Voney Malta

Renan no centro da disputa pelo poder

Mais uma vez no centro da disputa pela Presidência do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) sempre se coloca no ringue dos enfrentamentos. Só que dessa vez também usando estrategicamente algumas declarações publicadas nas redes sociais sobre o processo.

Tamanha sabedoria política não pode ser desprezada ou menosprezada. O senador já percebeu que boa parte da classe política não entendeu o recado das urnas.

É nesse espaço que ele vem se posicionando com petardos certeiros e discretos sobre diversos temas. E aos poucos consegue movimentos e apoios mesmo que, inicialmente, discretos.

O MDB publicou nas suas redes sociais textos afirmando que tem o direito de indicar o futuro presidente, uma vez que tem a maior bancada do Senado – 12 dos 81 senadores.

O partido afirmou que “A sociedade, através do voto, credenciou o MDB como partido majoritário a indicar o presidente do Senado Federal. Em que pesem as opiniões divergentes e tantos capacitados pretendentes, este é um direito que foi dado pelos eleitores e este nome será escolhido pela bancada quando for o momento dessa discussão. Conveniente ressaltar ainda que essa discussão será feita também com os senadores eleitos que tomam posse em fevereiro de 2019”.

Ou seja, Renan conseguiu trazer para o centro do ringue o seu partido. Dessa forma, o posicionamento de todos os lados terá forte influência na eleição da Câmara, o que significa que as negociações envolverão com maior aprofundamento as siglas, inclusive – repito - nas duas casas. Tipo um 'pacotaço'.

Essa situação pode trazer consequências negativas na relação entre o Legislativo e o governo Bolsonaro. Especialmente se o presidente eleito, ministros e companheiros do PSL optarem  por defender ou rejeitar algum nome abertamente, diretamente.

Mais uma vez com Renan Calheiros distribuindo as cartas do baralho, parece que a história se repete, mesmo com a troca de alguns atores.

Ou, quem sabe, é a mesma novela da disputa pelo poder, mas com vários personagens novatos.

 

A pressão sobre Lula

Dizem que o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, voltou a ser pressionado por amigos, parentes e aliados para concordar com o pedido de cumprimento da pena em prisão domiciliar.

Essa ideia ela havia rechaçado anteriormente, em junho – e repete agora, com o argumento de que quer ter a inocência reconhecida.

Do ponto de vista político tem razão o ex-presidente. Caso aceite a estratégia da defesa perde o discurso de que é inocente.

Por outro lado, do ponto de vista jurídico e familiar é uma benéfica possibilidade jurídica, dentro da legalidade.

Contudo, talvez Lula da Silva já tenha decidido que a sua vida e tudo e todos que lhe rodeiam já não têm mais tanta importância e que a sua trajetória e os seus posicionamentos pertencem à história.

Ou seja, juristas, pesquisadores, jornalistas, biógrafos, entre outros profissionais, serão os responsáveis pela análise dos fatos.

 

 

 

 

Bolsonaro anuncia interessados na morte de Bolsonaro

Vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, postou no Twitter na noite desta quarta-feira (28) um texto revelando que há, além de adversários, pessoas próximas interessadas na morte do presidente eleito.

Segundo o vereador, o interesse na morte seria “Principalmente após a sua posse!”

A postagem indica que Carlos tem conhecimento de vários elementos da trama.

Vejamos o que ele publicou:

1 – A morte de Jair Bolsonaro interessa a inimigos e aqueles que estão muito perto.

2 – O interesse aumenta principalmente após a posse.

3 - O presidente eleito é fácil de ser mapeado.

Daí surge uma pergunta: Qual indivíduo seria beneficiado com a morte? Qual grupo próximo ao presidente assumiria o controle do governo?

Caso as perguntas acima sejam respondidas a trama pode ser eliminada.

Mas há um problema. Tudo indica que o futuro presidente será operado após a posse, em janeiro, ainda por conta de sequelas causadas pela facada recebida em Juiz de Fora durante a campanha eleitoral.

Parece enredo de novela, mas pode ser teoria da conspiração, ou um suspense, ou também jogada de Carlos aos admiradores do “Mito” para desviar a atenção por causa das bobagens em série feitas pelo seu pai na política internacional e na local sem ainda sequer ter tomado posse.

Leia aqui outras informações sobre o caso e abaixo a postagem na íntegra de Carlos Bolsonaro:

“A morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto. Principalmente após de sua posse! É fácil mapear uma pessoa transparente e voluntariosa. Sempre fiz minha parte exaustivamente. Pensem e entendam todo o enredo diário!

 

Bolsonaro prepara crise com vice e empresários

A fábrica de ‘plantar crises’ do futuro governo Jair Bolsonaro não para de fazer #@%&$#. Ele e seus filhos têm verdadeira adoração pelos Estados Unidos e pelo presidente Trump e isso parece que atrapalha a devida visão de política internacional e os interesses de um país.

O primeiro choque já é prevsisto, está desenhado. Chamado de chanceler informal do Brasil, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) - o filho semeador da discórdia - anunciou, nesta terça-feira (27), nos Estados Unidos, com um boné de Donald Trump enfiado na cabeça, a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

O problema é que tal posicionamento desagrada, internamente, a duas forças poderosíssimas: o agronegócio e os militares nacionalistas. "A questão não é perguntar se vai, a questão é perguntar quando será", disse Eduardo Bolsonaro. O problema que o pimpolho não consegue ver é que o Brasil poderá perder bilhões em exportações.

O segundo maior comprador de proteína animal brasileira são as nações árabes, US$ 13,5 bilhões em 2017. O comércio com Israel é praticamente inexistente.

Na semana passada o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, afirmou, em entrevista na Folha de S. Paulo, sobre esse tema, que os interesses nacionais deveriam ser preservados, defendidos.

"É óbvio que a questão terá que ser bem pensada. É uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada. Nós temos um relacionamento comercial importante com o mundo árabe. E competidores que estão de olho se perdermos essa via de comércio. Há também uma população de origem árabe muito grande em nosso país, concentrada nas nossas fronteiras. Temos sempre que olhar a questão do terrorismo internacional oriundo da questão religiosa, que poderá ser transferida para o Brasil se houver um posicionamento mais forte em relação ao conflito do Oriente Médio", disse Mourão.

Contudo, parece que a família Bolsonaro idolatra mesmo é o presidente americano. E de forma tão excessiva que só enxerga Donald Trump, ‘e que tudo mais vá pro inferno’.

O que pensa o futuro chanceler de Bolsonaro

Em doses lentas ficamos conhecendo um pouco do pensamento dos futuros ministros de Jair Bolsonaro. É o caso do diplomata Nélson Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro.

Ele publicou, nesta segunda-feira (26), um artigo no qual ataca o marxismo, o PT, as universidades, a mídia, as ideias anticristãs, o alarmismo climático, o terceiro-mundismo automático, entre outros temas. Ele também não poupou o Itamaraty e até a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

Revelou ainda que a sua meta é extirpar das relações internacionais brasileiras a ideologia do PT e acabar com a "transferência brutal de poder econômico em favor de países não democráticos e marxistas", como a Venezuela.

É interessante e curioso. Leia abaixo o artigo na íntegra, tire as suas conclusões e imagine o rumo que seguiremos.

Mandato popular na política externa

Se a prioridade, segundo o presidente eleito, é extrair a ideologia de dentro do Itamaraty, não lhe parece conveniente ter um chanceler capaz de compreender a ideologia que ali existe?

Algumas pessoas gostariam que o presidente eleito Jair Bolsonaro tivesse escolhido um chanceler que saísse pelo mundo pedindo desculpas. Queriam uma espécie de Ministro das Relações Envergonhadas que chegasse aos parceiros dizendo algo como “Olhem, os brasileiros elegeram Bolsonaro. Não posso fazer nada, é a democracia. Sabem como é, o povo não entende nada. Mas fiquem tranquilos, pois aqui, na frente externa, nada vai mudar. Estou aqui para aguar todas as posições do presidente, para cozinhá-las e transformá-las no mesmo rame-rame que vocês já conhecem, cotinuarei falando a linguagem da ordem global. Estou aqui para não deixar nada acontecer”.

Alguém desse tipo é o chanceler que os comentaristas da imprensa tradicional – nutridos pela convivência com diplomatas pretensiosos – gostariam de ver. Alguém que enquadrasse o novo presidente, pasteurizasse as suas ideias, freasse o seu ímpeto de regeneração nacional, sob a desculpa de que política externa é algo demasiado técnico para ser entendido por um simples presidente da República, muito menos por seus eleitores.

Parece prevalecer nesses meios a tese de que um presidente pode mudar tudo, menos a política externa. Para eles, a política externa seria uma região fechada ao mandato popular, uma espécie de no-go zone fechada ao povo; o Itamaraty seria um Estado dentro do Estado, onde o Presidente só aparece como um convidado ilustre nos jantares oficiais, mas não tem voz efetiva, ou onde a voz do presidente – que é a sagrada voz do povo – sai dublada em idioma da ONU, e ao ser dublada perde o sentido, pois no idioma da ONU é impossível traduzir palavras como amor, fé e patriotismo.

Isso é um gigantesco equívoco. Em uma democracia, a vontade do povo deve penetrar em todas as políticas. Mas as pessoas daquele sistema midiático-burocrático, que gostam tanto de falar em democracia, não sabem disso. Perguntam-se, assustadas: “O que vão pensar de mim os funcionários da ONU, o que vai dizer de mim o New York Times, o que vai dizer o The Guardian, o Le Monde?”

E o povo brasileiro? Vocês não se preocupam com o que o povo brasileiro vai pensar de vocês? Sabem quem é o povo brasileiro? Já viram? Já viram a moça que espera o ônibus às 4 horas da manhã para ir trabalhar, com medo de ser assaltada ou estuprada? A mulher que leva a filha doente numa cadeira de rodas precária, empurrando-a de hospital em hospital sem conseguir atendimento? O rapaz triste que vende panos no sinal debaixo do sol o dia inteiro para mal conseguir comer? A mulher que pede dinheiro para comprar remédio, mas na verdade é para comprar crack e esquecer-se um pouco da vida? O outro rapaz atravessando a rua de muletas, com uma mochila toda rasgada às costas, na qual pregou o adesivo do Bolsonaro, talvez sua esperança de dar dignidade e sentido à sua luta diária? O pai de família com uma ferida na perna que não cicatriza nunca porque ele precisa trabalhar três turnos para poder alimentar os filhos?

Aí está o povo brasileiro, não está no New York Times. Se a política externa não se relaciona com o sofrimento, a paixão e a fibra dessas pessoas, então não serve para nada.

Alguns jornalistas estão escandalizados, alguns colegas diplomatas estão revoltados. Revoltados por quê? Porque pela primeira vez terão de olhar o seu próprio povo na cara e escutar a sua voz?

Você, leitor, diz que quer acabar com a ideologia em política externa? Eu também quero. Essa é a principal missão que o presidente Bolsonaro me confiou: “libertar o Itamaraty”, como disse em seu pronunciamento na noite da vitória. Mas você sabe em que consiste a ideologia que diz ser preciso eliminar? Você diz que é contra a ideologia, mas, quando eu digo que sou contra o marxismo em todas as suas formas, você reclama. Quando me posiciono, por exemplo, contra a ideologia de gênero, contra o materialismo, contra o cerceamento da liberdade de pensar e falar, você me chama de maluco. Mas, se isso não é o marxismo, com estes e outros de seus muitos desdobramentos, então qual é a ideologia que você quer extirpar da política externa? “A ideologia do PT”, você me dirá. E a ideologia do PT acaso não é o marxismo?

Você aprendeu na escola que o marxismo prega a propriedade coletiva dos meios de produção, e deduz que, se o PT não prega o fim da propriedade privada, então não é marxista. Essa era, talvez, a posição do marxismo em 1917 – você está 100 anos atrasado na sua concepção do marxismo. Você se satisfaz com o que escutou de sua professora de História numa aula do ensino médio, nunca mais estudou nada sobre marxismo ou qualquer outra corrente ideológica, e agora vem pontificar e tentar me dizer o que é ou o que não é ideologia? Os marxistas culturais de hoje dizem que o “marxismo cultural” não existe e você acredita, simplesmente porque não tem os elementos de juízo e o conhecimento necessário. O fato é que o marxismo, há muito tempo, deixou de buscar o controle dos meios de produção material e passou a buscar o controle dos meios de produção intelectual – fundamentalmente, os meios de produção do discurso público: mídia e academia. Quem controla o discurso público, nos jornais e universidades, controla a vida social de maneira muito mais eficiente do que a obtida pelo controle das fábricas ou fazendas. Vencida na economia, a ideologia marxista, ao longo das últimas décadas, penetrou insidiosamente na cultura e no comportamento, nas relações internacionais, na família e em toda parte.

As coisas que eu critico, critico-as porque sei que são parte e continuação da ideologia que você diz repudiar. O alarmismo climático (sobre o qual falarei em outra oportunidade), o terceiro-mundismo automático e outros arranjos falsamente anti-hegemônicos, a adesão às pautas abortistas e anticristãs nos foros multilaterais, a destruição da identidade dos povos por meio da imigração ilimitada, a transferência brutal de poder econômico em favor de países não democráticos e marxistas, a suavização no tratamento dado à ditadura venezuelana, tudo isso são elementos da “ideologia do PT”, ou seja, do marxismo, que ainda estão muito presentes no Itamaraty. Mas, quando eu me posiciono contra todas essas pautas, você diz que eu sou ideológico e sustenta que eu não deveria fazer nada a respeito.

Se você repudia a “ideologia do PT”, mas não sabe o que ela é, desculpe, mas você não está capacitado para combatê-la e retirá-la do Itamaraty ou de onde quer que seja. Ao contrário, você está ajudando a perpetuá-la sob novas formas. Se a prioridade é extrair a ideologia de dentro do Itamaraty, não lhe parece conveniente ter um chanceler capaz de compreender a ideologia que existe dentro do Itamaraty? Alguém que estuda essa coisa nos livros, há muitos anos, e não simplesmente ouviu alguma referência num segmento do Globo Repórter? Muitos pensadores marxistas brilhantes estão há 100 anos trabalhando incansavelmente e programando a penetração da cultura social e política, de maneira velada, mas por isso mesmo profunda, em favor de seu projeto de poder – e você acha que para combater isso basta dizer “não existe mais ideologia no Itamaraty”, ou basta pronunciar “pragmatismo” como uma palavra mágica que se instalará sozinha? Gramsci, Lukács, Kojève, Adorno, Marcuse estão rindo da sua cara. Ou melhor, não estão rindo, porque marxista não tem senso de humor, mas você sabe o que quero dizer.

Você é contra a ideologia? Então é preciso alguém que entenda de ideologia. Para curar uma doença, não basta dizer que a detestamos, é preciso conhecer suas causas e manifestações, suas estratégias e seus disfarces.

Você é a favor da democracia? Então deixe o povo brasileiro entrar na política externa.

Ernesto Araújo, embaixador e diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty, assumirá o Ministério das Relações Exteriores em 1.º de janeiro de 2019.

 

Haddad: “Porque na política ninguém perde a guerra”

Derrotado na disputa pela Presidência da República, o petista Fernando Haddad deu a sua primeira entrevista, na Folha de S. Paulo, após o segundo turno.

Ele fala sobre passado, presente e futuro. Promete que vai participar de uma frente em defesa dos direitos civis, trata sobre extrema direita, Ciro, Marina, Lula.

Haddad encerra a entrevista exatamente com esta frase: “Porque na política ninguém perde a guerra. Não existe a guerra, com começo, meio e fim. É só batalha. Uma atrás da outra.

Leia abaixo algumas frases da entrevista concedida a Mônica Bergamo.

Há dois anos, eu te dei uma entrevsita. E talvez tenha sido um dos primeiros a dizer: “É muito provável que a extrema direita tenha espaço na cena política nacional”.

Está havendo, portanto, um quiproquó: os EUA negam o neoliberalismo enquanto não nos resta outra alternativa a não ser adotá-lo.

Está claríssimo que, se não tivessem condenado o Lula num processo frágil, que nenhum jurista sério reconhece como robusto, ele teria ganhado a eleição. Eu fiz 45% dos votos [no segundo turno]. Ele teria feito mais de 50%.

O PT é um player no sentido pleno da palavra. É um jogador de alta patente, que sabe fazer política. Sabe entrar em campo e defender o seu legado.

O PDT [de Ciro] é um partido de esquerda, “pero no mucho”.

Entendo que devemos trabalhar em duas frentes: uma de defesa de direitos sociais, que pode agregar personalidades que vão defender o SUS, o investimento em educação, a proteção dos mais pobres. A outra, em defesa dos direitos civis, da escola pública laica, das questões ambientais.

No Brasil está sendo gestado o que eu chamo de neoliberalismo regressivo, decorrente da crise econômica. É uma onda diferente da dos anos 1990. Ela chega a ser obscurantista em determinados momentos, contra as artes, a escola laica, os direitos civis. 

Eu permaneci à frente do MEC por oito anos. As expressões "ideologia de gênero" e "escola sem partido"não existiam. Era uma agenda de ninguém. Ela foi criada, ou importada, como um espantalho para mobilizar mentes e corações.

Quando um presidente eleito vem a público num vídeo dizer que os estudantes brasileiros têm que filmar os seus professores e denunciá-los, você está em uma democracia ou em uma ditadura?

Eu acredito que o Lula pós-eleição está num momento mais difícil. Mas a capacidade de regeneração dele é grande. Já superou um câncer, a perda da esposa, a privação de liberdade.

E há estudos mostrando que, se eu tivesse no mundo evangélico o mesmo percentual de votos que tive no mundo não evangélico, eu teria ganho a eleição.

Assim como no final da ditadura foi possível abrir um canal de diálogo com a Igreja Católica, a esquerda tem agora o desafio de abrir um canal com a igreja evangélica, respeitando suas crenças.

Com toda a sinceridade: vivi um momento tão rico que foi o que menos importou. Não que eu não tenha lamentado o Ciro não ter ficado no Brasil ao meu lado.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

 

Após desistir de Mozart, Bolsonaro está entre colombiano e procurador para Educação

Foto: Agência Brasil 289bac73 ab40 4c91 826f 5150edd9d94a Jair Bolsonaro

O vazamento do assessor de Viviane Senna, Mozart Neves Ramos – diretor do Instituto Ayrton Senna, como provável ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro foi logo atacado pela bancada evangélica. O educador citado tem o perfil considerado moderado em demasia pela bancada da ‘Bíblia’. Com isso, a rotina foi mantida: Bolsonaro novamente recuou. A expectativa para ocupar o cargo agora está entre o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez e o procurador da República Guilherme Schelb, com quem Bolsonaro deve conversar nesta quinta-feira (22), em Brasília.

Schelb é defensor da proibição de que as escolas discutam assuntos envolvendo gênero e sexualidade e da escola sem  partido. Ele foi o autor, no ano passado, de uma notificação extrajudicial dirigida a diretores de escolas e professores que dizia que se eles apresentassem em sala de aula conteúdo sobre sexualidade poderiam ser processados. A PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão) divulgou nota técnica afirmando ser inconstitucional a iniciativa de Guilherme Schelb para proibir esse tipo de discussão nas escolas.

Já o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez coordena o Centro de Pesquisas Estratégicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ele é membro do conselho consultivo da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), do Instituto de Geografia e História Militar, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Filosofia. Autor de “Da Guerra à Pacificação”, “O Patrimonialismo Brasileiro em Foco” e “A Grande Mentira – Lula e o Patrimonialismo Petista”. O professor também é mestre e doutor em Filosofia.

O DEM vira o todo poderoso do governo

Depois de treze anos na oposição o DEM – antigo PFL – voltou ao poder no governo Michel Temer (MD), após o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT).

Mas é no futuro governo Bolsonaro que se dá o retorno triunfal ao centro do poder, ao saboroso coração do governo.

Foi uma longa estiagem enfrentada. Com Temer o partido teve apenas o Ministério da Educação. No que começa em janeiro três ministérios já estão certos: Casa Civil, Agricultura e Saúde.

E ainda existe a possibilidade do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comandar a casa na próxima legislatura.

Talvez esse crescimento possibilite que o partido em Alagoas, comandado pelo ex-deputado federal José Thomaz Nono, recupere um pouco da representatividade que já teve na política local.

Renan Filho vai eleger o presidente da ALE

Na tábua de doces e salgados da eleição para o biênio 2019-2020 da Assembleia Legislativa de Alagoas, dois nomes estão sendo ofertados como candidatos a Presidente: Olavo Calheiros (MDB) e Marcelo Victor (Solidariedade).

Mas não é descartado que haja um entendimento entre os dois parlamentares. Ora isso é provável, depois não mais. Reuniões têm ocorrido e a tendência é que esses encontros ganhem ainda mais intensidade.

Independente de qualquer fato político atual ou passado, há duas únicas verdades neste momento:

1 – Olavo Calheiros é o favorito disparado para comandar o Legislativo.

2 – O governador reeleito Renana Filho (MDB) vai eleger o candidato de sua preferência.

Pimenta; Moro tirou férias para garantir que processo ficaria com juíza de seu grupo

Acabei de publicar o texto abaixo no brasil247. Tomei como base um vídeo (assista aqui) divulgado no Facebook com a participação dos deputados federais Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Pimenta (PT-RS) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

Os três estão em Curitiba, onde o ex-presidente Lula cumpre pena na sede da PF e presta depoimento nesta quarta-feira (14) sobre a questão do sítio de Atibaia.

 

247 – Em Curitiba, acompanhado por deputados e senadores da bancada petista, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) acusou o juiz Sérgio Moro de ter tirado férias para garantir que os processos contra o ex-presidente Lula fiquem com a juíza substituta Gabriela Hardt.

Essa estratégia, segundo o parlamentar, é irregular porque o juiz titular deveria se “afastar para que houvesse concurso interno entre todos os magistrados da área do TRF4 para responder pelo processo. Mas não. Ele criou uma gambiarra jurídica ao entrar em férias para ter controle, o que é mais um crime”.

Paulo Pimenta revela ainda que há uma previsão no Estatuto dos Servidores Públicos que determina que nenhum servidor pode pedir exoneração ou aposentadoria enquanto tiver pendência administrativa ou funcional. E “O juiz tem uma série denúncias sendo investigadas pelo CNJ – Conselho Nacional de Justiça. Portanto, ele não pode se exonerar enquanto não houver decisão”

Depoimento de Lula

O deputado federal gaúcho também disse que o depoimento que o ex-presidente Lula irá conceder a juíza substituta Gabriela Hardt, no caso do sítio de Atibaia, é mais uma violência contra o estado democrático de direito. “Não há depoimento, fato, elementos que vinculem a investigação sobre irregularidades da Petrobras e a denúncia sobre o sítio. Afronta o princípio do juiz natural. O Sérgio Moro encontra-se sobre irregularidades porque inexiste juiz em férias fazendo política”.

Paulo Pimenta lamentou ainda o silêncio da procuradoria-geral da República sobre as férias do Moro e a sua atuação como futuro ministro da Justiça.

Espetacularização

Também na capital paranaense, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), que também é advogado do ex-presidente Lula, considerou sem necessidade deslocar Lula para prestar depoimento na Vara, o que poderia ser feito por teleconferência. “É a espetacularização do processo penal para desmoralizar o réu. Mas ninguém quebra o Lula, nem o populismo midiático consegue, nem o juiz que condenou e ministro da Justiça ao mesmo tempo consegue”.

Ninguém acha sério

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) denunciou que está claro que o futuro governo e o judiciário tentam destruir Lula.  Também disse que não é “sério Sérgio Moro estar formando a equipe do Ministério da Justiça e não pedir exoneração para o processo de Lula ficar com a sua substituta”. Ele suspeita que essa estratégia se dá porque estão “tentando apressar tudo para julgar Lula até dezembro”.

Lindbergh revelou ainda que, na semana passada, durante o Fórum de Países Progressistas, na Espanha, os participantes ficaram incrédulos com a situação política e jurídica do ex-presidente: “Ninguém acredita que o juiz que condenou Lula e que o impediu de disputar a eleição virou ministro do presidente eleito. Ninguém acha sério”.

 

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