Fontes de Brasília contam que o deputado federal Arthur Lira articula com o senador e ex-ministro Ciro Nogueira e com Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, uma declaração de apoio de Jair Bolsonaro.

O apoio público do ex-presidente enfraqueceria o bolsonarista Alfredo Gaspar de Mendonça, pré-candidato que o ex-presidente da Câmara quer evitar, assim como a candidatura de Davi Davino Filho.

Arthur sabe, comprovadamente por estudos, que sua chance de conquistar uma das duas vagas ao Senado depende da ausência de adversários competitivos, ou seja, de ser o candidato único desse campo político.

Essa movimentação deixa JHC “ilhado”, porque Arthur tenta ainda assumir o controle do PL em Alagoas, presidido pelo prefeito de Maceió, e também quer vê-lo candidato ao governo do estado.

Dessa forma, Arthur Lira também evita que JHC lance sua esposa, Marina Candia, ou ele próprio, na disputa por uma das duas vagas ao Senado.

No meio político, avalia-se como legítimo o direito de JHC indicar um candidato ao Senado, uma vez que sua mãe, Eudócia Caldas, ocupa atualmente o cargo em Brasília.

Por isso, Arthur Lira tem concedido entrevistas nas quais fala do apoio a JHC como candidato ao governo de Alagoas e afirma que esse é um projeto construído coletivamente.

Em Brasília, nesta quinta-feira (5), após reunião com Valdemar Costa Neto, logo se noticiou que o prefeito seria candidato a governador - informação atribuída a “interlocutores”, não dita diretamente por JHC.

O fato é que ele está “ilhado e politicamente instável”. Um caminho possível seria deixar o PL e migrar para o Democracia Cristã, presidido por seu pai, o ex-deputado federal João Caldas.

Nos bastidores, fontes descrevem quatro cenários possíveis para JHC:

1 - Se for candidato a governador pelo PL vai enfrentar Renan Filho e os governos federal e estadual  muito bem avaliados em Alagoas. Terá que 'trair' o Presidente Lula e vários players da política nacional que apoiaram sua tia, Marluce Caldas, ministra do STJ com o compromisso dele não ser candidato a governador.

2 - Se sair do PL e procurar um partido da base de Lula pode ficar em situação injustificável com a base bolsonarista, que já anda esperneando, e ainda com a direita alagoana".  

3 - Se quiser o Senado tem que procurar um partido seguro, já que o PL sofre pressão direta da base bolsonarista e de Artur Lira que podem atuar para não permitir a candidatura dele.

4 - Permanecer na prefeitura, podendo perder a vaga no Senado que hoje é da mãe e, obviamente, perder forças nos próximos anos. Nessa hipótese, coloca Rodrigo Cunha no saco.  

Conclusão: "A conta política de JHC chegou e ele não vai conseguir pagar a todo mundo."