Welton Roberto
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Ave, Cunha, morituri te salutant!

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Cunha
Cunha / Arquivo

Ele estava enfurecido. Dava para ouvir os gritos deseperados e tresloucados do imperador de dentro de seu suntuoso palácio. "Traidores, traidores, traidores, traidores",  bradava o augusto Czar tupiniquim.

Imediatamente ordenou que outra lei fosse feita para ser votada imediatamente, fosse como fosse aquilo não ia ficar assim. Fez alguns contatos, ameaçou revelar o que sabia, disse que ia cortar as mordomias e finalmente acabou arrebanhando os votos necessários em menos de duas horas. 

"Ave, Cunha, morituri te salutant" saudou em um latim arcaico o jovem parlamentar alagoano que havia traído o Czar no primeiro momento. Seguiram com a mesma saudação outros parlamentares de outros rincões do império tupiniquim.

Depois de ficarem de joelhos foram autorizados a se levantar.

Cada um recebeu um esculacho do tamanho do rombo da dívida da Grécia e sairam de lá jurando amores ao Czar. Desculparam-se, imploraram perdão e foram autorizados a se retirar. Estariam monitorados. De perto.

Mudariam o voto. Pronto.

O imperador não poderia sair desmoralizado, ainda mais pela rafameia estudantil que o havia insultado horas atrás. Esses pivetes iam pagar cada ousadia e gracejo.

Cadeia neles! 

Dito e feito!

Tudo pronto para a nova votação em menos de 24 horas. Cenário novo, traidores alinhados... a coisa seria outra. 

Com um sorriso sagaz e mortal ele esfregou as mãos e contabilizou a vitória sugando de cada um aquilo que lhe deviam. Por cima de tudo, por cima de todos e das carcomidas regras regimentais que só serviam para a moça da copa e para o flanelinha das bigas do império. Para mais ninguém.

Lei, ora a lei. Na Cunhalândia a lei era o do imperador. e de mais ninguém mesmo.

Feliz, sorriu e preparou o próximo passo para sua consagração eterna. 

Restaurar a escravidão!   

AVE, CUNHA! 

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