Voney Malta

Para Santos Cruz, Bolsonaro alimenta fanatismo que certamente terminará em violência

  • 14/06/2021 09:19
  • Voney Malta
Foto: O Antagonista)
General Santos Cruz

General da reserva e ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, Carlos Alberto dos Santos Cruz, em artigo publicado em suas redes sociais, afirma que o presidente tem mentalidade anarquista e "age para destruir e desmoralizar as instituições, e banalizar o desrespeito pessoal, funcional e institucional. Junto com seguidores  extremistas, alimenta um fanatismo que certamente terminará em violência."

Para ele, Bolsonaro tem o sonho chavista de tentar usar o Exército em seu projeto pessoal, mas o "Brasil não é a terra do ídolo inspirador do presidente e não vai se transformar em algo similar. Aqui, “EB” quer dizer Exército Brasileiro e não “Exército Bolsonarista”.  

"Projetos populistas e totalitários, não importa seu matiz ideológico, não avançam sem subverter a ordem, sem corromper as instituições. E uma das instituições mais sólidas é o Exército (assim como a Marinha e a Força Aérea). Ao invés de recuperação e aperfeiçoamento das instituições, assistimos ao agravamento da situação existente e a erosão da Saúde, Justiça, Meio Ambiente e Educação", reclama Santos Cruz.

De acordo com ele, "O presidente tenta também desmoralizar o sistema eleitoral, mas não apresenta as provas de fraude que diz possuir. Semeia dúvidas sobre o Tribunal de Contas da União, valendo-se de relatório e dados falsos".

Leia o texto abaixo na íntegra e tire as suas conclusões, ou clique aqui e leia também as opiniões de internautas no Facebook:

POR QUE ENVOLVER O EXÉRCITO EM CRISE POLÍTICA ?

A resposta é simples: o sonho chavista de poder do presidente que tenta usar o Exército em seu projeto pessoal. O Brasil não é a terra do ídolo inspirador do presidente e não vai se transformar em algo similar. Aqui, “EB” quer dizer Exército Brasileiro e não “Exército Bolsonarista”. O Exército enfrenta o mesmo problema das outras instituições brasileiras: o risco de erosão. Infelizmente, a mentalidade anarquista do presidente age para destruir e desmoralizar as instituições, e banalizar o desrespeito pessoal, funcional e institucional. Junto com seguidores  extremistas, alimenta um fanatismo que certamente terminará em violência.

Para aventuras políticas pessoais, instituições sólidas e funcionais são sempre um imenso obstáculo. Projetos populistas e totalitários, não importa seu matiz ideológico, não avançam sem subverter a ordem, sem corromper as instituições. E uma das instituições mais sólidas é o Exército (assim como a Marinha e a Força Aérea). Ao invés de recuperação e aperfeiçoamento das instituições, assistimos ao agravamento da situação existente e a erosão da Saúde, Justiça, Meio Ambiente e Educação.

O presidente tenta também desmoralizar o sistema eleitoral, mas não apresenta as provas de fraude que diz possuir. Semeia dúvidas sobre o Tribunal de Contas da União, valendo-se de relatório e dados falsos. No orçamento da União, apresenta uma nova forma de “mensalão” – o chamado orçamento secreto. Nas Relações Exteriores, graças ao Senado, escapamos do vexame da quase nomeação de um embaixador esdrúxulo junto aos EUA, e agora temos à frente a investida demagógica de uma nomeação para a África do Sul. Oxalá o Senado poupe o Brasil de mais essa.

Esse é o contexto em que se desenvolve mais uma tentativa de erosão de uma das instituições de maior prestígio do Brasil – o Exército Brasileiro. O caso do general no palanque, em mais um evento populista promovido pela autoridade maior, é da alçada do comandante da Força, que decidiu dentro das suas atribuições. Problemas disciplinares são resolvidos diariamente por todos os comandantes, nos diversos níveis. Não é esse o problema. O problema é muito maior e mais grave. É político. E tem um responsável – o presidente. Para realizar seu projeto pessoal, ele vem testando o Exército frequentemente. Isso é deliberado. É projeto de poder. Não acontece só por despreparo, irresponsabilidade e inconsequência. Isso é processo planejado, que vem sendo adotado e tentado de forma sistemática. É também um processo covarde, pois as consequências são sempre creditadas a outras pessoas e instituições. Ocorre que a responsabilidade pessoal e funcional está muito bem definida e o responsável maior deve arcar com as consequências.

É covardia transferir essa conta ao Exército. E é totalmente inaceitável a tentativa permanente de arrastar o Exército para o erro histórico de assumir um protagonismo político em apoio a uma aventura pessoal perseguida de forma paranoica. O Exército não é e não pode ser uma ferramenta de uso pessoal, partidário ou de intimidação política. A missão do Exército não é auxiliar uns e outros em disputas eleitorais e em jogo de poder, dividindo os brasileiros. O Exército tem uma missão constitucional definida.

O Brasil precisa de paz, de união nacional, de governo que trabalhe e promova o desenvolvimento socioeconômico com boa administração. O Brasil precisa de políticas públicas sensatas, de combate à corrupção, eliminação de privilégios e redução da desigualdade. Precisa de vacina e emprego. É preciso que o voto da maioria sirva para governar para o bem de todos e não para interesses pessoais, familiares ou de grupos. O Brasil não merece uma polarização entre quem já teve oportunidade de governar e se perdeu em demagogia e escândalos de corrupção e quem mostra diariamente que tem como objetivo um projeto de poder semelhante, apenas com sinal trocado.

O País não pode ficar entre dois polos que se alimentam e se comportam como cabos eleitorais um do outro. O Brasil não merece mais erosão em suas instituições. Ao contrário, nossas instituições precisam de melhorias e aperfeiçoamentos. A democracia depende do aperfeiçoamento institucional constante. O Exército Brasileiro, assim como as outras instituições que compõem a Nação, não pode continuar a ser covardemente prejudicado por causa de um projeto de poder pessoal e populista.

Senadores aprovam projeto que transforma clubes de futebol em empresas

  • 11/06/2021 10:22
  • Voney Malta
Divulgação
Plenário do Senado Federal

É possível que estejamos testemunhando o fim do amadorismo, da vigarice, uma transformação profunda nas estruturas do futebol brasileiro após a aprovação, nesta quinta-feira (10), pelo Senado, do projeto de lei que autoriza os clubes de futebol a se transformarem em empresas.  

O autor da proposta, que agora depende de votação dos deputados federais e da sanção presidencial, é o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-RJ). A imensa maioria dos times brasileiros adota o modelo de associação sem fins lucrativos. A mudança para Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é optativa.

Nesse modelo, nos cinco primeiros anos, o clube terá 5% de toda a sua receita bruta recolhida, uma forma de imposto único que substitui Imposto de Renda, CSLL e Cofins. O recolhimeto cai pra 4% mensal da receita recebida a partir do sexto ano, aí incluído as vendas dos direitos dos atletas.

Previsão é de que a arrecadação do governo crescerá até 50%. Com relação as dívidas, o projeto permite que o clube quite a situação com os credores via recuperação judicial, concurso de credores e centralização das execuções, com a prioridade, nesses casos, de dívidas trabalhistas, idosos, gestantes, acidentes de trabalho e acordos.

É a saída para muitos clubes, casos do Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Santos, e quem sabe, também do CSA, CRB, ASA, entre outros. O fato é que chega de administração amadora dos clubes que têm relação profissional com os seus colabodores e empresas.

Aliás, clube de futebol é uma máquina que pode ser usada para lavagem de dinheiro. Como clube empresa pode ser melhor fiscalizado por seus investidores e pelo governo por ser o que a palavra já diz: empresa.

 

 

 

 

 

 

Datafolha: Reprovação a Bolsonaro é maior na advocacia

  • 09/06/2021 09:16
  • Voney Malta
Eugenio Novaes
A moção de apoio foi aprovada pelo Pleno do Conselho Federal da OAB, em Brasília

Por conta das últimas pesquisas, já existem políticos e analistas suspeitando que a tendência hoje é que o presidente Jair Bolsonaro não chegue ao segundo turno das eleições em 2022. Ainda é cedo, creio, mas pode ser uma tendência. E uma pesquisa inédita reforça aind mais tal possibilidade.

Feita pelo Datafolha e publicada nesta terça-feira (8), ela revela o perfil e as opiniões dos advogados.  

54% dos operadores do Direito reprovam o governo do presidente. Esse número é maior "do que verificado entre a população brasileira, que foi de 45%", de acordo com a última pesquisa divulgada em 12 de maio pelo instituto.

Outro dado que diferencia a classe dos cidadão brasileiros como um todo, é o que msotra que 69% dos entrevistados se declaram politicamente como de centro, "de centro-esquerda e de centro-direita.  

Leia outros dados abaixo e tire as suas conclusões:  

1 - A classe apresentou posições mais liberais em relação ao aborto e à criminalização das drogas e mais favorável à posse de armas, na comparação com levantamentos mais amplos;

2 - Para 60% a principal causa da criminalidade é a falta de oportunidades iguais para todos;

3 - 28% da categoria considera a administração Bolsonaro ótima ou boa. Na população em geral o índice é de apenas 24%;

4 - 18% dos advogados entrevistados julgam o governo regular;  

5 - 59% dos advogados católicos avaliam o governo como ruim ou péssimo, e 24% como ótimo ou bom;

6 - Já entre os advogados evangélicos, 52% consideram o governo ótimo ou bom, e 33% ruim ou péssimo;

7 - 26% se autodeclaram de centro, 24% de centro-direita, 19% de centro-esquerda, 9% como de esquerda, 14% como de direita e 75 disseram não saber 7%;

Os advogados, nessa pesquisa, também se posicionaram sobre união civil de pessoas do mesmo sexo e causas da criminalidade.

De acordo com a Folha, levantamento foi feito por telefone entre os dias 26 de fevereiro e 8 de março, 303 advogados das cinco regiões do país foram ouvidos. E os resultados foram ponderados por sexo, idade e região, conforme os dados do quadro da advocacia da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). ​

Leia mais aqui.

 

 

A semana na CPI da Pandemia e os conselheiros de Bolsonaro

  • 07/06/2021 10:41
  • Voney Malta
Foto: Reuters
Jair Bolsonaro

Quando pensamentos científicos divergentes não são ouvidos, e quando pessoas desqualificadas usam a sua ideologia para influenciar decisões neste conturbado período de polarização, a ciência - uma das coisas mais democráticas que existe - perde.  

E quando essa perda ocorre tal fato pode ser retratado em números de vítimas. foi exatamente o que ocorreu na gestão da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro e os seus conselheiros do ministério da saúde paralelo formado por advogados médicos e políticos negacionistas.  

Tudo caminha para que boa desse grupo desqualificado seja responsabilizado ao final da CPI da Covid do Senado. Especialmente o chefe de todos, Jair Bolsonaro, pelo caos total e pelas milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. Hoje são quase 500 mil brasileiros.

"Se você for falar de vacina, onde parou o processo de compra, a lentidão, você vai no Pazuello, vai no outro, e acaba no Bolsonaro. Se você fala em críticas e obstáculos ao afastamento social e ao uso de máscara... Bolsonaro. Pode criticar o ministro da Saúde, mas acaba no Bolsonaro", disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), em entrevista ao Globo.

"Sobre a cloroquina, por que essa prescrição de um remédio sem comprovação científica, quem fez, quem não fez, segue a linha e acaba no Bolsonaro. E agora estamos vivendo esse problema de aglomeração, com uma ameaça, se já não uma realidade, de terceira onda. E o Ministério da Saúde praticamente imobilizado, não se pronuncia sobre essa aglomeração, se promove uma Copa América. E o que tem por trás disso? Bolsonaro. Então, todos os indícios levam ao grande chefe disso tudo, o grande chefe dessas falhas todas é sem dúvida nenhuma o Bolsonaro, cercado por maus conselheiros", afirmou o senador.

Diante da clareza das decisões que levam todos os caminhos para o mesmo endereço, esta semana os membros da Comissão Parlamentar vão ouvir personagens envolvidos diretamente.  

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi reconvocado para esta terça-feira (8). Entre os temas, a confirmação da Copa América no Brasil em plena pandemia.

Quarta-feira (9), Elcio Franco, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello, também foi convocado. O gabinete paralelo de aconselhamento ao governo Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia, é um dos assuntos no radar.  

Na quinta-feira (10), quem vai depor é o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC-AM), após a Operação Sangria, da Polícia Federal, investigar desvios na Saúde. Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República de integrar um esquema de desvios de dinheiro na compra de respiradores para o combate à Covid-19

E na sexta-feira (11) foi convidada a pesquisadora Natalia Pasternak, da Universidade de São Paulo (USP), e o ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Claudio Maierovitch.

Esta semana os senadores também devem decidir se convocam ou não membros do gabinete paralelo, caso do empresário Carlos Wizard, o deputado federal Osmar Terra, (MDB-RS), entre tantos outros.

 

General Santos Cruz sobre perdão a Pazuello: "Ontem eu não disse nada. Por vergonha."

  • 04/06/2021 08:20
  • Voney Malta
Foto: O Antagonista)
General Santos Cruz

7:20 da manhã desta sexta-feira (4). Finalmente o General Carlos Alberto Santos Cruz usou as redes sociais para protetar nas redes sociais sobre o encerramento do caso do general Eduardo Pazuello.

É que o exército brasileiro decidiu não punir o general Pazuello por ato com o presidente Jair Bolsonaro, realizado no Rio de Janeiro, em 23 de maio.

"VERGONHA! Fui surpreendido com telefonemas e mensagens de dezenas de jornalistas sobre o encerramento do caso Pazuello.  Sempre respondo, mesmo que seja para informar que nada tenho a dizer. Mas ontem não disse nada. Por vergonha.", publicou Santos Cruz no Twitter (acompanhe aqui).

Leia abaixo o texto na íntegra publicado no Facebook (acompanhe aqui os comentários) e tire as suas conclusões:

VERGONHA!

Ontem, 3 de junho de 2021, fui surpreendido com telefonemas e mensagens de dezenas de jornalistas sobre o encerramento do caso Pazuello. Em atenção ao trabalho que fazem, sempre respondo, mesmo que seja para informar que nada tenho a dizer. Mas ontem eu não disse nada. Por vergonha.

Por formação, me nego a fazer qualquer consideração sobre a decisão.

Sobre o conjunto dos fatos, é uma desmoralização para todos nós.  

Houve um ataque frontal à disciplina e à hierarquia, princípios fundamentais à profissão militar. Mais um movimento coerente com a conduta do Presidente da República e com seu projeto pessoal de poder. A cada dia ele avança mais um passo na erosão das instituições.  

Falta de respeito pessoal, funcional e institucional. Desrespeito ao Exército, ao povo e ao Brasil.  Frequentemente, com sua conduta pessoal, ele procura desrespeitar, desmoralizar pessoas e enfraquecer instituições.

Não se pode aceitar a SUBVERSÃO da ordem, da hierarquia e da disciplina no Exército, instituição que construiu seu prestígio ao longo da história com trabalho e dedicação de muitos.

Péssimo exemplo para todos. Péssimo para o Brasil.  

À irresponsabilidade e à demagogia de dizer que esse é o "meu exército", eu só posso dizer que o "seu exército" NÃO É O EXÉRCITO BRASILEIRO. Este é de todos os brasileiros. É da nação brasileira.

A politização das Forças Armadas para interesses pessoais e de grupos precisa ser combatida.  É um mal que precisa ser cortado pela raiz.  

Independente de qualquer consideração, a UNIÃO de todos os militares com seus comandantes continua sendo a grande arma para não deixar a política partidária, a politicagem e o populismo entrarem nos quartéis.

Carlos Alberto dos Santos Cruz

 

Covid: Lei beneficia famílias de trabalhadores da saúde mortos ou incapacitados, mas falta regulamentação

  • 02/06/2021 09:26
  • Voney Malta
Foto: Thiago Duarte
Leitos exclusivos para tratar pacientes com coronavírus em Maceió e no interior do estado

O Congresso aprovou, o governo federal sancionou mas não sabe o que fazer para compensar financeiramente profissionais de saúde incapacitados pelo coronavírus. É que essa nova lei precisa, para efetivamente funcionar, de regulamentação e saber de onde sairá o dinheiro.

A legislação recém aprovada define que "trabalhadores da saúde e de outras áreas que atuaram diretamente no atendimento a pacientes com covid-19 terão direito à indenização de R$ 50 mil em caso de incapacidade permanente'.

E em casos de morte, "as famílias tem direito ao pagamento de R$ 50 mil, divididos entre cônjuges e dependentes, e R$ 10 mil por ano para cada dependente até os 21 anos de idade com possibilidade de extensão até 24 anos, caso esteja cursando o ensino superior".

Até o momento inexiste qualquer levantamento de quantos profissionais ficaram incapacitados pelo coronavírus durante o trabalho na linha de frente. Porém, estima-se que, no Brasil,  apenas as famílias de médicos e enfermeiros mortos pela doença somam mais de 1.500.

Tem direito:

Médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos, técnicos em laboratórios de análise clínica, agentes comunitários de saúde que tenham visitado pacientes com covid-19, coveiros e agentes funerários, demais trabalhadores de hospitais e unidades de atendimento a pacientes com coronavírus.  

Critérios  

Fazer parte de uma das categorias profissionais mencionadas na lei;  

Ter trabalhado diretamente no tratamento de pacientes com covid-19 ou atuado em unidades que recebam pessoas com a doença;

Ter se contaminado dentro do período considerado como emergência de saúde pública de importância nacional, a partir de 4 de fevereiro de 2020;

Apresentar exames e / ou laudos médicos que atestem quadro clínico compatível com covid-19;

Passar pela avaliação de um perito médico federal

 

Esquerda avalia novas manifestações; bolsonaristas preparam atos

  • 01/06/2021 09:34
  • Voney Malta
OGlobo/Arquivo
Manifestações sacudiram o Brasil

Representantes da oposição que convocaram os protestos contra Jair Bolsonaro já discutem a viabilidade de novos atos. Para eles, os protestos em mais de 200 cidades e em 14 países foram um sucesso.

O problema avaliado, contudo, é o provável aumento dos casos de coronavírus e o assustador aumento no número de mortos - acredita-se que rapidamente chegaremos a marca de 500 mil óbitos.

Uma saída em análise pelas frentes Povo sem Medo, Brasil Popular e Coalizão Negra por Direitos para aproveitar o sucesso da mobilização de sábado (29-05), é fazer manifestações a partir deste mês respeitando o distanciamento social através de carreatas e mutirões virtuais.

Os bolsonaristas, por sua vez,  estão com data marcada  para repetir em São Paulo no dia 12 de junho, a mesm ação realizada em Brasília e no Rio, o passeio de motocilcistas com a presença do presidente Jair Bolsonaro.

Mas adiante estão previstos atos em defesa do voto impresso onde, certamente, também haverá aquela papagaiada em defesa do fechamento do STF e da volta da ditaduara militar. Em outras datas ocorrerão ações em defesa das armas, além de carreatas promovidas pelos organizadores da Marcha para Jesus, um evento evangélico.

O fato é que o país permanece dividido e de manifestação em manifestação os participantes contribuem para o aumento no número de contaminados (e de mortos?).

Renan na CPI: "Mocinho para simpatizantes; cangaceiro para bolsonaristas"

  • 31/05/2021 08:25
  • Voney Malta
Foto: Folhapress
Renan Calheiros

Depois de décadas distanciado do papel de 'mocinho' na novela da política brasileira, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem conseguido conquistar simpatizantes com outro perfil em sua atuação como relator da CPI da Pandemia.

Isso pode ser medido em boa parte pela reação dos seguidores em suas redes sociais. "Senador, boa noite! Peço licença e com todo o respeito: Capricha Renan, capricha!", escreve Alcides Veiga - @cidao1971.

"Senador, o trabalho da CPI já está dando frutos. As manifestações de 29 último demonstram o quanto os brasileiros estão conscientes da política neofascista de Bolsonaro. Espero bons resultados a ponto de apontar as responsabilidades do presidente e de sua quadrilha", também responde Iole Maria Lorenzon Gassibe - @gassibe_iole.

Essa e outras reações ocorreram logo após Renan Calheiros publicar o seguinte Twitter: "Na psicanálise freudiana, a pulsão de morte é o movimento em direção à morte e à autodestruição. É o jogo macabro de Bolsonaro do qual o ministro Queiroga se torna cúmplice pq se omite diante do morticínio. É preciso marcar rapidamente a volta do ministro à CPI" (veja aqui outras opiniões).

Contudo, nem tudo são flores. Bolsonaristas estão fulos da vida com a  atuação do senador alagoano. Citado como "A VERSÃO CANGACEIRA DO INSPETOR CLOUSEAU" pelo jornalista bolsonarista Augusto Nunes em artigo publicado na revista Oeste, a pancadaria do outro lado é forte.

"Até a manhã de 25 de maio do ano da graça de 2021, nenhum brasileiro sequer desconfiava da existência de uma versão cangaceira do Inspetor Clouseau, o investigador doidão interpretado por Peter Sellers em A Pantera Cor-de-Rosa. Agora já sabem disso todos os que acompanharam naquele dia o desempenho de Renan Calheiros na CPI da Pandemia, nome oficial do circo montado no Congresso em que o senador alagoano capricha no papel de superdetetive de picadeiro", diz Augusto Nunes.

Para ele, "Só um sócio remido do clube dos cretinos fundamentais, identificados por Nelson Rodrigues, divulgaria tão cedo o trecho do parecer que compara Jair Bolsonaro a Adolf Hitler, mortes provocadas pela covid-19 num país sul-americano ao Holocausto dos judeus na Alemanha nazista, integrantes do governo federal ao primeiro escalão do Führer e vigaristas aglomerados na CPI aos juízes do Tribunal de Nuremberg, que puniram o que restara do alto-comando do III Reich. Só um Inspetor Clouseau cangaceiro, enfim, enxergaria semelhanças entre a mais feroz ditadura do século passado e o Brasil democrático do terceiro milênio".

Independente do amor e do ódio que causa, o fato é que Renan Calheiros tem, nos capítulos vistos até agora, conseguido chamar a atenção dos telescpectadores para  o seu personagem. E isso é muito no mundo da política, especialmente por conta dos últimos papéis que interpretou em 'novelas anteriores'.

Leia aqui o texto de Augusto Nunes na íntegra.

 

Cenário nacional: confusão para sucesssão em AL também se repete em outros estados

  • 26/05/2021 10:32
  • Voney Malta
TSE
Cabina de votação

O imbróglio político causado pelo vice, no caso de Alagoas é a falta dele, visando as eleições de 2022 também ocorre em outros estados, especialmente porque 12 governadores não podem, não pretendem disputar á reeleição (caso dos tucanos João Doria e Eduardo Leite, respectivamente de São Paulo e do Rio Grande do Sul), ou não confiam no seu vice (situação do Amapá e do Mato Grossol do Sul).

Soma-se a isso a polarização nacional entre Lula e Bolsonaro criando abismos e terremotos nos entendimentos locais entre antigos aliados que agora são pré-candidatos e aguardam o apoio de padrinhos nacionais para encarar o cenário estadual.  

Tudo e todas as alianças estão prestes a explodir porque há governantes também cogitando cumprir o mandato até o fim, abrindo mão de disputar outro cargo em 2022 para não entregar o governo a grupos não alinhados.

Essa confusão é maior no Nordeste (leia sobre o caso em Alagoas aqui), onde oito governadores em fim de mandato correm o risco de perda da base de apoio. Flávio Dino, no Maranhão, não sabe se apoia o seu vice, Carlos Brandão (PSDB), ou o senador Weverton da Rocha (PDT).  

Dino pode ser candidato ao Senado e apoia Lula para presidente. O PSDB deve ter candidato a presidente ou apoiar uma terceira via. O PDT tem Ciro Gomes. Ou seja, o grupo que marchou unido nas últimas eleições pode se dissolver.

Situação semelhante no Ceará, o governador Camilo Santana (PT) pode concorrer ao Senado. Mas teria que entregar o governo a partir de abril a vice Izolda Cela (PDT).

Na Bahia e em Sergipe o buraco também é bem mais embaixo. O governador baiano Rui Costa (PT) tende a não entregar o cargo ao seu vice João Leão, cujo partido, o PP, é da base de apoio de Jair Bolsonaro (sem partido), e ainda quer tê-lo como filiado. Aliados de Leão querem que ele reaja sendo candidato ao governo ou ao Senado na chapa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

Já o sergipano Belivaldo Chagas (PSD) deve permancer onde está para não entregar o comando a petista Eliane Aquino. Ela já anunciou que o senador Rogério Carvalho (PT-SE) vai disputar o governo. O PSD quer encabeçar uma chapa majoritária no estado.

Cartas estão sobre a mesa. E a confusão entre gente grande ainda nem começou. Mas o fato é que o cenário nacional, alianças e pequisas terão grande influência nas definições estaduais.  

 

 

 

 

 

Em crise, DEM tenta conquistar deputado estadual alagoano

  • 24/05/2021 10:36
  • Voney Malta
Assessoria
Marcelo Victor e Renan Filho

O nome tido como dos sonhos em Alagoas e que faz parte do 'pacotaço' para resgatar o DEM é o do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor (Solidariedade). Ele é "considerado homem-chave na sucessão no berço eleitoral dos Lira e dos Calheiros", segundo reportagem da Folha.

De fato, desde que o ex-vice-governador e ex-secretário de Educação Luciano Barbosa abandonou a nau dos Calheiros para concorrer e vencer a Prefeitura de Arapiraca, que Renan Filho (MDB) sabe que o jogo da sua sucessão - caso opte por deixar o governo para disputar o Senado - depende de um entendimento com o presidente da ALE.

Porque é Marcelo Victor quem assume o governo, comanda a eleição indireta para preencheer o cargo de governador, pode ser governador eleito indiretamente para concluir o mandato de Renan Filho e ainda disputar a eleição para governador exercendo a chefia do Executivo.

É de olhos nessa perspectiva que está o DEM para se fortalecer após perder algumas de suas expressivas lideranças no Rio e em São Paulo depois do desentendimento originado  a partir da eleição na Câmara Federal com a vitória de Arthur Lira (PP-AL).

É que o presidente da legenda, ACM Neto, liberou os deputados do partido  para escolherem entre Baleia Rossi (MDB-SP), candidato do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Depois disso, o DEM enfrenta divisão interna, sofre baixas, ficou com o carimbo de ser bolsonarista, mas prepara o contra-ataque para eleições de 2022 através de candidaturas e oportunidades.

É exatamente isso que representa hoje para a sigla o deputado Marcelo Victor, aliado do bolsonarista Arthur Lira.

E tudo depende da decisão de Renan Filho.

É  jogo sendo jogado.

 

 

 

 

Lula aumenta diferença contra Bolsonaro, revela pesquisa Ideia

  • 21/05/2021 09:32
  • Voney Malta
Foto: Reprodução / Internet
Lula e Bolsonaro lideram intenções de votos, segundo Paraná Pesquisa

Se na pesquisa realizada pelo Instituto Ideia, em abril, o ex-presidente Lula aparecia na frente do presidente Jair Bolsonaro com apenas dois pontos de diferença, 40% a 38%, a diferença agora subiu para oito pontos, 45% a 37%.

Levantamento revela ainda que Lula é o único nome que bate o atual presidente. Portanto, o ex-capitão vence no segundo turno Luciano Huck (45% a 39%), Ciro (40% a 37%), Sérgio Moro (40% a 36%), Doria (46% a 33%), Tasso (44% a 30%), Eduardo Leite (44% a 29%), Amôedo (46% a 26%) e Danilo Gentili (47% a 23%).

Leia aqui outros detalhes sobre se Jair Bolsonaro merece ser reeleito, se Lula merece voltar a comandar o Brasil, rejeição dos nomes apresentados e também números da pesquisa espontânea.

 

Medo é que terceira onda do coronavírus seja ainda mais forte

  • 20/05/2021 06:49
  • Voney Malta
Foto: Thiago Duarte
Leitos exclusivos para tratar pacientes com coronavírus em Maceió e no interior do estado

Vários prefeitos e governadores estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de que tenhamos uma terceira onda ainda mais forte da covid-19.

Salvador é um exemplo, onde medidas restritivas podem retornar a qualquer momento de acordo com a evolução dos dados.  

O estado de São Paulo também. Médicos e técnicos temem uma terceira onda mais forte do que as anteriores, uma vez que ocorreria a partir de um patamar maior de casos.

E tudo é percebido simplesmente a partir de números. 

Entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro - início da segunda onda, o número de internados em UTI ficou estabilizado em 5.900 pacientes durante três semanas. Agora, está estacionado na média de 10 mil internados.

Em seguida, de fevereiro até março, os internados foram mais do que o dobro, 12.961. Caso essa tendência seja repetida nos próximos dias, o salto tende a ser simplesmente explosivo.  

E isso, infelizmente, é bem provável. Há UTIs no limite em várias regiões.

Temos, ainda, a total falta de coordenação nacional no enfrentamento da pandemia.  

Estados e municípios, na verdade, jamais agiram em conjunto - e continuam - na implantação das medidas restritivas para combater e reduzir a disseminação da doença.

Portanto, ainda estamos extremamente expostos.

EM TEMPO - Em alagoas, até terça-feira (18/05), dos 1.416 leitos exclusivos para pacientes com suspeita e confirmação de infecção pelo novo coronavírus, 731 estavam ocupados, o que representa 52%.

De acordo com os últimos dados disponibilziados, dos 186.122 casos que foram confirmados até agora, ocorreram 4.538 mortes.  Leia mais informações aqui.

Muitas vidas foram perdidas por falta de coordenação única por parte da autoridade nacional, o presidente da República através do Ministério da Saúde.

 

 

 

 

Com ex-marqueteiro do PT, Ciro que ser outro Ciro para superar Lula e Bolsonaro

  • 18/05/2021 09:50
  • Voney Malta
Arquivo:internet
Ciro Gomes

Tem quem ainda acredite que na eleição presidencial de 2022 há espaço para um candidato que não seja Lula ou Bolsonaro, esquerda e extrema-direita. Ou seja, que existe espaço para uma terceira via, de centro.

Esse crente é Ciro Gomes (PDT), que já está se apresentando transformado para disputar a sua quarta campanha presidencial. O responsável pela metamorfose é o famoso publicitário João Santana, fundamental nas eleições vitoriosas dos petistas Lula e Dilma.

Em vídeos na internet (veja aqui), o novo Ciro é apresentado mais alegre, sorridente, segurando rosas, símbolo do PDT, com uma nova comunicação para mudar a imagem de político esquentado, e algumas vezes até agressivo e intolerante.

Esse Ciro Gomes repaginado tenta aparecer como um político de centro, busca cativar o eleitor de direita e é crítico duro do que ele chama de "lulopetismo", e acusa o ex-presidente Lula - de quem foi ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006 - de ''Maior corruptor da história moderna brasileira'', em entrevista ao Valor.

A nova identidade visual será a última tentativa dele para se eleger presidente, dizem os mais próximos.

A estratégia política também é ocupar o espaço com os eleitores antipetistas que se decepcionaram com Jair Bolsonaro.

Será que vai funcionar?  

 

 

Eleições 2022: Voto impresso é ideia ridícula e teoria conspiratória do bolsonarismo

  • 17/05/2021 12:47
  • Voney Malta
Resultado das eleições municipais do Alto Sertão de Alagoas

Adepto a teorias conspiratórias e a idéias ridículas, mas perigosas, Jair Bolsonaro conseguiu avançar no Legislativo sua tese do retorno do voto impresso e uma comissão sobre a proposta de emenda à Constituição já foi criada.

Embora não acabe com a votação eletrônica, a ideia é que ocorra a impressão da cédula após a  votação para que possa ser auditada.  

A votação eletrônica existe desde 1996. As urnas são auditáveis, são examinadas antes e depois do pleito e como não são conectadas á internet, não estão sujeitas a qualquer invasão de hackers.

Mas, depois de tantas eleições, de disputas onde o PT perdeu várias para o PSDB, depois venceu outras e agora perdeu a última, eis que surge no meio do caminho o ridículo obscurantismo de Jair Bolsonaro com o seu trabalho de desinformar. 

"Desde sua implantação, o sistema das urnas eletrônicas tem sido alvo de algumas críticas, contudo, os questionamentos nunca foram acompanhados de fatos concretos ou elementos técnicos sobre que comprovem a violação da vontade do eleitor inserido nela", explica o advogado e ex-desembargador eleitoral Fábio Gomes.

Ele diz ainda que "o Código Eleitoral vigente admite a participação de eleitores analfabetos e com deficiência visual, que para validarem o voto impresso precisariam da ajuda de terceiros, o que violaria frontalmente a garantia do sigilo do voto protegido pela Constituição Federal".

Portanto, "mesmo uma proposta de emenda a constituição que determine a utilização do sistema híbrido de votação e que não preveja com clareza como o sigilo e a liberdade do voto sejam protegidos, estará fadada ao reconhecimento de sua inconstitucionalidade, ainda durante sua própria tramitação, vez que as cláusulas pétreas só podem ser revisadas por uma Assembleia Nacional Constituinte, não possuindo o constituinte derivado poderes para tanto", avalia Fábio Gomes

Leia abaixo na íntegra a opinião do advogado Fábio Gomes:

"Desde sua implantação, o sistema das urnas eletrônicas tem sido alvo de algumas críticas, o que gera desconfiança de parte da classe política e também da sociedade em geral, contudo, os questionamentos nunca foram acompanhados de fatos concretos ou elementos técnicos sobre que comprovem a violação da vontade do eleitor inserido nela.

Fomentado apenas em pressuposição, o Congresso Nacional inseriu na Lei nº 9.504/97 – Lei das Eleições – o art. 58-A, cuja redação dispunha a obrigatoriedade de que o sistema de captação de voto eletrônico gerasse um voto impresso que deveria ficar depositado junto a urna eletrônica, com o objetivo de que a papeleta servisse para cotejar o resultado consolidado pelo boletim de urna gerado no encerramento da votação.

A priori, basta dizer que o texto legislativo que resultou na criação do sistema híbrido de votação – eletrônico e voto impresso – não preencheu lacunas importantes, pois não frisou que dados deveriam constar no voto impresso, a exemplo do nome do eleitor ou qualquer dado cadastral perante a justiça eleitoral.

Noutro aspecto, o Código Eleitoral vigente admite a participação de eleitores analfabetos e com deficiência visual, que para validarem o voto impresso precisariam da ajuda de terceiros, o que violaria frontalmente a garantia do sigilo do voto protegido pelo art. 14, caput, da Constituição Federal, somando-se ao mesmo argumento a hipótese de mau funcionamento do sistema de impressão, que poderia levar terceiros a terem acesso ao escrutínio.

Firme em tais fundamentos o Procurador Geral da República propôs Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o STF – Adi 8.889 – que inicialmente concedeu Medida Cautelar para suspender a aplicação do mencionado dispositivo legal e em seguida confirmou definitivamente a inconstitucionalidade da impressão do voto na forma proposta pelo Congresso Nacional, na esteira do artigo 14, caput e 60, parágrafo 4º, II, que elege a liberdade e o sigilo do voto como Cláusula Pétrea.

Da simples leitura do art. 60, parágrafo 4º, II, é possível de logo avistar que até mesmo uma proposta de emenda a constituição que determine a utilização do sistema híbrido de votação e que não preveja com clareza como o sigilo e a liberdade do voto sejam protegidos, estará fadada ao reconhecimento de sua inconstitucionalidade, ainda durante sua própria tramitação, vez que as cláusulas pétreas só podem ser revisadas por uma Assembleia Nacional Constituinte, não possuindo o constituinte derivado poderes para tanto."

 

Quem fica em silêncio em CPI é 'só bandido', disse ministro de Bolsonaro

  • 14/05/2021 09:38
  • Voney Malta

Escravo da palavra dita. A frase que pego emprestada para o título deste texto foi usada em suas redes sociais, em 11 de maio de 2015, pelo atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni.

Deputado pelo DEM, o gaúcho se referia ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró à CPI na Justiça Federal do Paraná. “Cerveró ouviu de mim que em CPI quem se vale do direito [a] ‘ficar calado’ tem coisa a esconder, só bandido usa disso.”, postara o parlamentar (veja aqui).

Nesta quinta-feira (13), a Advocacia-Geral da União recorreu ao STF que para que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazzuello tenha o direito reconhecido de ficar calado durante o seu depoimento na CPI da Covid, marcado para quarta-feira (19).

Seguindo o raciocínio de Lorenzoni, o obediente dono da humilhante frase dita a Jair Bolsonaro, "um manda e o outro obedece", está escondendo algo, portanto, tal silêncio é uma confissão de culpa, certo?

EM TEMPO - De acordo com o jornalista Ricardo Noblat, em seu blog (leia aqui), o ministro relator do caso, Ricardo Lewandowski (STF), irá atender o pedido de habeas corpus para que Pazuello não responda a perguntas dos senadores que possam prejudicá-lo.

Contudo, segundo Noblat, "Não quer dizer que o ministro se limitará a atender aos desejos de Pazuello. É provável que estabeleça restrições, do tipo: o general não poderá se negar a dar explicações sobre as ações do Ministério da Saúde contra a pandemia durante o período em que o comandou, nem sobre o que disse ou quis dizer, à época, em pronunciamentos públicos. É uma brecha no silêncio total".

 

 

Pesquisa Datafolha entre Lula e Bolsonaro é semelhante a de 2018

  • 13/05/2021 10:06
  • Voney Malta
Foto: Andre Penner/AP; Alan Santos/Presidência da República

Dizem os mais experientes que o segredo da política é semelhante às operações matemáticas: como já escrevi neste espaço outras vezes, política é somar e multiplicar apoios, jamais dividir ou subtrair, forma clara de agir do atual presidente.

Pois bem, como com esse método ele conseguiu se eleger presidente? Ora, ele apareceu para o cenário nacional, na eleição presidencial de  2018, como representante da antipolítica, contrário ao sistema, causou comoção nacional ao ser esfaqueado em Minas Gerais e não precisou expor suas ideias de governo ou enfrentar debates.

Soma-se a isso ainda o fato de o ex-presidente Lula ter sido impedido de disputar aquele pleito por ter sido preso após decisão do ex-juiz Sergio Moro, que em seguida  virou ministro do governo Bolsonaro.  

Lula liderava as pesquisas, a possibilidade de vencer o pleito no primeiro turno era real, bastante semelhante aos números da pesquisa Datafolha divulgados nesta quarta-feira (12), como se estivéssemos voltando ao passado, a 2018.  

Em agosto daquele ano, Lula venceria Bolsonaro no primeiro turno, 39% a 22%. No segundo turno a vantagem cresceria, 52% a 32%. Agora os números são: 41% a 23% no primeiro turno e 52% a 32% no segundo turno.

Naquela eleição, majoritariamente, o eleitor votou contra o PT, foi o voto de exclusão, agora o eleitor já avalia um governo que governa para os seus, um terço dos eleitores.  

E o povo costuma ser leal aos seus interesses (esperanças) de momento. Por isso o governo do capitão cloroquina amarga rejeição, considerando-o ruim ou péssimo, de 45%. A aprovação do governo caiu de 30% para 24%, comparando com a pesquisa anterior, de março passado.

Incapaz de liderar e de unir o país, incompetente para enfrentar a pandemia e os seus terríveis efeitos sociais e econômicos, segue Jair Bolsonaro causando aglomeração e descerrando placas de obras iniciadas em outros governos ou que já foram até inauguradas.

 

 

 

CPI: Bolsonaro tenta "desviar as atenções sobre o seu governo e direcioná-las aos governadores", diz Luciana Santana

  • 11/05/2021 09:48
  • Voney Malta
Foto: Sandro Lima
Luciana Santana

Doutora e mestre em Ciência Política e professora adjunta na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Luciana Santana avalia, em texto publicado no UOL, que "Desde que o nome de (Renan) Calheiros veio à público como alternativa para assumir a função de relator ocorreram várias movimentações políticas com o intuito de evitar a sua indicação, tanto por parte de aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quanto de desafetos da política local alagoana."

Para ela, a confirmação do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator da CPI da Covid causou desconforto visível nos políticos governistas e também  no próprio presidente Jair Bolsonaro, que proferiu ataques.

"O ataque inusitado a Renan Filho deixa em evidência os traços de bipolaridade política do presidente, já que dias antes da CPI ser instalada, o presidente ligou para o governador em busca de aproximação com o senador Renan Calheiros. Se o presidente diz que há desvios de recursos em Alagoas, o contato não faria nenhum sentido", acredita Luciana Santana.

De acordo com a professora, com o possível desgaste que a CPI pode causar no governo federal, "as chances de êxito eleitoral em 2022 podem ir por terra", desde que comprovada a irresponsabilidade na gestão da pandemia. Por isso a estratégia de Bolsonaro é desviar as atençoes "sobre o seu governo e direcioná-las para os seus algozes já escolhidos desde o início da pandemia, os governadores".

Ainda segundo Luciana Santana,  Jair Bolsonaro poderia escolher vários alvos para interferir nos rumos da CPI, mas está optando por agir politicamente em Alagoas - onde na capital ele saiu vitorioso na disputa com Haddad, em 2018 - via adversários dos Calheiros, casos, hoje, dos seus aliados, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o senador Fernando Collor (PROS-AL).

"Outro ponto é a proximidade de Renan Calheiros com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o potencial concorrente mais forte para as eleições de 2022, e que apresenta boas chances eleitorais segundo as pesquisas de opinião desde que voltou a ser elegível. Os ataques a Calheiros podem servir para reforçar o antipetismo no país".

Leia aqui na íntegra.

A semana da CPI da Covid-19 no Senado

  • 10/05/2021 10:11
  • Voney Malta

"Muitos fatos estão sendo esclarecidos e as investigações avançam. Algumas pessoas podem até ser reconvocadas frente fatos divergentes de depoimentos já dados", publicou o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI do Covid. Já se fala, inclusive, que o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, será chamado para prestar novos esclarecimentos.

Mas o fato é que esta semana os depoimentos programados seguirão um novo roteiro. Sai do cartaz a cloroquina ofertada e defendida por charlatões, e sobe no palco a falta de vacinas e a comunicação do governo.

Os holofotes estarão direcionados para as apresentações de atores importantes, casos do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, que será ouvido nesta terça-feira (11).  

No dia seguinte (12) quem estará no palco é o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten.  

E na Quinta (13) dois executivos da Pfizer, Marta Díez e Carlos Murillo.  Ela é a presidente da empresa no Brasil, ele é ex-presidente.

O fim da história ainda é desconhecido. Mas é sabido que teremos 'mocinhos e bandidos' e 'mortos e feridos' -  no sentido figurado, claro.

Só não dá pra saber, por enquanto, de qual lado eles estão.

 

Contra CPI, Bolsonaro manda agentes da Abin coletarem dados de prefeituras e de governos estaduais

  • 07/05/2021 10:23
  • Voney Malta

Depois de telefonar para o governador Renan Filho (MDB) para articular uma aproximação com o seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relador da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro colocou em campo a sua Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para levantar dados que municiem o governo e os seus aliados bolsonaristas.

De acordo com reportagem exclusiva para assinantes da Crusoé (leia aqui), a Abin, na quinta-feira (6), um dia após o depoimento de Luiz Henrique Mandetta na CPI, enviou, via WhatsApp, uma demanda urgente para que "agentes de inteligência em todos os estados do país, determinando uma ‘compilação de dados’ sobre ‘irregularidades relacionadas à pandemia’ em ‘âmbito estadual e municipal’.  

Segundo Crusoé, "Juntamente com a mensagem, os oficiais receberam o link de uma planilha de Excel onde deveriam colocar os nomes dos estados e das cidades identificados na investigação, um título resumindo o problema detectado e a fonte da informação coletada. A Abin tinha pressa. O arquivo deveria ser preenchido até as 18 horas daquele mesmo dia".

"A mensagem, obtida por Crusoé com fontes primárias envolvidas no trabalho, foi enviada para as 26 superintendências estaduais da Abin a partir de um número de telefone de plantão do Centro de Monitoramento de Crise da agência, conhecido como Cemoc.”, revela.

E como já virou rotina, estilo e estratégia, o chefe do Executivo sempre parte para para ameaças quando está sob risco, o que fez ao senador e ao governador de Alagoas também nesta quinta-feira (6) durante sua transmissão nas redes sociais.  

EM TEMPO - O papel de "um agente da ABIN, em um contexto geral, é colher e analisar dados para que as autoridades do Estado tenham conhecimento de assuntos críticos para o país e possam tomar as decisões que forem necessárias."

Resumidamente, "o agente do serviço secreto do Brasil deve estudar possíveis ameaças e relatá-las. O profissional de inteligência da ABIN protege o país, principalmente com relação a segurança das fronteiras; lavagem de dinheiro; terrorismo e espionagem de um agente adverso".

 

 

A revolta no Twitter após Bolsonaro lamentar morte de Paulo Gustavo

  • 05/05/2021 09:41
  • Voney Malta
Foto: EVARISTO SA / AFP
Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro lamentou a morte de Paulo Gustavo, mas tenho imensa dúvida sobre se o sentimento do presidente é verdadeiro.  

De qualquer forma, pelo menos Bolsonaro evitou repetir que temos que deixar de ser maricas, que é uma gripezinha, que não é coveiro e não negou a eficácia das vacianas.

E de repente, por conta da CPI no Senado, quem sabe o presidente começa a dar bom exemplo ao usar e a aconselhar os brasileiros a se protegem com máscara e a evitar aglomerações.

Seria outro Jair Bolsonaro, não é mesmo?

“Meus votos de pesar pelo passamento do ator e diretor Paulo Gustavo, que com seu talento e carisma conquistou o carinho de todo Brasil. Que Deus o receba com alegria e conforte o coração de seus familiares e amigos, bem como de todos aqueles vitimados nessa luta contra a Covid”, publicou ele.

E em sua rede social, milhares reagiram. "Você tinha como ter salvado ele e mais milhares de pessoas. Mas você preferiu rir da doença, negar as vacinas, debochar de quem perdeu pessoas pra doença, fazer pouco da dor de todo mundo", postou @lelIycosta.

"Teu projeto segue de vento em popa. É a tua 'imunidade de rebanho', é o seu tratamento precoce, que custa a vida de pessoas brilhantes como o Paulo. Lava tua boca pra falar dele, seu verme", disse @mariabopp.

"Primeiro vamos matar, depois lamentamos. Viva a cloroquina! Viva 70 milhões de doses de vacina rejeitadas, viva meu pai que não pude abraçar hoje e nem desejar feliz aniversário, graças a você! 400 mil mortes nas suas costas. O mundo inteiro já sabe disso e o futuro te espera!", afirmou @imcainesh.

Leia aqui outras reações no Twitter.

 

 

Cidades bolsonaristas têm mais mortes e mais contaminações, diz estudo

  • 04/05/2021 10:13
  • Voney Malta
Foto: Agência O Globo
Leitos de Covid-19

A CPI que começa nesta terça-feira (4) - e que terá como um dos destaques o senador Renan Calheiros (MDB-AL), o governo Jair Bolsonaro, ex-ministros e empresários, entre outros personagens -  vai se debruçar sobre uma série de dados e personagens na maior de todas as tragédias política e sanitária do país.

Autores de uma pesquisa (leia aqui) sobre os efeitos do negacionismo governamental no número de casos e mortes no Brasil, os professores Sandro Cabral (Insper), Nobuiuki Ito (Ibmec) e Leandro Pongeluppe (Universidade de Toronto, Canadá), a partir de dados do TSE, constataram "que nos municípios onde o presidente Jair Bolsonaro teve mais de 50% dos votos no segundo turno de 2018, o risco de infecção foi 299% e o de mortes, 415% maior do que nos municípios onde ele perdeu a eleição".  

E nas cidades em que bolsonaro conseguiu mais de 70% dos votos, "chegou a ter 567% a mais de chance de se infectar e 647% a mais de risco de morrer do que numa cidade onde ele teve menos de 30% dos votos".

Esse estudo, contudo, não avaliou o grau de contaminação e de mortes que os protestos, aglomerações e o não uso de máscaras por parte de bolsonaristas provocam, como o que ocorreu neste final de semana em algumas cidades brasileiras.

Enquanto membros do governo Bolsonaro viram as manifestações como demonstração de força, o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) avaliou de outra forma: “Isso é bobagem. A maioria que vai a essas manifestações é rigorosamente gente paga ou alienada. As urnas prevalecem”, afirmou.

Será que que Kajuru tem razão?

 

STF: Humberto Martins é favorito para a vaga de Marco Aurélio de Mello

  • 30/04/2021 10:55
  • Voney Malta
Foto: Reprodução / Internet
Humberto Martins

Se uma bolsa de aposta fosse criada e eu tivesse que indicar um nome para ocupar a vaga do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello, que deixa o cargo até julho de 2021, aos 75 anos, minha escolha recaíria sobre o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o alagoano Humberto Eustáquio Soares Martins.

Nesse tipo de maratona ele tem profunda vivência. Não é qualquer advogado militante que vira presidente da Associação dos Procuradores de Alagoas, depois é eleito e reeleito presidente da OAB local, vira desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas e, em seguida, é indicado ministro do STJ.

Para galgar tais postos é preciso ter um requisito que não consta na legislação: boas relações com quem decide; e com quem pode influenciar. E isso Humberto Martins sempre teve com sua classe profissional, com a imprensa, parlamentares e empresários.  

Exemplo disso é o fato de ter conseguido manter ótima relação em Alagoas com dois adversários 'caninos' durante um certo período, caso do empresário e ex-deputado federal João Lyra e o senador Renan Calheiros, atrito que teve repercussão nacional.

Pois bem, o ministro do STJ também é evangélico, algo sabido por poucas pessoas, qualidade importante já anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro que pretende indicar um  nome "terrivelmente evangélico".

Aparentemente o principal adversário é o advogado-geral da União, André Mendonça - pastor da Igreja Presbiteriana em Brasília, , e íntimo da família Bolsonaro. Contudo, Mendonça perdeu bastante espaço no Senado e entre ministros do STF dada a sua atuação como ministro da Justiça  e na própria AGU por defender pautas extremistas dos 'bolsonaros' e dos seus apoiadores radicais.

Claro que esse tipo de maratona tem empecilhos, adversários desconhecidos e inveja. Companheiros de Martins no STJ estariam incomadados com a campanha que ele vem fazendo. Segundo o UOL, "um ministro disse à coluna (de Carolina Brígido) que o colega 'começou a rodar bolsinha e ficou ruim'. Esse mesmo ministro diz que Martins está tentando agradar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com decisões judiciais".

Ainda de acordo com a reportagem, o "órgão homenageou, em maio do ano passado, militares combatentes na Guerrilha do Araguaia, com destaque para o tenente-coronel reformado Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió. O militar é apontado como torturador de militantes de esquerda durante a ditadura".

Portanto, Humberto Martins sabe jogar o jogo, mas existem os adversários ocultos e toda sorte de interesses que superam, para todos os interessados, qualidades como o notório saber jurídico.

 Mas eu, com as informações hoje disponívies, repito que apostaria nele.

Leia aqui a íntegra da reportagem do UOL.

Na CPI da Covid-19, todos querem Renan Calheiros menos ácido

  • 29/04/2021 09:42
  • Voney Malta
Foto: Agência Brasil
Renan Calheiros

O pedido tem sido feito por aliados do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e também por políticos ligados a Jair Bolsonaro (sem partido).

Apoiadores do presidente acharam que o político alagoano se excedeu nas críticas iniciais, na terça-feira (27), durante a instalação da CPI da covid, enquanto os próximos a Calheiros adoraram o discurso, mas também querem que o tom crítico contra o governo seja diminuído.

A ideia é que o relator da CPI seja extremamente técnico em sua atuação, que evite ataques a possíveis investigados antes de as apurações avançarem, para que não não deixe colar em si a imagem de oposição barata, o que implicará na perda de credibilidade.

Renan Calheiros teria prometido seguir os conselhos, mas será que ira seguir o roteiro? Afinal de contas, agora ele está de volta ao centro das atenções diante de uma crise sanitária, econômica e de um governo francamente incapaz de liderar o país.

O fato é que existe um tremendo vácuo político deixado por um presidente eleito plebiscitariamente (antipetismo), mas enfraquecido por ser o seu governo incapaz de liderar a nação diante da pandemia e suas consequências.

Renan Calheiros é agora o dono dos holofotes, aquele que deverá dizer para qual lado deve seguir o filme, câmera, ação!

Experiência ele tem e essa CPI é das mais fáceis criadas desde a redemocratização porque tem início, meio, personagens, mocinhos, vilões, tragédias, mortes.

Veremos qual personagem Renan Calheiros irá incorporar nos proximos dias: o ácido, ou o técnico?

 

 

 

Mude de calçada! e o "peso" da reclusão estendida

  • 26/04/2021 09:38
  • Voney Malta

Coach de desenvolvimento pessoal e de carreira, Farah Setton externa sensibilidade e entendimento da realidade que enfrentamos em texto publicado em sua rede social.  

Também tem o devido equilíbrio para expor a sua visão nesses tempos em que as relações pessoais, profissionais e a nossa liberdade total sujeitam-se aos devidos limites impostos pela covid.

Mas todos nós podemos “mudar de calçada”…, sempre. 

Leia abaixo:

Por Farah Setton

Estes dias venho sentindo o "peso" da reclusão estendida, seguida por tantas  perdas (agradecendo muito por toda minha família saudável) ...tenho o hábito de caminhar no calcadão ou ir à praia nos finais de semana, e me deu uma necessidade de sair agora a noitinha.  

Praia interditada, o jeito foi ir pelo lado de cá da calçada, fui andando reflexiva, fitando sobre a máscara os poucos que se aventuravam, e tive a sensação que partilhávamos  do mesmo sentimento de estranhamento, desse novo estranho mundo.  

A lua cheia estava como testemunha e alheia a tudo em sua natureza cíclica de nos encantar, apesar de tudo.

E me veio à mente o que sempre digo e acredito, sempre há qualquer coisa que seja de positivo em tudo...hoje foi mudar de calçada e sentir novos sentimentos, me veio lembranças diferentes a cada quadra que passava, bares que frequentei, que  não existem mais, e que "marcaram  época", a Jatiúca com pouquíssimas casas, lá bem atrás quando eu era criança, enfim, muitas lembranças, e fui avistando pessoas passando, poucos turistas debruçados nas pergolas dos hotéis,  passou até uma garota com os olhos em lágrimas.  

Uma caminhada sentimental, fui até o final, e entrei pelo Vera Arruda,  famílias, crianças,  cachorros e seus donos, todos passeando, conversando, o pipoqueiro lá parado, havia vida ali...e lembrei da sensação de viajar, porque caminhar muito, apreciar a vida, observar é uma das coisas que adoro fazer viajando.  

E viver novas experiências, e lembrei que coloquei na minha "to do" list, que todo mês eu vou fazer pelo menos duas coisas que nunca fiz, ir a lugares que nunca fui....e hoje percebi que às vezes basta mudar de calçada....

Leia aqui os comentários no facebook.