.  Estamos nos reunindo com a deputada para debater a situação de violência e solicitar providências”- afirmou.

A deputada Jó Pereira, ao se colocar a disposição, destacou a importância de que a segurança deve ser alcançada tendo em vista os direitos e garantias individuais.

Vamos fazer os encaminhamentos adequados, na busca de respostas- asseverou.

 Entenda o caso.

Durante uma abordagem na Escola Estadual Campos Teixeira, na Ponta da Terra, um militar bate na cara do aluno após a suposta vítima falar algo para o policial.

Nas imagens, é possível observar que o policial entra na sala de aula, conversa com os alunos e, em seguida, caminha até a cadeira onde se encontra um estudante. Eles iniciam uma conversa e, depois, o militar agride o jovem com tapas, chegando a apertar o pescoço da vítima. Logo em seguida, há um tumulto generalizado. 

 

Assista o video:

https://www.youtube.com/watch?v=rWmCvGZwtCk

Com informações: http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2017/05/_34067.php


Postado em 31/05/2017 às 22:46 0

Primeiro quilombo, em Alagoas, reconhecido pelo governo federal tem casebres destruídos pelas chuvas.


Por Arísia Barros

A comunidade do povoado de Tabacaria, em Palmeira dos Índios, conta com 90 famílias e em 2008 foi o primeiro território reconhecido pelo governo federal, como quilombola, em Alagoas.

O nome Tabacaria remete às tradições e aos costumes dos antigos moradores do local, que plantavam tabaco para comércio e consumo do fumo.

O reconhecimento do território propicia a possibilidades de recebimento de  investimentos públicos, visando a construção de infra-estrutura e condições dignas de vida para  a comunidade.

Passados nove anos do reconhecimento federal, os quilombolas de Tabacaria, ainda  vivem a margem da pobreza, e as outras 68 quilombos de Alagoas sofrem   uma crescente desigualdade ,que ano após ano cria corpo e se faz  um coletivo inferno social.

Nove anos após ser titulada, a comunidade de Tabacaria passa o avexame da chuva, que cai em Alagoas, vendo seus barracos/casebres de taipa que faz tempo vem desabando.

Onde foram parar os recursos que viriam com o reconhecimento do território?.

Os barracos de taipa(?) de quilombolas da comunidade quilombola Tabacaria desabaram, com a chuva, consolidando a voz autoritária do Estado-Colônia em relação aos sujeitos históricos ininterruptamente invisíveis , nos 200 anos de Alagoas.

A estreiteza e flagrante ausência de políticas públicas estruturais e estruturantes põem em risco  a integridade territorial  do quilombo em Tabacaria.

 Assim afirma a  matriarca de uma das famílias mais antigas do lugar é a da dona Dominícia Paulino dos Santos, 62 anos. , esposa de Gerson Paulino dos Santos, 71:

“Não temos onde fazer nossas necessidades porque no meu barraco não tem banheiro, nem tem condições de ter. Quando precisamos, vamos ali à mata. Eu não tenho cerimônia de falar para as visitas, é triste, mas é a realidade da gente. Tomo banho na sala, pegamos a água no açude e, aqui mesmo na sala com o chão de barro, eu me banho. Sorte que não tem lama, porque nosso Agreste é muito quente.”

Os barracos  foram destruídos pela chuva na comunidade quilombola de Tabacaria. 21 famílias estão desabrigadas.

É a lógica do genocídio de pret@s político e socialmente consentido.

Um exitoso processo de desafricanização dos territórios da luta-resistência de pret@s.

 

Com informações: http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2016/11/quilombolas-vivem-em-situacao-de-miseria-em-comunidades-de-alagoas.html

 

 


Postado em 31/05/2017 às 11:50 0

Vereador@s do Centro Oeste Mineiro recebem ativistas Alagoanas para debater Igualdade Racial.


Por Arísia Barros

A Vereadora Janete Aparecida junto do colega de parlamento Sargento Elton receberam na tarde desta segunda-feira (22) uma comissão formada pelas ativistas Alagoanas Arísia Barros e Fernanda Monteiro que integram o Instituto Raízes de África de Alagoas, a professora Maria Catarina Laborê acompanhada dos representantes do projeto Mundi – Emerson Santos e Raimundo Cândido.

A reunião foi agendada dentro do cronograma “Desafios Abolicionistas do Século XXI” para iniciar as discussões a respeito da criação de uma Secretaria de Igualdade Racial, o intuito da criação deste órgão é buscar incentivos junto ao Governo para a articulação de políticas públicas em prol da igualdade social e racial entre os negros.

Entre os dias 19 a 22 de Maio, as ativistas Arísia Barros e Fernanda vindas do Estado de Alagoas participaram de uma extensa agenda de compromissos como: Missa no cemitério dos escravos na comunidade de Marimbondos em Carmo do Cajuru; encontro com lideranças e movimentos sociais; encontro com alunos da E.E Antônio da Costa Pereira; e o encontro na Câmara Municipal para tratar de projetos de Lei em prol da igualdade Racial.

Durante o encontro com os Vereadores a comissão pode expôr suas ideias a respeito do Projeto de criação da Secretaria de Igualdade Racial e também sobre o fundo criado para movimentar as ações da Secretaria em questão. De acordo com Arísia Barros, é necessário que seja realizado no município um recenseamento racial para que seja mais fácil mobilizar o Governo dentro das ações voltadas para os negros. Em contrapartida a Vereadora Janete Aparecida disse que pretende solicitar o recenseamento a partir das escolas do município, por um questionário aplicado pelos educadores para que não haja dúvidas com relação a distinção racial dos alunos que irão responder as perguntas. “Por muitas vezes os questionários são respondidos de forma evasiva quando a pergunta tem relação com a cor da pele. Muitos negros que se consideram mulatos acabam respondendo a pergunta integrando outras cores às sugeridas no censo como: marrom bombom, chocolate, amarelo parda, quando na verdade estas pessoas dentro da etnia racial são na verdade negros. Isto abaixa as estatísticas de negros e dificulta a busca por recursos para ações em prol do movimento negro”, explicou a Vereadora.

A proposta de criação da Secretaria de Igualdade Racial, será repassada pelos demais Vereadores através da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal, e deverá ser vinculada ao fundo que dará manutenção da Secretaria além de ser uma forma de implantar um trabalho de consultoria nos bairros periféricos da cidade.

Segundo a coordenadora do Instituto Raízes de África de Alagoas, a luta contra o racismo tem um caráter de ativismo constante. É uma luta que se desenvolve no trabalho, na escola, nos espaços de manifestação das tradições africanas, nos grupos culturais, nos bairros, na universidade. “Estamos em uma luta pelo direito de sermos afrodescendentes, portadores de uma tradição, com direito a uma vida digna e um futuro promissor” destacou a alagoana Arísia Barros.

                                                                                                     

Fonte: http://www.sistemampa.com.br/noticias/politica/vereadores-recebem-ativistas-alagoanas-para-debater-igualdade-racial/

 

 

 

 

 


Postado em 30/05/2017 às 20:43 0

Os mortos do Cemitério dos Escravos de Maribondos, no centro oeste de Minas Gerais, respiram vida.


Por Arísia Barros

 

A história do Cemitério dos Escravos, na cidade Carmo do Cajuru,do centro oeste de Minas Gerais, caracteriza-se pela oralidade das fontes de informações, O conhecimento sobre sua história foi transmitido por uma descendente de escravos chamada Custódia. Falecida no final da década de 1990.

Custódia foi funcionária da antiga Fazenda Maribondo, onde prestou serviços domésticos durante toda sua vida. Ao longo dos últimos anos, passou seus conhecimentos sobre o cemitério dos escravos e a vida de seus antepassados na fazenda para Maria Eunice Moreira de Souza, que se tornou guardiã da história oral do local.

O Cemitério dos Escravos de Maribondos, na cidade do centro oeste de Minas Gerais, Carmo do Cajuru é como uma fronteira político geográfica, que amplia o alcance dos navios tumbeiros, atravessa séculos de massacres e a exploração escravocrata, até  aportar em nossos gritos  de lutas pela liberdade, nos quilombos.

 Seja do Quilombo de Aqualtune e Zumbi Palmares, seja do Quilombo do Rei Ambrósio.

Os mortos que repousam no Cemitério dos Escravos de Maribondos, desnudam os aspectos estruturais e viscerais do racismo e os quase quatro séculos de colonização.

São arquivos vivos, raízes profundas da secular intolerância humana e da ancestral resiliência do povo preto.

Os mortos do Cemitério dos Escravos de Maribondos, no centro oeste de Minas Gerais respiram vida, como um museu a céu aberto despejando  inquietudes ancestrais,sacralidade e caminhos de possibilidades.

Foi em um domingo, 21/05 raiado de friagem, depois coroado de sol que aconteceu a Missa Conga em Honra  aos Mortos da Raça Negra, como disse o padre italiano Alison.

Era uma missa em honra aos mortos, mas, a vida estava ali em experimentações, cantos, palavras, emoções diferentes e múltiplas, dentro e a flor das peles,

Vidas sendo passado, no presente no futuro das muitas crianças que ali estavam.

A vida estava no movimento da música do reinado fazendo o dia cântico, despertando os que vieram antes de nós, tradição, ancestralidade..    

E ao receber o convite de  uma das lideranças do município de Carmo do Cajuru- Edson Epifanio, para fazer uso da palavra falamos dos pontos de fusão entre a morte e a vida.  Das nossas lutas. Dos nossos corpos desumanizados e da certeza de que continuaremos a marchar.

Terminada a fala, o padre italiano  Alison exclamou, despertando risos na platéia: Eita, alagoana arretada!

A missa fez parte da agenda de lutas que aconteceu de 19 a 22 de maio da  I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI.

Iniciativa da ativista mineira, Maria Catarina Laborê, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas,  a série de ações da I Jornada mobilizou, aproximadamente, em torno de 700 pessoas, que participaram de rodas de conversas, palestras , encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi, diálogo no parlamento municipal.

A ação teve apoio do SindUTE,Fóruns Regionais,Irmandade Nossa Senhora, MUNDI, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Governo do Estado de Alagoas.

 A I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI terá prosseguimento, possivelmente no mês de julho/agosto,  em outras cidades mineiras, como forma de colaborar para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.

Fonte: Com informações http://www.blogcajuru.com/2010/01/cemiterio-de-sao-jose-dos-salgados.html


Postado em 29/05/2017 às 19:32 0

Alagoas e Minas Gerais participam de ações em municípios do Centro Oeste mineiro, durante a I Jornada dos Desafios Abolicionistas do Século XXI.


Por Arísia Barros

 

De 19 a 22 de maio aconteceu  I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI, uma produtiva agenda de lutas.

Iniciativa da ativista mineira, Maria Catarina Laborê, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas,  a série de ações da I Jornada mobilizou, aproximadamente, em torno de 700 pessoas, que participaram de rodas de conversas, palestras , encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi, missa no Cemitério dos Escravos, diálogo no parlamento municipal.

As ações iniciaram no dia 19 de maio, às 19 horas, com palestra da professora Arísia Barros, que fez uma contextualização do cenário do racismo na conjuntura brasileira.

A atividade aconteceu na Escola Estadual Benedito Valadares , no município de  São Gonçalo do Pará.

E se fizeram presentes, o Secretário de Saúde de  São Gonçalo do Pará,Joel Ribeiro da Silva, representando a SEE/MG, Vitória Magda Ferreira Porto Porto,Superintendência Regional de Educação, lideranças do município de  Pitangui, município de Carmo do Cajuru- Edson Epifanio, do município de Divinópolis,Marcelo Martins Correa ,a grande matriarca da luta negra na região ,Maria Antônia Cesário Evaristo, a representante da juventude negra, em Maceió,AL, Fernanda Monteiro,toda gestão escolar, comunidade, professora sindicalista da escola Ione Maia e cerca de aproximadamente 200 alun@s. 

A ideóloga, ativista e uma das maiores lideranças pretas do centro oeste mineiro, Maria Catarina Laborê afirma da  importância desse tipo de atividade para o desenvolvimento de ações efetivas visando  a educação antiracista: “Não se combate o racismo sem reconhecê-lo. Da abolição da escravidão às ações afirmativas, as lutas pela liberdade começaram há séculos e ainda não foram concluídas. Ainda há um longo caminho para o fim da discriminação racial.A discussão do racismo é fundamental não apenas para os negros, mas para o conjunto da sociedade brasileira. Não só a comunidade ganha com as atividades propostas, mas também nossa história  ancestrl.. A Jornada é uma forma de redistribuirmos conhecimentos, trocarmos experiências, como forma de  luta constante”, disse.

 A I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI

As ações da I Jornada de I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI, contaram com farta divulgação da imprensa local.

Fomos entrevistadas no Programa Panorama geral 720 khz Rádio Divinópolis AM, comandado pela jornalista Ana Paula Silva e TV Canidés.

A ação teve apoio do SindUTE,Fóruns Regionais,Irmandade Nossa Senhora, MUNDI, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Governo do Estado de Alagoas.

 A I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI terá prosseguimento, possivelmente no mês de julho/agosto,  em outras cidades mineiras, como forma de colaborar para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.

 


Postado em 28/05/2017 às 15:01 0

Por conta das fortes chuvas no estado, Michel Temer desembarca as 16h30 deste domingo, em Maceió,AL.


Por Arísia Barros

 

O presidente Michel Temer cancelou a agenda de reuniões em Brasília neste domingo e se prepara para ir ainda hoje a Alagoas, onde acompanhará a situação no Estado, fortemente atingido por chuvas na última semana.
Em Maceió, onde ao menos quatro pessoas morreram, a prefeitura decretou situação de emergência. Centenas de famílias estão desabrigadas e desalojadas na capital e na região metropolitana de Maceió. O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), sobrevoou regiões afetadas e coordenou reuniões durante a manhã deste domingo para colher informações atua

O presidente deve chegar por volta de 16h30 ao Estado e, após inteirar-se da situação, fazer uma reunião, acompanhado de ministros e autoridades locais, para decidir quais ações do governo federal poderão ser tomadas. O socorro do governo federal ao Estado e a municípios de Alagoas teve inicio ainda no sábado, quando as chuvas se intensificaram, e

O socorro do governo federal ao Estado e a municípios de Alagoas teve inicio ainda no sábado, quando as chuvas se intensificaram, e a Defesa Civil Nacional enviou técnicos para auxiliar o trabalho das autoridades locais.

Fonte: http://www2.valor.com.br/politica/4983504/temer-cancela-reunioes-e-vai-alagoas-acompanhar-estragos-por-chuvas


Postado em 28/05/2017 às 09:42 0

É preciso técnicas de abordagem policial no Programa Força Tarefa, Excelência Renan Filho.


Por Arísia Barros

 

É noite de terça-feira,23/05, quase 18 horas na Praça do Martírios, em Maceió,AL.

 O ponto de ônibus está repleto das muitas gentes que vem do trabalho e regressam à casa. As sombrinhas armadas, por conta da chuva torrencial, dão o toque de tons e cores à noite cinza de inverno.

É noite de terça-feira  e, também é dia de jogo, no Estádio Rei Pelé, bairro do Trapiche.

Ao  longe surgem diversos  torcedores, quase todos homens, e que ficam por ali, a espera do transporte particular que o levarão ao estádio. Fico ouvindo a conversa entre eles, que versa sobre futebol e estratégias para o jogo.

E, de repente, não mais que de repente, para  uma viatura da Força Tarefa, três policiais portando armas ostensivas marcham, em direção ao povo todo no ponto do ônibus.

A ação causa um transtorno imediato, as pessoas, na sua grande maioria mulheres, começam a se afastar para sair do foco dos agentes da lei.

Lá no fundo um deles conversa com uma senhora, que aponta para o alto da escadaria da Igreja dos Martírios.

 Os dois policiais, atravessando o mundo de gente que ali está, sai a caça de alguém ou algo. O outro fica ostensivamente parado defronte o ponto.

O clima na parada de ônibus é tenso, ninguém emite opiniões. E eu ali, congelada pelo absurdo da abordagem policial. Sem métrica ou técnicas.

Quando os policiais voltam, sem encontrar algo ou alguém, investem alheiatoriamente, em alguns homens que estão no ponto:

-Como é seu nome?- Pergunta o policial, com cara de mau, a um  deles.

O cabra responde.

E o policial, sem nenhuma habilidade, faz mais uma série de perguntas e se dirige  a outro homem.

Sem encontrar o que procuravam, entram na viatura e saem em disparada, deixando em polvorosa as gentes do ponto do ônibus.

Está faltando técnicas de abordagem policial  no Programa  Força Tarefa,em seu governo, Excelência Renan Filho.


Postado em 27/05/2017 às 15:22 0

Na entrevista para TV Assembléia falamos sobre a outra bicentenária e ignorada Alagoas. A Alagoas de Palmares.


Por Arísia Barros

 

Convidada pela TV Assembleia, em Maceió,AL  para falar, como ativista e militante preta, sobre os 200 anos  de Alagoas na perspectiva do olhar preto , para o jornalista Wendel Palhares,traçamos um paralelo sobre emancipação-liberdade-invisibilidade e exclusão social do povo preto.

Falamos da referência identificatória.

 De Palmares e Aqualtune, mulher preta africana primeira comandante do Quilombo dos Palmares.Palco modelo das Américas da resistência de pret@s.

Falamos sobre a invisibilidades das políticas, o imobilismo que congela o governo e dos   órgãos que deveriam ter expertises para combater o flagelo do racismo, e não o fazem.

Falamos dos nossos jovens mortos, sem direito à vida, a ter um futuro.

Nossos jovens que não ficam velhos e tem morte traçada pelo sistema.

Falamos das Alagoas que ignora a educação antiracista, Lei nº 10.639/03.

Falamos das Alagoas dos iletrad@s.

Dos analfabet@s, os de verdade e funcionais.

Desse povo que não participa da comemoração programada, repleta de  palestras das gentes  academic@s em ambientes refrigerados.

Até parece que a história das Alagoas foi produzida nas Academias e o povo que faz história é mero coadjuvante.

Falamos das Alagoas dos becos, esquinas, vielas, grotas, dos índios caetés que são partes constitutivas desse estado, mas continuam invisíveis.

Na entrevista para TV Assembléia falamos  sobre uma outra bicentenária e ignorada Alagoas.

A entrevista aconteceu na, tarde da sexta-feira, 26/05, na  sala Ubuntu da Biblioteca Graciliano Ramos no centro da capital Maceió,AL.

A sala Ubuntu foi criada  a partir de um dialogo firmado entre o Instituto Raízes de Áfricas e a Secretaria de Estado da Cultura.


Postado em 27/05/2017 às 12:37 0

Mãe Beata de Iemanjá, ialorixá, escritora e militante social, morre aos 86 anos.


Por Arísia Barros

 

Morreu neste sábado a ialorixá, escritora e militante de Direitos Humanos Beatriz Moreira da Costa, a Mãe Beata de Iemanjá, aos 86 anos. A família não divulgou a causa da morte. No próximo dia 7, Mãe Beata iria receber a Medalha Tiradentes da Alerj, através de um projeto do deputado Marcelo Freixo (PSOL). O parlamentar disse que a cerimônia de entregada medalha vai ser mantida.

— Ela é um símbolo muito forte para a história da cidade, enquanto mulher e liderança religiosa. A gente quer aquilo que ela representou: o encontro da diferença, da superação. Que suas lições fiquem para um Rio melhor — assinalou Freixo.

Nascida em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a sacerdotisa chegou ao Rio de Janeiro em 1969 e escolheu a cidade para viver e criar os quatro filhos. Além do terreiro de candomblé Ilê Omi Oju Arô, fundado há 32 anos no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a ialorixá era militante social. Desenvolveu e participou de atividades de combate à intolerância religiosa, à discriminação racial e de gênero, à violência contra a mulher, de prevenção das DSTs/HIV/Aids e câncer de mama, e de defesa do meio ambiente.

Seu terreiro foi Ponto de Cultura com oficinas de dança, música, artes e geração de renda. Lá, a sacerdotisa tinha planos de construir uma biblioteca. Mãe Beata também era presidente da Ong Criola (organização de mulheres negras que atua contra o racismo e o sexismo) e integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM e conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e também da Ong Viva Rio.

Escreveu os livros "Caroço de dendê: a sabedoria dos terreiros", "Histórias que minha avó contava", "Tradição e Religiosidade", "O Livro da Saúde das Mulheres Negras". O sepultamento será às 16h45 deste sábado no Cemitério de Nova Iguaçu.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/mae-beata-de-iemanja-ialorixa-escritora-militante-social-morre-aos-86-anos-21402898.html