Resenha100Nota

O mensageiro chegou na Netflix - "Messiah"

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Com "Messiah" (2020), a Netflix começa o ano com o pé direito. A primeira temporada traz o surgimento de um líder religioso e espiritual que sacode crenças e gera inquietações políticas.
Diante da insegurança que a presença do homem causa, uma agente da CIA incrédula tenta desmascará-lo.

Michelle Monagahn está ótima como a agente da CIA, assim como todo elenco de apoio, mas é o "Messiah" Mehdi Dehbi que hipnotiza o espectador interpretando o protagonista de forma tão serena e crível que poderia facilmente passar horas ouvindo suas palavras.
De fato ele dá sentido ao termo mensageiro.
Já a série levanta questões e nos faz refletir sobre o que é necessário para nos fazer acreditar, seguir e ouvir aqueles que tentam melhorar de alguma forma o mundo.

9.0

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Hora de conhecer o clássico "Bonequinha de Luxo"

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Não é difícil encontrar alguém que reconheça a imagem de Audrey Hepburn trajando um vestido preto, uma tiara de brilhantes na cabeça, colar de pérolas e uma cigarrilha na mão. O quadro, tirado do filme "Bonequinha de Luxo" (1961) ganhou o mundo e virou ícone da cultura pop, tendo diversas versões e estampando camisetas e telas.
Porém, poucos se deram o "trabalho" de ir atrás da fonte. O longa dirigido por Blake Edwards é uma deliciosa comédia, cheia de estilo, uma música tema inesquecível e uma bela história de amor.

Audrey Hepburn é Holly Golightly, uma acompanhante de luxo à procura de um marido rico para esquecer de vez os tempos de pobreza de sua juventude. Todas as manhãs ela tem o ritual de tomar café da manhã em frente a famosa joalheria Tiffany. É olhando para a vitrine que Holly esquece os problemas e sonha com o futuro.
Ambiciosa e determinada, a moça tem suas convicções abaladas com a chegada do vizinho Paul Varjak (George Peppard), um escritor sustentado por uma mulher mais velha que o tem como amante.

Baseado no texto de Truman Capote, "Bonequinha de Luxo" quase teve outra protagonista. Capote vendeu os diretos de sua obra desejando Marilyn Monroe como protagonista, mas a atriz recusou o papel com receio de associar sua imagem a uma garota de programa.
O roteiro, que inicialmente pode induzir o espectador a achar que o filme é uma comédia romântica bobinha, na verdade é um conto sobre uma mulher e suas escolhas.
Holly decidiu fugir de uma realidade dura, deixando para trás coisas importantes. Consciente disso, ela tentou a todo custo viver um sonho para não pensar no que passou. À primeira vista, sua personalidade pode parecer fútil, mas não há futilidade no coração de quem só quer ser feliz. Paul surge na trama para ajudar Holly a se conectar consigo mesma e fazê-la compreender que é impossível  viver sem vínculos genuínos de amor. Ela, que tinha medo de nomear seu gato de estimação para evitar laços afetivos, acabou percebendo que os sentimentos não precisam de denominação.
Um filmaço para ver e se emocionar ao som de "Moon River", canção vencedora do Oscar.

10.0

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Adam Driver revira o baú da CIA no drama "O Relatório"

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Adam Driver estrela "O Relatório" (2019), filme que se debruça sobre a comissão do Senado americano designada para apurar os interrogatórios de prisioneiros promovidos pela CIA após os atentados do 11/09.

Produzido pela Amazon, "O Relatório" é mais um filme a desvelar os bastidores nada morais da política. Dan Jones (Driver), incumbido pela senadora Fienne Feinstein (Annette Bening) de chefiar um pequeno grupo para investigar a conduta da CIA e elaborar um relatório sobre as chamadas "Técnicas de Interrogatórios Melhoradas" abre a caixa preta da instituição e mostra como o mecanismo age de modo a tentar apagar os rastros de suas falhas.

Nesse sentido o filme logra êxito em conectar os acontecimentos, sempre situando o espectador. Driver vem ganhando meu respeito à cada novo trabalho, a exceção das atuações afetadas na franquia Star Wars. O ator segura bem o protagonismo com um personagem que não pode demonstrar muitas emoções, mas que vai deixando a indignação crescer sem perceber. Annette Bening também se destaca e não seria surpresa vê-la indicada às premiações que se aproximam.

Os fatos reais que deram base a história aconteceram há pouquíssimo tempo e sob a suposta justificativa que os fins justificam os meios. É a tal conversa do bem maior, presente em uma das falas finais de "O Relatório". Esse pensamento só mostra que nossas condutas com o outro não falam sobre ele, mas sim sobre nós.

8.5

*Disponível na Amazon Prime Vídeo

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"Judy", cinebiografia de Judy Garland, mostra o fim do arco-íris da estrela de Hollywood

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Judy Garland maravilhou o público como a doce menina do Kansas que vai parar no mundo mágico de Oz em 1939, mas em 1968 não havia mais tanta fantasia na vida da atriz e cantora.

"Judy" (2019) é a cinebiografia de Garland em sua passagem conturbada por Londres em 1968 durante uma série de concertos que fez na capital inglesa. Permeando o filme também temos flashbacks de Judy nos bastidores de seu primeiro longa, "O Mágico de Oz" (1939). Nesse lugar escondido do grande público descobrimos como os abusos e a pressão da indústria cinematográfica, personificada na figura do chefão do estúdio MGM, Louis B. Mayer, influenciaram os vícios e instabilidade emocional da mulher que nunca parou de caminhar pela estrada de tijolos amarelos.
Renée Zellweger está muito bem interpretando Garland. Além da semelhança física, especialmente nos planos em que está de perfil, a atriz buscou copiar o olhar e trejeitos da biografada, mas seu grande mérito foi nos passar a sensação constante de esgotamento que Judy exalava. Triste ver o rumo não apenas da carreira, mas de sua vida. Por mais irônico que pareça, a eterna interprete da garotinha Dorothy que dizia que "não há lugar como o nosso lar", não tinha um lar para viver e criar os filhos.

O roteiro trabalha esse sentimento de exploração e sacrifício, e mesmo que o filme tenha problemas consideráveis de edição  é uma obra que vale a visita. Seja por Zellweger ou seja por Judy Garland. O final emociona.

7.5

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Tom Hanks encanta no belo "Um Lindo Dia Na Vizinhança"

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Tom Hanks é Fred Rogers, um pedagogo apresentador de um famoso programa infanto-juvenil nos Estados Unidos que muda a perspectiva de vida do jornalista Lloyd Vogel.

"Um Lindo Dia na Vizinhança" (2019) é baseado no artigo da revista Esquire escrita por Tom Junod, incumbido de traçar o perfil do apresentador.
Ao ver o filme me peguei algumas vezes sorrindo com cara de bobo e isso é um ótimo sinal de conexão. As lágrimas também tendem a ser outro forte elo de ligação, mas não vamos entrar em detalhes, rs.
Lloyd, um jornalista investigativo designado para fazer a matéria com Mr. Rogers, era pura descrença  na imagem construída pelo homem da TV que demonstrava-se um poço de atenção e acolhimento com todos a sua volta.
O repórter parecia disposto a desvelar aquela serenidade irreal aos seus olhos.
Os conflitos familiares de Lloyd moldaram sua visão. Dessa forma, passou a enxergar a vida cinza, deixando, assim, de acreditar na existência das cores.
Porém, o contato cada vez mais íntimo com Rogers o ajuda a trabalhar seus medos e angústias. Certamente, também influenciou diretamente para resolver o passado e impedir a repetição inconsciente em comportamentos futuros.

No final das contas, você escolhe  como vai lidar com raiva, dor e mágoas. Como menciona Rogers, há maneiras de trabalhar esses sentimentos sem machucar os outros ou si mesmo. Não é fácil, mas não precisa ser.

9.0

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Nova versão de "Adoráveis Mulheres" atualiza discurso sobre independência e felicidade

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Jo March e suas irmãs voltam para a casa onde viveram na infância para encontrar a caçula que padece de uma doença.

Sob o comando da diretora Greta Gerwig, "Adoráveis Mulheres" (2019) é a oitava versão para os cinemas do livro "Mulherzinhas", de Louisa May Alcott.
Gerwig decidiu apostar em duas linhas narrativas alternadas durante todo o filme. Assim vemos o presente e passado de Jo e suas irmãs. Saoirse Ronan é a protagonista Jo, cujo sonho de ser escritora é proporcional ao medo de seguir o caminho da grande parte das mulheres: o casamento.
Nesse sentido o filme traz reflexões importantes sobre o caminho que tomamos e o receio de perder a autonomia da própria vida. Às vezes esse temor que nos leva a fugir pode nos deixar preso a outro roteiro engessado. A felicidade não tem destino certo e sucesso profissional não precisa seguir o caminho oposto do campo sentimental.

As irmãs representam bem cada modo de ver a vida. Florence Pugh quase rouba o protagonismo de Saoirse. A jovem atriz que chamou atenção no terror "Midsommar" promete ser figurinha carimbada nas futuras premiações da indústria cinematográfica. Emma Watson, a eterna Hermione da franquia Harry Potter, tem atuação correta, mas discreta e Laura Dern pra variar está ótima, interpretando a mãe das garotas.

Em suma, "Adoráveis Mulheres" é um belo filme sobre caminhos, escolhas, concessões e felicidade.

8.0

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Brasileiro Fernando Meirelles capricha nos estereótipos na produção da Netflix "Dois Papas"

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Dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e produzido pela Netflix, "Dois Papas" (2019) traz uma longa conversa entre o então Papa Bento XVI e seu futuro sucessor, o Papa Francisco. O filme é baseado no livro de Anthony McCarten e tem excelentes interpretações de Jonathan Pryce é Anthony Hopkins.

"Dois Papas" trabalha como porta voz do Papa Francisco, realçando sua simplicidade, virtudes e a aura de um cara legal, bem distante da imagem rígida e extremamente  conservadora do Papa Bento XVI.
Meirelles também dedica tempo para justificar o passado controverso do Padre Bergoglio (Papa Francisco). Alguns poderão empregar o termo da moda "passar pano", mas eu prefiro me manter otimista em acreditar na mudança do homem, que o diretor faz questão de frisar em vários momentos do longa.
Tecnicamente "Dois Papas" tem uma edição confusa e pouco fluida.  Há uma indecisão entre o tom documental e a forma mais tradicional de filmar. É nítido também a intenção de Meirelles em tornar o filme mais leve e descontraído acrescentando trilha sonora pop e humor. Essa informalidade pontual é interessante para atrair um número maior de espectadores.
Até a metade da projeção "Dois Papas" tem ritmo mais lento e fica preso ao contraste entre os dois membros da igreja. A cada cena a direção pinta os dois personagens com cores fortes para não haver dúvidas na cabeça do público quanto às diferentes filosofias. Em dado momento, pensei: "Ok, eu já entendi! Vamos adiante!".
A grande virada acontece quando a dupla vai à Capela Sistina, no Vaticano, para uma conversa franca sobre passado, presente e futuro.
É aí que o filme ganha fôlego, profundidade e melhora bastante.

7.5

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"Jojo Rabbit" - Uma fábula em meio à Guerra

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Taika Waititi nos leva de volta a Alemanha nazista para contar a fábula "Jojo Rabbit" (2019) sobre um garoto fã de Hitler, mas que não entende muito bem a natureza dos judeus até descobrir que uma jovem judia se esconde em sua casa.

O filme de Waititi é carregado de humor politicamente incorreto, porém tudo é feito para exagerar uma realidade por si só absurda. As atuações tem o timing perfeito para  a comédia e para os momentos mais emotivos. Scarlett Johansson e Sam Rockwell estão ótimos em papéis coadjuvantes, Taika Waititi segura bem a reimaginação afetada do Führer, mas o grande destaque vai para o pequeno Jojo, Roman Griffin Davis e da jovem atriz Thomasin McKenzie. A dupla ganha o espectador do início ao fim.
"Jojo Rabbit" pode eventualmente lembrar o oscarizado "A Vida é Bela" (1997), ao brincar e emocionar dentro do cenário triste da Guerra e do Holocausto. Para alguns, um assunto delicado demais para ser pincelado com humor, mas esse filmes são como instrumentos efetivos para a transmissão de mensagens importantes como a coragem, a fé e a capacidade do ser humano de se manter de pé e otimista mesmo diante dos horrores que podem bater à porta.

8.0

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"1917" - O favorito ao Oscar 2020 é um filme para ficar na história

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A próxima edição do Oscar que ocorrerá no dia 09 de fevereiro tem uma lista de nove filmes concorrendo ao principal prêmio da noite. Para a sorte do público todos os concorrentes estão acima da média e fazem jus a nomeação, porém uma produção dobra a meta e ultrapassa os concorrentes tornando-se uma obra que o tempo se encarregará de colocá-la entre os gigantes do cinema.
"1917", do diretor Sam Mendes, é estupendo. O longa sobre dois soldados britânicos enviados para entregar uma mensagem à um regimento no intuito de evitar a morte de 1600 colegas durante a Primeira Guerra Mundial é um primor.

Sam Mendes idealizou o filme de forma a aparentar um único take. Ou seja, acompanhamos o protagonista integralmente em sua jornada, seguindo seus passos e observando as mesmas ruínas da guerra que seus olhos veem.
O diretor tem o pleno domínio do jogo. Sabe onde colocar as peças para conseguir o efeito desejado. A trilha sonora pontua bem os atos e a fotografia é de encher os olhos. Os planos abertos estão entre os mais bonitos das últimas décadas no cinema.
Posso estar cometendo algum exagero, me perdoem o entusiamo, mas aposto que "1917" terá relevância semelhante a Apocalypse Now, filme de Francis Ford Coppola que revolucionou os filmes de guerra.

10.0

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Oscar 2020 - História e sistema de votação

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O Oscar é a premiação mais importante do cinema e também a mais antiga. A ideia nasceu com o objetivo de premiar os destaques da indústria cinematográfica e sua primeira apresentação aconteceu em 1929 no Hotel Roosevelt. O prêmio de melhor filme foi para "Asas". O drama "Aurora" também levou por uma categoria similar.
Até 1941 os vencedores eram anunciados nos jornais, após a cerimônia, até que o Los Angeles Times se antecipou e a Academia passou então a selar os envelopes e guardar a revelação dos nomes premiados.
A estatueta, feita de metal e banhada a ouro, chegou a ser produzida em gesso durante a Segunda Guerra Mundial devido ao racionamento de metais. Os vencedores tiveram as estatuetas substituídas pelas originais após o fim daquele período.
Quanto ao nome pelo que ficou conhecido, as versões mais ventiladas são a de uma secretaria notando semelhança entre a estátua dourada e seu tio Oscar, e a versão da lendária atriz Bette Davis que achou o careca de ouro a cara do primeiro marido, também Oscar.

Mas como funciona a votação?

Para se tornar elegível o filme deve preencher alguns requisitos como ultrapassar os 40 minutos de duração, ter sido exibido publicamente nos cinemas no formato 35mm ou 70mm, ou ainda no formato digital de 24 quadros e ter sido exibido em algum cinema de Los Angeles, com cobrança de ingressos, pelo período de sete dias consecutivos.

Cumpridas tais exigências os membros da Academia, dentro de suas áreas específicas elegem seus favoritos de acordo com a ordem de preferência e o número de indicações possíveis da categoria.
Após essa primeira fase os mais citados formam os indicados para cada prêmio. Agora os membros da Academia votam em todas as categorias e vence aquele que obtiver mais de 50% dos votos.

Os habilitados para votar tiveram pelo menos dois créditos dentro da categoria na qual tornaram-se eleitores. O eleitor também pode ter sido convidado por pelo menos dois membros ativos da Academia que apoiaram sua entrada. Por fim, aquele que já foi indicado ao Oscar anteriormente também se qualifica para votar.

Em linhas gerais é assim que funciona a premiação mais charmosa do Cinema.
A edição 2020 está chegando! Façam suas apostas para o dia 09/02!

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