Raízes da África
Raízes da África

Postado em 24/05/2017 às 07:42 0

O Daniel, aos 19 e o Cícero aos 20, meus alunos, foram assassinados pela indiferença do estado.


Por Arísia Barros

Eu os conheci, ainda meninos, entre 10 e 11 anos.

Os dois pretos, moradores de um dos bairros mais vulneráveis para jovem preto viver, em Maceió, AL.

Eram bons alunos e  trazia na bagagem diária suas histórias de vidas substantivas.

Eram  meninos educados e  sonhavam com o futuro,( todos nós sonhamos, não é mesmo?),  mas, a morte os encontrou bem antes.

As  descobertas  excludentes  da vida  periférica, que não oferecem as oportunidades necessárias para a juventude,  foram fatais,  e daí vieram as experiências marginalizadas, que se anunciavam, como a bala perdida, que iria lhes roubar o futuro, com total permissão racismo desenfreado, internalizado e consentido nas Alagoas dos Palmares.

Morreram bem jovens, antes mesmo de encontrarem a vida adulta.

Não ficarão velhos.

Ambos pretos. Ambos meus alunos.
Para eles  todo mês é sempre um  novembro negro.

 De luta!
Eita, Zumbi!


Postado em 21/05/2017 às 19:47 0

E nesses tempos esquizofrênicos da cultura do ódio sermos agraciadas, em Minas Gerais, com abraços floridos da essência-irmandade-de-pret@s é um dos melhores abraços de boas vindas.


Por Arísia Barros

A convite da professora Maria Catarina Laborê, uma das grandes lideranças do movimentos negro, em Divinopólis Minas Gerais, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros participa, desde 19 de maio, até a segunda, 22 de maio,  na região Centro Oeste Mineira  de uma grande jornada de ações/articulações negras buscando criação de estratégias de  diálogos, com os contemporâneos desafios abolicionistas.
E no dia 19 de maio, quando da chegada ao aeroporto  Brigadeiro Antônio Cabral, em Divinopólis/MG, Arísia Barros e Fernanda Monteiro, ativistas das Alagoas de Palmares foram recepcionadas, com muitas flores, abraços,  por representantes do movimento negro, das Minas Gerais.
Estavam no aeroporto a ativista, Maria Catarina,Marcelo Martins, militante do movimento negro mineiro e presidente do Instituto de Educação e Cidadania, Arianne Barbara e Emerson Santos, do MUNDI.
E nesses tempos esquizofrênicos da cultura do ódio ser agraciadas com abraços floridos da essência-irmandade-de-pret@s é um dos melhores abraços de boas vindas.
Obrigada, Minas Gerais de pret@s!
Obrigada!


Postado em 18/05/2017 às 13:19 0

Instituto Raízes de Áfricas participa em Minas Gerais, de Roda de Diálogos sobre os Desafios Abolicionistas do Século XXI.


Por Arísia Barros

129 após a  assinatura da Lei Áurea que deu fim (?) aos longos 388 anos mais perniciosos  da história nacional, o Brasil é, ainda, um país marcado pelas muitas  exclusões.

Para estabelecer espaços de discussão sob  a temática,  potencializando assim o  diálogo entre as diferentes linguagens e manifestações,  dos Quilombos de Alagoas e Minas Gerais, acontece de 19 a 21 de maio, na cidade de Divinópolis, Minas Gerais, uma série de Conversas  sobre  os Desafios Abolicionistas do Século XXI.

A iniciativa das Rodas de Conversas é da ativista e membro do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Minas Gerais, Maria Catarina Laborê, como forma de colaborar para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.

A convite de Maria Catarina Laborê, a coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, Arísia Barros falará sobre o racismo  e seus desdobramentos sociais , em locais e públicos diversificados, conforme a programação abaixo

 

19 de maio-  sexta -feira

Local- Câmara Municipal de São Gonçalo do Pará

Horário-  19 às 21 horas

Público- Comunidade escolar, alunos/as, movimentos sociais e autoridades locais

20 de maio-  Encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi

Horário-  de19 às 21 horas.

21 de maio-- Missa Conga no cemitério dos escravos-comunidade dos marimbondos- município de Carmo do Cajuru- Centro Oeste,às 9 horas.

você fará uma palestra relacionada com o que apreciará

Encontro da articulação negra do centro oeste

22 de maio- segunda feira- 

7:30  às  9:30 horas - E.E. Antônio da Costa Pereira

Grande ciclo de debates, com um público periférico,bairro vulnerável, escola composta por uma grande diversidade

13 horas-  encontro com a vereadora Janete .

 


Postado em 18/05/2017 às 10:22 0

Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal fará visita a Rafael Braga, na prisão.


Por Arísia Barros

 

Direitos Humanos em Tempos Sombrios foi o tema de Roda de Conversas promovida, em Maceió, AL, como iniciativa do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, deputado Paulão, AL.

A Roda  ocorreu na segunda-feira,15/05,  na sede da OAB/AL,em Maceió.

Segundo a organização da atividade: “A proposta da Conversa é fomentar o diálogo buscando a analise dos retrocessos na temática de DH e o cenário de francas violações de direitos em curso no Brasil.”

Diversas organizações da sociedade civil, em Maceió, Alagoas participaram das conversas, entretanto foi flagrante a ausência das autoridades locais.

Gritante, também, foi a ausência da imprensa alagoana  quando não só o Brasil, mas Alagoas vive um ciclo pernicioso e vicioso de violações de direitos humanos.

O jornalista alagoano Marcelo Firmino presente a Roda falou de seu descontentamento pela ausência de seus pares do jornalismo, que ao não divulgarem a ação silenciam o debate público.

Instituições falaram sobre diversos aspectos dos Direitos Humanos.

A coordenadora, Arísia Barros, do Instituto Raízes de Áfricas  usou a tribuna para reiterar a fala sobre a inexistência de um órgão no governo do estado de Alagoas, que interprete a real necessidade e o valor dos  Direitos Humanos,visando a construção/implementação de políticas públicas estruturais e estruturantes para as populações ditas minoritárias.

A coordenadora sugeriu que outros momentos da discussão sejam elaborados para que ocorram nas periferias das cidades.

Aproveitando a fala, Arísia cobrou da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, providências em relação ao caso de Rafael Braga, o único preso político das manifestações de junho de 2013 e  como resposta, o advogado e membro da CDHM , alagoano Pedro Montenegro afirmou que a Comissão está em contato com os advogados de Rafael para  agendamento de  uma visita

 


Postado em 17/05/2017 às 17:32 0

Negligência. Descaso e Mortes. O Genocídio institucionalizado do Governo Temer com os Quilombos, em Alagoas.


Por Arísia Barros

Alagoas tem 69 quilombos incrustados em sua história de lutas  e resistências.

Nos últimos 4 anos, 266 pessoas morreram por causa da esquistossomose, ou barriga d’água, em todo estado- nos alerta a matéria do jornalista Abidias Martins, exibida nessa terça-feira, 16/05, da TV  Gazeta de Alagoas.

A água de beber dos quilombolas, em Alagoas, é a mesma onde os cavalos/bichos se banham.

A água de beber dos quilombolas, em Alagoas, é cheia de fezes humanas, uma forma de transmissão da esquistossomose. É assim na comunidade Quilombo, na zona rural de Santa Luzia do Norte

Grupos com trajetória histórica própria, entretanto,extremamente vulneráveis, açoitadas e marcadas a fogo e ferro pelo descaso institucional.

Sujeitos históricos, vivenciando as violências étnicas, econômicas, sociais em territórios apartheizados, no  mês da  sub-abolição.

É a dogmática escravocrata desmobilizando identidades e pertencimentos..

Alagoas tem quilombos carregados de carências seculares: Tenho 12 anos, estudo, mas, não sei ler. Quero aprender a ler, pois meu sonho é ser professora- disse a menina quilombola chorando à frente das câmeras.

Tenho  fome- declarou aos prantos, outra quilombola.

Como navios negreiros contemporâneos, nos  territórios quilombolas, sobram inanição, doença, analfabetismo e indigência, numa intrincada malha de violência e segregação permanente..

Quilombolas, que como protagonistas herdeiros dessa história de resiliência do povo preto de Palmares, tem o direito a cidadania, socialização, educação, saúde, ,cultura, lazer, emprego e renda, e assim, a partir da leitura do mundo poderão reescrever suas próprias histórias, letras que encadeiam palavras. Palavras que fazem sentido.

 Cidadania como políticas públicas estruturais e estruturantes que   darão oportunidades as gentes quilombolas de serem engajados em um grande processo emancipatório, abolindo a escravidão contemporânea.

Liberdade!

 

http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/sesau-investiga-casos-de-esquistossomose-em-comunidades-quilombolas-de-alagoas.ghtml

http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2016/11/quilombolas-vivem-em-situacao-de-miseria-em-comunidades-de-alagoas.html

http://g1.globo.com/al/alagoas/altv-2edicao/videos/v/familias-de-comunidade-quilombola-enfrentam-dificuldades-em-sao-jose-da-tapera/5436031/


Postado em 15/05/2017 às 20:11 0

A praia de Jatiúca, em Maceió,AL, não tem chuveiros, nem banheiros públicos, mas, a Prefeitura está construindo, a todo vapor, uma quadra de Beach Tênis.


Por Arísia Barros

Maceió,AL., é dona das mais belas praias urbanas do Nordeste e possui uma  posição geográfica privilegiada,  atraindo assim, um número potencial de  turistas encantados, principalmente, com as  belezas das praias.

As praias de Maceió são belas, entretanto banhistas e turistas tem grande dificuldade de  acesso aos bens públicos ,como banheiros e chuveiros.

Serviços básicos que deveriam ser ofertados a população que freqüenta as praias.

Em 2014 turistas já  havia muitos reclames pela  ausência de equipamentos higiênicos.

E no mesmo ano a Prefeitura de Maceió, asseverou que o projeto de instalação já estava encaminhado. Estamos em 2017 e três anos depois da tal declaração, nada aconteceu.

Com a ausência de banheiros na praia, o mar se transforma num grande sanitário público.

O que diz a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável?

Banheiros públicos atenderão uma coletividade, mas, o prefeito de Maceió privilegia a construção a todo vapor, na praia de Jatiúca de uma quadra de tênis.

Segundo a Prefeitura de Maceió: “A quadra funcionará em um espaço revitalizado e atende a uma solicitação de maceioenses que são adeptos e praticam o esporte na região. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, a expectativa é que o serviço seja concluído e entregue em até duas semanas."

DUAS SEMANAS?

Faz TRÊS ANOS  que a Prefeitura de Maceió “estuda” a instalação dos tais  banheiros.

Política exclusivista, prefeito?

 

 


Postado em 14/05/2017 às 13:25 0

Quando digo que sou poeta muitas pessoas riem de mim, me olham, arrogantemente, de lado.


Por Arísia Barros

Eu  sou  um poeta preto, pobre e moro em uma periferia de Maceió,AL, em que os jovens são mortos e morrem todos os dias.

Meu nome é André Fabrício e eu amo escrever. A escrita me salva de mim.

Eu escrevo poesias, mas minha poesia é morta todo dia pelo olhar preconceituoso de muitas pessoas. E todo dia tenho que escrever outras palavras para dar vida no que acredito.

Eu sou um poeta preto, pobre e moro em uma periferia de grande vulnerabilidade, e no mundo do racismo isso não combina muito. Quando digo que sou poeta muitas pessoas riem de mim, me olham, arrogantemente, de lado. Tenho milhares de poemas escritos, mas nunca tive chance de publicar.

Eu sou preto, poeta e pobre. Uma combinação igual à pólvora.

A poesia me salva das  dores, dos traumas de vida. São tantos...

A poesia me permite  reinventar caminhos em que eu possa existir.

O racismo não quer que a gente exista, mas minha palavra insiste, persiste e eu continuo a caminhar.

E escrever.

Fonte: https://www.facebook.com/andre.fabricio.902?fref=nf&pnref=story


Postado em 13/05/2017 às 23:07 0

O 13 de maio, a Vila Emater e a sofisticada burocracia estatal , que exclui e mata. O nefasto legado da escravidão.


Por Arísia Barros

 

A comunidade, hoje com 226 famílias, surgiu no entorno do antigo Lixão de Maceió e, fica localizada  na parte alta do bairro de  Jacarecica, em Maceió,AL, com vista para o mar.

 Bolsão de miséria tendo mansões, como vizinhas do entorno.

A comunidade tem o nome de Vila Emater e tudo lá é clandestino,  da  energia, a água utilizada no local,até o direito à cidadania.

São 226 famílias que vivem em condições sub-humanas ,ruas de terra batida, com esgoto correndo a céu aberto e incontáveis arremedos de moradias.

O lar das famílias são  inúmeros  barracos erguidos em madeira, papelão, lona e diversos outros materiais reciclados.

A Vila Emater é um espaço  cheio de  inoperâncias institucionais que massacram as expectativas e possibilidades de vidas. É  uma visão dantesca da sofisticada burocracia estatal,que exclui e mata, um  nefasto legado da escravidão.

O Instituto Raízes de Áfricas, com participação da enfermeira  Carla Perdigão, militante preta Fernanda Monteiro, e  José Augusto,  realizou, no sábado dia 22 de abril, a Oficina Discutindo  Violência com as Crianças da Vila .

Participaram um    bocado de crianças e adolescentes com olhos curiosos ,  pés descalços e corpos desumanizados, ecos da infância encurralada  pela ausência de perspectivas:- Faz uns três anos que não vou ao médico diz a menina de 10 anos. Também não faço exames nem de sangue, nem de vermes. Fecharam o Posto de Saúde que tinha aqui.

Conversamos sobre violência:- Por  aqui a gente vê muita gente morta no meio da rua. É normal- diz o menino aos 12 anos.

- Violência para mim é a Prefeitura de Maceió ter  fechado  a creche da  comunidade. A gente tem que sair daqui e estudar em outro lugar. O ruim é porque o ônibus que leva  a gente é velho- fala outro.

Faz  dez anos  que  a comunidade da Vila Emater  aguarda o fim do imbróglio jurídico para tomar posse em definitivo do terreno doado pelo governo do Estado para construção de um habitacional, conjunto de casas e apartamentos que serão financiados pelo programa federal 'Minha Casa, Minha Vida'.

E o menino afirma, com o peito cheio de angústia:- Para mim, tia, violência é quando tiram os direitos da gente.

129 anos após, a abolição inacabada aprisiona, dentro do racismo, o povo, principalmente,  pobre , preto e periférico.

O  Estado é  genocida.


Postado em 07/05/2017 às 18:06 0

Minha mãe já entrou muito pelo elevador de serviço, para hoje. eu estar onde estou. Eu não entro mais.


Por Arísia Barros

 

Fernanda Sousa é uma professora preta  paulista ,faz serviço de revisão textual e adequação às normas da ABNT, além de dar aulas particulares de redação, literatura, gramática e reforço escolar, e escreve com orgulho:

Entro no condomínio localizado nos Jardins para dar mais uma aula particular de redação.

 Dou boa noite ao porteiro e vou até o elevador social. Aperto o botão e, quando o elevador para no térreo, desce uma senhora branca, que arregala os olhos ao me ver, m

e mede e solta um "boa noite" titubeante. Entro no elevador e a escuto perguntar ao porteiro: "Quem é essa menina?". Ele, negro e nordestino, responde orgulhoso: "ela é professora". Silêncio constrangedor. E lá vou eu dar mais uma aula...

Minha mãe já entrou muito pelo elevador de serviço,para hoje, eu estar onde estou. Eu não entro mais.

Fonte: https://www.facebook.com/fernanda.sousa.9085

 


Postado em 06/05/2017 às 16:49 0

Não é uma dor coletiva, feito o merchandising #mexeucomumamexeu com todas.


Por Arísia Barros

 

A dor é tanta que a mulher fica quietinha, em seu canto, falando palavras desconexas que rompem o silêncio hierárquico dos que não querem ouvir.

A mulher é preta, senhora cheia das idades, uma mãe órfã.

Sua filha única foi morta pelo marido que  a considerava  posse, propriedade. Ele era dono  da esposa , e ponto final.

Parada no meio da sala nua, mas, vestida de significados,  a mulher-mãe-orfã  faz um inventário intimo da vida, que agora-sem a filha morta, se faz letárgica, feito hibernação da dor, que se arrasta voraz por todas as artérias do corpo.

Tem horas que ela deposita a mão sob o peito, como a sufocar  uma tristeza tamanha que ameaça consumi-la.

Essa dor é só dela. Não é uma dor coletiva, feito o merchandising #mexeucomumame xeu com todas.

A filha da mulher foi morta e ela está só, com sua dor.

E ponto final.


Postado em 06/05/2017 às 13:02 0

Você é racista? Faça o teste.


Por Arísia Barros

 

E daí você vem caminhando ,displicentemente, por uma dessas ruas da cidade e de repente, não mais do que de repente, se depara com uma meninazinha preta, preta, pretinha.

Talvez, a meninazinha tenha dois anos, quiçá três, o nariz escorrendo e  a barriga intumescida mostram que  a meninazinha é uma das muitas  que passam a infância perambulando, pelas ruas do mundo todo.

Quando você se aproxima a  meninazinha, preta e com o nariz escorrendo estende a mão e  pede:- Ti@, me dá um real.

Incomodada ou apiedada com a aparição, você, talvez, passe a mão na cabeça da meninazinha, em uma carícia involuntária ,ou não, e exclame:- Coitadinha!

Quem sabe você se disponha a doar esse real, ou siga adiante, esquecendo da meninazinha na próxima esquina.

Mais adiante, Eureka, materializa-se em sua frente  uma outra meninazinha, com idade semelhante a outra, entretanto,  essa criança é diferente, apesar da sujeira que cobre sua pele alvíssima, os cabelos são loiros e os olhos azuis.

A meninazinha  sujinha, branquinha e de olhos azuis, também, pede  ajuda, e ao vê-la, você exclama:- Ô, meu Deus, tão linda, e, na rua!

Você é racista?

Faça o teste.


Postado em 05/05/2017 às 12:15 0

O Estado precisa, URGENTEMENTE, encarar o desafio de estabelecer políticas sociais sustentáveis, estruturais e estruturantes, a médio, curto e longo prazo, Excelência Renan Filho.


Por Arísia Barros

Com pior IDH ( Indice de Desenvolvimento Humano)  do país, o  estado de Alagoas é feito uma enorme colcha de retalhos, de um lado as  gentes assistidas , abastadas de direitos e  de um outro lado, vemos as outras  muitas  e tantas gentes  que vivem  a problemática do pauperismo social, em extrema indigência, onde falta o “de comer” e o de “beber”, moradia decente...

Aquelas gentes que de tão acostumadas com a miséria cotidiana se apegam na fé para alimentar os caminhos de sobrevivência

As gentes do “Deus proverá”.

Gentes dessemelhantes e muito desiguais obsedadas pela pauperização que ronda obesa alargando as  privações. Falta tudo.

Uma pauperização com caráter agressivo e genocida. Provocativa dos embates sanguinolentos em ruas, periferias, grotas, favelas, subúrbios.

A miséria letal que sobe escadas atravessa pontilhões e faz escárnio de paredes pintadas de novas, quando dentro das casas habitam pessoas que são governadas pelo vazio de oportunidades, possibilidades, perspectivas.

Tenho três filhos - me diz a senhora, no oco da casa muito humilde, de uma grota “revitalizada” da capital, Maceió, AL.

 Um tem 10 anos, o outro 12 e o mais velho 14 anos- vai dizendo com a voz arrastada pelos cansaços diários.

E continua: - Esse, se referindo ao mais velho,  já se meteu com o que não presta. Mas o que posso fazer? Sou sozinha, desempregada e não dou conta de cuidar deles.

E o pai? Pergunto.

Ela com a resposta precisa na ponta da língua:- Está preso!

Para mudar os problemas basilares  e dos  paupérrimos sociais  que  avassalam os muitos territórios alagoanos, o Estado  precisa mudar, estruturalmente, a forma de fazer política.

Aliado a construção de concretos e mais concretos, o Estado precisa, URGENTEMENTE,  encarar o desafio de estabelecer  políticas sociais sustentáveis, estruturais e estruturantes, a médio, curto  e longo prazo.

Para que Alagoas seja  um estado de Excelência é precioso o respeito aos direitos constitucionais do povo, governador Renan Filho.

Todos os direitos.