Welton Roberto
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De vagabundo à nobre com passado e presente

Welton Roberto|

Aí o  candidato Aécio Neves pede para esquecermos o passado. Qual motivo? Vergonha do que fez? Do que não fez? Do que poderia ter feito? Do que realmente aconteceu? O passado é o tempo em que buscamos a nossa identidade para nos reconhecermos no presente e projetarmos nosso futuro.

Erros, acertos, experiências, lições vividas, acúmulo de bagagem que nos dá a condição atual para termos a autoridade moral de impormos um ritmo correto, corajoso e desafiante nos dias de hoje.

Como esquecer dos apagões, da miséria, do desemprego e do sucateamento do ensino público? Como esquecer da privataria estilo “BLACK FRIDAY” (eu tô ficando chique), tudo a venda pela metade do preço e com financiamento do nosso suado dinheirinho? Como esquecer de tanta coisa se isso realmente marcou e deixou algumas cicatrizes profundas em todos que passamos por poucas e boas no ritmo da midiática “modernidade” faz de conta que eu acredito nos tempos “dos plumas azuis”.

Não, não posso simplesmente esquecer o passado e viver um presente oco, vazio, sem histórias para contar, como se nada tivesse acontecido antes. O presente de hoje é o passado do amanhã que será e deverá sempre ser melhor, afinal, como já dizia o grande Chico Buarque, amanhã vai ser outro dia! E que seja.

O que talvez estarreça muita gente é ver a condição de hoje e querer impor uma existência a você, principalmente ideológica, que você não possui, pelo simples fato de estar melhor financeiramente.

Daí começa a lição do passado.

Mais uma vez trago à tona a tenebrosa experiência das redes sociais em época de tucanato em uma beira de ataque de nervos após as últimas pesquisas Datafolha e Vox Populi (52 Dilma x 48 Aécio), e após um debate onde Dilma se mostrou infinitamente superior a seu oponente em conhecimento de temas importantes aos brasileiros, sem a grosseria leviana deste, é lógico.

Pois bem. Fui acusado. Isso mesmo. Acusado de defender pobres e desvalidos sem ser um deles. De não ter meus filhos em escola pública e não usar o SUS. Quase um xeque-mate russo sobre mim.

Tudo isso porque as seguidoras do tucanato estão no estilo apavonado de realmente rotular com grifes da hipocrisia quem pode ou quem não pode defender os mais carentes.

E aqui trago então toda a força do meu passado, que sempre contribui no meu presente. Se sou nobre hoje, pelo simples fato de ascensão econômica social conquistada, fruto de mais de 32 anos de trabalho, digo que me defino como um nobre vagabundo.

Isso. VAGABUNDO! Mas daqueles vagabundos que gostam de gente, de cheiro de rua e que não dispensa um dedo de prosa com quem quer que seja.

Vagabundo daquele que prefere estar seguindo junto com a multidão um trio-elétrico a estar nos aconchegantes camarotes VIPs de badaladas figuras do high-society, gosto mesmo é do abraço do povo que pula junto (eita, lembrei, QUEM NÃO PULA É TUCANO... isso vai virar uma febre) e tem calor humano para trocar e se misturar.

Vagabundo daquele que não tem medo de tomar banho de chuva, sacudir uma bandeira, de gargalhar até perder o fôlego, de tratar igualmente o serviçal e o ministro do STF, vagabundo daquele que trocaria qualquer prato da gastronomia mundial por um bom arroz, feijão e ovo que sua avó preparava porque não tinha dinheiro para comprar carne e para este vagabundo isso nunca importou.

Vagabundo daquele que foi flanelinha, que vendeu limão na feira com seu avô, que foi office-boy, que ia à pé para escola para economizar o passe escolar que pudesse chegar até o final do mês, vagabundo daquele que andava descalço na rua e jogava com bola de meia, de papel, de “capotão” e deixava os pés cheio de feridas que eram curadas com o tempo.

Vagabundo daquele que estudou em escola pública e que fez grandes amigos em bancas escolares divididas, de cadernos trocados e livros impecáveis que deveriam estar guardados para o outro ano, pois senão não tinha onde estudar.

Vagabundo que não tinha plano de saúde e se consultava por vezes agarrado na saia da mãe e de seus mais dois irmãos nas intermináveis filas do antigo INAMPS.

Vagabundo que aprendeu cedo o valor do trabalho e que o único meio de se revoltar com os nobres era tomando o lugar deles nos concursos, poucos que existiam à época, de conhecimentos, sempre em seus primeiros lugares.

E que como foi bom ser este vagabundo do passado!

Por isso que hoje, eu, ainda sem o encantado sangue azul, me defino como um nobre vagabundo e me dou o prazer e desplante de defender uma candidatura que optou pelos mais carentes, pelos mais vagabundos do que eu já fui um dia.

Viva o passado que hoje se fez presente para amanhã dizer que o futuro a todos, vagabundos ou nobres, é bem ali!

Perdoem, por ora, este nobre vagabundo pela tremenda ousadia!

 

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