Blog do Vilar

O panfleto ensinando a usar drogas e minimizar o dano: eis o material do Conselho de Psicologia

Como não leio o que está para além de linhas - e por vezes - entrelinhas, não falarei aqui das intenções do Conselho Reginal de Psicologia de Alagoas (CRP/AL) ao divulgar, nas prévias carnavalescas, um panfleto que ensinava o uso das drogas ilícitas de forma a reduzir o danos. O troço é tão aberrante que eu custei a acreditar que era um material de fato produzido pela entidade. 

Não há ali nada de conscientização. E isso começa (detalharei no texto) pelo "(res)PIRA" presente no panfleto. 

A dúvida só me foi tirada quando o TNH1 fez matéria sobre o assunto e ouviu a presidente do CRP-AL, Leuza Farias. Na reportagem, ela confirma a veracidade do panfleto e diz que a intenção da Comissão de Direitos Humanos foi esclarecer sobre o uso de drogas ilícitas e lícitas e garantir a redução aos danos, conforme determina o Sistema Único de Saúde. 

O problema é que o ato acaba ganhando uma "cara" de apologia, uma vez que ensina a "melhor" maneira de usar. 

Não há polêmica nisso. Uma vez que as drogas são ilícitas e são muitos os trabalhos - inclusive na área de psicologia - destacando os efeitos destas, muitas vezes associados  a atos de violência, dentre outros males derivados da perda da consciência. É um desserviço. E isto acaba ficando notório na fala da própria Leuza Farias. 

Para mim, não há polêmica. O foco dos profissionais da Saúde deve ser outro.

Vejam o que ela diz ao TNH1:

"Nossa função é esclarecer, não é incentivar o uso de nenhuma droga, mas reconhecemos que na sociedade o uso existe. Falamos sobre substâncias psicoativas, que todo mundo sabe que existem, mas quem usa não diz". 

O esclarecimento deveria ser - dentro dessa óptica - justamente dos males causados, buscando a conscientização para o não uso das substâncias ilícitas. Afinal, se a própria entidade entende que tem por objetivo não incentivar, o que ela acredita que acontece a partir das dicas sobre a melhor forma de usar reduzindo os danos?

Reconhecer que um mal existe na sociedade - e o próprio Conselho sabe dos males de substâncias como cocaína e LSD (que constam no panfleto) - é combatê-lo de forma objetiva. Crimes existem em sociedade. Em função disso, se faz material dizendo qual a melhor forma de realizá-lo ou refletindo sobre as consequências? Na minha visão, trata-se de escolher a segunda opção. 

Ela diz ainda que há pessoas "que acham que é errado. As pessoas acham que não falando a respeito das coisas é como se elas não existissem". Não se trata disso, senhora Leuza Farias. É claro que o assunto deve ser abordado, como faz por exemplo, o PROERD nas escolas e o trabalho de diversas entidades apontando os males causados por essas drogas ilícitas. 

Quanto às lícitas, veja que o mesmo trabalho é feito no sentido de desestimular o consumo, como o caso do álcool associado à moderação e as campanhas antitabagistas. Ora, se é assim com as lícitas, imagine as ilícitas. Basta olhar as imagens no fundo das caixas de cigarro. 

Ninguém está dizendo que não se deve discutir o assunto, senhora Leuza Farias. Apenas que materiais didáticos sobre o uso "correto" das substâncias não é o efetivo combate a essas, quando se sabe os males causados não só para quem usa. Portanto, não se trata de eliminar a discussão da sociedade, mas criticar a forma como o CRP-AL resolveu fazer sem medir as consequências de seu ato. 

Custava um panfleto claro e objetivo fazendo referência às consequências dessas drogas para a Saúde do usuário e para a sociedade? Ou elas não existem. O dependente químico precisa de conscientização e ajuda e não de estímulos. 

Farias ainda compara às campanhas do uso da camisinha. Não faz o menor sentido. O preservativo é uma forma de evitar consequências graves do sexo casual consentido ou da gravidez, tanto no casual como nos relacionamentos outros. Ali se fala em DSTs, por exemplo e não em efeitos alucinógenos que podem colocar em risco o usuário e terceiros. É uma comparação absurda. 

Tanto que quem critica as campanhas de preservativos - e eu não sou um deles! - o faz por conta de outros fatores, como o incentivo a sexualidade precoce etc. Mas não por representar uma questão de saúde pública, combater DSTs e gravidez indesejada, o que muitas vezes resulta em aborto. Portanto, separemos as coisas ao invés de criar comparações exdrúxulas para justificar uma "polêmica". 

Quando a senhora diz que "educação é saúde", coisa que eu concordo, reflita se ensinar o uso "certo" de drogas ilícitas de forma a reduzir danos é promover saúde, ora bolas. É válido lembrar que "reduzir danos" é saber que eles estão lá, incluindo a não redução dos maiores problemas dos vícios nessas drogas e o que eles alimentam no corpo social, mesmo quando causam menos efeitos nocivos no usuário. Simples assim. Entende? 

O CRP-AL errou! Com qual intenção cometeu o erro é coisa que não sei, mas digo: errou! A conscientização deveria ser sobre os males dessas drogas em si, sejam elas lícitas ou ilícitas. Isto sim seria um benefício à sociedade a partir dos conhecimentos científicos que esses profissionais possuem. 

Acaso se um dependente procurar um psicólogo ou psiquiatra, o trabalho será no sentido de livrá-lo dos maiores danos do vício ou de eliminar este da vida do paciente? A resposta mostra claramente o objetivo primordial do Conselho. E é claro que é possível estimular a discussão e fazer projetos, panfletos e propagandas dentro desse objetivo. 

É tão presente isso que muita gente custou a acreditar que o material distribuído nas prévias carnavalescas fosse algo sério e ligado ao Conselho. 

Afinal, analisem o próprio texto produzido pelo CRP-AL e verão que nada há de conscientização sobre o uso em si. 

Isto começa pelo título, no qual se lê a seguinte mensagem: " (res)PIRE: reduzir para aproveitar". O "res" vem entre parênteses e em caixa baixa, enquanto o PIRE vem com mais destaque. Ora, qual o sentido de PIRAR mesmo em quem busca os alucinógenos? 

E o tal "reduzir para aproveitar"? O que seria aproveitar? Aproveita-se aquilo que é bom, entrega-se aos efeitos disso - nesse contexto - que é diversão. Em uma festa popular, tal diversão deveria ser estimulada a ser sadia. Afinal, isso é saúde. Entendem ou não o problema do texto montado? Até aqui não há a tal conscientização defendida pela presidente. 

É o texto do próprio CRP-AL.

Depois se fala de "Ação educativa para a redução de danos" e são citadas as drogas maconha, loló, thinner, lança perfume, cocaína, LSD, ecstasy, MDMA. Vamos das leves às pesadas com ensinamentos de como usar. Em nenhum momento do texto se fala dos malefícios destas à saúde, que deveria ser o foco prioritário. 

É uma peça publicitária de péssimo gosto. E é o texto desse conteúdo por si só que desmente a presidente Leuza Farias. Seria mais honesto pedir desculpas e ressaltar que a intenção era outra. Isso mostraria que o Conselho respira antes de projetar suas ações na sociedade. Respirar é melhor que (res)PIRAR, presidente.  

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Uma interessante fala de Ayres, o novo secretário: "Hoje se planeja pouco na Saúde". Detalhe: o governo é o mesmo!

Internet Daf33ff6 b720 47d2 838d 29e3d94e1c45 Alexandre Ayres, Renan Filho e Maurício Quintella

Li com atenção uma entrevista concedida pelo novo secretário de Saúde, Alexandre Ayres, ao meu colega jornalista Edivaldo Júnior, em seu blog na Gazetaweb. É possível perceber - ao menos pelas declarações - que o novo titular da pasta chega com vontade de resolver velhos gargalos que foram problemáticos para a primeira gestão do governador Renan Filho (MDB). 

Em que pese o governador de Alagoas ter anunciado construções de novos hospitais, os quatro anos passados foram sim de inúmeros questionamentos em relação à Saúde, inclusive com uma operação da Polícia Federal - a Correlatos - que teve o atual e o Executivo passado como alvos. É preciso somar a isso, desabastecimentos, problemas com fornecedores, questões graves que envolveram o HGE e a maternidade Santa Mônica e por aí vai. Há textos aqui nesse blog que tratam sobre o assunto. 

Em meio a turbulência da operação da PF, o governador fez a troca de secretários pela primeira vez e entrou Cristhian Teixeira na pasta. Ficou por dois anos. A secretaria teve suas prioridades de gastos questionadas até em matérias nacionais. 

O que é interessante na entrevista concedida por Ayres é que a sensação que fica para o cidadão que precisa do sistema é exatamente a que o novo secretário coloca: "Tenho já os números da Saúde, já vinha anlisando dados com muito interesse. O que posso dizer é que não haverá necessidade de conhecer nada. Vou trabahar para resolver no curto prazo. E resolver com planejamento. Hoje se planeja pouco na Saúde. A equipe fica assoberbada, apagando incêndio". 

O que se apreende desta declaração é o seguinte: 1) Ayres já estava estudando a pasta e, consequentemente, já sabia da mudança bem antes do anunciado e 2) deixa claro que em quatro anos o governo estadual não conseguiu ter um planejamento ou pelo menos por em prática. Afinal, diz assumir a secretária justamente para isso. 

Vou colocar de forma mais clara: o atual secretário de Saúde do Estado de Alagoas, Alexandre Ayres, diz que assume a pasta para colocar em andamento um planejamento, pois antes as equipes estavam assoberbadas, diante da ausência deste. Detalhe: o governo passado é o governo atual. Não é bom saber que passaram quatro anos para se perceber isso? 

Em todo caso, desejo boa sorte a Ayres. Quem usa do serviço público - e eu sou um deles - quer o mínimo do atendimento com qualidade. Torço de coração para que o secretário consiga melhorar os serviços prestados e rever as prioridades. Pode ter sido sim uma boa escolha do governador, pois não coloca a pasta nas negociações política em função das alianças eleitorais. Espero que isso reflita positivamente na prática.

Ayres toca em outros pontos nessa mesma entrevista concedida ao Edivaldo Júnior, como a municipalização do antendimento, abertura dos hospitais que estão sendo construídos e a melhoria de relação com a Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). O foco imediato - pelo que se entende da entrevista - é resolver o problema do desabastecimento. Ele (o atua secretário) fez referências positivas ao Cristhian Teixeira, afirmando que o antecessor buscou trabalhar como pode dentro do período que ficou no cargo. 

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Jó Pereira: uma possível independência em um grupo que se distancia do governo

Foto: Assessoria 5c85c758 4798 480e 92cc f76f0b322ef5 Deputada Jó Pereira

Já comentei aqui em outro texto que o grupo político do qual faz parte a deputada estadual Jó Pereira (MDB) - que tem uma linha mais progressista na Casa de Tavares Bastos, como a defesa das questões de gênero, dentre outras - anda cada vez mais distante das esferas palacianas. Recentemente, alguns membros desse grupo até entraram no PP, partido do ex-senador Benedito de Lira e do deputado federal Arthur Lira, que foram coordenadores da oposição. 

É claro: nunca estiveram distantes também. Pereira votou em Benedito de Lira.

Jó Pereira ainda é do partido do governador Renan Filho (MDB). Se será por muito tempo ou não, é outra história. Mas se reelegeu na composição política que levou Renan Filho de volta ao Executivo. 

Dito isso, seria injusto dizer que Jó Pereira já não criticou o governo estadual em outros momentos. Sim, o fez. Mas no limite de uma base governista. Todavia, ao contrário de muitos na Casa, sua atuação se firmou em uma identidade no primeiro mandato. Pode-se criticar - como eu já fiz - os valores que a parlamentar defende, mas não se pode dizer que não houve coerência da deputada da diversidade. Não falo em tom de crítica, mas por saber que é bandeira cara a ela. 

Tanto que ela foi contraponto a quem tinha o pensamento mais liberal. No caso, por exemplo, o deputado Bruno Toledo (PROS). Não foram raros os embates de ideias entre os dois, mas sempre respeitosos e pautados por suas convicções. Em minha visão, mesmo pensando o contrário da linha mestra do madato progressista de Jó Pereira, acho que tais embates enriquecem o parlamento e mostram ao eleitor quem é quem para que ele decida. 

Acho até um ganho o retorno de Pereira à Casa e espero debates firmes com os mais liberais como Davi Maia (Democratas). Que eles surjam. Enriquece a Assembleia.

É bem melhor do que os muitos deputados que entram mudo e saem calados do parlamento estadual, como foi o caso de Severino Pessoa - atualmente deputado federal - e Marquinhos Madeira. Estes, nulidades na produção de pensamento. Logo, mesmo discordando de Pereira em quase tudo, tenho respeito por ela e por seu mandato. 

Agora, na nova legislatura, ela chegou - para dizer no popular - "chutando o pau da barraca". Reflexos das movimentações políticas do grupo que faz parte? Difícil afirmar ainda. Agora, eu afirmo por conta e risco: Jó Pereira e seu grupo político estão em busca de maior protagonismo, sobretudo na avenida aberta carente de novas lideranças. Não estranhem se Jó Pereira, em futuro próximo, for nome cogitado para alianças políticas em Maceió. Em maior espaço de tempo, presença disputada nas disputas estaduais. 

Claro, se indagarem isso à deputada, ela dirá o óbvio: "Ainda é muito cedo". Aposto nisso. Todavia, os ventos da política são os ventos da política não é mesmo?

Na sessão passada, Jó Pereira conseguiu trazer para si o que deveria ser uma busca de todo parlamentar ao levar um tema à Casa: o centro das atenções. É o que garante repercussão e faz nascer resolutividade para o que é debatido. Ela defendeu uma Assembleia Legislativa proativa e mais independente. 

E nesse gancho, fez cobranças ao Executivo, como resolução do atraso do pagamento aos pequenos e médios produtores rurais que atuam para  Programa do Leite em Alagoas. Eles estão - segundo a deputada - sem receber há 120 dias. Sim, o assunto é sério. O foco acertado. 

Claro, em seu discurso teve seu toque de defensora das minorias ao falar de feminismo. 

Ao seguir falando do Estado, lembrou que o governo terá apoio em seus acertos, mas também terá o confronto necessário quando for preciso. É um discurso de linha de independência que para o bom entendedor bastam meias-palavras. 

E o confronto já veio: Pereira foi dura ao falar da questão dos produtores de leite. Eis um trecho: "O governo de Alagoas tem ou não tem condições de permanecer com o programa? Se tem, em que tamanho? Precisamos saber”, cobrou. E aí, Renan Filho: tem ou não tem?

Mas não é só isso: Jó Pereira destacou urgência na aplicação do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, o PAA Alagoano.

“No ano passado sofremos contingenciamento e cortes fortes nos PAA’s de execução por parte de órgãos federais. Um pouco foi realizado pela Conab, outras execuções pela Emater, mas com recursos do governo federal. O nosso PAA Alagoano não pôde ser efetuado porque era uma lei recente e por isso, em ano eleitoral, não era permitida sua execução no período”, disse.

Agora, vejam: Jó Pereira disse que não tem pé na direita ou ná esquerda, mas sim os dois pés no chão, na consciência de que temos que defender sempre o Estado democrático, do direito ao desenvolvimento socioeconômico do indivíduo e do coletivo, combatendo desigualdade e privilégios, avançando sempre calçados em planejamento de políticas públicas de Estado". 

Bem, levando em consideração as pautas travadas por Pereira na legislatura passada, digo: ter os pés no chão não elimina ter um viés de pensamento mais à direita ou mais à esquerda. Tirar os pés do chão é, aí sim, enxergar a realidade apenas por prismas ideológicos de uma determinada concepção política, pois toda ideologia possui suas falhas na tentativa de racionalizar todo o comportamento humano dentro de uma caixinha. O indivíduo é sempre maior que isso e bem mais complexo, mesmo que tenha a tendência para um lado ou para o outro.

Jó Pereira busca sim ter os pés no chão procurando o encadeamento lógico e argumentos plausíveis para o que defende. Ela é uma paramentar inteligente e com talento natural para a tribuna.

Mas, Jó Pereira, Oh, Jó Pereira, convenhamos Jó Pereira, é inegável que suas convicções possuem um pé e meio na esquerda, bastando observar as bandeiras abraçadas. É só ler realmente o que é direita e esquerda sem cair em espantalhos por ambos os lados. Um dia eu até posso detalhar isso melhor...

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O Caixa 2 e Sérgio Moro: o que já disse e o que propôs o ministro? Ele afirma que o crime é grave!

Agência Brasil A5ef8edb 276c 43eb 948e 71ed8657534d Sérgio Moro

O ministro e ex-juiz Sérgio Moro está sendo exposto em mais uma polêmica por conta de sua recente declaração sobre o uso do famoso "recurso por fora" em período eleitoral, mais conhecido como Caixa 2. Em primeiro lugar: é um ato que tem que ser combatido com todas as forças, pois daí nasce uma série de corrupções. Logo, lamento o fatiamento do projeto oriundo das negociações com os parlamentares.

O assunto "Caixa 2" se encontra no pacote de medidas propostas pelo Ministério de Segurança Pública enviado ao Congresso Nacional. No documento elaborado por Moro, é a 14° medida proposta. Trata-se da mudança na Lei de número 4.737/1965, o Código Eleitoral. O foco é o artigo 350. 

Atualmente esse é o texto:

"Art. 350. Omitir, em documento público ou particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais:
Pena - reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular.
Parágrafo único. Se o agente da falsidade documental é funcionário público e comete o crime prevalecendo-se do cargo ou se a falsificação ou alteração é de assentamentos de registro civil, a pena é agravada". 

A proposta de Moro traz a seguinte redação:

“Art. 350-A. Arrecadar, receber, manter, movimentar ou utilizar qualquer recurso, valor, bens ou serviços estimáveis em dinheiro, paralelamente à contabilidade exigida pela legislação eleitoral.
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, se o fato não constitui crime mais grave.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem doar, contribuir ou fornecer recursos, valores, bens ou serviços nas circunstâncias estabelecidas no caput.
§ 2º Incorrem nas mesmas penas os candidatos e os integrantes dos órgãos dos partidos políticos e das coligações quando concorrerem, de qualquer modo, para a prática criminosa.
§ 3º A pena será aumentada em 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), no caso de algum agente público concorrer, de qualquer modo, para a prática criminosa.”

Ocorre que política é a arte do possível e na divisão dos poderes constituídos há um parlamento pela frente que pode aprovar tudo do pacote ou não. Com isso, surgem negociações e podem existir mudanças no proposto. Como muitos deputados querem salvar os próprios fundilhos e pensam no futuro, o Caixa 2 é um assunto indigesto...

Moro e o governo cederam a pressão para aprovar a matéria. Esse é um fato. E isto pode sim ser alvo de críticas. 

É que, infelizmente, a resitência dos parlamentares à criminalização do Caixa 2 poderia colocar a perder todo o pacote. O governo - na negociação - priorizou as outras mudanças de leis que são vistas como prioritárias pelo governo. 

O chamado "caixa 2" ainda não é previsto como crime no Código Penal, mas somente no Eleitoral. A alteração na legislação eleitoral é justamente a 14ª proposta. Como cidadão, reitero, lamento muitíssimo o fatiamento e é uma pena que o Congresso Nacional apresente essa resistência. Mas, ou se perde um ponto ou se perde o projeto todo. Então, eis em cena a arte da política. 

E o que disse Moro sobre o assunto? Bem, em momento algum ele defendeu que "Caixa 2" não seria um crime grave. Ao contrário. Dizer que ele entrou no mérito para amenizar a prática do Caixa 2 não corresponde à verdade. A crítica ao ministro e ao governo pode ser pela posição política de olho no cenário do Congresso, mas nunca pelo mérito. Tanto que se pretende trabalhar a pauta fora do pacote.

Eis a frase do ministro:

"O governo está sensível ao debate e nós queremos levar os projetos ao Congresso e convencer os parlamentares do acerto. Mas, também estamos abertos a sugestões. Houve uma reclamação por parte de alguns agentes políticos de que o caixa 2 é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, que crime organizado e crimes violentos. Então, acabamos optando por colocar a criminalização à parte, mas que está sendo encaminhada ao mesmo momento". 

Ou seja: ele destaca a questão da negociação política, ressalta a dependência do diálogo para a aprovação do pacote, fala em sugestões e sobre a reclamação por parte dos políticos do Congresso. Mas atesta, Caixa 2 é um crime grave, mas sem a mesma gravidade da corrupção, de crime orgnizado e crimes violentos, na óptica de forças políticas do parlamento. É uma questão de escala lida pelo Congresso. Porém, ainda assim está sendo posto o projeto à parte e foi encaminhado. 

A mudança é de estratégia e não de convicções. 

E ele separa o Caixa 2 de corrupção por definição técnica, já que o segundo está no artigo 317 do Código Penal e o outro, como já citado, no Código Eleitoral. Ainda assim, o ministro volta a afirmar, como de outras vezes, que é um crime que não está adequadamente tipificado. 

"Ah, mas em anos anteriores - quando ministro - Moro falou em "Caixa 2""! É verdade. Vamos às declarações. 

Em 2016, ele disse que é "particularmente favorável a essa criminaização". Continua sendo, como visto acima. "Eu acho que o Caixa 2 muitas vezes é visto como um ilícito, mas é trapaça em eleição", complementou. Até aqui a visão é a mesma, uma vez que define como crime grave, mas não tecnicamente igual á corrupção. 

Moro segue: "E há uma carência da nossa legislação de tipificar esse tipo de atividade. E essa carência acaba gerando suas consequências no sentido de que se isso não é criminalizado, é tipo como permitido”. O pensamento de Moro ainda é o mesmo, tanto que a proposta fatiada segue ao Congresso. Nela, se tenta melhorará a tipificação. 

Tanto que no evento cobrou maior participação do Executivo e do Legislativo no combate à corrupção, em 2016. Agora, no Executivo, manda medidas que expressam a visão dele. 

Em 2017, em outra oportunidade, Moro destacou o seguinte:  “Tem que se falar a verdade, caixa dois nas eleições é trapaça, é crime contra a democracia. Alguns desses processos me causam espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre corrupção para fins de enriquecimento ilícito, e a corrupção para fins de financiamento de campanha eleitoral. Para mim, a corrupção para financiamento de campanha eleitoral é pior que para o enriquecimento ilícito”. 

Moro fala que o Caixa 2 abre portas para uma corrupção mais grave que o enriquecimento ilícito. E não que ele em si é mais grave que a corrupção.

E segue: "Se eu peguei essa propina e coloquei numa conta na Suíça, isso é provável crime, mas esse dinheiro está lá, não está fazendo mais mal a ninguém naquele momento. Agora, eu utilizo isso para ganhar uma eleição? para trapacear numa eleição? Isso pra mim é terrível". Fica, portanto, ainda mais claro aqui.

Moro fala do uso do recurso para a corrupção, mas não da tipificação penal destes de maneira técnica. Mas ainda assim sustenta a gravidade que sustenta agora. 

Agora, mesmo entendendo o mecanismo da política, acho sim uma pena o governo ceder e fatiar. Coloca sim o ministro em uma situação difícil que vai o encontro do que desejaria, tendo que encarar "ossos de ofício" que são bem mais desgastantes do que quando juiz. Isso mostra as dificuldades com o Congresso, talvez fruto da pressa de aprovar tudo de uma vez, mesmo sendo uma pressa que o país precisa. 

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Rodrigo Cunha apoia convite para Bebianno ir falar na Comissão de Transparência do Senado

Roque de Sá/Agência Senado Aef9e746 b8eb 4f6f 8d2a 646eb0869e3a Senador Rodrigo Cunha

Não se trata aqui de uma análise de mérito, mas a exposição do fato por si só. O leitor que  a faça de forma livre. Sobre o mérito, pode ser que eu retorne ao assunto.

O senador Rodrigo Cunha (PSDB) - que já foi acusado por muitos de ser um bolsonarista às escondidas (a mais recente insinuação neste sentido veio do deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT)) - demonstrou apoio ao convite, aprovado na Comissão de Transparência do Senado Federal, feito ao ex-ministro Gustavo Bebianno.

Cunha, em suas redes sociais, diz que está dentro das atribuições desta Comissão no Senado Federal: "trazer autoridades para prestar esclarecimentos e interesse nacional".

Trata-se de uma proposição do senador Randolfe Rodrigues (Rede). O placar foi apertado. Foram seis votos favoráveis e cinco contrários. Ainda não há data marcada para a Comissão ouvir Bebianno. Randolfe Rodrigues quer saber sobre o financiamento de campanha do presidente.

O papel de Cunha?

Bem, segundo informações da Agência Senado, a aprovação foi precedida de uma discussão sobre a regimentalidade do convite, já que Bebianno não é mais ministro e a Comissão não teria a competência para ouvi-lo como cidadão, mas apenas como autoridade. Rodrigo Cunha - que preside a Comissão - acatou a interpretação de que as comissões permanentes são aptas, segundo a Constituição Federal, para solicitar o depoimento de qualquer pessoa.

Não adiantou as falas dos senadores Major Olimpo (PSL) e Rodrigo Pacheco (Democratas) para lembrar que o caso da candidata laranja em Pernambuco já estava sendo investigado pela Justiça Eleitoral e pelo Ministério Público, sendo portanto, só possível de ser tratado no Senado Federal se houvesse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que tivesse referência ao assunto.

É claro que a oposição - e é da política - vai tentar fazer a festa!

Esse fato demonstra o que já disse aqui: a posição de Cunha na eleição para a presidência do Senado Federal se dá muito mais por uma oposição ao senador Renan Calheiros (MDB), que ainda é reflexo da política paroquial e das circunstâncias que levou o tucano a se eleger, do que qualquer aproximação de Cunha com uma direita ou com o governo federal. Simples assim.

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Pacote do Moro: que Marx Beltrão entenda que não dá para enfiar todas as preocupações de longo prazo em um projeto de foco definido...

Assessoria 4967ae09 2c0c 4674 818e c80427a127b3 Deputado Marx Beltrão

São produtivas as pontuações feitas pelo deputado federal Marx Beltrão (PSD) - que coordena a bancada federal alagoana - sobre o pacote de medidas do ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro, na busca pelo endurecimento da legislação contra a criminalidade. Mas vale a discussão sobre os pontos postos. Eis que busco fazê-la...

Beltrão, por exemplo, conseguiu apresentar mais substância nos pontos que toca do que o discurso do senador Fernando Collor de Mello (PROS), que analisei neste blog. Fez isso mesmo sendo mais objetivo que o senador.

Concordo, por exemplo, com o que Beltrão coloca em relação aos tratamentos dado a criminosos que se aproveitem dos cargos que ocupam para cometer ilícitos. Devem ser tratados por igual, estejam eles na esfera do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. A mesma lei para todos e com cada vez menos privilégios. Por sinal, são esses privilégios que ajudaram a construir nesse país o chamado "estamento burocrático", como conceitua o intelectual Raimundo Faoro.

Nesse estamento, o poder emana do povo para contra ele ser exercido. Ou, como diria o escritor George Orwell em seu maravilhoso A Revolução dos Bichos, acabam "todos iguais, mas uns mais iguais que os outros".

Há, com isso, uma casta que acaba sendo blindada por determinados foros e excessos de prerrogativas de cargos. Um bom exemplo disso vemos nos méritos que tomam conta das discussões sobre a proposta de CPI da Toga ou nas críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal (STF), quando ministros deixam de cumprir o papel de guardar a Constituição para se tornarem ativistas.

Não que haja ali  muitas vezes um crime em si, mas vemos as consequências do excesso de poder sem a direta grandeza das consequências dos atos e a responsabilidade sobre estes, colocando cada poder em seu quadrado, com menos privilégios, mais serviços produtivos a quem paga a conta (o contribuinte) e funções delimitadas, para que se tenha o que é cabível no caso dessas serem extrapoladas. Em outras palavras, o famoso abuso de autoridade que Marx Beltrão coloca.

Essa discussão será sempre atual e precisa ser travada.  Se o Congresso Nacional encontrar espaço para aprimoramentos - como fala Beltrão - que não prejudique a essência do projeto, mas que o corrija para verdadeiramente ser aquilo a que se propõe, eis algo válido. Vejo essa preocupação na fala de Beltrão e isto me agrada.

Mas é bom não perder de vista que a proposta de Moro se dirige à bandidagem que atua - de forma hedionda - seja pelo crime violento organizado, pelas atrocidades criminosas e até pelo crime de colarinho branco. O foco ali não é - e nem deve ser a ressocialização ou a prevenção - mas o combate à impunidade. As demais discussões, que devem incluir sim a preocupação de ressocializar, devem se dar em outro momento.

É o que cabe à pasta e à função do ministro Sérgio Moro diante da realidade que vivenciamos. Um país de aproximadamete 60 mil homicídios por ano, com um índice de resolutividade baixíssimo para punir homicidas, latrocinistas etc. Quanto mais grave o crime, quanto mais qualificadores de motivo torpe, crueldade, enfim, maior deve ser a pena. É o país de milhões de casos de estupros, casos de corrupção e outros crimes hediondos. O foco - diante de tal cenário - tem que ser a vítima e a punição, para não gerar a sensação de insegurança, revolta e impunidade. É ou não é o que temos hoje?

Então, ao dizer isso se é contrário às políticas preventivas que passam por educação e outras áreas transversais? Claro que não! Elas são fundamentais!

Mas esta tem que ser uma discussão em separado para que também tenha efetividade. Se tudo vier no mesmo bolo, corre o risco de desmontar o pacote de Moro e não se ter nem uma coisa nem outra. Nossas leis são frouxas e cheias de brechas para quem quer delinquir. É um estímulo por si só, com saidinhas temporárias para criminosos cruéis, garantindo uma morosidade por meio de recursos excessivos que dão às famílias de vítimas a sensação de injustiça, e com um viéis ideológico absurdo que culpa muito mais a sociedade do que o verdadeiro culpado. E olhe que nem é tudo, mas isso precisa ser pensado.

Marx Beltrão não pode se esquecer disso. E é aqui que entro em um ponto de sua fala que creio merecer atenção. O parlamentar acerta ao afirmar que está óbvia a necessidade de leis mais rigorosas. Porém, ao falar de outro ponto também acertado, como a cobrança de ações de melhorias na Educação e para que o Estado possa fomentar políticas que gerem emprego e renda (esqueceu de falar de estímulo ao empreendedorismo, mas sei que ele defende isso), tem que compreender que essa discussão deve se dar em outra frente complementar, e não trazer isso para dentro de um projeto que tem um objetivo cirúrgico e um foco previamente anunciado.

O governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) tem outras pastas, como Educação e as que cuidam - por meio de ações transversais - de cidadania, desde o ministério de Damares Alves ao de Paulo Guedes. E aí sim, cabe a cobrança de celeridade nesses ministérios para que apresentem suas politicas de ações; para que tenhamos projetos de médio e longo prazo, que venham a garantir uma sociedade mais pacífica, com o resgate de valores caros à maioria dos brasileiros,  melhores serviços pelos quais estes pagam e pagam caro, seja na área de Educação ou Saúde ou qualquer outra.

Se o governo funcionar bem de forma global, teremos resultados complementares onde a soma será maior que o todo. Todavia, o pacote de propostas apresentados por Moro não pode ter seu foco desviado para que não seja desmontado, mas apenas aprimorado, corrigindo eventuais erros e até aperfeiçoando, caso amplie ainda mais a rigorisidade para cima da bandidagem hedionda. O pacote está longe de ser revolucionário (a estrutura do Estado não permite isso), mas toca em pontos que podem ter efeito positivo e dar celeridade à Justiça. É isso e nada mais que isso.

Não podemos achar que o Código Penal ou a Lei de Execuções Penais deva passar a tratar de Educação e prevenção de forma direta. Ele pode sim contribuir a partir do momento que se atualiza, como é o caso das penas alternativas para crimes menores, a adoção do princípio da insignificância para alguns casos. Assim,  focar em punir severamente quem merece ser punido severamente e resolver casos menores da forma devida para que presídios não virem a "universidade do crime".

É claro - como diz Beltrão - que países que reduziram a criminalidade o fizeram em função de uma série de ações, mas todas em eixos específicos de atuação que ao final se encontravam em um objetivo, e não confundindo os focos das partes que atuam no processo.

Cobrar mais investimentos direcionados à Educação e à geração de empregos para discutir o pacote de Sérgio Moro, é querer fazer crer que um governo vai ecaminhar essa proposta e achar que resolveu tudo e que nada mais merece ser discutido. Como se o assunto não estivesse sendo pautado em outras áreas.

Concorde-se ou não com os demais ministros de Bolsonaro, é preciso reconhecer que essas discussões são feitas. Claro, alguém pode não concordar com o mérito. Então, que entre na discussão. Que o parlmentar alagoano possa fazer.

Acaso Marx Beltrão não ouviu o ministro da Educação, Ricardo Vélez, destacar a importância de uma maior atenção - com investimentos - na educação básica para a formação integral do indivíduo?  Ele aposta nessa linha como primordial, invertendo a atual pirâmide que nos leva a investir - proporcionalmente - mais no nível superior que no básico. Isso é pensar no médio e longo prazo que Marx Beltrão pontua, ora bolas.

Isso é buscar - nas palavras do deputado federal - "resultados postivos e longevos quando encaram o investimento na formação de pessoas como algo primordial e inadiável". Que Beltrão, diante de suas cobranças, passe a estreitar laços com Vélez para buscar conhecer, aprimorar e até sugerir correções no que ele está pensando. Será produtivo diante das preocupações importantes do parlametar. Afinal, isso jamais vai estar em uma proposta de Moro.

Se o parlamentar acha que estou errado, peço que pesquise quantas vezes um projeto que trata de criminalidade e segurança pública falou em escolas? Isso quer dizer que o governo excluiu pensar em Educação? Não. Significa que tudo tem sua área para assim atingir um todo para onde as políticas públicas devem convergir. É a filosofia de um governo.

O pacote para ser eficaz precisa é ser objetivo e apontar soluções para os problemas que identifica no caso dos crimes hediondos e de colarinho branco. Agora, o governo é que não pode ficar só nisso quando projeta um país melhor para o futuro.

E aí, cabe sim a discussão mais ampla com os vários setores. Espero que Marx Beltrão, que me pareceu extremamente honesto intelectualmente em suas posições, entenda o que aqui coloco. Não se trata de discordar do deputado, mas ele - mais do que eu - entende a lógica do porque o Executivo se dividir em ministérios. Afinal, assumiu a pasta do Turismo no governo de Michel Temer (MDB).

Quando ministro, Marx Beltrão sabia que seu raio de atuação era limitado e as propostas tinham que ser objetivas e com foco, mas que estes focos e objetivos se integravam em uma filosofia maior do governo, que também dependia de outras ações em outras pastas? Ou não?

A preocupação do nosso parlamentar está correta. Eu só espero que ele não queira que ela esteja escrita nos projetos enviados por Sérgio Moro, pois o lugar dela é outro. O risco de misturar alhos e bugalhos é estragar a comida...por excesso ou por falta!

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Os aúdios de Bebianno mostram uma relação com Bolsonaro que já estava desgastada. Nada mais que isso...

Agência Brasil 8d1d3a40 1f31 41c6 b985 ce857df46aca Jair Bolsonaro

Em minha visão, o presidente estadual do PSL, Flávio Moreno, acerta quando diz que o episódio dos "áudios vazados", que mostram conversas do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) com o ex-ministro Gutavo Bebianno,  é uma "crise passageira". Afinal, não vai durar os próximos quatro anos do governo de Bolsonaro.

Todavia, há pontos que merecem ser esmiuçados,  e aí não é apenas uma avaliação do tempo de crise, mas sim do que ela provoca e das sequelas que deixa. Está aí o que o PSL deve pensar e repensar. Há um fato grave e inegável: o uso de pelo menos uma candidatura laranja pelo partido no Estado de Pernambuco.

Não é segredo que antes das transformações pelas quais o PSL passou - lá atrás com o Livres e mais recente com o Bolsonaro - a legenda veio tentando se mostrar como uma alternativa de convicções sólidas em determinados valores. Claro: no Livres, um conjunto de valores. Com Bolsonaro, outro conjunto. Tanto que houve a debandada dos membros do Livres quando Jair Messias Bolsonaro ingressou na agremiação.

A construção dessa imagem teve efeito: muita gente se elegeu e teve crescimento político no "efeito Bolsonaro". 

Mas, independente desses conjuntos de valores, uma mensagem: uma sigla diferente. Se velhas práticas são apontadas, é preciso que o partido se diferencie das estruturas que critica e apoie em todas as suas esferas investigações por parte da Polícia Federal (PF). De forma profunda e doa em quem doer. Creio que Moreno concorda comigo. 

Problemas há em todos os partidos e instituições onde há humanos. Ninguém está a salvo disso. A diferença é como se lida: trazendo à luz ou esperando a tempestade passar para jogar para debaixo do tapete. Nesse caso, não há elemento que jogue Bolsonaro dentro dessa crise. Ao contrário, mostra - inclusive nos áudios - que o presidente foi tomado de surpresa e determinou investigações. Ou seja: parece ter escolhido a luz. 

Nos áudios, Bebianno trata do tema uma única vez: diz que não tem nada a ver com o fato e que também apoia as investigações. Joga a responsabilidade da esfera estadual de Pernambuco no parlamentar Luciano Bivar. O presidente Bolsonaro acerta ao determinar as investigações e ao agir politicamente de forma a evitar que a bomba caia em seu colo.

Agora, faltou um pouco de inteligência política de todas as partes para lidar com a crise e esta foi prolongada. Não se governa pelas redes sociais e nem com ímpetos, ainda mais quando se sabe que se lida com uma parcela da mídia que se guia por narrativas e busca - por convicções ideológicas - desestabilizar o governo a qualquer custo. Isso é uma realidade.

O que não quer dizer que todos os críticos se guiem por isso. Alguns buscam a crítica  - como tem que ser - em nome do jornalismo isento e verdadeiro. E aí, se há o que criticar tem que ser criticado. E o fato envolvendo o PSL é um deles. Não é uma questão de governo, evidentemente. Mas um problema dentro da agremiação que elegeu o presidente e coloca nomes importantes como alvo: Bebianno e Bivar. Natural que acabe resvalando no governo mesmo sem ter a ver com a administração do país. A crise é política.

Em todo caso, imprensa livre sempre!

Dito isto:

Gustavo Bebianno - pelo lugar que ocupou - deveria ter a confiança do presidente Jair Bolsonaro. Aqui, um problema que não é a questão evolvendo o PSL: os áudios demonstram uma insatisfação de Bolsonaro com várias ações que estavam sendo adotadas pelo ex-ministro em tão pouco tempo de governo. A confiança foi se desgastando. 

Bolsonaro responsabiliza Bebianno por vazametos seletivos e estratégicos na imprensa; de uma reunião sem sentido com um executivo do Globo (o que é bem diferente de se reunir com a imprensa. Afinal, os interesses de um jornalista ao buscar uma fonte do governo não são os mesmos de um executivo empresarial ao buscar se aproximar deste. É claro que a questão era um alinhamento editorial e isso tem um preço); e de uma ação intempestiva de anúncios de obras na Amazônia, onde o chefe do Executivo pede, no mínimo, mais cautela.

Nota-se ainda o seguinte no vazamento desses áudios: a conversa se dá de "um para um" - entre Bolsonaro e Bebianno - e o primeiro áudio não foi vazado, mas exposto por Carlos Bolsonaro, filho do presidente, com todos os riscos que este correu na intepretação a ser dada pelas narrativas. Porém, depois se fala em áudios vazados, para colocar o presidente como mentiroso. Ora, se não foi Bolsonaro que vazou o restante da conversa, as suspeitas recaem todas sobre Bebianno.

Isso só mostra que a relação de confiança entre os dois estava extremamete abalada e a questão não era apenas o PSL. Bebianno - diante desse quadro - não duraria muito no cargo. A diferença é que poderia ter sido construida uma saída honrosa ou até mudança de função, o que - em contexto diferente - poderia até ter amenizado a crise. Em todo caso, vejam só: para provar que não vazava nada a imprensa, Bebianno pode ter vazado os áudios. Interessante...

As sequelas do ocorrido é que devem ser a preocupação do governo agora. Quanto ao que ocorreu no PSL de Pernambuco que seja assunto dos órgãos de investigação, com exceção do surgimento de novidades que venham envolver outras pessoas do governo.

O governo agora deve ter foco nas reformas que quer aprovar: Previdência, Leis Anti-crimes e outros projetos que vão surgir. Trabalhar para dissipar a crise política e tirar lições sobre o uso indiscriminado das redes sociais. Não dá pra ficar remoendo e alimentando crises. Que a lição seja: a prudência de lidar com os fatos,  com rotas de colisões públicas, mas sem provocá-las ou alimentá-las. De toda forma, com um áudio vazado o que se percebe é que o que envolve o partido foi só a cereja do bolo na relação com o ex-ministro.

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Não houve "especulação" no caso da saída de Ivon Berto. Houve informações de dentro da Prefeitura...

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Tratei do caso da saída do coronel Ivon Berto da pasta da Secretaria de Segurança Comunitária, que faz parte da estrutura da Prefeitura Municipal de Maceió.

O assunto já havia sido abordado - apenas pelo fato em si - pela Coluna Labafero. No entanto, destaquei que diante da saída, uma fonte muito próxima ao prefeito soube que Berto saiu insatisfeito, pois projetava uma candidatura a vereador e a pasta é um holofote que ajuda.

As conversas dentro da Prefeitura Municipal de Maceió - e disse isso no texto - se dividiam em duas: 1) quem fazia a leitura de um possível rompimento do prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), com o senador Fernando Collor de Mello (PROS), já que Berto assumiu a pasta em função de uma aliança firmada no segundo turno que elegeu Palmeira;  2) quem afirmava que não. Que o próprio Collor iria indicar o novo secetário.

Se, como diz a Coluna Labafero, há quem tenha especulado um rompimento com Collor em função da saída de Berto, uma dica ao prefeito: essas pessoas estão na administração municipal. Não se trata de "imaginação", mas de uma leitura concreta entre aliados de Rui Palmeira que imaginavam uma recomposição das forças políticas.

Ao mesmo tempo, havia a outra leitura do fato. Sabe-se agora - com base a boa informação da Labafero - que Collor indicará um nome para outra pasta: a do Meio Ambiente. É esperar para saber quem é esse nome. Caso se confirme, Collor segue aliado. 

Agora, só não revelarei a fonte. 

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Sobre a polêmica em torno do filme de Marighella...

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Há coisas das quais não abro mão. Uma delas é a liberdade de expressão. Já defendi - e quem me acompanha aqui sabe bem disso - esse direito em relação a pessoas que pensam o oposto de mim. Nenhum conteúdo pode sofrer censura prévia. Que ele exista e - a partir do divulgado - passe pelo escrutínio e/ou em caso de cometimento de crimes previstos no código de leis passe a responder por isso.

Não creio que o segundo caso seja o da película. Pagará um preço sim, mas apenas pelas distorções que faz por conta da escolha ideológica do cineasta e ator Wagner Moura. O primeiro fato já vem sendo ridicularizado nas redes sociais, pois não é nem preciso assistir o filme: transforma Marighella em uma pessoa negra, quando isso não corresponde à realidade, como mostra a própria certidão de óbito do revolucionário.

Sou contra a campanhas de boicote. Fui contra no filme O Jardim das Aflições. Sou contra agora. Isso só faz promover ainda mais. Quem quiser que veja. Quem não quiser, não veja. Liberdade. Eu tenho até curiosidade, mas deixarei para assistir quando estiver em serviços de streaming. 

Portanto, ainda não assisti o filme, mas acredito que não erro quando pontuo isso: pagará também o preço de ser alvo de polêmicas por não retratar o período com as complexidades inerentes a ele, transformando-o apenas na retórica do mocinho versus bandido.

Se de um lado, tinhamos o regime militar com seu período de exceção, que pode sim e deve ser criticado; do outro lado, antes mesmo da instalação do regime, tinhamos guerrilheiros comunistas que cometeram suas atrocidades não em nome da liberdade, mas de uma revolução aos moldes de Cuba e da extinta URSS.

Quem tiver estudado o comunismo a sério - e não faltam fontes, como Ascensão e Queda do Comunismo do historiador Archie Brown e a coletânea O Livro Negro do Comunismo, além de Cortina de Ferro de Anne Applebaum - verá uma ideologia sendo utilizada para a construção de um regime totalitário, com fuziliamentos, execuções sumárias, genocídio até por fome, campos de concentração, expurgos, dentre outras atrocidades.

No caso de Marighella, essa ideologia revolucionária se fazia tão presente que ele enxergava, por exemplo, o sufrágio universal para determinar os destinos de uma democracia como mero instrumento burguês. Para o revolucionário, a "transformação social" deveria ser por meios violentos contra os aparelhos considerados burgueses, como o aparato policial, os capitalistas etc. Por isso, há até em seus escritos a defesa da expropriação da propriedade privada.

Não há nenhum humanista em cartaz, como já quis colocar uma crítica publicada no Portal UOL.

Isto tudo se faz presente no principal escrito de Marighella: o Manual do Guerrilheiro Urbano, que pode ser encontrado fácil para e-book na internet. Nele, a linguagem é da violência. Afinal, é um homem que carregava em si os ideias de Mao Tse Tung e Joseph Stalin. Sabemos bem o que esses homens produziram na história. Foram tiranos, como foram tiranos Hitler e Benito Mussolini, ainda que haja diferenças no cerne ideológico do comunismo, fascismo e nazismo.

Como diz o pensador Alain Besançon, esses três regimes nefastos foram as infelicidades do século XX. Produziram bem mais que 120 milhões de mortos. É mais que s duas guerras mundiais juntas. Era com isso que Marighella flertava. Portanto, está muito longe de ser um herói contra um período de exceção, já que as crenças e ações de guerrilhas são anteriores ao regime militar brasileiro, como mostra o livro "1964: O Elo Perdido" de Mauro Kraenski e Vlademir Petrilák.

Há ainda outra obra muito importante sobre o momento: "O Golpe de 1964" de Itamar Flávio Silveira e Suelem Carvalho. Nesta, há uma lista das vítimas, que incluem 200 pessoas assassinadas pelas guerrilhas de comunistas.

(Por sinal, vale a leitura do livro de Besançon, chamado A Infelicidade do Século).

É claro que democracia é o que deve ser defendido sempre. Razão pela qual sou oposição a regimes militares. Mas, é também a mesma razão pela qual repudio comunismo, nazismo e fascismo. A democracia tem seus defeitos, mas é melhor ela que qualquer outro sistema, como já refletiu o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill.

Wagner Moura, ao querer fazer de Marighella um herói, enfrentará contra ele a História real indo de encontro ao seu revisionismo. É um suposto mártire que não se sustenta, o que não quer dizer que o regime militar não tenha cometido erros graves. Mas é que as coisas são o que são e não os nossos desejos ideológicos.

Moura diz que o filme é "maior que Bolsonaro", o atual presidente da República. Claro que é! Ele visa um revisionismo histórico pretensioso que é maior que qualquer governo. Acontece que não se sustentará nos fatos, pois já o falsifica logo de saída ao caracterizar fisicamente Marighella. Quem deseja retratar a realidade deve fazer isso buscando a maior verossimelhança possível. Não vemos isso sequer no cartaz do filme.

O problema não é o revisionismo em si. Pois, todo autor - seja em livros ou no cimena - ao encontrar novos documentos, fatos, ou pesquisas que reforcem sua tese pode fazer a revisão. A questão é o conteúdo dessa revisão corresponder ou não aos fatos.

Sobre as questões técnicas do filme, aí é outra História. Não assisti e não posso falar. Agora, não nego que como ator Wagner Moura é competente, haja vista seus mais recentes papéis no cimena, como o capitão Nascimento de Tropa de Elite.

Em todo caso, ao leitor que quiser aprender mais sobre o período, aconselho os livros, começando pelo Manual do Guerrilheiro Urbano de Marighella, os aqui já citados, Ditadura à Brasileira de Marco Antônio Villla, 1964; O Golpe de Flávio Tavares; 1964: O Golpe que derrubou um presidente de Jorge Ferreira e Ângela de Castro; Borboletas e Lobisomens de Hugo Studart; 1964 de Marcos Napolitano; Ideais Traídos de Sylvio Frota, dentre tantos outros.

Nessa pequena lista que aqui coloco, há críticos ferrenhos do regime militar, como é o caso de Flávio Tavares e Jorge Ferreira. Há até progressistas. Não indico apenas um "lado", mas sim leituras que até fazem contrapontos entre si. Assim, que o leitor forme sua própria visão e consciência sobre os fatos. Sem romantismos ideológicos de qualquer parte.

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Saída do Coronel Ivon: distanciamento entre Rui Palmeira e Collor?

Foto: Gabriela Flores/CM/Arquivo 13880904551473 Coronel Ivon Berto

Na Coluna Labafero, aqui do CadaMinuto, há a informação de que o secretário municipal de Segurança Comunitária, coronel Ivon Berto, vai deixar a pasta. Conversei com um nome próximo do prefeito Rui Palmeira (PSDB) que confirmou tal fato.

Segundo ele, Ivon Berto já chegou a conversar com as pessoas de sua equipe na administração municipal e deixou claro que não deixa o cargo por vontade própria, mas em função das composições políticas.

O coronel Ivon Berto foi candidato a vice-prefeito nas eleições municipais passadas ao lado de Paulo Memória. Na época pelo PTC, quando o partido abrigava o senador Fernando Collor de Mello. De lá pra cá, Collor mudou de legenda: foi para o PTB e agora está no PROS.

No segundo turno daquela eleição, Berto apoiou Rui Palmeira em oposição ao ex-deputado federal Cícero Almeida. Naquele momento, Berto era visto como um nome muito ligado ao senador Collor. Nos bastidores, a pergunta tem sido a seguinte: a saída de Berto significa um afastamento entre Rui Palmeira e Fernando Collor de Mello?

Apesar de cedo, grupos políticos já se organizam pensando na disputa de 2020, quando a Prefeitura Municipal de Maceió estará em jogo. Vale lembrar que, em 2018, Collor ensaiou uma candidatura ao governo em uma coligação com o PSDB. Muitos tucanos debandaram do apoio a Collor. Rui Palmeira participou timidamente do processo eleitoral.

Resultado: Collor desistiu da candidatura.

Em relação a Ivon Berto, a fonte com quem conversei disse que o secretário se estruturava visando uma candidatura à Câmara Municipal de Maceió. Estar em um grupo político facilita esse caminho. Logo, a pasta era uma vitrine para muita coisa.

Por outro lado, outra fonte da gestão municipal diz que não há qualquer sinal de rompimento político e que a mudança de secretário não sinaliza isso. Diz até que a possível troca foi acordada com Collor.

Em todo caso, Rui Palmeira tem dois anos pela frente para construir um candidato à Prefeitura de Maceió. Dentro de seu grupo não faltam nomes: há o vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP) e o secretário de Saúde, Thomaz Nonô (Democratas), dentre outros.

Por falar em Nonô, há quem diga que ele vem sendo estimulado por forças externas à Prefeitura de Maceió, como é o caso do deputado estadual Marcelo Victor (SDD), que hoje preside a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas.

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