Blog do Vilar

O certo é "ARSAL deixa Laílson Gomes": tudo é acordo depois de clima insustentável

Ascom/Arsal Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Lailson Gomes é empossado como presidente da Arsal

Oficialmente, Laílson Gomes deixou o cargo de presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Alagoas (ARSAL) “a pedido próprio”, que foi encaminhado – por carta – ao governador Renan Filho (MDB). Todavia, o “oficialmente” não corresponde necessariamente à realidade dos fatos.

É a tentativa de uma saída honrosa para que a ARSAL volte à caixa de ferramentas para as composições políticas sem que ninguém se lembre do que se passou por lá...

Mas, como a memória existe, vale ressaltar:

A permanência de Gomes na dianteira da ARSAL já era insustentável desde o início do segundo mandato de Renan Filho. Os motivos eram vários: desde as denúncias que se acumulavam, que iam de problemas em contrato às dificuldades de gestão do órgão, até às correlações de forças políticas do novo governo. Sim, grupos políticos disputavam a ARSAL e não se entendiam dentro do órgão.

Fora isso, o PDT do ex-deputado federal Ronaldo Lessa terminou o processo eleitoral de 2016 menor do que entrou. Lessa – padrinho político de Laílson Gomes no governo Renan Filho – ficou sem forças para manter o mesmo espaço do PDT na gestão seguinte. Ainda assim, permanece aliado de Renan Filho, tendo sido nomeado secretário de Agricultura.

A situação vivenciada pela ARSAL é grave. Laílson Gomes diz que os problemas existentes são herança da gestão passada e – em uma entrevista – disse até que entregaria um dossiê com informações sobre o órgão. Gomes sai de cena de forma discreta e não houve apresentação de dossiê algum. Ele alega inocência e diz – em outras palavras – que paga o preço por tentar consertar o órgão.

Mais um motivo, então: a saída de Laílson Gomes não pode ser motivo para varrer o que de grave foi dito pela imprensa entre o final do ano passado e o início desse ano, e que já rende investigação. Se é o ex-gestor que tentou moralizar o órgão, poderá provar. Se não, pagará por isso. E se tentou moralizar é porque os problemas antigos aconteciam debaixo das barbas do governador; se não, é porque aconteciam debaixo das barbas do mesmo jeito!

Então, deve ser um compromisso do Executivo de Renan Filho – justamente em nome da transparência – apurar tudo o que ocorreu na ARSAL durante o seu primeiro mandato de governador, já que a última gestão foi para a berlinda e passou a acusar gestões anteriores.

Vale lembrar que o no final do ano passado, a ARSAL teve que ser socorrida financeiramente pelo Executivo para conseguir fechar as suas contas. Servidores ficaram com atraso salarial, houve risco de corte de energia elétrica do prédio sede, dentre outros problemas. Agora, com três meses de nova gestão, a ARSAL ainda tem dificuldades de funcionamento.

Isso só se refere ao administrativo.

No campo das denúncias, é apontado problemas na contratação de uma empresa responsável pelos terceirizados. Houve ainda o episódio que ficou conhecido como “farra das diárias”, já tratado por esse blog.

Em meio às polêmicas, Laílson Gomes disse que sofreu porque combateu forças políticas que disputavam a ARSAL. Isso também nunca ficou esclarecido. No dia de ontem, 10, em vídeo nas redes sociais, o próprio Ronaldo Lessa assume o mesmo discurso.

Gomes entrega o cargo, mas praticamente foi convidado a sair diante dos problemas que a ARSAL enfrentava e – conforme informações de bastidores –  isso não deixou Ronaldo Lessa muito satisfeito.

Bem, quando assumiu a presidência do órgão, Laílson Gomes disse a seguinte frase: “Vamos colocar a ARSAL em um lugar onde ela nunca esteve!”. De certa forma, ele pode ter cumprido a promessa. Afinal, a Agência acumula problemas que até então eram inéditos, ao menos para o público. Tomara que o próximo gestor – e com o apoio do governo – tenha a coragem de passar tudo a limpo. E aí, quem for podre que se quebre. Afinal, hoje o lugar da ARSAL - como prometido por Gomes - é de destaque, nas manchetes negativas e no Ministério Público, mas de destaque! 

É que é dinheiro público, governador!

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Levantamento mostra que governo federal cumpriu 1/5 das promessas de campanha em 100 dias

Agência Brasil Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Jair Bolsonaro

Concordar ou não com uma visão de um governo é um ponto para avaliação de cada cidadão. Agora, um candidato – seja ele de um campo político A ou B – se apoia em promessas para conseguir ser eleito. É uma pena que, dentro do processo eleitoral, inflamado por suas paixões, nem sempre são pontos discutidos com os detalhes que deveriam.

Todavia, o que foi prometido é também um critério de avaliação de uma gestão para se saber se, no mínimo, o que foi posto em campanha e que garantiu a vitória está sendo cumprido. Nesse sentido, o G1 fez um levantamento interessante das promessas feitas pelo presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL).

De acordo com o site, o governo federal cumpriu 1/5 de suas promessas, o que corresponde a 12 ações nesses primeiros cem dias. Conforme o veículo de comunicação, quatro estão em andamento e outras 40 estão no aguardo. Duas não foram avaliadas. Ao todo, são 58 pontos sobre os quais o G1 afirma ter se debruçado.

O governo federal – nas promessas cumpridas – manteve até aqui a palavra de não aumentar impostos, não recriar CPMF, reduzir alíquotas de importação e barreiras tarifárias, enquadrar os preços da Petrobras no mercado internacional, a criação do Ministério da Economia, redução do número de cargos comissionados (corte de 21 mil) e facilitação do posse de arma.  

Bolsonaro ainda reestruturou – como prometido – a alteração da estrutura federal agropecuária, reunindo tudo em uma pasta e não fez alterações na Lei Kandir, evitando maiores cobranças para o homem do campo, e encaminhou ao Congresso o pacote com as medidas contra a corrupção.

Agora, o governo trava a luta pela Reforma da Previdência, que pode sofrer alteração com base nas discussões legislativas.

Está em andamento ainda coisas como vender os ativos da Petrobras, para promover a competição no setor de óleo e gás, buscando beneficiar consumidores e acabar com o monopólio na cadeia de produção de gás natural. Devem ser passos futuros do governo, assim como a reformulação do Estatuto do Desarmamento.

A planilha das promessas completas pode ser visualizada no G1. Inclusive, as demais 40 que estão na pauta do governo para os próximos anos.

Há ações ainda não contabilizadas como promessas, como a ação que envolveu os aeroportos e a abertura para investimentos e o recente “revogaço” prometido pelo presidente, que visa desburocratizar setores e excluir leis que são consideradas entulhos legais.

Concordar ou discordar com as promessas de campanha ou com uma visão do governo é algo da democracia. Mas o fato é que o governo atual cumpriu uma média de promessas maior que os 100 primeiros dias de alguns de seus antecessores. Das 20 primeiras promessas, Temer (MDB) cumpriu três. Já Dilma Rousseff (PT), das 55 cumpriu 5 no mesmo período.

Isto não significa dizer que o atual governo não tenha o que ser criticado. Tem si. O desarranjo inicial na Educação, por exemplo, merece críticas ferrenhas. Foram três meses de disputas internas que inviabilizou muito do que se esperava por parte de quem votou em Bolsonaro e – evidentemente – abriu um flanco para a oposição. Governo sem oposição é problema! O que é preciso é separar as críticas como quem separa joio do trigo.

Agora, Bolsonaro tenta recompor o ministério da Educação e recuperar o tempo perdido.

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Movimento divulga carta aberta após cenas lamentáveis na Câmara de Maceió

Fotos: Maria Maia/CM Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Bope

Destaque, aqui nesse espaço, o ocorrido de ontem, 09, na Câmara Municipal de Maceió. No dia de hoje, 10, o Movimento Unificado dos Servidores Públicos Municipais de Maceió divulgou uma Carta Aberta à População com a sua versão para os fatos, que resultaram em quebra de vidraças e depredação do patrimônio público.

Reitero: não fiz uma discussão de mérito do projeto de lei, mas sim das ações ocorridas que são cenas lamentáveis. É necessário que servidores e vereadores dialoguem para não termos episódios que são sim vandalismos.

Dito isso, publico ao leitor – para que este forme seu juízo de valor – a íntegra da carta aberta. Segue abaixo:

“CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Municipais de Maceió vem por meio desta Carta Aberta a População de Maceió esclarecer os fatos e mostrar o que culminou toda a confusão da terça-feira (9), em frente à Câmara Municipal de Maceió.

Sem discussão, sem entendimento, sem cooperação. Apenas com uma caneta na mão e o poder de mudar a renda de mais de 14 mil famílias, taxando os servidores públicos municipais de Maceió como um problema econômico. Este foi o sentimento que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) e o presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Kelmann Vieira (PSDB), gerou nos trabalhadores, que protestavam de forma pacífica até se estabelecer uma confusão. 

Foi um ato de desrespeito em cima do outro. Na terça-feira (2) o prefeito de Maceió enviou, sem conversa ou entendimento com os principais prejudicados, dois Projetos de Lei. Um altera a Lei Municipal nº 4.974/2000, que trata do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos Servidores Municipais de Maceió; e, outro que altera a Lei Municipal nº 4.973/2000, referente ao Estatuto dos Servidores Públicos Municipais de Maceió.

Na quinta-feira (4) o vereador Kelmann Vieira, presidente do Legislativo Municipal e integrante da bancada do governo na Câmara Municipal, deveria participar da reunião com os líderes sindicais, mas não participou. Durante toda a semana a imprensa foi bombardeada com discursos falsos de secretários municipais, informando que os projetos não reduziam salários e nem ofereciam perdas de direitos. Tudo isso é mentira. E vocês podem tirar suas conclusões a seguir.

Na terça-feira (10), outra reunião estava marcada para acontecer antes de iniciar a sessão plenária. Mas em vez disso, os líderes sindicais foram barrados na porta da Câmara Municipal de Maceió, sem direito a conversa nem a acompanhamento da sessão. Este foi o fim da paciência de muitos trabalhadores, impedidos de entrar em um prédio público, que iria decidir a vida de milhares. No calor do momento começou o empurra, empurra.

De empurra pra lá e de empurra pra cá, o que era pacífico ficou violento quando a Polícia Militar começou as agressões com força física, balas de borracha e bombas de efeito moral no professor, no médico, na enfermeira, no agente de saúde, no assistente administrativo, na merendeira, no vigilante, no guarda municipal, no contador, no agente de endemias, na secretária, no assistente social, na nutricionista,  em todos os profissionais que naquele momento protestavam para não perderem seus direitos garantidos por lei. 

O servidor público não é o problema, eles são as engrenagens para a cidade de Maceió funcionar. A dedicação de todos os trabalhadores, que integram esta categoria, é praticamente de uma vida profissional inteira. Não são quatro ou oito anos de trabalho, como é o prefeito. São 20, 30, 40 anos, todo o tempo até a aposentadoria. E o seu cargo, foi dado por merecimento, com estudo, com assiduidade, com um trabalho ininterrupto de segunda à sexta. E para melhorar o salário, os fins de semana e às noites de muitos servidores públicos são preenchidos com cursos de graduação, ou de especializações, ou cursos técnicos.

 

OS PONTOS MAIS POLÊMICOS DOS PROJETOS DE LEI

 

INSALUBRIDADE

Os valores antes pagos baseados em percentual por grau de insalubridade ou periculosidade, com a aprovação do PL passam a ter valores fixos por grau e quantidade de horas trabalhadas. 

Hipoteticamente, uma pessoa que trabalha 30 horas semanais como gari e recebe um salário mensal fixo de R$2.000,00, tinha o direito do adicional de insalubridade de 40%, que é R$800,00. Com a aprovação do Projeto de Lei encaminhado para a Câmara Municipal de Maceió, esse profissional passa a receber R$550,00 – uma redução de R$250,00 no seu salário.

Se for considerado um auxiliar de serviços gerais, que ganha insalubridade grau mínimo, o seu salário não vai ter prejuízo a curto prazo. Mas a longo prazo sim, uma vez que o valor da insalubridade era um percentual e aumentava de acordo com o salário mínimo, com a aprovação do PL a insalubridade será sempre de R$100,00.

 

PROGRESSÃO POR MÉRITO OU TITULAÇÃO

O servidor público que quer estudar e se qualificar em sua área para servir melhor em sua função e consequentemente melhorar o seu salário e a renda familiar, com a aprovação do PL passa a ter seu aumento salarial revogado de forma imediata. Além de ter que esperar cinco anos, em vez de dois; para ter sua progressão admitida.

Essa medida reduz os salários dos servidores públicos municipais a longo prazo e desqualifica o profissional.

FÉRIAS

O servidor público municipal de Maceió que quiser tirar férias, terá que esperar três anos caso o PL seja aprovado. Hoje, o servidor conta com a lei para garantir o seu direito a férias e aos 30 dias consecutivos dela. Se o PL for aprovado a Prefeitura de Maceió poderá fracionar em até três períodos, sendo que cada fração não poderá ser inferior a dez dias.

Qual o sentido dessa mudança, se não a perseguição com o trabalhador? Qual profissional aguenta passar três anos trabalhando sem férias, sem descanso. Esta medida afeta a saúde do trabalhador e garante perdas de direitos.

HORA EXTRA

O funcionário público da Prefeitura de Maceió, que trabalhar por mais horas do que sua carga horária permite, não será pago por elas. A hora extra será feita prioritariamente, por sistema de compensação por meio de crédito no banco de horas. Mas ela não será compensada no mês seguinte, pode ser dentro do ano, de acordo com a administração municipal. 

Você concorda com essa mudança? Ela compromete o direito do servidor público municipal e garante perdas salariais, já que a hora trabalhada não será paga.

AUXÍLIO FUNERAL

Com a aprovação do PL, o artigo 232, referente ao Auxílio Funeral, foi revogado. A família do servidor falecido na atividade ou aposentado, não receberá mais uma ajuda de custo no valor equivalente a três vezes o menor salário praticado no município.

 

A opressão frente à perda de seus direitos gera revolta. O protesto é a única forma de se fazer ouvir. Uma classe trabalhadora unida repercute e foi sempre indo à rua de forma pacífica, pedindo reuniões, abrindo o microfone em praça pública, pedindo o diálogo com os representantes do povo, que os servidores públicos municipais de Maceió batalham pelo seu aumento salarial e pela não retirada de seus direitos garantidos por lei.

São por todos esses motivos, que pedimos encarecidamente o veto dos Projetos de Lei que prejudicam a categoria. Este é um apelo de todos os servidores públicos municipais de Maceió, sem exceção. Sendo filiado ou não, aos: Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Maceió e Região Metropolitana do Estado de Alagoas (Sindspref), Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Sindicato dos Guardas Municipais Civis do Estado de Alagoas (Sindguarda), Sindicato dos/as Assistentes Sociais do Estado de Alagoas (Saseal), Sindicato dos Nutricionistas do Estado de Alagoas (Sindnut), Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Alagoas (Sineal), Sindicato dos Psicólogos do Estado de Alagoas (Sindpsi), Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Alagoas (Sindfal) e Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social e Trabalho no Estado de Alagoas (Sindprev), Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas (Sindacs-AL), Sindicato dos Odontologistas do Estado de Alagoas (Soeal) e Sindicato dos Agentes de Saúde de Alagoas (Sindas), Sindicato dos Servidores da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (Sindsaúde) e Associação dos Agentes de Combate às Endemias de Maceió (AACEM).

Maceió, 10 de abril de 2019"

 

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Milagre: mais uma vez um filme é criticado sem ser assistido

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Mais uma vez uma película – por envolver pensadores que não são da esquerda – é criticado sem ser visto e até posto como um filme governista, por alguns críticos quando, muito provavelmente, nada discutirá de política. Trata-se da obra Milagre, documentário de Mauro Ventura.

O filme promete abordar, do ponto de vista de uma investigação filosófica, o fenômeno do milagre no Cristianismo. Ora, qualquer pessoa sabe que as discussões sobre os milagres fazem parte da religião e também das ciências, por vezes em posturas opostas, devido ao modernismo.  

É que a crença em uma transcendentalidade faz parte da História humana desde que o mundo é mundo. Nessa transcendentalidade, a relação do homem com a Fé.

Como mostra Denis Fustel de Coulanges (1830-1899) – que era um autor positivista, diga-se de passagem – tal relação, em cidades antigas da Grécia, Roma e Índia do período Antes de Cristo, produziu significativas mudanças nos povos, desenvolvendo leis morais, respeito aos mortos, religiões domésticas e até o reconhecimento de direitos da família, da propriedade privada etc.

Abordar os milagres de uma perspectiva filosófica não significa deixar de lado a ciência. E assim como o homem é livre para não acreditar, é também livre para crer. É parte da essência do livre-arbítrio e justo que existiam discussões que abordem todos os lados. O espectador, o estudioso, o mero curioso que decida por si e tire suas conclusões.

De minha parte, não escondo a ninguém: sou católico. Logo, cristão e creio em milagres. Agora, não banalizo.

A estreia de Milagres é prevista para o final desse mês após uma campanha de financiamento coletivo. Chega aos cinemas sem dinheiro público e por mérito de seu autor e de quem acreditou na ideia. Só julgarei a película depois de assistir.

No entanto, há um entrevistado do documentário que muito me chama atenção: Wolfgang Smith.

Smith é um físico e filósofo da ciência que é autor de uma obra que muito me agradou, chamada Enigma Quântico. Ele não é um crítico da ciência, pois é cientista. É um crítico do cientificismo que extirpa as investigações filosóficas e metafísicas de questões que fazem parte da humanidade e sempre farão quando nos deparamos com os absurdos existenciais e coisas que por si só a ciência não explica.

É o que se pode observar em outra obra sua Ciência e Mito. Por sinal, o próprio Santo Tomás de Aquino – em seu tomismo-aristotélico – é um filósofo que elogia a razão humana e a predisposição das ciências nas descobertas. Apenas acredita em um fim último do homem e na Revelação, o que faz argumentando na Suma Teológica.

A prova viva de que a ciência não precisa ser vista como inimiga para quem tem fé é o sacerdote Georges Lemaître, que é o autor da teoria do Big Bang. Durante muito tempo, essa foi alvo de críticos justamente pela posição religiosa de seu autor. Hoje, se dissocia de seu nascimento. Outros exemplos podem ser citados, como Mendel.

Pretendo assistir o documentário de Mauro Ventura, que conta ainda com o doutor Raphael de Paola, que é especialista em Teoria Quântica dos Corpos.

Depois de assistir, aí sim: minhas impressões.

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Câmara classifica a depredação de vandalismo, fala em tomar medidas cabíveis e agenda diálogo com servidores

Fotos: Maria Maia/CM Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Manifestantes

É notório que brasileiros, de uma forma geral, tem motivos de sobra para insatisfação com os nossos parlamentos, seja na esfera federal, estadual ou municipal. Em que pese haver exceções e, algumas vezes, projetos e ações que mereçam elogios, em regra, as casas legislativas deixam muito a desejar, sobretudo quando observamos a relação de custo-benefício.

São vários os problemas. Um deles é o espírito “legisferante” do nosso tempo, quando projetos de lei transformam o Estado em uma verdadeira babá do cidadão ou interverem no setor produtivo como quem acredita na tese do “almoço grátis”.

A Câmara Municipal de Maceió não é exceção nisso. Afinal, por lá, já houve projeto para regular estacionamento privado, fornecer ônibus de graça para funeral e a coisa não para por aí. Fora isso, há quem durma em berço esplêndido quando o assunto é investigar o Executivo.

Além disso, são Comissões Especiais de Investigação que não encontram fim, apesar de objetivo definido e negociações com trocas de cargos que – por vezes – transformam o Legislativo em um apêndice para os projetos do Executivo. No final, todos nós (contribuintes) pagamos caro por um Poder que funciona pouco, apesar de – enquanto instituição – ter uma função nobre.

Mas, nenhuma revolta justifica o vandalismo. Logo, a nota emitida pela Câmara Municipal de Maceió está correta: quem parte para determinadas ações acaba por perder a razão, mesmo quando a possui.

O que se viu no dia de ontem, 09, na Casa de Mário Guimarães foi uma baderna, com quebra de vidraças e outros atos repudiáveis. A conta sempre fica para o poder público. Ou seja: para todos nós.

É direito do servidor público protestar, pressionar e dialogar com cada um dos vereadores para expor a razão da classe de discordar do projeto de lei apresentado pelo prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB). É dever dos vereadores ouvir, pois o parlamento tem que funcionar como uma caixa de ressonância. Todavia, esse direito não inclui atos que são de barbárie.

Nesse sentido, o presidente da Câmara de Maceió, Kelmann Vieira (PSDB) está correto em buscar os culpados e tomar as medidas cabíveis. Porém, não pode esquecer, e a nota afirma isso, que buscará ouvir o funcionalismo no que diz respeito ao projeto de lei que está em tramitação e que tem provocado a revolta.

A Câmara anunciou uma reunião com o funcionalismo para o dia de hoje, 10, mesmo com as sessões suspensas. Espero que sirva para arrefecer os ânimos e que não tenhamos mais cenas vergonhosas como a que ocorreu no dia de ontem.

Na sexta-feira passada, dia 05, já havia ocorrido uma reunião em que os servidores mostraram a posição contrária ao projeto do Plano de Cargos e Carreira e Salários e também quanto a modificações no Estatuto do Servidor. A Casa – como mostrado em matérias – havia se comprometido em intermediar o impasse com o Executivo antes de qualquer votação.

Que o diálogo seja o caminho. Afinal, é preciso sim ouvir os servidores, mas também é preciso evitar as ações que fazem com que percamos a razão...

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Renan Filho “ataca” ministro da Educação nas redes sociais

Foto: Reprodução Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Renan Filho

Em suas redes sociais, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), resolveu mirar no ministro da Educação, Ricardo Vélez. Além da crítica ao titular da pasta no governo de Jair Messias Bolsonaro (PSL), o chefe do Executivo estadual se refere ao ministro como “esse cara”, deixando e lado até as formalidades.

A crítica de Renan Filho se faz por conta de recentes matérias de jornais nacionais. Nessas, é dito que Vélez afirmou mudanças em conteúdos didáticos dos livros de História no que diz respeito ao período militar iniciado em 1964.

A fala de Vélez é a seguinte: “Haverá mudanças progressivas (no conteúdo dos livros didáticos) na medida em que seja resgatada uma visão da História mais ampla”.

O ministro ressaltou que o papel do Ministério da Educação é garantir a regular distribuição do livro didático “de forma tal que as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi a sua história”.

Foi mais uma polêmica na qual Vélez acabou se envolvendo.

O ministro, em que pese ter uma obra respeitável com livros como A Grande Mentira, Da Guerra à Pacificação, Patrimonialismo e Realidade Latino-Americana, dentre outros, não tem conseguido gerir a pasta, enfrentado conflitos internos e dado declarações que lhe causaram ainda mais desgastes.

Mesmo em setores de apoiadores do governo, Vélez tem sofrido com as críticas. Razão pela qual o próprio presidente Jair Messias Bolsonaro apontou – em recente entrevista – para uma mudança no MEC.

Sobre a declaração em relação aos livros didáticos, Vélez se defendeu em suas redes sociais. Ele destaca que não falou em mudanças bruscas de conteúdo que venham a deturpar a História. “O que eu disse ao Valor foi que mudanças poderiam ser realizadas progressivamente, trazendo uma versão mais ampla da História, e só após passar por uma banca de cientistas da área. Doutrinação como foi feito pela esquerda, jamais!”.

No entanto, mesmo tentando se explicar, foi alvo do governador de Alagoas. Renan Filho foi enfático: “Antecipo: se o ministro da Educação, Ricardo Vélez, inventar de rever nossa história vou proteger nossos livros, alunos e professores. Esse cara, que teima em permanecer no cargo, que vive no cai e não cai, não pode brincar com os fatos históricos brasileiros”.

“Para de brincar com coisa séria, ministro Ricardo Vélez. Com a tranquilidade de um rio que corre para o mar, toda comunidade educacional brasileira resistirá a ti, enquanto tentas camuflar sua incapacidade de gestão com essa falsa cortina de fumaça”, complementou o governador.

Renan Filho – nas eleições passadas – esteve o lado do PT do candidato Fernando Haddad, sendo – consequentemente – oposição ao presidente Bolsonaro.

Há pontos na crítica de Renan Filho que correspondem à verdade. De fato, o ministro tem tido dificuldades imensas para gerir a pasta e os conflitos ali presentes se tornaram visíveis. Educação é um terreno sensível e exige um norte claro, que inclusive já havia sido traçado por Vélez antes de assumir, como a preocupação maior com o Ensino básico e fundamental.

Os índices históricos da Educação brasileira são lamentáveis e fazem parte de uma herança de governos passados que se preocupou mais com o quantitativo que o qualitativo. Isso é um fato. Mudar esse cenário é uma das missões do MEC, junto com todas as pastas estaduais e municipais.

Agora, é inegável que temos sim problemas graves estruturais nas redes de ensino, de valorização profissional, de material didático, de métodos etc. Dizer que muitos desses materiais didáticos – incluindo livros – precisam de revisões com base em uma banca técnica de avaliação de conteúdos não é nenhum absurdo. A própria base curricular – que infelizmente é centralizada – precisa sim de análise.

Todavia, essa análise não pode estar submetida a uma visão política e/ou ideológica, seja ela qual for, para que não se construa ali uma hegemonia, mas para que se tenha sim a pluralidade, respeitando os fatos pelo que eles são. Para isso, existe o conhecimento técnico. Afinal, o que vimos em muitas questões do Enem, em passado recente, mostram claramente que a coisa não anda bem.

Vélez – infelizmente – não tem se mostrado a pessoa certa para isso. Mas que, apesar de pontos certos na crítica, há um exagero de Renan Filho, isso há. Afinal, é notório que o aluno tem saído da escola sem conhecer o básico da Língua Portuguesa, da História de seu país, da Filosofia, da Matemática etc. Precisamos repensar isso de forma séria, sem transformar a Educação em cenário de batalha política, como alguns tem feito ao ponto de doutrinação e hegemonia serem problemas reais.

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O debate sobre o nefasto nazismo e as obras que podem ser destacadas...

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Caros leitores,

Desde muito que estudo os pensamentos revolucionários coletivizantes. Obras sobre o assunto não faltam e, ao longo da minha vida, pude ler algumas das tidas como mais importantes em relação ao assunto. Isso me fez ter um receio imenso das fáceis classificações que colocam tudo dentro de uma “caixinha” por meio de um rótulo simplificado. O motivo? Bem, o pensamento revolucionário pode encontrar sementes em qualquer lugar, bastando apenas que uma ideologia – seja ela qual for – substitua as consciências individuais pelas causas.

O que é posto nesse sentido – por muitos autores, como o magistral Eric Voegelin na obra grandiosa História das Ideias Políticas -  é que muitas vezes uma ideologia é um conjunto de ideias que professam um credo de um “mundo melhor”, a fundação de um “novo homem”, o “paraíso na Terra”, mas escondem seu fim político, que quase sempre resulta em opressão, tirania, imposição desta mesma crença e milhões de mortos.

Assim foi com o nazismo, mas também com o comunismo. Agora, é preciso pesar que os dois são diferentes sim em seus cernes ideológicos. O nazismo partia – em meio ao pangermanismo e traços mitológicos – para uma pseudociência baseada na concepção da raça, crendo ali que havia uma etnia superior. Assim foi moldando o pensamento do nacional-socialismo. No comunismo, temos o materialismo ateu e a pseudociência da reorganização da sociedade a partir da destruição da estrutura (a economia) para a mudança da superestrutura (os valores).

Não é possível comparar as ideologias, mas – como mostram Alain Besançon, na obra Infelicidade do Século e Richard Overy, no Ditadores (que compara Hitler e Stalin) – há sim semelhanças brutais em suas práticas: a perseguição ferrenha ao que for pensamento diferente, os campos de concentração, os expurgos de aliados, o massacre às visões religiosas (no nazismo tinha um campo de concentração só para padres em Dachau) e até o uso dessas mesmas religiões como instrumento puramente político, o culto ao líder, o genocídio, dentre outros pontos.

Não comungo com a visão de quem a todo custo coloca o nazismo como uma “extrema-esquerda” e esquece das diferenças dos núcleos ideológicos. Porém, é interessante – e inegável – os estudos que apontam as semelhanças, como faz o escritor Timothy Snyder (que é um progressista, diga-se de passagem) na obra Terras de Sangue. Indico ainda o livro O Diabo na História, do romeno Vladimir Tismaneanu.

Não custa lembrar de uma personagem histórica, a parlamentar Milada Horaková, que no contexto da Europa do século XX, sofreu por defender a liberdade nos dois regimes. Foi capturada pelo nazismo e pelo comunismo, por ambos terem um viés antiliberal, que era o credo da parlamentar. Quem tiver curiosidade sobre essa história pode buscar o filme Milada, presente no Netflix. No pano de fundo há uma excelente aula sobre a história terrível do século das ideologias.

Observar o quanto cada um desses regimes pode ser tirânico e ter empatia para com suas milhares de vítimas é que me ensinou a rejeitar qualquer ditadura e qualquer viés revolucionário, venha ele de onde vier, pouco importando seu nascedouro.

Daí, comecei a ter simpatia pelo pensador Michael Oakeshott, que criou o conceito de fé política e ceticismo político.

Oakeshott nos ensina que a fé política – quando exagerada – nos leva a acreditar demasiadamente em salvadores da pátria e a cultuar políticos, sejam eles quem forem. Essa fé acaba transferindo poder demais a pessoas que se sentem iluminadas para resolver todos os problemas do mundo por meio de ações governamentais. O Estado passa a ampliar seu poder coercitivo e ser a voz oficial da sociedade. Em pouco tempo temos o tudo pelo Estado, para o Estado e com o Estado. Ou seja: um nefasto pensamento fascista.

Do outro lado, o exagero no ceticismo político nos faz negar o papel importante que a política tem na sociedade e a mesma visão ditatorial pode surgir por meio de grupos de pressão que desacreditam o papel do diálogo na política e querem transformar suas visões de mundo em direitos, fingindo uma “democracia direta” pautada por um racionalismo que alimenta uma engenharia-social.

Isso pode nascer em qualquer lugar, independente de direita ou esquerda. Um bom exemplo disso é que reacionários vivem de uma utopia focada no passado e revolucionários em uma utopia com fé demasiada no futuro.

Em outras palavras, conservo o medo de cair em extremismos de qualquer que seja o lado.

Eu, particularmente, enxergo nazismo e fascismo como terceiras vias que absorveram o que de pior havia nas ideologias. O que li me leva a compreender assim, mas quem sou eu perto dos historiadores sérios? Nada! Apenas um estudioso movido pela curiosidade. Então, eis que cito as obras para vocês, inclusive de autores que possuem visões diferentes das minhas, mas que relatam a História pelo que ela é.

É impossível negar que neles (nesses regimes) haviam características de uma extrema-direita da época, como um ultranacionalismo. Mas, por exemplo, o biógrafo de Hitler, Joachim Fest, prova – por meio de documentos da época – que a forma de governo e propaganda bolchevique influenciou Joseph Goebbles em muitas estratégias. São fatos históricos que podem ser encontrados.

Em alguns momentos, esses regimes se encontraram, como no pacto nazi-soviético, apesar de serem inimigos na disputa pelo poder nas regiões. Tanto que nazistas usaram a ameaça comunista como propaganda, como no incêndio do Reichstag. Ian Kershaw – historiador que classifica o nazismo como extrema-direita – aponta isso em suas obras sobre o período, inclusive na biografia que faz de Hitler.

Creio que nesses debates, os livros salvam. Eles são mais importantes que uma declaração de um presidente ou de qualquer outro político. Desde já digo, não concordo com a visão simplista posta em uma única frase do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ou do ministro Ernesto Araújo. A discussão vai além disso, mesmo entendendo que ambos queriam pontuar as semelhanças entre os regimes totalitários, absolutistas e cruéis.

Como cidadão, rejeito tudo que lembre – ainda que vagamente – que tudo tem que ser feito pelo Estado, para o Estado e com o Estado. Isso massacra as liberdades individuais e direitos fundamentais que enxergo até como pré-civis, como a vida, a própria liberdade a propriedade, tal como defendem Frédéric Bastiat, Friedrich Hayek e tantos outros.

Muitos historiadores apontam que o nascimento de todo esse despotismo moderno está na Revolução Francesa. Umberto Eco, em O Fascismo Eterno, diz algo interessante a respeito de como as ideias de Hegel foram utilizadas nesse sentido, ao encarar o Estado como um espírito absoluto, tendo isso influenciado o desdobramento de muitas ideologias do século XX.

É que a Revolução Francesa, como expõe Thomas Paine (que era um defensor desta) acreditava que a razão planejada por ideólogos trariam o paraíso na Terra, desrespeitando tradições e culturas para a construção de uma nova sociedade como se a futura geração fosse uma folha em branco a ser transformada por uma ideia de “sociedade perfeita”. Isso – como se percebe nos debates entre Paine e Edmund Burke (muito bem exposto pelo analista político Yuval Levin, na obra O Grande Debate) – gerou o Terror e as guilhotinas, que não suportavam inclusive as visões religiosas.

Esse nascedouro possibilitou irmãos gêmeos discordantes que brigam entre si, mas adotam práticas repressivas semelhantes.

Esse é o vírus que também tomou conta de Auguste Comte – o discípulo do socialista utópico Saint-Simon – e o seu positivismo, que acreditava que iria abolir os dois estágios primitivos do homem (o teológico e o metafísico) para impor uma razão iluminada, onde o cientificismo seria o credo da humanidade e os positivistas os sacerdotes. Essa visão, por exemplo, adentrou em parcela do Exército brasileiro e foi inspiração para o período mais duro do regime militar. Gerou duas visões que se combatiam, mas que ambas desprezavam a democracia. Não estou com isso estabelecendo comparações. Claro que há uma distância enorme entre o vivido no país e o que ocorreu na Europa. É impossível comparar. Falo apenas do motor influenciador.

Lição da história: ideologias e pensamentos revolucionários sempre colocam democracias em risco. Por isso é preciso garantir a pluralidade. Só há liberdade quando eu sou capaz de defender a existência daquilo que eu discordo, sem censuras prévias, mas com a responsabilidade sobre o dito e feito, inclusive no ordenamento jurídico dessa democracia.

Mais importante do que meras classificações, é entender profundamente o que esses regimes foram, para que seus rótulos não sejam usados de forma superficial para meramente atacar pensamentos adversários ou realizar classificações superficiais, como fez o presidente. Vivemos uma época onde basta uma simples divergência para que um ataque o outro chamando de “comunista”, “nazista”, “fascista” etc.

Indico aqui – além dos livros já citados – uma excelente obra que compreende todo o período nefasto que teve Hitler no poder: a trilogia do historiador Richard Evans. Ele classifica o nazismo como extrema-direita, mas o diferencia do que é uma direita de fato. Transcorre a análise da História pelo que a história de fato é. É o autor mais respeitado sobre o assunto no mundo, inclusive sendo testemunha da judia Deborah Lipstadt, quando esta enfrentou David Irving em um tribunal.

Lipstadt fez uma obra denunciando o nazismo e foi processada por Irving, que é um historiador negacionista (um louco que nega o Holocausto). Evans foi peça fundamental para garantir a vitória da autora. O que significa dizer – por mais absurdo que pareça – que em pleno final do século XX, havia quem duvidava do Holocausto e era levado a sério. Como ainda há, infelizmente. Para quem gosta de cinema, essa história é contada em filme: chama-se Negação. Vale a pena assistir.

Evans, nas obras A Chegada do Terceiro Reich, O Terceiro Reich no Poder e o O Terceiro Reich em Guerra, mostra em detalhes o que foi o nazismo e o quão repudiável ele é, como é repudiável Lênin, Stalin e outros totalitários, ainda que pensem por primas diferentes.

Por sinal, trabalho que Robert Gellately também faz na obra A Era da Catástrofe Social. Lá, Gellately mostra a diferença entre o cerne de crenças dessas ideologias, mas aponta as semelhanças de suas práticas nos regimes constituídos. Eric Voegelin faz uma análise mais cuidadosa ainda em Hitler e os Alemães.

Em obras mais simples, como A Mente de Hitler de Walter Charles Langers, é possível adentrar no pensamento desse genocida e enxergar os aspectos de sua psicopatia.

Conhecer a História nos faz tirar conclusões para além dos rótulos. É que nos extremismos, os diferentes se encontram e perdem a capacidade de refletir e ouvir.

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PP não compõe governo federal e Arthur Lira parte para críticas a Bolsonaro

Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Arthur Lira

Em uma longa entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o deputado federal alagoano Arthur Lira (PP) – que lidera o partido na Câmara de Deputados – demonstrou insatisfação com o governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL), em especial com o líder do Executivo: o também parlamentar Vitor Hugo (PSL).

Lira reclama da ausência de articulação com a Casa, enquanto o líder do governo, Vitor Hugo, já fala em abrir diálogos que podem fazer com que o Executivo chegue a 372 parlamentares. Claro, o governo busca a quantidade necessária para as votações que considera importante, como a Reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.

Em entrevista à Agência Brasil, Vitor Hugo destacou que houve um momento em que a imprensa e alguns analistas propagaram que o governo não ia dialogar com os partidos, mas sim com frentes temáticas. “Isso não é verdade, nunca foi uma intenção do governo. Sempre houve a intenção de trabalhar e articular dentro do Congresso com os partidos e mais uma vez vai ficar claro isso”.

De acordo com ele, no próximo dia 4, o presidente já receberá cinco líderes partidários para tratar da reforma da Previdência na Câmara.

O problema é o que se entende por articulação. Bolsonaro parece querer fugir da distribuição de cargos e benesses em troca dos votos necessários. São muitos os partidos que estão de fora do primeiro escalão e esta foi uma das promessas de Bolsonaro em campanha: não compor com base na distribuição de ministérios, como ocorria em governos anteriores, em nome da chamada governabilidade.

Apesar das falas recentes do líder do governo, Arthur Lira afirma que Jair Bolsonaro está isolado e que não existem líderes que conversem com Vitor Hugo. O pepista parece ter partido para o ataque.

Lira ainda ataca o discurso do governo sobre a “nova política”: “O que é a nova política? É a política da rede social? O velho é tudo o que não presta? O que tem de novo agora? Em três meses, muitos problemas. É isso o novo? A gente tem tido muita parcimônia e paciência”, frisou.

Arthur Lira comete exageros. O governo tem problemas sim, como por exemplo, o bate-cabeça na pasta do Ministério da Educação (MEC) que tem que ser resolvido o quanto antes, pois é uma área sensível, importante e com uma herança maldita. O que acontece hoje na pasta faz com que se atrase projetos e ações, afetando diversas áreas.

Todavia, o governo federal já encaminhou ao Congresso Nacional a Reforma da Previdência – que pode ser aprimorada pelo Legislativo – apresentou um projeto anticrimes, tem estabelecido políticas de concessão e privatizações – como no caso dos Aeroportos – que podem trazer resultados positivos ao país, sobretudo aos mais pobres, para consumir serviços com mais eficiência e menores preços.

Bolsonaro ainda foca em ações bilaterais com outros países que espero que tragam resultados positivos. Vender a imagem que o governo federal está parado não corresponde à realidade. Assim como não corresponde à realidade, a imagem de que está tudo em paz. Há sim setores que precisam ser ajustados e merecem a crítica.

Quanto à velha política brasileira criticada pelo governo federal, ela é definida: trata-se de reconhecer que antes havia um estamento burocrático de troca de benesses em nome de projetos de centralização de poder, que ampliou os gastos públicos e favoreceu a ocupação de estatais por meio do cabide de empregos. Isso resultou em mensalões e petrolões, onde o PP é sempre um partido citado. É isso que precisa acabar.

Os projetos – e deve haver sim articulação para isso, pois o diálogo faz parte da política, e nessa reclamação Lira tem razão – devem ser debatidos pelos seus méritos e consequências para a maioria da população, sem interesses secundários inconfessáveis. E isso faz parte de discutir uma nova forma de fazer política. Portanto, não se trata de novo e velho apenas pelos vocábulos em si.

Arthur Lira está certo quando diz que deputados não são empregados do governo. Não devem ser mesmo. Por isso que não se compra apoio com o toma lá da cá. É justamente aí que se estabelece a relação sadia, onde oposição e situação podem discutir pelos méritos e pelas visões de mundo que possuem, pois, oposição é essencial a qualquer governo. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

Se a cobrança é por diálogo e esclarecimentos de pontos da Reforma, Arthur Lira está correto em cobrar e o governo federal – diferente do que muitos dizem – tem buscado isso, como por exemplo, na recente presença de Paulo Guedes, o ministro, nas discussões.

Ressalta-se também o papel da deputada federal Joice Halssemann, independente do que se acha dela. O próprio Arthur Lira reconhece que ela tem sido uma “apagadora de incêndios”.  O que não pode é a coisa ser resolvida na base de distribuição de ministérios e estatais. Há muito o que fazer para se perder nessas mesquinharias.

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Partido de Mourão pode ter secretaria no governo Renan Filho

Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Adeilson diz que PRTB vai eleger 5 deputados

De acordo com informações publicadas pelo jornalista Edivaldo Júnior – em seu blog na Gazetaweb - o PRTB, partido do vice-presidente general Hamilton Mourão, deve ter espaços dentro do governo de Renan Filho (MDB), o filho do senador Renan Calheiros (MDB).

O senador se diz hoje “independente” e pertencente ao “baixo clero”, após ter perdido espaços no Senado Federal, inclusive ao não conseguir ser presidente da Casa. Fora isso, Calheiros foi um dos ferrenhos defensores do PT e após eleição tentou aproximação com o governo por meio dos diálogos com Paulo Guedes. São as coisas da política brasileira.

É claro: o PRTB local nada tem a ver com o PRTB nacional hoje. Todavia, o fato em si demonstra claramente como funciona o pluripartidarismo brasileiro: as siglas parecem não se mover por convicção alguma – seja política ou ideológica – e tudo passa a ser um instrumento para ocupação de espaços.

Não por acaso, o PRTB alagoano sempre foi posto nas eleições locais como uma peça de xadrez para garantir espaços nos Legislativos. O auge foi a eleição do deputado federal Cícero Almeida, que depois – em meio a brigas com o presidente nacional da agremiação, Levy Fidelix – deixou a legenda e ingressou, ainda no mandato, no MDB de Renan Calheiros.

PRTB e MDB sempre estiveram próximos no cenário local. Basta puxar o histórico. Comandado por Adeílson Bezerra, a legenda sempre foi uma opção aos cálculos matemáticos para se eleger, abrigando puxadores de voto pela mera estratégia de ocupação de espaços. Ela funciona. É possível perceber isso na composição da atual Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

Foram eleitos pela legenda Breno Albuquerque, Fátima Canuto, Flávia Cavalcanti e Jair Lira: uma bancada considerável. Renan Filho não terá dificuldades em colocar a legenda em sua base governista.

Muito menos é possível esperar um alinhamento do PRTB local ao governo federal. É cada um por si e o partido – assim como tantos outros – é como a “Casa” da canção de Vinícius de Moraes. Lembram da música?

Não é exclusividade do PRTB ser assim. É a nossa velha política!

Quanto ao nome que pode compor com o atual governo estadual, segundo Edivaldo Júnior a cotada é Cecília Hermann, esposa do prefeito de Pilar, Renato Filho. Ela deve assumir a Secretaria de Ciência e Tecnologia.

Bem, que ela possa fazer um bom trabalho.

No mais, esse jogo demonstra que muitas legendas são apenas elementos cartoriais no processo...

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Discurso da deputada Jó possui suas entrelinhas: Os Pereiras no Executivo

Vanessa Alencar/CM Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputada Jó Pereira

 

A deputada Jó Pereira (MDB) fez mais um discurso na Casa de Tavares Bastos ressaltando o vocábulo mais presente do dicionário das articulações políticas na Assembleia: “independência”. Aliás, Pereira começou essa legislatura com alfinetadas no Executivo de Renan Filho (MDB), mesmo ambos sendo do mesmo partido.

O grupo político dela – que nunca esteve distante do opositor PP do deputado federal Arthur Lira e do ex-senador Benedito de Lira – inclinou mais ainda na direção pepista. Como em política, não há ponto sem nó (e quando há o nó sem ponto, todo político é expert em desatá-lo), Jó Pereira quer alçar voos maiores diante do espaço político que hoje ocupa.

É legítimo. É natural até de todo político!

No mais, é possível discordar das pautas de Jó Pereira. Eu discordo de quase todas. Ela já afirmou que tem um pé no cordão vermelho e no cordão azul, referindo-se às correntes de direita e esquerda. Eu digo sem medo de errar. Jó Pereira tem os dois pés nas ideologias progressista. Se tiver algo na direita, é o dedo midinho do pé direito que encosta no campo político liberal, mas só às vezes.

Porém, mesmo discordando, é inegável que é hoje uma das parlamentares mais atuantes. É incansável na participação de eventos, nos discursos da Assembleia Legislativa etc. Ouso dizer: há uma honestidade intelectual que a faz acreditar de fato naquilo que ela acredita. E isso é bom para a democracia, pois torna o ambiente legislativo plural.

Dito isso, vamos ao mais recente discurso de Jó Pereira. Ela iniciou o ano proclamando uma independência após a retaliação do governo nas negociações para eleger o presidente da Casa de Tavares Bastos, o deputado Marcelo Victor (Solidariedade). O governador emedebista queria emplacar o tio: o deputado Olavo Calheiros (MDB). Ninguém quis.

O grupo de Jó Pereira – por retaliação do Executivo – foi exonerado. Fernando Pereira deixou a Assistência Social.

Agora, o governador Renan Filho busca recompor a base para ter ampla maioria na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Os Pereiras devem voltar ao governo. A deputada estadual já se antecipa como quem diz: “olha, a minha independência continua aqui!”.

Mas porque digo isso? Bem, vejam a declaração da parlamentar na mais recente sessão ordinária:

“Alagoas precisa exercitar menos palanque e mais gestão (...) Não sou oposição ao governo, menos ainda ao jovem Renan Filho (...) Quero e desejo sucesso, tenho compromisso com Alagoas. Mas também não sou situação por ver contemplados amigos, conhecidos ou familiares na estrutura do governo. Esses são colaboradores convidados pelo chefe do Executivo ou por seus secretários, ou até indicados pelo grupo que, com orgulho, faço parte, as no sentido de colaborar com o sucesso do governo e não para pautar minha atuação parlamentar”.

Soa ou não como uma justificativa? Do outro lado: o Executivo deve esperar mais de Jó Pereira. Articulações não se fazem apenas pelas questões técnicas por mais competentes que sejam os colaboradores.

Ser situação ou oposição não é problema, assim como ser independente também não. A questão é a prática disso. Pereira tem a faca e o queijo na mão para um bom mandato nesse sentido.

Por exemplo, um deputado pode ser situação por acreditar no projeto macro de um governo e ser crítico ao pontual, justamente quando entender que este pontual prejudica o macro. Estar alinhada ou desalinhada a uma linha de pensamento de governo não é problema. O problema é fechar os olhos para os erros desse governo em relação à linha que se acredita.

O mesmo ocorre em ser oposição. É possível ser oposição ao macro, mas reconhecer acertos pontuais do governo aqui e acolá, mas entendendo que na condução maior, o governo leva o Estado para fins que se discorda. Quando classifico Davi Maia (Democratas) por oposição – por exemplo – é por entender que ele tem uma visão liberal e de direita que não está contida no macro do governo.

A pergunta que deve ser feita a Jó Pereira – portanto – é: qual a posição dela em relação à visão macro que o governo possui para Alagoas? Ela aprova ou desaprova? A independência está aí. Ou seja: em saber ser independente mesmo dentro dessa situação. Caso contrário, fica parecendo que ser situação ou oposição se faz simplesmente por troca de benesses, o que é prática comum nos parlamentos, e que a única posição correta é ser “independente”.

Que o discurso da deputada estadual não seja, portanto, mera justificativa em função da forma como se deu o início da legislatura. E quem dirá isso é a história e não eu. Logo, não julgo aqui. Julgarei com o tempo devido.

Pereira tem bandeiras que independem de governo A ou B. Julgo isso importante, ainda que minha visão contrarie tais bandeiras. Digo isso ao leitor para frisar: são estas – a partir de agora – que serão a régua da coerência da parlamentar. Em outras palavras, como ela reagirá a estes pontos quando em confronto com a visão do governo, no macro e no micro, em função do seu grupo político agora voltar ao Executivo. Ser oposição ou situação não é pecado por si só. São, aliás, duas facetas importantes da democracia.

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