Resenha100Nota
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A paixão supera o tempo no romance "Guerra Fria"

Bruno Omena|

Indicado em três categorias na última edição do Oscar "Guerra Fria" (2018) é um drama polonês dirigido por Pawel Pawlikowsvki que narra o romance entre o pianista Wiktor (Tomasz Kot) e a cantora Zula (Joanna Kulig), na Polônia pós-Guerra.

Na época de seu lançamento acabei deixando-o passar e só agora pude conferir esse belo filme. "Guerra Fria" tem uma das fotografias mais bonitas que já vi. Todo em preto e branco, o longa de Pawel aposta nos contrastes, sombras e luz, direcionada conforme as emoções.
Tomasz Kot e Joanna Kulig preenchem a tela com uma dinâmica tangível. Aliados a cinematografia utilizada pelo diretor, somos conduzidos por um filme que perpassa a linha temporal da dupla tal qual um álbum de fotografias, em que as imagens falam por momentos.


Me lembrou, em certa medida, um pouco do clássico "Casablanca" (1942). Um casal que tem o relacionamento interrompido por circunstância políticas, mas que conserva a paixão durante anos. A música os conecta, como "As Time Goes By" apertava o gatilho de uma época feliz. E se Rick passou anos tentando esquecer a mulher de sua vida, o maestro a perseguiu para conquistá-la.
Diferente do filme de Bogart e Bergman, para o par romântico de "Guerra Fria" Paris não foi uma lembrança para se apegar no vazio da distância. O filme nos mostra o casal vivendo na Cidade Luz, onde a realidade da convivência guarda as devidas discrepâncias da idealização dos enamorados.
Seria um exercício de imaginação que brinca com o destino dos amantes de "Casablanca" se Rick tivesse embarcado no avião para continuar a história de amor com Ilsa.
Entretanto, "Guerra Fria" não tem o mesmo otimismo da década de ouro de Hollywood. Talvez esteja bem mais próximo do neo-realismo italiano, caso tivesse que encaixá-lo dentro de algum movimento cinematográfico.
O amor romântico se choca com o amor vivido, fere, é ferido, insiste e persiste, mas não deixa de ser amor, porque mesmo que o tempo tente desgastá-lo em suas idas e vindas, quando se está apaixonado a velocidade dos ponteiros não importa.

9.0

*Instagram para contato: @resenha100nota

SOBRE O AUTOR

Meus caros amigos, quem vos fala é Bruno Omena, cinéfilo e exército de um homem só, responsável pelo perfil @resenha100nota do Instagram e por este blog, Resenha100nota. Nesse espaço vamos falar sobre os lançamentos do cinema, dicas de filmes pra ver em casa, resgatar as pérolas da época do VHS e tentar descobrir onde os cinéfilos alagoanos se escondem. Como disse Humphrey Bogart, no clássico Casablanca: "Louis, eu acho que este é o começo de uma bela amizade!"

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