"Star Wars - A Ascensão Skywalker" (2019) é o último capítulo da nova trilogia, que teoricamente encerra a história da família Skywalker e sua luta contra as forças do mal para salvar a galáxia. Após o segundo filme ter gerado polêmica e insatisfação pelas decisões criativas do diretor Ryan Johnson, JJ Abrams, cineasta responsável pelo primeiro longa, foi convidado a retornar ao comando.
Com isso a expectativa era que "A Ascensão Skywalker" diminuísse o efeito Ryan Johnson e de brinde distribuir fan service.

Acontece que a vontade de agradar o público não pode cercear o ímpeto e a ousadia do autor. Infelizmente foi o que vi em "O Despertar da Força" (2015), filme que iniciou a história da catadora de lixo Rey, e agora com o desfecho da trilogia.
Abrams exagerou na mitologia da "Força", algo que sempre enxerguei como sentimento que amadurecia dentro do indivíduo, e transformou os Jedi em super heróis da Marvel.
Esse aumento de proporção tirou boa parte da aventura e investiu tempo e energia em mistérios pouco convidativos e lutas para encher os olhos dos fãs. É inegável que visualmente os filmes impressionam, mas quando o assunto é roteiro e desenvolvimento de personagens a coisa complica.
"A Ascensão Skywalker" sofre bastante nesses dois segmentos. O enredo se divide entre mimar os seguidores fiéis com referências ao material clássico, corrigir equívocos do filme anterior e finalizar a história. Recheando tudo isso você encontrará diversas conveniências de roteiro, soluções fáceis e milagrosas. É um festival de morre, mas não morre que só indica a falta de coragem da direção para tomar rumos mais arriscados. JJ Abrams vai sempre na bola de segurança.
Os principais nomes da nova leva de personagens sofreram com a falta de harmonia entre os três filmes. Finn será menos lembrado que o androide dourado C-3PO e Poe Dameron tinha potencial mas sempre estava fora dos melhores momentos.
Rey foi o destaque e não tinha como ser diferente. Enquanto na trilogia original as atenções eram bem divididas pelos heróis Luke, Leia e Solo, aqui Rey foi criada para não dividir o protagonismo. Todos os plot eram voltados para ela e exceto uma carona ali e outra acolá pela galáxia, a jovem resolveu toda batalha sozinha.
Já o vilão talvez seja o mais problemático. Kylo Ren (Adam Driver) é uma mistura de chiliques e indecisões. Imagino o neto do temido Darth Vader enfrentando o dilema de escolher as opções para o almoço no self service ou a cor que vai pintar o apartamento. Mais inconstante impossível.

Mas o filme é ruim? Não.
Então é bom? Hummm....Não é um desperdício de tempo, mas é um filme menor para o tamanho da franquia.

7.5

*Nos Cinemas