Voney Malta

Eleições 2018: Coronel acusa vice de Bolsonaro de favorecer empresa em contrato do Exército

Se o sujeito decidir disputar uma eleição majoritária, principalmente, precisa estar pronto para ter a sua vida devassada desde que foi concebido,.

Também passam por essa investigação parentes, amigos e aliados. O que o candidato pensava e que foi registrado de alguma forma também pode ser questionado e, talvez, não tenha o direito de mudar sua visão o mundo, ideias e ideais, enfim.

 

Entra na história das eleições 2018 o general da reserva Hamilton Mourão, um incentivador de candidaturas de militares que agora ocupa o cargo de vice na chapa do presidenciável Jair Bolsonaro.

Pois bem, depois de dizer repetidas e antiquadas bobagens sobre a formação do povo brasileiro e de ter levado pancada de todos os lados, agora, de acordo com reportagem publicada pelo EL PAÌS, é acusado pelo coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior de estar envolvido em irregularidades em contratos que envolvem militares, uma companhia da Espanha e um lobista. Pierrotti Junior questiona atuação do atual vice de Bolsonaro no negócio entre 2012 e 2016.

 Líder nas pesquisas eleitorais quando o nome do ex-presidente Lula não é apresentado, Jair Bolsonaro é o foco de ataque de todos os candidatos de partidos de centro e de direita. 

 

O objetivo dos adversários é chegar ao segundo turno e para isso é preciso desidratar a dupla de militares. O sonho de Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo -  e a sua estratégia - é crescer tirando votos do deputado federal para cosneguir chegar ao segundo turno.

Verdade e mentira caminham abraçadas em período eleitoral. Mentira é um fuzil. Meia verdade um canhão e a verdade é uma bomba atomica.

Leia aqui a reportagem na íntegra e tire as suas conclusões.

Se eleito, Bolsonaro vai indicar ‘um montão de ministro militar’

Não se surpreenda, caro leitor, caso o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sequer conseguir atingir o segundo turno das eleições. E se chegar é improvável que saia vitorioso.

Como candidato ele não soma nem multiplica apoios. Pelo contrário, divide e subtrai. Como candidato não conseguiu alianças, embora tenha tentado. Assim sendo, o seu tempo de propaganda eleitoral será de segundos.

Embora lidere as pesquisas eleitorais sem o ex-presidente Lula, tudo caminha para o não fortalecimento do candidato. Agora mesmo indicou vice o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), que em anda vai ampliar o seu leque de apoios. É militar com militar.

Em seguida disse que, se eleito, o ministério será composto por “um montão” de militares. Ora, isso é tudo aquilo que a maioria dos políticos não quer, inclusive os membros de partidos de centro e de esquerda.

O problema é que a visão dos militares é limitada, restrita quando o assunto é política. Se assim não fosse, dominariam o poder público porque têm disciplina, respeitam a hierarquia e detêm informações. Porém, não sabem como usá-la na relação política e com a população.

Pois bem, mal entrou na campanha e o vice de Bolsonaro já começou a falar bobagem. Ele disse, no Rio Grande do Sul, que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos. “Esse é o nosso caldinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, populistas e dos macunaímas”, disse Mourão.

Ainda bem que os fardados abrem a boca. Quanto mais, melhor, principalmente em campanha eleitoral.
 

As ‘circunstâncias’ da candidatura Collor

Apenas os desavisados ficaram surpresos com o anúncio da candidatura do senador Fernando Collor (PTC-AL) ao governo. Este ano escrevi uma série de textos sobre essa perspectiva: “Collor prepara anúncio sobre eleições em AL”; “Eleições 2018 e o estranho silêncio de Collor”; e, entre outras, “Partidos querem Collor e Biu na majoritária”.

Claro, a possibilidade da candidatura majoritária existia por conta de 2022, quando Renan Filho, se reeleito, poderá disputar a vaga de senador ocupada por Collor, mas faltavam algumas ‘circunstâncias’: partidos, grupo político, tempo de televisão, estrutura, enfim.

Há quem avalie que Collor foi precipitado ao antecipar 2022 para 2018 sem que seja sabido como todos estarão quando o futuro chegar. Por outro lado, a definição de um nome da oposição foi motivo de comemoração até de muitos aliados dos Calheiros. Dizem que agora serão melhores ‘compreendidos’.

Fernando Collor e os Calheiros até tentaram chegar a um entendimento. Mas as exigências feitas pelo senador eram, digamos, impraticáveis politicamente, exatamente propostas para que não fossem aceitas. Uma delas era a indicação do vice, que não seria Luciano Barbosa, personagem de extrema confiança dos Renans antes, agora e mais adiante.

Bom, pelo menos esta eleição, mesmo que haja uma goleada, vitória no primeiro turno, enfim, caminha pra ser um clássico que pode definir o futuro de muita gente. Renan é favorito, mas precisa ter cuidado com o que diz para não dar discurso ao experiente senador, que vai tocar na questão do excesso de poder dos Calheiros . Collor tem um teto de votos, mas se ultrapassá-lo pode criar problemas.

EM TEMPO:

1 - Biu de Lira agora tem um candidato a governador que efetivamente pode ajudá-lo, o que não tinha nem parecia que teria.

2 – Caso seja derrotado, Collor poderá se beneficiar porque terá uma radiografia do estado para 2022, além de estar massificando ainda mais o seu nome.

3 - O deputado estadual Isnaldo Bulhões, que é candidato a deputado federal com um forte apoio dos Calheiros e na lista dos mais votados, caso eleito poderá ter ao seu lado a sua mãe no Congresso Nacional. Para isso é preciso que Fernando Collor também vença a eleição. Renilde Bulhões é a primeira suplente do senador. Isnaldinho, no meio dessa dificuldade gerada sem sua participação, levou um, digamos, agradável xeque-mate da política.

Aliança PT/PSB é golpista e preconceituosa contra o NE, diz advogado alagoano

Filiado ao PT de Alagoas desde 1983, o advogado e diretor jurídico do movimento de Combate à Corrupção Eleitoral de Alagoas (MCCE-AL), Adriano Argolo, até se afastou da sigla por um tempo, mas retornou as fileiras do partido para se posicionar contra o golpe que depôs a presidente Dilma Rousseff.

Com a mãe, irmãos, filhas e esposa também petistas, ele é um das muitas vozes que começam a se posicionar contra a decisão da direção nacional do PT de fechar acordo com o PSB que impede a candidatura de Marília Arraes em Pernambuco.

“Qual o sentido de trocar uma candidatura com reais chances de vitória como é de Marília Arraes e ficar com as candidaturas no Rio, em Minas e em SP sem chances nenhuma? Pior, qual o sentido de perder quase 70% dos votos no Lula ou em seu candidato no Nordeste e trocar por isso?”, questiona.

Para Adriano Argolo, “Esse é um dos fatores da aliança espúria. Essa aliança carrega esse racismo indisfarçável dos sudestinos e sulistas contra os nordestinos. Marília Arraes tem potencial de ser uma liderança nacional. Não há ninguém do sul maravilha no PT que tem potencial como a Marília”.

Questiono dizendo que essa aliança aparenta ter o aval de Lula, foi feita pela direção nacional do partido e parece interessar ao senador pernambucano Humberto Costa. “E daí? Bonapartismo idiota. Um erro grosseiro, basta ver que a aliança rachou o partido, criou uma revolta na militância e se posiciona de cima pra baixo”, dispara o advogado.

“Uma aliança que rachou o partido, que vai proporcionar um abandono do PT e de sua candidatura nacional por parte de milhares de militantes, caso se confirme essa aliança vergonhosa, jamais será uma boa aliança, basta ver como o partido ficou e vem uns oportunistas dizer que isso é bom para o PT? Conta outra”, duvida ele.

Tutmés X Adriana - Denuncia de corrupção no judiciário alagoano: Fake News?

Definitivamente o Poder Judiciário não é imune a casos de corrupção, bem sabemos. Desgraça presente em todos os poderes – e também no setor privado – é algo que precisa ser denunciado.

É a forma mais democrática e cidadã de combatê-la. Porém, ter responsabilidade com aquilo que se fala é o mínimo que se espera de quem indica atitudes ilícitas ou suspeitas dos agentes públicos e de quem quer que seja.

E o caso de grande repercussão em Alagoas que trouxe esse debate à tona é o que envolve a advogada Adriana Mangabeira Wanderley e o desembargador Tutmés Airan, do Tribunal de Justiçado Estado.

Com trajetória humanista, o denunciado é professor universitário, tem ligações históricas com os movimentos sociais e é tido como sujeito detentor de patrimônio modesto e de hábitos simples.  

Apesar de tais evidências, não deixou de ser alvo de acusações graves - que precisam ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes - da advogada Adriana Mangabeira Wanderley, que disse que ele teria solicitado dinheiro para julgar favoravelmente a ela em um processo.

Embora não seja figura pública, a denunciante também é um tanto conhecida no Estado. Seu envolvimento em certos episódios lhe rendeu publicidade indesejada, inclusive nas páginas policiais.

De acordo com denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal, ela teria praticado falsidade documental, uso de documento falso e descaminho, processo que corre na justiça federal, ainda sem sentença e que foi desencadeada a partir da operação da PF batizada por “Black Ops”.

E tem mais: Adriana Mangabeira Wanderley responde, na justiça estadual, a diversas ações criminais e indenizatórias propostas por pessoas que teriam sido vítimas de calúnias por ela supostamente perpetradas. A tramitação dos processos é pra lá de demorada porque os oficiais de justiça não conseguem intimá-la, nem mesmo no imóvel em que ela informa residir.

Mais recentemente, inclusive, lhe é atribuído um vídeo que circulou amplamente pelas redes sociais em que, supostamente, ela aparece filmando uma pistola, um canivete suíço com suas iniciais e um alicate de corte, demonstrando como deveria ser castrado um homem.

Tenho o vídeo. Porém, como não consegui conversar com a suposta autora, além de não ter a certeza de que são mesmos da advogada a autoria da imagem e a voz - e da imaginária terrível dor que senti por causa da demonstração, dos movimentos violentos, optei por não compartilhá-lo!

Mas, voltemos ao tema.

O fato é que a denúncia existe. E se existe precisa ser apurada. E se provada deve resultar em pena severa, afinal juiz não é semideus, desembargador não é Deus e ninguém pode estar acima da lei.

Simples assim.

Por outro lado, se nada se nada for provado, se ao fim se entender que tudo não passou de calúnia com propósito de ameaçar um magistrado para obter uma decisão favorável, que contrapartida poderá ser oferecida a esse desembargador para restituir o mal causado a sua imagem?

 

Alianças e tempo de TV não ganham eleição, diz sociólogo

Presidente do Instituto Voz Populi, o sociólogo Marcos Coimbra levanta uma tese bem interessante, por isso quero compartilhá-la com os leitores, sobre o cenário eleitoral neste momento.

Ele diz que alianças entre partidos e tempo de TV não ganham eleições e explica que os candidatos vitoriosos para presidente desde 1989 contou com a "hipotética capilaridade" proporcionada por alianças partidárias nem precisou dela.

Leia abaixo alguns trechos:

"talvez só restem dois grupos que insistem na tecla de que é nela que as eleições ainda são vencidas ou perdidas: os marqueteiros e os donos de emissoras, pela razão óbvia de que ganham com isso".

"Tudo o que vimos nas últimas e estamos vendo nesta de 2018 sugere, ao contrário, que a influência da propaganda eleitoral propriamente dita (ou da manipulação de noticiário e programação para favorecer ou prejudicar candidatos) diminui a passos largos."

"Fernando Collor não dispunha de um exército de prefeitos e venceu uma eleição solteira. Lula ganhou suas duas em coligações nas quais o PT era, a bem dizer, o único partido que contava. Naquelas de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, a eleição se resolveu por fatores que nada tinham a ver com a disponibilidade de cabos eleitorais locais. Sem o Plano Real ou o apoio de Lula, nenhum dos dois teria sido presidente".

"A mexida nas regras do jogo feita em 2017 só acelerou o processo. Com o encurtamento da campanha e a diminuição do horário gratuito, brigar por alguns segundos é perder tempo no enfrentamento do verdadeiro desafio: criar novos modos de comunicação com os eleitores, a maioria com identidades políticas consolidadas e vacinada contra a 'marquetagem'".

“Alckmin está mal nas pesquisas porque os eleitores não estão motivados por sua candidatura.”

"Cômicos, como sempre, foram os comentários acerca do "isolamento" do PT a esta altura das negociações interpartidárias. É claro que é bom para ele e para qualquer partido estar aliado a outros com densidade eleitoral e respeitabilidade. Mas, se há uma sigla que pode dispensar a convivência com ajuntamentos políticos como os que estão no mercado à cata de 'arranjos', é o PT".

Leia abaixo o artigo publicado em Carta Capital:

Oferta e procura

Como aconteceu em momento semelhante de eleições passadas, a mídia anda cheia de notícias a respeito de um assunto que pouco interessa aos cidadãos comuns. Começaram as convenções partidárias e as cúpulas entraram em campo para finalizar as articulações para a eleição.

É um período que provoca efervescência nos profissionais do ramo e tédio no eleitorado, pois as espertezas, traições e tiradas de algibeira, típicas desta fase que termina em 5 de agosto, só atraem os políticos.

A semana foi pródiga em avaliações dos primeiros lances. Na mídia, Geraldo Alckmin, a opção predileta de 9 em cada 10 conservadores "sérios", foi apresentado como seu principal beneficiário. Mas houve comentários do tipo "quem perdeu, quem ganhou", tratando de todos os candidatos.

Em nosso sistema político, com regras esdrúxulas de organização partidária e acesso a recursos de campanha, é inevitável o vai e vem a que assistimos, especialmente no caso do Centrão, uma das evidências do monstrengo institucional criado no Brasil. Fabricado a várias mãos por Executivo, Legislativo e Judiciário, seu apogeu atual decorre da barafunda instalada com a deposição de Dilma Rousseff.

A adesão do Centrão a Alckmin quer dizer alguma coisa? Ciro Gomes perdeu para o tucano? Jair Bolsonaro, destino até há pouco imaginado desse apoio, foi derrotado? Marina Silva diminuiu? O PT está "isolado"?

A resposta mais provável a essas perguntas é igual: não. Nem Alckmin lucrou nada de significativo, nem Ciro, Bolsonaro ou Marina ficaram menores, nem o PT está sozinho.

Segundo o raciocínio de vários políticos e muitos jornalistas, essas movimentações afetam o quadro eleitoral por alterar as condições de oferta das candidaturas. Elas implicam maior ou menor acesso a tempo de propaganda eleitoral gratuita e a algo mal definido, mas em que muita gente parece acreditar, uma hipotética capilaridade, que asseguraria a presença física das campanhas perto dos eleitores, em especial nos "grotões" urbanos e rurais.

Alckmin, por esse raciocínio, teria agora mais tempo de televisão que os outros e se beneficiaria da influência de postulantes aos demais cargos filiados aos partidos que integram o Centrão, bem como de seus prefeitos e vereadores, que supostamente entrariam em campo para elegê-lo. Vice-versa, Ciro, Bolsonaro e Marina estariam mais frágeis.

Ninguém conseguiu, no entanto, comprovar que essa capilaridade tenha alguma vez sido relevante para eleger presidentes no Brasil moderno, como talvez fosse na época dos velhos coronéis. Nenhum dos candidatos vitoriosos em nossas eleições desde 1989 contou com ela ou precisou tê-la. Fernando Collor não dispunha de um exército de prefeitos e venceu uma eleição solteira.

Lula ganhou suas duas em coligações nas quais o PT era, a bem dizer, o único partido que contava. Naquelas de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff, a eleição se resolveu por fatores que nada tinham a ver com a disponibilidade de cabos eleitorais locais. Sem o Plano Real ou o apoio de Lula, nenhum dos dois teria sido presidente.

Quanto ao caráter decisivo da televisão, talvez só restem dois grupos que insistem na tecla de que é nela que as eleições ainda são vencidas ou perdidas: os marqueteiros e os donos de emissoras, pela razão óbvia de que ganham com isso.

Tudo o que vimos nas últimas e estamos vendo nesta de 2018 sugere, ao contrário, que a influência da propaganda eleitoral propriamente dita (ou da manipulação de noticiário e programação para favorecer ou prejudicar candidatos) diminui a passos largos.

A mexida nas regras do jogo feita em 2017 só acelerou o processo. Com o encurtamento da campanha e a diminuição do horário gratuito, brigar por alguns segundos é perder tempo no enfrentamento do verdadeiro desafio: criar novos modos de comunicação com os eleitores, a maioria com identidades políticas consolidadas e vacinada contra a "marquetagem".

Subjacente a esses equívocos está a suposição de que o problema de Alckmin, a inanição de sua candidatura, é de oferta, algo que se resolveria à medida que se tornasse mais conhecido. Dá-se o caso que não é. Nas pesquisas, o que se vê é que, entre quem diz conhecê-lo "bem" ou "mais ou menos", o ex-governador paulista não chega a 10% das intenções de voto, atrás de Bolsonaro, Marina e Ciro, em lista sem Lula. Com Lula, permanece no mesmo quinto lugar que ocupa no conjunto do eleitorado.

A questão é de procura: Alckmin está mal nas pesquisas porque os eleitores não estão motivados por sua candidatura. Provavelmente, por razões conhecidas, entre elas a derrocada do PSDB iniciada no dia seguinte à eleição de 2014, confirmada por seu papel no golpe contra Dilma Rousseff e no apoio a Michel Temer e completada nos escândalos a envolver suas lideranças.

Se a vitória de Alckmin nas articulações recentes é duvidosa, também as derrotas de Ciro, Bolsonaro e Marina são questionáveis. É possível que os três possam assim se posicionar de maneira mais clara nos nichos do eleitorado propensos a apoiá-los, sem a incômoda companhia da turma do Centrão. Pelo modo como são percebidos pela população, essa perda talvez os fortaleça em nitidez e atratividade.

Cômicos, como sempre, foram os comentários acerca do "isolamento" do PT a esta altura das negociações interpartidárias. É claro que é bom para ele e para qualquer partido estar aliado a outros com densidade eleitoral e respeitabilidade. Mas, se há uma sigla que pode dispensar a convivência com ajuntamentos políticos como os que estão no mercado à cata de "arranjos", é o PT.

A (não?) ‘inteligente jogada’ das candidaturas Alckmin/Meirelles

A estratégia pode ser genial.

Qualquer candidato com o carimbo do governo Temer (MDB) tem zero de chances até de chegar ao segundo turno da eleição presidencial. Mesmo assim o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) é o candidato do partido.

Não há declaração de nenhum filiado com mandato em sua defesa – a não ser de algum dirigente da sigla ou de um ou outro ex-colega de ministério de Temer. E nenhum esforço de quem quer que seja para conquistar apoio de qualquer partido amigo para formar uma coligação.

Estranho, não é?

Praticamente todos os partidos da base aliada do governo federal declararam apoio ao candidato Geraldo Alckmin (PSDB), também aliado do atual governo desde a formação do grupo majoritário no Congresso que afastou Dilma e o PT do poder.

Enquanto Henrique Meirelles aparece como o candidato do MDB e do governo Michel Temer ele puxa para si todo o foco da rejeição e antipatia ao presidente.

Enquanto isso, o verdadeiro candidato da ‘turma’ governamental tenta passar incólume como não candidato oficial. Ou seja, Henrique Meirelles é o candidato protetor para que a rejeição do governo Michel Temer não seja transferida para Alckmin.

Simples assim.

Talvez dê certo. No entanto, será preciso muito mais do que isso. Pesquisa CNI/Ibope divulgada no mês passado - antes das últimas movimentações políticas de sua campanha – mostra Geraldo Alckmin com apenas de 4 a 6 por cento das intenções de voto.

Coligações e os arranjos degenerados entre políticos

Diz o professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco, Marcos André Melo, que as coalizões se tornaram arranjos degenerados entre políticos e seus meros interesses de sobrevivência sistêmica.

Ele cita o premiê britânico Disraeli: “os ingleses detestam coalizões”, mas emenda com o ex-premiê alemão Willy Brandt: “soa como ato sexual pervertido” (leia aqui).

Pode ser. E até parece que tal perversão aumentou ainda mais, por essas bandas, desde a redemocratização. As coligações e composições para ocupação de cargos de um governo – em todos os níveis, representam tal promiscuidade.

São vários os casos. No Ceará, por exemplo, o PT decidiu, por 200 votos a 70, que o partido não vai indicar nenhum nome para compor chapa com o governador Camilo Santana, do mesmo partido. Portanto, não terá candidato ao Senado, abre mão da vaga atualmente ocupada pelo senador José Pimentel para favorecer a aliança entre o governador do PT e o senador Eunício Oliveira (MDB).

Ora, e quem é Eunício? Presidente atual do Senado, votou pelo afastamento da presidente petista Dilma Russeff e é aliado do presidente Temer. Tudo bem que o tempo de Pimentel pode ter passado, não tem mais votos, etc, etc. Mas abrir mão de um cargo que já ocupa por um acordo com um – como dizem os petistas -, golpista, não será demais? Bom, o senador Pimentel disse em nota que essa decisão “possibilita o fortalecimento dos setores que hoje atacam as conquistas sociais, retirando direitos de quem mais precisa. As consequências dessa decisão serão históricas e percebidas a partir de 2019”.

A degeneração, como diz o professor pernambucano, não para por aí. Segundo o Jornal de Alagoas (leia aqui), o PT estadual avalia pra quem vai dar o segundo voto para o Senado, o que ficou em aberto na convenção realizada. Fiquei pasmo, mas não surpreso, pois pode ser para Maurício Quintella (PR), ex-apoiador de Dilma, trocou de lado, votou pelo impeachment e virou ministro e aliado de Temer.

“Vamos definir estas questões até 5 de agosto. Quanto ao segundo voto para o Senado, vamos avaliar a possibilidade de apoiar o Maurício Quintella (PR), em função da participação dele na coligação do governador Renan Filho. Mas essa é uma questão que está aberta e depende de uma conversa com ele”, disse Ricardo Barbosa, presidente do PT.

Pra não dizerem que falei apenas do PT, essas ‘negociações’ ocorrem ainda mais em outros partidos. Um exemplo é no Piauí. O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, faz parte do grupo do governador Wellington Dias (PT), foi Dilma, é Temer, apoia Geraldo Alckmin para presidente e pode indicar uma mulher como vice do presidenciável paulista. Mas já declarou que se Lula puder ser candidato votará no ex-presidente.

Pode isso? Pode, claro.

Por isso repito a frase do professor Marcos André: “as coalizões se tornaram arranjos degenerados entre políticos e seus meros interesses de sobrevivência sistêmica”. E esse arranjo “soa como ato sexual pervertido”.

É possível.

Mas é uma degeneração-perversão que dá ‘lucro-poder’. É o jogo do milhão.

“Quem quer dinheiro?”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MDB acredita na vitória; pega ladrão e pesquisa Vox Populi

Antes da oficialização da candidatura a Presidente de Henrique Meirelles - ex-ministro da Fazenda de Temer - o MDB vai apresentar uma “Carta Aberta à Nação”. O documento dirá que o partido não teve tempo de implantar o que defende em sua totalidade e vai pedir mais tempo para chegar aos objetivos.

A carta enaltece Henrique Meirelles, sua experiência e equilíbrio. Diz que “O Brasil não quer ir para a direita nem para a esquerda. O que os brasileiros querem é ir em frente”. Texto pede, também, que a militância defenda o candidato do partido.

ENQUANTO ISSO...

Os partidos do centrão que optaram pelo apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) - além do mercado financeiro - cravam que com essas adesões o tucano irá para o segundo turno contra, provavelmente, o candidato do PT.

O entendimento provocou o seguinte comentário hilário (trágico?) do deputado Ivan Valente (Psol-SP): "na mesa q oficializa o apoio do Centrão a Alckmin com seus líderes partidários, todos são processados ou acusados de corrupção"; "A gang do Temer reunida teme que alguém grite na platéia: Pega Ladrão! Não sobra um, meu irmão!"

Já a pesquisa Vox Populi/CUT, divulgada nesta quinta (26), empolgou Lula e os petistas. 48% dos brasileiros vêm Lula como o melhor presidente da história. 53% dizem que prisão e condenação do ex-presidenre foram políticas.

A maioria dos entrevistados diz que gosta de Lula e que a vida melhorou com o governo do PT. O ex-presidente também é líder na disputa para Presidente, 41%.

Leia aqui os números da pesquisa Vox Populi.

Maurício Quintella não será vice

Seja lá de quem for, o sonho e desejo de ter Maurício Quintella (PP) como vice-governador de Renan Filho não será realizado, pelo menos não nesta eleição. Tal possibilidade foi negada por influentes figuras que frequentam o governo.

E tudo caminha normalmente para que Licano Barbosa permaneça como vice. Os motivos são conhecidos e públicos: densidade eleitoral no Agreste, aliado e amigo dos Calheiros, não é ambicioso nem individualista, é fiel, etc, etc e tal.

Fora do governo, gente da política aposta que os Calheiros jamais abririam tal espaço para um político pragmático, ainda mais numa eleição em que tal jogada é desnecessária.

É que a atual conjuntura política desobriga qualquer compromisso nesse sentido para fechar uma nova aliança já acertada, combinada e cumprida anteriormente. Ainda mais com as oposições sem candidatura competitiva na eleição para o governo.

Ou seja, os especialistas de Murici não precisam dividir com ninguém decisões atuais que terão grande implicância nas disputas futuras. 

EM TEMPO – DIZEM QUE O DINHEIRO TÁ CURTO NESSA CAMPANHA. POLÍTICO PODEROSO EM ALAGOAS QUE RECEBEU R$ 1 MILHÃO NA ÚLTIMA ELEIÇÃO DEVE ACEITAR DA MESMA FONTE R$ 100MIL. JUSTIFICATIVA É QUE FALTA DINHEIRO, FALTA QUEM FINANCIE. MAS A VERDADE É QUE FALTAM ACIRRAMENTO E DISPUTA NA ELEIÇÃO MAJORITÁRIA.

SE PRA POLÍTICO PROFISSIONAL COM MANDATO E QUE JÁ OCUPOU CARGO DE MUITA RELEVÂNCIA O VALOR DA AJUDA TEM SIDO TÃO BAIXO, IMAGINE PARA QUEM NÃO TEM MANDATO, TEM POUCOS VOTOS OU TÁ COMEÇANDO NA POLÍTICA.

SEM ALTERNATIVA, PELO MENOS POR ENQUANTO, OU RETORNA PRA CASA LAMENTANDO E ESCULHAMBANDO TODOS OS SERES VIVOS OU VAI PRA DISPUTA COM O QUE EXISTE.

OU DÁ OU DESCE.

 

 

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