Resenha100Nota

Suspense "Verão de 84" traz nostalgia genérica para surfar na onda de Stranger Things

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Quatro jovens amigos se unem para investigar um vizinho supostamente envolvido no desaparecimento de crianças. A aventura com altas doses de suspense ambientada nos anos 80 nos remete diretamente às recentes produções "It", "Stranger Things" e ao terror adolescente "Garotos Perdidos".
Entretanto, em "Verão de 84" (2018) há um claro problema de harmonia entre o desenvolvimento do filme e seu ato final.

A trama tenta criar o clima de amizade sob encomenda para nos passar a cumplicidade dos jovens, mas falha pela falta de carisma de seus personagens. A exceção do protagonista, todo o elenco me pareceu genérico e sem nuances.
O mistério é conduzido de forma razoável e pode garantir alguns sustos, porém a conclusão pesa a mão para uma história que até então se desenhava mais como uma aventura de terror leve, do que um horror com toques de drama.
Os diretores provavelmente apostaram suas fichas em uma franquia, pois o gancho que ficou é  evidente, mas só se deve comer a sobremesa depois de servida a refeição principal.

6.0

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Provocante e violento, "Bacurau" é um dos melhores filmes que você verá esse ano

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O segmento de filmes de terror vem crescendo exponencialmente no Brasil. Eu, como fã do gênero, vejo com bons olhos o movimento e reconheço ótimas produções nacionais para quem deseja fugir do suco de caixinha hollywoodiano, com suas fórmulas e clichês.

"Bacurau" (2019) certamente é o melhor da nova safra e o feedback da bilheteria é um sinal forte que o filme tem conquistado o público. Obviamente as críticas e provocações político-sociais presentes no longa de Kleber Mendonça Filho aguçaram a curiosidade de boa parte dos espectadores, que normalmente não iriam ao cinema conferir uma produção tradicional de horror.

O enredo de "Bacurau" traz uma pequena cidade do sertão do Nordeste que está prestes a ser riscada do mapa. Sob um iminente ataque, os moradores da região precisam se defender das forças opressoras.

Com um texto afiado e extremamente ácido, "Bacurau" encontra sua própria maneira de dar o troco ao suposto domínio interno e externo dentro de um país divido por preconceitos e complexo de vira-lata. O filme zomba daqueles que enxergam diferenças nos iguais e sonham igualdade com aqueles que são de fato diferentes.
A direção de Kleber Mendonça Filho merece elogios pelo ritmo e visceralidade que imprime ao filme. A tensão é crescente, os elementos de roteiro determinantes para o desfecho são plantados durante a projeção sem entregar o propósito final e a forma como subverte as expectativa e mexe com o público me pareceu uma mistura de Tarantino e o horror social repleto de gore de "Holocausto Canibal" (1980) (mas infinitamente mais leve do que o longa de Ruggero Deodato).

Com esses predicados acredito que ficou bem claro que "Bacurau" ganhou minha atenção. O filme tem muito a dizer para quem quiser ouvir, assim como funciona perfeitamente como entretenimento de gênero caso você prefira se desconectar da realidade. De tantos absurdos reais, ninguém pode ser culpado por confundi-los com a ficção. E vice-versa.

9.0

*Disponível no Cinema Arte Pajuçara

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Palhaço Pennywise volta para aterrorizar e assume o protagonismo em "It - Capítulo 2"

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Em 2017, quando a primeira parte da nova adaptação de "It - A Coisa" chegou aos cinemas, o sentimento do público era de desconfiança. As versões para as telas das obras do mestre do horror Stephen King carregavam a pecha de produções de gosto duvidoso e só tinham prestígio as histórias que fugiam do gênero característico do autor, como "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de Um Milagre". Filmes como "Carrie, a Estranha" e "O Iluminado" já eram uma lembrança distante de boas transposições para o cinema. Além disso, "It - A Coisa", um dos livros mais aclamados de King, já havia ganho uma malfadada materialização para a TV em forma de telessérie.
Assim, todo o descrédito encontrado em 2017 pelo diretor Andy Muschietti era justificável e valorizou ainda mais seu êxito. O longa ganhou elogios e lotou os cinemas, batendo o recorde de maior bilheteria de um filme de terror.

Agora em 2019, chega aos cinemas a segunda parte e conclusão da história de Bill, Bev, Ritchie, Eddie, Ben, Mike e Stan, que na infância venceram o terrível palhaço Pennywise e livraram a cidade de Derry do mal durante os 27 anos seguintes até a volta da criatura.
Adultos, eles precisam voltar à terra natal para cumprir a promessa de acabar de uma vez por todas com o palhaço.

Diferente de dois anos atrás, minhas expectativas estavam altíssimas para conferir "It - Capítulo 2" (2019), fato este que elevou o grau de exigência.
Por isso, avaliei o filme sob três aspectos:  adaptação do livro, continuação do primeiro longa e filme isoladamente.

No primeiro ponto vou tentar fugir da velha discussão purista de que o material literário tende a ser sempre melhor que sua versão cinematográfica. Até a metade do longa, Muschietti foi bem fiel ao material original. A partir daí as mudanças são mais perceptíveis com erros e acertos. Elementos aleatórios do livro ganham relevância e são bem utilizados na trama, mas por outro lado perdeu -se uma personagem determinante para o encerramento da jornada do protagonista. Isso custou uma das cenas mais bonitas da história de King, que infelizmente ficou de fora do filme.
O final também foi bastante modificado, mas isso já era esperado. Inclusive o filme brinca com o fato do escritor ouvir muitas críticas pela conclusão que deu a sua obra. (Há uma participação especial e sensacional de King)
Então, nesse quesito o filme ganha muitos pontos pelo final mais sóbrio do que a viagem surtada do autor.

Em termos de continuação "It - Capítulo 2" acerta em cheio na escalação do elenco, que nos faz enxergar tranquilamente as crianças em suas versões adultas.
Minha cena favorita é o reencontro dos amigos no restaurante chinês. Vê-los conversando, rindo e relembrando antigas brincadeiras transmite a boa sensação de voltar a fazer parte de algo genuíno.
O enredo se preocupa em fechar as histórias pessoais, mas tive a impressão que isso ficou em segundo plano, pois algumas das questões íntimas dos personagens se resolveram em cenas rápidas.
Porém, o que mais me incomodou foi a perda do protagonismo de Bill. Líder do Clube dos Otários e dono da relação mais intensa com o vilão, Bill Gago foi tratado como coadjuvante.
Todos os elementos que traziam profundidade ao seu personagem perderam força ou simplesmente deixaram de existir. Não há mais a velha admiração dos amigos, a química com Bev é mal desenvolvida (a exceção uma ou outra troca de olhares não sentimos o amor da infância), a esposa é praticamente descartada e a ira contra Pennywise perde o caráter pessoal que deveria por fim ao drama individual de Bill.

E, finalmente, analisando como uma produção isolada, o segundo capítulo de "It" peca pelo exagero. O diretor Andy Muschietti abusa dos efeitos digitais, que apesar de competentes, têm o impacto diminuindo com o decorrer da projeção. Os sustos se acumulam, mas a construção da tensão é rasa e há pouco espaço para o horror que sugere o medo. Tudo é muito gráfico e explícito. 
A figura do palhaço é usada a todo o tempo e suas aparições se repetem. Com isso, o filme enfraquece as relações interpessoais entre os personagens no roteiro para dar tentar fazer o espectador pular da cadeira a cada minuto. 
O primeiro ato do filme é bom, o segundo é confuso e apressado, e o terceiro melhora novamente.

Somando esses três aspectos, adaptação, sequência e filme, "It - Capítulo 2" é um produto acima da média, mas abaixo da expectativa criada pelo excelente capítulo 1.

7.5

*Nos Cinemas

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Comédia que brinca com o desaparecimento dos Beatles é uma divertida fábula sobre a felicidade

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Você já pensou se o mundo sofresse um apagão e você fosse o único a se lembrar que os Beatles existiram?

Bem, essa é a premissa da fábula "Yesterday" (2019), dirigida por Danny Boyle ("Quem quer ser um milionário?") e protagonizada por Himesh Patel, que interpreta Jack Malik, um músico em busca do reconhecimento que sofre um acidente e acorda em um mundo em que o quarteto de Liverpool nunca existiu.

"Yesterday" segue o manual das boas fábulas. Leve, divertida, mas carregada de lições de vida, para pensar, aprender e absorver.
Danny Boyle trabalhou um protagonista cativante, uma historinha de amor simples, mas honesta, um coadjuvante engraçado e de bom coração e trilha sonora que dispensa apresentação. Tudo muito bem encaixado e sem pretensão de ser mais do que é. 
O cantor Ed Sheeran faz uma participação que rende os momentos mais engraçados da produção.
A edição do filme não é perfeita e as transições ás vezes parecem bruscas demais, mas nada que atrapalhe a diversão. O longa foi feito para entreter e homenagear a maior banda da história da música (na nem tão humilde opinião de quem vos escreve), mas também, de maneira suave, passar bons conselhos.
Ao brincar com o esquecimento da sociedade da músicas dos Beatles, Boyle nos alerta sobre a importância de manter viva as coisas belas, perpetuando letras, sons, imagens ou qualquer outra forma de arte para as próximas gerações, que ainda não parecem lidar bem com o bombardeio de informações e consumo excessivo de produtos efêmeros.
A jornada de Jack em busca do sucesso também deixa outras lições preciosas, como valorizar quem esteve do seu lado quando ninguém acreditava no seu potencial e até você mesmo duvidava que era capaz de realizar os sonhos. Aquela pessoa que tinha a capacidade de encher uma plateia, quando o público ainda não comparecia, aquela cujos aplausos quebravam o silêncio para mostrar que você estava no caminho certo.
Em uma cena emblemática e emocionante, "Yesterday" ressignifica o conceito de sucesso para Jack, que ansiava mudar o destino, lotar estádios e emplacar hits, mas ao provar tais sabores percebeu que o vazio permanecia. Foi preciso um encontro inesperado para ele perceber que a felicidade é que determina o quão bem sucedido nós somos em nossas escolhas. O sucesso nunca vem antes da felicidade, pois é o resultado desta. Que nunca nos esqueçamos disso!

"All You Need Is Love"...

8.5

*Nos Cinemas
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Cinebiografia "Chet Baker: A Lenda do Jazz" (2015) traz o talento e a insegurança do famoso trompetista

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Chet Baker é considerado um dos grandes nome do Jazz. O famoso trompetista fez estrada nos Estados Unidos e na Europa, levando seu virtuosismo aos ouvidos de quem teve o prazer de ouvi-lo tocar.
Sua vida pessoal também foi agitada e conviveu com prisões, uso de drogas e brigas, que lhe custaram muitos dentes e quase pôs fim a sua carreira.

Em "Chet Baker: A Lenda do Jazz" (2015) temos um inspirado Ethan Hawke interpretando o músico entre as décadas de 50 e 60. O roteiro trabalha a insegurança  de Baker, que aflora pela dependência de heroína e piora quando precisa reaprender a tocar após a perda dos dentes anteriores que comprometeram a embocadura do trompete. Nesse caminho para se manter afastado dos narcóticos e recuperação da auto estima, Jane, uma atriz tentando ascender na profissão e companheira de Chet, desempenhou papel importante. Ela abdicou muitas vezes dos interesses profissionais para dar apoio ao parceiro e foi determinante para a retomada de Baker. Pelo menos durante um tempo.

Pelo que acompanhamos no longa, Chet realmente conseguiu se manter "limpo" por um longo período, mas a pressão de fazer um grande show e passar pelo crivo de colegas do calibre de Miles Davis, sempre muito crítico, foi demais para sua insegurança. 
Tal aprovação era tão importante para Chet que sua vida vida pessoal ficou em segundo plano. Naquele dia ele cantou e tocou com honestidade. Disse adeus a um grande amor, mas recebeu os aplausos que tanto sonhou. Não exatamente porque foi perfeito com o trompete, mas porque não se preenche o vazio com mais vazio. Esse espaço é  preenchido por alma e ao menos naquela noite ele entregou a dele.

7.0

*Disponível na Netflix

Netflix continua apostando no fascínio do público por serial killers - "Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal"

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A história de famosos psicopatas costumam atrair a curiosidade do público e Hollywood, atenta a esse nicho, regularmente produz filmes sobre esses ilustres e terríveis personagens da vida real.

Tedy Bundy pode ser citado como um dos "queridinhos" dessa lista de celebridades do crime. Na Netflix podemos acompanhar mais de uma produção sobre o serial killer, que ganhou notoriedade pela barbaridade de seus atos e pela aparência sedutora, aliada a boa articulação com as palavras, como vista em seu julgamento, o primeiro televisionado nos Estados Unidos.
Theodore Robert Cowell, popularmente conhecido como Ted Bundy, foi acusado e condenado a morte pelo assassinato e estupro de mais de 30 mulheres. Inteligente e charmoso, ganhou fãs durante o julgamento, mas não convenceu o tribunal de sua inocência. 

"Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal" (2019) não se propõe a mostrar os crimes ou modos operandi do serial killer. O longa direciona a câmera para a relação de Bundy e sua namorada Elizabeth. Posso dizer que na verdade ela é a protagonista da história. Ted buscando a inocência e Elizabeth consumida por culpa e amor ditam os atos da trama até o final.

Zac Efron faz um trabalho competente interpretando o criminoso e Lily Collins também entrega qualidade. A direção cai em algumas armadilhas desnecessárias, como na cena em que um cachorro no canil rosna e em seguida recua ante o olhar ameaçador de Bundy. Maior clichê impossível.
O diretor ainda perde o timing do plot twist e por conta disso é obrigado a repetir a revelação mais a frente, dessa vez sem o impacto que deveria provocar.
O filme ainda conta com as participações de John Malkovich, Haley Joel Osment ("O Sexto Sentido") e Jim Parsons ("The Big Bang Theory").

7.0

*Nos Cinemas 

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Como esquecer o inesquecível? - "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças"

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E se pudéssemos apagar toda e qualquer lembrança que nos traz tristeza? E se pudéssemos deletar a mais vaga memória de alguém que fez parte de momentos da nossa vida, mas no final deixou sentimentos que machucam?

"Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" (2004), longa do diretor Michel Gondry faz esse exercício imaginativo ao trazer o romance de Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet).
Ele, introspectivo e inseguro. Ela, uma confusão de humores. Juntos eles compartilham uma história de amor até que Clementine decidir apagar o namorado de sua mente e o conturbado fim do relacionamento. Ao saber disso, Joel resolve fazer o mesmo e procura a clínica especializada no procedimento, mas durante o processo ele percebe que não quer dar adeus àquelas lembranças e luta dentro de si para esconder Clementine em algum lugar que não o deixe esquecê-la.

O roteiro de Charlie Kaufman é uma preciosidade ao abordar as desventuras de uma relação amorosa. Quando escolhemos alguém (e somos escolhidos por alguém), não estamos abraçando apenas as virtudes, mas também os defeitos. Esse pacote completo traz os desafios da convivência, pois as melhores coisas da vida não são 100% boas. 
É preciso exercer a tolerância, abrir concessões quando necessário, reafirmar quando preciso, mas acima de tudo compreender que somos universos diferentes. Peças de quebra-cabeça que encaixam justamente por não representarem as mesmas formas uma do outra. Assim, é dentro de suas particularidades que deve vir a afinidade, a vontade de querer ficar junto, e mesmo que lá na frente a separação seja inevitável, as lembranças acumuladas representarão a construção do aprendizado e os tijolos da experiência darão sustentação ao que somos hoje: frutos do tempo, das memórias e do que aprendemos com elas.

10.0

*Disponível no Prime Vídeo 

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Tarantino entrega visão pessoal de uma época em "Era Uma Vez em Hollywood"

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AVISO: ESSA RESENHA CONTÊM SPOILERS 

Em meio à Los Angeles do final dos anos 60, o ator de séries de TV, Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), e seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt), tentam se manter relevantes na indústria cinematográfica.

O nono filme de Quentin Tarantino de fato é uma fábula, como indicava o título "Era uma vez em Hollywood" (2019). Misturando ficção e personagens reais, o diretor desenvolve seu enredo ao passo que cria sua própria versão de fatos  marcantes, reescrevendo a história tal como fez em "Bastardos Inglórios" (2009), quando proporcionou o sabor da vingança aos judeus contra Hitler.

Rick Dalton é um ator inseguro com o rumo da carreira. Associado constantemente aos papéis de vilões de vida curta, Rick lamenta o fim melancólico que se aproxima, bem distante do auge e da época que seu nome gozava de mais prestígio. Cliff, é mais do que o dublê de Rick. É o faz tudo, mas acima de tudo o amigo que apoia e protege dentro e fora de cena.
Ele também é o contraponto da personalidade do ator que busca o reconhecimento e os aplausos. Seguindo o caminho oposto, Cliff faz aquilo que precisa ser feito sem vacilar e sem qualquer intuito de receber elogios.
Os dois personagens já podem entrar na galeria de Tarantino, que coleciona caricaturas inesquecíveis em sua filmografia. Sou capaz de apostar uma pizza que veremos Leonardo DiCaprio entre os indicados ao Oscar de Melhor Ator em 2020, e talvez Brad Pitt seja lembrado para a categoria de coadjuvante.

Paralelamente a trama principal, temos a estonteante Margot Robbie interpretando Sharon Tate, esposa do diretor Roman Polanski e notória vítima da Família Manson, também retratada no longa.
Robbie não tem muitas falas, mas sua presença preenche a tela e não deixa espaço para mais ninguém. Sua interpretação é vivaz e o diretor retrata Tate com carinho e ares de musa.

O restante do elenco é um desfile de participações especiais que abrigam gente do calibre de Al Pacino, Kurt Russel e Bruce Dern. Como fã de Pacino, senti não vê-lo por mais tempo na produção.

A trilha sonora mais um vez foi escolhida a dedo e promete fazer parte da playlist de muita gente, mas notei certo exagero nas inserções. Em alguns momentos o espectador pode confundir o filme com um videoclipe e isso quebra o ritmo.
A duração do longa pode ter ido além do que precisava para contar a história. Duas horas e quarenta alongaram um pouco o desenlace da trama que encontra o ápice nos minutos finais. A sequencia que envolve uma invasão domiciliar é forte, brutal e ao mesmo tempo regozijante. É o canto dos cisnes de Rick, a afirmação da natureza de Cliff, mas, principalmente, é a correção do real pelas mãos do imaginário. 

"Era uma vez em Hollywood" não é o melhor filme de Tarantino, tampouco o segundo ou terceiro, entretanto foi o que mais me emocionou. 
O diretor, muitas vezes acusado de glamurizar a violência, mostrou que em seus filmes ela é mostrada em seu devido lugar, pois é melhor vê-la de forma ficcional no cinema do que nos noticiários policiais e, quando não for possível evitar as tragédias da vida real, as pessoas poderão encontrar um final feliz na ficção daquele que conta a história.

8.5

*Nos Cinemas

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Live Action "Aladdin" diverte, mas não encanta

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Há algum tempo a Disney vem investindo em versões Live Action de suas clássicas animações. Já tivemos "A Bela e a Fera" (2017), "Dumbo" (2019), "O Rei Leão" (2019) e agora "Aladdin" (2019).

Quando as primeiras imagens surgiram a internet caiu em cima da versão humanizada do gênio da lâmpada interpretado pelo astro Will Smith, e logo o sinal de alerta foi acionado.
Após a estreia nos cinemas o público teve uma recepção morna ao longa de fantasia. Nenhuma crítica voraz, tampouco elogios rasgados. Com isso, "Aladdin" acabou gerando o pior dos sentimentos: indiferença.

Ciente disso fui conferir e de fato o filme soa inofensivo, levemente divertido e nada memorável.
A direção é de Guy Ritchie ("Snatch - Porcos e Diamantes"), que gosta de alguns truques de câmera, edição ágil e imagens aceleradas.
O roteiro não tem grandes inovações e segue a fábula do jovem Aladdin, um pobre rapaz que vive na malandragem de pequenos furtos até conhecer a bela princesa Jasmine, disfarçada de plebeia para ver com os próprios olhos a vida além das paredes do castelo do rei.
Enquanto isso, o vilão Jafar procura  uma boa alma para cumprir o desafio de resgatar a lâmpada mágica da perigosa caverna protegida por feitiçaria.

Mena Massoud foi escolhido para protagonizar a história e desempenha o papel com competência. A caracterização ficou boa, apesar do cabelo esquisito. Naomi Scott encaixou bem como a Princesa Jasmine, alternando doçura e um personalidade forte, disposta a ser mais do que sorrisos e suspiros.
Marwan Kenzari faz um Jafar mais raivoso e menos dissimulado, e talvez por isso, tenha desagradado parte dos espectadores.
Já o gênio de Will Smith não incomodou, apesar da insistência em mostrá-lo em sua forma humana. (Certamente uma cláusula irrevogável do contrato do ator.)

Os efeitos especiais são bem dignos, mas senti que faltou o tom lúdico que a história pedia. Os números musicais me soaram deslocados, pouco orgânicos com o roteiro e muito modernizados.

Como falei no início, "Aladdin" não fracassa, mas não realiza o desejo de ser um grande filme.

7.0

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Erotismo e reviravoltas no ótimo suspense "A Criada"

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"A Criada" (2016) é um suspense sul-coreano com altas doses de erotismo e perversão, que merece sua atenção. 
A trama nos apresenta um golpista tentando se apropriar da fortuna de uma herdeira nipônica, vítima do autoritarismo do tio. Para colocar em prática o plano de se casar e em seguida internar a esposa em um hospício, o malandro infiltra sua  comparsa como criada da jovem rica, mas as coisas acabam tomando outros rumos.

Dirigido por Park Chan-Wook, conhecido pela trilogia da vingança ("Lady Vingança", "Oldboy" e "Mr. Vingança"), "A Criada" é um thriller de mão cheia. O espectador é conduzido com inteligência pelo roteiro que subverte emoções e brinca com as perspectivas. Todas as reviravoltas são orgânicas, funcionando perfeitamente à serviço da história, que vai além do suspense e da sensualidade. Chan-Wook também abre espaço para contar o romance de duas mulheres em uma cultura machista e predominantemente heterossexual. Por isso as cenas mais ousadas, uma vez contextualizadas, ganham força e perdem o caráter fetichista, que por ventura poderiam incorrer.

O filme se divide em três atos perfeitamente orquestrados para expor e questionar nossas noções de submissão (real e imaginária) e controle. Dessa forma "A Criada" é como um belo rio de águas calmas, mas de profundidade atraente e perigosa.

9.0

*Disponível na Netflix

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