Raízes da África

Onde vou tomar essa bendita vacina?- pergunta minha mãe beirando os noventa.E eu:- sei não. Vou perguntar a Renan.

  • 24/01/2021 19:29
  • Raízes da África

 

A notícia está estampada nas páginas dos sites oficiais e da imprensa local , a  chegada  de um lote 27.500 doses  da vacina Oxford/AstraZeneca  em Alagoas, carga vinda Índia.

E o destaque  foi o governador do estado de Alagoas, Renan Filho ao lado do secretário de estado da saúde, Alexandre Ayres, anunciando que a vacinação   deve ser direcionada a [email protected]  [email protected] a partir de 85 anos de idade. No estado, são cerca de 23.600 incluídos nessa faixa etária.

E  surge a fala institucional : Se você conhece alguém com mais de 85 anos, basta procurar a Secretaria de Saúde do seu município para se informar.

Eu conheço: minha mãe.

Fui toda feliz contar para  matriarca e, na hora  ela retrucou:  

-Onde vou tomar essa bendita vacina?

E eu:- sei não. Vou perguntar a Renan.

Quais são os locais de vacinação, existe um calendário, Renan? Não  encontrei  a informação em canto nenhum. Até perguntei a Jaque da página da SESAU e ela me deixou  ver navios.

Pode informar?

 

 

Os efeitos da política de “Deus acima de todos”.

  • 24/01/2021 17:23
  • Raízes da África

 

Ana Paula Miranda professora de Antropologia da UFF, pesquisadora do INC-INEAC-UFF, e Rosiane Rodrigues de Almeida, bolsista de Pós-Doutorado da FAPERJ; pesquisadora do INC-INEAC-UFF, escrevem:  

Discurso de ódio, numa interpretação bíblica supremacista, une grupos de perfil evangélico-pentecostal, tráfico e milícias em ataques aos direitos de grupos minoritários, como os afrorreligiosos, nas regiões metropolitanas das grandes cidades do país

As denúncias de violações de direitos envolvendo religiosos afro acompanham a expansão do neoconservadorismo de grupos de perfil evangélico-pentecostal. As perseguições se distinguem das de outros momentos históricos, pela Igreja Católica e/ou pelo Estado, porque hoje há formalmente mecanismos institucionais de garantia de direitos dos povos de terreiro.

Uma das razões é a interpretação da liberdade religiosa, prevista em lei, a partir de uma matriz evangélica que se afirma vítima de perseguição, ao mesmo tempo em que constrói uma agenda política de “direita cristã”, inspirada no modelo estadunidense, com forte presença na formulação de políticas públicas, a partir dos anos 1980. Isto se identifica já nos debates para a Constituição Federal de 88, quando a bancada evangélica despontou com perfil “conservador” e “tradicionalista”, difundindo discursos que, em nome de Jesus, atacavam direitos de grupos minoritários. Este modelo se opõe ao defendido pelos afrorreligiosos, que têm lutado pela garantia da liberdade de crença, sujeita a limitações, porque não se pode impedir o exercício de outros direitos fundamentais.[1]

A chamada “nova onda conservadora” tem afetado o desenvolvimento de uma política democrática na manifestação plural das diferenças no espaço público, revelando nuances de políticas “cristofascistas”[2], que lidam de forma binária com os povos tradicionais – associados às práticas maléficas, num ideário inspirado na supremacia branca estadunidense.

Se até 2000 eram comuns conflitos entre afrorreligiosos e evangélicos em relações de proximidade (vizinhos, parentes, etc.), há décadas as agressões envolvem também traficantes e/ou milicianos, seguidores de igrejas pentecostais. O fenômeno deixou de ser mera conversão de “bandidos” e tornou-se uma disputa por outros fronts – econômicos e político-eleitorais – que misturam imperativos teológicos e doutrinários com projeto político de nação. Nos Estados Unidos, as consequências dessa direita cristã se veem na política externa internacional e nas ações voltadas ao meio ambiente e direitos humanos.[3] No caso brasileiro, além desses efeitos é preciso destacar a emergência de outra dimensão – o papel dessas igrejas na interação de grupos paramilitares (tráfico e milícias), para consolidação de um “domínio armado”[4], que tem resultado em ataques e expulsão de terreiros e na unificação de áreas nas regiões metropolitanas das grandes cidades sob um mesmo comando, como é o caso do “Complexo de Israel”, favelas da zona norte do Rio, que sob a bandeira de Israel, são geridas pelo tráfico e milícia juntos. Tudo isso é fundamentado por discursos de ódio que possibilitam a consolidação e visibilidade dessas ações extremistas, numa interpretação bíblica supremacista. As consequências diretas desses conflitos são o agravamento de preconceitos em relação às moralidades, aos saberes e práticas dos afrodescendentes e dos indígenas, bem como na produção de uma nova forma de colonização política, discursiva e territorial.

Consideramos que esse processo de radicalização do ideal supremacista branco, baseado no tripé fenótipo-origem-religião[5], presentes no imaginário nacional desde o século XIX, foi atualizado e produz novas narrativas de inferiorização. A emergência da política nacional do “Deus acima de todos”, adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, é, portanto, a expressão de um projeto de poder que associa o expansionismo ao racismo ao tratar as minorias como símbolos do “atraso”, ao mesmo tempo que reinventam povos eleitos e ressuscitam a teoria do branqueamento no país.

A afirmação do vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), um homem heteroidentificado como “pardo”, de que o Brasil herdou a “indolência” dos índios e a “malandragem” dos africanos, é um exemplo de como essa política recusa a alteridade, em nome de Jesus, e mistura os discursos nacionalista e supremacista, com a defesa de uma ordem imposta pela força. A “ilusão brasileira da brancura”[6] está a serviço da invisibilidade das práticas institucionais genocidas que seguem agindo, a despeito das salvaguardas legais, num projeto de extinção de todos que não se representem como “brancos”. Assim, o ideal supremacista no Brasil está a serviço da manutenção dos privilégios da aristocracia, que não se prende ao fenótipo, mas a uma ideologia de “mérito” que o mito da democracia racial criou e que a teologia da prosperidade glorifica – a branquitude como hegemonia segue como a representação social consagrada no Brasil.

 

[1] MIRANDA, A.M. 2020. “Terreiro politics” against religious racismo and “christofascist” politics. Vibrant, 17: 1-20.

[2] O termo classifica políticas públicas e sociais que, em nome do cristianismo, excluem os grupos minoritários. In HEYWARD, I. C. Saving Jesus from Those who are Right: Rethinking what it Means to be Christian. Minneapolis: Fortress Press, 1999.

[3] RESENDE, E. S. 2010. “A Direita Cristã e a política externa norteamericana: a construção discursiva da aliança entre Estados Unidos e Israel com base na ideologia evangélico-protestante”. Carta Internacional, 5 (1): 3-20.

[4] MIRANDA, A.M.; MUNIZ, J.O. 2018. “Dominio armado: el poder territorial de las facciones, los comandos y las milicias en Río de Janeiro”. Revista Voces En El Fenix, 68: 44 – 49.

[5] ALMEIDA, R. R. “A luta por um modo de vida: as narrativas e estratégias dos membros”, Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. Tese de Doutorado em Antropologia, Universidade Federal Fluminense, 2019.

[6] CÂNDIDO, A. 2002. Racismo: crime ontológico [Entrevista]. Ethnos Brasil, I (1): 21- 28.

Fonte:http://www.fundacaoastrojildo.com.br/2015/2021/01/21/rpd-ana-paula-miranda-e-rosiane-rodrigues-de-almeida-os-efeitos-da-politica-de-deus-acima-de-todos/

 

A Quitéria anda descalça e quer uma sandália preta, número 37. Você tem?

  • 23/01/2021 22:36
  • Raízes da África

 

A Quitéria é uma mulher preta, idosa e mora  nos espaços públicos da orla de Maceió faz um tempo grande na folhinha

Ela conta que tem  família, um irmão , mas, de verdade divide a solidão  da vida , com [email protected] [email protected] de rua.

A Quitéria é dependente química ( álcool) e na pele encardida , engilhada é perceptível os efeitos do  uso desordenado.

Ela  diz que saiu de casa por destemperos familiares e encontrou a liberdade na rua.

É uma mulher preta, como tantas outras, com história de abandono social.

Na manhã do  sábado  vi  a preta moradora de  rua, sentada, em uma calçada , ainda  entorpecida. Vestia uma camisa vermelha com a inscrição: "espalhe amor".

Como será que Quitéria vive a essência do amor? Quem ama Quitéria?

Dia  14  de janeiro  em um momento de conversas  perguntei porque  andava descalça, e recebi o óbvio como resposta:- Não  tenho calçado. Quero  uma sandália preta, número 37.

A Quitéria anda descalça e quer uma sandália preta número 37. Você tem?

Eu calço 40.

 

 

 

 

Por que tantos governadores "pegaram" [email protected] pra dar vacina?- perguntou a moça curiosa.

  • 23/01/2021 19:32
  • Raízes da África

João Doria é governador do estado de São Paulo e candidatíssimo  a presidência da república, em 2022, hoje ocupada por Jair, que já foi seu companheiro e cúmplice em tempos de outrora.

Jair, o presidente é um cidadão complexo: machista, homofóbico, racista ( ainda bem que meus filhos não se envolveram com uma preta!)  falou Jair,  e etc e tal.

Faz um tempo que João Dória e Jair vivem às turras e um dia (pluft!) a  ruptura aconteceu .

Agora, intrigados, estão de mal de fogo a sangue,  Dória quer  desvincular-se da imagem,  do  atrelamento  político a Jair que é ultra-racista ( apesar-de-posar-com-o- deputado-preto-sombra-amiga).

E , seguindo essa lógica,  Doria, o João,  usa o elemento preto ( que Jair abomina)  para mostrar o mundo que "sim-somos-iguais (uma falácia do racismo à brasileira) ,e-respeitamos-as-diferenças.

Dória quer  passar  para o povo-eleitor-do  Brasil , a imagem desconstruída do politicamente correto, tipo "não-eu-não-sou-racista-igual-a- Jair, e aí surge  Monica Calazans.

Mônica Calazans, a  enfermeira preta  com histórias de inúmeros enfrentamentos  construídas ao longo da estrada ,uma apaixonada pelo SUS  foi a primeira  pessoa a ser vacinada no Brasil, no domingo, 17/01,uma ação do governo de  São Paulo.  

Mas, a estratégia  política de  Doria não contava com a  história de luta , os punhos cerrados e  o brilho próprio da preta, que  reverberou  para o mundo todinho, que nós [email protected] ,reexistimos e continuamos na luta.

Salve, Mônica!

O jogo politico é bruto e pede interpretação de texto.

Ubuntu!

 

Prefeito JHC, Zumbi não está morto , ou precisamos falar sobre Dandara,racismo estrutural e a gestão da Maceió negra.

  • 21/01/2021 18:09
  • Raízes da África

 

Foto reprodução

 

No 20 de novembro, dia da consciência negra, que aconteceu  bem no meio da campanha eleitoral para a prefeitura de Maceió,no ano pandêmico de 2020,  o então candidato JHC fez uma fala bem significativa,  ‘Se Zumbi vivesse hoje, provavelmente a luta dele seria numa grota’.

Discurso bonito, mas, eivado de contraditórios.

Primeiro , o 20 de novembro  é feito  cordão umbilical que faz  jorrar o sangue-memória  de ancestrais para veias  contemporâneas [email protected]  [email protected] de luta.  

Zumbi não está morto!

Nossa  resistência preta é imorrível!

Aqualtune, Zumbi, Ganga Zumba, Dandara lá do alto da  serra buchuda pariram  histórias e enviam , continuadamente, mensagens pretas  cifradas: não desistam.

Nossa luta é  sobretudo, periférica, mas, vai bem mais  além...  

Nós [email protected] ativista conquistamos , ao longo da história,   políticas estratégicas e  continuamos a fazer  ocupação de espaços.  

Adentramos pelas escolas, através da lei nº 10.639/03.  

Lei antirracista federalizada, conquista  marcante do movimento negro unificado, que como política pública  de estado causa  um silênciamento acentuado, é solenemente ignorada por  chefes de executivos de estados e municípios brasileiros,( aqui em Alagoas temos a Lei Estadual n6.814/07).

Estamos ocupando espaços de poder. Na última eleição elegemos mais de 50 quilombolas, no Brasil todinho.

Ocupamos a Universidade, estamos nas ruas e  desestruturamos o  engenhoso urbanismo da exclusão ,  nomeamos  logradouros públicos, assim  como a Praça Dandara dos Palmares, no bairro da Jatiúca ( dito nobre), em Maceió,AL , que faz mais de 25 anos  reverbera   a  memória da ancestralidade e da história de resistência das mulheres  pretas.

Esse texto é para  para falar da ideia esdrúxula de  retirada do nome de Dandara  da praça e colocar o nome da santa (no  Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa ) da  revogação da proposta, ( não aprendemos com os acertos e sim com os erros).

Esse texto é para evidenciar  como a  exclusão, intolerância e racismo institucional e estrutural estão presentes  e naturalizadas nas decisões politicas de estado.

É para falar  sobre a gestão da Maceió negra, no teu projeto de governo da mudança.

Não há mais tempo de retroagir, prefeito JHC.

 

Por que a mãe do corona deu poder a ele?-pergunta o menino de 4 anos.

  • 20/01/2021 17:55
  • Raízes da África

-Mãe tem  muito poder, né, Arísia Barros- pergunta o menino curioso.

Ele tem 4 anos e chama o vírus mortal, no popular,  de corona.

Respondo que toda mãe é muito poderosa, aí o menino rebate:

-Por que a mãe do corona deu poder pra ele?

Ele chama o vírus no individual, como se fosse outro menino treloso.

-O corono  é mau e mata pessoas- digo ao menino.

E  autoritário afirma :- Já está bom da mãe do corona falar com ele para parar de matar tanta gente.

Fico  matutando, em um pedido silencioso:- Alguém aí acha  a mãe do corona e conversa com essa senhora,  depois conta  o resultado da conversapro menino.

Dêdei!

 

"Tia, quando eu crescer vou ser matador- afirmou o menino de 8 anos.

  • 19/01/2021 17:41
  • Raízes da África

Uma professor escreve:

"Um aluno meu de 8 anos (guardem essa idade!) disse que não queria aprender a ler. Fui conversar com ele e perguntei "Por que você não quer aprender a ler?" Ele simplesmente respondeu que não precisaria. Perguntei "O que você quer ser quando crescer? Tenho certeza que vai precisar saber ler." Eu, inocente, esperando ouvir jogador de futebol, pedreiro, qualquer outra coisa... então ele me solta: "Tia, quando eu crescer vou ser matador." Passei uns 10 segundos olhando pra ele e perguntei "Mas por que? Você sabe que isso não é futuro né?" Ele respondeu "Tia, vou ser matador porque vou ganhar mais do que ganho hoje. Sou aviãozinho, ganho 100 reais e dou pra mãe comprar comida e pagar a luz, quando eu crescer já vou poder ser matador e vou ganhar é 1000 reais! Vou comprar uma casa pra ela."

*Nome e desenho fictícios. Depoimento real. #aescolafala #AsociedadeCalaAEscolaFala

Fonte: https://www.facebook.com/aescolafala/posts/443048687114998

Que a água benta que consagrou Miguel Henrique e Luís Henrique tenha sido como um beijo de Deus, enchendo de certezas e afetos os caminhos que estão por vir.

  • 17/01/2021 22:59
  • Raízes da África

 

 

A manhã cheirosa do  domingo,17/01 marcou o dia do batizado dos meninos -netos da Nelma da Glória e do Zé Márcio, na Igreja de Santa Rita, no bairro do Farol, em Maceió,AL. Gentilmente convidada não pude me fazer presente, daí envio meu abraço feito de palavras:

E eu desejo pro Miguel Henrique , 6 anos e Luís Henrique 7 meses, tempos  internalizados da fé que  reverbera , liberta e faz voar.

Uma fé que abrace a alma e os faça sentir que pertencem a um lugar.

Uma fé, como experiência ímpar,  que desarme intransigências e estabeleça diálogos  amplos com universos dispares.

Uma fé feito vocabulário pessoal e intimo , que  respeite o tempo das coisas, promova um olhar inteligente sobre as diferenças do mundo todinho e celebre pessoas.

Uma fé  cheia de profundezas , vivida todo dia, como alimento da alma , além de templos e convenções mundanas.

Eu desejo  pro Miguel Henrique  e Luís Henrique que  a água benta que  os consagrou  tenha sido como um beijo de Deus, enchendo de certezas e afetos os caminhos que estão por vir.

Parabéns, meninos!

Conversamos,com a professora Danielle Boaz, da Universidade de Carolina do Norte sobre racismo religioso, para pesquisa que será apresentada em Harvard.

  • 17/01/2021 21:45
  • Raízes da África

 

Danielle Boaz é  professora e advogada nos Estados Unidos, e está realizando, no Brasil,  um   projeto de mapeamento de casos de intolerância religiosa.

O projeto de pesquisa  reúne a Universidade de Carolina do Norte , Universidade da Califórnia e a UNB, da Bahia.

 A professora já visitou  alguns estados da federação, como  Brasília, São Paulo, Bahia,etc.

Na  semana,  que findou, a pesquisadora esteve em Maceió, Alagoas , e como Rosiane Rodrigues referenciou nosso ativismo preto , para a escuta no projeto:

-Indiquei teu  nome para Danielle, porque você para mim é uma grande referência na questão do combate ao racismo.  

Rosiane Rodrigues é carioca, doutora em antropologia , pesquisadora da Universidade Federal Fluminense , estudiosa  premiadíssima em pretitudes e religião afro, uma intelectual, terrivelmente macumbeira e  minha amiga ,com uma percepção aprofundada  sobre mundos e gentes.

Estivemos com Danielle, na tarde de quinta-feira e a levamos à Secretaria de Comunicação do Estado-SECOM ( onde foi recepcionada pelo secretário Ênio Lins e entrevistada ), após estivemos no restaurante Bodega do Sertão, um restaurante com a cara do Nordeste, o melhor em comida regional, cortesia, gentilmente, concedida por Nado Freire.

Foi uma conversa cheia de detalhes e descobertas.  

-Eu não conhecia a história de Alagoas.- diz Danielle. A pesquisa está só começando , e estamos visitando estados e fazendo reconhecimentos de pessoas e territórios, e Rosiane disse que você esta fazendo ótimo trabalho nesse problema.

Obrigada, Rosiane Rodrigues pela indicação.

Obrigada Danielle Boaz pela boa conversa.

Viva, Mônica Calazans! Salve, o destemor político de João Dória, governador de São Paulo e FORA BOLSONARO!

  • 17/01/2021 16:20
  • Raízes da África

 

O nome dela é Mônica Calazans, tem  54 anos, mora em Itaquera, na zona Leste da capital paulista, e trabalha no hospital Emílio Ribas, referência no tratamento de Covid-19 no país.

O nome dela é Mônica Calazans e mesmo tendo um   perfil de alto risco para complicações da Covid-19:  obesa, hipertensa e diabética  decidiu ficar à frente da batalha.

O nome dela é Mônica Calazans  e sua vocação é salvar vidas.

A mulher preta enfermeira foi  primeira  a ser vacinada no Brasil, neste domingo, 17/01, contra o vírus que mata, 

Viva , Mônica Calazans!  

Salve,o destemor  político de  João Dória e  Fora Bolsonaro!

 

Abenção,meu pai!

  • 17/01/2021 15:38
  • Raízes da África

 

Meu pai era um  preto embrutecido pela vida , com uma aspereza peculiar , um  coração imenso e uma gargalhada contagiante.

Meu pai nos ensinava o poder da  honestidade e vivenciava isso , em cada gesto ou palavra.

Era um  profissional gabaritado no ramo da serralharia e funilaria, e um dia ( faz muito tempo!) foi convidado a ministrar aulas na antiga Escola Técnica Federal, mas, recusou-se  a ser "prisioneiro" do sistema.

Seu Antonio,  o mestre funileiro, jurou nunca na vida depender de patrão, era seu próprio.Foi um empreendedor preto, do seu tempo,  , bem antes que empreendedorismo virasse moda.

Lembro   que quando estava a arrumar as ideias, em pleno estado de reflexão,  meu pai tinha mania de  cruzar as duas mãos nas costas e sair, em silêncio, pelo mundo  ajeitando os pensamentos.

Ultimamente,  nas caminhadas diárias  me pego cruzando as duas mãos nas costas, repetindo gestos ancestrais, e sempre lembro do mestre, Seu Antonio..

Abenção, meu pai!

 

No meio da pandemia,a moça se matou,ou, Alagoas precisa investir, URGENTEMENTE, em políticas públicas de prevenção à pandemia, depressão e suicídio..

  • 17/01/2021 14:26
  • Raízes da África

A moça é jovem, bonita, bem de vida, mas, carregava-segundo falam- o peso do mundo nas costas. A depressão consumia   todos seus sonhos.

A depressão da moça foi maior que a vontade dela de ficar viva.

A   depressão pode levar ao suicídio.  

Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano - sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos. Em Alagoas o maior percentual de suicidas, tem cor, É preta1

A moça se matou.

Deixou 2 filhos e a vida  todinha  que tinha pela frente.

Precisamos falar sobre pandemia, depressão e suicidio.

Precisamos de políticas públicas de  estado de atenção à vida e ao comportamento suicida, principalmente, em tempos pandêmicos.

O comportamento suicida é um grave problema mundial de saúde pública e deve ser enfrentado de modo consensual por [email protected], profissionais e população.

Com a palavra a Secretaria de Estado da Saúde,em Alagoas!

 

Na sexta-feira, 15/01,João Folha, o gestor da SIMA, repostou ao blog alertando que enviaria uma equipe,para providências.

  • 17/01/2021 13:11
  • Raízes da África

 

As luzes dos postes, no trecho dois do Corredor Vera Arruda estão a quase um mês acesas, ininterruptamente, ou seja 24 horas por dia.

Em 13/01, o blog fez a  reclamação

https://www.cadaminuto.com.br/noticia/2021/01/13/tem-luz-acesa-24-horas-por-dia-nos-postes-do-corredor-vera-arruda-alerta-uma-equipe-do-ronda-no-bairro-alo-sima.  

Na sexta-feira, 15/01, João Folha, o gestor da SIMA, repostou ao blog alertando que enviaria uma equipe, para providências.

Na manhã do domingo, (17/01 ) as luzes do centro do passeio  público amanheceram  apagadas, mas, as  dos onze postes  laterais, do Harmony Medical continuam acesas.

A iluminação pública é paga com os excessivos  impostos infringidos ao povo, imprensado entre o desaumento  do salário mínimo e uma inflação galopante, inclusive da energia residencial.

E  a pergunta que não quer calar, persiste:-Quem vai pagar pelas luzes acesas, ininterruptamente, no Corredor Vera Arruda?

Com a palavra a SIMA.

 

NOTA

A Superintendência Municipal de Energia e Iluminação Pública (Sima), informa que foi enviada uma equipe técnica ao Corredor Vera Arruda, para que fossem realizadas todas as manutenções necessárias. Ressaltamos a importância do uso do Disque Luz - 0800 031 9055 ou do aplicativo Ilumina Maceió para as solicitações referentes aos serviços de reparo ou manutenção e postes acesos durante o dia.

O investimento de R$ 376.362,42 para construção de 7 banheiros, na orla e a fossa a céu aberto no centro de Maceió, heranças da gestão Rui Palmeira.

  • 16/01/2021 19:47
  • Raízes da África

 

 

Até a semana tinha uma fossa aberta, bem no centro da cidade de Maceió,entre  a Loja Riachuelo e Casas Bahia , um  local  público, lançando uma água fétida ao longo do calçadão, fazendo com que os traseuntes desviem no trajeto.

Ainda tem?

Até a semana passada tinha  um esgotamento sanitário vazando sobre o sol, no centro da cidade turistica e , o vazamento não é recente , mas, foi se instalando e as pessoas  foram se acostumaram com a situação.  

Naturalizou-se.

Dizem que é uma cena comum  ver é os  descasos, do municipio,  com fossas.

O buraco da fossa foi tamponada com madeiras, enquanto os cocozinhos passeiam nas águas, que vazam, livremente.

A  fossa aberta no centro da cidade turistica é uma das heranças do governo  Rui Palmeira, assim, como  os  banheiros na orla de Maceió, que  deveriam ter inicio em fevereiro de 2020 e termino em junho de 2020 , mas, a obra de construção só  começou  na reta final da gestão.

A fossa aberta a céu aberto,  no centro da capital e a construção de 7 banheiros, na orla de Maceió , com investimento de R$ 376.362,42  são heranças do governo Rui Palmeira.

E ponto.

 

Assim como eu, penso que muita gente não sabe o que é blister.Você sabe?

  • 15/01/2021 19:58
  • Raízes da África

Blister é o nome da cartelinha de remédio, e assim  como lacres de tampinhas e latinhas de cervejas, a cartelinha de  remédio , pode ajudar pessoas em vulnerabilidade  e instituições de caridade.

Os blisters também podem ser trocados por objetos de utilidades, como cadeiras de banho, cadeiras de roda.  

E agora que  você sabe disso, não jogue fora a cartelinha de seu remédio, junte um monte e entregue a uma instituição em sua cidade.

Blister é o nome da cartelinha de remédio.

É sempre  bom  ter uma informação como essa, não é mesmo?!

 

 

Tem luz acesa 24 horas,por dia,nos postes do Corredor Vera Arruda- alerta uma equipe do Ronda no Bairro. Alô,SIMA!

  • 13/01/2021 20:14
  • Raízes da África

 

No retorno da  caminhada matinal , na terça-feira,12 de janeiro, encontrei , em um dos trechos do Corredor Vera Arruda, o  sargento Julião, com sua equipe da Ronda no Bairro, Tayrone e a cabo Karyne. .

Experiente na arte do acolhimento , Julião  me fala de algumas ações  da Ronda, no Corredor  e aponta  mais um problema no entorno,  que vem causando incômodo social: postes que tem luzes acesas 24 horas por dia.

Disse Julião que moradores levaram o problema  a equipe do Ronda.  

Fomos até o local  mencionado e foi  constatado diversos postes, no  segundo Corredor próximo ao Harmony Center , com todas as luzes acesas, em plena manhã de sol.

E  esse desperdício é pago com os impostos do povo .

O órgão responsável pela iluminação pública é a Superintendência Municipal de Energia e Iluminação Pública-SIMA.

Tem luz acesa 24 horas ,por dia, nos postes do Corredor Vera Arruda- alerta uma equipe da Ronda. 

 Alô,SIMA!

 

"Você tem aqui um gestor e um militante anti-racismo.Conte inteiramente comigo!"- afirmou Elder Maia,secretário de educação,em Maceió.

  • 13/01/2021 13:01
  • Raízes da África

 

 

Saio eu para fazer umas compras, na esquina de casa,  e  no espaço térreo de um supermercado, avisto  Elder Maia, o secretário de educação de Maceió , apontando ao longe.

Reconheci-o de  imediato, mas, aproveitei  que foi tomar um cafezinho na lanchonete , e dei uma conferida nas imagens do Google para ter certeza. Era ele.

E lá fui eu, interceptar o  secretário:

-Você é o Elder Maia?

E ele:- Sim.

E quando fui me apresentar, Elder fazia gestos com a cabeça, como a afirmar ser conhecedor do nosso ativismo nos espaços da educação.

Foi muito bom saber disso!

Foi uma conversa rápida, empática , e  reafirmarmos , politicamente,  a questão da implementação de políticas públicas antirracistas, na educação do município de Maceió.

Elder, muitíssimo simpático,  falou ser professor universitário e demonstrou  muito interesse em  discutir, estudar caminhos para consolidação de uma educação antirracista.

-A educação antirracista é um dos nossos grandes desafios. Você tem aqui um gestor e um militante antirracismo"- Conte inteiramente comigo!-afirmou o secretário.

A primeira imagem que me fica de Elder, o secretário de educação, é de um gestor cuidadoso , super atencioso, disposto à escuta e  extremamente gentil.

E foi muito bom conversar com Elder, deu uma sensação boa de  caminhos e possibilidades.

Quem sabe se não é na  gestão de Elder Maia, que  a  Lei nº 6.814,deixe de ser uma  mera letra morta?

A lei nº 6.814/07 foi sancionada em 02  julho de 2007, pelo governador Teotônio Vilela Filho, e tem por objetivo dar extensão e efetividade no Estado à Lei Federal  nº 10.639/03, que prevê a obrigatoriedade de inclusão da temática no currículo de toda a rede oficial e particular de ensino do país.

Quem sabe?

Seja bem vindo, Elder Maia ao mundo dos desafios.

E obrigada pela recepção  que trouxe  ( nesses tempos conturbados) acalanto para a alma de luta desta ativista.

 

 

Para Arianne Barros,minha filha, nos seus 24 anos.

  • 12/01/2021 11:58
  • Raízes da África

Obrigada por ter chegado em minha vida, em um momento em que eu era ilha, perdida em oceanos, sozinha.

Hoje somos nós.

Obrigada por ter insistido em falar ( mamã) aos 4 meses, ter ficado em pé aos 5 meses, e andado aos 7 meses. Quando mé[email protected] afirmavam que isso aconteceria.

Muito cedo você aprendeu a resistir aos “nãos” que a vida, sorrateiramente, te oferecia de mão estendida.

Obrigada por , na grande maioria das vezes, não me permitir interferência na  conquista  de espaços profissionais, sempre dizendo:- Você construiu sua história, mainha e agora preciso construir a minha. Tenho que me desafiar a trilhar alguns passos  sozinha.

Obrigada, por ter resolvido aos 21 anos  abrir mão da estabilidade-casa-comida-e roupa lavada-na-casa-da-mãe para lutar por tua independência, autonomia de ser pessoa.

Obrigada  por essa profissional que está se tornando: design publicitária  elogiada, competente, responsável 

 ( mas, não deixe de voar no aprendizado de aprender mais e mais. Não se acomode. Aprendizado é permanente)

Obrigada, porque faz 21 anos ( você tinha três) olhou para mim e disse:- Eu lembro de você, engatinhando, Arísia. Eu lembro de você. Nosso encontro é de alma, espíritos que se reencontraram.

Obrigada, por ter se tornando uma mulher especialíssima!

Obrigada, pelo silêncio de uma semana, Quando te contei (aos três anos ), que  nasceu no “coração da mamãe”, daí, você se fechou . Uma semana de silêncio-pensativa-muda-calada e depois se achegou  em um abraço apertado que  falava em aceitação , em reencontro.

Obrigada por ser chorona, às vezes chata, abusada , mas, minha filha.

Obrigada, literalmente, por ter me escolhido, como mãe.

Muita gente não apostava nessa parceria e olha só aonde chegamos.

Feliz  12 de janeiro, minha filha.

Feliz 24 anos.

Que toda espiritualidade a proteja.

Eu te amo!

 

Onde estão Lucas,Alexandre e Fernando, os meninos desaparecidos de Belford Roxo.Ninguém sabe, ninguém viu?

  • 11/01/2021 15:37
  • Raízes da África

 

Lucas Matheus tem 8 anos, Alexandre da Silva, 10 e Henrique , 11 anos e  moram em  Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, e desde o dia 14 de dezembro de 2020 estão desaparecidos.

Lucas e Alexandre são primos e Fernando amigo dos dois.

Faz 14 dias que os meninos  saíram para jogar bola no campinho do bairro, e sumiram.

Pluft! Evaporaram?

14 dias e  o silenciamento midiático  sobre o desparecimento de três crianças é denunciador.

3 crianças pretas sumiram.

 Não há testemunhas, pistas, registros de câmeras.

 Nada!

E a  polícia (e seu serviço de inteligência) não consegue  elucidar o que aconteceu, com as crianças?

3 meninos pretos desapareceram em Belford Roxo faz 14 dias, e ninguém sabe, ninguém viu?

A Fundação da Infância e Adolescência (FIA) disponibilizou os números (21) 98596- 5296 ou 2286-8337 para quem tiver informações sobre os meninos. 

Onde as crianças desaparecidas de Belford Roxo?

3 crianças [email protected] invisíveis?

Eu aposto fichas e torço para que a vereadora, Olivia Tenório,se faça grande na arte da partilha.

  • 11/01/2021 12:17
  • Raízes da África

Desde muito sou uma ativista preta, um tanto áspera no observar o complexo jogo de  xadrez que é o mundo da política em Alagoas. 

Complexidade intrínseca vale afirmar.

Nesse movimento de espiar, acompanho,  tem um certo tempo, os movimentos da  jovem advogada Olivia Tenório, que, gradativamente, vai assumindo uma desenvoltura própria.

Nos conhecemos tem um tempo na folhinha, já fizemos ações conjuntas, conversas educadas e diversos estranhamentos.

Olivia Tenório,  como toda bancada feminina eleita, pelo voto popular,  em Maceió ,Al. é uma mulher branca, da elite política alagoana,consequentemente, incorpora os   privilégios do mundo todo,. Ponto!

 Após uns diálogos ,alguns  ásperos ( sim, o racismo me deseducou , e muito agradeço a deseducação cotidiana), outros  mais calmos, bem bons,  senti a força dessa moça e  os acúmulos de experiências/conhecimentos  que vem buscando,  criando assim  possibilidades , com  propostas para  ressignificação de espaços e  na forma de olhar os entornos.

“Nada de nós sobre nós”- nos fala o ativismo de [email protected] 

Olivia Tenório não é uma de nós, mas, pode vir a ser uma aliada desenvolta, nos espaços do parlamento  municipal e transitar, com sua habilidade política , projetos de leis que gerem políticas públicas  de direitos humanos, para afirmação do povo tutelado, que em Maceió é de maioria preta..

Eu aposto fichas e torço  para que a parlamentar se faça grande na arte da partilha, pois a essência da  verdadeira política traz uma lógica matemática : somar conhecimentos, multiplicar mudanças e dividir direitos,  feito revoluções  coletivas que promovam  o bem estar do povo.

Boa sorte, vereadora!

“Estamos exaustos, deprimidos e desesperançosos. A população não nos escuta há meses. Chegamos a mais de 200 mil mortos.”- diz o médico.

  • 10/01/2021 12:56
  • Raízes da África

Diego Vieira é   médico , e está na linha de frente contra a Covid-19, em um hospital em Baturite, no interior do Ceará. Diego também é e também professor de História e querendo “reafirmar” o poder destruidor do vírus compartilhou na página no Instagram @imagens.história, relatos de três episódios ocorridos neste sábado durante seu plantão:

“"Jovem de 22 anos com sintomas respiratórios. Relata que viajou pra praia no Réveillon e que 3 pessoas da casa onde estavam testaram positivo para COVID. Está com medo pois abraçou a mãe idosa no dia primeiro de janeiro. Repreendi sobre a necessidade de evitar aglomerações, ele respondeu que 'precisava relaxar' no Ano Novo. Sinto que ele não me escutou", conta Vieira sobre o primeiro exemplo.

"Mulher de 45 com febre e tosse. Tenta furar a fila de atendimento exigindo o "tratamento preventivo". Mando esperar sua vez. Na sua consulta exige prescrição de cloroquina. Oriento que a medicação não tem nenhuma eficácia contra o COVID. Sai do consultório ameaçando me processar. Sinto que ela não me escutou", diz ele sobre o segundo caso.

"Idosa de 71 anos com falta de ar. Saturação de oxigênio baixa. Ligo para o SAMU que informa que não pode levar no momento para hospital de grande porte pois já estão com vários pacientes na mesma situação esperando. Filha diz que fizeram uma "festinha" só de 15 pessoas na virada, apenas com parentes próximos. Nem tinha mais forças para repreender. Sinto que ela não vai me escutar", conclui no terceiro episódio, seguido pelo desabafo:

E o médico adverte :"Enquanto você posta foto na praia, na balada ou no bar, estamos vendo a segunda onda vir".

O povo pode ter cansado da pandemia, mas, a  pandemia não acabou.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/coronavirus/desabafo-de-medico-repercute-enquanto-voce-posta-foto-na-praia-na-balada-ou-no-bar-estamos-vendo-segunda-onda-vir-24831453.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=Extra&fbclid=IwAR2Qu1fWFOJKYXmMpz73fzrnUls_rsC1b_xEXubDPFy3q8XrU11oawTTUkw

 

“Em minha infância não tínhamos luz, nem água em casa. Tive uma infância muito pobre mesmo.” afirma Marta Nunes, a preta gaúcha, Doutora em Química.

  • 10/01/2021 11:44
  • Raízes da África

Marta Nunes é ativista preta gaúcha , doutora em Química e  professora adjunta da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. No ano de 2018 realizou um pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Davis/CA/EUA, em pesquisa sobre mulheres nas ciências naturais e exatas, engenharia e computação .

A ativista escreve:

Eu lembrava nitidamente que não tínhamos luz em casa até quase eu entrar na escola. Isso porque a gente não tinha geladeira nem televisão. Na minha rua apenas uma única casa tinha TV. Nos amontoávamos na frente do portão p/ espiar qualquer coisa que saísse daquele tubo mágico até que vinha um pequeno fdp da casa que fechava a porta na cara da criançada toda.

Semana passada a mãe lembrou que a gente não tinha água também...aí eu lembrei...a gente tirava água de um poço, que eu tinha um medo absurdo, imaginava monstros (os sapos no meu caso) esperando quando eu fosse ajudar a pegar água. Tinha medo de cair também. Nem preciso dizer que tínhamos uma fossa seca no lugar do banheiro né, banhos de bacia e por aí vai.

Na esquina da rua periférica, havia um conjunto de tanques e torneiras públicas, onde a mulherada ia lavar a roupa e a gente brincas com uma água potável que não tínhamos em casa.

Não, eu não nasci a 10 mil anos atrás, eu tive uma infância muito pobre mesmo, como a maioria das crianças negras deste país...

É doloroso...mas importante não esquecer de onde a gente veio, sem se prender nesta memória, mas sabendo que se cheguei até aqui, algum propósito o universo (o meu) deve ter!

#memórias

 

Fonte: Facebook da Marta

Por que a Casa da Mulher Alagoana não recebeu o nome de uma mulher preta?

  • 10/01/2021 07:36
  • Raízes da África

Todos os dias, nas manhãs de caminhada converso com Nise da Silveira,(1905-1999) que, como estátua,  está placidamente sentada em uma cadeira, defronte ao mar de Jatiúca. No Corredor Vera Arruda, em Maceió,AL.

As conversas, muitas vezes monólogos, são elásticas, mas,  fica evidente uma coisa: o sentimento humanitário de partilha de Nise, a renomada cientista-psiquiatra (que teve que sair de Alagoas para ser reconhecida, mundialmente).

Cem metros após a estátua existe uma placa grandona, em homenagem a Nise . No mesmo Corredor Vera Arruda.

Um hospital, recentemente nomeado, recebeu também o nome de Nise. Além de outros lugares públicos.

Justo, muito justo a homenagem à mulher que revolucionou o mundo dos “loucos”, entretanto tem que pensar que a Alagoas é múltipla e diversa e mulheres pretas , cotidianamente re-existem em suas histórias de lutas  políticas, como  a deputada Selma Bandeira (in memorian).

Com todo respeito a genial  Nise Magalhães da Silveira (Salve, Nise!) mas, já não passou da hora das instituições públicas em Alagoas reavaliarem o olhar hegemônico e  branco nessas homenagens as mulheres alagoanas, que fizeram história?

Por que a Casa da Mulher Alagoana ( inaugurada na sexta-feira, 08 de janeiro)  não recebeu o nome da primeira agente de saúde preta ,que morreu na luta contra covid?

Por quê?.

 

Em 2014,segundo o MEC, Alagoas foi referência nacional na implementação da Lei 10.639, que hoje faz 18 anos. No mais completo ostracismo.

  • 09/01/2021 22:58
  • Raízes da África

A Lei nº 10.639 sancionada em 09 de janeiro de 2003 ( alteração dada a Lei de Diretrizes e Bases e) é fruto das reivindicações e propostas suscitadas pelo  movimento negro brasileiro.

09 de janeiro é um dia histórico para ativistas da educação para as relações raciais.

A Lei nº 10.639  tornou obrigatório ( faz 18 anos)  o ensino da temática da história e cultura afro-brasileira, africana, nas escolas públicas e privadas.

Em 2014 , Alagoas já foi referência nacional, segundo o MEC, na implementação da Lei 10.639/03 e passados 18 anos , o retrocesso é avassalador.

A Secretaria de Estado da Educação, através do Núcleo Temático Identidade Negra na Escola e Gerência de Educação Étnico-Racial já foi  um órgão assertivo, promotor da educação antirracista.

Alagoas foi o segundo estado do Brasil a estadualizar a lei federal, a partir da Lei Estadual 6.814/2007, que repousa mortinha em gavetas estatais.

Quais os   por quês da resistência política-estatal de  se revisitar, nos bancos das escolas públicas e privadas, a verdadeira história de Áfricas e dos [email protected]?

Será que a omissão atual  isso entra na conta do racismo estrutural?

A Lei 10.639 faz 18 anos e o que Alagoas estatal-política e movimentos sociais  tem oferecido como subsídio-luta na  reinvenção da  prática educacional contra o racismo nos currículos-pedagogia  escolares?

A Lei faz 18 anos e  o estado negro do Quilombo dos Palmares,  já foi referência na implementação.

Onde foi que erramos?