Raízes da África

"A democracia está sendo despedaçada e precisamos tomar uma atitude"-falou em discurso, a deputada estadual por São Paulo, Leci Brandão.

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Síntese do discurso da deputada estadual, Leci Brandão, no Solene “Legado da Resistência Pela Liberdade do Negro e do Brasil – Homenagem Especial ao Professor Eduardo de Oliveira, que aconteceu no dia 23 às 18h30, no Palácio 9 de julho, onde fica  a sede da  Assembléia Legislativa de São Paulo:
"Quando o professor Eduardo Oliveira dizia que o Brasil só será liberto quando todos os negros forem libertos, é verdade.
Enquanto, nós negros e negras não ocuparmos lugares de poder, o processo de enfrentamento sempre será difícil.
Não adianta nosso povo afirmar que somos 54% da população, ou mais da metade da população brasileira , se não tivermos plena consciência política da luta.
Quando iremos nos levantar para fazer a luta? Estamos muito anestesiados.
Acredito na juventude das periferias, das quebradas, principalmente as meninas. Mulheres negras que estão fazendo uma verdadeira revolução.
Estamos dando ouvindo gente louca que está gerencindo esse país.
Hoje a oposição é em menor número.
Ou,  a gente toma uma atitude, acorda e faz alguma coisa, ou deixa pra lá. A democracia está sendo despedaçada e precisamos tomar uma atitude."

Diz ao Ronaldo Lessa que precisamos conversar- afirmou a deputada Leci Brandão.

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Atendendo convite da  deputada Leci Brandão,como coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas e ativista preta alagoana, e com o apoio do Governo do Estado de Alagoas, participamos da  mesa de honra  do Ato Solene “Legado da Resistência Pela Liberdade do Negro e do Brasil – Homenagem Especial ao Professor Eduardo de Oliveira, que aconteceu no dia 23 às 18h30, no Palácio 9 de julho onde fica  a sede da  Assembléia Legislativa de São Paulo.
O prédio da ALESP é tão  grande que bem que cabe uma cidade lá dentro.
Leci Brandão  uma das mais importantes intérpretes de samba da música popular brasileira foi a segunda negra a ocupar  uma cadeira no parlamento estadual, em São Paulo.
Ao abraçar  a deputada e presenteá-la com a camisa do Instituto Raízes de Áfricas,uma das representações do movimento negro, em Alagoas, falei das saudações  e do  grande abraço que o ex-governador e deputado federal alagoano, Ronaldo Lessa tinha mandado para ela.
E, com palavras cheia de afetos Leci  Brandão respondeu:- "Gosto muito de Ronaldo Lessa. Juntos realizamos grandes projetos e avisa a Ronaldo que estou esperando convite para voltar a Alagoas. E que precisamos conversar."
Eis, aí,  Ronaldo Lessa: sua mensagem compartilhada com sucesso!

Mesmo com a esperança subalimentada Maria pede justiça pelo seu Davi. Mais um Silva assassinado pelo racismo institucional.

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É uma mulher  com a fé simples e estimulante que prossegue, numa  busca solitária, pelo corpo do filho.
Domingo, 25/08 faz 05 anos que o menino de 17 anos ,depois de uma abordagem policial  no Conjunto Cidade Sorriso, no Benedito Bentes, parte alta de Maceió,  foi sumido, torturado e morto.
A esperança de encontrar o corpo do seu menino é o antídoto que conforta o vazio dos dias desérticos.
É uma busca solitária. Um desses fardos que só a força substantiva de uma mãe suporta .Ela, também  luta contra o sistema.
Para a verdureira Maria José da Silva, uma mãe pobre,preta e periférica não existe a solidariedade de secretarias, ou campanhas midiáticas.
Não existe o aparato político,emocional,social. 
Mesmo com a esperança subalimentada Maria  pede justiça pelo seu Davi. 
“Peço muito a Deus que esse caso não fique impune, porque são cinco anos de espera. Fico tão triste aqui sozinha. Peço a Deus que faça alguma coisa porque eu não posso ficar assim”.
Maria só quer justiça.
Pede muito?
 

Todos os alunos pobres e eu sempre ficávamos alocados nas classes do porão do prédio. Porões da escola, porões dos navios-diz Conceição Evaristo.

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Conceição Evaristo por Conceição Evaristo*

'Foi em uma ambiência escolar marcada por práticas pedagógicas excelentes para uns, e nefastas para outros, que descobri com mais intensidade a nossa condição de negros e pobres. Geograficamente, no Curso Primário experimentei um “apartaid” escolar. O prédio era uma construção de dois andares. No andar superior, ficavam as classes dos mais adiantados, dos que recebiam medalhas, dos que não repetiam a série, dos que cantavam e dançavam nas festas e das meninas que coroavam Nossa Senhora. O ensino religioso era obrigatório e ali como na igreja os anjos eram loiros, sempre. Passei o Curso Primário, quase todo, desejando ser aluna de umas das salas do andar superior. Minhas irmãs, irmãos, todos os alunos pobres e eu sempre ficávamos alocados nas classes do porão do prédio. Porões da escola, porões dos navios. Entretanto, ao ser muito bem aprovada da terceira para a quarta série, para minha alegria fui colocada em uma sala do andar superior. Situação que desgostou alguns professores. Eu, menina questionadora, teimosa em me apresentar nos eventos escolares, nos concursos de leitura e redação, nos coros infantis, tudo sem ser convidada, incomodava vários professores, mas também conquistava a simpatia de muitos outros. Além de minhas inquietações, de meus questionamentos e brigas com colegas, havia a constante vigilância e cobrança de minha mãe à escola. Ela ia às reuniões, mesmo odiando o silêncio que era imposto às mães pobres e quando tinha oportunidade de falar soltava o verbo.'
* Depoimento concedido durante o I Colóquio de Escritoras Mineiras, realizado em maio de 2009, na Faculdade de Letras da UFMG.

 

Rapper agredido por namorar transexual morre vítima de depressão.O gatilho para o suicídio foram as ofensas pela internet.

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O rapper Maurice Willoughby (20), da Filadélfia, conhecido como Reese Him Daddie, cometeu suicídio nessa segunda-feira (19).  O rapper ficou conhecido não por sua arte, mas após um vídeo de uma situação de preconceito viralizar na internet. Na ocasião, Maurice enfrentou homens transfóbicos em defesa de sua namorada trans.
A namorada Faith Palmer comentou sobre o suicídio do namorado pelo Instagram. A mulher relatou que após o compartilhamento do vídeo do ataque transfóbico, que teve mais de quatro milhões de visualizações, o quadro de depressão de seu namorado piorou. Ela ainda informou que a causa da morte foi por overdose. Reese era dependente químico e o gatilho para o suicídio foram as ofensas pela internet. Segundo Faith, o rapper passou a ser perseguido desde a divulgação do vídeo.
Em solidariedade aos amigos e familiares do artista, instituições LGBT e personalidades se manifestaram. A atriz transexual Laverne Cox postou uma homenagem no Instagram com a foto de Palmer e Maurice. O Instituto Marsha P. Johnson e a ativista trans Ashlee Marie Preston, também se manifestaram nas redes sociais.
Transfobia
Reese morava com Faith no prédio de uma loja na Filadelfia quando a namorada sofreu o ataque transfóbico.  O casal estava na frente de casa quando quatro homens o cercaram e começaram a proferir insultos. Os agressores se referiam à transexualidade de Faith. Além disso, ridicularizavam o rapper por namorá-la.
Em resposta, Maurice enfrentou os agressores e defendeu sua namorada. Ele disse que namorava uma mulher trans e que isso não é problema. As imagens viralizaram na internet, o que atraiu muitos comentários preconceituosos. Maurice tatuou o nome de Faith no rosto e, segundo a namorada, postava fotos e vídeos românticos do casal. “Ele nunca morrerá em mim”, disse Faith.


Fonte:https://revistaladoa.com.br/2019/08/
 

Com apoio do estado de Alagoas e a convite da deputada Leci Brandão,ativista Arísia Barros participa de Ato Solene de Resistência Negra,no Palácio 9 de Julho-SP.

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O poeta, escritor e professor Eduardo Oliveira, líder do movimento negro do Brasil, fundador do Congresso Nacional Afro Brasileiro (CNAB) viveu 86 anos escrevendo histórias e inspirando novas gentes energizando  outras gerações,estabelecendo diálogos amplos com a ancestralidade negra.
Aos 16 anos de idade, compôs o “Hino Treze de Maio” que passou a ser chamado, posteriormente, de “Hino à Negritude”. A composição foi registrada em 13 de maio de 1966 na antiga Escola Nacional de Música. A execução do Hino em todos os eventos públicos relativos ao tema se tornou Lei Federal (nº 12.981) sancionada pela Presidência da República em 28 de maio de 2014.
Escritor, poeta e político, Eduardo de Oliveira foi o primeiro vereador negro da cidade de São Paulo e para resgatar a história do ícone negro, a deputada Leci Brandão promove o Ato Solene “Legado da Resistência Pela Liberdade do Negro e do Brasil – Homenagem Especial ao Professor Eduardo de Oliveira, a ser realizado no dia 23 às 18h30, no Auditório Paulo Kobayashi, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). 
Diversas delegações já confirmaram presença, como a delegação de Piracicaba,Campinas, Araraquara, dentre outras. Convidada pela deputada Leci Brandão,a ativista, Arísia Barros representa o movimento negro alagoano no Ato-solene.
Foi através do Instituto Raízes de Áfricas que Alagoas se tornou, o primeiro estado do Brasil, onde o Hino da Negritude foi executado por uma Banda da Polícia Militar. 
A participação da ativista, no referido ato contou com o apoio do Governo do Estado de Alagoas , através da Secretaria de Estado da Cultura,Secretaria de Estado de Ressocialização e Inserção Social e Secretaria de Estado da Fazenda.

Meghan Markle,duquesa da Inglaterra, membro da família real é vítima de racismo.

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O racismo como camaleão poliglota invade todos os espaços, até os mais nobres, como o  espaço privilegiado da família real britânica, lugar  que ocupa a duquesa da Inglaterra, a negra Meghan Markle.
A estilista Jéssica Mulroney que é amiga intima da duquesa Meghan Markle,em sua conta no Twitter, fez  um desabafo e criticas à impressa britânica: – “Querida Inglaterra e imprensa inglesa, apenas digam que vocês os odeiam porque ela é negra. E que odeiam ele porque ele se casou com uma mulher negra”.
Se Meghan é uma mulher rica, poderosa, porque então é alvo da prática racista?
 O fato que acontece com a moça negra da realeza britância reafirma   a necessidade da análise do racismo, por diversas óticas ,  como os aspectos históricos, sociais, políticos, jurídicos e econômicos.  
É preciso saber que o racismo é multifacetado e traz um vocabulário pessoal e íntimo com a hegemonia segregacionista.
O racismo é universal.
O racismo é estrutural.

"Como Carolina Maria de Jesus,nós conhecíamos não só o cheiro e o sabor do lixo, mas ainda, o prazer do rendimento que as sobras dos ricos podiam nos ofertar"- afirma Conceição Evaristo.

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"Como Carolina Maria de Jesus,nós conhecíamos  não só o cheiro e o sabor do lixo, mas ainda, o prazer do rendimento que as sobras dos ricos podiam nos ofertar"- afirma Conceição Evaristo.
"Depois das quatro meninas, minha mãe teve mais cinco meninos, meus irmãos, filhos de meu padrasto. A ausência de um pai foi dirimida um pouco pela presença de meu padrasto, mas, sem dúvida alguma, o fato de eu ter tido duas mães suavizou muito o vazio paterno que me rondava. Aos sete anos, fui morar com a irmã mais velha de minha mãe, minha tia Maria Filomena da Silva. Ela era casada com Antonio João da Silva, o Tio Totó, viúvo de outros dois casamentos. Não tiveram filhos. Fui morar com eles, para que a minha mãe tivesse uma boca a menos para alimentar. Os dois passavam por menos necessidades, meu Tio Totó era pedreiro e minha Tia Lia, lavadeira como minha mãe. A oportunidade que eu tive para estudar surgiu muito da condição de vida, um pouco melhor, que eu desfrutava em casa dessa tia. As minhas irmãs enfrentavam dificuldades maiores.
Mãe lavadeira, tia lavadeira e ainda eficientes em todos os ramos dos serviços domésticos. Cozinhar, arrumar, passar, cuidar de crianças. Também eu, desde menina, aprendi a arte de cuidar do corpo do outro. Aos oito anos surgiu meu primeiro emprego doméstico e ao longo do tempo, outros foram acontecendo. Minha passagem pelas casas das patroas foi alternada por outras atividades, como levar crianças vizinhas para escola, já que eu levava os meus irmãos. O mesmo acontecia com os deveres de casa. Ao assistir os meninos de minha casa, eu estendia essa assistência às crianças da favela, o que me rendia também uns trocadinhos. Além disso, participava com minha mãe e tia, da lavagem, do apanhar e do entregar trouxas de roupas nas casas das patroas. Troquei também horas de tarefas domésticas nas casas de professores, por aulas particulares, por maior atenção na escola e principalmente pela possibilidade de ganhar livros, sempre didáticos, para mim, para minhas irmãs e irmãos.
Conseguir algum dinheiro com os restos dos ricos, lixos depositados nos latões sobre os muros ou nas calçadas, foi um modo de sobrevivência também experimentado por nós. E no final da década de 60, quando o diário de Maria Carolina de Jesus, lançado em 58, rapidamente ressurgiu, causando comoção aos leitores das classes abastadas brasileiras, nós nos sentíamos como personagens dos relatos da autora. Como Carolina Maria de Jesus, nas ruas da cidade de São Paulo, nós conhecíamos nas de Belo Horizonte, não só o cheiro e o sabor do lixo, mas ainda, o prazer do rendimento que as sobras dos ricos podiam nos ofertar. Carentes de coisas básicas para o dia a dia, os excedentes de uns, quase sempre construídos sobre a miséria de outros, voltavam humilhantemente para as nossas mãos. Restos."
Conceição Evaristo por Conceição Evaristo*
* Depoimento concedido durante o I Colóquio de Escritoras Mineiras, realizado em maio de 2009, na Faculdade de Letras da UFMG.

 

Sua tataravó foi escrava.A bisavó,avó e mãe doméstica,e aos 54 anos,Sueli se forma Pedagoga.

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Sueli Amâncio tem 54 anos é uma  mulher preta com  histórias cheias de profundezas: racismo, lutas, segregação,lutas e mais lutas.
Mulher preta resiliente  e desafiadora,Sueli rompeu com  a repetição geracional e escravocrata da subserviência:muit@s servem, pouc@s estudam.

Sueli  Amâncio, de 54 anos  é a preta que determinou-se a abrir suas próprias portas, apesar do som bruto da multidão heperbólica  que escoou em seus ouvidos:desista. 
Mas,ela não desistiu  e agora terá sua foto oficial, com a beca de pedagoga, ao lado  da tataravó escrava, bisavó, vó e mãe doméstica. Todas valorosas mulheres pretas que abriram os caminhos de luta e Sueli Amâncio fez disso um aprendizado. Rompeu o ciclo do escravismo. Tornou-se pedagoga.
Parabéns, Sueli!
@sueli.amanciodeoliveira
 

"Não deve ser fácil ser você aqui em Alagoas"- me disse o preto soteropolitano, Ailton Ferreira.

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Porque poemas, sempre acariciam a alma da gente. Estou eu, acariciando minha alma resgatando o que me escreveu,em 2010,o preto soteropolitano, e referência do movimento negro, Ailton Ferreira:


"Arízia ou Arísia
barro de chão puro
feita da luta cotidiana.
Obrigada pelos dias de converss negras e visíveis.
Obrigado pelas noites negras, risíveis, alegres e ébrias.
Não deve ser fácil ser você aqui em Alagoas. Fico a imaginar, a partir de Salvador, onde também não é fácil.
Você empretece as Alagoas de luz.
Siga em frente, clarão.
Sig Zumbi contemporânea,
caneta em vez de espada,
mas, espada se preciso for."

Ailton Ferreira, 26/08/2010.

Obrigada, querido.

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