Raízes da África
Raízes da África

Postado em 28/11/2016 às 09:44 0

Precisamos falar sobre a Natália, Excelência Renan Filho.


Por Arísia Barros

 

Excelência, Renan Filho, lembra da jovem Natália, interna  da Unidade de Internação Feminina?

Aquela mocinha preta com o  discurso eloquente que o  deixou emocionado?

Pois, é, Natália já está livre. Cumpriu sua pena e agora está no caminho de retorno a vida social, desafiando as expectativas, ousando romper barreiras de inserção, mas, não está sendo fácil, Excelência.

Nascida em uma família desestruturada, periférica e sem muitas oportunidades de vida, a mocinha que busca construir sua liberdade traz consigo estigmas que a excluem: É  mulher, preta, pobre e ex- socioeducanda.

Aos 8 anos a menina conheceu as drogas e nelas afogou-se por longos e destrutivos 10 anos e só agora, aos 18 anos, depois da sua 24ª internação  se  permite dizer recuperada.

A UIF me salvou costuma dizer nas palestras para as quais é convidada pelo Instituto Raízes de Áfricas.

Por que para conhecer algumas coisas boas, lazer, saúde, educação, eu tive que ir para a UIF?  Pergunta-se em um tom de releitura social.

Preciso de uma ocupação, professora Arísia, me diz ela. Preciso ganhar meu próprio dinheiro para tocar minha vida, continuar meus estudos, afirma Natália.

Essa moça, governador é uma líder em potencial, carismática e com apreensão da leitura dos muitos mundos, por onde andou. Mundos que foram importantes para forjar  em seu espirito a determinação atual, de  se manter inteira.

A história dessa moça traz outras vidas  substantivas, alimentadas pelo diálogo dos medos alheios e exclusão social. Se o ambiente social para a juventude pobre e preta é naturalmente  segregador, para quem  é oriundo Unidade de Internação, ele se torna desumano.

 Excelência, precisamos criar braços longos e institucionais  para propiciar territórios de mudança para a Natália e todos os jovens que saem da UIF.

Um lastro para prosseguir a jornada de ressocialização.

Precisamos de políticas públicas robustas, eficazes e eficientes para trabalhar os espaços de igualdade social para jovens pretos e periféricos, dos quais nos fala a Carta Magna.

Com uma tenacidade fora do comum e com a vontade suculenta de ressignificar todos os aprendizados recebidos, Natália está pronta para recomeçar.

E recomeço pede um trabalho que dignifique seus passos.

Vossa Excelência pode ajudar Natália.

Ajude!

 


Postado em 27/11/2016 às 11:01 0

Ninguém está negando que em Cuba a chance de um menino preto se tornar médico é maior que no Brasil.


Por Arisia Barros

A pan-africanista de Brasília, Anin Urasse escreve e compartilho a fala.

Vai lendo:

 

 

Vou contar um segredo: não é só Carlos Moore que fala sobre o racismo em Cuba.

Ano passado, conheci uma autora cubana chamada Teresa Cárdenas, que esteve no brasil tb esse ano. Teresa Cárdenas tem 2 livros publicados aqui: "Cartas para minha mãe" e "Cachorro Velho" (meu favorito). Ambos são de literatura. Especialmente no "Cartas para minha mãe", Teresa deixa nítido o racismo da sociedade cubana: são cartas que uma menina preta escreve para sua mãe morta, em que ela conta o drama sofrido por causa de seu cabelo, nariz, pele... (Aquilo tudo que a gente vive na pele).

Teresa fez algumas falas, e numa delas contou como o debate racial é suprimido em Cuba. Como toda vez que se falava de raça, o governo respondia que naquele momento não havia tempo pra cuidar disso porque estavam lutando contra o imperialismo norte-americano.

Ano passado, também, conheci o programa cubano de doença falciforme (uma doença, como sabemos, de preto) através de um dos ex-secretários de saúde de Cuba que estava num workshop de hemoglobinopatias no Pará (vejam como o mundo é pequeno). Cuba impede o nascimento de crianças com doença falciforme. O médico comemorava que, em 20 anos, reduziu em 40% o nascimento destas crianças, através de um programa de aborto direcionado a mulheres (obviamente) negras. Eugenia pouca é bobagem. Podem pesquisar.

Eu poderia falar mil coisas aqui. Há que parar com a afetação. Toda vez que lhe contarem uma história, se pergunte onde estava o nosso povo naquela história.

Ninguém está negando que em Cuba a chance de um menino preto se tornar médico é maior que aqui. Que houve luta contra o imperialismo. Que a educação e o sistema de saúde beneficiam o povo preto. Mas em que valores sua sociedade se assenta? O povo preto está no poder? Um sistema de saúde incrível não resolve, se ele servir pra implementar programa que impeçam o nascimento de crianças com DF. É disso que estamos falando. A gente não quer só comida, certo?

Mas quem fala isso deve ser reacionário pan-africanista de direita financiado pela cia. Eu só sei que, se Fidel Castro fosse um homem preto ele estaria morto há muitos anos. Eu não conheço nenhum revolucionário preto que tenha morrido de velhice aos 90 anos. Eita mundão infantil.

 

 


Postado em 23/11/2016 às 09:34 0

Quem vai chorar pelo menino morto?


Por Arísia Barros

 

A bala veio zunindo pelo espaço vazio e atingiu o corpo cheio de vida do menino.
A bala o matou.

Mais um menino preto foi morto por uma bala, certeiramente, perdida.

Menos um "problema" para o estado.

É novembro das festivas celebrações em nome da  liberdade nas terras pretas de Palmares.

Novembro das festas quilométricas e haja  danças estilizadas ao  toques de atabaques, exposições, lançamentos de livros, oficinas de turbantes, comidinhas afro e etc  e tal.

E a  tal consciência em relação a vida  de pret@s?

Mulher, deixa isso para lá- fala a voz da  maioria  festiva. A vida de pret@s não tem a menor valia.

Vale menos do que poucos dinheiros.

Em Palmares falar sobre a   vida de pret@s é quase heresia, não importa.

E viva Zumbi!

Quem vai chorar pelo menino morto?

 

 

 


Postado em 21/11/2016 às 14:44 0

Nosso povo tem fome, anda nu e não sabe ler.


Por Arísia Barros

Anin Urase, panafricanista, residente em Brasília, afirma:

São milhões de reais gastos em eventos, shows, marchas, oficinas, festas. Todo mundo bonito e arrumado, e, é até importante, Malcolm falou que seria "por todos os meios necessários".

Mas o fato é que nosso povo tem fome, anda nu e não sabe ler.

 


Postado em 19/11/2016 às 17:32 0

De Alagoas a São Paulo Movimentos de direita ‘Vem Pra Rua’ e ‘MBL’ desrespeitam o Dia Nacional Consciência Negra.


Por Arísia Barros

Assim como em Alagoas, berço do simbolismo da liberdade de pretos, os movimentos da direita desrespeitam a celebração do dia da Consciência Negra. Quem nos fala de São Paulo é Douglas Belchior:

"É fundamental a mobilização do maior número possível de negras, negros e da população que defende os valores dos direitos humanos e da democracia, para estarem presentes nesse domingo, dia 20 de Novembro, a partir das 11h da manhã, mas em especial a partir das 14h, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista em São Paulo, na Marcha da Consciência Negra.

Em completo desrespeito à tradição e ao simbolismo da celebração do dia nacional da consciência negra, os movimentos de direita ‘Vem Pra Rua’ e ‘MBL’ convocaram um ato e um congresso para a mesma data, horário e local em que se realizará a Marcha da Consciência Negra, em São Paulo.

O Movimento Vem Pra Rua, em sua página com mais de 1 milhão e 400 mil seguidores, está convocando um Ato “em apoio a operação lava jato e às 10 medidas contra a corrupção” para o dia 20 de Novembro, às 15h, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, mesmo local e horário da saída da 13a. Marcha da Consciência Negra, convocada pelo movimento negro.

Neste mesmo final de semana, o MBL – Movimento Brasil Livre, promove em um Hotel da Alameda Santos, há duas quadras do MASP, o seu Congresso Nacional, que deverá apresentar sua bancada de vereadores neo-liberais aos seus seguidores, bem como contar com a presença das estrelas da direita reacionária e racista brasileira, entre eles o ministro do STF Gilmar Mendes, o Secretário de Educação Mendonça Filho, o prefeito eleito de SP João Dória Junior, a advogada Janaína Pascoal e o colunista Reinaldo Azevedo. Só gente boa…

 

PAUTAS RACISTAS E RISCO DE CONFRONTO

 

Tanto o ‘Vem Pra Rua’ quanto o ‘MBL’ mobilizam desde a parte mais hipócrita da classe média alta, batedores de panelas e jovens desinformados, até setores mais retrógrados que chegam a pedir intervenção militar no país, com participação já comprovadas de fascistase neo-nazistas. Eles também se destacam pela forma desavergonhada e até violenta com que expõe seu racismo e sua homofobia, tanto na defesa política que fazem pelo fim de políticas sociais como bolsa família, prouni, mais médicos, cotas raciais, direitos LGBTs, etc, quanto no trato com os seus funcionários e no cotidiano de suas relações, em especial em momentos de encontros como o que deve se dar no Masp neste domingo.

 

MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA ESTÁ CONFIRMADA

Apesar da convocação da manifestação por parte dos movimentos de direita e do risco de confronto, a Marcha da Consciência Negra reafirma seu caráter pacífico e democrático. A manifestação está mantida, confirmada a sua concentração para a partir das 11h da manhã deste domingo, dia 20 de novembro. Durante todo o dia haverá apresentação de grupos culturais afro-brasileiros. Às 15h deve haver um ato com a presença de lideranças dos movimentos e a saída em Marcha, sentido centro da cidade.

Convoque familiares, amigos e fortaleça nossa mobilização!"

 


Postado em 18/11/2016 às 18:56 0

Ministro da Cultura, Marcelo Calero, entrega carta de demissão a Michel e Roberto Freire será o novo ministro.


Por Arísia Barros

 

O Ministro da Cultura, Marcelo Calero, que estva no governo desde maio, apresentou carta de demissão do cargo, nesta sexta, 18.

Segundo a assessoria do Ministério  o pedido  está relacionado a incompatibilidades com alguns integrantes do governo.

A secretária-executiva do ministério, Mariana Ribas, assume interinamente o comando da pasta.

Quem assumirá o cargo será o deputado Roberto Freire (PPS-SP) 


Postado em 18/11/2016 às 11:28 0

O Movimento Brasil quer apagar o 20 de novembro em Alagoas- diz Odilon Rios.


Por Arísia Barros

O jornalista alagoano Odilon Rios, editor na empresa Repórter Alagoas, fala de um novo tipo de dominação branca que busca sequesatrar espaçso duramente conquistados pelo povo preto do Brasil daqui e d'ácola,  e corroboro, plenamente,  com suas palavras:

 

"Quer levar oportunistas, malafanhados, dondocas e sinhás para a porta do prédio do senador Renan Calheiros e gritar "Fora Renan". 
Dia 20 é a data da Consciência Negra.

Mas, os negros na casa de algumas damas, nobres e senhores alagoanos (não todos, obviamente) servem para trocar as fraldas dos herdeiros ou ajudar no gozo- como amantes- entre quatro paredes, nos desvarios do sexo proibido, ocultado pelas janelas abertas para o mar da Ponta Verde.

Enfastiado, o Movimento Brasil quer apagar uma data histórica com um tardio Fora Renan.

Como se vê, um movimento de mentirinha que fechará as ruas da orla impedindo o direito de ir e vir das pessoas.

Democracia?

Que nada!"

 

Fonte: https://www.facebook.com/odilon.rios.1?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf

 

 

 


Postado em 17/11/2016 às 10:42 0

Dezenas de pessoas prestigiam lançamento de literatura sobre pret@s no Espaço Ubuntu, em Maceió,AL.


Por Arísia Barros

Três meses após sua inauguração, ( em 16 de agosto),  o Espaço Ubuntu  recebe o lançamento das obras selecionadas  no prêmio Oliveira da Silveira, organizado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP).

Cinco obras foram lançadas, dentre elas do alagoano, Júlio César Farias de Andrade, capoeirista e servidor público da Universidade Federal de Alagoas. Na

O lançamento do livro do Júlio que se chama: Haussá 1815 – Comarca das Alagoas e foi selecionado por júri nacional , representando a região Nordeste no prêmio  Oliveira da Silveira.

Segundo o coordenador-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FCP, Vanderlei Lourenço. "O Prêmio Oliveira Silveira cumpre o importante papel de incentivar produções literárias que valorizem e deem visibilidade às manifestações culturais da população afro-brasileira e lançá-lo no Espaço Ubuntu, na terra de tant@s guerreir@s negr@s, tem valor especial."

Melina Freitas, secretária de Estado da Cultura, ressaltou o empenho do Governo de Estado de Alagoas  de construir pontes e alicerçar os caminhos entre a cultura e a diversidade do povo alagoano, acrescentando que o lançamento no espaço Ubuntu dialoga com a cultura do povo preto e  e desperta o olhar da sociedade para a importância do segmento afro na formação do nosso país.

O que é o Espaço Ubuntu

Surgido da parceria da Secretaria de Estado da Cultura com o Instituto Raízes de Áfricas, o Espaço Ubuntu   é um acervo literário dedicado a obras de escritores negros e que relatam a história e a cultura afrobrasileira.

.Ubuntu que significa ‘Eu sou porque nós somos’, carrega  a  substancia da  geografia, história, literatura  de pret@s, junta os pedaços das africanidades alagoanas e brasileiras,  que  foram fragmentados, segmentados ao longo da história.

Funciona na Biblioteca Pública, no centro da capital Maceió, AL, de segunda a sexta-feira, das 09 às 17h. É o primeiro espaço no gênero, em Alagoas.

Quem é Oliveira da Silveira

Poeta , historiador, pesquisador gaúcho, Oliveira da Silveira, um dos fundadores do Grupo Palmares declarou em 1971, o 20 de novembro, como o dia de Zumbi.

Sete anos depois, o 20 de novembro foi elevado a Dia Nacional da Consciência Negra.

 


Postado em 14/11/2016 às 22:37 0

Livro premiado de alagoano capoeirista e servidor da UFAL é lançado em Maceió,AL.


Por Arísia Barros

 

Capoeirista angoleiro e mestre de maracatu de baque virado em Alagoas, Júlio César Farias de Andrade,  é alagoano de Maceió e  servidor público da Universidade Federal de Alagoas e nesta quarta-feira16/11, Júlio César,  lança seu livro selecionado no prêmio Oliveira da Silveira, organizado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP).

O lançamento do livro do Júlio que se chama: Haussá 1815 – Comarca das Alagoas e foi selecionado pelo júri, representando a região Nordeste no prêmio  Oliveira da Silveira  e a Secretaria de Estado da Cultura  em parceria com a  Fundação Cultural Palmares convida  para o lançamento em Maceió,AL, que acontece às 18h do dia 16/11 ( quarta-feira), na  Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, localizada no centro de Maceió, na Praça Pedro II, próximo a Assembléia Legislativa.

Além do livro do Júlio quatro outras obras literárias serão lançadas.

O Prêmio Oliveira Silveira.

"O Prêmio Oliveira Silveira cumpre o importante papel de incentivar produções literárias que valorizem e deem visibilidade às manifestações culturais da população afro-brasileira", destaca o coordenador-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra da FCP, Vanderlei Lourenço. "A escolha pelo gênero romance, atende, ainda, a necessidade de valorização de gênero literário distinto da poesia e ensaios, que já foram contemplados em maior escala pela Fundação Cultural Palmares em outros momentos"- finalizou.

 


Postado em 13/11/2016 às 17:21 0

Precisamos falar sobre intolerâncias institucionais, governador Renan Filho.


Por Arísia Barros

 

Ele é preto e deficiente intelectual,e, como ele,  tant@s e muit@s se tornam alvos preferenciais  do ataque das gentes com o sentimento fossilizado da supremacia que  o vê,  preto deficiente, pobre e periférico, como elemento vulnerável, cidadão descartável.

Ele,  que faz mais de 10 anos reinventa, uma pessoal e radical  caminhada de "subversão" cotidiana,  reinterpretando,  assim  estratégias de enfrentamento  às intolerâncias  insidiosas.

Ele como  preto deficiente, pobre e periférico é  o alvo preferencial dessas mesmas  gentes intolerantes.

Sabe com quem está falando?- Perguntou a Agente Pública do Governo do Estado de Alagoas,  ao  homem, que apesar dos 30 anos, tem a alma de menino. Pressionado, por suas limitações, ele arvorou a palavra e depois se desfez no choro.

As lágrimas eram de indignação,  e ele desabou no choro.

Ele é um ser humano especial que vai de encontro ao impossível  e veste desde a capa de super homem ,a  barba do Papai Noel contemporâneo, em um mundo muitas vezes imaginário.

Ele tem deficiência intelectual  e apesar disso, vive preenchendo  os espaços ocos de conhecimentos com a palavra afirmativa. Em 2015  foi interceptado no primeiro degrau do palco, lá na Serra da Barriga/Quilombo dos Palmares, novamente por uma agente pública, ao  afirmar  que o palco que celebrava o 20 de novembro, não, era lugar para ele.

E foi Vossa Excelência que interferiu para que o homem com limitações intelectuais, e é membro do Instituto Raizes de Áfricas estivesse no palco.

E fiquei matutando sobre o que disse a agente pública   se o lugar de  jovens pretos, pobres da periferia em Alagoas não é mesmo,  as covas rasas, onde corpos mortos são abandonados e criminalizados.

Ele é o alvo fácil dos momentos de intolerância  encandeadas  e provocadas por ações humanas.

O perfil dele: homem preto, deficiente e periférico tem uma estreita relação com a palavra dilaceradora que o exclui.

Precisamos falar sobre intolerâncias institucionais, governador Renan Filho.

A intolerância institucional é um campo de concentração cheio de minas que podem explodir a qualquer minuto e essas minas matam auto-estima.

A intolerância institucional é uma assassina sutil de almas alheias. É uma humanidade desumanizada

A intolerância institucional é consentida, progressiva e se intensifica, com a indiferença do estado.

Urge a criação de políticas públicas estatais que invistam  na qualificação de gestor@s e servidor@s  estaduais, tendo como objetivo  romper com esse ciclo do racismo institucional.

Para que tenhamos uma sociedade de fato e um estado de direito precisamos falar sobre intolerâncias institucionais, governador Renan Filho.

 

 


Postado em 13/11/2016 às 16:18 0

Fui forjada para lutar contra o racismo, mas,quem me ensina a lutar contra a perversidade de negr@s contra negr@s?


Por Arísia Barros

 

A soteropolitana  Maíra Azevedo, jornalista e repórter questiona, indaga, pergunta e  escreve e corroboro com o que ela diz:

“Fui forjada para lutar contra o racismo, mas, quem me ensina a lutar contra a perversidade de negr@s contra  negr@s?

Aquela prática de ligar para os contatos e pedir para não contratar, afinal de contas "não faz mais parte do mesmo grupo político".

De sentar em uma roda e desqualificar, .na tentativa de impedir que a figura se configure como uma liderança.

 Sim, temos que falar disso...

O racismo tem conseguido nos atingir de tal forma, que nós mesmos, intitulados de militantes anti racistas, nos matamos.

 Estamos contribuindo com os dados de extermínio da população negra.

 Reflita!!

Será que você já não ajudou matar um dos seus?”


Postado em 11/11/2016 às 05:39 0

Estamos no mês da Consciência Negra, e nunca mais ninguém viu o Davi.


Por Arísia Barros

Em novembro de 2012 escrevemos esse texto para o blog, e agora em 2016 adptamos à realidade atual , que quatro anos depois é a mesmissima.

 

Davi Silva era ( assim mesmo no passado), um jovem pobre, preto, morador  de uma periferia longe e esquecida, na capital das Alagoas,  Maceió,  um canteiro de corpos pretos insepultos. Maceió vive uma situação de extermínio, e o corpo de Davi, até hoje,  está desaparecido.

Desapareceu depois de uma abordagem policial, no dia 25 de agosto, no bairro Benedito Bentes.

O bairro Benedito Bentes  construído, em 1986  e localizado na parte alta da cidade é considerado um dos  bairros, com maior índice de violência.O  bairro cresceu tanto que virou “uma cidade”.Uma “cidade” inchada de vulnerabilidade para jovens pobres e pretos.

Dos muitos, incontáveis, invisíveis naturalizos jovens vítimas de homicídios por ano, 77% são negros.

O Benedito Bentes é um territórios vulnerável!

Foi no bairro Benedito Bentes  onde mora  e desapareceu Davi, que   a então candidata a reeleição Dilma Roussef veio fazer  campanha, no segundo turno,  e com ela arrastou uma multidão de jovens que se emocionaram com a história da Dilma-vitima da ditadura.

Essa mesma multidão comovida com a história da presidenta, não  está nem aí para tortura da exclusão que sofre Davi. Davi é um produto  socialmente descartável.  E,  a mãe dele um verdadeiro coração valente.

Davi  Silva é mais um na estatística dos invisíveis jovens desaparecidos pelo sopro selvagem  da violência normatizada, institucionaliza e consentida. Socialmente.

O Davi Silva das Alagoas é um Amarildo,  que desaparecido não provoca a comoção social. Se sumiu é naturalmente culpado- pensam muitos.

A taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 para cada 100 mil; para não negros, ela é de 15,2. Ou seja, para cada homicídio de não negro no país, 2,4 negros são assassinados. Em Alagoas, estado que encabeça a lista, o índice sobe para 17,4 negros mortos para cada não negro assassinado.

A gestão da prefeitura de Maceió, Secretaria de Estado da Mulher e Direitos Humanos, Secretaria de Estado da Juventude, , os conselhos voltados à questão racial, , AL silenciam- coniventes- diante  da sangria dos corpos mortos, expostos, desaparecidos.

É a história  perversa do preconceito continua fazendo vitimas.

E nunca mais ninguém viu, o  Davi.

Faz quatro anos.

Estamos no mês da consciência negra.

 

Texto adaptado de outro escrito em 2012