Welton Roberto
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Fazendo mal aos maus

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A provocação surgiu de um texto do filósofo inglês A.C Grayling em sua coluna no jornal inglês "Times" e resolvi tentar responder a este questionamento. Afinal, até que ponto é aceitável fazer coisas ruins a pessoas más? Até que ponto a sociedade atual absorve condutas retributivas como se naturais fossem quando o destinatário da maldade é uma pessoa perversa, ruim, má?

Afinal, bandido bom é realmente bandido morto? Qual bandido? 

A vilania só é aplaudida nas novelas e nos enredos literários? Existem bandidos realmente bons? 

E se for aceitável a prática do mal para os maus não estaríamos nos transformando então na maldade que combatemos? E quem combateria então a nossa maldade? Existiria um limite para a nossa maldade versus a maldade dos outros?

Percebe-se que do questionamento inicial de Grayling tantos outros surgem e nos fazem refletir sobre nossa atuação de atores sociais em várias matizes, como pais, filhos, amigos, profissionais, seres políticos, educadores,religiosos, juristas, desportistas e tantas formas de se relacionar com o meio em que vivemos e com os outros em um tecido social cada vez mais complexo e cheio de desejos e vontades distintas.   

Alguns dos soldados britânicos no Afeganistão mantinham em seus bonés a frase "fazemos coisas ruins com pessoas más" como uma justificativa para os atos que praticavam contra os seus supostos inimigos. Políbio já dizia que o ser humano era mal por natureza, portanto a maldade seria uma qualidade humana.

Sob o ponto de vista da moral comum, a frase "não faça com os outros aquilo que você não gostaria que fizessem com você" passa a ser um limite aceitável, embora relativo, acerca da compreensão da maldade aos maus.

Será mesmo? 

Os cristãos combateram estes aforismos partindo da ideia de que  oferecer a outra face é destruir a maldade através do amor, da resistência pacífica para que não se transformem naquilo que tanto combatem. Tal prática, embora aplaudida, é deveras difícil em ser observada e realizada, afinal o desejo de vingança é tão forte quanto o desejo de justiça e muitas vezes se confundem em semânticas nada parecidas. 

Nada mesmo! 

Os revolucionários pacifistas como Ghandi e Martin Luther King conseguiram resistir à violência através da luta pacífica, embora possa parecer antagônico que a paz consiga vencer a violência sem se utilizar da própria violência como antídoto, pois a tentação de não partir para o revide seja quase incontrolável em todos aqueles que sofrem e padecem sob a conduta má. Todavia, referidos líderes nunca deixaram de partir para o revide, ao contrário, revidaram com revoluções pacíficas e conseguiram atingir seus objetivos sem se transformarem naquilo que combatiam.

Afinal, ao fazer mal a pessoas más estaremos ou não sendo tão maus quanto o mal combatido? E até que ponto o limite da maldade poderá ser controlado em nós mesmos e nos outros?

E você o que deseja ao mal que combate? Revide? Vingança? Justiça? 

Pense nisso! Forte abraço.

Tenhamos todos uma excelente quinta-feira.

 

 

 

 

 

  

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