Caso sejam candidatos ao governo de Alagoas em 2026, é natural que os dois principais nomes concentrem sua propaganda eleitoral nas realizações administrativas de suas gestões.

Renan Filho (MDB-AL), senador e ministro dos Transportes, deve mostrar suas realizações no governo entre 1º de janeiro de 2015 até 2 de abril de 2022, além da continuidade desse trabalho na gestão de seu sucessor, Paulo Dantas (MDB).

JHC (PL), eleito em 2020 e reeleito em 2024, as suas ações na prefeitura de Maceió nas áreas de educação, saúde, infraestrutura, enfim.

A disputa central, portanto, deve se dar no campo da narrativa administrativa, com cada lado tentando convencer o eleitor e a opinião pública de que deixou - ou está deixando - um legado superior ao do adversário.

No entanto, ambos carregam hoje um possível ponto fraco que pode ser explorado pelos marqueteiros durante a campanha: investigações em curso da Polícia Federal.

No caso de Maceió, a apuração envolve o Banco Master e a aplicação de recursos de fundos previdenciários do município na instituição financeira, posteriormente liquidada pelo Banco Central.

O Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) teria investido cerca de R$ 117 milhões. Em algum momento, esse episódio terá de ser explicado. A PF tem avançado em diferentes frentes da investigação, envolvendo estados e prefeituras.

Já no caso de Renan Filho, a investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas, com indícios de desvios que somariam quase R$ 100 milhões.

O governo é do seu MDB, partido que teve - e ainda tem - quadros influentes, inclusive de emedebistas da Assembleia Legislativa, com forte presença na Secretaria de Saúde.

Acredito que JHC e Renan Filho não têm  responsabilidade alguma com os fatos investigados, mas ambos correm o risco de serem puxados para o centro da crise em pleno ano eleitoral - momento em que a propaganda, versão e emoção, como se sabe, são a alma do negócio.

Mas, repito: isso, claro, se forem candidatos.