Voney Malta

O que está ocorrendo pós-eleição de Bolsonaro e a Carta ao Presidente Lula

Não há tempo para curar feridas, mas há necessidade de entender o que ocorreu. Diz o jornalista e ex-deputado federal por 16 anos (1995 e 2011), Fernando Gabeira, que conviveu com facilidade na Câmara dos Deputados com Jair Bolsonaro e que é preciso entendê-lo porque ele representa uma parte considerável da população.

Ele diz ainda que se qualquer um partir da ideia de que ele é um nazista ou fascista, “perde o contado com a possibilidade não só de falar com ele, mas com os eleitores dele também. E os eleitores dele não são as pessoas descritas nessa visão alarmista”. Dado, resumidamente o recado para a esquerda, Gabeira também disse que esses partidos precisam fazer uma autocrítica e pensar em longo prazo (leia aqui).

Mas e quem é Bolsonaro? Ele é o cara que fala em destruir os opositores nas redes sociais ou o que fala em respeitar a Constituição? Ou será o Presidente que irá perseguir governadores adversários, como é previsto por cientistas políticos baianos (leia aqui)?

O fato é os partidos de esquerda já se organizam para enfrentar o que for necessário em defesa da Constituição e das minorias, como foi dito por Fernando Haddad na noite deste domingo (28).

Uma carta aberta de José Sergio Gabrielli, coordenador da campanha Haddad, ao ex-presidente Lula, cita a relevância de Ciro Gomes para compor a frente democrática e a resistência contra Bolsonaro, assim como os partidos aliados, governadores e políticos.

Leia a íntegra:

Carta Aberta ao Presidente Lula

São Paulo, 29 de outubro de 2018

"Escrevo cedo na manhã do dia após as eleições. Bolsonaro ganhou e seu primeiro discurso, retomando uma velha retórica da Guerra Fria promete o combate ao socialismo e comunismo como princípios fundantes de seu ideário. Cito, literalmente:

o Brasil não poderia continuar flertando "com o socialismo, o comunismo, o populismo e o extremismo da esquerda".

 Com a Constituição na mão, Bolsonaro promete cumpri-la. Como lembrou o presidente do STF, ministro Toffoli, ela diz no seu terceiro artigo e eu cito literalmente:

 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

 I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

  III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

 IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 

São dois discursos em um. Qual prevalecerá será resultado da resistência democrática. Da força dos que se opuseram ao discurso da raiva e do ódio.

Não pode predominar o preconceito, a apologia da desigualdade, o desrespeito as diferenças, a falta de liberdade, a perseguição aos divergentes. Não pode. Foi isto que motivou os milhões de brasileiros que, apesar de perderem as eleições, votaram em Haddad e Manuela. 

Comparando-se os votos do primeiro e segundo turno, Haddad/Manuela tiveram 15,7 milhões de votos a mais do que no primeiro turno, enquanto Bolsonaro cresceu apenas 8,5 milhões entre os dois turnos. Os democratas, que se opuseram aos riscos da democracia, mais do que em dobro votaram em Haddad. Mesmo entre os que votaram em Bolsonaro, muitos acreditam que ele não cumprirá a primeira parte do seu discurso e seguirá os limites impostos pela Constituição.

A resistência democrática será a principal batalha a ser travada. Haddad desempenhará um dos principais papeis neste movimento. Com milhões de votos, ele consolidará uma liderança de tipo novo, articulando sua expressão individual com a força do sujeito coletivo que é o partido. 

Não teremos tempo para curar as feridas. Mesmo feridos, a luta continua. Lideranças no Senado emergirão e Jaques Wagner surge como um grande quadro. Bem relacionado com os governadores do Nordeste, com expressão nacional e recém-chegado ao Senado com ampla vitória na Bahia, ele será um líder nacional importante.

O povo nordestino, sob a liderança de seus governadores, foi um gigante. Os estados do Nordeste, bastiões da democracia, honrando sua história de lutas, foram resistentes e deram uma grande vitória a Haddad/Manuela. Agora sofrerão assédios, pressões, perseguições. Mas como já disse um escritor, o nordestino é antes de tudo um forte.

Ciro Gomes, o neutro, perdeu substância política, mas continuará como um importante personagem da política brasileira e deverá compor a frente democrática e a resistência contra Bolsonaro.

Os movimentos sociais serão um dos focos do ataque do Governo e, portanto, passarão a adotar uma tática defensiva, de sobrevivência. Terão um papel importante na organização da sociedade e na construção de novas alternativas de pressão política. Pautas defensivas e novas formas de luta, como a intensa utilização das redes sociais para mobilização e formação, deverão se tornar mais presentes. Viva o MST, a CMP, o MTST e todos os movimentos populares.

A questão da soberania nacional, com a luta contra a entrega de nossas riquezas a interesses internacionais e a preservação dos direitos sociais já conquistados, bem como das políticas públicas que reduzem a desigualdade serão importantes palcos de batalhas. Um livro numa mão e carteira de trabalho na outra deverão ser buscas incessantes da luta de resistência.

O PT resulta nesta quadra como o maior instrumento de luta do povo brasileiro. Maior bancada de deputados federais, com ampla votação nos estados do Nordeste, forte presença em outros estados, ganhou o apoio de segmentos anti-petistas, que se revoltaram contra o risco à democracia. No entanto, estes segmentos continuam com críticas ao partido. Saber combinar a aceitação destas críticas, correções de rumo e incorporação de novas posições, será um exercício difícil de habilidade política de quem tem o papel de liderança na luta de resistência. A resistência solitária não é a melhor resistência. A resistência coletiva é mais poderosa. 

A presidente Gleisi, que sai da eleição como a grande liderança partidária, terá uma tarefa imensa de manter coesionado o PT, garantir ampla articulação com os outros partidos, atrair os personagens da luta de resistência democrática e circular pelo pais, organizando a sociedade na luta pela redução das desigualdades e contra a opressão e diminuição de direitos.

O PC do B, parceiro aliado com a apresentação desta nova liderança que é Manuela DÁvila, foi chave na tentativa de coligação das forças progressistas e continuará desempenhando papel importante na manutenção da unidade. Importantes parcelas do PSB e do PDT e o PROS também estiveram presentes nesta disputa eleitoral tomando lado a favor da democracia e das mudanças. 

Um dos maiores desafios para o PT é manter este apoio. Ser mais propositivo em questões concretas e adotar um processo de organização e convencimento amplo de suas posições será um caminho importante nesta reconquista de liderança. Não há como pensar numa política hegemônica neste momento. É preciso consolidar a ação conjunta com o PSOL, cujo posicionamento político foi irretocável, com firme compromisso com as lutas populares e com a defesa da democracia. Viva Guilherme Boulos e o PSOL.

Presidente Lula, a luta por sua libertação desta condenação injusta volta a ser um importante foco da disputa. Eles vão querer ataca-lo ainda mais. Nossa insurgência contra as arbitrariedades e pela defesa de seus direitos não pode deixar de estar sob atenção permanente.

A campanha foi um bom combate. Contra adversários poderosos, isolados politicamente, conquistamos mais de 47 milhões de votos, ampliando nossos apoios, no segundo turno, com a sociedade, ainda que muitos personagens do centro politico tenham vacilado. No entanto, não faltaram artistas, intelectuais, juristas, dirigentes de vários segmentos da sociedade, lideres das mais diversas religiões que perceberam os riscos que a democracia vivia e se manifestaram a nosso favor. Estas energias democráticas não podem agora ser dispersadas.

Presidente Lula, sei que está acompanhando de perto tudo que está acontecendo aqui fora. Um abraço solidário

 

José Sergio Gabrielli de Azevedo"

 

 

Data Folha: Haddad tem o dobro de intenções de voto nos eleitores LGBTs

A pesquisa Data Folha divulgada nesta quinta-feira (25) traz um dado interessante: Dentro da margem de erro entre os entrevistados que se declaram homossexuais, bissexuais e de outras orientações que não a heterossexual, enquanto Jair Bolsonaro tem 29% de intenções de votos, Fernando Haddad aparece com o dobro, 57%. Nulo ou branco é de 7% e 6% dizem não saber em quem votar.

Nesse levantamento, foi a primeira vez que o Data Folha perguntou sobre a orientação sexual do entrevistado. 86% se declararam heterossexuais, 3%, homossexuais, 2%, bissexuais, 2%, de outras orientações sexuais e 6% dos que responderam à pesquisa não quiseram responder a essa pergunta.

Sem surpreender, a pesquisa mostra o quanto é alta a rejeição do candidato do PSL. Se entre os heterossexuais é de 42%, vai a 62% no grupo. A do petista é de 55% entre os heteros e de 31% entre homos, bis e pessoas de outras orientações sexuais. Haddad foi o mais votado no primeiro turno no grupo, 36%. 21% declaram ter votado no capitão.

Certamente que essa diferença na disputa pelo segundo turno nesse segmento específico – os homossexuais – é ampla porque Bolsonaro colecionou em sua trajetória política declarações hostis à comunidade LGBT.  Em 2011, por exemplo, disse que não seria capaz de amar um filho homossexual e preferia que ele “morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo".

Jair Bolsonaro constantemente também protagonizou cenas de oposição no plenário da Câmara contra projetos dos governos petistas de inclusão e combate ao preconceito. O combate á homofobia em escolas públicas, por exemplo, apelidou de Kit Gay. E em 2015 protestou contra a realização da Parada Gay no plenário.

Pesquisa Datafolha, contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, entrevistou 9.173 pessoas nos dias 24 e 25 de outubro de 2018, em 341 municípios. A margem de erro no recorte de orientação sexual é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Pesquisa Vox Populi aponta crescimento de Haddad e queda de Bolsonaro

Pesquisa do Instituto Vox Populi realizada entre os dias 22 e 23 e divulgada no início da manhã desta quinta-feira (25), ouviu 2.000 eleitores e mostra algumas importantes alterações.

 

Quando o entrevistador mostra ao pesquisado os nomes dos candidados – simulação estimulada, Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 44% das intenções de votos. O petista Fernando Haddad tem 39%. 17% dos eleitores estão indecisos. A margem de erro é de 2,2% para mais ou para menos e o intervalo de confiança é de 95%.

 

Os percentuais de votos válidos também são idênticos aos da pesquisa anterior: 53% para Bolsonaro e 47% para Haddad.

 

Pesquisa espontânea

 

Bolsonaro tem 43% das intenções de votos contra 37% de Haddad, os mesmos percentuais do levantamento realizado nos dias 16 e 17. 13% disseram que não votarão em ninguém, votarão em branco ou anularão o voto e 7% não sabem ou não responderam.

 

Leia a íntegra da pesquisa aqui.

Pesquisa Ibope: Bolsonaro ainda pode perder?

Frases antigas e tradicionais como “eleição só termina quando o último voto é contado”; “não se canta vitória antes de contados todos os votos” e “fulano só é o ‘mandão’ quando tiver a caneta na mão” dão um pouco o tom do que significa uma disputa eleitoral.

São vários e notórios os casos de políticos que até sentaram na cadeira, tiraram foto, definiram e anunciaram nomes para cargos e depois de abertas as urnas o resultado foi outro. De alguma forma caso parecido ocorreu em São Paulo, capital, com Fernando Henrique Cardoso antes de se tornar presidente da República.

Provável próximo chefe da nação, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e o seu entorno têm agido publicamente com essa certeza. Sondagens de nomes para cargos, quem do governo Temer deve permanecer, declarações autoritárias, fora do tom político, fila de empresário e prefeitos indo ao seu encontro em sua residência, enfim.

Pois bem, a pesquisa Ibope divulgada na noite desta terça-feira (23) traz alguns dados reveladores - preocupantes ou animadores dependendo do ponto de vista -, porque os números iniciais que parecem uma ‘marolinha’ têm capacidade de crescimento e de se transformar numa onda.

Ou não, claro.                                                                     

Na pesquisa espontânea – na qual os eleitores indicam sua opção antes de receber um disco de papel com os nomes dos candidatos, Bolsonaro lidera por 42% a 33%. Mas no levantamento anterior o placar era de 47% a 31% – o que significa que a vantagem caiu de 16 pontos para 9.

Outro dado relevante é quanto a rejeição: a de Bolsonaro pulou de 35% para 40% e a de Haddad caiu de 47% para 40%.

A vantagem do deputado federal sobre o ex-prefeito de São Paulo é bastante alta, e 14 pontos, e o tempo de campanha eleitoral reduzido para uma alteração. Entretanto – e aqui vai o óbvio – “eleição é eleição”, ou ainda, “cada eleição é uma eleição”.

 

Mourão diz que vai processar Geraldo Azevedo

Vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o general Hamilton Mourão (PRTB) disse que vai processar o cantor e compositor Geraldo Azevedo que o acusou, durante um show em Jacobina, na Bahia, de tê-lo torturado durante o regime militar.

 

Geraldo Azevedo voltou atrás e já informou que Mourão não estava entre os seus torturadores quando foi preso pela ditadura em 1964 e 1974. Ele pediu desculpa pelo transtorno causado pelo equívoco e reafirmou sua opinião de que "não há espaço no Brasil de hoje para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e cerceia a liberdade de imprensa".

 

Mourão esclareceu que em 1969 ainda não tinha ingressado no Exército e que era aluno do Colégio Militar em Porto Alegre, aos 16 anos.

Leia mais aqui.

Cantor revela que foi torturado por vice-presidente

Um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, o cantor e compositor Geraldo Azevedo revelou que durante a ditadura militar foi preso duas vezes e foi torturado.

E, segundo o artista, um dos torturadores foi o candidato à vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, o general Hamilton Mourão.

Geraldo Azevedo, durante a ditadura, fazia parre de uma turma de artistas que se opunham ao regime militar. Foi preso em 1969 junto com a esposa e foi torturado durante 41 dias.

A manifestação de Geraldo Azevedo ocorreu durante um show em Jacobina, na Bahia.

Veja o vídeo e a reportagem no site Bahia Notícias.

Pesquisa: Bolsonaro tem 60% dos votos válidos; Haddad 40%

Apesar de todos os erros, declarações absurdas, falta de programa de governo, entre outras questões, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu fazer com que o eleitor insatisfeito e revoltado com a classe política deposite nele toda essa decepção.

 A impressão que fica é que o eleitor está dando uma resposta raivosa e que todos esses problemas não têm nenhuma importância. Certamente, há razões muitas para isso – corrupção, por exemplo que atingiu os principais partidos -, embora pareça que seguimos como uma manada m disparada sem saber o que irá encontrar adiante.

Leia abaixo reportagem no Infomoney na íntegra sobre a pesquisa:

Infomoney - Pouco menos de uma semana antes do segundo turno que irá definir quem será o próximo presidente do Brasil, o cenário é de bastante estabilidade nas intenções de voto, com uma larga diferença de 20 pontos entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

É o que mostra a mais recente pesquisa BTG Pactual/FSB, divulgada na madrugada desta segunda-feira (22). Foram entrevistados, por telefone, 2.000 eleitores com idade a partir de 16 anos e a margem de erro é de 2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-03689/2018.

No cenário de votos estimulado, levando em conta apenas os votos válidos (excluindo brancos, nulos e abstenções), Bolsonaro tem 60% dos votos, oscilando um ponto para cima ante a pesquisa da última semana, enquanto Haddad passou de 41% para 40% das intenções de voto em uma semana. Ao considerar os votos totais, o candidato do PSL possui 52% dos votos ante 51% da última semana, ante 35% do petista, que manteve a intenção de voto. 4% pretendem votar branco/nulo, 5% em ninguém/nenhum deles e 4% não sabem ou não responderam.

Na intenção de voto espontânea, 48% apontaram votar em Bolsonaro (ante 49% do último levantamento) e 31% em Haddad (ante 30% da última pesquisa). Brancos e nulos somaram 6%, ninguém ou nenhum totalizaram 5%, enquanto não souberam ou não responderam totalizaram 11%.

A decisão de voto dos eleitores de Bolsonaro também é a maior, mantendo-se em 94%, ante 90% dos que votarão em Haddad, enquanto 74% dos que disseram que não votarão em ninguém estão certos do voto. Já 70% dos que apontaram que vão votar em branco/nulo mostraram certeza do seu voto.

Haddad registra a maior rejeição, com 52% dos entrevistados dizendo que não votaria no petista de jeito nenhum, ante 40% de Bolsonaro. 47% disseram que votariam apenas em Bolsonaro, enquanto 2% apontaram votar no candidato do PSL e desconhecer Haddad. Já 32% votariam apenas em Haddad e 3% poderiam votar no petista e desconhecem Bolsonaro. 5% poderiam votar em ambos os candidatos, 4% não votariam em nenhum deles e 3% desconhecem os dois nomes.

Os eleitores também foram questionados dos motivos para votar nos candidatos. 85% dos que votarão em Bolsonaro apontam achar que ele é a melhor opção, ante 75% dos que votarão em Haddad. 10% dos ouvidos que votarão em Bolsonaro querem impedir a vitória do outro candidato, ante 18% dos que votarão em Haddad. 6% dos eleitores de Bolsonaro não souberam/não responderam, ante 9% dos eleitores do petista. 

Independentemente do voto, 76% dos eleitores acham que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil (o número era de 70% na última semana), ante 17% que acham que será Haddad, enquanto 7% não sabem ou não responderam. 

81% dos eleitores disseram que com certeza irão votar, 10% provavelmente irão votar, 3% provavelmente não irão votar e 5% com certeza não irão votar. 1% não sabe ou não respondeu. 

Conselheiro de Bolsonaro diz que acordo climático "serviria apenas para limpar a bunda, se fosse papel higiênico”

Têm razão os milhares de brasileiros que derrotaram no primeiro turno um monte de candidatos tradicionais, mesmo havendo gente boa e gente ruim no mesmo pacote. Também há razão para a escolha de candidatos totalmente fora da política (outsiders), ou aparentemente fora da política tradicional.

A ‘leva’ de insatisfeitos é imensa e, até agora, majoritária. Isso explica situações em Minas, Rio, Brasília. Explica, inclusive, a provável vitória de Jair Bolsonaro, um político profissional que aparenta ser ‘de fora da política tradicional’, mas que acertou no discurso sobre segurança e no antipetismo, por exemplo.

Porém, estou pessimista. O que leio, escuto e vejo das declarações do presidenciável do PSL é que não entende de determinado tema, mas vai se cercar das melhores cabeças. É o caso da economia. Quando trata do tema Bolsonaro diz que vai ouvir o empresário do mercado financeiro Paulo Guedes para decidir.

Também diz que pretender fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente para evitar atritos. Diz ainda que a Amazônia precisa ser explorada mais e o meio ambiente preservado.

Ora, que #&*@”!%  isso significa?

Bom, se você reconhece que não entende ou não domina um determinado tema como saberá que escolheu o melhor conselheiro?

O que sabemos é o que é dito pelos próprios aliados de Bolsonaro. Com a certeza da vitória, aqui e ali eles soltam o que realmente pensam.

O conselheiro agrícola ou para o meio ambiente, Luiz Antonio Nabhan Garcia, que é um importante líder ruralista, é contrário ao Acordo de Paris, que media ações internacionais para o controle do clima global, defende abertamente o desmatamento na Amazônia e afirma que o Acordo de Paris, "se fosse papel higiênico, serviria apenas para limpar a bunda".

Talvez o moço citado, um futuro ministro ou influente conselheiro do presidente, caso eleito, seja muito transparente, bastante sincero em suas opiniões.

Também pode ser o que no sertão alagoano é chamado de animal brabo, daqueles que até coice dá na própria sombra. Um personagem que quando você encontra e deseja ‘bom dia’, ele responde de volta: ‘pode ser pra você, pra mim, não’ e segue em frente.

O fundo do poço parece ainda bem distante.

Leia a reportagem sobre essa questão aqui e tire as suas conclusões.

Aliado diz que Bolsonaro não debate porque ‘peida’!?

É sério, caro leitor, não é invenção. Essa justificativa foi dada pelo deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), provável futuro ministro de Gabinete Civil do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), caso eleito.

Onyx Lorenzoni usou o argumento escatológico para explicar o motivo de Bolsonaro para não participar dos debates anteriormente previstos em rádio e televisão no segundo turno da eleição presidencial.

"Quer que eu fale em bom português? Um cara colostomizado peida, fede. No meio de um debate político, acha adequado isso?", disse o deputado gaúcho, de acordo com reportagem publicada no brasil247.

Pois bem, caro leitor, não posso cravar se o que o Onyx disse é a realidade do ponto de vista da medicina e se é o que realmente ocorre com pessoas que carregam uma bolsa coletora de fezes.

Ou seja – e peço desculpas antecipadamente com a linguagem que usarei em seguida -, o cidadão com o fio-fó tapado, impossibilitado de usar, e o bolo fecal saindo por outro orifício, também peida?

E o que parece pior, ainda mais fedido do que o normal?

Quer dizer, incendeia quarteirão?

E é ainda capaz de nocautear, causar náuseas, mal-estar, dor de cabeça, desmaios, tremedeira, febre, entre outros males, a quem estiver por perto e aspirar os ‘gases’ exalados?

Se o peido do presidenciável faz tanto mal, como estão sendo protegidos os assessores, seguranças, aliados e parentes?

Bom, mandei todas essas perguntas para a assessoria do Bolsonaro e até o momento presente não obtive resposta.

Como pra tudo há solução, apresentei duas sugestões para que ocorram debates - mesmo com o problema do ‘pum’ - entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad:

1 – No momento em que Bolsonaro sentir que a ‘bomba’ está vindo deve apertar um botão, em 30 segundos nós, os telespectadores, seremos informados que o debate será interrompido e os comerciais serão chamados para que ele possa seguir para um reservado sentar, ficar de cócoras ou deitar até relaxar e se sentir ‘aliviado’. Todos nós, os telespectadores ou ouvintes, iremos entender.

2 – Se o entorno do presidenciável está suportando e sobrevivendo ao problema, o apresentador do debate, os câmeras, os técnicos, os assessores e a plateia devem colocar um protetor nasal semelhante aos utilizados pelos trabalhadores dos Institutos Médicos Legais.

Resolvido?

Fica aí a sugestão.

Ou a história toda não passa de uma estratégia, como supõe outra frase do deputado Onyx: "Alguém (Bolsonaro) que está há 3 anos e meio dizendo suas ideias, suas propostas, caminhando pelo Brasil, indo em lugares que vocês não vão, mas ele foi. Conquistou tudo que conquistou, tem que dizer mais o que?"

Pois é. Pode ser. Só que a história algumas vezes conta cada estória e assim fica o registro sem que se saiba o que é mentira e o que é verdade.

 Como aquela do político fuj..., ou do deputado pei... tem até a do prefeito cag..!

EM TEMPO: Repito aqui o meu pedido de desculpas caso algum leitor se sinta incomodado com o uso de algumas palavras.

Pastorais da CNBB: Candidatura de Bolsonaro "é o abandono do Estado Democrático de Direito.”

Talvez seja tarde. Talvez nem importe mais. Mas de qualquer forma vale o registro histórico. Uma nota intitulada "Democracia: mudança com Justiça e Paz" assinada por várias Pastorais e entidades ligadas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e divulgada nesta segunda-feira (15) deixa clara a visão da Igreja quanto ao momento político.

Leia abaixo alguns trechos do documento:

“No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes”.

“O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.”

Leia a íntegra:

"Democracia: mudança com Justiça e Paz"

Há trinta anos a Constituição Federal entrou em vigor. Os constituintes objetivaram instituir "um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias".

No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes.

A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos.

O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.

O Brasil é um país de desigualdades sociais profundas em que os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres. Estes candidatos antidemocráticos atendem às imposições do sistema financeiro e da política neoliberal que atacam direitos sociais, ambientais e o patrimônio do país. As possíveis consequências deste programa são: o fim do décimo terceiro salário, a diminuição do Bolsa Família, a extinção das cotas nas universidades e a privatização sumária das estatais. Na verdade, tais medidas constituem a intensificação do Governo Temer, que está produzindo desemprego, sofrimento e abandono da população.

Tais políticas, já receberam veemente condenação do reconhecido líder mundial, o papa Francisco: "Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata." (Evangelii Gaudium, 53).

Este movimento apoia um candidato que pretende ser um político novo, salvador da pátria, que está no Congresso há quase trinta anos, trocou de partido oito vezes e não aprovou um projeto sequer para melhorar as condições de vida do nosso povo, votando contra todas as políticas sociais que beneficiariam os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente, os mais pobres.

Por tudo isso, nós, integrantes de organizações da sociedade civil, portadores da convicção da inafastável dignidade da pessoa humana, fundamento dos direitos humanos, não podemos nos omitir. Respeitamos todos aqueles que, por motivos variados, tenham votado no 1º turno sem atentar para estes valores, mas queremos dialogar francamente com todos. A possibilidade de se instalar um governo como esse movimento deseja, retoma o passado de ditadura já superado.

Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil.

Brasília, 15 de Outubro de 2018

Cáritas Brasileira
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CCB - Centro Cultural de Brasília
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília
CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil
CPT - Comissão Pastoral da Terra
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
OLMA - Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral Operária
SPM - Serviço Pastoral do Migrante

 

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