Welton Roberto

A VOZ E A VEZ DOS MEDÍOCRES

  • Redação
  • 14/07/2020 10:15
  • Welton Roberto

A VOZ E A VEZ DOS MEDÍOCRES

 

            Não me assustaria ou me surpreenderia se perguntado a algum ministro do atual governo qual a função do esqueleto, se a resposta viesse: “derrotar o He-man”. Para você que não sabe quem foi o referido personagem criado pela Mattel nos anos 80 sugiro que visite o google ou o youtube e se divirta um pouco. E tenho certeza que eles estariam respondendo a pergunta “na vera”! Sim, porque depois de fazer nevar no nordeste brasileiro e transferir a mata atlântica para a Amazônia, tudo virou normal no governo dos medíocres. Não falo por desprezo ou por vindita política, mas por triste constatação. Já se vão quase dois anos de estultices e perdições de uma nau sem rumo e sem objetivos, a não ser dar vez e voz a esta multidão de sombras e penumbras que começaram a normalizar a idiotice e a imbecilidade, onde a ignorância passou a ser virtude no meio dos comensais do absurdo.

Viramos piada internacional. Isso é fato, ainda que você não goste ou não admita! Sem esquecer, lógico, do velho toma lá dá cá, que ora voltou a ser a moeda de troca entre o governo e o famigerado “Centrão”!

E não tem cloroquina diária que cure a diarreia mental dessa turma!

            Relativizamos e banalizamos a falta de conhecimento e agora os fins justificam os meios, como em uma ética meia boca, à brasileira.

Os medíocres pedem ditadura militar, mesmo já tendo sido entulhado de militares os cargos estratégicos do governo, como se isso fosse remédio para a corrupção! Não sabem que historicamente os governos militares foram um fracasso no quesito “honestidade e transparência”. Não estudam, mas endossam a bandeira patriótica em seus corpos moribundos ávidos por censura, tortura e assim nos matam a todos de vergonha!

E que vergonha!

            Fraudar diplomas e títulos acadêmicos passou a ser normal e até defensável para um pretenso ex-futuro ministro da educação.  Mas o outro que assumiu esta condição defendeu que surrar crianças era pedagógico. Não me assombro se você que ora me lê esteja defendendo isso só para proteger seu mito de estimação. Para mim, tudo virou normal neste manicômio de zumbis onde o Queiroz foi encontrado na casa de um advogado “trambiqueiro” que nunca soube que ele esteve lá ou sequer o conhecia, mas a quem protegia para proteger o “capo dei capi ” – locução italiana para conferir a maior honraria para os mafiosos - na lógica miliciana da “rachadinha”, no diminutivo para dar ar de que é um “crimezinho” mesmoe daí ficar mais fácil para tomar com cloroquina!

Defender asneiras, negar a ciência, fazer arminha com a mão e colocar um “talkei” ao final de frases nonsense  virou cult e deu ar de superioridade aos medíocres que sem qualquer argumentação para qualquer pergunta sobre qualquer assunto, acham-se vitoriosos no debate encerrando a sua fala desconectada e desconexa de qualquer realidade para justificar o injustificável com o chavão “E o PT? E o Lula?”. Enquanto isso no Brasil do inverno nórdico nordestino e de 87% de “mata atlântica amazônica”(rindo), - em ascendente desmatamento, – segundo os ministros “doutores” do mito - contamos diariamente os defuntos em meio a uma pandemia sem precedentes e eles continuam justificando retoricamente as mortes para salvar a vã e teimosa justificativa de terem eleito um néscio para comandar um país.

Eu até compreendo que quiseram se vingar da “traição do PT”, mas escolheram a pior forma, pois se agarraram ao primeiro medíocre que lhes apareceu pela frente. E agora, o que fazer, doutor? Bom, agora é chamar o herói He-Man e esperar ele conjurar “pelos poderes de Grayskull” e gritar que ele tem a força para chegarmos vivos e sãos até o ano de 2022 com democracia! Até lá a vez é dos medíocres!

  

O INFERNO SÃO OS OUTROS

  • Redação
  • 15/06/2020 15:34
  • Welton Roberto
internet
nova linha do equador na visão do ministro da saúde

O INFERNO SÃO OS OUTROS

           

            Maceió, Hemisfério Norte da América, contorno do retorno do canto do fim da linha do Equador, de um Brasil que antes varonil, virou reduto da ignorância sistêmica de um povo que não foge à luta, só da escola, dos livros e da ciência. Toca o berrante, que o berro da ignorância já foi aturdido pela nova patuleia desvairada do “moet-chandon” que clama por ditadura, AI-5, cloroquina, invasão de hospitais, terraplanismo, mamadeira de piroca e outras ervas alucinógenas que nos envergonham para além das linhas neotropicais nórdicas.

            Reinauguro este espaço democrático no meio do imaginário pandêmico para tentar situar onde, como, quando e por que nossas escolhas nos trouxeram até este estado lancinante de absurdos. Não ouso trazer respostas prontas e nem ensaios fatalistas, mas provocações reflexivas para juntos tentarmos entender e conseguir buscar uma saída, reencontrar um fio de esperança humanística no meio do atoleiro de lama, intolerância, ignorância e incompreensão que se transformou o Brasil!

            Sei que neste momento muitos já devem estar me chamando de comunista, querendo que eu vá para a p... ops, Cuba ou Venezuela, ou mesmo ofendendo a minha ainda viva mãezinha cuja única culpa que carrega foi ter colocado no mundo um filho curioso por estudar, pesquisar e conhecer. Prazer, sou Welton Roberto, PhD em Justiça Penal Internacional pela Universidade de Pavia - Itália, Doutor em processo penal pela Universidade Federal de Pernambuco, Mestre em Direitos Fundamentais pela Universidade Federal de Alagoas, professor de Direito Penal e Processo Penal da Faculdade de Direito de Alagoas/UFAL (onde ainda estamos tentando descobrir onde se encontram os pés de maconha denunciados pelo “imprecionante” ministro da Educação - risos, desculpem os risos - ), advogado criminalista – sim aquele de porta de cadeia mesmo – escritor, e pai da Catatau, da Tyla, da Bia e do Lucas – meu quarteto mágico!

              Jean Paul Sartre dedicou boa parte da sua obra a escrever sobre liberdades.  E atribuía quase todas as angústias do ser humano à responsabilidade de sermos livres. Pois bem, este blog pretende ser livre e responsável. Tudo que aqui for publicado e reproduzido será fruto das escolhas ensaístas deste blogueiro curioso e feliz. Todas as reflexões e contribuições respeitosas, sarcásticas, irônicas e jocosas serão objeto de debate, venham de que lados vierem; do Hemisfério Sul ou do Hemisfério Norte, da esquerda ou da direita, do centro ou do $entrão, de todos os povos e cores e de todas as ideologias que respeitam a democracia, a dignidade do ser humano e a ciência, sim A CIÊNCIA!  Afinal, não possuo a capacidade de buscar no outro aquilo que não consigo encontrar em mim, por simplesmente não concordar que o INFERNO são os outros!  

 

Que bom estar de volta!

  • WELTON ROBERTO
  • 06/06/2020 12:48
  • Welton Roberto

Um pedido de desculpas pela ausência. Perdoem-me. Gratidão pelo retorno. Tá certo que em meio a uma profusão de sentimentos, de dores e superações, de derrotas e algumas vitórias, de um mosaico de tudo que a vida pode nos proporcionar. Volto ao CadaMinuto com o propósito do bom e franco debate de ideias e ideais. O blogue volta com novidades, mas com o mesmo estilo brejeiro de sempre. Aqui vamos discutir sobre tudo que nos cerca, política, esporte, justiça, religião, costumes, música, literatura, sexo, relacionamentos, família e o que mais nosso internauta estiver disposto a debater com carinho, respeito e sensatez! "Ben tornato", como dizem os italianos, mas bem sensato como me manda a maturidade dos cinquenta anos de vida! Amanhã já temos a volta do nosso "causo" MINUTO. Um fraterno abraço do WR! FIQUEM EM CASA! 

Um viva aos assessores parlamentares

  • welton roberto
  • 20/04/2016 11:51
  • Welton Roberto

O show de horrores patrocinado por nossos deputados federais, salvo raríssimas exceções, no domingo dia 17/04/2016, deixou o país perplexo e se não fosse a verve criativa e extrovertida do brasileiro, acredito que estaríamos agora pensando em como devolver tudo isso aos nossos "colonizadores". Não comento aqui o resultado, pois este pode ser explorado sob diversos ângulos, matizes e perspectivas se formos buscar uma racionalidade em seu conteúdo jurídico-político que envolve um processo de impeachment.

Fica aqui o comentário acerca da vergonhosa e continuada sessão de descalabros urdida na Casa Legislativa Federal. A imprensa internacional, de forma unânime, relatou perplexa aquilo que nossos olhos e ouvidos, principalmente, custavam a acreditar estar vendo e ouvindo.

O início do escárnio foi ver um senhor sem qualquer idoneidade moral ou envergadura ética comandar, impávido e colosso, o circo da cadeira da Presidência da Câmara dos Deputados. Depois disso, fomos constatando, minuto a minuto, que precisamos olhar com mais carinho para nossos votos quando se tratar do Poder Legislativo como um todo, pois quero crer que há uma cautela maior na escolha quando se trata, por exemplo, do Poder Executivo de forma geral: prefeitos, governadores e presidentes.

Foi um tal de "pela minha família, pelo meu netinho Bruno, pela minha cadela Clotilde, por Deus" e tantas outras fundamentações estapafúrdias que chegou uma hora que não importava mais o resultado, mas saber quem ia se superar nas idiotices e tolices que eram tratadas de forma litúrgica pelo insuspeito Eduardo Cunha.

Corruptos de toda sorte e ordem se revezavam nos discursos meteóricos da canalhice, mostrando aquilo que já sabíamos, mas que a realidade foi mais dura do que pensávamos. Além de desonestos, os nossos deputados federais, salvo, como já retratei, raríssimas exceções, são intelectualmente medíocres.E falo isso "pelo meu pai, pela minha mãe, pelos meus filhos, pelos meus alunos, pela minha cachorra Arthemis, pelos orixás, pelas plantinhas do universo e pela receita do quindim que acabo de receber das mãos de uma cozinheira amiga".  (risos incontidos) 

Da exaltação a um torturador, ao beijo esquecido mandado ao filho tardiamente, acredito que o cúmulo da hipocrisia e o "OSCAR" de deputado cara de pau , ficou com a cristã  Raquel Muniz (PSC), cujo marido é prefeito de Montes Claros/MG. Ao anunciar de forma frenética e orgásmica "SIM, SIM, SIM" e ao bradar que aquela sua euforia era pelo fim da corrupção, não sabia ela que seus desejos mais "inocentes" seriam atendidos.

Não sei qual o canal que ela tem com o divino, mas no dia seguinte, Deus atende às preces e ao convulsionismo eufórico dela, pois a faxina começou pelo próprio honestíssimo cônjuge-varão. A PF prende o sujeito por corrupção ao fraudar as verbas públicas de um hospital da cidade sob seu comando. 

Sobre os erros grosseiros e o assassinato triplamente qualificado do nosso vernáculo não ousarei comentar. Seria um escárnio e uma afronta aos meus amigos professores de Língua Portuguesa. 

Envergonhado e entristecido olhei para meus diplomas de graduação, mestrado, doutorado e PhD, olhei para os livros que escrevi sobre as normas jurídicas brasileiras, olhei para todas as resenhas de aulas dadas e das minhas peças jurídicas baseadas nas leis do meu país ao longo destes 25 anos de carreira e chorei profundamente.

E me perguntei por inúmeras vezes.

SÃO ELES MESMOS QUE FAZEM ESSAS LEIS?  

De repente um sobressalto de alegria me invade e enxuga as lágrimas de dor. Não, não podem ser esses dementes. Eles não conseguiriam escrever uma portaria de condomínio sem saber exato a noção do que estão fazendo.

Então, quem seriam os reais legisladores deste país?

E aliviado dei um viva a eles: OS ASSESSORES PARLAMENTARES!  Nossos salvadores da pátria e verdadeiros heróis da nação. 

Pelo meu pai, pela minha mãe, pelos meus amigos, pelos meus alunos, pelos meus cabelos brancos, pelos meus filhos, pelos meus cachorros, pela luz divina que "mialumia", pela salvação do planeta terra e pela PAZ MUNDIAL eu digo SIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM aos assessores parlamentares! 

 

   

Um Partido chamado Poder Judiciário

  • welton roberto
  • 27/03/2016 11:02
  • Welton Roberto

" Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a justiça se retira por alguma porta". François Guizot quando escreveu tal afirmativa na França no século XIX parece que falava do Brasil do século XXI. O ativismo judicial saiu das quatro linhas das quadras processuais e se apoderou da política nacional. Juízes militantes de uma causa perderam a vergonha e o pudor e começaram a dar sentenças para satisfazer seus desejos pessoais. Não importa mais a vontade da maioria do povo. Com uma "canetada" interferem no ato discricionário do Poder Executivo aportando teses de conveniência e oportunas às lides que ganham a força intimidatória com o poder da toga. 

E pobre daquele que ousar questionar o Poder Judiciário!

Eu ousarei. Para seu próprio bem e para nossa salvação, pois não existe harmonia fora do Direito e da lei. 

A toga hoje se partidarizou. Sem vergonha e sem rubor ela se encontra a serviço de uma casta. Sabemos que sempre foi assim, mas dentro de limites aceitáveis nas rinhas processuais que acabavam selecionando seus destinatários. Embora com efeitos mitigados, ainda guardavam o verniz da sensação de "justiça" que a permeava. Juízes hoje vão às passeatas, convocam simpatizantes para lá estarem, enviam notas de agradecimento, pedem adesão popular ao processo, vestem-se de uma cor, postam fotos nas redes sociais e depois, com a desfaçatez encarnada dos deuses que não podem ser questionados, sentenciam de acordo com "a causa", ao invés de sobriamente declinarem suas óbvias suspeições e claros impedimentos. E com a celeridade jamais vista. O povo brasileiro nunca viu um Judiciário tão empenhado e rápido em julgar "determinadas causas". 

As regras do jogo não existem mais. Dependem somente do arbítrio despótico da toga. E só. Grampos ilegais vazados contra a lei. Cito a lei 9296/96 que disciplina em seus dez artigos ser a interceptação telefônica a última forma de colheita probatória no processo. No caso da Operação "Vaza Jato" tem sido a primeira. E mais. Diz a lei que todas as interceptações que não tiverem qualquer ligação com a prova de um crime DEVEM SER DESTRUÍDAS. Neste caso foram DISTRIBUÍDAS E TORNADAS PÚBLICAS para o uso fora da linha legal do processo. E tudo isso patrocinado por quem deveria nos proteger. Mas o Partido do Poder Judiciário (PPJ) que hoje ganha adeptos e novos "filiados" teleguiados todos os dias perdeu o senso de responsabilidade. Segue o PPJ seu avanço. Onde isso vai dar? Nem eles sabem. Ou talvez saibam caso comecem a mexer com interesses de outras pessoas. Por isso alguns freios e seletividade na hora de aplicar a rapidez e senso de justiça. Ou de declarar PÚBLICAS determinadas "provas", vide a lista da Odebrecht, onde a Presidenta Dilma e o ex-presidente Lula nela não figuram. Por isso ficaram em segredo. E que segredo!    

A mim o Judiciário perdera a confiança. A imparcialidade era a sua nobreza. Hoje parte para o ataque estapafúrdio com a falsa ideia de que está "fazendo justiça".  

Desta forma vai ganhando adeptos militantes ao seu partido da toga. O cúmulo foi a recente pesquisa onde aponta um juiz federal como pretenso candidato a Presidente da República para 2018, tudo isso porque ele anda satisfazendo as vontades de uma elite que ainda não engoliu a derrota das urnas de outubro de 2014.

Não, já ficou claro que nada tem a ver com corrupção. Muito claro! 

À procura de um "Sassá Mutema" se conduzem os novos filiados e  parece que com isso vamos repetindo os erros históricos por faltar a esta "brava gente brasileira" um bom livro de História do Brasil, começando com o golpe de 1964. 

A justiça já se jogou da janela dos Tribunais, resta agora saber quando e onde vamos encontrá-la! 

A sentença mais rápida do mundo

  • welton roberto
  • 20/03/2016 08:09
  • Welton Roberto

Vocês sabiam que a cópula de um leão dura de 06 a 68 segundos? Já os elefantes e as baleias copulam no máximo em 30 segundos. O campeão das rapidinhas, no entanto, são os bonobos, uma espécie de chimpanzé, que levam apenas 13 segundos para  chegar ao nirvana sexual. Por falar em coisas ligeiras que só a velocidade da luz, o corredor Usain Bolt consegue correr 100 metros em apenas 9,69 segundos, o que não dá nem para começar a contar para a brincadeira de pique-esconde.

Seja na sacanagem divertida do reino animal, seja no mundo dos esportes, um fato inusitado esta semana  nos levou ao ápice da rapidez. Fora do mundo dos bichos e das pistas de corrida, um juiz federal conseguiu em apenas 28 segundos, ler uma petição inicial, fazer o estudo de todo o seu arrazoado, decidir pela melhor solução e escrever sua decisão e publicar no sistema de automação do Poder Judiciário de Brasília.

Espantoso!

O juiz mostrou que o Poder Judiciário Brasileiro, esse paquidérmico poder que, às vezes, e por muitas vezes mesmo, leva décadas para decidir questões relevantes, meses e anos para se decidir sobre a liberdade de pessoas presas injustamente, pode ser mais rápído do que a cópula do elefante.

Quase um bonobo transando, ou um Usain Bolt das pistas, o juiz provou que na hora de decidir quando o interesse e a conivência, ops, desculpem, a conveniência lhe são motores propulsores da razão, tudo acontece.

A culpa, meus senhores e senhoras, eu sei, é das estrelas! E bote estrela nisso!  

E tudo isso de forma imparcial! Tá não vamos acreditar que o juiz Itagiba Catta Preta seja parcial, longe disso. Só porque em seus perfis de redes sociais ele  postava e postava muitas fotos contra Dilma e seu governo com a sanha de poder voltar a viajar para Miami e Orlando, lá pras bandas dos Isteites! Não. O juiz, afinal, é um cidadão! O fato dele ter entrado para o Guiness do Anuário do Judiciário Brasileiro como a sentença mais rápida do mundo, impõe uma reflexão séria e profunda.

Que Judiciário é este?

Dilma vai sair, seu mandato vai acabar, tem prazo para isso. Outros presidentes virão. Sejam eles de esquerda, direita ou centro. Também sairão. Mas este judiciário vai permanecer.

E daí a reflexão precisa ser feita para que as garantias individuais, constitucionalmente conquistadas com muita luta, não acabem na velocidade do gozo dos chimpanzés.

Bom dia a todos e a todas!   

 

 

Existe amor por Maceió?

  • welton roberto
  • 27/02/2016 07:51
  • Welton Roberto

Tenho duas certidões de nascimento. Uma que registra a minha vinda ao mundo na cidade metalúrgica de Osasco/SP em 1969 e outra que registra minha declaração de amor à capital alagoana em 2010, quando me reconheceram cidadão honorário deste chão.

Nascer duas vezes é um privilégio. E nascer a segunda vez alagoano, pode-se afirmar que é uma dádiva. 

Não podemos escolher o lugar de nascimento. Esta opção é feita por nossos pais. Eu, não sendo filho biológico de Alagoas, fui por ela chamado, cooptado, enfeitiçado e, bem mais tarde, adotado. 

Resolvi presentear àqueles que eu mais amo neste mundo com algo que só os pais podem dar, além da vida, do nome e do amor: O LUGAR DO NASCIMENTO. Meus filhos seriam, por escolha minha, ALAGOANOS.

Do nordeste não sou, todavia, "estrangeiro". Filho de pais e avós paraibanos, aprendi desde cedo a entoar a Asa Branca como hino, a comer as iguarias no café da manhã, adotar os costumes e peculiaridades regionais, a sofrer, ainda menino, os preconceitos paulistanos contra os nordestinos e seus filhos ali nascidos na "meca brasileira".

Nunca liguei aos apelidos dado ao meu valoroso pai, um estivador arretado que trazia no sotaque e no formato da sua cabeça, a marca do povo sertanejo: "Baiano, Paraíba, Cabeça-Chata", e tantos outros que agora a memória me trai, eram os chamamentos dados a ele. Sinceramente, nunca liguei. Ao contrário, fui ensinado a ter orgulho das raízes da minha família. E sempre tive.

Aos 19 anos tive a oportunidade de conhecer Maceió. Naquele dia tive um sonho que parecia adolescente. Disse a mim mesmo que moraria aqui. Para sempre. Tinha escolhido, enfim,  nascer de novo. Não que rejeitasse a minha cidade natal e todas as doces lembranças da Vila onde nasci. Nasci na casa da minha avó Esmeralda. Tem lugar mais gostoso do que esse para nascer?

É que o coração adolescente me fez enamorado e me apaixonei sem sentir por Maceió. 

Quase 10 anos mais tarde o sonho adolescente foi concretizado.

 Vim para cá na adversidade. Aliás, quase tudo na minha vida me foi sempre adverso. Desde a concepção até este momento em que escrevo esse texto.

(tem gente torcendo o nariz até hoje pelo que faço, falo e combato, a eles, reforço, vou continuar assim, seguindo em frente, convicto de que sonhos não envelhecem)

Lembro-me  que eram tempos sombrios em Alagoas. Os funcionários públicos estaduais não recebiam seus salários há meses. Revolta popular contra o governo de Suruagy-Mano. O comércio acabado. FHC Presidente do Brasil.Desemprego, fome e miséria no nordeste. Alagoas arrasada.  De lembrar arrepia até os cabelos da alma.

Crise era aquela! E que crise! 

Meus pais e meus amigos de São Paulo, e a família de minha então esposa alagoana, rezavam, faziam promessas todos os dias para que eu desistisse e voltasse para São Paulo, pois lá, na "meca brasileira", meus futuros filhos teriam mais chances. Alagoas estava condenada ao cadafalso, à escuridão, às sombras eternas.E eu estaria condenando meu futuro de jovem advogado promissor a um nada, à miséria.

Mas eu já contei a vocês que sou teimoso? Não? Pois, bem, deixa eu dizer. EU SOU TEIMOSO PRA DEDÉU! 

Tal como paixão que arde sem doer, não deixaria que ninguém tirasse de mim a vontade de "nascer alagoano". Resisti.

Aprendi que tínhamos, e ainda temos, um problema central e profundo: nossos políticos. Que se aproveitavam, e até hoje se aproveitam, de outro grande problema: nossos eleitores despolitizados.

Mas não eram só esses os problemas que depois me viriam a ser cordialmente apresentados. A capital mais linda do planeta Terra escondia suas mazelas. Mas já era tarde demais para mim. Uma vez apaixonado, nada me convenceria de que este pedaço de chão me fazia sentir seu e ele meu, para sempre, e até o fim. 

Mais problemas foram sendo descortinados a cada dia, para atender às preces dos meus familiares.

Apelaram pra tudo, jogo de búzios, cartomante, tarô, novenas, trezenas e o que mais o sincretismo religioso pode oferecer aos "desesperados em busca de um milagre".

Um judiciário "super-família", foi sendo percebido por mim, se é que me entendem. Precisava aprender os sobrenomes rápido para não cometer algumas "gafes".  

As rezas e as promessas para todos os santos aumentavam por parte da minha família. O milagre para eles parecia mais incrível que os 7x1 da Alemanha! 

O louco teimoso resistia a cada investida e acada tropeço na terra dos caetés. 

Iria nascer alagoano. Iria ser maceioense, nem que isso me custasse a única vida do chão metalúrgico que me deram.

Ia perdendo o sotaque paulisssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssta, ufa! Uma das vezes que voltei para lá, me disseram que eu estava mais nordestino do que nunca. Não sei se aquilo foi uma chacota, mas a tive como o maior elogio até então.

Fui aperfeiçoando meus estudos, mestrado, doutorado,  Phd na Itália, e levando comigo o "alagoano" como origem. Em Pavia, na Itália, por exemplo, todos conhecem maceió de tanto que eu falava. Aprenderam que o Brasil não se resumia a RJ-SP. Na OAB, fui conselheiro federal POR ALAGOAS. Todos os meus livros publicados registram ser de um autor "alagoano". Para o preconceito do mercado nacional. E para meu deleite!  

Hoje, já alagoano adaptado, ainda entoo loas à minha cidade de adoção. Maceió é linda. Maceió é encantadora.

Todavia, resolvi combater o bom combate contra as suas mazelas. Resolvi sair da minha zona de conforto e tal qual aquele sonhador quixotesco que vai de encontro aos moinhos de vento, achei que era hora de enfrentar os políticos no ringue deles, com as regras deles, mas com a única coisa que até agora não conseguiram me vencer: MINHA TEIMOSIA CORAJOSA!

E você que também ama Maceió, que vivencia seus problemas cotidianos, que sabe das falcatruas históricas  de sobrenomes pomposos, pode ficar aí, contemplando e cantando que Maceió é sua sereia e se acomodando em ser garfado a cada pleito eleitoral e se deleitando com os escândalos nossos de cada dia, ou pode empunhar seus sonhos e ir à luta.

Qual será a sua escolha? 

Vamos renascer, ALAGOANOS E ALAGOANAS! 

Outra Maceió é possível. E NECESSÁRIA! Eu acredito.

Teimosamente acredito.

 

   

Passe Livre, por que não, Maceió?

  • welton roberto
  • 23/02/2016 08:24
  • Welton Roberto

Assim como diversas capitais do país, acredito ser possível a implementação do passe livre para estudantes de baixa renda na capital alagoana, considerando-se aqui baixa renda a família que não ganha valores superiores a R$1.182,00 (um mil cento e oitenta e dois reais).

Os valores absurdos da passagem dos coletivos urbanos em Maceió para fazerem trajetos considerados pequenos ainda é desafio paraos nossos gestores. Convenhamos, R$3,15 (três reais e quinze centavos) é um assalto!   

Debate público acerca do tema seria possível e necessário. Aliás, acredito piamente que outra Maceió é possível e necessária.

E urge debatermos nossa cidade. Vejo muita gente engajada em encontrar solução da paz no Líbano, dando receitas de economia para solucionar a crise da bolsa de valores na China, falando de como consertar tudo em passes de mágica que fico estupefato com tantos "gênios tudólogos" e me ponho a pensar: "nossa, quanto talento desperdiçado".

Enquanto isso a Fernandes Lima continua um caos. Nossas praias cada vez mais poluídas, a violência batendo nas nossas portas com "trocas de tiros" a toda hora e instante entre "mocinhos e bandidos" em um bang-bang urbano nunca antes visto na história da cidade. 

Nossos gênios, contudo,  continuam a desfilar conhecimento em física quântica, na energia do átomo, nas teses milagrosas de economia e em soluções tipo "miojo", rápidas, práticas e em apenas três minutos.

Ninguém coloca a mão na massa para os problemas reais e cruciais da cidade. Afinal, é nela que estamos inseridos, é nela que passamos nossos dias e noites. É no trânsito, nas escolas, no trabalho, em casa, que vivenciamos nossos problemas e precisamos buscar soluções.

E o passe-livre? Sim, entendo ser possível. Pelo menos para os estudantes de todos os níveis de baixa renda em nossa capital. 

São Paulo já o fez. Outras capitais seguem o mesmo modelo e padrão. O transporte público e gratuito para os estudantes precisa vir à tona e virar debate municipal, precisa entrar na nossa lista de prioridades. Precisa se realizar. Sair do sonho dos jovens que têm muitas vezes de escolher entre ir à escola e comer.

Aos zumbis paneleiros que desde outubro de 2014 não sabem fazer outra coisa, a não ser colocar energia com protesto contra a Presidenta Dilma, gastando, e algumas pessoas fazendo, pequenas fortunas nisso, sim, tem gente fazendo disso meio de vida, arrecadando dinheiro, "doações", vendendo camisas, fazendo bonequinho inflável, patinho e o não sei o que mais lá, convido-os para conseguirmos solucionar um problema real e que está a nosso alcance: DEBATER O PASSE LIVRE PARA OS ESTUDANTES DE BAIXA RENDA!

Tá, eu sei que os filhinhos de vocês vão pra escola de motorista e carro importado, mas se querem mesmo um lugar melhor para todos, comecemos por nossa cidade!

Convite feito, sem rancor e com amor no coração! 

Analisei o projeto que depois virou lei em São Paulo e que hoje é realidade. Aliás, lá o prefeito Fernando Haddad (PT/SP) estendeu o passe livre para pessoas desempregadas enquanto buscam empregos, demonstrando que com boa adminstração e vontade é possível e necessária transformar a realidade das pessoas que vivem na cidade.

Pergunto: Por que não em Maceió?

Passe Livre, por que não? 

Segue o link acerca da lei que instituiu o passe livre há mais de um ano na capital paulista. Importemos, pois, também este modelo. 

Nem só de bonquinho inflável vive o homem! 

Passe Livre Já! 

Bom dia a todos e a todas! 

http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/5209

 

 

 

Novos poderes aos advogados no inquérito policial?

  • welton roberto
  • 15/02/2016 12:05
  • Welton Roberto

Que o inquérito policial como é praticado no Brasil nos dias atuais é caduco e não agrada a mais ninguém, isso não é novidade. Este aleijão jurídico, resquício do sistema inquistorial e totalitário do século XIX, ainda insiste em desafiar as novas tecnologias e os valores constitucionais arraigados na Carta Magna de 1988. 

Hoje, nem delegados, promotores, juízes ou advogados conseguem ver neste monstrengo algo que traga celeridade, certeza e justiça aos jurisdicionados. O projeto de reforma do Código de Processo Penal, que lamentavelmente dorme em berço esplêndio no Congresso Nacional, traz mudanças significativas para todo o sistema penal no Brasil. Reformas necessárias e que se demorarem mais, já nascerão obsoletas e inúteis.

Pois bem, enquanto isso não acontece, os retalhos vão sendo feitos na vã e tola tentativa de trazer ao inquérito policial um pouco mais de utilidade. O último destes aconteceu em 12 de janeiro deste ano, quando a Presidenta Dilma Rousseff sancionou a lei 13.245, alterando alguns dispositivos do Estatuto da OAB, ampliando algumas prerrogativas dos advogados frente ao antiquado e arcaico instrumento de investigação policial.

Comemorado pelos advogados, principalmente pela lenta e sonolenta OAB, como revolucionário e altivo, lamento colocar água no chopp dos colegas.

As alterações tímidas não conseguirão nos colocar no patamar necessário de paridade de armas dentro do sistema inquisitorial investigativo como defendo desde 2012, quando trouxe da Itália estudos neste sentido, apontando os caminhos de uma verdadeira forma de empoderar os advogados com habilidades defensivas durante a investigação. Explico.

As principais alterações legais foram as seguintes, verbis:

 

"O art. 7o da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), passa a vigorar com as seguintes alterações: Ver tópico

“Art. 7o .........................................................................

.............................................................................................

XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

.............................................................................................

XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:

a) apresentar razões e quesitos;"

 

Em uma sucinta análise, já se verifica, de início, que a participação do advogado continuará como sendo a de convidado de pedra no inquérito, posto que a alteração fala em assistir o investigado durante um único ato probatório, que é o de seu interrogatório. Mas a indagação seria? Que tipo de assistência? Poderá o advogado fazer perguntas ao interrogado e demais testemunhas que forem ouvidas, desde que tais depoimentos sejam decorrentes daquele ato produzido pelo investigado? Teria o arrazoado do advogado vínculo requisitório, obrigando a autoridade policial a atender seus pleitos? A meu ver, não. A alteração tímida não deixa clara a forma de assistência. Garante a presença e tão só. E isso já nos era garantido pela Constituição Federal.

Como disse: CONVIDADO DE PEDRA. E assim continuaremos ser. 

O fato de podermos tomar notas e apontamentos de caderno probatório já inserto nos autos do procedimento já era objeto de súmula vinculante do STF - SÚMULA VINCULANTE 14 - , o que, quem atua no segmento sabe que tínhamos que manejar inúmeros mandados de segurança contra delegados de polícia que se nega(vam) a nos dar "vista" do que eles secretamente investigaram. Isto vem se repetindo diuturnamente também com promotores investigadores. 

É um trabalho desgastante demais estar manejando ações judiciais (em um judiciário nem sempre célere) para termos acesso àquilo que já nos seria de direito pela determinação constitucional. As refregas intensas desgastam o relacionamento de urbanidade e respeito que deveriam e devem ocorrer entre delegados, promotores e advogados nesta quadra de investigação policial e ministerial.

Lembro-me de uma vez que um assessor na Polícia Federal tentou me impedir de assistir a uma simples coletiva de imprensa que os delegados iam dar quando me identifiquei como advogado dos investigados. A confusão foi grande e ali fiquei aguardando a "ordem de prisão" contra a minha pessoa. O bate boca foi grande, "venci" com a promessa de que "da próxima vez" .... 

Na verdade sempre fomos considerados intrusos no inquérito policial, aquele que vai ali para atrapalhar todo o trabalho "ético, correto, justo, INFALÍVEL e honesto" da investigação.

Defensores de bandidos, assim por tantos também chamados. 

Enfim, a lei está aí, nos dá alguma dignidade mas nos esvazia de poderes requisitórios que seriam necessários para nos trazer à condição paritária dos promotores públicos que hoje atuam livres e senhores de quaisquer investigações, inclusive sendo autônomos em suas conclusões e respostas ao desafio investigativo.

Que a paridade de armas seja o objeto de nossa luta nos procedimentos policiais e ministeriais. Aí sim poderíamos, nós, os advogados criminalistas, comemorar com Chandon e Veuve Clicquot (é assim que se escreve? - risos) a revolução legislativa da isonomia entre MP e defesa.

Por enquanto, bota água no chopp e vamos fingindo que somos "poderosos" com nossa carteira vermelha de dignidade alguma perante ao mais raso fardado a quem a lei nos impõe chamar de "autoridade". 

   

 

 

Causominuto: Só é dono quem registra

  • welton roberto
  • 14/02/2016 09:16
  • Welton Roberto

Maternidade São Arcanjo. Quase cinco da tarde em um dia quente pra dedéu. Doutor Apolinário Pintasilgo, médico de plantão, já tinha trazido ao mundo mais de 5 bebês aumentando a população da pacata cidade de Xerem do Coité, quase 10 anos luz de distância da capital. A explosão demográfica naquela época do ano tinha uma razão: a festa da PADROEIRA nove meses atrás, coisa de milagre mesmo, diziam as beatas em oração. Era possível ver um desfile de mulheres buchudas em todas as esquinas da cidade. Alguns diziam que era a água de cacimba retirada do novo poço construído pela prefeitura que tinha efeito milagroso; outros apontavam a chegada do novo pároco que passou a abençoar os casais de namorados toda vez que iam à missa dominical como o responsável pelo crescimento das barrigas na cidade.

As versões eram variadas e corria a boca miúda que a cidade tinha propensão para fertilidade. Romeiros de todos os cantos chegavam para pedir bênçãos para que pudessem ser vférteis também.

Ninguém falava nada sobre a "rodovia do amor", rua escura  que vivia entre sussurros e gemidos após às 18 badaladas do sino da paróquia.    

A cidade crescia em habitantes e visitantes de forma assustadora. Toda semana era casório,festa e romaria. 

Resolveram batizá-la de "Cidade do Amor". 

O comércio teve uma enxurrada de lojas de produtos para recém-nascidos. O prefeito já enxergava futuros eleitores e um acréscimo no FPM do município, já tinha até pensado em ir à Brasília com os deputados que ele acreditava ter ajudado eleger nas últimas eleições para pedir mais verba para o município. Era a propseridade em vida chegando na cidadezinha do amor e das parideiras.

Doutor Apolinário estava exausto, mas nada seria mais surpreendente do que aquele próximo parto. A mãe entra em desepero na antesala para as avaliações de praxe, equipe médica de prontidão, ele começa a fazer os procedimentos para os encaminhamentos, chama o anestesista plantonista, comunica a enfermeira-chefe, que também estava grávida e dali a algumas semanas seria a próxima a parir, quando um senhor pede para conversar reservadamente com o médico antes do nascimento do futuro cidadão xerem-coitense.

- "Dotô, meu nome é Emanoel, sou marido de Gertrudes que acabou de chegar pra parir eu quero assistir o nascimento do meu filho", disparou ele de forma ligeira e coçando a cabeça em um gesto de nervosismo, angústia, aflição e medo. 

Doutor Apolinário prometeu analisar o pedido e iria ver se ainda tinham roupas higienizadas para que o pai acompanhasse aquele momento único.

Ao voltar para a sala de cirurgia comunica à gestante, uma senhora franzina, cabelos desgrenhados, olhos esbugalhados e a pele queimada pelo sol,  que seu marido estava lá fora e queria a tudo assistir. Naquele momento a buchuda urra um "Nãooooooooooooooooooooooooooooooooo" sofrido e desesperador que assusta a equipe inteira que, pensando que ela estivesse entrando em trabalho de parto ou coisa do gênero, correram para cima dela.

Usando de força descomunal, a buchuda pega na beca do Doutor Apolinário e lhe implora pelo que fosse de mais sagrado que ele não permitisse a entrada do seu marido naquela sala. Ele a acalma e sem pensar muito volta na sala onde se encontrava o marido dela e lhe comunica que infelizmente não existiam mais roupas higienizadas devido ao número de nascimentos ter superado a expectativa de todos naquele dia. Pede que o pai aguarde e que em menos de 30 minutios o seu filho e a sua esposa estariam ali para  poderem comemorar em família.

Suando mais que tampa de marmita, o médico volta para a sala quando verifica que será mais um parto cesariano, solicita ao anestesista que comece o trabalho para a sedação da paciente e mais uma vez é interrompido:

_ "Doutor, tem um senhor lá fora querendo entrar para ver o nascimento deste bebê" - informa a enfermeira, também buchuda e já impaciente.

_ "Eu já avisei a ele que não temos roupas" - retruca o suado médico, também já impaciente pela demora no início dos trabalhos e pela chegada de mais 4 buchudas em menos de 30 minutos na maternidade. 

_" Ele insiste em falar com o senhor e ameaça invadir a sala" - alerta a enfermeira.

Neste momento a buchuda volta a implorar que não o deixe entrar. Doutor Apolinário pede ao anestesista que aguarde mais um pouco e vai lá fora tentar convencer o senhor para aguardar sem trazer maiores problemas.Já pensa em chamar a polícia. O calor aumenta dentro da maternidade com tanta buchuda e gente chegando sem parar.

Ao chegar na sala, assusta-se. Não era o marido da buchuda que estava ali que insistia em entrar na sala de parto. Sem muita paciência, indaga:

_" Quem é o senhor?" 

_"Sou Pedro Messsias,  o pai da criança" - responde secamente o homem que se postava em pé e pedia para ver o nascimento de seu filho. 

_"Calma, aí, de que criança nós estamos falando?" retrucou o médico.

_"Dessa que o senhor vai fazer o parto. Sou o pai da criança." - responde secamente o homem.

Doutor Apolinário pede que ele se identifique e vai até a sala de parto para saber se se tratava da mesma buchuda cujo marido estava no corredor aguardando o nascimento de seu filho.

Pimba, para surpresa de todos, era ela mesma! Um marido e um pai disputando o minúsculo espaço para assistir o parto daquele bebê. 

_" Doutorrrrrrrr, nãoooooooo deixe ele entrar também, não, ele é o pai da criança..." sentenciou maliciosamente a buchuda com ares de empodaremernto e dominação da espécie feminina sobre aquela dupla de machos que se encontrava à espreita do grande acontecimento.  

A enfermeira-chefe, também buchuda sorriu e alertou, que além de nascimento ia ter confusão quando Doutor Apolinário aparecesse sorridente com o bebê nas mãos e fosse entregar ao pai...ou ao marido, ou aos dois!

Silêncio sepulcral tomou conta da sala e o anestesista rindo - desgraça com os outros é sempre refresco pra gente - perguntou se sedava ou não a buchuda danadinha.

Doutor Apolinário pede para que todos esperem ali e vai ao encontro do cidadão que seria o pai da criança e usa o mesmo argumento da falta de equipamento de higiene e pede que ele aguarde em outro lugar, que não o corredor, pois ali já tinha gente demais. Por precaução chama o segurança da maternidade e avisa que alertasse o delegado da cidade para uma eventual tragédia.

Suado e angustiado com o que poderia vir a ocorrer, o médico determina que a maternidade separasse um quarto para aquele bebê e para a buchuda danadinha.

Delegado avisado, polícia de prontidão na maternidade, buchuda já com contrações fortíssimas, pai e marido em lugares separados, ele dá a deixa para o anestesista começar a sedação. A buchuda danadinha, ainda antes de ser anestesiada,  pisca para o médico e sorri sarcasticamente. Ele devolve o sorriso e inicia o parto. 

Às 18h24min  vem ao mundo um lindo meninão, 4,200Kg, nota 10 em Apgar, careca, esfomeado e com a cara do... começa a sua vida na então pacata Cidade do Amor.

Doutor Apolinário, após os cuidados iniciais com o bebê leva para onde se encontrava o pai, mostra o garotão de longe, faz um sinal de positivo e o encaminha rapidamente para o quarto separado especialmente para a ocasião a fim de que também o apresentasse ao marido. 

O marido da buchuda danadinha ao receber o garotão no colo, chora emocionado e diz:

_"Vai ter o nome do pai" .

 

E naquele dia, na Cidade do Amor, foi registrado no cartório  o nascimento de Emanoel Epaminondas Gaia Junior.

Juninho, para os íntimos, dali em diante. 

 

    

    

Na Hora H

  • welton roberto
  • 12/02/2016 13:17
  • Welton Roberto

Já caía a tarde quando ele adentrou serenamente em meu gabinete. Havia pedido para me conhecer por uma pessoa amiga que me contara um pouco de sua história de superação, sem dar os minudentes detalhes de como conseguira chegar até ali.

Roupas simples, fala modesta e tranquila estendeu-me a mão trêmula e agradeceu inicialmente ter sido recebido. "Disseram que o senhor poderia me ajudar" - disparou o jovem para iniciar nosso diálogo. Respondi que o que estivesse a meu alcance e limites estaria disposto a fazê-lo, sem ainda saber de que maneira seria a minha ajuda. 

O jovem "H" (aqui deixarei só a inicial de seu nome para preservar sua identidade, posto que sua história é digna de compartilhamento) começou então a narrar  seu sonho árduo e difícil: ser médico. Parei tudo para ouvir atentamente cada pedaço deste enredo que tinha tudo para ser trágico, não fosse este sonho que ele ainda alimentava por alguns anos.

 Filho de uma prostituta e de um assassino, como ele mesmo relatara, não conheceu o pai, posto que também houvera sido vitimado pela mesma violência que praticava habitualmente. No registro só o nome da mãe. Tinha um irmão com deficiência auditiva que também fora fruto das atividades sexuais da mãe, sem pai conhecido. Contava ali com apenas19 anos e queria tirar a mãe daquela profissão. Tinha sido aprendiz em um hospital na capital alagoana. Ser médico era o sonho que alimentava a sua esperança de uma guinada na vida de todos. Vítima de maus tratos por parte de seu avô materno, chegara a capital alagoana de improviso. Tios ligados ao mundo do crime, tinha tudo para cair na malha da violência pelo destino reservado aos seus e àqueles que o rodeavam.

Seguiu outro caminho. Aos trancos e barrancos conseguiu concluir o segundo grau.

Mas o dinheiro era tão pouco que muitas vezes tinham que escolher entre pagar o aluguel, a conta de luz ou se alimentar de forma digna. A atividade da mãe não lhe rende e nunca lhe rendeu grandes coisas, e segundo ele, ela não tem como mais sair deste círculo vicioso a não ser por um milagre.

Talvez seja ele o milagre, pensei. 

Sem dinheiro para transporte fazia longas caminhadas para chegar a seus destinos. Perdera o contrato de jovem aprendiz com o hospital porque este vencera seu prazo e não poderia mais ser renovado. Sem muitos livros próprios e atualizados fez o ENEM para ingressar na universidade pública e conseguiu tirar a nota 710, tendo alcançado 960 na REDAÇÃO,  alta para qualquer curso de Direito, Engenharia, mas baixo para um sonho que permanecia latente consigo: ser médico.

É praticamente um autodidata, pensei novamente comigo mesmo.

No seu contínuo e alentado relato me disse ter tido ajuda de um cursinho da cidade, mas perdera a bolsa em menos de dois meses pois não tinha como chegar pontualmente nas aulas, devido sua absoluta falta de condição de fazer longos caminhos e muitos destinos em uma só manhã, ou tarde. 

A riqueza e a minudência nos detalhes de como tudo se desenrolara com ele tocou-me profundamente.  

Chorei silenciosamente várias vezes com todo o relato. Em desespero comecei a pensar de que forma poderia ser a minha ajuda. Mero paliativo não serviria.

Fiquei pensando porque ele me escolhera para tratar de tamanha narrativa de superação e achar que eu poderia ajudá-lo.

Sem titubeios topei apadrinhar este sonho do jovem H e mais, achei que outras pessoas em grau de vulnerabilidade social também poderiam ser beneficiadas se criássemos um projeto para arrecadar livros didáticos, ajudar na concessão de cestas básicas à família e auxílio ao transporte a tantos jovens que, por vezes, são arrastados pelo destino das drogas, da violência ou da prostituição.

A meritocracia nunca vai me convencer do contrário enquanto as oportunidades ainda forem negadas a tantas pessoas!

Recorri às redes sociais e encontrei o amparo de guerreiros solidários que de imediato ofereceram muitos livros ao jovem H. Conseguimos, através da bondade da professora Luciana Ebrahim, que ele fizesse várias matérias isoladas e estamos hoje desenvolvendo juntamente com o professor Tainan Canário um projeto para preparação de pessoas em estado de vulnerabilidade social para o ingresso nas universidades públicas país afora.

Aprendi, desde cedo, que a maior revolução que podemos fazer contra o sistema é estudar, e muito. 

Meus filhos adolescentes, Lucas e Bia, entraram de cabeça no projeto e hoje estamos arrecadando muitos livros de pessoas que já alcançaram o sonho universitário e não se utilizam mais de livros e apostilas preparatórias. Em menos de 10 dias as coisas estão crescendo. Já temos mais de 400 obras para doação a jovens que não possuem condições de adquirir livros específicos para o ENEM.

A solidariedade é contagiante.

O jovem H ao sonhar com tanta força, fez outros sonhos também aparecerem e hoje nosso projeto NA HORA H (batizado por mim ainda de forma precária), começa a engatinhar, arrecadando livros, cadernos, canetas, lápis, cestas básicas e identificando jovens em situação de vulnerabilidade social que pretendem ser futuros médicos, dentistas, engenheiros, juízes, advogados, arquitetos, veterinários etc.para um suporte contínuo e motivacional.

Compartilho com meus leitores este projeto e me coloco à diposição de toda sexta-feira relatar outras histórias de superação e solidariedade através deste espaço democrático para que o vírus da solidariedade alcance todos os corações e almas viventes.

Boa sexta-feira aos amigos e amigas!   

Fazendo mal aos maus

  • welton roberto
  • 11/02/2016 06:39
  • Welton Roberto

A provocação surgiu de um texto do filósofo inglês A.C Grayling em sua coluna no jornal inglês "Times" e resolvi tentar responder a este questionamento. Afinal, até que ponto é aceitável fazer coisas ruins a pessoas más? Até que ponto a sociedade atual absorve condutas retributivas como se naturais fossem quando o destinatário da maldade é uma pessoa perversa, ruim, má?

Afinal, bandido bom é realmente bandido morto? Qual bandido? 

A vilania só é aplaudida nas novelas e nos enredos literários? Existem bandidos realmente bons? 

E se for aceitável a prática do mal para os maus não estaríamos nos transformando então na maldade que combatemos? E quem combateria então a nossa maldade? Existiria um limite para a nossa maldade versus a maldade dos outros?

Percebe-se que do questionamento inicial de Grayling tantos outros surgem e nos fazem refletir sobre nossa atuação de atores sociais em várias matizes, como pais, filhos, amigos, profissionais, seres políticos, educadores,religiosos, juristas, desportistas e tantas formas de se relacionar com o meio em que vivemos e com os outros em um tecido social cada vez mais complexo e cheio de desejos e vontades distintas.   

Alguns dos soldados britânicos no Afeganistão mantinham em seus bonés a frase "fazemos coisas ruins com pessoas más" como uma justificativa para os atos que praticavam contra os seus supostos inimigos. Políbio já dizia que o ser humano era mal por natureza, portanto a maldade seria uma qualidade humana.

Sob o ponto de vista da moral comum, a frase "não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você" passa a ser um limite aceitável, embora relativo, acerca da compreensão da maldade aos maus.

Será mesmo? 

Os cristãos combateram estes aforismos partindo da ideia de que  oferecer a outra face é destruir a maldade através do amor, da resistência pacífica para que não se transformem naquilo que tanto combatem. Tal prática, embora aplaudida, é deveras difícil em ser observada e realizada, afinal o desejo de vingança é tão forte quanto o desejo de justiça e muitas vezes se confundem em semânticas nada parecidas. 

Nada mesmo! 

Os revolucionários pacifistas como Ghandi e Martin Luther King conseguiram resistir à violência através da luta pacífica, embora possa parecer antagônico que a paz consiga vencer a violência sem se utilizar da própria violência como antídoto, pois a tentação de não partir para o revide seja quase incontrolável em todos aqueles que sofrem e padecem sob a conduta má. Todavia, referidos líderes nunca deixaram de partir para o revide, ao contrário, revidaram com revoluções pacíficas e conseguiram atingir seus objetivos sem se transformarem naquilo que combatiam.

Afinal, ao fazer mal a pessoas más estaremos ou não sendo tão maus quanto o mal combatido? E até que ponto o limite da maldade poderá ser controlado em nós mesmos e nos outros?

E você o que deseja ao mal que combate? Revide? Vingança? Justiça? 

Pense nisso! Forte abraço.

Tenhamos todos uma excelente quinta-feira.

 

 

 

 

 

  

Para tudo acabar na quarta-feira?

  • welton roberto
  • 10/02/2016 10:18
  • Welton Roberto

Fantasias e alegrias à parte, o carnaval acabou. Mais um. Reza a lenda que o ano brasileiro tem início agora. Talvez assim realmente o seja.Quase tudo fica para ser decidido ou resolvido "depois do carnaval". Aquelas velhas promessas de ano novo também, tudo para depois da festa de momo. Por isso este aprendiz de blogueiro volta a escrever neste espaço democrático  de ideias e ideais, também depois do carnaval.

A ingrata quarta-feira de cinzas nos chega sorrateira lembrando que a realidade cotidiana é de carne, osso e nervos, nervos de aço, por vezes. O brasileiro conseguiu brincar e viajar (35% de voos domésticos a mais do que o mesmo período momesmo de 2015) apesar da guerra que se estabeleceu neste país desde outubro de 2014, quando parte de uma elite raivosa ainda não aceitou o resultado das urnas e continua no choro infinito sem saber porquê. 

Aqui a música que me remete a esta turma é o "Mamãe eu quero..." composta em 1937 por Vicente Paiva e Jararaca. E a gente tem que ter uma chupeta gigante para esta turma parar de chorar... (risos carnavalescos, ainda é tempo!) 

Em Alagoas, mais precisamente sua capital, Maceió,  berço esplêndido dos não-foliões - há controvérsias -, a rede hoteleira comemorou quase 100% de ocupação, apesar dos "pesares". 

Apesar do mau humor de parte da elite raivosa, precisamos seguir em frente. Precisamos traçar as metas e alcançá-las, afinal o capitalismo tupiniquim nos exige dedicação, trabalho e resultados, todos com sucesso, é claro.

A meritocracia "deles" não admite fracassados.

Somente os paneleiros gourmet têm tempo a perder com suas batidas desencontradas, fora do ritmo e sem razão. Nós, os trabalhadores e trabalhadoras de Alagoas, do Nordeste, do Brasil, temos uma tarefa e uma agenda extensa e árdua a cumprir.

Na crise se exige maiores desprendimentos. Não e não me venham dizer que o mundo inteiro está vivendo a mil maravilhas e que a crise é só nossa. 

Desde 2008 que não é.

A crise capitalista ocidental, cíclica, como explicam os economistas de ocasião, está inserida no mundo globalizado. E já faz tempo.

Mas o blogue não vai tratar disso agora. Não neste momento de lamúrias por mais um carnaval terminado.

Não nesta quarta-feira ingrata.

Não com alguns amigos internautas ainda tentando tratar da ressaca destes quatro dias de folia.Não depois das viagens e do exagero na gastronomia e nos festivais etílicos.

E nenhum destes por culpa do malvado Estado Opressor!  

Por ora, este aprendiz de blogueiro ainda escuta as batidas dos tamborins na esperança de que o ano de 2016 seja um ano diferente, de felicidade renovada e de realizações planejadas. 

Afinal é, mais uma vez, ano de eleições! E temos a chance de mudar tudo, ou não mudar nada! Mas temos a democrática chance de ainda poder escolher...  

Aos amigos e amigas que aqui nos acompanham, a saudade era grande. Estamos de volta! E se o ano começa realmente agora, Feliz vida e ano novo! 

Até amanhã...

 

 

 

O tempo da Bia

  • welton roberto
  • 20/07/2015 11:38
  • Welton Roberto
foto by Maivan Fernandez
Chegada da Corrida da Superação

A vida começa aos 40! É o que todo mundo diz! Cabelos grisalhos despontando e com 80 quilos mal distribuídos em um corpo de 1,68m lá fui acreditar no adágio popular. A vida começava ali. Ou não! Sedentário nunca havia sido. Esporte sempre fez parte da minha vida desde a infância: futebol, judô, atletismo, basquete, vôlei, de tudo eu praticava um pouco. O futebol me compreendeu melhor. Consegui ser selecionado para jogar no infanto-juvenil do Palmeiras, clube do coração desde que me entendo por amante da pelota!

Mas por pouco tempo.

A transferência do meu pai para a cidade de Santos/SP como cabo da Marinha do Brasil me tiraria o sonho de ser jogador pelo Palmeiras e em outro clube eu não jogaria nem a pau, Juvenal. Acho que todo pivete que vem de família pobre e não tem pais, tios, avôs e avós formados tem no esporte a sua válvula de escape. Foi o meu caso.

Depois me apaixonaria por futsal e a para a seleção santista consegui pegar um banco de reservas. Mas o trabalho me chamara cedo para a dura realidade e o esporte foi sendo colocado em último plano. Dos 19 anos aos 39 anos só uma aventura pelo mundo das artes marciais me tiraria do sedentarismo. Kung-Fu por 01 ano inteiro. E mais nada.

A “DOLCE VITA” sedentária é viciante!

Porém, foi num fatídico jogo de futebol recreativo no dia dos pais na escola da minha filhota Tyla que o farol vermelho acendeu. Não consegui jogar nem 5 minutos e a vergonha na frente da filha me fez repensar tudo. Tinha 39 anos de idade, trabalhava como advogado, era professor de 03 faculdades em Maceió, estava no meio de um doutorado em Recife, era conselheiro da OAB, e nos finais de semana a danada da cerveja não me deixava em paz. Os porres de sexta-feira e de sábado com os amigos era garantido. E sagrado!

Do esporte só a lembrança de um dia ter sido um bom jogador de futebol, para a pilhéria dos amigos que não acreditavam em uma vírgula do que eu falava na mesa do bar, onde segredos são revelados em meio a doses de alegria e muita cerveja. Muita mesmo!

Mas tudo mudaria naquele jogo. Sabem aquela resolução que todo mundo toma na virada do ano? Pois é, a minha virada do ano foi ali em agosto de 2008 logo após o “jogo dos pais buchudos” casados e cansados. Nunca tinha presenciado uma bola ser tão maltratada até então. Depois lógico viria o fatídico Brasil e Alemanha em 2014. Para a nossa redenção!

Aos 40 anos virei corredor e a vida realmente começou ali. Um tênis e uma nova forma de ver tudo. Parei de beber com os amigos que continuam até hoje enchendo a cara todas as sextas e sábados.

Perdi muitas risadas e resenhas! Mas ganhei uma nova vida! Ou um restinho dela!

 Parei de beber.

Fiquei bem chato, é verdade. Fui perdendo quilos e ganhando medalhas. Os porres foram substituídos pelos novos desafios de correr mais longe em menos tempo. Corridas de 05 km, 10 km, 21 km e a temida maratona! Fui me superando a cada momento e me especializando no mundo deste esporte fascinante. Li muito a respeito, treinei um bocado, errei muito no começo sem uma dieta específica, sem treinos específicos, mas não parei. Fui buscando profissionais da área, fui viajando para correr e para fazer maraturismo (maratona com turismo).

A cada prova os tempos pessoais eram batidos e novos recordes apareciam. Números se transformaram nas metas. Minutos e segundos mais rápidos pareciam ser as coisas mais importantes nos finais de semana e nos treinos. E eram.

A pergunta que todos os corredores se fazem ao final de cada prova depois de se congratularem efusivamente como se fosse um gol de final de Copa do Mundo: “Qual foi seu tempo?”

Cada medalha conquistada era dividida alegremente com meus filhos que agora tinham um pai quarentão e corredor. Os amigos desistiram de me chamar para beber nos finais de semana. Acho que não queriam um chato que iria beber água de coco ao invés de cerveja na mesa sagrada do boteco.

Até que um susto familiar me sacudiria em 2014. Minha filha Bia de apenas 15 anos estava anoréxica. Uma doença silenciosa e que chegara de repente. Perdera em 15 dias, durante uma de minhas viagens de trabalho, mais de 08 kg. O susto dera lugar à preocupação e ao imediato tratamento. Aos poucos fomos conseguindo trazê-la de volta; idas e vindas em nutricionista, consulta com psicólogo, o apoio familiar, a introdução a um esporte lúdico nos deram algum norte.

Ficamos mais próximos depois disso e para a minha surpresa e alegria, em um dia de muito trabalho e estresse no escritório, ela me manda uma whatsapp com um treino dela numa esteira de corrida.

Ela tinha vencido a doença!

Chorei emocionado. Ela então me pediu se poderia treinar algum dia ao meu lado. A resposta foi imediata. Dali para sua primeira corrida de rua foram alguns meses de treino. Hoje corremos juntos as provas de rua em Maceió de 05 e 10km (ela até já arriscou uma prova de 16km na Superação na Barra de São Miguel-AL – e terminou bem a danada).

E agora quando os corredores terminam suados e vitoriosos as corridas, aquela pergunta que nos fazemos mutuamente sobre o nosso tempo alcançado, eu hoje alegremente esqueço os números e respondo: “Fiz o tempo da Bia”.

Boa semana aos amigos.  

  

 

Corra que a polícia vem aí - 2 (A falsa polêmica)

  • Welton Roberto
  • 06/07/2015 12:40
  • Welton Roberto

E não pensei que um simples questionamento fosse gerar tanta polêmica e ataques e ofensas pessoais a este aprendiz de blogueiro, teimoso professor e singelo advogado. De idiota, hipócrita, pseudo-advogado, mercenário, advogado de bandido, doutor do ABC (querendo menosprezar minha titulação na Itália) etc. fui chamado aqui no blogue ( e liberei todos os comentários desatenciosos e agressivos) e nas redes sociais.

Mereci, segundo o pensamento dominante, um puxão de orelhas, daqueles que se dá em “menino reinão”, da minha querida amiga Dulce Melo, a quem tenho apreço e carinho profundos, achando que havia diminuído a tropa ao me referir ao vocábulo “puliça” e não polícia.

Mais adiante explico o porquê.

Creio que tudo baseado, na minha singela visão, de uma falsa polêmica, ou na tentativa, ainda que de forma de ataque, ou revide, de justificar os confrontos e as mortes havidas ultimamente em algumas operações policiais.

Recebi, ainda, do amigo e policial Vasco telefonema onde relatava ter um companheiro policial sido baleado e que me cobrara que eu postasse isso no blogue como maneira de justificar aquilo que para mim precisa de maior reflexão: a violência! A primeira coisa que retruquei no telefone foi saber se ele estava bem e se corria risco de morte. A resposta positiva à primeira pergunta e negativa à segunda me tranqüilizaram, mas confesso que me reacendeu a necessidade de falar sobre esta danada violência que nos aplaca!

Lamento ter que postar que um companheiro policial foi ferido e lamento ter que postar que pessoas são mortas, ao invés de presas, quando de uma operação policial. Infelizmente ainda acredito na humanidade e na humanização das pessoas, sem nenhum medo de parecer ingênuo ou piegas. Não temo por aquilo que ainda me dou a liberdade de pensar.

Mas antes de entrar de vez na referida “falsa polêmica” quero deixar algumas premissas claras. A primeira é que tenho profundo apreço a todos os homens e mulheres que trabalham na área de segurança pública do Estado de Alagoas.

Para quem não sabe, sou casado com uma policial civil. Em segundo lugar é que o nosso blogue em momento algum atacou a honra e a dignidade dos policiais, mas, de alguma forma questionou o porquê de tantos confrontos com resultado morte de civis, inclua-se aí um agente penitenciário que também é membro da estrutura da segurança pública.

Já havia alertado ao Sindpol, onde sou advogado há mais de 10 anos, defendendo policiais civis que são presos e processados por algo que, no momento lhes “autorizam” a fazer, mas que lá na frente dizem que não era bem assim e que eles fizeram “tudo fora da lei”, que as coisas podiam sobrar para os “pequenos”.

E quem são os pequenos? Os agentes de polícia. Foi assim no caso José Joaquim, onde acusaram mais de 12 policiais civis de tortura e assassinato – (conseguimos absolver 08 deles e 04 companheiros policiais estão correndo o risco de perder o emprego depois de a condenação ser confirmada pelo TJAL, falta ainda o recurso ao STJ/STF que já fizemos) foi assim na chacina do Solaris (onde só os agentes de polícia sentaram no banco dos réus e conseguimos a absolvição de todos depois de muito trabalho – nenhum delegado, nenhum secretário sentou no banco dos réus), foi assim na absurda acusação do Ministério Público quando os agentes estavam a serviço em um cinema de Maceió e foram ao escárnio popular (e depois todos processados criminalmente) porque disseram que eles queriam entrar de graça para lazer pessoal (conseguimos absolvê-los também); tem sido assim com fuga de presos em delegacias onde não há a menor condição de trabalho e mesmo assim são processados quando um preso foge; enfim, são mais de 200 policiais processados criminalmente por agirem, por vezes, no ímpeto de se fazer aquilo que a sociedade clama: “acabar com os bandidos”.

E no final o resultado é um só. Policiais, leia-se, agentes de polícia, no banco dos réus.

No post também ironizei a falta de equipamentos e preparo dado pelo aparato estatal - e ali não coloquei a culpa em nenhum governante atual -, aos policiais que muitas vezes usam coletes vencidos, armas precárias e falta de treinamento contínuo.Minha esposa mesmo só participou de treinamentos operacionais na academia de polícia quando foi aprovada no concurso há mais de dez anos, onde manejou arma etc. Depois disso, NUNCA MAIS! Embora saiba que ela é boa de mira e de pontaria (coisa que eu não arrisco testar em casa! – hehehe).

Quando usei o vocábulo “puliça” não me referia aos policiais, mas a forma corriqueira e coloquial como se utiliza o jargão popular em uma referência, até jocosa, para falar do respeito ao aparato de segurança. Só isso. Talvez a necessidade cada vez mais absurda do politicamente correto esteja deixando as pessoas mais chatas, irritadiças. Se algum policial assim se sentiu, deixo aqui as minhas escusas pessoais.

Sei da abnegação e da luta daqueles que  compõem a força policial do Estado, tanto é que dou palestras, participo de cursos de formação de agentes e delegados, recentemente fui a uma banca TCC da PMAL como avaliador, e o faço tudo isso sem cobrar NENHUM CENTAVO, com muita honra e prazer, logo a pecha de que estaria criticando as mortes porque não estava sobrando clientes é, além de absurda, desrespeitosa, inaceitável e, para mim não violenta só a minha integridade moral e profissional, mas a minha idoneidade como cidadão que sou e que contribui de forma proativa para o desenvolvimento da mão de obra do aparato policial.

Por fim, quero sim enfatizar que a questão da violência precisa de muita reflexão, pois se o recado do Estado for de mais violência, a resposta não será outra senão, muito mais violência ainda, e este foi o cerne de tudo que ali estava posto.

Continuo, como sempre continuarei, a me posicionar, pois a liberdade de expressão é  um valor que a intolerância reinante ainda não conseguiu matar, embora tenha tentado sempre calar àqueles que questionam, refletem e procuram viver em uma sociedade de seres humanos, com todos os seus defeitos e acertos.

Tenham uma boa semana.   

 

Ave, Cunha, morituri te salutant!

  • Welton Roberto
  • 02/07/2015 15:19
  • Welton Roberto
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Cunha

Ele estava enfurecido. Dava para ouvir os gritos deseperados e tresloucados do imperador de dentro de seu suntuoso palácio. "Traidores, traidores, traidores, traidores",  bradava o augusto Czar tupiniquim.

Imediatamente ordenou que outra lei fosse feita para ser votada imediatamente, fosse como fosse aquilo não ia ficar assim. Fez alguns contatos, ameaçou revelar o que sabia, disse que ia cortar as mordomias e finalmente acabou arrebanhando os votos necessários em menos de duas horas. 

"Ave, Cunha, morituri te salutant" saudou em um latim arcaico o jovem parlamentar alagoano que havia traído o Czar no primeiro momento. Seguiram com a mesma saudação outros parlamentares de outros rincões do império tupiniquim.

Depois de ficarem de joelhos foram autorizados a se levantar.

Cada um recebeu um esculacho do tamanho do rombo da dívida da Grécia e sairam de lá jurando amores ao Czar. Desculparam-se, imploraram perdão e foram autorizados a se retirar. Estariam monitorados. De perto.

Mudariam o voto. Pronto.

O imperador não poderia sair desmoralizado, ainda mais pela rafameia estudantil que o havia insultado horas atrás. Esses pivetes iam pagar cada ousadia e gracejo.

Cadeia neles! 

Dito e feito!

Tudo pronto para a nova votação em menos de 24 horas. Cenário novo, traidores alinhados... a coisa seria outra. 

Com um sorriso sagaz e mortal ele esfregou as mãos e contabilizou a vitória sugando de cada um aquilo que lhe deviam. Por cima de tudo, por cima de todos e das carcomidas regras regimentais que só serviam para a moça da copa e para o flanelinha das bigas do império. Para mais ninguém.

Lei, ora a lei. Na Cunhalândia a lei era o do imperador. e de mais ninguém mesmo.

Feliz, sorriu e preparou o próximo passo para sua consagração eterna. 

Restaurar a escravidão!   

AVE, CUNHA! 

A ideologia de gênero e o Saci Pererê

  • Welton Roberto
  • 01/07/2015 17:37
  • Welton Roberto
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Saci

E eis que a nação de maior influência no mundo dá um nocaute no preconceito e regulamenta o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aplausos coloridos e efusivos ao amor, seja lá como ele for! 

 Nesta mesma semana Barack Obama reata as relações com Cuba e dá um toco histórico na repórter da Globo News que, emprenhada por seu complexo de vira-latas, quis humilhar a nação em uma coletiva mundial e saiu sem saber onde estava, "tipo" (to ficando jovem na escrita agora, hehehe) depois daquele jogo entre Brasil e Alemanha na Copa do Mundo, entenderam? -  gol da Alemanha! (repita mais 6x)

 Para quem não acompanhou a coletiva, Obama reafirmou aquilo que nós já sabíamos, ou seja, que somos uma potência mundial no cenário global. Ponto final! E a repórter depois disso não fez mais nenhuma pergunta. Deve estar consolando o Dunga depois do vexame paraguaio na Copa América!

Chora, tia!  

E parece que "God blessed America, indeed!" A resposta americana ao regulamentar o casamento entre pessoas do mesmo sexo deu um banho de água fria nos defensores, um tanto quanto hipócritas, da questão que envolveu a polêmica inútil da ideologia de gênero aqui e acolá nos rincões de nosso país continental. 

Como eu cheguei a afirmar na concorrida audiência pública realizada no Parlamento Mirim de nossa capital, a ideologia de gênero é igual ao Saci-Pererê, todos sabemos que não existe, mas ninguém perde a oportunidade de falar sobre o danado quando ele faz das suas travessuras. 

Imbuído do espírito de participação para o debate, li o Plano Nacional de Educação, o Plano Estadual de Educação e o Plano Municipal de Educação, este último aprovado em 2012 -  e em canto nenhum, nenhum, nenhum existia a referida expressão "ideologia de gênero".

Então, de onde tiraram isso?  Pensei cá com meus botões... DO FACEBOOK, ora! 

Pasmo fiquei com a ignorância de alguns vereadores que desconheciam tal fato e foram lá para usar a tribuna e jogar pra galera que, animada igual a auditório do Chacrinha (eita, agora revelei a minha idade!!!), gritava eufórica: "família, família, família".

Nunca vi nada mais bizarro!

Não que não fosse belo respeitar a família, ou lová-la. Nada disso. Mas é que as ditas famílias estavam temerosas que seus filhinhos anjinhos  assexuados  tivessem aulas extraídas do KAMA SUTRA e aprendessem a ser homossexuais. Coisa de gente que não lê, estuda ou se aprofunda nos temas, mas adora um facebookizinho para se orientar.

Eu, hein?

Quanto a mim defendo uma escola inclusiva onde as pessoas aprendam a conviver com as diferenças, em todos os prismas, sejam eles sexuais, religiosos, étnicos ou culturais. Respeitar o ser humano, eis a primeira regra de qualquer PLANO EDUCACIONAL.

Mas acabei saindo do debate com aquela dúvida arretada sobre a sexualidade do Saci-Pererê (?) e acho que alguns vereadores também (hehehe) e tive a nítida impressão de que  o próximo passo para algumas famílias perfeitas igual as do  comercial de margarina será sair das cavernas e tentar inventar a roda.

Opa, sem duplo sentido, por favor!  

 

Respeita a puliça...

  • Welton Roberto
  • 12/06/2015 13:42
  • Welton Roberto
web
respeita a puliça, minino

De repente uma onda de valentia tomou conta da cabeça da bandidagem em Alagoas. Os "bandidões" resolveram, quase todos, enfrentar a polícia alagoana que é  extremamente preparada e treinada com equipamentos tecnológicos de ponta, quase uma SWAT brasileira na verdade! (eita tempo bom... já até cantarolei a musiquinha do seriado aqui).

Fico me perguntando o que deu na cabeça desses "bandidões". Ousadia, valentia, ou suicidas em potencial? Será que não aprenderam que a sociedade do bem (aquela que nunca falsificou atestado médico para não trabalhar, nunca sonegou imposto e nunca falou nem palavrão!!!) adora o jargão do "bandido bom é bandido morto?" Ou será que tomaram alguma dose a mais de coragem e partiram para a guerra onde só quem perde é a tal da "paz social"?

Seja como for, o fato é que até agora nesses "confrontos" essa bandidadem tá levando uma sova pior do que o Brasil contra a Alemanha ( e por falar nisso, gol da Alemanha!). Impressionante é que ainda não vimos a apresentação do armamento letal usado pelos bandidos nos "confrontos" (será que eles interceptaram aquelas armas italianas que o governo comprou, pagou e nunca recebeu? Mistérioooooo) ou até agora não tiveram a coragem republicana e probatória de realizar exames residuográficos para atestar que esses caras estavam armados até os dentes e "descarregaram a pistola" pra cima da polícia.

Mas que houve confronto isso ninguém duvida. Ou duvida? E se duvidar, bom aí você não é da sociedade do bem! (já falou palavrão??? já??? Putz... vem pra cá então...)

Ainda, outra constatação é que essa bandidagem é ruim de tiro, mas muito ruim. E a nossa SWAT é faca na caveira. Aí não tem para ninguém.

Bem, se é que as coisas vão ficar em paz com a redução (????) da violência, o fato é que nunca antes na história das Alagoas, com a exceção da "saudosa" época do Coronel Amaral, se matou tanto "bandido". 

Por isso que hoje, como Zeca Baleiro, eu acordei com vontade de mandar flores para o delegado... Mas e se as flores forem com espinhos? Danou-se, tome outro confronto! 

"Respeita a puliça, cabra!"  

Estou voltando...

  • Welton Roberto
  • 11/06/2015 14:55
  • Welton Roberto

Retorno ao blogue após alguns meses de ausência. A família, a correria da advocacia, as aulas na UFAL (que ora se encontra em greve mais uma vez), as maratonas e a vida frenética me obrigaram a me afastar um pouco deste espaço democrático de debates de ideias e ideais, ainda que eu e você, caro leitor(a), discordemos sob os pontos de vista e panoramas apresentados.

Confesso que senti falta. Muita falta. A interlocução com o amigo leitor é interessante. Das críticas ácidas às mais pontuais e inteligentes e, por vezes, até das ofensas merecidas ou não em razão da ousadia deste aprendiz de blogueiro. Senti falta de tudo.

Discordar, concordar ou simplesmente ver tudo passar, tudo isso faz parte deste emaranhado valorativo que a sociedade vive hoje, sacudida pela apetência das pessoas quererem opinar sobre tudo e todos. E inclusive sobre mim, sem muitos sequer me conhecerem, ou alguns por me conhecerem demais (risos).

Abordado em um supermercado de nossa cidade por um desses amigos leitores que liam o blogue com certa frequência, este me cobrara o retorno com posts, opiniões, dicas, os "causos" e tudo o que aqui tenho a ampla liberdade de escrever prometi que o faria.

Falou da falta de nossa opinião. E naquele momento confessei que também senti falta de aqui estar mais presente.

Prometi que voltaria.

Então, promessa dada, palavra empenhada, aqui estamos nós, retornando aos debates. Muita coisa aconteceu neste tempo em que ficamos sem traçar nossas linhas por aqui.

E tentaremos, de forma célere, tratar dos assuntos que podem ser de algum interesse ao leitor. A redução da maioridade penal, o tema da corrupção que parece incendiar as redes e deixar hipócritas em polvorosa com seus dedos sujos em riste, a política nacional, regional e local, os temas das ciências criminais, as corridas que ora crescem saudavelmente em todo o Brasil, enfim, tentaremos no espaço ainda reservado nesta PENSATA voltar ao bom e velho papo, com o estilo e o jeito leve e solto de escrever, sem medo, e com a coragem cívica de sempre, os temas mais palpitantes da atualidade.

Aos amigos leitores(as) aqui o pedido de desculpas pela grande ausência. AOS QUE MANTÊM A VELHA FORMA DE OFENDER NO ANONIMATO continuo aqui a me divertir com os seus gracejos.

E que sigamos em frente, sempre em frente. Eis que a saudade das letras me empurram de volta ao vício de traçá-las em forma de simples e humildes pensamentos.

 

Abraços do amigo WR. 

 

  

As damas de companhia

  • welton roberto
  • 26/02/2015 13:36
  • Welton Roberto

E a farra das passagens aéreas na Câmara dos Deputados foi sacramentada. Capitaneada pelo probo, e acima de qualquer suspeita, EDUARDO CUNHA/PMDB, que tem outras lutas importantes como a criação do dia do orgulho hétero, a coisa ficou legalizada no poder onde se pode tudo e mais alguma coisa.

Não bastasse o contribuinte ter que arcar com os "passeios" dos nobres deputados, agora também vai ter que agüentar pagar as passagens de suas respectivas esposas, feitas como damas de companhia para o exercício parlamentar, como se a presença delas fosse essencial para que o legislador pudesse trabalhar. A mim me parece um contrassenso não só ético e moral bem como algo que atenta contra a questão acerca da igualdade de gênero e uma captio diminutio às mulheres.

Explico.

Seriam as mulheres dos deputados dondocas que não trabalham, não produzem e estariam largadas em casa à espera do maridão herói nacional? Estas senhoras que não trabalham, que não possuem função, que não têm produção laboral e/ou teriam algo mais importante a fazer do que estar ali viajando, às custas do contribuinte, de mãos dadas com o maridão parlamentar para lhe dar apoio moral para a sua árdua labuta?

Não deixo de reconhecer a importância da esposa na relação familiar ou da família. Mas daí imputar sua presença física para a concreção do labor parlamentar é um tanto quanto fantasioso.

Vou além, é farra com o dinheiro público. Das mais imorais.

Vergonhoso não fosse absurdo a referida verba que sairá do bolso de cada um.

Calados estão, pois, aqueles que comemoram a vitória deste senhor, o presidente EDUARDO CUNHA/PMDB só porque havia derrotado um deputado do PT, como se este último partido fosse o detentor de todo o mal da face da Terra.

Enquanto isso, recebo zap-zap da “Associação Recreativa das Personal Sex Trainee”, filial Brasília, pedindo ajuda, pois se a coisa vingar e as damas de companhia, vulgo esposas,  forem com seus maridões, parece que tem muito negócio em Brasília que vai entrar em crise.

Aí o leitor do blogue pergunta: “Você está brincando, WR?”

E eu respondo:  “Estou, mas quem começou com a gracinha foi o Eduardo Cunha e seus pares...”  

 

As viúvas do Aécio

  • Welton Roberto
  • 10/02/2015 10:52
  • Welton Roberto

As viúvas do Aécio querem tucanar a democracia. O que decidiu a maioria do país pouco importa para elas, o modelo republicano conquistado no Brasil a duras penas, também não. Cansadas de sofrerem derrotas democráticas nas urnas por meio do voto popular, onde cada um tem peso igual, sem discriminação de raça, sexo, idade, cor, cultura, padrões econômicos ou sociais, elas decidiram que vão impor a sua vontade a qualquer custo. Precisavam de um mote para isso e encontraram no discurso furado da corrupção o seu ideário macabro para tentar enxugar as lágrimas do seu interminável luto, hoje combalido e nefasto luto transformado em golpe.

 

Sim porque o debate que permeia a corrupção é sem confrontos. Ou será que alguém já se posicionou a favor da corrupção? Nem os corruptos assim se declaram. Ou seja, no discurso  míope em tons de moralismo puritano acerca da corrupção não existem dois lados. Há um só. O de que a corrupção precisa e deve ser combatida. Mas as viúvas do Aécio, por falta de leitura, informação, ou por pura má-fé, esqueceram de que a Polícia Federal no tempo do tucanato-mor só servia para tirar passaporte, e não era para todo mundo. Em 08 anos de gestão tucana a PF realizou apenas 48 operações, enquanto que na gestão do Partido dos Trabalhadores a PF realizou mais de 2 mil operações combatendo sistematicamente  a corrupção no país.

 

As viúvas do Aécio também fazem ouvidos moucos para a delação de Pedro Barusco que disse que a PROPINA NA PETROBRÁS teve início em 1997, ou seja, em pleno governo tucano. E onde estava a investigação para tanto?

 

Tucanaram a propina. Tucanaram a corrupção. Tucanaram a investigação. 

 

Ainda, Luis Nassif fez circular e-mail da Rede Globo de televisão onde se proíbia que divulgasse o nome de FHC e seus asseclas envolvidos na operação Lava-Jato, com a demonstração clara e inequívoca de que a corrupção só pode ter um lado.

Agora tucanaram a grande mídia. Tolinhos.

 

Ou seja, o luto das viuvinhas é seletivo. Choram por um olho só. O direito.

 

Na verdade nenhuma delas quer combater a corrupção. Indago: onde estavam estas viúvas quando o partido delas, no comando da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, pagou regiamente fantasmas e mais fantasmas com dinheiro do povo alagoano? Talvez algumas delas recebendo sem trabalhar... Talvez tendo regalias no poder. Onde estavam as viuvinhas que não viram as centenas de pessoas aboletadas no gabinete do governo tucano por longos e miseráveis 08 anos de gestão em Alagoas que nos deixou um legado de desemprego, violência e o pior índice educacional do país?

 

O diário oficial do governo Renan Filho parecia a chamada do SISU quando “descomissionou” uma centena de apadrinhados que hoje declamam versos contra a corrupção.

Tucanaram os cargos comissionados em Alagoas. 

Vou mais além. Onde estavam as viuvinhas quando as empresas públicas foram sendo doadas uma a uma a preço de bolo de rolo no maior escândalo de apropriação indébita de patrimônio público deste país, conhecido como PRIVATARIA TUCANA? .

 

Nem uma fala, nem um cartaz as viúvas do Aécio produziram. Nada de revolta contra a corrupção sob estes pontos.

 

Agora, feitos maritacas no cio, as viúvas do Aécio inundam as redes sociais, whatsapp e tudo mais convocando os "honrados e honestos" cidadãos para um golpe, para um “impeachment” sem qualquer lastro jurídico, político ou motivacional para tanto, COM O ÚNICO INTENTO de achar que podem tucanar a democracia deste país.

 

Eu só não sei se conto para as viuvinhas ou deixo para contar depois que se houver o impecahment da Dilma, por pura hipótese pedagógica de exercício mental, que o Aécio não assume nada, e sim o Michel Temer, pois o Aécio, VIUVINHAS, perdeu as eleições.

 

Será que vai ser preciso desenhar?

 

A pátria do champanhe

  • Welton Roberto
  • 28/10/2014 12:58
  • Welton Roberto

Terminou. O pleito eleitoral mais acirrado dos últimos anos de nossa ainda jovem democracia chegou ao final. Viva então a democracia ainda na sua tenra juventude. Parabéns a todos que de forma ordeira participaram deste pleito. Muitas lições foram deixadas e muitas experiências devem servir para o amadurecimento de um povo que ainda busca o ponto ideal de convergência para sonhos e projetos do amanhã.

 Infelizmente, as lições negativas vieram daqueles que odiaram o tempo inteiro, embora tivessem se mascarado de generosidade e amor ao Brasil.

Parece-me que ainda continuam odiando, pois embora tivessem jurado amor pela pátria, usado de nosso pavilhão como se da campanha deles fosse, entoado o hino nacional onde passavam em um nacionalismo MOET CHANDON estilizado, hoje, depois dos resultados das urnas, pregam o separatismo no e do país.

Alguns, de tão nacionalistas que foram, querem, pasmem, fugir para Miami, lugar mais conhecido para eles do que o próprio território tupiniquim.

Eita nacionalismo porreta!   

O outrora antipetismo, antilulismo e antidilmismo, ou qualquer vocábulo que o neologismo da língua pátria me permita utilizar, se virou contra nós, os nordestinos. O antinordestinismo se espalhou feito rastilho de pólvora em paiol de imbecilidades.

As redes sociais vão de cômicas idéias alucinógenas ao crime contra a pátria em pregar que as regiões Norte e Nordeste sejam alvo de retaliações ou castigos viróticos e “ebólicos” - chegaram a desejar que o Ebola se espalhasse por aqui -, a idéia da separação não lhes sai da mente, em verdadeiro crime lesa-pátria.  

O “culto” e “letrado” Robson Tuma Júnior chegou em seu twitter a pedir e insinuar  que se construísse um muro nos separando, como se fossemos uma raça a ser marginalizada.  

Enfim, o ódio ao NORDESTE veio de um povo acostumado a aceitar de forma democrática somente o que lhe convém. Até serem apuradas 88% das urnas o candidato tucano seguia vigoroso na frente e eles, os “democratas MOET CHANDON”, chegaram inclusive a anunciar de forma prematura sua vitória, com selfies, postagens “patrióticas” efusivas pelo e para o Brasil. Até ali as juras de amor estavam mantidas e multiplicadas nas palavras do Senhor.

De repente nós, os nordestinos de corações valentes, jogamos água no champanhe deles. O MOET CHANDON patriótico logo deu lugar à ira furibunda e a máscara do nacionalismo fajuto mais uma vez caiu.

Desesperados e atônitos vociferaram contra uma região que mais cresce e tem dado ao país exemplo de pujança, prosperidade e esperança a seu povo trabalhador, receptivo, pacato e ordeiro.

O movimento migratório para o Canaã paulistano prometido está se invertendo. Aos poucos nossos conterrâneos voltam para casa, para seu chão e não precisam mais trabalhar como mão de obra barata e braçal aos bem nascidos da paulicéia desvairada e agora ENFURECIDA.

Espero que quando fevereiro chegar, Salvador e Recife mostrem a todos eles, DE NOVO,  que somos um povo trabalhador, feliz, próspero, receptivo e realmente generoso.

Entoaremos, então, todos, em uma só voz, em pleno carnaval, parodiando o cancioneiro: “Ah, que bom você chegou, bem vindo ao NORDESTE, coração VALENTE do Brasil”.

Quem sabe vejam então que o Brasil hoje é muito maior do que umbigo e o ego deles.

Até lá que o ódio se dissipe e que as frustrações se tornem em esperanças renovadas e que voltemos a ser uma nação alegre e unida.

Aos que vão embora para Miami, boa viagem, não esqueçam o “Green Card”,  pois na terra do Tio Sam o latino somos todos nós. Aprenderam a lavar prato? Fazer faxina? Cuidar de bebê americano que chora em inglês? Vão precisar...    

VIVA O BRASIL. VIVA A DEMOCRACIA. VIVA DILMA ROUSSEFF. VIVA O POVO BRASILEIRO. VIVA O NORDESTE.

  

De vagabundo à nobre com passado e presente

  • Welton Roberto
  • 20/10/2014 21:38
  • Welton Roberto

Aí o  candidato Aécio Neves pede para esquecermos o passado. Qual motivo? Vergonha do que fez? Do que não fez? Do que poderia ter feito? Do que realmente aconteceu? O passado é o tempo em que buscamos a nossa identidade para nos reconhecermos no presente e projetarmos nosso futuro.

Erros, acertos, experiências, lições vividas, acúmulo de bagagem que nos dá a condição atual para termos a autoridade moral de impormos um ritmo correto, corajoso e desafiante nos dias de hoje.

Como esquecer dos apagões, da miséria, do desemprego e do sucateamento do ensino público? Como esquecer da privataria estilo “BLACK FRIDAY” (eu tô ficando chique), tudo a venda pela metade do preço e com financiamento do nosso suado dinheirinho? Como esquecer de tanta coisa se isso realmente marcou e deixou algumas cicatrizes profundas em todos que passamos por poucas e boas no ritmo da midiática “modernidade” faz de conta que eu acredito nos tempos “dos plumas azuis”.

Não, não posso simplesmente esquecer o passado e viver um presente oco, vazio, sem histórias para contar, como se nada tivesse acontecido antes. O presente de hoje é o passado do amanhã que será e deverá sempre ser melhor, afinal, como já dizia o grande Chico Buarque, amanhã vai ser outro dia! E que seja.

O que talvez estarreça muita gente é ver a condição de hoje e querer impor uma existência a você, principalmente ideológica, que você não possui, pelo simples fato de estar melhor financeiramente.

Daí começa a lição do passado.

Mais uma vez trago à tona a tenebrosa experiência das redes sociais em época de tucanato em uma beira de ataque de nervos após as últimas pesquisas Datafolha e Vox Populi (52 Dilma x 48 Aécio), e após um debate onde Dilma se mostrou infinitamente superior a seu oponente em conhecimento de temas importantes aos brasileiros, sem a grosseria leviana deste, é lógico.

Pois bem. Fui acusado. Isso mesmo. Acusado de defender pobres e desvalidos sem ser um deles. De não ter meus filhos em escola pública e não usar o SUS. Quase um xeque-mate russo sobre mim.

Tudo isso porque as seguidoras do tucanato estão no estilo apavonado de realmente rotular com grifes da hipocrisia quem pode ou quem não pode defender os mais carentes.

E aqui trago então toda a força do meu passado, que sempre contribui no meu presente. Se sou nobre hoje, pelo simples fato de ascensão econômica social conquistada, fruto de mais de 32 anos de trabalho, digo que me defino como um nobre vagabundo.

Isso. VAGABUNDO! Mas daqueles vagabundos que gostam de gente, de cheiro de rua e que não dispensa um dedo de prosa com quem quer que seja.

Vagabundo daquele que prefere estar seguindo junto com a multidão um trio-elétrico a estar nos aconchegantes camarotes VIPs de badaladas figuras do high-society, gosto mesmo é do abraço do povo que pula junto (eita, lembrei, QUEM NÃO PULA É TUCANO... isso vai virar uma febre) e tem calor humano para trocar e se misturar.

Vagabundo daquele que não tem medo de tomar banho de chuva, sacudir uma bandeira, de gargalhar até perder o fôlego, de tratar igualmente o serviçal e o ministro do STF, vagabundo daquele que trocaria qualquer prato da gastronomia mundial por um bom arroz, feijão e ovo que sua avó preparava porque não tinha dinheiro para comprar carne e para este vagabundo isso nunca importou.

Vagabundo daquele que foi flanelinha, que vendeu limão na feira com seu avô, que foi office-boy, que ia à pé para escola para economizar o passe escolar que pudesse chegar até o final do mês, vagabundo daquele que andava descalço na rua e jogava com bola de meia, de papel, de “capotão” e deixava os pés cheio de feridas que eram curadas com o tempo.

Vagabundo daquele que estudou em escola pública e que fez grandes amigos em bancas escolares divididas, de cadernos trocados e livros impecáveis que deveriam estar guardados para o outro ano, pois senão não tinha onde estudar.

Vagabundo que não tinha plano de saúde e se consultava por vezes agarrado na saia da mãe e de seus mais dois irmãos nas intermináveis filas do antigo INAMPS.

Vagabundo que aprendeu cedo o valor do trabalho e que o único meio de se revoltar com os nobres era tomando o lugar deles nos concursos, poucos que existiam à época, de conhecimentos, sempre em seus primeiros lugares.

E que como foi bom ser este vagabundo do passado!

Por isso que hoje, eu, ainda sem o encantado sangue azul, me defino como um nobre vagabundo e me dou o prazer e desplante de defender uma candidatura que optou pelos mais carentes, pelos mais vagabundos do que eu já fui um dia.

Viva o passado que hoje se fez presente para amanhã dizer que o futuro a todos, vagabundos ou nobres, é bem ali!

Perdoem, por ora, este nobre vagabundo pela tremenda ousadia!

 

O ódio da generosidade

  • Welton Roberto
  • 19/10/2014 07:12
  • Welton Roberto

"Não é porque você é um aleijado comunista que não mereça uma surra para endireitar", assim vociferaram os agressores contra o cadeirante Ênio Barroso Filho, blogueiro que se encontrava indo ao encontro denominado CHURRASCÃO DA GENTE DESINFORMADA na cidade de São Paulo em protesto às absurdas declarações do imperador FHC para a "mídia baba-ovo de tucano" brasileira.

A agressão se deu no dia 14 outubro, véspera do dia dos professores.

Do fato a grande mídia não deu a menor atenção, repercussão ou notícia. Fico pensando se fosse um eleitor de Aécio o referido cadeirante como este seria "cuidadosamente noticiado" com direito a programas especiais e tudo mais, lógico que em horário nobre e com direito a comoção nacional contra os "agressores petistas". Contudo, os autores são figuras da boa elite paulistana e o fato ficou por conta de ser noticiado pelas redes sociais. E só.   

A AGRESSÃO 

Os agressores ordenaram que ele retirasse a camisa vermelha que usava com adesivos pró-Dilma. Ao não ter o comando obedecido, os agressores desceram de carrão, devidamente adesivado com FORA DILMA E LEVE O PT JUNTO, além do adesivo de Aécio 45 - fatos narrados pelo blogueiro à polícia militar - deram dois tapas em seu rosto e o derrubaram da cadeira de rodas, saindo calmamente após o ato covarde, rindo e vangloriando-se da covardia, pensando, porém, de se tratar de ato heroico, afinal haviam espancado um "comunista".

DEPOIS DA QUEDA, O COICE

Indignado, ainda atordoado, e sem conseguir anotar a placa do carro, o cadeirante procura a polícia militar que disse que sem a anotação da placa nada poderia fazer, como se os agressores não tivessem sido vistos pela vítima e esta não pudesse lhes fazer o devido reconhecimento como determina o Código de Processo Penal Brasileiro ainda vigente em todo país, inclusive em São Paulo.

Ao revés, conta o cadeirante que o policial militar que o atendeu "orientou" que ele não mais andasse com uma estrelinha no peito e "esse tipo de adesivo" porque nessas épocas era muito perigoso. 

A dupla agressão sofrida pelo cadeirante veio em forma de escárnio pelo aparato estatal que deveria neste momento ter procurado registrar a ocorrência e tentar prender os agressores, pois foram vistos e o cadeirante diz reconhecê-los em qualquer momento e a qualquer hora já que afirmou que nunca esquecerá de seus rostos e semblantes de satisfação.

DO ÓDIO LEVIANO

Pois bem. As pessoas que vêm declarando apoio à Dilma Rousseff estão sofrendo represálias morais, coação psicológica, agressões físicas, agressões verbais, humilhações, tendo sido inclusive um militante petista assassinado em Curitiba há pouco mais de 40 dias pelo fato de estar em campanha com uma camisa do PT.  

O ódio não foi algo natural. Pelo contrário. Foi plantado e alimentado pela  grande mídia em seu jogo politiqueiro. Foi ela que deu a carga inicial.

Os grão-tucanos deram o resto do tom. Dom FHC jogou gasolina na fogueira e o separatismo entre classes sociais reacendeu a pólvora da discriminação. 

O antipetismo ressurgiu e os donos da Casa-Grande, em atitude medieval e escravocrata, tratam aqueles que deles discordam na chibata, no porrete, na violência, na virulência verbal.

A intimidação é a pedra de toque.A violência seu instrumento. 

Alguns médicos entraram na onda e de forma grosseira vêm tratando o assunto para além de seus deveres funcionais e profissionais. Tudo porque se posicionaram contra um programa de governo que não lhes retirou uma migalha do seu pão, mas deu a condição a milhões de brasileiros de serem atendidos por um médico, sejam eles de Cuba, da Alemanha, ou de Marte.

Pelas redes sociais não tem sido diferente. Fui vítima de muitas pessoas que tinha em alto grau de coleguismo, pelo simples fato de ter um lado e de não escondê-lo de ninguém. Este lado escolhido tem mais a ver com a minha história de vida, com os meus princípios e preceitos.

Sou contra o neoliberalismo, sou contra as privatizações, inclusive do ensino público, contra o desemprego e a miséria, legado deixado por FHC e pelo PSDB. Sou contra os 08 anos de desmandos em Alagoas por conta do governo desastroso de Teotonio Vilela no que tange à educação, saúde e segurança pública.

Mas não os odeio. Só me posiciono contra. Ponto.

 No tocante às redes sociais, fui excluindo os iracundos, os que odiavam e destilavam veneno em suas mal traçadas e por vezes escritas frases de ofensas. Exclui e bloqueie muitos. Não os terei mais sequer como conhecidos em minha relação virtual. 

Não é assim que se constrói uma democracia cidadã. Assim penso. Assim procuro agir. O bom e velho debate seria o instrumento escolhido. Comparações de governos, de feitos, de investigações, de punições, de corrupção escondida ou publicizada, ou não se lembram de Rubens Ricúpero, ex-ministro da Fazenda de FHC que em uma entrevista sincera, mas sem saber que estava sendo gravado disse: "O que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde. Eu não tenho escrúpulos". 

Por fim, ao ver que o atual candidato tucano à Presidência prega a generosidade em seus discursos, fico imaginado o quanto de hipócrita tem nisso tudo. Sua generosidade ficou bem característica ao posicionar o dedo em riste quando confrontado com a candidata Luciana Genro ao lhe questionar um aeroporto construído com dinheiro público (14 milhões de reais) nas terras de seu tio e que hoje ninguém usa a não ser sua própria família.

Seu sorriso - na minha humilde opinião - falso e hipócrita - logo sumiu e deu vez a um candidato raivoso que foi aumentado o tom e só não partiu para a costumeira agressão a mulheres porque Luciana Genro o devolveu a seu lugar e disse que ele abaixasse o tom e o dedo para falar com ela.

Este tem sido, infelizmente, o comportamente da maioria de seus eleitores.De generosos não possuem nada. De odiosos tudo. Infelizmente para a nossa ainda jovem democracia.

Os fatos estão aí.

E não me digam que sou leviano.