Blog do Vilar

Lobão vai parar na “berlinda” na Câmara de Maceió por conta de “apadrinhamentos políticos”

Ascom/CMM Be8f00fc 03e6 4be2 9506 392dc318bbcc Vereador Lobão

Uma parte dos vereadores por Maceió se mostrou incomodada com o que considera um “excesso” de apadrinhamento político do vereador Lobão (PR), que tem tido seus pedidos atendidos com celeridade dentro da administração municipal do prefeito Rui Palmeira (PSDB).

Lobão – por sua vez – nega esse apadrinhamento e diz que o que tem conseguido é “por saber pedir” e por “cortar na carne”, ao se referir ao uso do subsídio que recebe como edil para construir quadras de esporte, por exemplo.

A insatisfação, apesar dos parabéns a Lobão por suas ações como construção de uma quadra, ficou visível na última sessão da Câmara Municipal de Maceió. Algumas falas de Lobão na tribuna geraram até riso por parte dos colegas. “O PR, que é o meu partido, cuida de duas pastas: A Infraestrutura do município e agora mais recentemente a pasta de Infraestrutura do Estado. Se eu tivesse esse apadrinhamento todo, o Vergel já estava com as ruas pavimentadas, assim como toda Maceió”, rebateu Lobão.

Lobão também se mostrou incomodado com a discussão.

Em todo caso, eis aí um exemplo clássico do uso da tribuna legislativa – que deveria ser um espaço nobre – para discussões totalmente improdutivas.

Tudo se iniciou quando o edil do PR usou da tribuna para agradecer a receptividade que teve na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) quando discutiu um projeto de recolocação de pontos de ônibus no Centro de Maceió. Na sequência, Lobão falou da construção de uma quadra no Conjunto Lenita Vilela. “A gente gosta de empreender, juntar forças e tornar a ideia presente no coração e na mente em uma realidade”, frisou Lobão.

Lobão ainda destacou: “Eu quero dizer o seguinte: o meu tamanho como vereador é o mesmo de todos. De repente, o que existe aí é uma questão própria: eu me entreguei ao mandato. O mais votado tem a obrigação de fazer mais. Eu tiro da carne. Eu não tenho carro próprio, moro na mesma casa e com a mesma mulher. Eu só comprei para mim um ar-condicionado para dormir melhor e trabalhar melhor. Eu me entreguei à missão de fazer tudo o que prometi e estou sempre focado. As coisas que eu faço são coisas básicas. A gente faz um ajuste, parcela, divide as compras no cartão, é o jogo de cintura. Consegue um item simples aqui, outro ali. Mas sempre na criatividade. Eu tiro da carne. Eu não tenho carro. Eu me voltei a cumprir o meu projeto”.

O vereador do PR negou mais uma vez ter padrinhos políticos. “O que eu busco ter é aliados. É saber pedir com jeito e fazer boas alianças”.

As falas de Lobão incomodaram em alguns pontos: 1) ter passado na cara dos colegas que é o mais votado e por isso tem a obrigação de trabalhar mais. Silvânia Barbosa e Zé Márcio responderam dizendo que a quantidade de votos não cria diferença entre vereadores, porque na Câmara Municipal todos são iguais; 2) ter dito que corta na carne, dando a entender que os demais vereadores não se esforçam tanto, o que também gerou debates e 3) o tal do “saber pedir”.

Zé Márcio até ironizou Lobão dizendo que queria tomar aulas com ele sobre como “pedir as coisas” aos gestores, pois todos os vereadores, segundo ele, encaminham pedidos às secretarias municipais e buscam reuniões com gestores para resolver problemas em suas comunidades.

Quem mais externou o incomodo foi Silvânia Barbosa: “Não temos tantos padrinhos políticos quanto vossa excelência tem. Não é nada contra vossa excelência, mas eu gostaria muito que os gestores me colocassem debaixo da asa e fizéssemos essas obras também. Eu não posso usar a minha verba de gabinete para comprar material de construção. Com certeza, não é provento de verba de gabinete que o senhor tem usado. Nós pedimos, vereador Lobão, mas não conseguimos. Vossa excelência tem simpatia dos gestores. Não tenho nada contra. Alguns são agraciados e outros não. Agora, essa Casa está fechando os olhos para isso, que pode ser legal, só não é moral”.

Sobre o “jeitinho de pedir”, Barbosa diz que não terá esse jeitinho nunca. “Eu só tenho o meu jeito e esse todo mundo conhece. Eu só espero que a Casa acorde para o que acontece: gestores se envolvendo com moradores, usando da máquina pública para favorecimento político e todos sabem disso e do que eu estou falando. Eu não estou ironizando quando digo que o senhor tem padrinhos. Eu estou confirmando. Vossa excelência pode ter certeza que cada vereador aqui trabalha, pois na sua fala ficou como se os vereadores não resolvessem corta na carne, quando há quem mantém instituições, desenvolve trabalhos aqui. Que não pareça que estamos com inveja do senhor. Ficamos lisonjeados quando o senhor consegue as coisas, mas é que tem secretário que tem interesses futuros e particulares. Se eu soubesse quais eram, eu falava aqui. Agora, as prerrogativas de vereador são as mesmas para todos, o subsídio é o mesmo, mas o apadrinhamento é que não é”.

Para Zé Márcio, a fala de Lobão descreve uma Câmara em que só ele trabalharia. “Essa questão de ser o mais votado ou menos votado, acaba logo depois da eleição. A questão aqui abordada pelos seus pares é que a gente parabeniza o seu trabalho, mas mostra que não é justo achar que os demais não trabalham. Há uma preocupação de há 16 anos pedirmos essa quadra de esportes e, logicamente, não é normal que o edil construa com recursos próprios. Parabenizamos, mas vossa excelência tem senador, deputado, secretário que são padrinhos de vossa excelência. Todos os vereadores que estão aqui presente tiram da carne todos os dias para ajudar. Vossa excelência não é vereador diferente do que ninguém aqui. Todos são iguais”.

As relações políticas e as realizações do vereador Lobão têm incomodado muito no parlamento-mirim. Este é o mesmo parlamento que tenta ser a babá do cidadão com projetos de leis que ampliam o poder coercitivo do Estado para cima do setor produtivo, como ocorreu recentemente com empresas de ônibus e estacionamentos de shopping; é o parlamento-mirim onde dois vereadores trocaram farpas pessoais da forma mais “baixo-nível” possível e por aí vai...

Agora, a concorrência pelo apadrinhamento político entra em campo...

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Quintella se torna um candidato ao Senado sem se opor a ninguém

Agência Brasil Dabbda03 917a 4fb9 93cf bdda57fdb6d1 Renan e Quintella, pré-campanha para o Senado

A eleição do deputado federal Maurício Quintella Lessa ao Senado Federal não é fácil. Rivais no pleito, ele possui. A disputa por uma das vagas será árdua, já que os dois senadores de mandato – Benedito de Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB) – buscam renovar suas cadeiras e ainda surgem outros nomes como o do também deputado federal Marx Beltrão (MDB) e o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB).

Além destes, que são os mais cotados nas pesquisas, há os nomes de Flávio Moreno (PSL) e Omar Coêlho (Podemos). Outros ainda podem surgir.

Todavia, já de largada, Quintella conseguiu um feito no mínimo interessante: migrou da oposição esfacelada (sem deixar arestas) para a situação comandada pelo governador Renan Filho (MDB) e o senador Renan Calheiros (MDB).

Ele se tornou o “segundo nome” do Palácio República dos Palmares, mas não perdeu espaços políticos dentro da Prefeitura Municipal de Maceió, onde mantém um bom trânsito com o prefeito Rui Palmeira (PSDB).

Quintella consolidou sua candidatura ampliando espaços nos quais pode trabalhar politicamente. Além disso, conseguiu emplacar a continuidade de seus projetos no Ministério dos Transportes ao deixar a pasta para se candidatar.

O deputado federal conseguiu unir a esfera estadual, municipal e federal e se apresentar no pleito longe de qualquer artilharia que possa existir contra ele.

É um feito. Se isso vai se traduzir em votos ou não, aí é com o processo eleitoral...

Como muitos dos que disputam o Senado Federal devem mirar em Renan Calheiros, nem mesmo as confusões entre o Palácio República dos Palmares e o pré-candidato Marx Beltrão, que deveria estar na vaga que hoje é de Quintella, atingiram o postulante do PR. Se a coisa continuar assim, Quintella vai à campanha para defender sua biografia e apresentar suas propostas.

Ele ainda poderá contar com “elogios” já postos pelo prefeito Rui Palmeira e pelo governador Renan Filho, além de ter Renan Calheiros pedindo votos para ele. Com discrição, Quintella construiu para si o “melhor dos mundos”. Claro, isso não garante vitória, pois é preciso “combinar com os russos”, como se diz no jargão político. Todavia, não deixa de ser um cenário curioso.

É o mesmo Quintella que já fez críticas duras a Renan Filho. É o mesmo Quintella que foi um dos maiores articuladores da oposição. É o mesmo Quintella que – ao perceber que o barco da oposição afundava – saltou da arca sem levar consigo sequer um mísero casal dessa fauna. Levou apenas a si mesmo, mas deixando na administração municipal seus aliados e abocanhando no governo do Estado uma das mais importantes pastas: a Infraestrutura.

No somatório, Quintella é o pré-candidato que mais teve “plus” no período pré-eleitoral. O que ainda é melhor? Não estará em um palanque que o obrigará a defender o candidato presidenciável de Michel Temer (MDB). Afinal, todos sabem o quanto Temer sofre com a opinião pública. Um exemplo disso é que, na questão dos caminhoneiros, Quintella – o ex-ministro – foi tudo, menos um governista.

Na televisão, o pré-candidato ao Senado Federal ainda poderá se apoiar em temas que movimentam a opinião pública, como sua posição favorável à derrubada do Estatuto do Desarmamento, redução da máquina pública, privatizações, dentre outros... Quintella não perdeu o bonde das discussões do país e soube se posicionar nelas. Em outras palavras, é uma inteligência política que não pode ser desprezada. Afinal, consegue ser contrário ao estamento sem brigar com ele...

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Renan Calheiros: defesa da candidatura de Lula e conversas com Collor

Foto: Reprodução C9abb89f 386e 4c38 bdfd 3dd1d29e54df Renan Calheiros declara apoio a pré-candidatura de Lula

De acordo com informações de bastidores, o senador Renan Calheiros (MDB) tem conversado muito com o também senador Fernando Collor de Mello (PTC) sobre política. Bem, tudo leva a crer que o prato principal do mais recente almoço entre os dois caciques da política alagoana não é o cenário nacional, mas o local.

Para Renan Calheiros, conversar com Collor é importante. O senador do PTC é dono de conglomerado de comunicação e, apesar do governador Renan Filho (MDB) ter a faca e o queijo na mão para a sua reeleição, a situação de Renan Calheiros não é a mesma. Além disso, há acordos a serem travados visando um futuro, que são as eleições vindouras, já que lá na frente MDB e Collor se chocarão, caso Renan Filho mire no Senado como continuidade de sua vida política.

Assuntos não faltam para os dois: Renan e Collor.

Só não se pode esperar que Renan Calheiros passe a ser um apoiado de Fernando Collor na disputa pela presidência da República. Ao menos não agora. É que o emedebista já tem seu presidenciável e ele é um presidiário: Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT).

Renan não dá ponto sem nó!

Calheiros se tornou um ferrenho defensor da “tese do golpe”. Mais recentemente divulgou até vídeo defendendo a candidatura de Lula. Por outro lado, Calheiros sabe que Lula não será candidato em virtude da condenação em segunda instância e de estar preso. Sabe que tudo não passa de uma narrativa petista para manter a capilaridade de seu político preso, jamais de um preso político.

Desta vez, diferente do que o ocorreu no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Calheiros não terá tanto poder assim para rasgar a Constituição Federal. Por mais que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) interpretem a Constituição como queiram – o que foi visto no caso do voto impresso – o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não deve ir tão longe, nem o STF.

Então, Renan Calheiros adere a uma bravata de forma consciente para surfar na capilaridade de Lula no Nordeste. Se isto dará resultado ou não para o senador emedebista, aí é outra história...Mas sem Lula? Renan Calheiros apoiaria Collor? Difícil, pois as chances de Fernando Collor de Mello decolar em pesquisas eleitorais são mínimas. Como saber disto? Basta olhar os índices de rejeição das mais recentes pesquisas divulgadas.

Collor e Renan Calheiros devem estar mesmo confabulando cenários que envolvem os tamanhos de seus poderes em Alagoas, já que a Terra dos Marechais não tem mais oposição...

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Nossos vereadores, o ônibus e o almoço grátis! Mais uma tentativa de cortesia com o chapéu alheio...

Arquivo 1279028958samyr Samyr Malta

Em geral, os políticos desse país são apaixonados pelo “poder do Estado”, sobretudo quando conseguem impor leis que façam cortesia com o chapéu alheio. Todavia, todas as vezes que uma legislação desta é evocada, amplia-se, de forma gradativa, o poder coercitivo estatal para cima da livre-iniciativa e/ou transfere-se custos sem sequer estimar o impacto disto.

Mas, claro: tudo isso em nome do bem comum!

A novidade agora é do vereador Samyr Malta (PSDC). O edil, preocupado com a alta abstenção em processos eleitorais, quer empurrar para as empresas de ônibus a responsabilidade. Assim, se a lei passa, nos dias de eleição, o ônibus será gratuito. Indago ao vereador: ele procurou saber o custo disto para as empresas?

Imagine, caro leitor, que o Estado decida – por conta de um problema real – obrigar você a fornecer um serviço gratuito a todos, sendo que você segue tendo os custos disto. Este é o raciocínio. Não se pode impor isso. E não adianta usar do argumento que os serviços de transporte público prestados por essas empresas são precários e a tarifa de ônibus é cara.

Concordo: os serviços são precários, mas este é um problema que nada tem a ver com o outro. E quanto ao valor da tarifa, pesa sobre este também as gratuidades. O impacto disto exatamente é que é preciso ser visto com base em um estudo sério. Mas, no mundo encantado dos legisladores super-poderosos, basta uma canetada e tudo estará resolvido.

Será que nossos edis acreditam na balela do “almoço grátis”. Já dizia o economista Milton Friedman: “não existe almoço grátis”.

Não é a primeira vez que surge na Câmara Municipal de Maceió um projeto com este formato. Já tentaram a gratuidade nos ônibus em dia de eleição em outra legislatura. Nessa, já tentaram até ônibus de graça para velórios, como fez a vereadora Fátima Santiago (PP). Em outro campo, o vereador Silvânio Barbosa (PMDB) já quis regular estacionamento privado de shopping.

Alguém conceda uma aula de economia aos nossos vereadores e mostre os males do populismo em médio e longo prazo. Quando se abre uma porteira dessas, passa um boi e logo em seguida a boiada. Em pouco tempo, o poder estatal vai achar que pode ofertar tudo de graça em nome dos problemas que os edis identificam na realidade.

O problema de agora é a abstenção alta. Raciocinemos – caro, vereador – qual é a causa deste fato. Por qual razão o eleitor não está indo votar? Será que não tem mais ligação com a crise de representatividade vivenciada, onde eleitores não se sentem estimulados em função do que estamos vendo nesse país em que as opções são sempre escolher o menos prejudicial e todos os partidos são 50 tons de cinza da mesma aquarela de excessos de intervenções estatais.

Já não basta o contra-senso de estarmos em uma democracia e o voto ser obrigatório.

A ideia que ressurge na Câmara Municipal de Maceió é mais uma vez estapafúrdia. Obrigar empresas que, por essência do mercado, vivem do lucro a abrirem mão de um dia de trabalho que possui custos, pois estas possuem funcionários. Não vale a desculpa de minimizar a abstenção. Não é repassando os custos para manter um estado já caríssimo que vamos resolver problemas como este.

 É mais uma vez buscar fazer cortesia com o chapéu alheio, coisa que os nossos parlamentos adoram. E olhe que eu concordo com Samyr Malta: não ir às urnas não é a melhor saída. É ruim para a democracia. Todavia, a prova viva de que Malta sabe muito bem que esta ação não resolve o problema é que ele mesmo diz: “quem não quiser votar não terá essa desculpa”.

Senhor vereador, quem não quiser votar tem a melhor desculpa de todas: a qualidade dos nossos políticos!

O vereador Silvio Camelo (PV) ainda complementa: “Um dia só não haverá tanto impacto para as empresas de ônibus”. É mesmo vereador? Então, façamos essa pergunta a todos os empresários desse país: “Senhores empresários, vocês podem doar um dia de suas empresas para o Estado? Não vai causar tanto impacto assim. Aproveitem e esqueçam um pouco da imensa carga tributária desse país, de que todos já trabalham cinco meses de graça para pagar impostos etc!”.

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As arestas de Marx Beltrão com os Renans nunca teve a ver com mudança de partido. Beltrão era o “patinho feio” do MDB...

Foto: Assessoria 79cf41dd 9225 45f4 8f79 fa114d64be3b Ex-ministro do Turismo e deputado federal, Marx Beltrão (MDB)

Na coluna Labafero de hoje, há uma declaração do governador Renan Filho (MDB) em relação à situação da candidatura do deputado federal Marx Beltrão (PSD) ao Senado Federal.

Beltrão briga para ser um “terceiro candidato” em uma aliança branca com o Palácio República dos Palmares, já que o grupo de Renan Filho definiu seus dois nomes na disputa: o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR).

Surge nos bastidores a informação que de Renan Filho teria mandado um recado para Marx Beltrão entregar os cargos que tinha no Palácio. A informação foi veiculada pelo jornalista Ricardo Mota em seu blog, no TNH1. O chefe do Executivo estadual diz que não manda recados.

Em outras palavras, o Palácio não quer Beltrão.

Bem, em janeiro desse ano, entrevistei Renan Filho sobre as possibilidades de Marx Beltrão ser um dos candidatos ao Senado Federal no grupo. A resposta de Renan Filho, naquele momento, continha um recado sobre a situação: “não é certeza, pois Marx Beltrão tem convites de outros partidos para analisar”.

Ficou muito claro que os palacianos já não mais trabalhavam com a certeza de ter Marx Beltrão em sua chapa em janeiro. “O MDB terá uma candidatura ou duas se ele (Marx Beltrão) permanecer no MDB, mas ele pode achar mais conveniente buscar outro partido. Mas, não vamos lançar candidaturas agora”, frisou Renan Filho.

Ou seja: o chefe do Executivo já mandava o recado a Beltrão de que sua saída do MDB pesaria sobre seu futuro. Só que não era isso que pesava.

Marx Beltrão saiu do MDB para o PSD justamente pela falta de espaços. Sempre disse aqui que, apesar do MDB ter divulgado nota garantindo a vaga de Marx Beltrão no palanque, nunca foi do interesse de Renan Filho e de Renan Calheiros tê-lo como candidato ao Senado Federal.

Beltrão sempre soube disso e não adianta dizer o contrário. A relação tinha suas tensões.

A saída de Beltrão do MDB envolveu muitas coisas, inclusive a busca por um grupo político próprio. Isto nada tem a ver com a chegada de Maurício Quintella Lessa, que pulou do barco da oposição logo após o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), desistir de disputar o governo do Estado.

Marx Beltrão se filiou ao PSD em abril de 2018, mas desde antes – ainda nas eleições de 2016 – já comandava os destinos na legenda. Beltrão sempre teve outro partido como carta na manga, pois sabia dessa tensão com o MDB de Renan Filho. As negociações entre Quintella e Renan Filho são anteriores a mudança de legenda de Beltrão, já que Rui Palmeira desistiu da candidatura ainda em março.

Beltrão era uma espécie de “patinho feio” no MDB. Ali, forçava uma candidatura, mas sabia que não teria a vida própria que pretendia.

Tanto é assim que – em março desse ano – a Tribuna Independente entrevistou Beltrão e indagou sobre a aliança de Renan Filho com Maurício Quintella Lessa. Detalhe: Beltrão ainda era do quadro do MDB.

Eis a resposta dele, na época:

“Da mesma maneira que o ministro Maurício tem o convite para ser o segundo senador na chapa, eu também tenho. Inclusive com nota pela direção estadual do MDB, tanto se eu estiver no partido quanto em outro. Portanto, eu vejo isso como uma disputa muito democrática e acho, inclusive, bom para a população em ter mais opções de voto para o Senado”.

E Marx Beltrão segue:

“Nunca escondi (o desejo de disputar o Senado Federal) da imprensa nem de ninguém. Desde o início, o presidente estadual do partido, o senador Renan Calheiros, sempre me disse que se eu quisesse, o partido daria o maior apoio a essa candidatura. Portanto, não vejo o Maurício como nenhum tipo de ameaça. Pelo contrário, acho que se for para trazer outro candidato a senador, não vejo nenhum problema”.

O MDB nunca quis Marx Beltrão candidato ao Senado Federal. O assunto foi levado no “banho-maria” por conta das conjunturas que estavam sendo construídas. Era óbvio: se Beltrão ficasse no MDB levava a rasteira. Se saísse, teria que ter condições de construir um bloco próprio. Sem grupo opositor forte, a segunda opção não se concretizou.

Marx Beltrão agora assume o discurso que não trai ninguém, que é aliado. Ser “rejeitado” potencializa seu discurso... Mas há tempo sabia de sua situação e sabia que não tinha tantos amigos assim do lado de lá...

Em resumo: a situação de Marx Beltrão nada tem a ver com Maurício Quintella Lessa, nada tem a ver com mudança de legenda, nada tem a ver com cargos...é uma questão natural da tensão sempre existente entre ele e os Calheiros. 

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Ora Collor, deixe de patuscada ao falar do cenário internacional

Foto: DM 8ce95c74 d90c 4c0a bf0d e8f2729f7974 Fernando Collor

Patuscada – conforme alguns dicionários – é o local de muito barulho, diversão ou farra e, por natureza, sem muita substância naquilo que por lá é dito. Logo, há muita patuscada ao se falar do cenário internacional, pois os “pitaqueiros” de plantão não perdem tempo para expor suas opiniões nesse globalismo (que é algo bem diferente de globalização).

Donald Trump se opõe ao globalismo, que é um conjunto de forças – por meio de mecanismos outros que não governos eleitos de forma legítima – que tenta impor agendas político-econômica-ideológicas aos países, fraudando democracias para construir uma espécie de “governo mundial”, com influência direta de metacapitalistas como George Soros, por exemplo. Para isso, esse conjunto de forças se utiliza de ideologias para travestir seus fins políticos.

Trump tem sido retratado pela grande mídia, ONGs etc, que são financiadas por esses agentes do globalismo, como o demônio na terra.

O senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL), pela posição que ocupa e por estar em uma comissão que lida diretamente com as relações exteriores, mergulha no caldo das informações meramente midiáticas, talvez e função de sua pré-candidatura à presidência, para ter destaque nessa patuscada brasileira chamada de eleições. Ou será que faz parte daqueles que, apesar das evidências, trata o globalismo como “teoria da conspiração”.

A mais nova de Fernando Collor de Mello é criticar o presidente dos EUA, Donald Trump. O republicano deve ter perdido o sono por isso. Todavia, brincadeiras de lado, Collor – que já se disse um liberal – ao mesmo tempo em que critica Trump quer estabelecer relações de amizade com a Coréia do Norte, tratando como um líder legítimo o ditador Kim Jong Un.

Collor disse, conforme matéria aqui do CadaMinuto, que Trump está “nadando contra a maré da globalização”. Não, Collor. Mil vezes não! Donald Trump tem é nadado contra a maré do globalismo, o que é bem diferente. Trump é presidente dos EUA e com isso visa o fortalecimento da soberania de seu país, que é o que se espera do chefe de uma nação.

Ao Brasil, cabe saber se posicionar nesse cenário e mostrar sua força na defesa dos interesses da nação e não do estamento burocrático que comanda o país.

Diante disso, Trump tem sido firme com os mecanismos internacionais que, na busca por construir uma nova ordem mundial, usam de suas influências para impor agendas político-ideológicas – como é o caso da ONU – desrespeitando aspectos de regionalidade. Enquanto o Brasil, assumindo a posição de anão diplomático, se rende a esses mecanismos e abre espaços para Foro de São Paulo, o bloco russo-chinês, os interesses de George Soros e companhia, Trump busca sentar e negociar por meio de acordos bilaterais.

Vai errar em alguns momentos? Sim! Como Collor sabe: todos os presidentes erram e acertam. Há acertos no período de Collor na presidência, como também há erros. Porém, as políticas de Donald Trump tem produzido efeitos positivos para o seu país. O caos anunciado pela esquerda, na qual Collor faz coro, não veio; não passou de uma pantomima.

Dizer que Trump “é um presidente que não parece talhado para exercer a função com responsabilidade e a sabedoria que se exige de um chefe de Estado norte-americano” é mais que um exagero por parte de Fernando Collor de Mello. É uma bravata. Trump se colocou no cenário mundial de forma a se fazer respeitar, haja vista como tratou e trata a Coreia do Norte, sendo um dos responsáveis pelo aperto de mão entre o líder da Coréia do Sul e o ditador Kim Jong Un.

Em solo americano, vem cumprindo suas promessas (aquelas feitas em campanha). Eu sei que cumprir promessas soa como uma ofensa a muitos políticos brasileiros acostumados a mascarar a realidade, como fez a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014.

Mas Collor – que acha que Trump não se encontra talhado para a função – é o senador da base de apoio da ex-mandatária da nação que queria estocar vento, que ajudou a desmantelar a Petrobras, que via uma figura oculta atrás de uma criança: um cachorro, enfim...a presidenta que tinha dificuldades de unir sujeito e predicado em uma frase.

Estamos falando do Collor aliado do PT e seus mensalões dentro de um projeto hegemônico de poder, que ampliou o estamento por meio de um programa ideológico que nos “venezuelanizava”. Ora Collor, isso é estar talhado a assumir uma função? Collor reproduz o discurso do complexo de vira-latas, ao achar que nossas mazelas são oriundas do “imperialismo americano”.

 Ao contrário, Collor.

Nós precisamos é de um líder legítimo que sabia com quem e como negociar, diante das potencialidades que temos, como agronegócio, as riquezas do solo etc. E aí, é natural que um líder foque nos interesses de seu povo ao sentar para conversar. Os acordos bilaterais são importantes nesse sentido.

A Comissão de Relações Exteriores, presidida por Collor, é de muita serventia se entender isso, compreendendo os aspectos do globalismo e a diferença deste para globalização.

Se assim, será natural para o Brasil resolver a questão envolvendo as tarifas impostas às importações de aço e aproximação com os Estados Unidos. Nos últimos anos, fomos nós que optamos pela distância ao focarmos em outros parceiros que levaram vantagens com facilidade pelo cunho ideológico dos governos. São parceiros como Cuba, Venezuela, dentre outros. Os interesses do país foram subjugados aos interesses ideológicos. Onde estava o crítico Collor nesse momento? Onde estava Collor para falar das relações exteriores provocadas pelo Foro de São Paulo?

Collor, ora Collor, situar o Brasil em um cenário globalista é condição – neste momento! – primeira para se pleitear o cargo de mandatário do país. Porém, o Collor que critica Trump é o que quer estabelecer profundas relações de amizades com a Coréia do Norte. Será o regime ditatorial de Kim Jong Un a parceria para resolver a questão do aço? Será Collor o promotor da paz mundial? Bravata pura!

Collor realmente acredita na abertura da Coréia do Norte para o mundo? E o pior: acredita que como protagonista deste processo temos o que ganhar em um acordo de cooperação econômica e técnica? O senador do PTC deveria estar mais preocupado em responder sobre os detalhes de sua proposta, sobretudo quando quer ser presidente.

É claro que não podemos deixar de participar dessas conversas nesse momento. Nisso, a Comissão presidida por Collor está correta. Mas, participar de que forma? Ao que me parece, Collor tem mais simpatia por Kim do que por Trump. E aí, Collor está mais para um PCdoB do que para uma visão liberal...

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Rodrigo Cunha acerta na linha de raciocínio sobre o ICMS nos combustíveis; Santoro responde a uma situação genérica

Ascom/ALE 61892952 fc68 4908 8029 aa1bbe90f0a9 Rodrigo Cunha

Há uma discussão que tem pautado alguns espaços da imprensa, inclusive aqui o CadaMinuto, que acabou por opor pontos de vistas do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB) e do secretário da Fazenda, George Santoro. Trata-se sobre o ICMS praticado em Alagoas e o peso deste para o consumidor final.

Há detalhes técnicos no meio desse debate que não podem ser desprezado, evidentemente.

Mas quando Santoro responde a Cunha ele esclarece uma situação geral em relação ao ICMS praticado no Estado. Rodrigo Cunha fala da questão dos combustíveis dentro de uma linha de raciocínio que envolve o agigantamento do Estado.

Dito isso, ainda reafirmo aqui o que já disse em outras postagens: Santoro é o mais competente secretário da gestão de Renan Filho (MDB). Afinal, que se concorde ou não com algumas políticas, soube se apoiar em números e trabalhar com a estrutura que tinha para garantir o lastro com o qual o governo estadual passou (e passa) pela crise.

Mesmo sendo contra o “pacote” que aumento impostos em Alagoas, reconheço a competência de Santoro.

Agora, o deputado estadual Rodrigo Cunha expõe um dado concreto: temos um dos ICMS (quando o assunto é combustível) mais caros do país e, independente de qualquer coisa, a prática do imposto (de forma antecipada) tem um peso para o setor produtivo e para o consumidor. Todo aumento de impostos – independente de onde se foque – tem um peso que é distribuído para todos. Isto por si só requer o pensamento sobre o papel do Estado e sua estrutura.

Claro, não é uma discussão apenas no âmbito estadual, ainda mais diante de um pacto federativo que concentra poder e recursos nas mãos da União e desrespeita regionalidades. Quando Cunha diz que o Estado e a Assembleia Legislativa possui responsabilidades é porque possui. No curto prazo são aprovadas medidas, por meio de legislações, que inflam um estado que já é gigantesco e amplia custos. Isso é histórico e não um problema do governo de agora.

Como dinheiro público não brota do chão, mas é oriundo de impostos, no médio e longo prazo, esse mesmo Estado vai ficando cada vez mais caro, o orçamento cada vez mais curto e resta ao contribuinte ter que pagar mais sem que se receba efetivamente os serviços.

A linha de raciocínio de Rodrigo Cunha é corretíssima. Na Casa de Tavares Bastos, só dois deputados estaduais dialogam com a população mantendo essa linha de raciocínio em suas falas: Rodrigo Cunha e Bruno Toledo (PROS).

Isso não quer dizer que George Santoro não tenha a sua parcela de razão nas explicações que deu, mas erra ao dizer que Cunha desconhece profundamente o assunto. Não, ele não desconhece. Tanto que o focou na questão dos combustíveis. Santoro fala dos incentivos fiscais dentro da política tributária que reflete na cadeia produtiva, mas isso remete a todos os setores e a um resultado final global. No caso em tela, portanto, Cunha analisa os efeitos nos combustíveis e Santoro apresenta um quadro geral.

Na minha visão, está claro que ao falar do ICMS incidente sobre o preço da gasolina em Alagoas, a alíquota em nosso Estado é de quase 30%, por conta do FECOEP. Isto tem impacto direto no preço final. Como destaca Cunha, são dados oficiais da Federação Nacional de Combustíveis e Lubrificantes. Isto faz com que, neste setor, seja 7º carga tributária estadual mais alta do país e a 2ª do Nordeste.

O que ocorre é que Santoro usa um argumento geral para rebater um ponto específico em que Rodrigo Cunha está – a meu ver – com a razão. Agora, se pegarmos o quadro geral, aí sim o argumento do secretário faz todo o sentido. Mas, não é isso que está sendo discutido.

Ao perceber a discussão, fui ao site da Fecombustíveis em busca dos dados referentes ao mês de maio de 2018. Alagoas está lá na segunda posição em relação ao Nordeste. É só conferir aqui: http://www.fecombustiveis.org.br/revendedor/tributacao/

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Renan Calheiros quer demissão da direção da Petrobras. Onde estava Renan para pedir a demissão dos que saquearam a estatal?

Foto: BOL Caaed374 0538 4648 9382 736605210cd1 Renan Calheiros

Em seu papel de grande opositor do presidente Michel Temer (MDB), o senador Renan Calheiros quer que seja demitida toda a direção da Petrobras. E quer o quanto antes...

Eu concordo com Renan Calheiros em um ponto: o problema passa pelas cúpulas que tomaram e tomam conta da Petrobras até agora. O presidente Michel Temer não é solução, mas parte do problema.

Temer é mais uma das figurinhas carimbadas do estamento burocrático brasileiro onde o poder emana do povo, mas contra este mesmo povo é exercido.

O governo de Michel Temer é fraco e, diante da situação que é vivenciada no país, busca (como todos os outros já fizeram nas mais variadas crises!) solução paliativa sem encarar de fato o problema: a imensa máquina estatal e o preço que todos os brasileiros pagam por ela para sustentar um Estado ineficiente, metido a empresário e com péssima prestação de serviços.

Uma hora a bolha estoura. O governo deveria começar se livrando da imensa quantidade de estatais ineficientes, cortando custos, dentre outras medidas.

Rever de forma séria o papel do Estado é urgente nesse país, no qual trabalhadores são obrigados a entregarem cinco meses de suas vidas para custear a bela máquina estamentária e o bancar os privilégios de quem dela faz parte. Michel Temer lambe os beiços nesse estamento!

Ao se apossarem desse estamento, do qual Temer é parte, os governos petistas agigantaram ainda mais o Estado, maquiaram as contas públicas e promoveram um verdadeiro saque às estatais, incluindo a Petrobras, que foi loteada entre partidos, incluindo o MDB do qual Calheiros faz parte.

Onde estava toda essa indignação de Renan Calheiros na época? Onde estava o Dom Quixote alagoano a mirar em seus Moinhos de Vento pedindo a queda de todos? Era muito mais ameno com o governo.

Para Renan Calheiros, o presidente Michel Temer é uma catapulta para uma agenda positiva, já que quase não há quem não odeie – em com toda razão! – Temer.

Agora, o que Renan Calheiros – o profeta do caos – defende? Controle de preços com maior intervenção na economia para mais uma vez disfarçar o caos oriundo das decisões do passado, tomadas dentro de um projeto de poder cujo cunho ideológico dispensa apresentação? Renan Calheiros quer mais Estado para resolver os problemas causados pelo estatismo de base socialista do qual o emedebista era aliado? Aliás, ele e Michel Temer eram aliados ao custo de uma parceria nefasta ao país com o PT.

Em passado recente, Renan Calheiros era um homem importante aos petistas que, ao lado de Michel Temer (que era o vice de Dilma Rousseff (PT)), ajudaram a quebrar o país. Michel Temer é o efeito colateral da tragédia, logo trágico também. No presente de agora, Renan Calheiros é aliado do PT com toda força, inclusive brigando pela candidatura do condenado Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No Inferno de Dante chamado estamento burocrático brasileiro, Renan Calheiros é um personagem que transita em todos os círculos, mas escolheu o vilão da vez para praticar seu antagonismo de momento.

Diante da incompetente Dilma Rousseff, uma das personagens centrais dos dramas da Petrobras, Renan Calheiros também escolheu um lado: rasgar a Constituição para garantir os direitos políticos da ex-presidente. Para Renan, EX-PRESIDENTA!

PS: houve um erro de um "m" a mais na palavra transitam...era transita! Erro de digitação corrigido. 

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Marx Beltrão quer ser o “terceiro senador” do bloco governista

Foto: Facebook Fb2fbc65 1d20 4f86 a27f 8f8e47678406 "Vamos à luta e vamos à vitória", desabafa Marx Beltrão sobre pré-candidatura

Ex-ministro do Turismo e deputado federal, Marx Beltrão (PSD), concedeu uma entrevista em que disse ter “lealdade ao governador Renan Filho (MDB)” e que “não abandona amigos”.

Beltrão viu a si mesmo como uma “candidatura avulsa” que poderia ser, por meio de uma aliança branca, o terceiro candidato ao Senado Federal no bloco governista liderado pelo MDB.

Por lá, ao lado de Renan Filho (MDB), já estão o senador Renan Calheiros (MDB) – que busca a reeleição – o deputado federal e também ex-ministro, Maurício Quintella Lessa (PR).

Nos bastidores, surge a informação de uma possível desistência de Marx Beltrão de sua candidatura ao Senado Federal.

Todavia, Beltrão diz que sua candidatura está posta e que não pretende voltar do projeto político que traçou para si mesmo no meio do caminho.

Beltrão coloca que tem uma boa relação com Renan Filho independente dos palanques eleitorais.

Bem, em um passado não tão distante, o MDB – comandado por Renan Calheiros – divulgou até nota garantindo que Marx Beltrão teria a vaga garantida na chapa ao Senado Federal. Nas composições, não foi o que se viu.

Sempre escrevi aqui que isso não se sustentava. Confiar nessa nota oficial do MDB era tão certo quanto ter na carteira uma nota de R$ 3.

A aliança com Maurício Quintella Lessa ceifou o que seria a cadeira cativa de Beltrão.

O ex-ministro do Turismo teve que deixar o MDB para ingressar no PSD, partido que já era comandado por ele. Beltrão nunca deixou de trabalhar com a possibilidade de ter que sair do MDB para projetar seu próprio caminho.

Isto por si só é reflexo de que no MDB só há as “estrelas” que os Calheiros permitem brilhar.

Beltrão também chegou a dialogar com o bloco de oposição em passado recente. Porém, a oposição liderada pelos tucanos sempre esteve mais perdida que cego em tiroteio.

Marx Beltrão sabe que não existe essa história de “terceiro senador” na chapa. O ex-ministro apenas não mira no governo estadual e tenta construir seu próprio caminho com o menor número de arestas possíveis.

Ele sabe ainda da dificuldade de construir um bloco próprio com candidato ao governo e segundo nome ao Senado. O que Marx Beltrão faz é ser estratégico.

Quanto à possibilidade de ele ser um vice de Renan Filho, o deputado federal do PSD nega que tenha existido essa conversa em qualquer tempo. “Ninguém é candidato a vice”, diz ele, ao afirmar que essa posição em uma chapa é ocupada em função das alianças e circunstâncias.

Uma candidatura avulsa de Marx Beltrão é nada mais que uma candidatura solitária. O Palácio República dos Palmares tem foco definido: o senador Renan Calheiros.

Peço desculpas por não citar o veículo ao qual Marx Beltrão concedeu a entrevista. Recebi o áudio da entrevista, mas não há nele a referência ao veículo. Por isso também demorei a publicar essa postagem, pois tentei pesquisar de onde era para conceder os devidos créditos. Assim que descobrir, atualizo o post com essa informação.

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A natureza do mal: a agressão injustificada ao promotor de Justiça

Radar 89 3fdae824 3927 404b 8fdd aa2d558d8780 Promotor João Batista


Eis que o CadaMinuto veicula uma matéria em que um promotor de Justiça de Alagoas foi agredido em um assalto após ter sido identificado por bandidos fortemente armados. Isto por si só – a julgar pelas primeiras informações – mostra um pouco da natureza do mal daqueles que, comumente, são apontados como “vítimas da sociedade”, como se não fossem responsáveis por suas escolhas.

Ou seja: não satisfeitos em roubar, passaram o recado sobre como tratam a vítima a depender do que ela represente. O promotor foi agredido por ali representar o conceito de Justiça, pouco importando os valores que previamente ele carrega. Nem sei quais são.

O crime tem um culpado: o criminoso que escolhe, de forma deliberada, delinquir. É este que precisa ser combatido e preso. Bandido bom é bandido preso. A sensação de impunidade, insegurança associada a uma população completamente entregue e sem possibilidade de legítima defesa só faz aumentar a ousadia dos criminosos.

Com o tempo, esses passam a ter desculpas na ponta da língua para a crueldade assumida, como o famoso bordão: “a vítima reagiu”. Neste caso, pelas primeiras informações, nem reação houve. Bastou que os bandidos identificassem a profissão da vítima para que o agredissem. Graças a Deus não ocorreu algo pior.

O promotor de Justiça João Batista Filho, que atua em Delmiro Gouveia, entra para as estatísticas. Nesses números, qualquer um de nós pode se fazer presente. E há ainda quem relativize situações dentro de um país em que os índices de criminalidade são alarmantes. Principalmente quando os dados falam de crimes contra a vida, a propriedade e a liberdade, direitos naturais básicos a serem defendidos em uma democracia que se quer séria.

 Ainda não há maiores detalhes sobre o crime. O que se sabe é que João Batista Filho foi parado por criminosos em uma rodovia estadual, nas proximidades do município sergipano de Poço Redondo, no dia de ontem.

Os bandidos levaram o seu veículo. Na sequência – segundo a Polícia Militar de Sergipe – identificaram o promotor. Armados com espingarda e pistolas, agrediram João Batista simplesmente pelo cargo que ocupa, mostrando o completo desprezo e desrespeito por qualquer autoridade constituída.

É novidade isso nesse país? Não! Recentemente, na chamada “Vira Cultural”, um carro da Polícia Militar foi completamente destruído por vândalos. Tudo isso fruto do discurso que demoniza as forças da segurança pública.

No caso da mãe que reagiu ao assalto e eliminou a ameaça ao matar o assaltante, houve discursos ideológicos que trataram aquela mulher como uma criminosa e não como alguém que buscava defender a si mesmo e as pessoas – incluindo crianças – que naquela cena se encontravam. Como se o bandido – que escolhe deliberadamente praticar o crime – não soubesse o risco ao qual está exposto e o assumisse.

Em plena luz do dia, um bandido ameaçou mães e crianças. O mais grave – para uma meia-dúzia de intelectuais de plantão – foi uma das mães, que é policial, reagir. Querendo ou não, certos discursos legitimam a ação do criminoso e faz com que ele se sinta confortável em sua ação porque vai encontrar quem o defenda.

Afinal, até mesmo uma dita “filósofa” – a Márcia Tiburi – chegou a dizer que defendia o assalto por haver nele uma “certa lógica”, culpando o livre-mercado pela criminalidade. A mesma “balela” de quem relativiza o conceito de “cidadão de bem” até se ver vítima de criminosos e ter que ligar para Polícia Militar quando percebe que o Batman não virá em seu socorro.

Neste caso, o sujeito inteligentinho que se vê vítima de bandidos não relativiza sua condição de vítima e deixa sua hipocrisia muito bem exposta.

O caso de João Batista abre reflexões. Ele é a vítima! Ponto final! A ousadia dos criminosos, que – ainda segundo as primeiras informações – partem para agressão em função de ele ser um promotor, mostra a situação na qual toda e qualquer pessoa que, direta ou indiretamente, trabalha com a segurança pública se encontra.

Mas, já vimos declarações na imprensa de que o policial só pode atirar após ser alvejado. O desfecho desse caso poderia ser pior. Graças a Deus que não foi. É, Graças a Deus! Afinal, ainda é com quem contamos, pois cada vez mais o direito à legítima defesa é relativizado, os bandidos são postos como vítimas e o cidadão é emparedado e perde sua liberdade nesse país.

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