Blog do Vilar

A política dá voltas: o PSL agora cai, por tabela, no colo de Arthur Lira do Centrão

Agência Câmara Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputado Arthur Lira

Há um bloco político no Congresso Nacional que foi definido como “Centrão”. O motivo? Sua ausência de identificação com qualquer corrente ideológica e o pragmatismo das negociações para aprovação de matéria com interesses nublados, além de seus componentes fisiológicos. Um dos nomes que são postos como de alta relevância nesse bloco é o deputado federal Arthur Lira (PP).

No início de 2019, esse bloco era visto com a dor de cabeça do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na época, Bolsonaro estava no PSL. Houve o rompimento e a divisão do PSL em duas alas: os bolsonaritas e os bivaristas, em referência ao também deputado federal Luciano Bivar (PSL).

Em Alagoas, apesar do rompimento nacional, o dirigente estadual Flávio Moreno continuou se afirmando como um apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Outro membro do PSL de destaque na Terra dos Marechais é o deputado estadual Cabo Bebeto, que só permaneceu na agremiação para não perder o mandato, uma vez que não conseguiu – por meio de tentativa de acordo com Moreno – ser expulso.

Bebeto disse isso abertamente e trabalha pela consolidação do Aliança Pelo Brasil. Aliás, só não se encontra na disputa pela Prefeitura de Maceió porque o novo partido de Jair Bolsonaro não conseguiu se consolidar para o atual pleito de agora.

A política deu voltas e, diante do quadro da disputa pela Prefeitura de Maceió, o PSL tomou uma posição que elimina a possibilidade de Moreno concorrer ao cargo majoritário. Ele passa a mirar – conforme bastidores – em uma das cadeiras da Câmara Municipal da capital alagoana.

O PSL passa, portanto, a apoiar a pré-candidatura a prefeito do deputado estadual Davi Davino (PP), que é do grupo político de Arthur Lira e do ex-senador Benedito de Lira. Com isso, Davino consegue aglutinar quatro partidos ao redor dele: o PSL, o próprio PP, o Solidariedade e o PRB.

Informações de bastidores dão conta de que o destino do PSL em Maceió foi decidido em Brasília (DF) e pode ficar sob o comando do presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, o deputado Marcelo Victor (Solidariedade).

Davi Davino não fala sobre como se deu o acordo, mas confirma a presença do PSL na chapa: “O PSL agora faz parte do nosso grupo”, pontou em entrevista ao CadaMinuto. O PRB – que também se encontra nessa prévia coligação – tem um deputado federal alagoano: Severino Pessoa.

Davino deve assumir publicamente a candidatura depois que for eleito o presidente municipal do PP em Maceió. Enquanto isso, faz charminho como se outros nomes existissem para a missão.

Portanto, pelo menos em Alagoas, o PSL estreita as relações com um nome do Centrão.

Há pontos positivos no projeto aprovado na Casa em relação ao MPE. Mas, existe cortina de fumaça maior que o silêncio, senhores deputados?

Foto: Thiago Davino /CadaMinuto/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Assembleia Legislativa de Alagoas

Sendo eu cristão e sabedor de que a quem muito é dado, muitos mais é cobrado, sei que há padres que mesmo se comprometendo com Jesus Cristo não honram com o compromisso assumido com o que os transcende. Por qual razão, então, acreditaria eu que, nos ambientes seculares, todos os membros de uma determinada instituição honrariam sempre com os votos seculares assumidos? Ora, meu ceticismo não permite tal coisa.

Portanto, há sim o que questionar entre promotores, deputados estaduais, juízes, jornalistas e por aí vai… é dever de ofício e da consciência.

Assim sendo, quando critiquei a forma como a Assembleia Legislativa – por maioria dos pares – apreciou as emendas ao Projeto de Lei Complementar da Lei Orgânica do Ministério Público, não estou passando um atestado de que de um lado há os vilões e do outro os mocinhos, em que pese o parlamento estadual fazer questão de dar exemplos de vilanias em sua história, mas isso é outro papo.

Sei, dessa forma, que há os que discordam de mim, mas o fazem com base na honestidade intelectual do debate que se trava no campo das ideias.

Fui contrário (e continuo sendo, apesar da aprovação pela Casa de Tavares Bastos) da emenda que modifica a estrutura dos grupos de trabalho, como o de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, por achar desnecessária, uma vez que isso pode ser regido pela própria Lei Orgânica e os limites estabelecidos pelo que é posto, em Constituição e nos códigos brasileiros, sobre as garantias individuais.

Há os mecanismos para barrar o abuso de autoridade e o MP tem sim seus abusos, assim como há promotores que se sentem no Olimpo e distribuem tiros em caixa de som, por exemplo, que cometeu o imperdoável crime de fazer barulho. Que crime bárbaro que transforma um promotor em advogado, juiz e carrasco… não é mesmo?

Havendo, portanto, leis postas, o poder que o parlamento puxa para si acaba por fazer com que o Legislativo possa interferir diretamente nas prerrogativas desses grupos e só os aprove conforme queiram os deputados estaduais. Há o risco de se cometer um outro abuso para se tentar – ou com a desculpa de – coibir um abuso possível do outro lado.

Não sendo a Casa um mosteiro, eis que é natural que – a depender da composição do parlamento – isso se transforme em moeda de troca ou retaliação. É diferente da criação de uma Vara colegiada dentro da primeira instância, que me fez criticar essa invencionice do Judiciário lá atrás, inclusive me opondo ao que dizia o Ministério Público na época, que era favorável.

Agora, criticar um ponto do projeto aprovado, não me faz achar que tem que se jogar o bebê fora com a água suja do banho. Claro que não! Há sim penduricalhos dentro do Ministério Público que precisam ser combatidos. Aliás, dentro de todos os poderes. Na alta casta do funcionalismo público, há uma série de benesses que assusta os meros mortais, inclusive os servidores públicos que não possuem acesso a essas.

Então, há pontos sobre os quais os deputados estaduais possuem alguma razão, mesmo com alguns membros da Casa não sendo o melhor exemplo para apontar o dedo. Afinal, a Assembleia Legislativa também conta com coisas que são usadas de forma esdrúxulas como a GDE e com verbas que soam aos ouvidos de bom senso como penduricalhos inaceitáveis.

Desta forma, vejo como correto sim o combate ao que se fazia com auxílio-saúde, auxílio-alimentação para integrantes do órgão ministerial, bem como a equiparação de salários com os magistrados. Nada contra o promotor querer ganhar mais, mas vamos com calma. Pois, havia até mesmo adicional por atuação profissional suplementar em mutirões do patamar de 2% dos subsídios, além de adicional de 1% por atuação funcional suplementar em plantões e 7% por difícil provimento.

Há uma discussão constitucional aí que o parlamento deveria ter travado melhor com a sociedade e não fazê-la por meio de notinha oficial toda ofendidinha depois que “Inês é morta”, caindo numa máxima de Machado de Assis que lembrava que, em determinados contextos, há quem ache que o pecado não é o pecado, mas a revelação do pecado. O parlamento se pronuncia agora – saindo de seu silêncio sepulcral em relação à matéria – por ter sido questionado e aí busca expor, como desculpa, o que previamente deveria ter exposto como argumento.

Leiam Aristóteles, deputados. Ele ensina sobre lógica. Leiam também Arthur Schopenhauer, ele versa sobre a estratégia de vencer o debate mandando às favas a razão. A notinha dos deputados estaduais é recurso erístico, ainda que nela contenha sim algumas verdades, como os pontos positivos do projeto aprovado.

Sabedor disso é preciso atacar alguns pontos dos discursos de alguns parlamentares. Acusaram a imprensa de querer fazer “cortina de fumaça”. Ora, ora, ora. A maior “cortina de fumaça” em torno desse projeto foi o silêncio e a forma como a emenda foi implantada, para ser aprovada sem muita discussão, sem muito debate, pois sequer o release oficial produzido pela Comunicação da Casa trazia a informação sobre a aprovação da matéria que foi a mais importante do dia.

Assim, uma jornalista buscou a matéria e jogou luz – conforme sua consciência – naquilo que avaliou como o mais importante. Tornou-se ainda mais relevante pelo fato da própria Casa não ter, por iniciativa própria, jogado luz em coisa alguma.

A Assembleia Legislativa – que deveria ser um poder com exemplo de transparência – só veio fazer esse debate depois que o assunto ganhou as páginas da imprensa. Existe cortina de fumaça maior que o silêncio, caros deputados? As notícias sobre o assunto não foram maldosas, pois trataram daquilo que se encontra na emenda.

O erro, por parte da imprensa, que também merece críticas, foi não explorar o conteúdo como um todo. Nisso, eu concordo. Creio que eu mesmo cai nesse erro, pois me ative apenas ao exposto previamente.

É que ainda – infelizmente – há quem ache mais fácil “bater” no parlamento e tenha uma visão um pouco mais adocicada quando se trata dos membros do Ministério Público. Isso é nacional! Não é o meu caso. Todos os podres constituídos devem ser alvos da fiscalização popular e a imprensa tem papel importante nisso ao agir com honestidade intelectual e de princípios. 

Todavia, não houve maldade, malícia ou nada do tipo. Houve sim, uma discussão aberta por meio de jornais diante do fato dos próprios deputados estaduais não terem feito isso publicamente. O que temiam? A voz da opinião pública? Dizer isso não significa dizer que os promotores e procuradores são todos santos. Em todos os lugares há os bons e os ruins, inclusive no parlamento estadual. Tanto que – nesse blog – já elogiei a conduta de alguns parlamentares quando foi, em meu julgamento, merecido o elogio.

Apresentar emendas é legítimo dos deputados. Se é constitucional ou não, é com a Justiça. Ninguém questionou isso. Questionou-se o mérito do parlamento estadual querer trazer para si mais uma prerrogativa que interfere diretamente no organograma do Ministério Público e pode sim extinguir os grupos, já que suas criações ficarão a cargo da aprovação de outro poder.

Vale lembrar que o MP terá 30 dias para regulamentar tudo. Ainda assim, contará com a velocidade da Casa para apreciação deses projetos – caso a matéria seja sancionada pelo governador Renan Filho (MDB) – dentro desse prazo. Aí, veremos se assim será...

No entanto, reconheço e concordo com os deputados sobre a necessidade de se combater penduricalhos em qualquer alta casta do funcionalismo, inclusive – quem sabe – num futuro próximo, reduzindo o custo do Legislativo no bolso do contribuinte. Por que não?

Como bem lembrou a jornalista Vanessa Alencar em seu post, por quais razões um projeto de tamanha importância tramitou na surdina? Se havia excessos e inconstitucionalidades em artigos, porque não houve um debate franco e aberto? O silêncio aí é que foi uma cortina de fumaça que acabou gerando alguns exageros, como os que estão na fala de uma promotora, ao generalizar todas as posições contrárias a dela como sendo “retaliação”. Obviamente não é bem por aí. Ela, pelo sentimento e o calor da discussão, cometeu exageros a meu ver.

No mais, destaco um ponto da nota da Casa de Tavares Bastos: “Até agora não foi dito que o mencionado Projeto propunha a equiparação com os magistrados, apesar de a Constituição Federal impedir a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para efeito de remuneração de pessoal do serviço público”.

Pois é, o parlamento teria a obrigação de debater e mostrar isso também. Que o episódio sirva de lição para a Casa de Tavares Bastos, pois sendo a Casa do Povo, ela – contanto com os meios que possui – pode muito bem ampliar as discussões necessárias na busca pelo esclarecimento dos projetos de lei em suas minúcias, pois há discussões antes destes serem postos em votação. Infelizmente, essa matéria – que tem acertos e erros – não teve o profundo debate que ela merecia e não foi falta de tempo.

Esse bom debate, inclusive, esclareceria os pontos em que as mudanças foram positivas e de adequações constitucionais, bem como permitiria a discussão mais aprofundada sobre a questão da criação dos novos grupos de trabalho. O que o parlamento fez não é ruim como um todo, mas tem sua parte ruim sim.

A ALE queria limitar o MPE em silêncio. Mas, no meio do caminho teve uma notícia. Teve uma notícia no meio do caminho…

Foto: Thiago Davino /CadaMinuto/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Assembleia Legislativa de Alagoas

No dia de ontem, a jornalista Vanessa Alencar fez cumprir a máxima do escritor George Orwell: “Jornalismo é publicar aquilo que ninguém quer que se publique. Todo resto é publicidade”. E a prova disso é que a Assembleia Legislativa, mesmo tendo todo um aparato de comunicação, não quis dar publicidade a matéria que foi aprovada ontem e volta para segunda votação na manhã de hoje: o projeto de Lei Complementar do Ministério Público que abriga, malandramente, a emenda que pode limitar a atuação de grupos como o de Combate ao Crime Organizado em Alagoas.

É que a tão silenciosa quanto explosiva emenda é um presente de grego dos deputados estaduais para o Ministério Público. A diferença é que o Cavalo de Troia era visível para esconder os soldados inimigos por dentro. A Assembleia Legislativa não precisou do Cavalo de Troia. Ela foi o Cavalo de Troia, pois guardou suas intenções em segredo sendo gestada nas noites escuras; mas não as mesmas noites de São João da Cruz, evidentemente, já que de sacrossanto no parlamento estadual nem mesmo as intenções.

Se há criaturas espirituais nessas noturnas elucubrações, elas são de outra espécie...

Os deputados acabarão – caso aprovem em segunda votação – com a possibilidade do Ministério Público Estadual criar tais grupos por resolução. O que ocorre a partir daí? Em 30 dias, o órgão ministerial terá que encaminhar um projeto de lei para regulamentar a existência desses grupos. Tal regulamentação passará pelo crivo dos parlamentares. Então, o Ministério Público acaba ficando na mão dos deputados para isso.

Imaginem só:

- Deputado, a gente não vai ter mais grupo de Combate às Organizações Criminosas?

- Sim, vai. Basta que o parlamento aprove uma lei para isso.

- Mas, a lei que a gente encaminhar será aprovada sem modificações?

- Cri, cri, cri, cri…

Ora, os grupos específicos criados pelo órgão ministerial devem sim cumprir uma série de exigências legais, mas essas são as de sua Lei Orgânica e – em maior grau – da Constituição. É necessário isso, pois o MPE também não é um mosteiro cheio de santidade e tem até vícios semelhantes ao do parlamento, como em qualquer outro poder constituído.

Há sim o risco – sobretudo por conta de visões ideológicas – do órgão ministerial ser persecutório. Daí a defesa das garantias individuais e, evidentemente, dos mecanismos que coíbem o abuso de autoridade. Mas, eles já existem. Não se deve defender o MP como uma casa de santos, pois também há seus “budas ditosos”

O que os deputados estaduais quiseram, e estão em vias de conseguir, é ter mais controle sobre isso, com a posse da caneta para delimitar os grupos que o Ministério Público tente criar dentro de um prazo de 30 dias. Não bastasse isso ser espantoso, em função da matéria ser polêmica por si só, caros (as) leitores (as), se não fosse a matéria da jornalista Vanessa Alencar – que repercutiu posteriormente na imprensa – tudo isso se daria em silêncio.

E a questão é simples: não há justificativa plausível para não existir uma comunicação clara, direta e transparente por parte da Casa de Tavares Bastos para que tal assunto estivesse posto no site oficial do próprio parlamento, pois foi um dos pontos da sessão. Aliás, o mais importante. Ao ignorar algo de tamanha relevância para a sociedade, esse parlamento perde a moral que acredita ter para questionar medidas tomadas pelo delegado-geral da Polícia Civil, como a tal “portaria da mordaça”.

É que ontem – e isso foi noticiado pela própria Casa, vejam só – se aprovou um convite ao delegado-geral da Polícia Civil para questioná-lo sobre uma portaria que limita as informações repassadas ao público geral por meio da imprensa.

Vejam só que ironia: no dia em que se convida um delegado-geral para que ele esclareça uma portaria da “mordaça”, o parlamento estadual também limita a informação a um assunto seríssimo que pegou promotores e procuradores de surpresa, pois não se trata apenas da questão dos grupos de trabalho, mas também há outros pontos na lei que envolvem a eleição do futuro procurador-geral. Como a Assembleia Legislativa vai querer cobrar de alguém aquilo que ela não exerce?

O projeto de lei complementar do MPE precisava e deveria ter sido debatido.

Até mesmo os deputados mais combativos dessa legislatura, como Cibele Moura (PSDB), Davi Maia (Democratas), Cabo Bebeto (PSL), Jó Pereira (MDB) e Bruno Toledo (PROS), silenciaram até aqui. Vejam: não estou cobrando deles que concordem comigo, mas que – diante da relevância do assunto – se posicionem. É claro e evidente que é um dever de todos os outros também, mas os aqui citados são citados nominalmente por serem os que mais possuem participação na Casa e com bons pronunciamentos.

Diante do feito, os representantes do Ministério Público Estadual possuem todo o direito de repudiarem o que a Casa fez, pois sequer foi dado a esses – o autor original da matéria – a oportunidade de se posicionarem sobre o jabuti que apareceu na árvore. E quando há um jabuti na árvore, caros (as) leitores (as), é porque alguém o colocou lá. Todavia, se dependesse do parlamento estadual, o jabuti permaneceria disfarçado de algum fruto natural em meio à folhagem. Ele seria parte da árvore contrariando a natureza da providência.

Ensina-nos Santo Tomás de Aquino que silenciar diante do erro é acatá-lo; não se opor é pior ainda. É, eu peço perdão por citar Santo Tomás de Aquino nesse episódio de tão profano valor, mas as lições do mestre são sempre lições. Também pela lógica aristotélica é possível deduzir que a gente só esconde aquilo do que se envergonha, pois passa a temer a luz do sol que vira um desinfetante. Os deputados estaduais tentaram sim esconder o que fizeram…

Porém, a jornalista Vanessa Alencar – em suas matérias no dia de ontem – partiu pra cima do projeto de lei e o esmiuçou, trouxe os questionamentos necessários e acordou o Ministério Público Estadual para o que está acontecendo. Alencar escreveu um poeminha para os deputados estaduais: “No meio do caminho tinha o jornalismo, tinha o jornalismo no meio do caminho”. Mas não se enganem, em breve nossos heróis legisladores se esqueceram desse fato diante de suas retinas cansadas, fustigadas diante do que enxergam, porém muito bem pagas. No entanto, existirão outros que os lembrem.

Alguns devem estar revoltadinhos com o que veio a público. Dane-se. É para questionar mesmo. Eles são funcionários e não patrões. Agora, na sessão de hoje terão que dar explicações.

Quem sabe não escutem, no dia de hoje, um outro poema que toma por base Camões:

As armas e os Barões assinalados

Que da Caiada Sepulcral praia Assembleiana

Por silêncios sempre navegados

Resolveram colocar uma canga nos investigadores,

Em virtude dos perigos a serem investigados?

Foram pegos de calça curta pela força humana,

De entender o jabuti ali sendo votado

E no novo Reino, que tanto sublimaram;

E também diante das memórias não tão gloriosas

Há algo que precisa ser dito e publicado:

Os interesses inconfessos de terras viciosas

Que acha que pode ter o próprio poder dilatado

Quando no histórico de suas obras libidinosas

Tantos foram os próprios pares já questionados.

Escrevendo, espalhar-se-á por toda parte:

Não há jabuti que suba em árvore sem lá ter sido colocado

Alfredo Gaspar já externou valores próximos às convicções de direita. Se ele rompe com isso, rompe consigo mesmo…

Foto: Assessoria Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true O procurador-geral de Justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça..

Nunca enxerguei o ex-chefe do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar de Mendonça, como um “bolsonarista”. E isso não é elogio nem crítica, mas uma constatação apenas. Agora, no comando do Ministério Público, em entrevistas concedidas e nas opiniões postas, ele sempre mostrou convicções que são consideradas de direita. E uma direita não se resume a um político, seja ela qual for, por mais apoio ou não que tenha.

Por exemplo: eu tenho convicções fortes de direita e digo quais são: defendo o livre mercado, sou pró-vida, professo valores cristãos, sou contra ideologias seculares, tenho posicionamentos conservadores, defendo o direito do porte de arma ao cidadão, dentro de critérios objetivos e defendo as garantias de liberdades individuais. No entanto, tenho fortes críticas a setores do governo do presidente Jair Bolsonaro e a alguns de seus rompantes que, em minha visão, atraem crises vazias e desnecessárias, como a recente fala de que houve fraude nas eleições. Isso é criar desestabilizações em momentos de crise, quando a tensão já está exposta e aí, vem o presidente, e tensiona ainda mais a corda.

Não me furto ao livre direito de poder criticar o governo federal, estadual e municipal por ele ser deste ou daquele espectro político. Sigo a minha consciência. Assim como acho que acertos devem ser reconhecidos. Outro exemplo: sou um crítico ferrenho do MDB dos Renans. Todavia, já fiz textos elogiosos ao secretário da Fazenda, George Santoro, e a política de segurança pública do Executivo estadual mesmo achando o governador Renan Filho um midiático que adora “jogar para a galera” e que é omisso em muitos momentos, como quando o governo se viu no meio de uma ação da Polícia Federal apontando escândalos na Saúde. No caso do governo federal, sempre pontuei dois acertos de Lula: a unificação dos programas sociais e a manutenção, no início de sua gestão, da matriz econômica ortodoxa.

Se alguém não entende isso, paciência. Eu busco ter honestidade intelectual até para com o maior dos adversários no debate político.

Quanto a Alfredo Gaspar de Mendonça, ele mostrou uma visão de segurança pública sem relativismo e com valorização da tropa, conquistando o apoio de boa parte da Polícia Militar de Alagoas e da Polícia Civil dando suporte a ações em que dizia, de forma clara, onde enxergava o papel do policial e que, em situação de confronto, primava pelo apoio a este. É uma visão que se associou à direita política.

Isso não quer dizer que defenda o discurso infame do “bandido bom é bandido morto”. Eu também não defendo esse discurso. Bandido bom é bandido preso, respeitando tudo aquilo que preconiza o Estado Democrático de Direito, que inclui o direito de defesa etc. Agora, em confronto, torço pela vida do policial. Se há policiais que se comportam como bandidos (e esses existem) devem ser tratados como bandidos e expurgados da corporação, que – em virtude dos bons policiais (que creio ser maioria) – merece o reconhecimento da sociedade, pois atuam na ponta em um país extramente violento e ainda com altos índices de homicídio.

O bom policial tem uma coragem que admiro, sobretudo diante das condições tão adversas.

Dentro dessa lógica, Gaspar de Mendonça nunca relativizou o que considera ser o bem dentro de uma sociedade, pelo menos nas entrevistas concedidas. Recentemente, disse que não abria mão de seus princípios. Bem, não tenho bola de cristal. O futuro dirá isso. O que digo é que sou cético em relação a todos os políticos. Como o ex-chefe do MP agora se torna um, contará com o meu ceticismo mais ainda, pois já contava com ele antes, como quando o critiquei por aceitar o convite de secretário sabendo que a lei o impedia.

Alfredo Gaspar de Mendonça já defendeu o porte de arma dentro de condições objetivas, se coloca pró-vida, parece-me ter uma visão pró-mercado, concedeu apoio à Lava Jato, é crítico à visão de uma governabilidade pautada pelo “toma lá da cá”, já destacou o respeito às liberdades individuais etc. Historicamente, são bandeiras defendidas ora por liberais clássicos, ora por conservadores. Se alianças políticas o fizerem romper com essas visões, ele romperá consigo mesmo em função de um projeto político e não apenas de um sonho legítimo de se tornar prefeito de Maceió.

O que ele passa a ter – portanto – é dificuldade de justificar o próprio discurso já assumido ao se aliar, e até se filiar, ao MDB. Obviamente, uma direita que enxergava em Alfredo Gaspar um candidato que romperia com o sistema comandado por “caciques” políticos passa – de forma justa – a indagá-lo. O apoio espontâneo que teve no passado, e que surgiu de forma orgânica, será naturalmente abalado, pois é legítimo que um espectro existente na democracia busque um candidato que o represente. Como é legítimo que um espectro de centro busque um candidato de centro, que um espectro de esquerda busque um candidato de esquerda e assim vai…

A democracia pressupõe a existência de lados e não de um lado só. É natural da democracia, inclusive, os conflitos de visões. Quando não mais existir conflitos de visões em uma democracia é porque a democracia foi embora. Simples assim. A liberdade de escolha traz a polarização, que se difere de sectarismo. O sectarismo é não saber ouvir o diferente. A polarização é a necessária presença de vozes divergentes para que a discussão possa gerar a crítica e levar luz ao debate, separando joio e trigo conforme a análise das consciências que se pautam pela busca da verdade.

Não sei o que essa aliança firmada muda em Alfredo Gaspar de Mendonça. Em resposta a um internauta, que já mostrei aqui nesse blog, ele diz que não negocia princípios. Veremos com a prática. Em todo caso, em um balão de ensaio, já mostrou algo nesse sentido, pois defendeu os delegados exonerados da Divisão Especial de Investigação e Captura (Deic), mesmo essas exonerações sendo uma ação do governo estadual que lhe apoia. Claro: isso é um café pequeno que não incomodará o governador Renan Filho, então é fácil fazê-lo. Porém, Gaspar de Mendonça poderia ter optado por silenciar. Seria mais cômodo.

Alfredo Gaspar não pode negar o seu passado. Ele sabe que já buscou apoio do PSL, que já conversou com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que simpatiza com algumas (não todas!) bandeiras do atual governo federal e que, por algumas de suas posições, já foi duramente criticado pela esquerda.

Sua escolha expõe contradições pelos políticos que estarão ao seu lado e não por conta de um “bolsonarismo”. Gaspar de Mendonça nunca se disse bolsonarista. Então, não pode desdizer o que nunca foi posto por ele. Agora, pela similaridade de suas ideias com algumas pautas do governo federal, atraiu para si a atenção de muitos apoiadores de Jair Bolsonaro. Mas, as diferenças de postura entre ambos sempre foi gritante.

Gaspar de Mendonça, por exemplo, é muito mais comedido nas declarações, muito mais político e aglutinador, como prova a atual composição que orbita em torno dele. Já era assim, pois foi assim que aceitou o convite para ser secretário de Segurança Pública de Renan Filho na primeira gestão do governador. O ex-chefe do MP é também muito mais pragmático ao avaliar as condições objetivas para realizar o que deseja e traçar seus projetos. Ele adota o silêncio estratégico para enfrentar determinadas batalhas, como foi na construção de sua pré-candidatura, ao se preservar, inclusive tirando férias do cargo de chefia do Ministério Público Estadual.

Alfredo Gaspar não tem rompantes. Isso é bom em alguns momentos, mas em outros não, pois até suas frases de efeito soam cirúrgicas e não espontâneas. É preciso ceticismo quanto a isso. Nunca enxerguei – e já escrevi isso no passado – em Gaspar de Mendonça uma direita conceitual, mas sim algumas convicções que o colocam na direita. Para mim, eis uma grande diferença. Mas repito: não é juízo de valor e sim uma constatação.

Ao ser confrontado por conta da aliança com os Calheiros, Alfredo Gaspar responde: “não estou entrando em projeto de ninguém”

CadaMinuto/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Alfredo Gaspar

Em suas redes sociais, o ex-chefe do Ministério Público Estadual e pré-candidato à Prefeitura de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça, foi questionado sobre a aliança com o governador Renan Filho (MDB) e o senador Renan Calheiros (MDB).

Natural que tais questionamentos surjam a partir do momento em que já se especula a filiação do ex-procurador-geral de Justiça no MDB, que deve ocorrer nos próximos dias.

Gaspar de Mendonça era tido como um possível representante de uma “nova política”, mas acabou firmando alianças com os “caciques” históricos de Alagoas.

Ele terá não apenas o apoio do MDB, mas também do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (sem partido), que deve indicar o vice da chapa que disputará o Executivo municipal. O nome mais cotado é o secretário municipal, Tácio Melo, que comanda os destinos do Podemos.

É compreensível que, diante da aliança improvável entre Rui Palmeira e Renan Calheiros (que até ontem eram rivais), Gaspar de Mendonça venha a sofrer determinados questionamentos.

Todavia, Gaspar de Mendonça não deixou o internauta sem resposta, mesmo sendo um tema espinhoso que aponta uma possível contradição entre discurso e prática.

Afinal, como bem lembrou o seguidor de Gaspar de Mendonça, além de estar ao lado dos caciques ainda há as posições do senador Renan Calheiros em relação à Lava Jato, o projeto de abuso de autoridade, os processos contra o emedebista etc.

Alfredo Gaspar responde que sua candidatura não é um projeto de terceiros. “Eu não estou entrando no projeto de ninguém, meus princípios são inegociáveis. Acredito que as mudanças verdadeiras precisam ser de união e não de divisão”, coloca ainda Alfredo Gaspar de Mendonça.

O ex-procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar, coloca que não pode ser “arrogante a ponto de achar que pode fazer tudo sozinho”. “Estarei aberto a ouvir quem quiser contribuir com tudo a que estou me propondo a fazer. Estou acostumado às posições de comando. Liderar é também saber juntar, reunir esforços, apontar e seguir o caminho correto”, frisou.

Em postagem, o ex-chefe do MP destaca: “Levarei minha independência e honestidade para onde eu for, porque são os princípios da minha vida. Na minha carreira, sempre uni esforços para somar. Alagoas e o Brasil não aguentam mais a divisão, brigas em grupos de WhatsApp, redes sociais, família e até no racha. A nova política busca somar para promover as mudanças. E as pessoas querem ver seus problemas resolvidos. Vamos em frente!”

PT e PDT tentam se alinhar para lançar candidatura em Maceió

Foto: Maciel Rufino / Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Ex-governador, ex-deputado federal e atual presidente estadual do Partido Democrático Trabalhista (PDT) Ronaldo Lessa.

De acordo com o jornalista Edivaldo Júnior, em seu blog na Gazetaweb, o PT e o PDT devem se unir para lançar uma candidatura à Prefeitura de Maceió. O nome do candidato pode ser o ex-prefeito, ex-governador e ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT).

O bloco se firma como “forças democráticas” e se coloca como alternativa às alianças já postas, como a entre o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Filho (MDB), que apoiam o ex-chefe do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar de Mendonça, na disputa pela Prefeitura de Maceió.

PDT e PT – no entanto – ao se mostrarem como forças antagônicas esbarram no problema do discurso. É histórica a aliança entre o PT e o MDB de Renan Filho e do senador Renan Calheiros em Alagoas. O PT, inclusive, possui espaços dentro da administração estadual. É grande a influência do senador Calheiros dentro do Partido dos Trabalhadores.

Renan Calheiros é um aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O PDT de Lessa já esteve presente dos dois lados. Foi aliado dos tucanos, ocupou espaços na administração de Rui Palmeira e já foi até secretário de Renan Filho. Ao romper recentemente com o governador, Lessa até tentou se aproximar novamente de Palmeira. Houve diálogos, mas eles não frutificaram. O PDT não aceitou a aliança que joga Alfredo Gaspar de Mendonça como candidato.

O grupo formado entre PDT e PT buscam sobrevivência. O Partido dos Trabalhadores possui dois pré-candidatos: o ex-vereador Ricardo Barbosa e a economista Luciana Caetano.

Quando Barbosa diz que “a reunião” entre essas legendas foi uma “provocação mútua” para “contrapor ao projeto das candidaturas que hoje despontam como sendo candidaturas favoritas nesse cenário” e as classifica como “conservadoras e de direita” erra ao analisar o espectro político.

Alfredo Gaspar de fato tem bandeiras que o aproxima de direita, mas aceitou o acordo com partidos que são de centro-esquerda e até mesmo com o MDB de Renan Calheiros, que sempre esteve ao lado do PT. Os termos “conservadores” e “direita” aí são postos de forma vazia, já que até mesmo Rui Palmeira se mostra oposição, em muitas pautas, ao atual presidente Jair Bolsonaro.

É que para uma parcela da esquerda, tudo que não é de seu grupo, é visto como direita, ainda que – no passado – tenham estado juntos em projetos políticos, como é o caso do PT e do MDB. Conservadores, portanto, é um adjetivo que não se aplica aos candidatos Alfredo Gaspar de Mendonça e o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC, que até se encontra no Partido Socialista Brasileiro. Repito: “Socialista”. Um partido que está no Foro de São Paulo.

JHC votou contra Reforma da Previdência, por exemplo. Fez isso a mando do partido. Ele ainda votou contra a Reforma Trabalhista e outras pautas que são liberais no sentido econômico e, portanto, de direita. PT e PDT, dessa forma, acabam por mirar em adversários com os quais já tiveram e/ou ainda possuem aproximação.

A aliança entre PT e PDT é legítima e faz parte do jogo democrático buscar espaços, estruturar discursos e cair em campo. Mas, é inegável as contradições desses discursos que tentam colocar qualquer um no espectro de direita, ainda que sejam fisiologistas ou até mais próximos da própria esquerda, em função de suas linhas estatistas de pensamento.

Logo, afirmar que JHC e Alfredo Gaspar de Mendonça são candidaturas com o perfil de direita é uma meia-verdade quando se trata de Mendonça e uma ausência de verdade quando se fala de JHC, que tem posturas que vão de um lado a outro a depender da pauta em debate. Basta olhar para o perfil de seus votos na Câmara dos Deputados.

Os partidos de esquerda PT e PDT voltam a se reunir no próximo dia 20 de março. E, conforme Barbosa, ainda pretende aglutinar outras legendas e assim viabilizar a candidatura de Ronaldo Lessa. Mas, terão o mesmo problema de discurso das outras em função dos aliados que tiveram no verão passado...

Cabo Bebeto trabalha para construir a candidatura de Leonardo Dias à Prefeitura de Maceió

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Antes de mais nada, caro (a) leitor (a), por dever de consciência e honestidade intelectual, digo: o empresário Leonardo Dias é meu amigo. Aqui falo de uma amizade de anos que se deu desde antes de qualquer pretensão de Dias a concorrer a qualquer cargo eletivo que seja. Como amigos, comungamos de muitos valores e ideias e também discordamos em alguns pontos e visões de mundo. Natural. Pessoas não são iguais.

Todavia, como ele agora passa a ser uma peça no tabuleiro do xadrez político das eleições de Maceió, não posso eu esconder isso do leitor (a), pois é um elemento que quem me lê tem todo o direito de saber ao meu ouvir falar dele, seja para criticá-lo quando achar que estiver errado, seja para elogiá-lo quando achar que estiver certo, pois ninguém – nem os amigos – mandam no meu pensamento. Acreditem: já perdi amigos que se envolveram na política, não entenderam isso e deram o famoso “piti” quando escrevi sobre eles. Dane-se. Meu dever, nesse espaço, é com a busca pela verdade.

Torço, dessa forma, para que o amigo Leonardo Dias compreenda, pois sabe que a base da amizade é justamente essa honestidade, que ele também possui e muita. Então, quando digo agora que acho importante a sua participação no pleito, não é por amizade, mas por entender que ele representa um conjunto de ideias que tem todo o direito de estar na disputa. A partir daí, é com o eleitor.

Leonardo Dias estava se preparando – e isso não é segredo – para concorrer ao cargo de vereador na Câmara Municipal de Maceió. Diante das circunstâncias da aliança do ex-chefe do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar de Mendonça, que deve unir o prefeito Rui Palmeira (sem partido) e o governador Renan Filho (MDB) no mesmo palanque, as configurações mudaram, pois Dias é um ferrenho crítico do MDB.

Assim, o deputado estadual Cabo Bebeto (PSL) – que lidera o Aliança Pelo Brasil em Alagoas – entrou em cena para articular uma legenda que pode abrigar Leonardo Dias e lançá-lo à candidatura de prefeito. Obviamente que, pela posição de destaque, o candidato natural seria o Cabo Bebeto, que é mais conhecido e tem maior penetração em função do cargo que ocupa na Assembleia Legislativa o Estado de Alagoas.

Bebeto tentou negociar sua saída do PSL para viabilizar esse caminho, mas não conseguiu. Ficou preso ao antigo partido do presidente Jair Bolsonaro. Como também não apoia Renan Filho e o senador Renan Calheiros, começou a trabalhar a via alternativa e tenta viabilizar uma candidatura com o seu apoio: a de Leonardo Dias. Ao que tudo indica, ela só depende agora da existência da sigla que receba Dias com o compromisso de liberá-lo, depois da eleição, para o Aliança Pelo Brasil, já que o partido não ficará pronto para agora.

O desafio é hercúleo, pois trata-se de uma eleição que se inicia polarizada, levando em consideração as pesquisas de intenção de votos. Os nomes que lideram são o do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB) e o de Alfredo Gaspar de Mendonça.

O desafio de Leonardo Dias será o de encarar Gaspar de Mendonça, pois é histórica a ligação de amizade entre os dois. Dias foi um dos principais defensores da candidatura de Mendonça à Prefeitura de Maceió. Terá que explicar isso ao seu eleitor, assim como teria que explicar também se permanecesse no grupo e apoiasse o ex-chefe do MP apesar de Rui Palmeira e Renan Calheiros. Os desafios que o tabuleiro do xadrez político impõe. Além disso, a imagem dele associada a Bolsonaro, traz perdas e ganhos.

É diferente de uma eleição proporcional em que se ataca um “nicho”, que era onde Leonardo Dias transitava. Agora, terá que ter um discurso mais amplo e demonstrar conhecimento com maior profundidade dos problemas da capital, sendo crítico, mas também propositivo, ao defender uma visão de direita. É o que se espera de qualquer candidato. Dessa forma, se parte para o convencimento.

Em todo caso, acho sadio para a democracia quando há espectros políticos diferenciados em cena que possibilitem a construção de propostas diferentes, passeando elas da esquerda à direita. O confronto de ideias traz esclarecimentos. Como diria L. Mises: ideias e somente ideias iluminam a escuridão. Com elas, as ações concretas que possuem como norte determinados valores.

Outro desafio é construção de grupo. Por enquanto, Leonardo Dias deve contar apenas com o partido que o abrigue e com o apoio do deputado estadual Cabo Bebeto. Agora, o que não se pode negar é: o empresário é bom de briga, tem histórico nos movimentos de rua, onde se fez ativista político. Logo, provocará um debate. Bom para a democracia.

A visão sobre as leis e a as ações de Cibele Moura...

Ascom ALE Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Deputada Cibele Moura

Um dos males do mundo pós-moderno (ou moderno) – você escolhe – é a dimensão que a política toma em nossas vidas. O Estado tem se transformado em um Leviatã que busca influir até em costumes e, a partir daí, acha que tudo é resolvido por legislações.

Eis aí uma razão pela qual acredito que devemos regressar aos clássicos como Democracia na América de A. Tocqueville, Do Espírito das Leis de Montesquieu ou A Lei de F. Bastiat, dentre tantos outros.

Assim, refletiremos – de forma mais profunda – sobre o real papel do Estado para sabermos a importância de limitar o poder que os tais poderes constituídos possuem. Não raro, costumo afirmar que tenho total desconfiança dos parlamentares que adoram viver apresentando projetos de lei de todas as espécies.

Creio, como Bastiat, que a lei justa, digamos assim, é aquela que busca proteger o indivíduo do poder coercitivo estatal e da tirania que pode ser exercida por coletivos. Desta forma, até se compreende o que se convenciona a chamar de “decisão da maioria”, mas respeitando a “minoria”.

Nesse sentido, não há liberdade sem um conjunto de valores e condições objetivas que a sustente. Caso contrário, ela se esfacela nas mãos daqueles que mais dizem lutar pela liberdade. Entre os valores estão a Justiça, a Prudência, a Temperança, a busca pela Verdade, da qual não se é dono, mas se colocar a serviço dela.

Nas condições objetivas, vejo o respeito pela vida, o direito a propriedade e as garantias das liberdades civis. Só é possível enxergar isso dentro de uma moralidade objetiva que, mesmo diante da complexidade humana, nos ensina a separar o bem do mal não apenas em conceitos, mas em situações concretas.

O Estado que muito pesa nas costas do cidadão é um mal. Tudo vira lei, toda lei requer uma estrutura para seu cumprimento, que acaba ampliando a máquina estatal, que resulta em custos e que são transferidos por esse mesmo cidadão por meio de impostos e mais impostos.

Assim, o indivíduo que silencia acaba por contribuir com a confecção da corda que vai enforcá-lo. E não há ideologia secular que não vise impor seus valores por meio do poder coercitivo da máquina estatal, sobretudo quando essa tem o monopólio da força.

O politicamente correto nas mãos do Estado é isso: a polícia do pensamento nos coagindo a só poder nos expressarmos por meio de uma “linguagem oficial permitida” utilizando-se da mentira, do revisionismo histórico infundado, da censura prévia e do poder que concede àqueles que adoram se sentir ofendidinhos.

Então, é preciso colocar o Estado no seu devido lugar.

Um parlamento tem uma função nobre, nesse sentido, que raramente executa: a de debater esses temas antes de sair por aí espalhando leis de qualquer forma e sem pensar no impacto que essas legislações possuem.

Eis a razão pela qual projetos de revogação de leis inúteis ou que burocratizam a vida do cidadão são essenciais. O primeiro tem o cunho didático já que leis inúteis muitas vezes sequer são cumpridas. Mas é didático por expor a imbecilidade de alguns deputados e vereadores que já quiseram legislar sobre tudo. No caso das que desburocratizam, para além do efeito didático, possuem efeitos práticos, pois passam a assegurar mais liberdade.

O Estado não pode ser babá do indivíduo, muito menos empresário. O tolher de algumas liberdades se faz para proteger o próprio indivíduo, como é o caso do Código Penal. Esse, ao mesmo tempo, se apoia em uma moralidade, como mostra Montesquieu, para não perder o bom senso e querer transformar tudo em crime. Em sua distopia 1984, George Orwell mostra – inclusive – o Estado totalitário que tornou crime até o pensamento.

O que digo aqui – de forma resumida – é justamente o que me fez elogiar a deputada estadual Cibele Moura (PSDB), com quem possuo extremas divergências por conta de um liberalismo exacerbado que enxergo nela. Todavia, Moura tem tido grandes méritos nesse seu mandato que deveria servir de lição para muitos que já acumulam a experiência legislativa. Ao propor um pacote de revogação de leis, mesmo que a maioria dos alvos sejam as leis inúteis, trabalha com o didatismo já exposto aqui nesse blog.

Dentro do pacote, está a revogação do monopólio das carteiras estudantis. Não elogio apenas porque visa tornar mais barata (ou até sem custos) a carteirinha para os alunos. Não! Isso também merece elogios, mas vou além: elogio pelo “espírito” presente nessa ação: libertar os indivíduos dos coletivos que se creem monopólios de virtudes para representá-los.

Moura não impede que esses coletivos existam, pois é direito deles, e todos os indivíduos possuem a liberdade de se associarem em torno de uma causa e fundarem uma associação ou entidade que os represente para se fortificarem em uma determinada luta. Só não podem é ter o monopólio da luta e serem financiados por todos: os associados e os não associados, já que fazer parte de um coletivo é uma escolha e o indivíduo que não opta por ela não é menor.

Que o parlamento entenda isso ao analisar as propostas de Cibele Moura e que os estudos que ela vem fazendo sobre o corpo legislativo do Estado resultem em mais frutos nesse sentido. Que o debate ocorra, inclusive com os lados contrários a essa ideia, até mesmo para que todos os argumentos sejam expostos. E que a deputada estadual tenha a predisposição de enfrentar esse bom combate, pois não raro há os que se curvam diante de pressões organizadas. Não creio aqui que seja o caso e espero não estar errado.

O pacote de revogações já foi protocolado na Casa e começa a tramitar nas comissões. Que sirva de exemplo para a tal Frente Pela Liberdade que foi criada na Casa de Tavares Bastos, mas que parece não andar. A sensação que fica quanto a essa é que foi apenas um “oba-oba” para aproveitar o momento em que se discutia liberalismo. É uma Frente que pode fazer mais.

Agora, Cibele Moura – nos passos que está dando – perceberá com o tempo a necessidade de quebrar algumas amarras políticas com o tradicionalismo. Não julgo as coisas antes delas acontecerem, mas espero pacientemente e torcendo para que a jovem deputada consiga mostrar valor.

Afinal, esse tradicionalismo fisiológico – que contribuiu para a própria eleição dela – está presente no grupo político do qual faz parte e no partido que escolheu. Caso queira voos maiores, terá que – em algum momento – confrontar isso. Será a hora que determinados muros não farão sentido. Logo, não se poderá estar em cima deles.

Nesse momento, a deputada estadual vai perceber que a política cobra uma polarização natural. E essa palavra “polarização” vem sendo tão demonizada por ser confundida com sectarismo. Elas não são sinônimos. A polarização consiste em saber o conjunto de valores que nos regem e que nos são caros e inegociáveis; e, justamente por isso, estamos sempre em oposição a alguma coisa, separando – por meio do diálogo – o que pode ser negociado e o que não pode. Polarização, portanto, é natural da democracia, pois essa só se faz com lados e não com uma hegemonia de qualquer espécie.

E aí, como diz Santo Tomás de Aquino, “não se opor ao erro é aceitá-lo”; silenciar é conceder ao mal. Pancadas virão com as posições assumidas. Umas mais duras e corretas, outras falaciosas e com interesses inconfessáveis. Separar o joio do trigo também é nossa função.

Isso é da vida. Não seria diferente no exercício da política que é só uma parte dessa mesma vida. O futuro vem com desafios e, quanto mais fazemos, por mais seremos cobrados. Assim, a posição de destaque justa que Moura começa a alcançar também trará para ela questionamentos sobre posturas, cobranças e comparações com pessoas que fazem parte de seu próprio grupo. Só esse mesmo futuro falará sobre as escolhas.

No entanto, é um fato: a deputada estadual começa a definir o seu mandato por um conjunto de valores. O lado bom: o seu eleitor saberá o que cobrar e o que esperar. O lado ruim: será exposta a eventuais contradições e, por aparecer mais, sentirá o que outros parlamentares, que entram mudo e saem calado, não sentem. É o preço que ela pagará. É justamente por isso que é mais fácil não fazer nada e só criticar!

Agora, Alfredo Gaspar é candidato, mas também é alvo. E o jogo de buscar contradições já começou...

Ascom MPE/Anderson Macena/Arquivo Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Alfredo Gaspar acompanha divulgação do laudo da CPRM

De forma que ninguém saiba a origem, grupos começam a espalhar, pelas redes sociais (em especial o Wahtsapp), um vídeo que tenta desconstruir o discurso, em relação a possíveis alianças, do ex-chefe do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar de Mendonça.

É que Mendonça deixa o cargo de procurador-geral de Justiça mirando na disputa eleitoral pela Prefeitura de Maceió. Conforme o andamento das composições políticas, ele terá o apoio do governador Renan Filho (MDB) e do prefeito Rui Palmeira (sem partido).

Gaspar de Mendonça ainda nem falou oficialmente sobre isso, mas já vem sendo pressionado para justificar o momento atual sendo confrontado com falas do passado. É do jogo.

Agora, Alfredo Gaspar passa a viver uma nova situação: a de também ser alvo. E na política, há o que se faz pela frente e o que se faz pelas costas. Sempre assim. O primeiro a ser colocado como alvo por esses materiais apócrifos que são disparados em redes sociais foi o deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), que também é pré-candidato a deputado federal.

O CadaMinuto tratou sobre o tema na época.

Dessa vez, é resgatada uma fala antiga de Gaspar de Mendonça em que é pedido a ele que avalie o prefeito Rui Palmeira e o governador Renan Filho. Em outras palavras, o procurador diz – na época da entrevista – que os dois são iguais, dando a entender que não representariam novidade. O problema é que sequer há a data do vídeo e é repassado de forma como se o contexto fosse o atual momento.

Evidentemente que, independente do tempo, Gaspar de Mendonça pode ser cobrado pelo dito, sobretudo quando soa contraditório em relação ao agora.

Como homem público e que se pretende prefeito, é justa a cobrança, inclusive. No entanto, isso não elimina o que há de sorrateiro nesse tipo de jogo praticado por alguns adversários na tentativa de descredibilizar os outros e assassinar reputações. Todos os candidatos acabam por enfrentar isso e, infelizmente, eis algo que acabou se naturalizando na política.

Quanto ao mérito do que é dito no vídeo, é o seguinte: ao responder a indagação sobre o que pensa de Palmeira e de Renan Filho, o ex-chefe do MPE responde: “Para mim são políticos da mesma moeda. Foram alçados a condição de governantes pelas mãos dos pais. Um foi filho de governador biônico, lá em 1982, e o outro filho do presidente do Senado colocando como candidato a governador. Eles meio que se completam. Essa distinção entre um é melhor e o outro é pior, eu acho é que foram criados na mesma escola”.

Gaspar de Mendonça ainda é indagado se acha que Rui e Renan poderiam ser candidatos numa mesma chapa e responde: “eu não acho nada disso. Eu só estou dizendo que não vejo muita diferença de ambiência. Vejo que ambos foram criados em Brasília, conviveram com o poder desde cedo, ambos são bem entrosados, inclusive o próprio Rui foi funcionário do pai do governador lá em Brasília. Eu vejo muito um ambiente de disputa só nesse momento, pois em todos os outros momentos sempre andaram juntos e estiveram juntos. Os pais sempre foram amigos e as composições vem desde antes. Há um histórico familiar”.

O procurador ressalta também que o que Alagoas precisa é menos marketing, menos criação do que é bom e do que é ruim e mais serviço à população, nessa antiga entrevista.

Outro que também é alfinetado nas redes por conta da aliança firmada com Renan Filho é o prefeito Rui Palmeira. De forma apócrifa, tem sido disparado um vídeo de Rui Palmeira na campanha eleitoral de 2018, quando ele apoiou o ex-delegado da Polícia Federal, José Pinto de Luna, ao governo do Estado.

Palmeira, em um programa eleitoral, ataca o senador Renan Calheiros (MDB). “Renan Calheiros é um dos campeões nacionais da Lava Jato. Renan é o campeão da Lava Jato em Alagoas. A verdade é que no Brasil ninguém gosta do Renan, como não gosta (ex-presidente Michel) Temer e do (ex-senador) José Sarney, todos do mesmo partido. Por baixo dessa camisa branca que ele usa, há 14 inquéritos da Lava Jato. Alagoas tem a chance de dar um exemplo ao Brasil: Renan senador, não”, diz o prefeito em vídeo de campanha.

Bem, independente de qualquer coisa, são posições antigas que estão sendo expostas ao sabor do “eu sei o que vocês disseram no verão passado”. Caberá aos envolvidos justificar ao eleitor os discursos que já deram… A cobrança é legítima e natural!

Sim, sou cristão! Sim, em todo e qualquer lugar!

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Como já bem sabe o leitor que me acompanha, eis que reafirmo: sim, sou cristão. Sim, sou católico. Aprendi a amar a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Igreja Católica. Porém, isso não faz de mim melhor do que ninguém; muito pelo contrário, pois pela forma como sou, eis que me coloco no último lugar das filas dos pecadores e com confiança extrema na misericórdia divina.

Agora, se é para “apanhar” por ser cristão, eu apanho com gosto na defesa dos valores que acredito e na defesa da minha Fé, sempre com total e todo respeito aos que, em sua liberdade concedida por Deus, tomam outros caminhos. Cada um sabe de si. Não imponho minha Fé a ninguém.

Aprendi a amar a Cristo por enxergá-lo não como uma ideia a ser seguida, como um conjunto de valores que possa ser classificado dessa ou daquela forma, ou como um professor de moral e ética, um Cristo histórico, um filósofo etc. Aprendi a amá-Lo por meio do que Ele mesmo diz de Si. O Homem que é – em sua natureza humana e divina indissociável – Caminho, Verdade e Vida. É Aquele que nos brindou com o Sermão da Montanha, lá no Evangelho de Mateus. É Aquele que morreu na Cruz não por amor a humanidade – em um sentido abstrato, como posto nas ideologias – mas por cada um de nós, por cada homem, pela remissão dos nossos pecados, em uma Paixão que, como coloca São Paulo, é “loucura para os gentios”.

Esse Amor reordenou – e tem reordenado – tudo em mim, inclusive o maior zelo e amor para com o próximo, independente de qualquer coisa, por aprender a enxergar em cada humano – por mais que discorde desse e me veja, às vezes, tomando por ruins sentimentos humanos – a centelha divina que nos leva aos pés da Cruz.

Em épocas em que ser cristão é algo tão atacado, vilipendiado e que o mundo oferta tantas possibilidades aos prazeres superficiais e/ou artificiais, eis que me agarro cada vez mais a Nosso Senhor Jesus Cristo e busco compreender, com total humildade, cada sentença do Pai Nosso e do Credo, em seus 12 passos.

Não me envergonho de ser cristão. Não me envergonho de anunciar isso em ambiente secular, na imprensa secular ou onde quer que esteja. Ao contrário, tomo por obrigação, levando em consideração o que nos manda fazer a oração eucarística: dar graça em todo e qualquer lugar, seja na alegria ou no sofrimento. É, para mim, Cristo o Centro que ordena todas as coisas. Eis Nele a minha cosmovisão, mesmo quando O ofendo por ser um pecador miserável dotado de espinhos na carne como tantos outros irmãos.

Portanto, é sim, por meio dos valores cristãos que analiso meus atos no mundo e busco julgar o que considero o bem e o que considero o mal, buscando superar o segundo e crendo que Ele não nos oferta cruz que não possamos carregar, para que, quando pensemos em desabar, saibamos a quem recorrer para sermos fortaleza. Não busco com isso convencer ninguém de nada, muito menos querer mudar o mundo. Se, com alguns de meus escritos – nesse sentido – ajudei alguém, eis que não fui eu quem ajudou. Fui mero instrumento. Mas, quando errei, a miséria foi toda minha e peço perdão por isso.

Afinal, nesse vale que atravessamos, nossos pecados sempre estarão a nossa frente, diante de nós, para que entendamos o tamanho Amor de quem nos acolhe apesar de tudo, sempre lá, de braços abertos, para nos receber e, como diz Santo Agostinho, não nos punir como bem merece nossas faltas.

Por isso, caros leitores, peço licença – no dia de hoje – para deixar a política um pouco de lado e destacar isso. É que se inicia, para nós católicos a Quaresma. Eis um período de conversão (e a conversão é diária) em que refletimos sobre os nossos atos e buscamos o jejum, a oração e a caridade. Para alguns, superstições. Porém, para outros – como eu – ápice de um diálogo profundo e silencioso com nosso Deus. Um diálogo que se dá por nós, pelos que amamos e por todos.

É como diz o Sermão da Montanha: que virtude teria em devotarmos o bem só a quem nos ama se todos são aptos a fazer isso? O Sermão da Montanha é prenúncio do Calvário, pois buscar refletir sobre ele e tentar segui-Lo, apesar de nossa miséria, é ouvir o mundo dizer que estamos ficando loucos ao não revidar determinadas coisas, a calarmos mais em determinadas circunstâncias que exigiriam os nossos gritos etc.

A oração se dá pela busca do diálogo e da intimidade com Deus. É a forma como temos de bater a porta, de insistirmos na súplica e assim entendermos, por meio do que Ele nos concede, o alinhamento da nossa vontade com a vontade de Nosso Senhor, pois não é fácil enfrentar os desígnios, como por exemplo as perdas, e ainda assim sermos gratos por Deus nos conceder a passagem por esse mundo na busca pela salvação de nossas almas, que é nosso bem mais precioso, pois é o único que não deixaremos para trás.

O jejum nos leva a mortificação de desejos que nos levam ao mal, como sermos maledicentes, orgulhosos, vaidosos, dependentes de prazeres carnais etc. O jejum redefine as coisas e nos mostra o que verdadeiramente importa para que tenhamos algumas de nossas necessidades firmemente alimentadas para não fraquejarmos no caminho e na busca por – mesmo com tantos defeitos – fazermos o bem e entendermos que somos instrumentos. O jejum nos leva a pensar em que tem menos que nós e o quanto ainda temos que estender a mão.

A caridade, como posta por Paulo, é a forma mais bela de amor que não busca méritos por amar, mas simplesmente ama. Por isso silenciosa, sem alarde, sem gritar aos quatro cantos o que se fez e o que se faz, mas confiantes de que quando a fazemos com Cristo, por Cristo e em Cristo devemos até agradecer pela oportunidade de termos sido caridosos, pois isso melhora muito o nosso ser. Ensina-nos a compadecer, a termos compaixão e empatia pelos pecadores, acolhendo-os e buscando a correção fraterna, sem disputas, por rejeitarmos o pecado, como nos ensina Santo Afonso de Ligório. Rejeitarmos o pecado e não o pecador, pois todos nós somos pecadores e não gostaríamos de sermos rejeitados por Nosso Senhor.

Que nossa Quaresma, digo aos leitores católicos como eu, seja refletindo sobre esses três pilares. Que Deus nos conceda a Graça de sermos sal e luz na terra. Que lembremos que o sal nunca ganha o mérito da boa comida apesar de ajudar a dar gosto, pois o mérito é todo do cozinheiro. Que lembremos que a luz ilumina, mas é invisível para tornar tudo visível. Assim, quem sabe, possamos ajudar em algumas conversões ou, ainda que timidamente, impulsionar algumas reflexões para aqueles que andam a perder a Fé.

Que sejamos no mundo o que verdadeiramente somos em essência, sem doar a Deus apenas o resto de nossos dias e sem negá-Lo diante das adversidades.

Meus queridos, já cometi – em minha vida – pecados dos quais me arrependo profundamente. Posso dizer que quando fui aos pés da Cruz pela primeira vez, eu fui me arrastando e temendo, mas, ainda assim, Cristo me acolheu. Ele me concedeu a Graça de sentir o quanto sua misericórdia é infinita e o quanto o perdão é importante.

Ele me fez aprender a amar, de uma forma que eu jamais pensei ser possível, a minha filha, minha esposa, minha irmã, enfim todos os meus. Sou criatura falha, cheia de misérias e marcas na alma, porém, ainda assim, Deus foi bom para comigo e tem sido o melhor amigo, na alegria e nas desgraças.

Não desesperemos, não nos abandonemos, não percamos o que nos é dado de graça e sem merecimento. Tenhamos mais prudência com a vida e com as palavras, recorramos mais ao silêncio e ao ouvir do que ao falar. Lembremos, assim como com os apóstolos, se vier a tempestade e teu misero barquinho ameaçar naufragar, saiba que Nosso Senhor Jesus Cristo está lá, dormindo no chão do barco a espera de que você suplique e chame.

Que Deus nos abençoe e cuide de todos nós. Que nos ensine a sermos cristãos. A conversão é diária e aprender a ser cristão também…

Fiquem com Deus.

Aos que não compartilham de minha fé, independente de qualquer coisa, sintam-se abraçados nessa Quaresma. Deus respeita as nossas escolhas e muitas vezes se afasta, mas fica sempre ali por perto na esperança de nosso retorno para casa...

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