Blog do Vilar

Davi Davino: o discurso para os holofotes é conversa pra boi dormir…

Vinícius Firmino/Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Davi Davino

O deputado estadual Davi Davino – em texto assinado por sua assessoria de imprensa – se manifestou sobre a possibilidade de disputar o cargo de prefeito de Maceió. É importante frisar que Davi Davino é sim pré-candidato e trabalha para isso dentro de sua legenda, com algumas de suas bases eleitorais e angariando apoios entre alguns deputados estaduais.

Se isso vai se concretizar ou não, é outra história.

Agora, por meio da assessoria, adota a estratégia política do arrefecimento dos ânimos, colocando no xadrez o óbvio: ninguém é candidato de si mesmo.

Davino – cujo nome já aparece nas pesquisas (e isso não é por acaso) – é posto no release como “sendo um dos mais cotados para as eleições”. Ora, em um texto “oficial” isso já é a promoção de seu próprio nome no pleito. É legítimo da parte dele, assim como é legítimo que se leia as linhas e entrelinhas.

Davi Davino não se posiciona como candidato para se posicionar como candidato. Entenderam? Pois é. E nem precisa desenhar. São os políticos e suas estratégias… Porém, isso mostra que Davi Davino está muito bem assessorado, pois foi avisado de dois fatores: 1) os pecados da vanglória e 2) a necessidade das sandálias da humildade.

As falas de Davi Davino são cirúrgicas, pois incutem no leitor a sua presença nas pesquisas como um nome com condições de disputa e ao mesmo tempo tenta mostrar um desapego a essa história de xadrez político antecipado. Claro, o desapego aí é inexistente do ponto de vista real, mas funciona nos holofotes. Davino quer ser candidato, trabalha para isso, busca construir grupo e visibilidade, ora bolas.

Todavia, fiquei impressionado com a qualidade de sua assessoria, pois no texto até consegue destacar a preocupação do deputado com a situação das praias que foram invadidas pelas manchas de óleo. Uma preocupação real, claro. Todos os alagoanos que entendem a dimensão do problema sofrem dessa preocupação que engloba a questão ambiental e econômica. Davino tem de fato participado dessas discussões.

Ao falar de eleição, no entanto, diz ele:

“Eu acho que a Prefeitura de Maceió será discutida no próximo ano. Tenho uma gratidão muito grande pelo povo. Isso só aumenta a nossa vontade de trabalhar, a nossa responsabilidade. Eu acho que essa discussão de Prefeitura de Maceió tem que ser feita no próximo ano e a gente focar agora no nosso mandato de estadual”.

Balela! Todos os envolvidos já discutem o assunto a partir de agora, pois faz parte da vida partidária e quem silenciar vai ver o trem passar pela estação sem entrar nos vagões. O xadrez político é antecipado. É uma realidade. Davi Davino, obviamente, discute o assunto com o PP e com os possíveis apoios. Desafio alguém dizer que estou mentindo.

Ao falar da pesquisa – por vias oficiais – sem querer falar da pesquisa, Davi Davino usa de um recurso erístico que já foi explicitado e explicado pelo filósofo Arthur Schopenhauer: introduzir um assunto importante para o interlocutor de forma precisa sem que esse demonstre o quanto está querendo deixar o tema em evidência.

Não estou dizendo que o deputado sabia quem é ou leia Schopenhauer. Mas isso já é tão presente na política que se perde daquele que estudou os recursos da retórica em A Arte de Vencer o Debate Sem Precisar Ter Razão (há outras traduções para o título).

Afirmo com todas as letras: Davi Davino está sim de olho no cenário e trabalha sim para que nele esteja encaixado. O resto é o discurso que tem que ser dado aos holofotes mesmo. É da política. Tal discurso é importante, pois em sua essência também se encontra a saída honrosa caso não seja candidato. O que não se pode negar é: Davino está muito bem assessorado.

Grupo do MDB quer atrair Alfredo Gaspar para a disputa da eleição em Maceió

CadaMinuto/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Alfredo Gaspar de Mendonça

No dia de ontem, publiquei – aqui nesse blog – uma fala do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB) sobre a sucessão municipal.

Palmeira – que não pode mais ser candidato, já que está no segundo mandato – trabalha para viabilizar um nome do “ninho tucano”.

Há outras legendas em sua base que sonham com candidatura, como é o caso do PP, com o deputado estadual Davi Davino. Existe a possibilidade de aliança, evidentemente. Isso colocaria o PSDB como coadjuvante.

Agora, no que depender de Rui Palmeira, os tucanos não serão coadjuvantes – de forma alguma – do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB).

JHC é pré-candidato e possui uma boa relação política com o senador Rodrigo Cunha (PSDB), que comanda os destinos da legenda tucana. Porém, Rui Palmeira deixa claro que enxerga o parlamentar como um opositor e que não se aliará a ele. Nesse assunto, o tucano bateu o martelo.

O jornalista Edivaldo Júnior (da Gazetaweb) repercutiu as declarações de Rui Palmeira que foram dadas aqui no meu blog. Sou grato a ele pelo crédito citado e, ao mesmo tempo, o parabenizo por ter ido além.

Edivaldo Júnior trouxe a movimentação de bastidores no Palácio República dos Palmares, comandado pelo governador Renan Filho (MDB).

Renan Filho e Rui Palmeira são adversários políticos.

O governador – conforme o jornalista – trabalha para eleger o prefeito de Maceió e fortalecer o seu grupo político.

Afinal, em 2022, Renan Filho disputará o Senado Federal. Rui Palmeira – por sua vez -pretende disputar o governo do Estado. Eles estarão em palanques separados. O próprio tucano também coloca isso como martelo batido.

De acordo com Edivaldo Júnior, Renan Filho quer ter ao seu lado o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça. O procurador não fala em eleições agora. Diz que está focado no Ministério Público.

O nome de Alfredo Gaspar – conforme os bastidores – também é sondado do outro lado.

O fato é que tanto Rui Palmeira quanto Renan Filho querem chegar fortes no processo eleitoral do próximo ano, ainda que participem apenas de forma indireta.

“Não há possibilidade de aliança com o JHC. Ele é oposição”, diz Rui Palmeira

Foto: Pei Fon/ Secom Maceió Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Rui Palmeira – Prefeito de Maceió

No que depender do prefeito Rui Palmeira (PSDB), está descartada a possibilidade de uma aliança política com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) para a disputa da Prefeitura de Maceió.

Palmeira – em entrevista a este blog – destacou que pretende trabalhar para lançar um nome que seja do próprio “ninho tucano”, mas – fora dessas possibilidades – só mesmo acordos com quem o chefe do Executivo municipal enxerga como “aliado”.

JHC tem sido um dos nomes postos na disputa pela prefeitura e aparece liderando as pesquisas. Apesar da distância política de Rui Palmeira, o parlamentar tem uma proximidade – como se viu nas eleições de 2018 – com o senador Rodrigo Cunha (PSDB), que é quem comanda o “ninho tucano” em Alagoas.

Isso levanta a possibilidade do acordo PSDB-PSB.

Indagado sobre a possibilidade de um apoio a JHC diante da dificuldade de um nome tucano decolar nas pesquisas de intenção de voto, Rui Palmeira frisou que não se baliza pelos números de agora.

“Se eu fosse ligar para pesquisas com tanta antecedência, eu não seria prefeito de Maceió. Da primeira vez que fui candidato, eu não era o primeiro colocado. Da segunda vez, o ex-prefeito Cícero Almeida aparecia na frente nas pesquisas”, colocou.

Quanto a JHC, Rui Palmeira é enfático: “Não há possibilidade de aliança com o JHC. Ele é oposição”.

O prefeito de Maceió destacou – em outras palavras – que não tem confiança no deputado federal pela forma como se deu a ruptura entre eles no primeiro mandato de Palmeira.

De acordo com o prefeito, João Henrique indicou um secretário, na primeira gestão tucana, formando a base de aliança, mas passou a trabalhar para consolidar uma candidatura ao Executivo e fazer oposição mesmo estando dentro da gestão.

“Não foi legal o que ele fez. Se quisesse romper, ele poderia ter falado comigo”, diz o chefe do Executivo municipal.

Pelo visto, para Rui Palmeira foi algo imperdoável.

Sucessão

Rui Palmeira acredita ainda que o PSDB tem condições de viabilizar o próprio candidato. Ele não cita nomes, mas entre estes estão o presidente da Câmara Municipal de Maceió, Kelmann Vieira, a deputada federal Teresa Nelma e o secretário municipal Eduardo Canuto.

Ao falar de um xadrez político – que é posto nos bastidores – que aponta para a possibilidade de uma aproximação entre ele e o governador Renan Filho (MDB), já pensando em 2022, Rui Palmeira descarta também a possibilidade.

É que tem surgido a conversa de que Rui e Renan Filho poderiam se unir, já que o segundo disputaria o Senado Federal e o primeiro o governo do Estado.

“Só na cabeça de uma criança achar que os Calheiros me apoiariam para alguma coisa”, coloca ainda Rui Palmeira.

Na base de Rui Palmeira, há outros pré-candidatos à Prefeitura de Maceió, como o vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP) e o deputado estadual Davi Davino (PP).

O prefeito não cita nomes (como já dito), mas já se posiciona como um “político ativo” de forma indireta no cenário.

O tucano ainda confirmou o desejo de disputar o governo do Estado em 2022, mas salientou que é uma candidatura que não depende apenas dele. Porém, trabalhará nessa perspectiva.

Paulo Guedes: próximo grande passo será a revisão do pacto federativo

Agência Brasil Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Paulo Guedes

Depois de aprovada a Reforma da Previdência no Congresso Nacional, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi taxativo sobre a sequência do projeto do governo federal em relação à agenda econômica: o próximo passo é a revisão do pacto federativo.

Obviamente – e já disse isso em outros textos – a nova previdência não é a solução para tudo. Ela é importante em função do sistema atual ter caducado, uma vez que tem a ver com a relação direta entre ativos e inativos, que faz colapsar as contas por uma questão demográfica, independente dos casos de fraudes e corrupção que, evidentemente, só pioraram a questão.

É preciso, portanto, que a previdência esteja associada a uma série de mudanças que impacte no cenário econômico do país para que o Brasil não viva – como no passado recente – de “voos de galinha”.

É preciso também rever a carga tributária, repensar as relações de trabalho para além do já pensado, e descentralizar poder e recursos, potencializando as regiões e suas vocações naturais, diminuindo as distâncias econômicas existente entre elas.

Em outras palavras: mais dinheiro nos municípios – que é de fato onde as pessoas vivem – e menos dinheiro na União, nas mãos de decisões burocráticas cegas aos regionalismos e particularidades.

O atual pacto federativo gera uma dependência extrema e as prefeituras, em especial, acabam se tornando meras gestoras de programas federais e não se sustentam. Não é apenas a revisão do pacto que resolverá isso, mas sim um conjunto de fatores.

Além disso, depende também de como esse novo pacto é pensado. Não dá para emitir opinião agora, pois é preciso primeiro saber qual é a proposta. De acordo com Paulo Guedes, na próxima semana todos os brasileiros o conhecerão.

A revisão do pacto federativo talvez seja a mais árdua tarefa da equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro, pois são muitos os detalhes a serem pensados para que estados e municípios mais pobres não venham a sofrer, sobretudo porque o país foi criando cidades – ao longo do tempo – ao sabor das conveniências políticas e para favorecer oligarquias e redutos, sem pensar nas perspectivas econômicas futuras e na autossustentabilidade. Não é um tema fácil.

Mas Guedes se encontra absolutamente certo ao compreender que o caminho é “menos Brasília e mais Brasil”.

Cada detalhe dessa revisão precisa ser analisado com calma e prudência, assim como houve nas discussões em relação à Reforma da Previdência. Que o debate possa ser feito sem ideologizações, mas com base mesmo nas questões técnicas e nos números, para que de fato estados e cidades sejam beneficiados com a mudança.

Se o trabalho for bem-feito, isso significa mais liberdade administrativa e política para as regiões.

E aí, meus caros (as), isso acaba por desmentir de vez essa patacoada vermelhinha de que estamos em um “fascismo”. Essa gente que vive a propagar isso sequer sabe o que é fascismo. Que governo fascista descentralizaria poder, ora bolas?

O princípio do fascismo é justamente o controle de tudo por meio do Estado centralizador. É uma das características. Temos no Ministério da Economia uma construção de proposta que vai no sentido contrário, pois a liberdade econômica alcançada produz maior liberdade política e faz com que o governo federal abra mão de poder, ao descentralizar.

Tirar determinados poderes de Brasília e repensar competências favorece a democracia, assim como desaparelhar o estado com determinadas privatizações diminui os níveis de corrupção no aparelho estatal ao passo que favorece o desenvolvimento tecnológico e o consumo mais barato de bens. A telefonia volta a ser um exemplo aqui.

Agora, como não se pode privatizar de qualquer jeito, também não se pode fazer uma revisão de qualquer jeito. É quando cabe a discussão pública, transparente e argumentativa sobre os pros e contra de cada um dos pontos apresentados. Isso é a beleza da democracia.

Os profetas do apocalipse secular é que odeiam isso, pois gostam do “quanto pior, melhor” para que o caos os elevem à condição de salvadores da pátria.

Como não há governo perfeito, nem salvadores da pátria, cabe a todos nós o papel da vigilância, mas sem perder o senso de proporcionalidade e prioridade das coisas. E é prioritário que o Brasil passe por reformas estruturantes para que se consiga maior liberdade econômica e menos Estado nas costas do cidadão, que já paga muitos impostos e não possuem os serviços públicos básicos prestados a contento.

Em todos os indicadores medidos no mundo, a liberdade econômica está atrelada aos melhores índices de desenvolvimento social e econômico, ainda que não construam o utópico paraíso na terra. Quem acredita em utopias são outros, não eu.

Quem tiver dúvidas, que pesquise nas fontes sérias sobre o assunto e não nos manuais de uma filosofia que nunca deu certo em canto algum: o tal socialismo.

Até mesmo nos países nórdicos – que uma parcela da esquerda adora citar como exemplo – o que tem sustentado o chamado “Estado de bem-estar social” é a economia livre (e agora com um certo grau de liberdade) que o antecedeu. É a história, meus caros e caras. É a história.

Quanto ao pacto federativo, eis aqui uma discussão que também tem história no Brasil. No período imperial, por exemplo, a revisão desse pacto já era defendida – para ser ter ideia – pelo alagoano Aureliano Cândido Tavares Bastos quando ocupou o posto de deputado (correspondente ao deputado federal de hoje em dia) e foi uma das vozes precursoras de maior liberdade nesse país, abraçando a bandeira do abolicionismo, da educação universal e da integração nacional, como quando abordou – de forma pioneira – a necessidade do desenvolvimento da região Norte por meio do estímulo da navegação para que não se tornasse um país a parte.

A discussão sobre o pacto federativo em Tavares Bastos está na sua mais famosa obra que, infelizmente, se encontra esgotada nas prateleiras das livrarias brasileiras: A Província.

No século XX, surgiu uma voz crítica a Bastos e a sua proposta de federalismo, abrindo novamente a discussão: trata-se de João Camilo de Oliveira Torres. Todavia, em A História das Ideias Revolucionárias no Brasil (publicado pela editora da Câmara dos Deputados), Torres salienta a necessidade da descentralização, sendo esse – portanto – um ponto em comum com o alagoano Tavares Bastos.

No próprio império – na regência de D. Pedro II – essa discussão se fez presente e seria uma das etapas da regência que não houve: a da Princesa Isabel. Com a Proclamação da República (na realidade um golpe) isso volta a cena em 1891, mesmo sendo um debate entre positivistas. Porém, tivemos períodos de centralização posteriores, como a concentração de poder no Estado Novo e no regime militar, assim como na própria Constituição de 1988. Em que pese avanços, tivemos uma carta de promessas que enxergou o Estado de maneira paternalista também.

Estamos diante de uma discussão histórica e profunda. Que ela – agora – seja travada com bastante racionalidade e com os ânimos voltados ao bem do país. Que consigamos, enfim, mais Brasil e menos Brasília. Não nego: torço por isso.

O exemplo de Tarcísio Gomes: uma entrevista exemplar de alguém em importante cargo

É inegável que o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) enfrenta crises (por vezes provocadas por declarações infelizes do próprio chefe do Executivo) desnecessárias, quando poderia estar, do ponto de vista da comunicação, trabalhando melhor os resultados positivos que tem conquistado, como os dados da macroeconomia, a recuperação da arrecadação, a redução dos números da violência, o trabalho do ministério dos Transportes, dentre outros pontos.

Há, evidentemente, um ranço ideológico por uma significativa parcela da imprensa que enxerga o governo pela óptica progressista e “analisa” os problemas sem o senso de proporcionalidade devido. É preciso que haja o senso de proporcionalidade diante das coisas e – a partir disso – todo governo pode ser (e deve ser) alvo de críticas.

Uma dessas, por exemplo, é a permanência do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Não me agrada ter no primeiro escalão alguém indiciado pela Polícia Federal pelo uso de laranjas em campanha eleitoral.

Não é prejulgamento, pois Marcelo Álvaro tem – como qualquer brasileiro – o direito ao amplo contraditório. Mas, na política, determinadas denúncias possuem seus reflexos. Afastá-lo do cargo seria dizer: que se investigue e se puna se culpado; ou se inocente, caso absolvido. E aí, pode até voltar a função. Simples assim.

As confusões do PSL também são lamentáveis. No meio delas, uma série de memes que parecem oriundas do ginasial. Como piada funcionam e o humor é fundamental. Porém, é complicado quando isso passa a ser o mais importante na “infowar”.

Então, mesmo eu defendendo uma visão de mundo que se encaixa à direita (e democraticamente isso é meu direito), tenho sim críticas pontuais a esse governo.

Todavia, reconheço que muito tem sido feito, como por exemplo, na agenda econômica em que se pensa no saneamento das contas públicas, na redução do poder coercitivo da máquina estatal, na revisão do pacto federativo e na redução da carga tributária.

Espero que isso tudo ocorra, pois é o esperado e cada passo nesse sentido encontra resposta por parte do mercado, como ocorreu ontem com a bolsa de valores: mais um recorde batido.

Os dados macroeconômicos começam a chegar no “micro” com a recuperação – ainda que lenta – dos postos de trabalho. É demonstrado um controle sobre a inflação, o que também é positivo. Além disso, não vemos – pelo menos até aqui – os grandes escândalos de corrupção do passado, onde essa ferramenta nociva era usada como parte da estratégia de manutenção do poder.

Tudo isso – repito - me faz aplicar o senso de proporcionalidade ao criticar o atual governo, pois ainda lembro muito bem do que governantes fizeram “no verão passado”, sobretudo o PT e seus quadrilheiros com mensalões e petrolões da vida.

Dito isto, eis que no meio das turbulências, uma entrevista concedida por um membro do alto escalão do governo – o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas – dá o exemplo, na prática, do que é se comunicar de forma transparente, lúcida, pensada, refletida e pensando no país.

Ele faz isso sem esquecer de como chegou ao local onde se encontra, citando o compromisso do presidente com a visão técnica prevalecendo na pasta.

Tarcísio Gomes não possui um ministério fácil, pois há muito o que fazer nesse país. Em quatro anos, obviamente, ele não conseguirá fazer tudo, mas – no ritmo em que está indo – deixará sua contribuição.

Gomes tem trabalhado para desburocratizar, acelerar obras importantes e dar continuidade ao que houve de positivo no passado, em que pese os “esquemões” antigos com empreiteiras a cada quilômetro construído. Hábito que foi mudado.

No final do primeiro semestre, o ministro já havia apresentado um balanço de suas ações na pasta. Falou dos números positivos em relação às rodovias, concessões, obras e mostrou tudo dentro de um planejamento sustentável, com etapas que continham início, meio e fim. Quem tiver dúvidas, pode pesquisar sobre isso no site do ministério.

Acompanho esses dados e digo: é um dos melhores nomes que já passaram pela pasta.

Na entrevista recente, ao jornalista Pedro Bial, Tarcísio Gomes não se deixou levar por discussões políticas, soube ser educado, mas incisivo e claro para com o ouvinte. Demonstrou não ter sido picado pela mosca azul ao afirmar que não pensa em carreira política (o que seria legítimo, pois tem se habilitado para isso diante do trabalho realizado).

Ao ser indagado sobre o assunto, respondeu: “não traço (carreira política). Eu cheguei em um lugar que eu nunca imaginei que eu fosse chegar. Realmente, isso só foi possível porque o Bolsonaro chegou ao poder e ele resolveu romper com todos os paradigmas. Porque se fosse outro cara, teriam indicado de algum partido político lá e não seria o meu perfil. Com toda certeza, eu não teria nunca espaço em um governo. Então, o que está acontecendo na minha vida já é muito maravilhoso. Estou tendo uma oportunidade de ouro, né? Eu quero aproveitar essa oportunidade para fazer o melhor. Tem um país que precisa de infraestrutura, têm pessoas que sofrem por falta de infraestrutura, tem vidas que são ceifadas e a gente tem que fazer o melhor para dar infraestrutura para essas pessoas. E eu vou aproveitar essa oportunidade com unhas e dentes, com a minha equipe que está extremamente motiva para fazer (…) Quando chegar no final da jornada, quero só dizer: ‘não vivemos em vão’”.

Tarcísio Gomes ainda pontou que governos e ministérios possuem prazos de validade. Ninguém é ministro, presidente, deputado, senador etc para sempre. É um cargo onde se encontra. Infelizmente, no Brasil – e em outros cantos do mundo também – todos querem se perpetuar e muitos se vendem como salvadores da pátria, pais dos pobres, dentre outros rótulos autoatribuídos do populismo.

Sem se prender a ideologizações, Gomes ressaltou a importância de olhar para as coisas de maneira técnica, com respeito à realidade, “para tocar as coisas como precisam ser tocadas”.

É uma entrevista, caro (a) leitor (a), que merece ser assistida com atenção. Creio ser esta a melhor entrevista concedida por um ministro do governo de Bolsonaro, incluindo as entrevistas do presidente.

Por sinal, os próprios membros do governo deveriam assisti-la com atenção. As coisas que Gomes pontua – sem aspirações vaidosas e com bastante simplicidade – conquista a confiança de quem quer o bem do país.

Em geral, nós jornalistas (e assim tem que ser), somos severamente críticos ao acompanhar os fatos e denunciar o que anda errado. Isso deve ser feito, com responsabilidade e com a noção do compromisso com a verdade. Mas, seria covardia não pontuar, no meio de tantas brigas sem sentido e por coisas tão desimportantes para a população, a sobriedade de Tarcísio Gomes ao falar da missão que lhe foi confiada. Torço para que o ministro não se perca no caminho e concretize tudo o que tem planejado, pois no campo das ideias, ele trilha o caminho certo.

Escravidão: a boa obra de Laurentino Gomes para compreender nossas raízes

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Sempre acreditei que um dos graves problemas desse país é o não conhecimento da própria história, das próprias raízes e de como os fatos foram se sucedendo no Brasil até os dias atuais. Não raro, a maioria dos estudantes do Ensino Médio – e eu fui um deles – deixa a sala de aula com informações desencontradas por conta de perspectivas ideológicas seculares que são postas sobre os fatos históricos.

Assim, por exemplo, se criou mitos ao sabor da conveniência do momento em diversos períodos do país. É o caso de Tiradentes, que foi remodelado para se tornar um herói da República ou da forma como republicanos positivistas – no final do século XIX e início do século XX – apagaram os feitos da monarquia. Um exemplo ridículo foi a explicação criada para as cores da bandeira nacional, como o amarelo do ouro, o verde das matas etc. Não mais se falava que as cores ali presentes se devem às casas reais.

A Era Vargas também passou por isso. Assim como o período militar, dentre outros. Então, todas as vezes que me deparo com uma obra que, sem ideologização e preocupada em reestabelecer os fatos, abre espaço para análises e a compreensão de nossa formação, sinto-me na obrigação de indicá-la. Falo aqui da obra Escravidão (que será uma trilogia e o primeiro volume já foi lançado) do jornalista Laurentino Gomes.

Gomes já prestou um grande serviço ao país com a sua trilogia 1808, 1822 e 1889. São três livros que mostram muito bem o período colonial, a independência e a proclamação da República, com suas dores e seus feitos. Agora, o autor ataca no que de fato é uma chaga aberta: o período da escravidão no país. Por sinal, uma chaga da humanidade combatida por grandes homens, como o alagoano Aureliano Cândido Tavares Bastos, que foi um dos precursores do abolicionismo em terras brasileiras.

Há feridas abertas ainda por conta desse processo. O racismo – essa ignorância de alguns – é um desses males e toda forma de preconceito injustificado deve ser sempre combatida de forma séria e punida de maneira exemplar por força de lei. O ser humano precisa ser respeitado e ter sua dignidade reconhecida simplesmente por ser humano.

Ao abordar o tema, Laurentino Gomes apresenta um panorama histórico que revela as origens do problema, como a própria escravidão exercida no continente africano, a antecedência em território muçulmano, a exploração europeia, a questão da Crimeia, em que a escravidão não se importava com etnia até chegar no nefasto mercado dos navios negreiros. Apresenta feridas abertas, como depoimentos de chefes de Estado buscando reconciliação com seu próprio povo, por ancestrais terem vendido sua própria gente.

Há aspectos dolorosos no livro, como perceber a dimensão da maldade humana ao sufocar a liberdade alheia de forma inimaginável, como antigos costumes tribais em que – diante da morte do rei – escravos eram decapitados em cerimônias bizarras.

É preciso sim que tenhamos conhecimento desse passado. É dessa forma que teremos uma melhor noção de presente e pensaremos melhor no futuro, construindo uma sociedade que aprenda a ter valores sólidos, dentre eles, o respeito ao próximo, à vida, à liberdade, ao humano, sabendo que esse é capaz de construir coisas belas e produzir tragédias que deixam profundas cicatrizes na humanidade.

Sem o passado, é muito fácil instrumentalizar sentimentos e causas justas para a politização ideológica de tudo e todos. Promove-se assim mais conflitos que real justiça. Promove-se assim extremismos de tudo que é lado, onde as narrativas superam os fatos ao sabor das circunstâncias de momento.

Não sei – e nem me interessa – a visão política de Laurentino Gomes. Em épocas, onde todo mundo coloca todo mundo dentro de uma caixinha para definir os outros por rótulos, creio que seja importante irmos para além disso. Gomes – em um dos capítulos – critica o revisionismo histórico com interesses ocultos (não com essas palavras) e eu comungo com a visão dele.

Estudar a História é buscar saber o que de fato ocorreu. Infelizmente, no Brasil e em muitos outros cantos do mundo, houve um sofrimento terrível por parte de uma população que foi retirada à força de seu local, separada dos seus, humilhada, sujeita à morte e vista como propriedade de alguém. É algo hediondo.

É impossível não ter empatia com as vítimas desse passado. É justamente por isso que me revolta quando pessoas são “coletivizadas” ao sabor das ideologias que se apropriam das causas para falsamente dizer que lutam por justiça, quando – na realidade – tentam se aproveitar dos outros.

Tenho uma admiração profunda pelos verdadeiros abolicionistas, como Tavares Bastos e outros, por ser um apaixonado da causa da liberdade, por enxergar todo e qualquer ser humano como um igual, por entender que só há justiça dentro de uma sólida compreensão de valores que apontem para uma moralidade objetiva, pois nem tudo está em uma lei.

E a lei – como ensina Bastiat – carece dessa moralidade para ser justa, para preserva o indivíduo – independente de classe, etnia ou orientação sexual – de poderes coercitivos tirânicos.

Os fatos narrados por Laurentino Gomes mostra que a humanidade sempre flertou com a tirania. Por sinal, outro autor, o cientista político Waller R. Newell, que é especialistas nas histórias das tiranias no mundo, mostra bem o quanto esse sentimento de domínio sobre o outro produziu consequências diferentes no mundo, mas todas igualmente nefastas.

Tanto é assim que Newell – na obra Tiranos – divide as tiranias em três modelos ao longo da História. Os primeiros tiranos eram meio que tribais e impuseram microcosmos de domínio às suas populações. Depois, há os expansionistas que buscavam conquistar tudo a sua volta com suas visões de mundo. No século XX, insuflados por ideologias seculares que beberam na Revolução Francesa, prometiam o paraíso na terra e a fundação do novo homem para tornar populações inteiras escravas de seus desejos utópicos.

Essa coisa de enxergar o mundo entre “nós e eles” faz com que alguns enxerguem o outro como alguém sujeito a tudo. Laurentino Gomes resgata a humanidade no homem ao mostrar nossas raízes e o quanto devemos aprender com elas para não cometermos os mesmos erros, para aprendermos a ter empatia sincera, pois – como dito por Hermann Hesse na obra Demian – é muito fácil amar a humanidade em abstrato sem amar o homem em sentido concreto.

Laurentino Gomes traz uma obra que merece ser lida. Não há nela ranço político. Há sim o desejo de nos colocar diante de um espelho para percebermos as atrocidades cometidas por civilizações em nome do progresso e de outros mitos. Há lá as razões pelas quais devemos nos insurgir contra todo e qualquer autoritarismo, contra toda e qualquer injustiça, contra o preconceito injustificado, contra a politização e ideologização da História, além da compreensão da nossa igualdade enquanto seres humanos, que é diferente a igualdade forçada do ponto de vista materialista revolucionário.

Por fim, uma obra que ressalta a importância da LIBERDADE.

Rui Palmeira revela o desejo de ser candidato ao governo em 2022

Foto: Cristovão Santos / Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB)

Em entrevista ao jornalista Ricardo Mota, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), destacou que será candidato ao governo do Estado de Alagoas em 2022.

Bem, ainda é muito cedo para qualquer análise nesse sentido, pois a História mostra que ninguém é candidato de si mesmo e, no curso dos acontecimentos imprevisíveis, entra em cena uma série de acordos, compactuações, cenários possíveis etc. Todavia, há sim o que dizer...

Rui Palmeira é um nome que tem sua capilaridade eleitoral? Sim. As pesquisas de opinião mostram que possui uma administração com considerável índice de aprovação.

Em 2020, será um importante cabo eleitoral na disputa pela Prefeitura Municipal de Maceió e trabalha para fazer um sucessor. Todavia, o tucano tem desafios. Um deles é o próprio PSDB.

O “ninho tucano” vem de uma queda livre. Nas eleições de 2018, o partido foi um mero coadjuvante em um processo eleitoral no qual o principal rival político de Palmeira, o governador Renan Filho (MDB), nadou de braçadas.

O erro de Rui Palmeira não foi ter deixado de ser candidato e optado por seguir no comando da Prefeitura Municipal, mas sim fazer isso de forma a desarticular a oposição.

Rui Palmeira foi – ali – um coveiro da própria legenda. Com a oposição desarticulada, o PP assumiu o compromisso com duas prioridades: eleger Arthur Lira para a Câmara dos Deputados (o que se concretizou) e garantir a vitória do ex-senador Benedito de Lira, que não veio.

A disputa pelo governo foi um fiasco. Parte da coligação não aceitou o nome do senador Fernando Collor de Mello (PROS), que acabou desistindo do processo. Coube ao ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna encará a árdua missão com chances mínimas.

O tucano perdeu o apoio do PR e do PDT. Praticamente não se envolveu com o processo eleitoral e tem dado ao mandato de prefeito uma continuação tímida. Rui Palmeira se tornou uma esfinge. O controle do PSDB passou para as mãos do senador Rodrigo Cunha (PSDB), que não é conhecido por ser um exímio articulador.

Dentro do tucanato, há nomes históricos, mas que não possuem – conforme a pesquisa – capilaridade para uma eleição municipal em Maceió. Isso torna difícil a missão de Palmeira de encontrar um candidato dentro do PSDB combalido. Tal fato faz com que aumentem as chances de uma composição com o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), ou até mesmo com outros nomes de seu grupo, como os pepistas.

E claro: as chances de Rui Palmeira para o futuro passam também pela disputa de agora, na qual se capitalizará ou não.

Mas, como em Alagoas, oposição e situação não possuem grandes diferenças a não ser o lado do palanque, não é de se assustar que – em 2022 – um acordo amplo, já que o governador Renan Filho está de olho no Senado Federal, acabe por garantir para Rui Palmeira os espaços que ele mesmo foi entregando, perdendo ao ficar mais afastado do xadrez político. Eu não duvido disso. Quem hoje briga, amanhã pode estar abraçado.

O fato é que Rui Palmeira não jogou a toalha. Sendo ele um nome no jogo que cada vez mais se antecipa, não pode ser descartado, pois tem sua relevância. Agora, tem também os desafios, incluindo aí dois anos distante dos cargos públicos. Além disso, se houver outros nomes interessados, ao se antecipar dessa forma – o que não é uma de suas características – o prefeito de Maceió também passa a virar alvo.

Flávio Moreno: “Sou favorável à harmonia e os ajustes necessários no PSL. Meus inimigos são a esquerda”

Foto: Cada Minuto / Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Flávio Moreno

Muito dificilmente haverá uma recomposição entre as “partes” do PSL. A crise que envolveu a Executiva nacional do partido faz com que cada um dos envolvidos apresentem versões que se confrontam e estão repletas de acusações. São muitas feridas abertas para se curar ou cicatrizar tão rápido.

As declarações são cada vez mais incisivas, apontando traidores e acusações contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que chegou a ser chamado de “vagabundo” pelo deputado federal e líder da sigla na Câmara dos Deputados, delegado Waldir. O que se esperava da oposição veio de dentro de casa. Se um líder do partido chega a esse ponto, é óbvio: ele não pode ser mais líder.

Os reflexos serão muitos e inesperados.

Todavia, como já disse em outros textos, haverá sim impacto no cenário eleitoral de 2020 entre os pré-candidatos do PSL. Afinal, o maior “cabo eleitoral” desses ainda é o presidente Bolsonaro. É válido lembrar que, apesar das crises e do ranço ideológico por parte da imprensa, o governo federal tem sim dados positivos a serem explorados em um pleito eleitoral, como – por exemplo – os dados macroeconômicos e a redução da criminalidade em todo o país.

Por sinal, os escândalos de agora – por mais que estampem manchetes – estão longe de serem os mensalões e os petrolões da vida. Quem tiver olhos, que veja. É só aplicar sobre os fatos o chamado senso de proporcionalidade. Isso não quer dizer que a direita não deva ser criticada. Deve sim. A crise provocada no PSL atrapalha a agenda de país e a culpa é de parcela da direita que acaba sendo sua pior oposição, sem necessitar da ajuda de PT, PCdoB, PSOL etc.

Em alguns momentos, o próprio Bolsonaro pode ser responsabilizado pelas polêmicas vazias que levanta e acabam sendo jogadas no holofote como se fossem o mais importante do governo, quando não é.

Diante disso, como uma eleição bate à porta, as executivas estaduais do partido buscam o impossível: o melhor dos dois mundos. Manter a legenda preservada das discussões nacionais e ainda assim se apoiar na imagem do presidente Bolsonaro. Não é um cálculo fácil. A meu ver, é o que busca fazer o dirigente partidário Flávio Moreno em Alagoas.

Moreno foi candidato ao Senado Federal no ano passado. Em 2020, terá – como já tem - pretensões de disputar um dos cargos em jogo. É legítimo.

Ao comentar os episódios recentes envolvendo o PSL, Moreno se coloca como um defensor de Bolsonaro e insiste no discurso de “união”. Para ele, a disputa interna é um risco para a ascensão da esquerda e o “travamento de importantes pautas legislativas”. Na prática, se posiciona de forma a estar dos dois lados, ainda que não queira.

O erro do dirigente estadual é acreditar – se é que acredita de fato! - que o partido precisa apenas de ajustes. Não! O PSL precisa é ser passado a limpo. Bolsonaro cobrou maior transparência da legenda em relação a aplicação de recursos, ficou claro que há sim uma disputa em quando a perspectiva do Fundo Eleitoral, que não há agenda programática acima de alguns interesses pessoais, foca o caso dos laranjas que envolvem – nas investigações – o deputado federal Luciano Bivar.

Esse “passar a limpo” trará mais coisas para a luz do sol...

Isso não são meros “ajustes”. Quem votou em Bolsonaro – e de fato se posiciona contra a roubalheira que tomou conta do país no passado, dentro de um esquema de corrupção monstruoso que tomou conta do poder – cobra que esses pontos sejam esclarecidos. O presidente não esconde sua irritação com a legenda, com Bivar em especial, e o desejo de uma nova sigla, seja outro partido ou o próprio PSL. Em outras palavras, há sim a possibilidade do presidente mudar de legenda e com isso a divisão se ampliar.

Isso não são ajustes, repito.

Não se resolve com o discurso de “unir a direita”. Não dá para apagar o que já foi dito e discutido. Flávio Moreno afirma que continuará no PSL. Está certo, por enquanto. Afinal, não se toma decisões de forma precipitada sem o total conhecimento dos fatos. O próprio presidente Bolsonaro segue na sigla.

Todavia, no ritmo dos acontecimentos, ele vai se deparar com uma encruzilhada que lhe cobrará optar por um lado, mesmo o PSL de Alagoas estando distante da crise nacional.

Moreno diz que a sigla – no Estado – não recebeu fundo partidário, a maior parte do trabalho tem sido voluntário. Destaca a formação dos diretórios municipais e dos pré-candidatos. De acordo com ele, são 21 candidaturas às prefeituras e 400 às câmaras municipais.

Um ponto positivo do discurso de Moreno é também exigir transparência. “De 7 contas pendentes deixadas por administrações anteriores do PSL já resolvi 5. Tudo isso, sem verba partidária. Já visitei todas regiões do Estado em defesa de Bolsonaro. Todos queremos transparência”.

Mas, falta responder – e uma hora terá que fazer isso – a uma pergunta básica: em sua visão, quem tem razão: o lado de Bivar ou o de Bolsonaro? É para essa resposta que todos os que estão no PSL vão sendo empurrados, sem espaço para o meio-termo. A posição adotada refletirá no processo eleitoral de todo o país. Não se duvide disso.

É por essa razão que disse que o deputado estadual Cabo Bebeto foi muito mais certeiro ao afirmar sua posição.

 

Por enquanto, diz Moreno que: “Bolsonaro e seus filhos continuam no PSL. Ele já disse que continua no partido. Precisamos frear os ânimos. O Brasil não pode parar por conta dessa disputa. O PSL é o partido que garante 98% dos votos ao presidente nas votações no Congresso, o partido mais leal e fiel em âmbito nacional e nos Estados. Disputas existirão. O povo precisa frear na litigância. Leis precisam ser aprovadas, projetos precisam avançar, tanta coisa boa ocorrendo, mais de 157 mil empregos criados em setembro, décimo terceiro do Bolsa Família sendo pago em dezembro, nova previdência sendo aprovada, menor taxa de juros da história, redução da criminalidade, etc”.

 

E complementa: “Sou favorável à harmonia e os ajustes necessários no PSL. Meus inimigos são a esquerda. E acredito que ocorrerá harmonia, entre os aliados de sempre. Nossa guerra é contra a esquerda e os corruptos de sempre que estão rindo, junto com centrão dessa discórdia. Inclusive já dei minha humilde sugestão ao Presidente Bolsonaro e ao presidente nacional do partido, das ações necessárias. Continuo sendo defensor incondicional da minha instituição PF e do Governo Bolsonaro. Trabalho para construir a direita, a defesa do Governo Bolsonaro, o PSL e não destruir. Não sou defensor por ocasião do Bolsonaro, o faço diariamente”.

 

Eu desconfio que a harmonia que Moreno defende não chegará tão cedo…

Cabo Bebeto diante da crise no PSL: “Estou com o nosso presidente Bolsonaro”

Vinícius Firmino/Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Cabo Bebeto

O PSL – partido do presidente Jair Bolsonaro – vive um momento difícil. Há, nos bastidores, uma disputa por poder dentro da legenda. Apesar de a batalha se concentrar em Brasília e envolverem os membros da bancada federal, há os desdobramentos nas Executivas estaduais e municipais da agremiação, ainda mais quando uma eleição bate à porta, em 2020.

Os pré-candidatos do PSL sabem que precisam de uma legenda, mas, ao mesmo tempo, possuem na imagem do presidente Bolsonaro (que possui forte capilaridade eleitoral, independente das opiniões que se tenha sobre ele) o principal “cabo eleitoral”.

É uma encruzilhada que faz nascer posições dúbias para se ter um pé em cada canoa.

No entanto, é mérito de um político quando – diante desses momentos – assume uma postura definitiva e bate o martelo, pois sabe que será julgado pela opinião pública em função da posição adotada.

E aí, o julgamento é com o cidadão, com o eleitor.

Todavia, assumir a postura e deixá-la clara é um ponto positivo, pois permite que esse mesmo político seja analisado com mais clareza, sabendo-se exatamente o que ele pensa. Assim, se concorda ou se discorda de alguém...

Dito isso, lembro ao leitor que já tive embate – no campo das ideias – com o deputado estadual cabo Bebeto (PSL) por criticar publicamente um de seus projetos de lei. Isso fez com que o deputado estadual, tempo depois, se negasse a me dar entrevistas por achar que eu fui injusto com ele. É um direito dele!

Na época, registrei apenas o seguinte: seguiria criticando quando achasse que ele errou, bem como elogiando quando acreditasse que merece. Faria isso com base em valores previamente assumidos e que sempre os deixei claros para o meu leitor. Pouco me importa o que o Cabo Bebeto pensa ou não disso!

Agora, portanto, independente de qualquer coisa, elogio a posição tomada pelo cabo Bebeto. Ele fez o certo!

Sem citar o PSL, em suas redes sociais, ele foi enfático: “Estou com o nosso presidente Bolsonaro”. Em outras palavras, não está ao lado do deputado federal e comandante máximo da legenda, Luciano Bívar.

Não é posição fácil, pois também traz desgastes, uma vez que Bívar – conforme informações de bastidores – tenta puxar todo o comando da legenda para si.

O mais natural, para quem não está envolvido diretamente, seria ser dúbio, esperar a tempestade passar e depois avaliar as circunstâncias, pois há muitos que se fingem de morto nesse momento para não serem cobrados.

Cabo Bebeto, ao contrário, adotou a postura única e deve servir de exemplo – dentro do PSL – para quem tem uma visão ou outra do assunto. Que se assumam! Estão de que lado nessa crise que envolve a legenda?

Cabo Bebeto optou por uma definição sem subterfúgio, as claras, e assim será avaliado por seus eleitores e por todos os demais que estão acompanhando esse momento, em que a direita briga internamente e acaba por expor e dificultar muito mais o governo do que muitos dos opositores de Bolsonaro.

O deputado estadual alagoano ainda complementa em suas redes sociais: “estou com você, presidente, e peço aos deputados federais, que se elegeram, assim como eu, com a força do Bolsonaro, que o apoiem nesse momento e honrem por quem está lutando em busca de um país melhor”.

Dessa declaração, destaco um ponto: Cabo Bebeto acerta quando diz que muitos se elegeram – inclusive ele – com a força de Bolsonaro e o sentimento que tomou conta das eleições de 2018.

Claro que esse não é o único fator, pois Bebeto também possui um público eleitor dele, em função da categoria que representa, mas ter estado ao lado de Bolsonaro foi fundamental para seu êxito.

Então, o deputado acerta na leitura da realidade tal qual como ela é.

Quanto ao juízo de valor sobre o governo em si, eu tenho o meu: apoio alguns pontos e critico outros. O leitor que me acompanha sabe disso. Mas, é um julgamento que cabe a cada cidadão. No mais, repito: ponto positivo para o Cabo Bebeto.

Deputados trabalham em frente para revogação de leis inúteis ou burocratizantes

Assessoria Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputada Cibele Moura

Não sei se a ideia prosperará ou não. Afinal, já foi tentada outra vez na Casa de Tavares Bastos – pelo ex-deputado estadual e atual senador da República, Rodrigo Cunha (PSDB) – mas não obteve muita efetividade. Porém, pode ser sim uma boa iniciativa a de vasculhar os arquivos do parlamento estadual para revogar legislações que são inúteis ou meramente burocratizantes na vida do cidadão.

Além do benefício da extinção de normas que só atrapalham, há – nessa ação – o caráter educativo em relação a função do parlamentar. Ainda há, nesse país, o inconsciente coletivo que acredita que o bom deputado estadual é aquele que vive a propor leis, sem entender que isso acaba por inflar a máquina pública, ser um instrumento inflacionário – pois algumas impactam custos econômicos – e ampliar o poder coercitivo estatal.

O escritor e cientista-político Bruno Garschagen mostra muito bem isso em duas obras: Pare de Acreditar no Governo e Direitos Máximos, Deveres Mínimos. Por vezes, o Estado se comporta como uma babá ou um empresário, estrangulando – pelo excesso de legislação – a livre iniciativa, penalizando o êxito individual e não compreendendo que a geração de riquezas a serem distribuídas vem do setor produtivo, da inovação e do espírito empreendedor.

O Estado deveria se posicionar mais como um facilitador. A redução desse é para que não atue naquilo que não lhe compete, para que assim possa focar mais energia, esforços e recursos em prestação de serviços essenciais.

Com mais tempo e dinheiro, esses passariam a custar menos e serem melhor entregues, ainda que seja pensado aí a atuação na Segurança Pública, na Assistência Social e até mesmo Educação e Saúde, dentro de uma mudança de paradigma gradativa.

Por essa razão, os deputados estaduais Davi Maia (Democratas), Cibele Moura (PSDB) e Bruno Toledo (PROS) – que são os que pretendem agir nesse sentido – podem contribuir bastante com essa discussão.

Moura e Maia me confirmaram que esse pensamento já se encontra em andamento e que pretendem dividir as tarefas por gabinete, separando os anos passados que devem ser vasculhados em busca dessas legislações. Que se articulem para isso.

Agora, uma coisa me chamou atenção ao conversar com Cibele Moura. Ela me disse que a grande dificuldade tem sido o fato da Assembleia Legislativa de Alagoas sequer ter de forma organizada e digitalizada – isso em pleno final da década de 2020 – o conjunto de leis aprovadas.

Em outras palavras, existe tanta legislação produzida ao longo da história do parlamento estadual que sequer o próprio parlamento conhece. Imaginem então o que isso representa para o cidadão, ao qual não é dado (e assim tem que ser!) o direito de desconhecer as leis.

Como apoiei aqui – em passado recente – a iniciativa do ex-deputado Rodrigo Cunha, quando ele apresentou projeto nesse sentido, passo a apoiar a iniciativa desses parlamentares. Mas, não apenas apoiar. Cobrei de Cunha e lamentei que a coisa não tivesse tido a efetividade posta na promessa, então passo a cobrá-los e acompanhá-los também quanto a isso. É que – desta vez – o trio se apoia em uma concepção do liberalismo clássico. Em que pese eu ter divergências com liberais, reconheço o que considero acertos.

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