Blog do Vilar

Marx Beltrão deixa o MDB sem entrar em colisão com Renan e pode dialogar com Collor

Foto: Assessoria/Arquivo 9e199c4b aa6b 4c01 ba2a 1717f53555b1 Deputado federal, Marx Beltrão

O ex-ministro do Turismo, Marx Beltrão (MDB) – que retorna ao cargo de deputado federal – confiou no MDB do senador Renan Calheiros e do governador Renan Filho até onde pode.

Lá atrás, quando Beltrão já ensaiava a mudança de sigla para viabilizar sua candidatura ao Senado Federal, o partido comandado por Renan Calheiros em Alagoas chegou a soltar uma nota dizendo que a vaga de Marx Beltrão no processo eleitoral estava garantida.

Mas, nunca foi assim...

Renan Calheiros sempre organizou o tabuleiro do xadrez ao ponto de não ter ameaças – ou pelo menos tirar de cena as que conseguir – a sua candidatura ao Senado Federal. Marx Beltrão sempre soube disso. Estava em um MDB dividido por diversos motivos. Um deles: Beltrão é um aliado do presidente Michel Temer (MDB). Renan Calheiros passou a ser um crítico ferrenho.

O fato é que, quando o Palácio República dos Palmares fechou aliança com o ex-ministro dos Transportes e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR), não havia mais espaço para Beltrão. O ex-emedebista, que sempre soube da necessidade de um plano B, ingressou em uma sigla que já era comandada por ele sem qualquer segredo: o PSD.

Beltrão, com isso, trabalha para formar um bloco que dê sustentação a sua candidatura ao Senado. Os diálogos já existem e podem incluir até o senador Fernando Collor de Mello (PTC). Marx Beltrão – conforme bastidores – busca uma chapa com PRB, PSC, PHS, Solidariedade, Podemos e o conjunto de partidos ligados a Collor: PTC, PSDC e PEN.

Deste grupo, tirar os nomes para o governo do Estado de Alagoas, deputado federal e deputado estadual.

Oficialmente, ao deixar o MDB, Marx Beltrão – por meio da assessoria de imprensa – encaminhou palavras de agradecimento à antiga legenda, afirmando que construiu toda a sua trajetória política por lá. “Por isso, meu agradecimento é profundo e sincero a todos os pares e companheiros do MDB”, pontua.

“Agora, pré-candidato ao Senado da República, filiado ao PSD para dar sequência a um projeto político voltado para o Estado de Alagoas e para o país, assumindo mais um desafio pela renovação, sigo à disposição de todos, sempre na luta por justiça, inclusão social, geração de emprego e renda, além de melhores oportunidades de vida para todos”, conclui Marx Beltrão.

Beltrão sempre foi cauteloso nas declarações. Mas, há sim arestas com a antiga casa...se superadas ou não, a campanha dirá...

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Rodrigo Cunha: a peça que resta ao PSDB para tentar sobreviver

Ascom ALE/Arquivo 45ce22e4 13a0 49ca b146 4b9f381268a7 Deputado Rodrigo Cunha

O destino do PSDB em Alagoas, não apenas em relação ao pleito desse ano, se encontra nas mãos do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). É o único nome do partido com condições de encarar a missão de disputar o governo do Estado de Alagoas, mesmo diante das imensas dificuldades de encarar a tarefa hercúlea.

Cunha vem sendo pressionado para isso dentro do “ninho tucano”. Mas, sabe que aceitar a missão é mudar completamente os planos que tinha traçado para si mesmo, ao querer sair da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas para tentar um mandato em Brasília, seja como deputado federal ou Senador.

O problema é que Cunha, ao encarar uma disputa pelo Executivo estadual, vai ter ainda que tentar reagrupar uma oposição esfacelada e já sem alguns nomes, como é o caso do ex-ministro dos Transportes e deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR).

Quando o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), desistiu de ser candidato, Quintella foi o primeiro nome da oposição a pular do barco.

Cunha teria ao seu lado o PP do senador Benedito de Lira, o PROS do deputado estadual Bruno Toledo e o Democratas de José Thomas Nonô. Evidentemente que outras siglas poderiam chegar a um trabalho de articulação. No entanto, é uma luta contra o tempo, ainda mais quando Cunha pediu 15 dias para pensar no assunto, como já noticiado pelo CadaMinuto.

O PSDB aposta na imagem de Rodrigo Cunha. É um parlamentar que teve uma boa passagem pelo parlamento estadual, com pronunciamentos que repercutiram. Chegou à Casa de Tavares Bastos como o mais votado e dialoga bem com setores da sociedade civil que são chamados de “votos de opinião”.

Mas Cunha sabe do risco. Sabe que na posição em que se encontra uma eleição para deputado federal é algo mais confortável em função das pesquisas eleitorais já feitas. Sabe que para o Senado aumenta o desafio, mas não é algo tão distante de uma realidade, ainda mais com a desistência do procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça.

No entanto, para o governo, vai enfrentar uma verdadeira máquina azeitada, com o apoio de diversos partidos, deputados estaduais e prefeitos.

Estará praticamente sozinho a servir de guarda-chuva para outras siglas que possuem preocupações em eleger deputados estaduais e federais. Cunha teria que ser um soldado do PSDB e ter alguma contrapartida em caso de derrota para não sair de vez da política. A pressão sobre o jovem parlamentar não é fácil. A escolha também não. O PSDB precisa de uma resposta para ontem, para que assim possa trabalhar seus rumos.

É que o PSDB já inicia a eleição como nanico diante da inaptidão de Rui Palmeira ao sair do processo. Não por ter saído, mas pela forma como o fez em que nem foi candidato e ainda abriu mão de ser articulador de um grupo. Todas as atenções voltadas ao que pensa Rodrigo Cunha...

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Mais uma vez a Assembleia Legislativa na mira da PF. Mais uma vez se fala em “fantasmas”...

Foto: Arquivo/Cada Minuto 02f20e26 932f 4748 ab4f 097329e363bb Assembleia Legislativa de Alagoas

Na manhã de hoje, dia 10, mais uma vez a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Mais uma vez, entre as acusações, está a existência de funcionários fantasmas.

A sensação que fica, diante das denúncias que se acumulam ao longo do tempo, é de que a Casa não se emenda...

Apesar de já ter anunciado duas auditorias – em gestões de Mesas Diretoras distintas – mas somente uma ter sido apresentada à sociedade após pressão da imprensa; apesar de um Portal da Transparência, a Casa de Tavares Bastos (que infelizmente leva o nome de um dos maiores políticos intelectuais brasileiros), nunca sai das páginas policiais...

Desde a Operação Taturana (na década passada) até esta data, foram várias ações e denúncias de desvio de recursos públicos por parte de parlamentares. A maioria se reelege ou consegue ainda ocupar outros cargos eletivos em outras esferas dos poderes. Na Taturana, um desvio de mais de R$ 300 milhões. Há condenados, mas não há presos.

Mais recentemente, na legislatura passada, se descobriu – por meio de denúncias do atual deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) – a famosa “lista de ouro”, em que existiam comissionados que recebiam mais de 100 repasses por ano. Um verdadeiro rio de dinheiro que foi alvo de investigação do Ministério Público Estadual (MPE), mas que ninguém sabe ao certo onde desaguou...

O parlamento, na época, se negou até a informar em quais gabinetes os membros da lista de ouro estavam instalados. Como ainda hoje, o parlamento estadual se nega a informar a lista de comissionados por gabinetes. Os deputados estaduais que fizeram, fizeram por conta própria. Apenas três mostraram a relação de seus comissionados: Galba Novaes (MDB), Bruno Toledo (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB).  

A lista de ouro levantou mais uma vez suspeitas de fantasmas.

A auditoria feita pelo parlamento estadual, já nessa legislatura, também mostrou inconsistência de dados e suspeitas, mas a folha de comissionados não foi auditada. Claro que não se trata de todos, pois muitos trabalham honestamente prestando serviços aos gabinetes. Mas, se há suspeitas, nada melhor que a total transparência. É recurso público.

Na manhã de hoje, conforme reportagem do site CadaMinuto, residências de alguns vereadores da cidade de Batalha foram alvos da operação “Malacafa”, que é um desdobramento de uma outra operação que teve como alvo o mesmo parlamento: a Sururgate. Nunca é demais lembrar: dois vereadores em Batalha foram assassinados e parentes de um deles denunciou um esquema de corrupção envolvendo a Mesa Diretora da Casa.

De acordo com o delegado da PF, Agnaldo Mendonça Alves, a PF investiga a existência de funcionários fantasmas no parlamento estadual. “A ação de hoje foi para buscar mais elementos que comprovem isso”, frisou. Até aqui ainda não foram revelados os nomes dos alvos da operação, mas pode haver correlação com o assassinato em Batalha.

A PF acredita que pagamentos realizados pela Assembleia são feitos a pessoas cadastradas em programas sociais do governo federal. Entre 2010 e 2013, pode ter havido um rombo que ultrapassa os R$ 15 milhões.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados em Batalha, um em Maceió e dois em Jacaré dos Homens.

A Assembleia Legislativa de Alagoas e as páginas policiais dos veículos de imprensa local possuem uma relação íntima que perdura na História...

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A dança das cadeiras dos partidos só mostra a completa crise de representatividade na política

13662824525893 Câmara de Deputados

O que revela a dança das cadeiras aberta pela oportunidade da janela partidária em Alagoas e no Brasil? A crise de representatividade da nossa democracia indireta. Os partidos políticos – com raras exceções – não possuem crenças sólidas, assim como a maioria dos políticos abrigados por estes. Diferem apenas – em maior ou menor grau – na forma como pensam intervir no Estado para se manterem vivos no estamento burocrático vigente.

Claro que há exceções. Mas como está embutido no vocábulo “exceções”, elas são raras...

Um ponto importante que é preciso que se diga: nessas mudanças de legendas, um foco maior nos pré-candidatos a deputado federal. Todas as siglas (e a única exceção tem sido o Novo) possuem um interesse particular nos mandatos da Câmara de Deputados. Motivo? É a quantidade de deputados federais eleitos que definem a excrescência chamada fundo partidário, onde o contribuinte paga pelas estruturas partidárias as quais não é filiado, por exemplo.

Fosse algo sério e comprometido com a função nobre da política, partidos representariam ideais e seriam mantidos por seus filiados que nesses acreditassem, buscando assim um “lugar ao sol” para defender suas teses.

Teríamos assim – e por isso o nome é partido, por não constituir um todo! – que abrigaria várias correntes da esquerda à direita, com debates caros ao cidadão como revisão do pacto federativo, intervenção ou não do Estado na economia, garantias de liberdades individuais, descentralização de poder e recursos etc.

Mas nada disso temos. O importante agora para os partidos é a matemática eleitoral. Repito: com raras exceções.

O sistema, portanto, já começa prostituído.

E o que os partidos fazem diante do desgaste promovido pela crise de representatividade: mudam de nome. Demonizam a palavra “partido” e viram Avante, Podemos, Movimento etc. Como se isso dissesse grande coisa ou significasse realmente mudança. É como pintar o muro externo da casa sem muitas vezes reformar o interior.

Até o desgastado PMDB, que é parte do problema de um governo irresponsável do passado, virou o MDB, querendo resgatar sua posição de luta contra o regime militar.

Nos muitos partidos que formam a democracia brasileira, em geral o que temos é 50 tons do mesmo cinza. Logo, o que significa a ida de um pré-candidato da sigla X para a sigla Y? Nada além de encontrar o melhor lugar onde a soma dos votos lhe garanta uma eleição mais fácil.

O eleitor tem sua parcela de culpa? Claro! Na maioria das vezes, ao ver um político investigado por algum fato, terceiriza a responsabilidade para a Justiça. Fica a espera de um milagre para que aquele político perca os privilégios e só então responda pelos seus atos.

É o caso, por exemplo, do que ocorre no Senado Federal. São 23 senadores que poderiam ver seus processos descer à primeira instância, não contando mais com o foro privilegiado, para assim então – respeitando o direito ao contraditório – respondam pelas acusações que são feitas. O que ocorre hoje é que, independente de cor partidária, tais investigações ganham cheiro do mofo no Supremo Tribunal Federal.

Entre esses 23 senadores, dois alagoanos: o senador Renan Calheiros (MDB) e o senador Benedito de Lira (PP). O senador Fernando Collor de Mello (PTC) também é alvo da Lava Jato, mas ainda tem mais quatro anos de mandato pela frente, tanto que tem o luxo de ser pré-candidato à Presidência da República. O tucano Aécio Neves (PSDB) – tão lembrado pelos petistas após a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT) – também faz parte dessa turma.

Regressando ao tema principal que é a mudança de legenda: o que vemos é o circo eleitoral em cena. Tal lógica, por exemplo, permitiu que o deputado federal Cícero Almeida – ao longo de sua trajetória política – trocasse mais de partido do que de sapato. Givaldo Carimbão, que agora está em casa nova, já passou pelo PSB, PROS e PHS, misturando sua visão católica de mundo às intempéries socialistas de siglas onde já esteve. Carimbão desafiou a química em sua vida política e conseguiu misturar água e óleo.

Vivemos uma democracia indireta onde a maioria dos partidos só possui uma identidade: a “ideologia” de superar cláusula de barreira, garantir deputados federais para ter dinheiro público em suas contas e realizar conchavos estamentários que são apelidados de “governabilidade”. Nada de novo no front. Pouco importa quem foi para onde foi...é o lápis na mão e interesses inconfessáveis na cabeça...

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Sobre Renan Calheiros o filósofo Schopenhauer já dizia: “A arte de vencer o debate sem precisar ter razão”

Foto: Paulo Whitaker/Reuters/Arquivo 5c7d051b fb64 4409 94a2 4c876dcd04ec Renan Calheiros e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Penedo

Existem divergências de teses jurídicas em relação à prisão em segunda instância. Um olhar sem paixões de fato permite essa discussão. Como não sou um especialista em Direito, não entro nesse campo. Entendo até onde vai a minha competência. O que tenho questionado – aqui e em outros textos – é o elemento político que mobilizou o Supremo Tribunal Federal (STF) e passou a ganhar relevância em função do réu, quando já havia um entendimento firmado em 2016 por uma Corte que praticamente não mudou sua composição.

A única exceção é o ministro Alexandre de Moraes, no lugar do falecido Teori Zavascki.

Como foi registrado durante o julgamento em alguns momentos, o país precisa ter estabilidade e segurança; e não que os entendimentos fiquem ao sabor da importância ou relevância do réu. Simples assim. Dito isso, compreendo as discussões jurídicas e busco ler atentamente os dois lados, avaliando os argumentos. Conheço juristas que estão longe de serem defensores do ex-presidente condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), que são contrários ao entendimento consolidado pelo STF. Respeito-os.

Particularmente, acredito que bandido bom é bandido preso. E Lula não será um preso político, mas um político preso. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula é o responsável por um projeto de poder que se desenvolveu em cima de uma corrupção sistêmica, que – como método – distribuiu benesses dentro de um estamento que um dia o PT disse combater. O PT se apropriou desse estamento, pois de fato não inventou a corrupção, dentro de moldes gramscianos, sendo “protegido” por um discurso ideológico de uma intelectualidade orgânica que acabou por segregar o país na luta do “nós contra eles”.

Além do crime da corrupção material, há os aspectos danosos intangíveis, como a corrupção moral, intelectual e o uso de sindicatos, universidades e outras instituições como peças de uma grande engrenagem de engenharia-social. Lula era a referência de tudo isso. Aliás, era não, ainda é.

Das esquerdas jurássicas às revisionadas (com algumas exceções), Lula virou o símbolo disso. O ex-presidente condenado colheu o que plantou, apesar de ainda ter alguma capilaridade que é superestimada por seus defensores nos discursos inflamados.

Entre esses defensores de Lula, está o senador Renan Calheiros (MDB). Calheiros – em seu mais recente discurso – falou de ataques à Constituição Federal por se permitir a prisão de Lula após o julgamento em segunda instância. Como disse no início do texto, eis uma discussão que pode ser feita do ponto de vista jurídico.

Mas, Renan Calheiros fala do altar de uma paixão lulista simulada. É que o enxadrista-mor da política alagoana, quiçá a brasileira, não dá ponto sem nó. Tornou-se um lulista ferrenho em função de querer aproveitar uma onda diante da capilaridade que Lula ainda tem no Nordeste, por exemplo.

Mas quem é Renan Calheiros para falar de Constituição? Bem, é o homem que, na condição de animal político com expertise, ajudou a salvar os direitos políticos de Dilma Rousseff (PT), quando esta foi alvo do processo de impeachment. Uma vez sofrendo o processo e tendo o resultado proclamado, Dilma além de perder o cargo, deveria perder os direitos políticos. Mas, por sorte, ela contou com Renan Calheiros e outros, que agiram como agiram diante do então presidente do STF, Ricardo Lewandovski.

O problema é que alguns enxergam a nossa Constituição como uma colcha de retalhos cujos retalhos são usados conforme as conveniências e assim ela é retalhada mais ainda.

Renan Calheiros tem o direito ao entendimento pessoal dele, mas não pode estranhar quando alguns senadores o questionam e não o levam a sério neste quesito, pois não possui a estatura devida para apontar o dedo diante do que fez no passado. A briga que Renan Calheiros protagonizou no Senado Federal no dia de ontem remete ao seu protagonismo na época do impeachment, quando era presidente do Senado e tentou dar uma de “isentão”, mesmo tendo posição definida e assim tentou colocar um pé em cada canoa, só endurecendo o discurso para cima do presidente Michel Temer (MDB) bem depois.

É certo que em muitos momentos, nas críticas que fez a Temer, possuía razão. Um desses momentos quando afirmou que o governo era fraco, por exemplo. É claro que é um governo péssimo, cheio de problemas e com suspeitas de atos de corrupção que devem ser investigados, esmiuçados e quem for podre que se quebre. Mas, o que esperar do MDB? Afinal, era uma das peças do estamento burocrático que deu sustentação aos governos do PT.

Não por acaso, Temer era visto como o vice perfeito pela própria Dilma. Aceitou ser vice para agora querer se vender como diferente? Ora, Temer também colhe o que plantou. Não é – e nem pode ser visto – como confiável, em que pese alguns acertos de sua gestão. É o mesmo estamento.

Além disso, erra Renan Calheiros ao usar o argumento de “ataque ao homem” e às ideias, quando tenta descaracterizar um membro do Senado por ele ter sido suplente. Acaso Calheiros não tem suplente? O suplente faz parte da regra do jogo. Se os brasileiros votam sem entender isso, é preciso que entendam. Ou ao escolher o seu suplente, Renan Calheiros buscou um nome que não tivesse condições de representar seus eleitores em caso de impedimento, de licença para ocupar algum cargo e/ou de outras circunstâncias que podem levar um suplente ao Senado Federal.

Este argumento de Renan Calheiros não faz qualquer sentido. É a famosa picuinha de vencer o debate sem precisar ter razão, como já denunciado pelo filósofo Arthur Schopenhauer. É erística pura, Renan Calheiro!

Se Renan Calheiros acha errada a presença de suplentes no Senado que apresente projeto para acabar com a existência deles, assumindo assim – em circunstâncias de ausências – o que ficou menos votado no pleito que elegeu os titulares, como ocorre na Câmara de Deputados e em outros legislativos.

O senador suplente, pelas regras do jogo, é igual a Renan Calheiros dentro do Senado. Tem poder de voz e voto e é a democracia que lhe garante isso, pois a democracia é maior que Renan Calheiros e ainda bem que é assim.

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PSL de Bolsonaro pode apostar em candidatura solitária em Alagoas

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O PSL do presidenciável e deputado federal Jair Bolsonaro pode apostar em uma candidatura solitária e Alagoas para a majoritária. A sigla apresentou o nome de Josan Leite para disputar a cadeira do Palácio República dos Palmares.

Oriundo dos movimentos de rua que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff, Josan Leite foi candidato à vereador por Maceió em 2016, quando o PSL coligou com o PSB. Na época, o Livres ainda era uma corrente de transformação ligada ao partido. Leite fazia parte do Livres.   

Com a ida de Bolsonaro ao PSL, o Livres deixou o partido, mas alguns nomes permaneceram, como Josan Leite e Henrique Arruda, que foi candidato a vice-prefeito, em 2016, ao lado do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB). Arruda – que comandou o PSL no Estado – se encontra de saída da legenda.

Quem também se encontra mais distante de entrar no PSL é o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. Ele cogitou a candidatura ao Senado Federal pela legenda, mas tudo indica que seu caminho será o PSB de JHC.

Além de Josan, a outra aposta do PSL é o agente da Polícia Federal, Flávio Moreno.

Com as decisões internas em Alagoas, o PSL também perdeu o empresário Leonardo Dias, que foi candidato a vereador pelo PSC em 2016. Dias é um dos mais ferrenhos apoiadores de Bolsonaro no Estado. Ele avalia uma possibilidade de candidatura pelo PROS do deputado estadual Bruno Toledo ou pelo Podemos do ex-presidente da OAB/AL, Omar Coêlho.

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PRTB pode sair sozinho na disputa por vagas proporcionais e convida Cristiano Matheus

Foto: A Notícia Ea7e76c3 37ee 439a 985b 41fcd30bbbc7 Presidente do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), em Alagoas, Adeilson Bezerra

O pequeno PRTB, que é comandado por Adeílson Bezerra em Alagoas, pode se lançar no pleito eleitoral desse ano de forma solitária. Bezerra – em entrevista ao blog – ressaltou que a decisão será tomada com base na matemática.

“Temos candidatos fortes e temos que pensar em estratégia para eleger o maior número possível para Assembleia Legislativa e para a Câmara de Deputados. Se tivermos condições de sair sozinhos no pleito, sairemos. Se o melhor for coligar com o grupo do MDB, discutiremos o assunto”, salientou.

Bezerra lembrou que a legislação possibilita a apresentação de candidatos proporcionais em uma chapa sem a necessidade de uma majoritária. Segundo ele, as estratégias passam a ser repensadas com a saída do prefeito Rui Palmeira (PSDB) do pleito.

“Como o Rui não é mais candidato ao governo, fomos procurados por muitos nomes com densidades. Não se trata de querer fechar a porta para ninguém, mas de saber que temos compromissos com pré-candidatos que já estão no partido. Então, não podemos também abraçar projeto que ameacem que já está conosco”, salientou o dirigente partidário.

Entre os novos nomes com quem Adeílson Bezerra conversa, está o ex-deputado federal e ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristhiano Matheus. “Se vier, ele será um quadro importante”, colocou. Bezerra também conta com a candidatura do secretário municipal Davi Maia. “Conversei muito com Maia e estamos quase fechados. É um quadro importante e queremos elegê-lo. As portas estão abertas para ele”.

O dirigente partidário ainda fala do compromisso com um palanque para uma candidatura presidencial. A princípio o candidato é o presidente nacional do PRTB, Levy Fidélix. “Mas estamos também avaliando outros nomes como o general Mourão”, colocou.  A estratégia de Bezerra é a mesma já vista em pleitos anteriores, como em 2014, quando elegeu o deputado federal Cícero Almeida e conseguiu vagas no parlamento estadual.

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Pré-candidato à presidência João Amoêdo: “Nenhum lugar do mundo se desenvolveu com um Estado que sufoca as liberdades individuais”

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Conversei com o pré-candidato à presidência João Amoêdo (Novo) no dia de ontem, 28. De passagem por Alagoas, Amoêdo palestrou para filiados e simpatizantes do partido e buscou defender as ideias da agremiação.

Para o pré-candidato, a mudança do país passa por alguns pilares fundamentais, como a redução da máquina pública, do poder coercitivo do Estado e o endurecimento do combate ao crime.

Amoêdo defendeu revisão de leis penais, desburocratização, redução de impostos e revisão do pacto federativo. Além disso, se colocou favorável à revogação do Estatuto do Desarmamento. Entretanto, entra em choque com algumas pautas da direita conservadora, como a temática do aborto, afirmando que o partido não possui uma posição definida, mas que esta fica a cargo dos candidatos, estando eles livres para serem contra ou a favor.

Na entrevista, há também outras temáticas. Confira na íntegra a entrevista exclusiva do CadaMinuto com João Amoêdo.

Diante do atual espectro político brasileiro, o senhor definiria o Partido Novo como uma agremiação de esquerda, centro ou de direita? Como o Novo se enquadra nesse quadro que ainda é um tanto confuso para muita gente que só tem contato com o que de fato é uma visão liberal ou conservadora agora?

A primeira definição do Novo é que ele é criado por cidadãos comuns com a preocupação genuína de melhorar a vida do individuo, do cidadão brasileiro. Entendemos que essa melhora passa por novas lideranças, novas posturas e uma intervenção menor do Estado, consequentemente por políticas mais liberais. É assim que vejo o Novo. Nenhum lugar do mundo se desenvolveu com um Estado que sufoca as liberdades individuais. É nisso que o Novo acredita. Em devolver a liberdade para as pessoas decidirem suas próprias vidas, com mais dinheiro no bolso do cidadão. E aí, se formos adotar um rótulo podemos dizer que o Novo é um partido mais liberal.

Dentro dessa perspectiva que o senhor coloca se chegar à presidência por onde começaria a transformar esse Brasil de hoje no Brasil que o senhor enxerga? É pelas mudanças econômicas? Pela segurança pública? Enfim, quais seriam as primeiras ações de um presidente do Novo?

Olha, a primeira coisa que a gente tem que fazer é dar exemplo. E isso envolve reduzir os privilégios da área pública, dos políticos, do Executivo, do Legislativo. Cortar verbas de gabinete, cortar gastos desnecessários, reduzir a máquina, para mostrar que chegamos realmente com o desejo de mudar essa realidade que temos hoje. Mostrar que estamos de fato preocupados com o dinheiro do povo brasileiro, que paga uma excessiva carga tributária sem ter os serviços em troca.  Precisamos ter as contas do Estado equilibrada e diminuir a intervenção do Estado, simplificar e desburocratizar para que as pessoas possam empreender, porque é isso que gera emprego, que gera riqueza, que faz com que cresçam as rendas do cidadão. A segurança é um ponto que vem junto porque hoje é fundamental resolver essa situação. É fundamental melhorar esse cenário, porque os brasileiros saem de casa sem o receio se vai voltar. Eu diria que esses são os três pilares: reduzir o Estado, atacar a questão da segurança e ter uma desburocratização com um Estado com contas equilibradas.

O senhor coloca aí a questão da segurança pública. De fato, um país com 60 mil homicídios por ano. Isto deve ser tema de todas as campanhas. Mas na prática, como o Novo pensa em resolver esse problema?

Não existe uma bala de prata. Existe uma série de ações a serem tomadas, mas para citar algumas em concreto, como você coloca, a primeira é melhorar a integração entre o governo federal e governos estaduais para atacar o problema. Precisamos aparelhar melhor as polícias, melhorar o uso das tecnologias de combate ao crime e estabelecer metas. Ter uma corregedoria forte para evitar desvios de atuação, mas valorizar o policial. Precisamos ainda estabelecer parcerias público-privadas. Penso isso em relação aos presídios, porque hoje eles são máquinas de produzir novos criminosos. Também é necessário endurecer a legislação para punir criminosos, porque hoje se solta fácil demais os presos e isso traz uma sensação de impunidade. Combater fortemente o crime organizado. Além disso, revogar o Estatuto do Desarmamento. Não é o elemento principal da solução da violência, mas é razoável que as pessoas que querem proteger a sua vida, a sua propriedade, tenham o direito do acesso às armas.

Já que estamos falando de um ponto que é considerado uma das pernas do tripé dos serviços prestados pelo Estado, como o Novo pensa em lidar com as outras “pernas” desse tripé: Educação e a Saúde? Seriam áreas a serem privatizadas dentro de uma visão liberal que o Novo prega?

Eu entendo o seguinte: o Estado pode prover a possibilidade das pessoas terem acesso a uma boa Saúde e uma boa Educação, mas não necessariamente ele ser o gestor. O Estado é péssimo gestor e vemos isso em todas as empresas que ele tem. Se pudermos criar um sistema onde as pessoas tenham acesso à Educação e a Saúde por vales, como já existe essa realidade em vários países e assim possam usar recursos para comprar o serviço na iniciativa privada, podem ter acesso a este serviço de forma mais barata e com mais qualidade. Aliás, é o raciocínio já presente no Bolsa Família. Ao invés do governo criar uma estrutura para dar alimentos, ele dá o dinheiro para que as pessoas, diante da situação de vulnerabilidade, adquiram isso na iniciativa privada. Acredito que este seja o caminho, pois se reduz a estrutura do Estado e se garante o acesso dos mais pobres a um serviço de mais qualidade com menos recursos públicos empregados.

O senhor pensa em mexer no pacto federativo?

Certamente. Nós temos que mudar, porque hoje se concentra mais recursos nas mãos de um governo federal. Precisamos mudar isso e devolver o dinheiro para os Estados e municípios que é onde o cidadão realmente vive. Ele mora no município. É lá que se tem noção melhor das prioridades, dos aspectos regionais, pois as demandas e necessidades são diferentes. Essa centralização de poder em Brasília é ineficaz do ponto de vista administrativo e, além disso, cria o ambiente propício para a corrupção. Somos a favor de um federalismo de fato no Brasil.

Qual a perspectiva do Novo para 2018?

Olha, nós estamos muito satisfeitos com os resultados alcançados em 2016. Elegemos quatro vereadores, sem tempo de televisão e sem fazer coligações, mas somente mostrando o que nós pensamos por meio de campanhas baratas e engajamento, já que não usamos o fundo partidário e o Novo é uma estrutura bancada por seus filiados. Os vereadores apresentaram resultados, seguindo os compromissos partidários, reduzindo gastos e economizando recursos públicos, dentre outras ações. Estamos trazendo gente nova para a política, provando que é possível trazer pessoas qualificadas para os cargos públicos, sem usar verbas públicas. Agora, em 2018, usamos da mesma estratégia. E sou muito esperançoso porque há uma demanda da população por renovação. Fazemos processo seletivo para candidatos para buscar essas pessoas qualificadas. Há uma grande vantagem porque a renovação não passa por nomes novos apenas, mas por posturas e práticas diferentes. Faremos isso usando mídias sociais, gastando sola de sapato, mostrando o partido e conversando.

A oposição coloca o senhor como candidato dos bancos. Como o senhor responde a isso?

Quando montamos o partido, em 2010, foram oito anos de muito trabalho para defender os interesses do cidadão. Ao contrário do que dizem, o Novo pensa justamente em aumentar a concorrência também no setor financeiro. O Novo não representa nenhum interesse do banco. Quer reduzir a quantidade de juros que o Estado paga, privatizar bancos públicos para trazer mais concorrência para o setor financeiro. Então, dizer isso é uma tentativa de desqualificar o projeto do Novo sem apresentar qualquer tipo de informação que corresponda de fato à verdade.

O que o Novo pensa em relação à Previdência?

Uma reforma é totalmente necessária. Quanto antes melhor. É um buraco que vem crescendo. O Estado tem transferido cada vez mais os recursos dos mais pobres para os mais ricos e mudar isso passa essencialmente por repensar a Previdência. É fundamental pensar em um modelo de reforma.

O Novo tem uma postura muito forte em relação à economia. Mas quanto a outras pautas, que são polêmicas, mas que estão ligadas a uma questão moral. Como o Novo se posiciona, por exemplo, em relação ao tema do aborto?

O Novo em relação a alguns temas que são complexos e com entendimento diversos, como o aborto, por exemplo, o Novo deu autonomia para os seus mandatários de se posicionarem como compreendem e aí o eleitor terá a liberdade de questionar o candidato e votar nele conforme a posição assumida por este. Os mandatários têm autonomia quanto a questão do aborto e estão liberados para expressar sua opinião. Então, teremos candidatos que serão contra e candidatos que serão a favor. Caberá ao eleitor decidir qual candidato ele vai querer para representar as suas ideias.

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Rui diz que terá candidato ao Executivo e ao Senado. É mesmo? Quem?

Arquivo: Cada minuto E4f71bf5 bee6 40ed 8ebc ffba027c3cdd Rui Palmeira e Téo Vilela fora da disputa em 2018

As recentes declarações do prefeito Rui Palmeira (PSDB) podem até ser sincera do ponto vista pessoal, mas não se traduzem na prática.

Repito o que já disse: Rui Palmeira tem todo o direito de não querer ser candidato e focar no comando Prefeitura de Maceió, cargo para o qual foi eleito. Não foi esse seu erro.

Seu erro foi ter assumido para si – ao e tornar presidente estadual do PSDB – o papel de articulador de uma oposição e a partir daí dar passos nos bastidores no sentido de construir uma candidatura, silenciar diante dos holofotes e depois afirmar que não é candidato, pegando todo mundo de surpresa e desarticulando o grupo.

Para isso, houve um preço. O primeiro a ser pago foi a ida do ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa (PR) – que seria um nome para disputar o Senado Federal pela oposição – para o lado do MDB do senador Renan Calheiros e de Renan Filho.

Quintella fez a travessia com a consciência de que manteria espaços políticos tanto na gestão estadual de Renan Filho quanto na de Rui Palmeira. Logo, além de ser uma perda para o grupo de oposição mostra o enfraquecimento desta ao quadrado, já que se torna uma ponte entre os dois grupos. O poder não deixa vácuo.

O ministro já deu até declaração pública de uma busca de entendimento entre os grupos por meio das administrações estadual e municipal e suas “relações institucionais”.

O mesmo pode ocorrer com um fiel escudeiro de Rui Palmeira: Abraão Moura, que – conforme bastidores – já circula pelo Palácio República dos Palmares trabalhando a eleição da filha: Cibele Moura.

Rui Palmeira – querendo ou não (ele afirma que é o que não quer, pois se diz oposição) – foi de presidente do PSDB a coveiro dos tucanos no processo eleitoral. O dirigente Claudionor Araújo, em entrelinhas, cantou essa bola ao falar de “ostracismo”. Araújo agora pode até dizer que foi mal compreendido. Pouco importa. Para bom entendedor, meia palavra basta...

Se não é assim, que saia das declarações genéricas que lhe são costumeiras e aponte efetivamente qual nome tucano, além dele e do deputado estadual Rodrigo Cunha, que tem alguma condição de disputar o governo ou o Senado Federal. Vale lembrar que o ex-governador Teotonio Vilela Filho é carta fora do baralho.

Quanto a Rodrigo Cunha, ele não depende do PSDB. Tem vida própria em função de sua trajetória na Assembleia Legislativa e seus planos não passam por uma majoritária. O deputado federal Pedro Vilela (PSDB) – que seria outra liderança da legenda – sabe muito bem qual é o seu tamanho nesse processo eleitoral. Ou não?

Rui Palmeira abriu mão de ser articulador da oposição. E isto é consequência. Sendo assim, pouco importa se o prefeito agora é oposição ao senador Renan Calheiros ou não. Sua influência no pleito cada vez mais se aproxima de zero. Ou o PP do senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira já não corre por fora, inclusive buscando eles (e não o prefeito) o diálogo com o ministro do Turismo, Marx Beltrão (MDB)? Se desse mato sairá coelho ou não é outra história.

Afinal, Beltrão esteve próximo ao MDB em recentes eventos e pode compor sem sair do lugar onde sempre esteve (ainda que sem estar realmente) em função das circunstâncias.

Rui Palmeira pode, evidentemente, por convicção ser oposição aos Renans, ou ao senador Renan Calheiros apenas que é quem foi citado por ele em entrevista ao CadaMinuto. Mas qual o efeito prático disso agora? Quem são os candidatos de Rui? Nem ele sabe! Que peso terá o seu apoio ou seu papel de articulador? É por isso que se lamenta a decisão de Rui Palmeira para o processo democrático e não por ele, Rui Palmeira, em si.

Chega a ser engraçado afirmar que o PSDB voltou a reforçar a oposição do partido em relação ao grupo comandado pelo senador Renan Calheiros. Reforçou como? Desarticulando tudo e permitindo que ex-aliados fechem alianças com o Palácio sem perder espaços na Prefeitura? Belo reforço, hein?! Rui Palmeira não esclarece mais dúvida alguma. Agora só fala por si mesmo.

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Uma indagação diante da entrevista de Omar Coêlho: afinal de contas o que é o Podemos?

Arlindo Tavares/Cortesia/Arquivo 13792479340281 Omar Coêlho

 

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e líder do Podemos em Alagoas, Omar Coêlho, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Ricardo Alexandre, aqui no CadaMinuto. Primeiro ponto: a entrevista é excelente.

O jornalista não se furta de colocar o dedo na ferida ao tentar esmiuçar o que é o Podemos, pois mesmo surgindo como novidade no pleito é uma reformulação de uma nanica legenda que era, e dizer o contrário é hipocrisia, uma legenda de aluguel em muitos cantos do país.

Poucas vezes li uma entrevista tão boa.

Não há como querer que o eleitor afaste esse ranço de uma hora para outra e agora enxergue na legenda uma opção viável em função da presença deste ou daquele político. Ao dirigente partidário Omar Coêlho coube a tentativa de explicar a necessidade de mudança de nome e que não se trata apenas de uma mudança de nome.

Coêlho avaliou o cenário político e me pareceu ser bastante franco em suas posições, o que é bom para o processo.

Tão franco que abre espaços para questionamentos que tomo a liberdade de fazer por meio de análise.

Ao falar de “democracia direta” – como se ela fosse algo possível e não meramente utópico nos dias atuais, diante do nosso sistema representativo – ele fala, na realidade, pela busca de uma participação mais efetiva dos filiados da legenda e um contato maior com os eleitores. É algo bom. Só não vejo isso como sinônimo de democracia direta, tal qual como o conceito derivado dos gregos.

É válido lembrar que democracia é um processo sujeito a reformas quando há uma ameaça à liberdade, uma crise de representatividade etc. Democracia é um processo e jamais um produto. E assim tem que ser para que sempre tenhamos democracia.

Concordo com as entrelinhas exposta por Omar Coêlho: estamos diante de uma crise de representatividade e não é uma mera reforma eleitoral que vai resolver. Todavia, uma instância partidária precisa de um objetivo mais sólido que esteja sedimentado, alicerçado, em convicções prévias que reúnam seus filiados em torno de interesses comuns. Não pode ser algo tão maleável e moldável a sugestões a serem dadas conforme as pautas que virão.

Dou exemplo: se uma agremiação tende a uma visão liberal, essa passa a ser o sustentáculo de ações futuras, propondo redução da máquina pública, da carga tributária, defendendo liberdades individuais, o livre mercado etc. Isso pode variar em graus, mas não em essência. Se tende uma visão mais conservadora, vai se preocupar com valores, com a tradição, com visões mais transcendentes e a certeza de que um racionalismo não resolve a tudo e que a política é um subsistema da sociedade, sendo decisões tomadas de baixo para cima em um governo cada vez mais descentralizado. E aí, há até pontos em comum com a visão liberal.

Do outro lado, se mais à esquerda, teremos partidos que defendem um estado maior, mais presente, com mais poder de decisão em diversas questões da comunidade etc. Nem tudo é ideologia, mas um estatuto partidário define metas e projetos onde as divergências internas possuem linhas mestras. Na entrevista de Omar Coêlho fica a impressão de um partido tão aberto que as linhas mestras podem variar de uma ideologia para outra conforme a participação nas redes sociais ou humor de filiados junto à opinião pública.

São espectros políticos que variam em graus. Mas não há como fugir deles.

É nesse vácuo que surgem os que pagam de “isentão”. Não que Omar Coêlho seja isso. Não é! Sempre teve posições definidas e às vezes paga um preço por isso. Mas, para mim é uma qualidade positiva, por mais que venha a discordar de uma dessas posições.

Diz Omar Coêlho: “(...) o Podemos não tem uma ideologia determinada e que para cada causa ele terá uma posição, ouvindo todas suas bases”.

Não falo nem de ideologia aqui, mas vamos a posições simples: entre a intervenção econômica do Estado em tudo e o livre mercado, o que pensa previamente o Podemos? Vamos votar em um partido que depois é que saberemos o que ele pensa conforme a participação de uma “democracia direta”?

Outras questões: o que pensa o Podemos sobre aborto, sobre redução da maioridade penal, sobre o Estatuto do Desarmamento, sobre carga tributária, sobre pacto federativo, sobre reforma da previdência etc. São temas caros a um Congresso Nacional. É claro que há temas circunstanciais ou imprevisíveis que podem surgir ao decorrer de uma legislatura que leve o partido a uma reflexão para decisão posterior. Mas até esses dependem de uma convicção prévia.

O que mais irrita nos partidos é o fato de terem perdido credibilidade justamente por ausência de posições sólidas ao invés de especulações genéricas como pautas “contra a corrupção”. Ora, contra a corrupção todo mundo é. Publicamente, até o mais corrupto será.

Para não votarmos no escuro, o Podemos precisa ser mais claro. Afinal, durante a entrevista, o próprio Omar Coêlho – acertadamente – reconhece que o problema de muitas legendas brasileiras, diante de um mar de tantos partidos, é não terem posições claras, sejam elas conduzidas por ideologias seculares ou não.  

Eis a fala de Omar Coêlho: “As pessoas que chegam para lhe ajudar, chegam em busca de recursos e não querem outra coisa, como se a ideologia  não tivesse valor, querem apenas saber do voto e quanto ele custa. Isso é muito triste e desanima qualquer cidadão de bem a entrar na política”.

Por isso pergunto o que o Podemos pensa em relação a tanta coisa. Afinal, para não ser o que Coêlho crítica, o partido precisa ter posição e algumas delas independem da democracia direta, pois são a razão da agremiação existir caso queira representar alguém. O nome é “partido” justamente por não ser um “todo” e sendo partido, em tese, representa uma parte que já sabe o que pensa e assim se submete à democracia.

Tenho um respeito enorme por Omar Coêlho. Julgo ser inclusive um bom nome no pleito. Respeito suas convicções mesmo quando temos divergências e não nego que já declarei publicamente quando votei nele para o Senado Federal. Todavia, não escondo: até aqui o Podemos me parece algo flácido, se moldando a realidade na tentativa de se ofertar como algo fora dos “extremos”, para dar uma impressão de quem nem é direita, nem é esquerda, mas uma terceira via que ninguém consegue definir claramente o que é por se esconder por trás da expressão “democracia direta”.

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